17 de out de 2016

O universo contém ao menos DEZ VEZES mais galáxias do que pensávamos

Astrônomos usando dados das agências espaciais americana NASA e europeia ESA realizaram um censo preciso do número de galáxias no universo observável, concluindo surpreendentemente que existem pelo menos dez vezes mais do que pensávamos. Os resultados têm implicações claras para a nossa compreensão da formação de galáxias, e também ajudam a resolver um antigo mistério astronômico: por que o céu é escuro à noite?

Modelo matemático - Imagens do Hubble Deep Field, capturadas pelo telescópio Hubble em meados de 1990, deram a primeira visão sobre quantas galáxias haviam no universo. Estimou-se que o número era de cerca de 100 bilhões. Agora, uma equipe internacional liderada por Christopher Conselice da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, demonstrou que este número pode ser pelo menos dez vezes maior. Conselice e sua equipe chegaram a esta conclusão utilizando imagens do Hubble, dados de trabalhos anteriores dos pesquisadores e outros dados publicados. Eles meticulosamente converteram as imagens em 3D, a fim de fazer medições precisas do número de galáxias em diferentes épocas da história do universo. Além disso, eles usaram novos modelos matemáticos que lhes permitiram inferir a existência de galáxias que a atual geração de telescópios não pode observar. Isto levou à surpreendente conclusão de que cerca de 90% das galáxias no universo observável são realmente muito fracas e estão longe demais para serem vistas.

Galáxias fracas - Ao analisar os dados, a equipe estudou galáxias mais de 13 bilhões de anos no passado. Isto lhes mostrou que elas não são distribuídas uniformemente ao longo da história do universo. Na verdade, parece que houve um fator de mais dez galáxias por unidade de volume quando o universo tinha apenas alguns bilhões de anos em comparação com hoje. A maioria destas galáxias eram relativamente pequenas e fracas, com massas semelhantes às de galáxias satélites em torno da Via Láctea. Estes resultados são uma poderosa evidência de que uma evolução significativa ocorreu ao longo da história do universo, durante a qual as galáxias se fundiram, reduzindo drasticamente o seu número total.

Por que a noite é escura - A diminuição do número de galáxias também contribui para a solução do paradoxo de Olbers, ou paradoxo da noite escura, sobre por que o céu é escuro à noite. A equipe chegou à conclusão de que há tal abundância de galáxias que, em princípio, cada ponto no céu contém parte de uma galáxia. No entanto, a maioria destas galáxias são invisíveis para o olho humano e até para os telescópios modernos, devido a uma combinação de fatores: o desvio para o vermelho de luz, a natureza dinâmica do universo e a absorção de luz pela poeira intergaláctica e gás, que combinam-se para garantir que o céu noturno permaneça predominantemente escuro.
Fonte: Hypescience.com
[Phys]

A bela e Intrigante Galáxia NGC 278

Essa imagem, feita com a Wide Field Planetary Camera 2 do Telescópio Espacial Hubble, mostra a galáxia espiral chamada NGC 278. Essa beleza cósmica localiza-se a cerca de 38 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação de Cassiopeia. Olhando assim, a galáxia NGC 278, parece tranquila. Porém, a galáxia está passando por uma imensa explosão de formação de estrelas. Essa atividade furiosa pode ser percebida pelos nós de tonalidade azulada, que permeiam os braços espirais da galáxia, cada nó desse marca uma aglomeração de estrelas quentes recém-nascidas.

Contudo, a formação de estrelas na NGC 278 não é comum, ela não se estende para as bordas mais externas da galáxia, só acontecendo dentro de um anel interno de cerca de 6500 anos-luz de diâmetro. Essa dicotomia pode ser vista nessa imagem, enquanto o centro é brilhante, as extremidades são muito mais escuras.

Essa estranha configuração acredita-se, tenha sido causada por uma fusão com uma galáxia menor rica em gás, enquanto que o evento turbulento deu ligou o centro da NGC 278, a poeira remanescente da pequena galáxia desapareceu nas regiões mais externas da galáxia. Qualquer que seja a causa, esse anel de formação de estrela, chamado de anel nuclear, é extremamente incomum em galáxias sem uma barra no seu centro, fazendo da NGC 278 uma galáxia muito intrigante para ser estudada.
Fonte: http://www.spacetelescope.org

O coração antigo da Via Láctea

VISTA encontra restos de enxame estelar globular arcaico
Com o auxílio do VISTA, o telescópio infravermelho do ESO, descobriram-se pela primeira vez estrelas antigas do tipo RR Lyrae no centro da Via Láctea. As estrelas RR Lyrae encontram-se tipicamente em populações estelares com mais de 10 mil milhões de anos de idade. A sua descoberta sugere que o centro bojudo da Via Láctea provavelmente se formou a partir da fusão de enxames estelares primordiais. Estas estrelas podem mesmo ser os restos do mais massivo e mais antigo enxame estelar que ainda sobrevive na Via Láctea.

Uma equipa liderada por Dante Minniti (Universidad Andres Bello, Santiago, Chile) e Rodrigo Contreras (Pontificia Universidad Católica de Chile, Santiago, Chile) utilizou observações do telescópio infravermelho de rastreio VISTA, obtidas no âmbito do rastreio público Variáveis na Via Láctea (VVV), para fazer uma busca cuidada da região central da Via Láctea. Ao observar no infravermelho, que é menos afectado pela poeira cósmica do que a radiação visível, e explorando as excelentes condições de observação do Observatório do Paranal do ESO, a equipa conseguiu obter a visão mais clara desta região conseguida até à data. Foram encontradas uma dúzia de estrelas RR Lyrae antigas no coração da Via Láctea, as quais se desconheciam anteriormente.

A nossa Galáxia tem um centro densamente populado — uma característica comum a muitas galáxias, mas única no sentido em que nos encontramos suficientemente perto para o podermos estudar em profundidade. A descoberta de estrelas RR Lyrae fornece-nos evidências sólidas que ajudam os astrónomos a decidir entre duas teorias principais que competem para explicar a formação destes
bojos. As estrelas RR Lyrae encontram-se tipicamente em enxames globulares densos. Tratam-se de estrelas variáveis, sendo que o brilho de cada estrela RR Lyrae varia de forma regular. Ao observar o tamanho de cada ciclo de aumento e diminuição de brilho numa RR Lyrae, e medindo o brilho da estrela, os astrónomos podem calcular a distância a que a estrela se encontra.

Infelizmente, estas estrelas excelentes indicadoras de distância encontram-se frequentemente ofuscadas por estrelas jovens muito mais brilhantes e em algumas regiões estão escondidas pela poeira. Por isso, localizar estrelas RR Lyrae mesmo no coração extremamente denso da Via Láctea não tinha sido possível antes da obtenção de dados pelo rastreio público VVV levado a cabo no infravermelho. Ainda assim, a equipa descreveu a tarefa de localizar as estrelas RR Lyrae entre a enorme população de estrelas mais brilhantes situadas no centro da Via Láctea como extremamente difícil.

O seu trabalho árduo foi no entanto recompensado com a identificação de uma dúzia de estrelas RR Lyrae. A sua descoberta indica que restos de enxames globulares antigos se encontram espalhados no centro do bojo da Via Láctea. Rodrigo Contreras explica: “A descoberta de estrelas RR Lyrae no centro da Via Láctea tem implicações importantes na formação de núcleos galácticos. As evidências apoiam o cenário em que o bojo foi originalmente formado pela fusão de alguns enxames globulares.”

A teoria de que os bojos galácticos se formam através da fusão de enxames globulares é contestada pela hipótese concorrente de que estes bojos se formam devido à rápida acreção de gás. A descoberta destas estrelas RR Lyrae — quase sempre encontradas em enxames globulares — é uma forte evidência de que o bojo da Via Láctea se formou de facto através de fusão. Extrapolando, outros bojos galácticos semelhantes podem também ter-se formado do mesmo modo. Estas estrelas, para além de constituírem uma forte evidência para uma importante teoria de evolução galáctica, têm também muito provavelmente mais de 10 mil milhões de anos de idade — as  sobreviventes ténues de, possivelmente, o mais antigo e massivo enxame estelar da Via Láctea.
Fonte: ESO
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...