11 de nov de 2016

Hubble detecta estrela que atira “balas de canhão” gigantes

Este gráfico ilustra como o sistema binário da estrela V Hydrae está lançando bolas de plasma no espaço

O telescópio espacial Hubble, da NASA, detectou bolas superquentes de gás gigantes, duas vezes mais massivas que Marte, sendo ejetadas perto de uma estrela que está morrendo. As bolas de plasma foram disparadas a tal velocidade através do espaço que levaria apenas 30 minutos para viajarem da Terra à lua. Este “fogo de canhão” estelar aconteceu uma vez a cada 8,5 anos por pelo menos os últimos 400 anos.

V Hydrae

As bolas representavam um enigma para os astrônomos, porque o material ejetado não poderia ter sido expelido pela estrela hospedeira, chamada V Hydrae.  Ela é uma gigante vermelha a 1.200 anos-luz de distância, que perdeu pelo menos metade da sua massa para o espaço durante a sua agonia final. Gigantes vermelhas são estrelas nas fases tardias da vida que estão esgotando o seu combustível nuclear. A melhor explicação sugere que as bolas de plasma foram lançadas por uma estrela companheira invisível. De acordo com esta teoria, a companheira teria que ter uma órbita elíptica que a leva próxima da atmosfera da gigante vermelha a cada 8,5 anos. Conforme faz isso, engole material. Este material, em seguida, estabelece um disco em torno da estrela companheira e serve como plataforma de lançamento para as bolas de plasma, que viajam a cerca de 800 milhões de quilômetros por hora.

Nebulosas planetárias

Este tipo de sistema estelar poderia explicar uma estonteante variedade de formas brilhantes descobertas pelo Hubble vistas ao redor de estrelas moribundas, chamadas de nebulosas planetárias. De acordo com Raghvendra Sahai, principal autor do estudo, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia, nos EUA, essas bolhas gasosas vistas pelo Hubble podem se tornar mais tarde as estruturas ressaltadas em nebulosas planetárias. Observações do Hubble ao longo das últimas duas décadas têm revelado uma enorme complexidade e diversidade de estruturas em nebulosas planetárias. Por exemplo, o que parecem ser “nós” de material nas nuvens de gás em torno das estrelas moribundas. Os astrônomos especulam que esses nós são jatos ejetados por discos de material em torno de estrelas companheiras que não são visíveis nas imagens do Hubble. A maioria das estrelas em nossa galáxia são membros de sistemas binários.

Espectroscopia de imagem

A equipe de Sahai usou espectroscopia de imagem do telescópio Hubble para realizar observações de V Hydrae durante um período de 11 anos, primeiro de 2002 a 2004, e depois de 2011 a 2013. A espectroscopia decodifica a luz de um objeto, revelando informações sobre sua velocidade, temperatura, localização e movimento. Os dados mostraram uma série de monstruosas bolas superquentes, cada uma com uma temperatura de mais de 9.000 graus Celsius, o que é quase duas vezes mais quente que a superfície do sol. Os pesquisadores compilaram um mapa detalhado da localização das bolas, o que lhes permitiu traçar os primeiros aglomerados até 1986. “As observações mostram as bolhas se movendo ao longo do tempo”, disse Sahai. As estruturas chegaram tão longe quanto 60 bilhões de quilômetros de distância de V Hydrae, mais de oito vezes mais longe do que a distância do Cinturão de Kuiper, na borda de nosso sistema solar, do sol. As bolhas se expandem e resfriam conforme se movem mais longe. Porém, observações feitas em comprimentos de onda mais longos em 2004, pelo Submillimeter Array no Havaí, revelaram estruturas distorcidas que podem ser bolas de 400 anos atrás.

Mais mistérios

Com base nas observações, Sahai e seus colegas desenvolveram um modelo de uma estrela companheira com um disco de acreção para explicar o processo de ejeção.  Este modelo fornece a explicação mais plausível, pois sabemos que os motores que produzem jatos são discos de acreção”, explicou Sahai. “Gigantes vermelhas não têm discos de acreção, mas muitos provavelmente têm estrelas companheiras, que presumivelmente têm massas inferiores, porque evoluem mais lentamente. O modelo que propomos pode ajudar a explicar a presença de nebulosas planetárias bipolares, a presença de estruturas que parecem nós em muitos desses objetos, e até mesmo nebulosas planetárias multipolares. Nas observações, os pesquisadores notaram que o disco não dispara as bolas exatamente na mesma direção a cada 8,5 anos. Esta pode ser lateral ou vertical, devido a uma possível oscilação no disco. Isso ajuda a explicar algumas outras coisas misteriosas que tinham sido vistas nesta estrela. A V Hydrae é obscurecida a cada 17 anos, como se algo bloqueasse sua luz. Sahai e seus colegas sugerem que, devido à oscilação da direção dos jatos, as bolas alternam entre passar por trás e na frente de V Hydrae. Quando passam na frente da estrela, a obscurecem.
Fonte: HypeScience.com
[Phys]




Dia 14 temos extra-superlua Cheia!

A Lua no perigeu e no apogeu.  Crédito: NASA, Projecto Galileu

Saia à rua nas noites de 13 ou 14 de novembro e olhe para a Lua. Não só estará praticamente Cheia como, nessas noites, o nosso satélite natural estará perto do seu perigeu - o ponto orbital mais próximo do nosso planeta (hora exata do perigeu: 11:21 de dia 14, hora portuguesa). Isto significa que em novembro temos, novamente, uma superlua. O termo superlua entrou, nos últimos anos, no nosso vocabulário popular. Originalmente era um termo da astrologia moderna para uma Lua Nova ou Cheia que ocorre quando esta está entre 90-100% perto do perigeu numa dada órbita, mas agora refere-se mais amplamente a uma Lua Cheia que está mais próxima da Terra do que a média. Mas porque é que a Lua está mais próxima da Terra certas vezes, mas não noutras?

Dado que a órbita da Lua é elíptica, um lado (perigeu) está aproximadamente 50.000 km mais próximo da Terra do que o outro lado da órbita (apogeu). Quando ocorre o perigeu e a Lua está no lado oposto da Terra, da perspetiva do Sol, temos uma lua do perigeu ou, mais famosamente, uma superlua!

Esta coincidência ocorre três vezes em 2016. Tal como no passado dia 16 de outubro, no próximo dia 14 de dezembro, a Lua tornar-se-á Cheia no mesmo dia (a menos de 24 horas) do perigeu. Mas no dia 14 de novembro, a Lua atinge a sua fase Cheia apenas 2 horas e 31 minutos depois do perigeu - tornando-se, sem dúvida, numa extra-superlua. A Lua Cheia de dia 14 de novembro não só é a Lua Cheia mais próxima de 2016, como também é a Lua Cheia mais próxima, até à data, do século XXI (em mais de 68 anos, para ser exato). A Lua Cheia só chegará, novamente, tão perto da Terra na noite de 25 para 26 de novembro de 2034.

A superlua de [13 para] 14 de dezembro é notável por uma razão diferente: o seu brilho vai obscurecer a nossa observação da chuva de meteoros das Geminídeas. O brilhante luar vai reduzir a visibilidade dos meteoros ténues por um factor entre cinco e dez, transformando o que costuma ser uma fantástica chuva num mero rodapé astronómico. Os observadores poderão considerar-se sortudos se provavelmente conseguirem ver, durante o pico, uma dúzia de estrelas cadentes por hora. Bem, ao menos a Lua será notável.

Quão notável é uma superlua?

Uma superlua, ou uma Lua Cheia durante o perigeu, pode ser até 14% maior e 30% mais brilhante do que a Lua Cheia no apogeu. No entanto, nem sempre é fácil ver a diferença. É fácil mascarar uma diferença de 30% no brilho com nuvens ou com o brilho das luzes da cidade. Além disso, não existem réguas a flutuar no céu para medir diâmetros lunares. Pendurada bem alto, sem nenhum ponto de referência perto para fornecer uma sensação de escala, uma superlua Cheia poderá parecer-se com qualquer outra habitual.

Por outro lado, as Luas mais baixas podem criar o que se chama de "ilusão lunar". Quando a Lua está perto do horizonte, pode parecer anormalmente grande quando observada através de árvores, edifícios ou outros objetos em primeiro plano. O efeito é uma ilusão de ótica, mas esse facto não retira à experiência. As superluas são, inegavelmente, esplêndidas. Já tivemos uma, mas ainda podemos observar a sua beleza duas vezes até ao final do ano. Marque estas datas no seu calendário e disfrute do espetáculo astronómico. Não se esqueça - oportunidade fotográfica! E, como é normal para esta época do ano, proteja-se do frio!
Fonte: Astronomia Online




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