9 de ago de 2016

Há uma bolha enorme de gás girando ao redor de nossa galáxia



Quer saber de algo que vai fazer você se sentir como um micróbio? Nossa galáxia, a Via Láctea, uma grande coleção de centenas de bilhões de estrelas e planetas, é apenas um pequeno núcleo enterrado profundamente dentro de uma enorme bolha de gás com milhões de graus que está girando a uma velocidade assustadora de 640 mil quilômetros por hora.  Os astrônomos sabem há algum tempo que a nossa galáxia está situada dentro de um nimbo feito de um difuso material de formação de estrelas chamado plasma. Mas, até agora, achávamos que este plasma extra-galático era estacionário. Não é bem assim, de acordo com um novo estudo da Universidade de Michigan, nos EUA, que usou dados de arquivo do telescópio XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia, para medir como a luz desta névoa gigante ao redor de nós tem se curvado e distorcido ao longo dos milhões de anos-luz que ela viaja para alcançar nossos olhos.

Ao examinar as mudanças no comprimento de onda dos átomos de oxigênio, os pesquisadores foram capazes de mostrar que a nossa bolha galática não só está girando, como está girando insanamente rápido, e na mesma direção que a Via Láctea. Isso nos dá uma pista importante sobre a forma como a nossa galáxia foi formada. “Isso (a descoberta) nos diz que essa atmosfera quente é a fonte original de uma grande quantidade de matéria. Ao continuar a estudar a grande Bolha-Mãe, os astrônomos esperam aprender mais sobre como a matéria entrou no pequeno embrião cheio de estrelas de uma galáxia que chamamos de lar ao longo do tempo cósmico. Claro, eles eventualmente vão descobrir que a nossa galáxia, com bolha e tudo, é nada mais do que uma bola de gude em um saco gigante de bolas de gude pertencentes a uma espécie de Deus excêntrico, mas vamos deixar eles chegarem lá por conta própria.
Fonte: Gizmodo

O que está acontecendo dentro de CERES? Novas descobertas a partir de dados de gravidade

Esta impressão de artista mostra um diagrama de como o interior de Ceres pode estar estruturado, com base em dados sobre o campo gravitacional do planeta anão obtidos pela missão Dawn. Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

Nas dezenas de milhares de imagens transmitidas pela sonda Dawn da NASA, não é visível o interior de Ceres. Mas os cientistas têm dados poderosos para estudar a estrutura interna de ceres: o próprio movimento da Dawn. Dado que a gravidade domina a órbita da Dawn em Ceres, os cientistas podem medir variações na gravidade de Ceres por meio de mudanças subtis no movimento do veículo espacial. Usando dados da Dawn, os cientistas mapearam as variações na gravidade de Ceres pela primeira vez num novo estudo publicado na revista Nature, que fornece pistas para a estrutura interna do planeta anão.

"Os novos dados sugerem que Ceres tem um interior fraco, e que a água e outros materiais leves separaram-se parcialmente da rocha durante uma fase de aquecimento no início da sua história", afirma Ryan Park, autor principal do estudo e supervisor do grupo de dinâmica do Sistema Solar no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.O campo gravitacional de Ceres é medido através da monitorização de sinais de rádio enviados até à Dawn e, em seguida, recebidos cá na Terra pela DSN (Deep Space Network) da NASA. Esta rede é uma coleção de grandes antenas situadas em três locais espalhados pelo mundo que comunicam com naves interplanetárias.

Usando estes sinais, os cientistas podem medir a velocidade da sonda até uma precisão de 0,1 mm por segundo, e depois calcular os detalhes do campo de gravidade. Ceres tem uma propriedade especial chamada "equilíbrio hidrostático", que foi confirmada neste estudo. Isto significa que o interior de Ceres é fraco o suficiente para que a sua forma seja regulada pela forma como gira. Os cientistas chegaram a essa conclusão comparando o campo gravítico de Ceres com a sua forma. O equilíbrio hidrostático de Ceres é uma razão pela qual os astrónomos classificaram o corpo como planeta anão em 2006.

Os dados indicam que Ceres é "diferenciado", o que significa que tem camadas de composição distinta a diferentes profundidades, sendo a mais densa o núcleo. Os cientistas também descobriram que, como suspeitavam, Ceres é muito menos denso do que a Terra, a Lua, do que o gigante asteroide Vesta (o alvo anterior da Dawn) e outros corpos rochosos do nosso Sistema Solar. Além disso, há muito que se suspeitava que Ceres continha materiais de baixa densidade, como água gelada, que o estudo mostra que se separaram do material rochoso e subiram até à camada mais exterior juntamente com outros materiais leves.

"Nós descobrimos que as divisões entre camadas diferentes são menos pronunciadas no interior de Ceres do que na Lua e noutros planetas do nosso Sistema Solar," comenta Park. "A Terra, com o seu núcleo metálico, manto semifluido e crosta exterior, tem uma estrutura mais claramente definida do que Ceres. Os cientistas também descobriram que as áreas de alta elevação de Ceres deslocam massa no interior. Isto é análogo ao modo como um barco flutua na água: a quantidade de água deslocada depende da massa do barco. Da mesma forma, os cientistas concluem que o manto fraco de Ceres pode ser puxado pela massa de montanhas e outra topografia elevada na camada externa, como se as áreas de alta elevação "flutuassem" sobre o material abaixo.

Este fenómeno já foi observado noutros planetas, incluindo a Terra, mas este estudo é o primeiro a confirmá-lo em Ceres. A estrutura de densidade interna, com base nos novos dados de gravidade, ensina aos cientistas mais sobre os processos internos que podem ter ocorrido no início da história de Ceres. Ao combinar esta nova informação com dados anteriores da composição superficial de Ceres pela Dawn, podem reconstruir essa história: a água deve ter estado móvel no antigo subsolo, mas o interior não aqueceu até às temperaturas em que os silicatos derretem e que um núcleo metálico se forma. Sabemos, graças a estudos anteriores da Dawn, que devem ter existido interações entre a água e a rocha no interior de Ceres," realça Carol Raymond, coautora e vice-investigadora principal da Dawn no JPL. "Isto, combinado com a nova estrutura de densidade, diz-nos que Ceres passou por uma complexa história térmica".
Fonte: Astronomia Online

Megaestrutura alienígena ficou ainda mais misteriosa

estrela Tabby misteriosa

Há um ano, a estrela até então praticamente desconhecida KIC 8462852 – batizada de estrela Tabby – virou a obsessão de muitos astrônomos e apaixonados pelo espaço. O corpo espacial piscante conquistou essa fama repentina quando pesquisadores afirmaram que ele poderia ser o resultado de uma megaestrutura alienígena. Observação cuidadosa da estrela não revelou sinais de aliens, mas sua luminosidade atípica continua provocando pesquisadores. Agora, algumas coisas ficaram um pouco mais estranhas. Um trabalho ainda não publicado em revistas científicas foi postado nesta sexta-feira (5) no arquivo de trabalhos científicos arXiv, pelo astrônomo Ben Montet, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA), e por Joshua Simon, do Intituto Carnegie (EUA). A dupla descreve os resultados de uma análise fotométrica da estrela.

Ao estudar as imagens captadas pela sonda Kepler, os dois descobriram que o brilho da estrela se reduz em certos momentos em 20% e que seu fluxo radiante total diminuiu continuamente os últimos quatro anos. Nos primeiros 1000 dias de observação, a luminosidade da estrela diminuiu aproximadamente 0,34% por ano. Nos 200 dias seguintes, a estrela escureceu ainda mais rápido, em 2% antes de se estabilizar. Em geral, a estrela ficou 3% menos iluminada nos quatro anos em que a sonda Kepler a observou – pode não parecer, mas esta é uma mudança enorme. Os astrônomos observaram outras 500 estrelas ao seu redor e não notaram comportamento semelhante. A parte que realmente me surpreendeu foi quão rápido a não-linear foi. Gastamos um grande tempo tentando nos convencer de que isso não era real. Não conseguimos”, afirmou Montet.

Análise de imagens do século XIX
No início de 2016 outro pesquisador também observou este fenômeno. Bradley Schaefer, da Universidade do Estado de Luisiana (EUA), examinou antigas fotografias do espaço, datadas desde o século XIX. Ele percebeu que nos últimos 100 anos a luz total liberada pela estrela diminuiu 19%. Assim que seu trabalho foi publicado, outros astrônomos alegaram que suas conclusões estavam incorretas por que suas informações estavam problemáticas. Essa polêmica motivou Montet a observar o comportamento a longo prazo da estrela, mas de outra forma. “Percebemos que para resolver isso, precisamos da base mais longa possível ou de dados de alta precisao. Kepler foi a segunda opção”, explica ele. A mudança observada por Montet foi duas vezes mais rápida que a de Schaefer, mas ele não acredita que o outro trabalho está incorreto. “São diferentes, mas não necessariamente inconsistentes”, diz.

Próximo passo
Está claro que não vamos desvendar este mistério até que tenhamos imagens melhores da estrela. E é exatamente isso que a astrônoma que descobriu a estrela, Tabby Boyajian, quer fazer. Ela conseguiu levantar a soma necessária para utilizar o Observatório Global de Las Cubres em uma campanha de crowdfunding. Boyajian vai observar sua estrela por um ano inteiro para tentar captar o momento exato em que a estrela muda sua luminosidade. Se isso acontecer, outros telescópios ao redor do mundo estarão prontos para entrar em ação.
Fonte: Gizmodo

Investigadores descobrem que atividade vulcânica de Mercúrio parou há 3,5mil milhões de anos

Imagem de Mercúrio a cores melhoradas. O depósito brilhante e circular acima do centro da imagem é um enorme depósito vulcânico efusivo, situado dentro da maior cratera de impacto do planeta, a bacia Caloris. Crédito: NASA/JHUAPL/CIW

Uma nova pesquisa da Universidade Estatal da Carolina do Norte, EUA, descobriu que a maior parte da atividade vulcânica no planeta Mercúrio muito provavelmente terminou há 3,5 mil milhões de anos atrás. Estas descobertas fornecem mais informações sobre a evolução geológica de Mercúrio em particular, e sobre o que acontece quando os planetas rochosos arrefecem e contraem. Existem dois tipos de atividade vulcânica: efusiva e explosiva. O vulcanismo explosivo é muitas vezes um evento violento que resulta em grandes erupções de cinzas e detritos, como por exemplo o Monte Santa Helena em 1980. O vulcanismo efusivo refere-se a fluxos de lava generalizados que despejam lentamente para a paisagem - que se acredita ser um processo fundamental pelo qual os planetas formam as suas crostas.

A determinação das idades dos depósitos de vulcanismo efusivo pode dar aos investigadores mais informações sobre a história geológica de um planeta. Por exemplo, o vulcanismo efusivo esteve ativo há algumas centenas de milhões de anos atrás em Vénus, há alguns milhões de anos em Marte, e ainda ocorre hoje na Terra. Até agora, a duração da atividade vulcânica efusiva em Mercúrio, composto pelos mesmos materiais que os outros planetas, era desconhecida.

Paul Byrne, professor assistente e geólogo planetário da Universidade Estatal da Carolina do Norte, juntamente com colegas, determinou o momento em que a maior parte do vulcanismo que formou a crosta de Mercúrio terminou usando fotografias da superfície obtidas pela missão MESSENGER da NASA. Como não existem amostras físicas do planeta que podem usadas para a datação radiométrica, os investigadores utilizaram a análise de frequência de crateras, na qual o número e tamanho de crateras à superfície do planeta são colocados em modelos matemáticos estabelecidos, a fim de calcular as idades absolutas dos depósitos vulcânicos efusivos em Mercúrio.

De acordo com os resultados, a maior parte do vulcanismo em Mercúrio terminou há cerca de 3,5 mil milhões de anos atrás, em contraste com as idades vulcânicas de Vénus, Marte e da Terra. Há uma grande diferença geológica entre Mercúrio e a Terra, Marte ou Vénus," salienta Byrne. "Mercúrio tem um manto muito mais pequeno, onde o decaimento radioativo produz calor, do que os outros planetas, e por isso perdeu o seu calor muito mais cedo. Como resultado, Mercúrio começou a contrair e a crosta essencialmente vedou quaisquer condutas a partir das quais o magma podia chegar à superfície.

"Estes novos resultados validam previsões com 40 anos acerca do arrefecimento e contração global que desligou o vulcanismo," continua Byrne. "Agora que podemos explicar as observações das propriedades vulcânicas e tectónicas de Mercúrio, temos uma história consistente para a sua formação e evolução, bem como uma nova visão sobre o que acontece quando corpos planetários arrefecem e contraem. A investigação foi publicada na revista Geophysical Research Letters e também foi financiada pela missão MESSENGER.
Fonte: Astronomia Online

Você sabe qual é a maior estrela do universo?

UY Scuti
Todo mundo sabe que basta olhar para o céu em uma noite clara se você quiser encontrar uma estrela, uma verdadeira infinidade delas, mas apenas uma fracção microscópica é visível a olho nu. Na verdade, a estimativa é que existam 100 bilhões de estrelas em 10.000 bilhões de galáxias no universo visível, com as mais variadas cores e tamanhos, muitas fazendo nosso sol parecer um abajur. Mas qual é o verdadeiro gigante dos céus? Para responder essa pergunta, o professor de astronomia Daniel Brown, da Nottingham Trent University, no Reino Unido, escreveu um artigo para o site “The Conversation” e, segundo ele, precisamos, antes de mais nada, definir o que queremos dizer com gigante: aquela com o maior raio ou a maior massa?

Galácticas gigantes
De acordo com o artigo, a estrela com o maior raio conhecido atualmente é a UY Scuti, uma supergigante vermelha brilhante variável na constelação de Scutum. Situada a cerca de 9.500 anos-luz da Terra e composta de hidrogênio, hélio e outros elementos mais pesados ​​semelhantes à composição química do sol, a estrela tem um raio 1.708 vezes maior que o nosso astro-rei, o que dá cerca de 1,2 mil milhões de km, com uma circunferência de 7,5 bilhões de km. Para colocar isso em perspectiva, um avião comercial levaria 950 anos para voar em torno dela e a luz levaria 6 horas e 55 minutos para fazer o mesmo percurso.

Se estivesse no lugar do nosso sol, sua superfície estaria em algum lugar entre as órbitas de Júpiter e Saturno – a Terra, obviamente, seria engolida. Dada a sua enorme dimensão e uma possível massa de 20 a 40 vezes maior do que o nosso sol (ou 2-8 × 10³¹kg), UY Scuti tem uma densidade provável de 7 × 10⁻⁶ kg / m³. Em outras palavras, é mais de um bilhão de vezes menos densa do que a água”, explica o professor. Ou seja, se pudéssemos colocar essa estrela na maior piscina do universo, ela teoricamente flutuaria. Mas, se isso ainda não é bom o suficiente, é possível ir além. UY Scuti pode ser grande, mas não é um peso pesado. A rainha dos pesos pesados ​​é a estrela R136a1, localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 165 mil anos-luz de distância.
R136a1
R136a1
Ataque massivo
Esta estrela, uma esfera de hidrogênio, hélio e elementos mais pesados ​​com cerca de metade da quantidade do sol, tem apenas 35 vezes o raio da nossa estrela, mas é 265 vezes mais massiva. Isso fica ainda mais impressionante se for levado em conta que ela já perdeu 55 massas solares durante o seu tempo de vida 1,5 milhão anos. Esta estrela do tipo Wolf-Rayet está longe de ser estável. Ela tem a aparência de uma esfera azul distorcida com nenhuma superfície distinta à medida que libera poderosos ventos estelares. Estes ventos viajam a 2,600 km/s – ou 65 vezes mais rápido que a sonda Juno, o objeto mais rápido já feito pelo homem. Como resultado, ela perde massa a uma taxa de 3,21 × 10¹⁸kg/s – o equivalente a uma.

No melhor estilo rockstar, ela brilha muito e morre rápido. A R136a1 irradia nove milhões de vezes mais energia do que o nosso sol, e pareceria 94 mil vezes mais brilhante aos nossos olhos se o substituísse – ela é a estrela mais luminosa já descoberta. Ela tem uma temperatura de superfície de mais de 53.000K e só vai viver por dois milhões de anos. A sua morte será uma espécie de mega supernova espetacular e não deixará para trás nem mesmo um buraco negro”, afirma o astrônomo. Contra esses gigantes, o nosso sol parece um pouco insignificante, mas ele também vai crescer em tamanho à medida que envelhece. Em torno de sete e meio bilhões de anos, ele irá atingir o seu tamanho máximo como uma gigante vermelha, expandindo tanto que a órbita atual da Terra estará no seu interior.

Três supernovas explodiram em sequência e criaram uma bolha tripla de gás em expansão



Representação artística do objeto mostrando o aglomerado estelar, cercado pelas três bolhas. Crédito: Gabriel Pérez/SMM (IAC).

Representação artística do objeto mostrando o aglomerado estelar, cercado pelas três bolhas. Crédito: Gabriel Pérez/SMM (IAC).
É como se fosse uma matriosca, uma daquelas bonecas russas que tem outras bonecas idênticas dentro, assim foi descrita a descoberta dos restos de três supernovas consecutivas. O grupo de astrônomos liderados pelos pesquisadores do Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC) estava examinando a galáxia M33, no grupo local, e usando um programa chamado BUBBLY, feito para detectar bolhas de gás em expansão, quando se deparou com a descoberta única, uma bolha tripla.

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As três bolhas, como os cientistas as vêem

O que o grupo estava procurando eram superbolhas, o resultado da fusão de várias bolhas de gás em expansão, e que são encontrados em torno de aglomerados jovens de estrelas, quando acabou encontrando por acaso esta tripla bolha. Estas bolhas também guardam seus mistérios. Um deles é que a massa medida para as conchas é de centenas de vezes a massa do sol, só que supernovas expelem massas de dezenas de sóis, não centenas. De onde vem a massa destas bolhas, principalmente a massa da segunda e terceira bolhas, depois que a primeira varreu todo o gás no caminho?

A resposta deve estar no gás que rodeia as supernovas e na não-homogeneidade do meio interestelar. Devem haver massas mais densas de gás, cercadas de espaço com menor densidade de matéria. Uma supernova não consegue varrer estas bolhas, mas apenas arrancar a parte externa, deixando alguma coisa para trás, que as outras supernovas também arrancaram por sua vez. E na esteira da descoberta, outros mistérios são desvendados. A presença destas bolhas explica por que a formação de estrelas tem sido mais lenta que os modelos de evolução galáctica preveem. Sem estas bolhas, as galáxias espirais teriam vida muito curta, e nossa própria existência seria improvável.

A ideia de que o meio interestelar não era tão homogêneo não é nova, e esta tripla bolha permite visualizar de forma bem clara a estrutura e o processo de feedback. Os resultados ajudarão os físicos teóricos que trabalham no processo de feedback a ter uma melhor compreensão de como este processo funciona em todos os discos galácticos.
Fonte: Hypescience.com

A dança da atmosfera de Io

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Io, uma das luas de Júpiter, está á sombra do Gigante Gasoso Júpiter e tal conformidade faz com que a sua atmosfera fina apresente uma atividade interessante de transformação. Os gases vulcânicos congelam durante os eclipses diários da lua e, durante a presença de poucos raios solares, esses gases sublimam novamente em um processo que é uma verdadeira roda gigante, uma dança suave dentro de uma lua vulcânica. Esta pesquisa lança nova luz sobre as luas de Júpiter e pode ser mais um trabalho possivelmente agraciado pelos novos dados com a sonda Juno. Esta pesquisa é a primeira em que os cientistas observam  este fenômeno notável diretamente, melhorando a nossa compreensão desta lua geologicamente ativa”, explica Constantine Tsang, um dos cientistas da Southwest Research Institute em Boulder, Colorado.

O processo é fascinante. Io é o objeto mais vulcânico do Sistema Solar e seus vulcões são causados pelo aquecimento de marés e da força gravitacional de Júpiter e de outras luas. Durante uma erupção, vulcões em Io lançam na atmosfera dióxido de enxofre (SO2); esse gás entra em colapso enquanto Io está na sombra de Júpiter e, dessa forma, congela na superfície. Quando a escuridão passa, o SO2 sublima e volta para atmosfera e o processo recomeça quando a lua cai mais uma vez na sombra do Gigante Gasoso.

Para chegar nessas conclusões, foram utilizados o Telescópio Gemini, no Havaí, e um instrumento chamado Texas Echelon Cruz Enchelle Spectrograph (TExES). Os dados também mostraram que os eclipses acontecem por duas horas ao dia (um dia em Io tem 1,7 dias terrestres). Ou seja, a cada duas horas do dia na lua, o SO2 está congelado na superfície. A volta desse gás para a atmosfera acontece quando a lua volta a sentir os raios solares. “Isso confirma que a atmosfera de Io está em um constante estado de colapso e reparação e mostra que uma grande fração da atmosfera é suportada por sublimação do SO2 congelado”, diz John Spencer, co-autor do estudo.

Antes das pesquisas atuais, observar a atmosfera de Io era uma tarefa complicada visto a escuridão de seu eclipse. O instrumento TExES mede a atmosfera de Io utilizando a radiação de calor ao invés da luz solar e o Gemini sente a assinatura de calor fraco nos ambientes colapsados da lua. Assim, a constatação do fenômeno foi uma surpresa para os astrônomos pela excentricidade de Io. As observações estavam sendo analisadas cuidadosamente desde 2013, quando Io estava a 675 milhões de quilômetros de distância da Terra. Durante duas noites, várias observações foram feitas incluindo a movimentação de Io pela sombra de Júpiter por cerca de 40 minutos até iniciar o sei eclipse diário.
Créditos: Yara Laiz Souza
SPACE TODAY

Buracos negros, os snipers que nos rondam no espaço

explosao raios gama

O Universo parece um lugar belo, cheio de maravilhas, até que você lembra todas as coisas que podem liquidar com a vida na Terra. Um asteroide, a morte do Sol, e até mesmo um buraco negro anos-luz longe de nós pode acabar com a vida aqui neste planetinha rochoso. Um dos episódios do “Kurzgesagt explains” (“Kurzgesagt explica”) explica como buracos negros podem disparar poderosos pulsos de energia chamados de disparos de raio-gama – ou “morte vinda do espaço” – a qualquer momento, de qualquer direção, e nossa única esperança é não estar na linha de fogo.

Raios gama, o que são - Raios gama são ondas eletromagnéticas que carregam energia, da mesma forma que a luz visível. Mas, diferente da luz visível, eles são muito, muito mais poderosos. Um único fóton de raio gama tem mais energia que um milhão de fótons de luz visível combinados, e com tanta energia, ele pode desfazer ligações moleculares, ionizar átomos, e destruir nosso DNA. Felizmente, temos nosso escudo que nos protege de raios gama, a camada de ozônio. Só que ela apenas nos protege de raios gamas normais. Os disparos de raios gamas são muito mais poderosos. De quanta energia estamos falando? Imagine reunir a energia de todas as estrelas que estejam a até 100 milhões de anos-luz, ou seja, de milhares de galáxias, cada uma com bilhões de estrelas, e então concentrar toda essa energia em um único raio laser. É este o poder de um disparo de raios gama.

Tipos de raios gama - Existem dois tipos de disparos de raios gama que conhecemos, os curtos e os longos. Os longos duram cerca de um minuto e se originam durante o colapso de uma supernova para um buraco negro. Os disparos curtos se originam quando um sistema binário se mescla e vira um buraco negro. Nos dois casos, se forma um buraco negro cercado por um disco magnetizado de gás deixado pela estrela ou estrelas originais. Como o vídeo explica, a rotação do buraco negro cria o campo magnético que afunila jatos quentes de partículas viajando a velocidades próximas da velocidade da luz.
Bem vindo à galeria de tiro-ao-alvo cósmica. Você é o alvo.
Morte por raios gama
Este tipo de disparo está acontecendo o tempo todo no Universo, o Telescópio Espacial de raios Gama Fermi, da Nasa, detecta pelo menos um deles por dia. Para nossa sorte, nenhum deles está apontado para nós, pelo menos não os que estão mais perto. O que é bom, já que um disparo destes deve arrancar completamente a camada de ozônio, deixando o planeta, e quase toda a vida complexa, ser torrada pela radiação do Sol. E talvez esta seja uma das explicações para não termos visto nenhum sinal de vida alienígena até agora, raios gama devem esterilizar pedaços da galáxia regularmente. A notícia ruim? Os raios gama viajam à velocidade da luz. Se houver um deles vindo na nossa direção, nós só vamos saber quando ele chegar aqui. E aí será tarde demais. Se você queria um motivo para se preocupar, aí tem um. 
Fonte: Hypescience.com

Anã branca fustiga anã vermelha com raio misterioso


Os astrónomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO, para além doutros telescópios tanto no solo como no espaço, e descobriram um novo tipo de estrela binária bastante exótica. No sistema AR Scorpii, uma anã branca em rotação rápida acelera electrões até quase à velocidade da luz. Estas partículas de alta energia libertam quantidades de radiação que fustigam a estrela companheira, uma anã vermelha, fazendo com que todo o sistema pulse drasticamente a cada 1,97 minutos e liberte radiação que vai desde o ultravioleta às ondas rádio. Este trabalho será publicado na revista Nature a 28 de julho de 2016. Em maio de 2015, um grupo de astrónomos amadores da Alemanha, Bélgica e Reino Unido, encontrou um sistema estelar que se comportava de um modo nunca antes observado.

Observações de seguimento, lideradas pela Universidade de Warwick e fazendo uso de vários telescópios, colocados tanto no solo como no espaço, revelaram a verdadeira natureza deste sistema anteriormente mal identificado. O sistema estelar AR Scorpii, ou AR Sco, situa-se na constelação do Escorpião a 380 anos-luz de distância da Terra. É composto por uma anã branca em rotação rápida, do tamanho da Terra mas com cerca de 200 000 vezes mais massa, e por uma anã vermelha fria com um terço da massa do Sol, que se orbitam mutuamente com um período de 3,6 horas, executando uma dança cósmica tão regular como um relógio. Este sistema binário de estrelas exibe um comportamento assaz violento. Altamente magnetizada e rodando muito depressa, a anã branca acelera electrões até quase à velocidade da luz. À medida que estas partículas de alta energia se deslocam no espaço, é libertada radiação num raio semelhante a um farol, que fustiga a anã vermelha fria, fazendo com que todo o sistema brilhe e desvaneça a cada 1,97 minutos.

Estes pulsos poderosos incluem radiação nas frequências rádio, algo que nunca tinha sido antes detectado num sistema com uma anã branca. O investigador principal Tom Marsh, do Grupo de Astrofísica da Universidade de Warwick, comenta: “O AR Scorpii foi descoberto há mais de 40 anos, mas não suspeitámos da sua verdadeira natureza até o começarmos a observar em 2015. Percebemos que estávamos a ver algo extraordinário poucos minutos depois de começarmos as observações. As propriedades observadas do AR Sco são únicas e misteriosas. A radiação emitida ao longo de uma grande gama de frequências indica emissão de electrões acelerados em campos magnéticos, o que pode ser explicado pela anã branca em rotação. A fonte de electrões propriamente dita permanece, no entanto, um mistério — não é claro se estará associada à própria anã branca ou à sua companheira mais fria.

O AR Scorpii foi inicialmente observado no início da década de 1970 e as suas flutuações de brilho regulares a cada 3,6 horas levaram a que fosse erradamente classificado uma
estrela variável isolada. A verdadeira natureza da variação em luminosidade do AR Scorpii foi revelada graças aos esforços conjuntos de astrónomos profissionais e amadores. Uma pulsação semelhante tinha sido já observada anteriormente, mas vinda de estrelas de neutrões — alguns dos objetos celestes mais densos conhecidos no Universo — e não de anãs brancas. Boris Gänsicke, co-autor do novo estudo e também da Universidade de Warwick, conclui: “Conhecemos estrelas de neutrões a pulsar há quase 50 anos e algumas teorias previam que as anãs brancas poderiam também apresentar um comportamento semelhante. É muito excitante termos descoberto um tal sistema e é também um exemplo fantástico de colaboração entre astrónomos amadores e profissionais.”
Fonte: ESO
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