19 de dez de 2017

Mais informações sobre o objeto 'OUMUAMUA

Cientistas da Queen's University em Belfast lideraram investigações mundiais a um objeto misterioso que passou perto da Terra depois de chegar do espaço interestelar profundo. Desde que o objeto foi avistado em outubro, o professor Alan Fitzsimmons e a Dra. Michele Bannister da Escola de Matemática e Física da Queen's University lideraram uma equipa internacional de astrónomos para reunir um perfil do estranho visitante, que recebeu o nome 'Oumuamua.

A equipe foi composta por cientistas de outros locais do Reino Unido, dos EUA, Canadá, Taiwan e Chile.

A equipe mediu o modo como 'Oumuamua reflete luz solar e descobriu que é parecido com objetos gelados cobertos com uma crosta seca. Isto porque 'Oumuamua está exposto aos raios cósmicos há milhões de anos, talvez milhares de milhões, tendo formado à superfície uma camada isolante rica em materiais orgânicos.

A investigação, publicada esta semana na revista Nature Astronomy, sugere que a crosta seca de 'Oumuamua poderá ter protegido o seu interior gelado de ser vaporizado - mesmo quando o objeto estava a apenas 37 milhões de quilómetros do nosso Sol em setembro, a sua aproximação máxima à nossa estrela.

Fitzsimmons comenta: "Descobrimos que a superfície de 'Oumuamua é parecida com a dos pequenos corpos do Sistema Solar ricos em carbono, cuja estrutura é alterada pela exposição aos raios cósmicos.

"Também descobrimos que um revestimento de meio metro de espessura, rico em materiais orgânicos, poderá ter protegido o interior rico em água gelada, interior este como o de um cometa, de vaporizar quando o objeto foi aquecido pelo Sol, apesar de ter alcançado uma temperatura superior a 300º C."

Bannister e sua equipe observaram 'Oumuamua enquanto ainda estava ao alcance dos maiores telescópios do mundo e os seus achados foram publicados a semana passada na revista Astrophysical Journal Letters. Descobriram que o objeto tem a mesma cor que alguns dos gelados planetas menores que estudam nos limites do nosso Sistema Solar. Isto significa que diferentes sistemas planetários na nossa Galáxia contêm planetas menores como o nosso.

Trabalhando juntos, os investigadores conseguiram descobrir alguns factos muitos importantes sobre 'Oumuamua.

Bannister explica: "Descobrimos que este é um planetesimal com uma crosta bem 'cozida' que se parece muito com os mundos mais pequenos nas regiões externas do nosso Sistema Solar, tem uma superfície acinzentada/vermelha e é altamente alongado, provavelmente com o tamanho e forma do arranha-céus Gherkin em Londres.

É fascinante que o primeiro objeto interestelar descoberto se pareça muito com um mundo minúsculo do nosso Sistema Solar. Isto sugere que o modo como os nossos planetas e asteroides se formaram pode ter semelhanças com a formação de sistemas em torno de outras estrelas."

Bannister acrescenta: "Continuamos a estudar 'Oumuamua e esperamos fazer mais descobertas no futuro próximo. Descobertas como esta realmente ajudam a dar um pequeno vislumbre do que existe por aí e encorajam as pessoas a olhar para cima e a sentirem-se maravilhadas."
Fonte: Astronomia OnLine

O controverso Planeta Nove, novo integrante do Sistema Solar que ninguém nunca viu

Estudo científico que previu a existência de corpo celeste provisoriamente chamado de Planeta Nove tem dividido comunidade internacional nos últimos dois anos.
Ele tem dez vezes o tamanho da Terra e, por se encontrar 20 vezes mais distante do Sol que Netuno, precisa de 10 mil a 20 mil anos para completar sua órbita. Seu nome, ainda que provisório, é "Planeta Nove", porque se trata nada menos que do nono membro do Sistema Solar. 

O problema é que ninguém o viu. O astro foi descrito pela primeira vez há dois anos em uma pesquisa publicada na revista científica The Astronomical Journal e, desde então, divide a comunidade científica.

Mas os autores do estudo, Michael Brown e Konstantin Batygin, ambos especialistas do prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), estão acostumados com a controvérsia: eles fazem parte também da equipe de pesquisadores que rebaixou Plutão à categoria de planeta anão.

Embora muitos cientistas critiquem a falta de evidências definitivas sobre a existência do Planeta Nove, os pesquisadores preferem se concentrar na metade do copo que está cheia. É que, em todo esse tempo, nenhuma evidência surgiu para refutar a existência do planeta de forma conclusiva.

    "Nos últimos 170 anos, muitos afirmaram ter descoberto novos planetas e sempre estiveram errados", disse Brown à revista The Atlantic na semana passada.

O astrônomo afirmou que, "incrivelmente", ninguém conseguiu provar que seus cálculos para o nono planeta estejam errados.

Batygin, por sua vez, compartilhou em sua conta no Twitter o artigo da revista, intitulado "O Planeta Nove é real?" com o acréscimo do comentário: "A resposta curta é: sim".

É que, segundo os cientistas, é mais difícil imaginar o Sistema Solar sem esse astro do que com ele.

Indícios para o 'sim'

Para descrever a existência deste gigante planeta congelado, os pesquisadores basearam-se principalmente em dados indiretos, como seus supostos traços gravitacionais.

Em particular, estudaram seis objetos localizados no chamado Cinturão de Kuiper, uma região que se estende da órbita de Netuno até o espaço interestelar.

Esses corpos gelados têm órbitas elípticas que apontam na mesma direção, algo que é tão improvável que só poderia ser explicado pela presença de um corpo como o Planeta Nove, segundo defenderam Brown e Batygin em seu estudo original.

Em outubro, Batygin deu uma entrevista ao site de notícias da Nasa, agência espacial americana, em que disse: "Neste momento, existem cinco linhas diferentes de estudos com evidências observacionais que apontam para a existência do Planeta Nove".

De acordo com o astrofísico, "se você decidir eliminar essa explicação e imaginar que o Planeta Nove não existe, você geraria mais problemas do que soluções. De repente, você teria cinco enigmas diferentes e você deveria ter que desenvolver cinco teorias diferentes para explicá-los".

No mês passado, o próprio Batygin publicou um estudo que aumentaria as evidências defendidas por ele, em que afirma que o Planeta Nove até conseguiu mudar o sentido da órbita de objetos distantes do Sistema Solar.

Indícios para o 'não'

Nestes dois anos, astrônomos de diferentes partes do mundo apresentaram explicações alternativas ao nono planeta.

De acordo com um projeto chamado "Outer Solar System Origins Survey" ("Pesquisas sobre as origens para além do Sistema Solar"), por exemplo, que descobriu mais de 800 novos objetos transneptunianos (aqueles que orbitam o Sol a uma distância média superior à de Netuno), a distribuição desses corpos é realmente aleatória.

Eles até chegaram a dizer que os dados sobre os quais Brown e Batygin estão se baseando têm erros causados por fatores climáticos - assim, todos os cálculos seriam tendenciosos. Christopher Smeenk, filósofo da ciência da Universidade do Oeste de Ontário, nos Estados Unidos, foi além.

"Os cientistas muitas vezes são bons em desenvolver conclusões por contrastes, ao estilo de Sherlock Holmes", disse ele à revista The Atlantic. O famoso detetive, acrescentou, era capaz de elaborar probabilidades de culpa entre uma série de suspeitos.
Fonte: https://g1.globo.com

15 de dez de 2017

HH 666: O Eixo do Mal na Nebulosa de Carina

Recentemente a NASA publicou uma imagem tirada pelo telescópio Hubble que mostra um pilar de pó espacial de alguns anos-luz de comprimento. Trata-se da Herbig-Haro 666, uma jovem estrela descoberta em 2004 com uma má reputação não só por possuir em seu nome "o número do diabo", mas também porque constantemente lança para o espaço dois potentes fluxos de matéria capazes de destruir tudo ao seu redor. Por esta razão, a Herbig-Haro 666 é assim chamada pelos astrônomos de "eixo do mal" da nebulosa de Carina. 

O perfil em camadas do pilar é formado por ventos e radiação emitidos por esta estrela — uma das mais massivas e quentes da nebulosa. Para analisar melhor essa composição espacial os astrônomos a investigaram em luz infravermelha, que penetra em camadas de pó e assim a revela. Essa estrutura encontra-se dentro de uma região que dá origem a estrelas maiores da nossa galáxia — a nebulosa Carina — que brilha nos céus do sul à distância de 7.500 anos-luz.

Nasa utiliza inteligência artificial em nova descoberta do Kepler

Com a descoberta de um oitavo planeta, o sistema Kepler-90 é o primeiro a empatar com o nosso Sistema no que toca ao maior número de planetas. Crédito: NASA/Wendy Stenzel

Com a recente descoberta de um oitavo planeta em órbita de Kepler-90, uma estrela parecida com o Sol a 2545 anos-luz da Terra, o nosso Sistema Solar está agora empatado no que toca ao maior número de planetas em torno de uma única estrela. O planeta foi descoberto em dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA.

O recém-descoberto Kepler-90i - um planeta quente e rochoso que completa uma órbita em torno da sua estrela hospedeira a cada 14,4 dias - foi encontrado usando aprendizagem de máquina da Google. A aprendizagem de máquina é uma abordagem da inteligência artificial na qual os computadores "aprendem". Neste caso, os computadores aprenderam a identificar planetas ao encontrar casos, nos dados do Kepler, onde o telescópio registou sinais de planetas para lá do nosso Sistema Solar, conhecidos como exoplanetas.

"Tal como pensávamos, existem descobertas emocionantes à espreita nos nossos dados de arquivo do Kepler, à espera da ferramenta ou da tecnologia certa para os encontrar," comenta Paul Hertz, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA em Washington. "Este achado mostra que os nossos dados serão um tesouro disponível para os inovadores investigadores durante anos."

A descoberta ocorreu depois dos investigadores Christopher Shallue e Andrew Vanderburg terem treinado um computador para aprender a identificar exoplanetas nas leituras de luz registadas pelo Kepler - as minúsculas mudanças no brilho captado quando um planeta passava em frente, ou transitava, uma estrela. Inspirados pela maneira como os neurónios se ligam no cérebro humano, esta "rede neuronal" artificial vasculhou dados do Kepler e encontrou fracos sinais de trânsito de um oitavo planeta previamente perdido em órbita de Kepler-90, na direção da constelação de Dragão.

Embora a aprendizagem de máquina já tenha sido usada anteriormente em pesquisas da base de dados do Kepler, esta investigação demonstra que as redes neuronais são uma ferramenta promissora para encontrar alguns dos sinais mais fracos de mundos distantes.

Outros sistemas planetários são provavelmente mais promissores para a vida do que Kepler-90. Cerca de 30% maior do que a Terra, Kepler-90i está tão perto da sua estrela que se pensa que a temperatura média da superfície exceda os 426º C, parecida com a temperatura diurna de Mercúrio. O seu planeta mais exterior, Kepler-90h, orbita a uma distância parecida à da Terra em relação ao Sol.  O sistema estelar Kepler-90 é como uma mini-versão do nosso Sistema Solar. Temos planetas pequenos no interior e planetas grandes no exterior, mas tudo está agrupado mais intimamente," afirma Vanderburg, astrónomo da Universidade do Texas em Austin e da NASA.

Shallue, um engenheiro sénior de software da equipa de investigação Google AI, teve a ideia de aplicar uma rede neuronal aos dados do Kepler. Ele interessou-se pela descoberta de exoplanetas depois de aprender que a astronomia, tal como outros ramos da Ciência, está rapidamente sendo inundada de dados à medida que a tecnologia para a recolha de dados espaciais avança.

"No meu tempo livre, comecei a pesquisar 'encontrar exoplanetas com grandes conjuntos de dados' e descobri mais sobre a missão Kepler e sobre o enorme conjunto de dados disponíveis," comenta Shallue. "A aprendizagem de máquina realmente brilha em situações onde existem tantos dados que os humanos não conseguem procurar por eles próprios."

Os quatro anos de dados do Kepler consistem em mais de 35.000 possíveis sinais planetários. Os testes automatizados, e por vezes os olhos humanos, são usados para verificar os sinais mais promissores nos dados. No entanto, os sinais mais fracos geralmente perdem-se usando estes métodos. Shallue e Vanderburg pensaram que podiam haver descobertas exoplanetárias mais interessantes à espreita nos dados.

Primeiro, treinaram a rede neuronal para identificar exoplanetas em trânsito usando um conjunto de 15.000 sinais previamente examinados do catálogo de exoplanetas do Kepler. No conjunto de testes, a rede neuronal identificou corretamente planetas verdadeiros e falsos positivos 96% do tempo. Então, tendo a rede neuronal "aprendido" a detetar o padrão de um trânsito exoplanetário, os investigadores dirigiram o seu modelo para procurar sinais mais fracos em 670 sistemas estelares que já possuíam múltiplos planetas conhecidos. A suposição era que os sistemas multiplanetários seriam os melhores lugares para procurar mais exoplanetas.

"Nós temos muitos falsos positivos de planetas, mas também potencialmente mais planetas verdadeiros," explica Vanderburg. "É como peneirar rochas para encontrar joias. Se tivermos uma peneira mais fina, apanhamos mais rochas, mas também mais joias. Kepler-90i não é única joia que esta rede neuronal descobriu. No sistema Kepler-80, encontraram um sexto planeta. Este, Kepler-80g, com o tamanho da Terra, e quatro dos seus planetas vizinhos, formam o que se chama de cadeia ressonante - onde os planetas estão bloqueados pela sua gravidade mútua numa dança orbital rítmica. O resultado é um sistema extremamente estável, semelhante aos sete planetas do sistema TRAPPIST-1.

O artigo científico que divulga estes achados foi aceite para publicação na revista The Astronomical Journal. Shallue e Vanderburg planeiam aplicar a sua rede neuronal ao conjunto completo das mais de 150.000 estrelas estudadas pelo Kepler. O Kepler produziu um conjunto de dados sem precedentes para a caça exoplanetária. Depois de olhar para uma zona do espaço durante quatro anos, o telescópio está agora a operar numa missão estendida e muda de campo de visão a cada 80 dias.

"Estes resultados demonstram o valor duradouro da missão do Kepler," comenta Jessie Dotson, cientista do projeto Kepler no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley. "Novas maneiras de ver os dados - como esta investigação em fase inicial de aplicar algoritmos de aprendizagem de máquina - prometem continuar a produzir avanços significativos na nossa compreensão dos sistemas planetários em torno de outras estrelas. Tenho a certeza que há mais novidades nos dados à esperam que as pessoas os encontrem."
Fonte: Astronomia OnLine

14 de dez de 2017

Dados do HERSCHEL ligam os misteriosos ventos dos QUASARES a formação estelar EXTREMA

Impressão artistica de um quasar numa galáxia formadora de estrelas. O quasar é alimentado por um buraco negro supermassivo no centro da galáxia. À medida que o gás é puxado para um disco de acreção em torno do buraco negro, aquece até temperaturas muito altas e irradia energia através do espectro eletromagnético, preferencialmente na direção de dois jatos poderosos. Além disso, a galáxia produz estrelas a uma taxa de centenas por ano. Em comparação, a nossa Via Láctea produz 1-2 estrelas por ano. Crédito: ESA/C. Carreau

Os astrónomos usaram o Observatório Espacial Herschel da ESA para resolver um mistério de décadas sobre a origem de poderosos ventos de gás frio nos arredores quentes de quasares. A evidência que liga estes poderosos ventos à formação estelar nas galáxias que albergam quasares também pode ajudar a resolver o mistério do porquê do tamanho das galáxias no Universo parecer estar limitado.

Desde a sua descoberta, na década de 1960, que os quasares têm fornecido um tesouro de perguntas para os astrónomos responderem. Estas fontes energéticas - até 10.000 vezes mais brilhantes do que a Via Láctea - são os núcleos de galáxias distantes com buracos negros supermassivos no seu centro. À medida que o gás é puxado para um disco de acreção em redor do buraco negro, é aquecido a temperaturas muito altas e irradia energia através do espectro eletromagnético, desde o rádio até aos raios-X - desta forma, nasce a assinatura de luminosidade do quasar.

Há cinco décadas que os astrónomos estudam os espectros de quasares para descobrir a origem da radiação eletromagnética que emitem e para traçar o percurso da luz até nós.

Uma ferramenta valiosa na compreensão desta viagem são as linhas de absorção nos espectros de radiação dos quasares. Estas linhas indicam os comprimentos de onda absorvidos à medida que a radiação viaja desde a fonte até ao observador, fornecendo pistas sobre o material por onde passou. Ao longo do tempo, o estudo dessas linhas traçou a composição das galáxias e das nuvens de gás situadas entre nós e esses distantes objetos luminosos, mas um conjunto de linhas de absorção permanecia por explicar.

Os astrónomos observaram linhas de absorção em muitos quasares, indicativas da absorção, pelo caminho, por gás frio com elementos metálicos pesados como o carbono, magnésio e silício. As linhas indicam que a luz viajou através de ventos de gás frio com velocidades de milhares de quilómetros por segundo no interior das galáxias hospedeiras dos quasares. Embora o conhecimento de que esses ventos existem não seja uma notícia nova, a sua origem e o porquê de conseguirem alcançar velocidades tão impressionantes, permaneciam desconhecidos.

Agora, o astrónomo Peter Barther e o seu estudante de doutoramento Pece Podigachoski, ambos do Instituto Kapteyn da Universidade de Groninga, juntamente com os colegas Belinda Wilkes do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (EUA) e Martin Haas da Ruhr-Universität Bochum (Alemanha), lançaram luz sobre as origens destes ventos frios. Usando dados obtidos com o Observatório Herschel da ESA, os astrónomos mostraram, pela primeira vez, que a força das linhas de absorção de metal associadas com estes misteriosos ventos gasosos está diretamente ligada com a taxa de formação estelar nas galáxias que hospedam os quasares. 

Ao encontrar esta tendência, os astrónomos são capazes de dizer com alguma confiança que a prodigiosa formação estelar dentro da galáxia-mãe pode ser o mecanismo que impulsiona esses ventos misteriosos e poderosos. A identificação desta tendência para prolífica formação estelar e íntima relação com os poderosos ventos dos quasares é, para nós, um achado emocionante," explica Pece Podigachoski. "Uma explicação natural para tal é que os ventos são alimentados pela explosão de formação estelar e produzidos por supernovas - que se sabe ocorrerem com grande frequência durante períodos de formação estelar extrema."

Esta nova ligação não só resolve um quebra-cabeças sobre os quasares, mas também contribui para desvendar um mistério ainda maior: porque é que o tamanho das galáxias observadas no nosso Universo parece estar limitado na prática, mas não em teoria.

"Além da questão de quais os processos responsáveis pelos ventos gasosos, o seu efeito é um tópico muito importante na astrofísica atual," explica Peter Barthel. "Embora as teorias prevejam que as galáxias podem crescer muito, não têm sido observadas galáxias ultramassivas. Parece que existe um processo que atua como um travão na formação de tais galáxias: os ventos internos, por exemplo, podem ser responsáveis por este denominado feedback negativo."

A teoria prevê que as galáxias devem ser capazes de crescer até massas cem vezes o observado. O facto de haver um déficit de gigantes no Universo implica a existência de um processo que esgota as reservas de gás nas galáxias antes de poderem alcançar o seu potencial máximo. Existem dois mecanismos que podem levar a esta redução de gás: o primeiro são os ventos das supernovas associados com a formação estelar. O segundo, os ventos associados ao buraco negro supermassivo no coração de cada quasar. 

Embora seja possível que ambos os mecanismos desempenhem um papel, a evidência de correlação entre os ventos de gás frio e a taxa de formação estelar descoberta pela equipa científica sugere que no caso dos quasares, a formação estelar, que requer um fornecimento constante de gás frio, pode ser a principal responsável no corte de gás da galáxia e na supressão da capacidade de fazer crescer a próxima geração de estrelas.

"Este é um resultado importante para a ciência dos quasares, um que se baseou nas capacidades únicas do Herschel," explica Göran Pilbratt, cientista do projeto Herschel na ESA. "O Herschel observa radiação no infravermelho distante e nos comprimentos de onda submilimétricos, permitindo o conhecimento detalhado do ritmo de formação estelar nas galáxias observadas, necessário para fazer esta descoberta."
Fonte: Astronomia OnLine

Maternidade estelar que salta à vista

A câmera OmegaCAM montada no Telescópio de Rastreio do VLT do ESO capturou esta imagem resplandescente da maternidade estelar Sharpless 29. Podemos ver muitos fenômenos astronômicos na imagem, incluindo poeira cósmica e nuvens de gás que refletem, absorvem e re-emitem a luz de estrelas quentes jovens situadas na nebulosa. A região do céu que vemos nesta imagem encontra-se listada no catálogo Sharpless de regiões HII: nuvens interestelares de gás ionizado onde abunda a formação estelar. Também conhecida por Sh 2-29, a Sharpless 29 situa-se a cerca de 5500 anos-luz de distância na constelação do Sagitário, próximo da maior Nebulosa da Lagoa. Esta região contém muitas maravilhas astronómicas, incluindo o local de formação estelar muito ativo da NGC 6559, a nebulosa que vemos no centro da imagem. 

Esta nebulosa central é a estrutura mais notável da Sharpless 29. Apesar de ter apenas alguns anos-luz de dimensão, esta nebulosa mostra bem a devastação que as estrelas podem criar ao formarem-se no interior de  uma nuvem interestelar. As estrelas quentes jovens na imagem não têm mais que dois milhões de anos de idade e lançam correntes de radiação de alta energia. Esta energia aquece a poeira e o gás ao redor, ao mesmo tempo que ventos estelares erodem e esculpem de forma dramática o seu local de nascimento. De fato, a nebulosa contém uma cavidade proeminente que foi escavada por um sistema binário muito energético. Esta cavidade está se expandindo, fazendo com que o material interestelar se acumule e criando a fronteira avermelhada em forma de arco. 

Quando o gás e poeira interestelares são bombardeados pela radiação ultravioleta emitida por estrelas quentes jovens, a energia recebida faz com que elas brilhem intensamente. O brilho vermelho difuso que permeia esta imagem vem da emissão do hidrogênio gasoso, enquanto que a luz azul é causada pela reflexão e dispersão da luz nas pequenas partículas de poeira. Além da emissão e reflexão, temos também a ocorrência de absorção nesta região. Regiões de poeira bloqueiam a luz que viaja até nós, impedindo-nos de ver as estrelas que se encontram por trás dela e pequenos tentáculos de poeira dão origem a estruturas filamentares escuras no nas nuvens. 

O ambiente rico e diversificado de Sharpless 29 dá aos astrônomos a possibilidade de estudarem uma variedade de propriedades físicas. O desabrochar da formação estelar, a influência das estrelas jovens sobre o gás e a poeira e os distúrbios originados por campos magnéticos podem ser observados e analisados numa única região. No entanto, as estrelas jovens massivas vivem depressa e morrem novas, terminando eventualmente as suas vidas de forma explosiva como supernovas e libertando para o espaço interestelar restos ricos de gás e poeira. Daqui a dezenas de milhões de anos, todo este material será varrido para fora da região e apenas restará um aglomerado aberto de estrelas.

Sharpless 29 foi observada com a OmegaCAM do ESO, montada no Telescópio de Rastreio do VLT (VST) no Cerro Paranal, no Chile. A OmegaCAM produz imagens que cobrem uma área do céu 300 vezes maior que a coberta pela câmera com o maior campo de visão do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, e consegue observar ao longo de um grande domínio de comprimentos de onda, desde o ultravioleta até ao infravermelho.  A sua característica principal é a capacidade de capturar a linha espectral muito vermelha de H-alfa, criada quando um elétron no interior de um átomo de  hidrogênio perde energia, uma ocorrência proeminente numa nebulosa como a Sharpless 29.
Fonte: ESO

Vaga-lumes cósmicos

Galáxias brilham como vagalumes nessa imagem espetacular feita pelo Telescópio Espacial Hubble. Esse enxame de vagalumes  é na verdade o rico aglomerado de galáxias, conhecido como Abell 2163. O Abel 2163 é um membro do catálogo Abell, um catálogo de todo o céu que tem mais de 4000 aglomerados de galáxias. Esse aglomerado é particularmente bem estudado pois o material localizado no seu núcleo, o chamado meio intra aglomerado, exibe propriedades excepcionais, incluindo um grande e brilhante halo nos comprimentos de onda de rádio, temperaturas extremamente elevadas e luminosidade em raios-X. Esse é o aglomerado mais quente do catálogo. 

Observando aglomerados massivos como o Abell 2163, é possível encontrar contribuições para o estudo da matéria escura, além de fornecer uma nova perspectiva sobre o universo distante, por meio do fenômeno das ondas gravitacionais. Essa imagem foi feita pela Advanced Camera For Surveys do Hubble e pela Wide Field Camera 3, para um programa de observação conhecido como RELICS. O programa consiste em fazer imagem de 41 aglomerados de galáxias massivos para encontrar as galáxias mais brilhantes e distantes, que serão estudadas em mais detalhe usando tanto os telescópios atuais, como o Telescópio Espacial James Webb.
Fonte: http://www.spacetelescope.org 

12 de dez de 2017

O físico brasileiro que não acredita em Big Bang

 Juliano Neves, doutor pela USP, questiona a famosa teoria — e propõe um universo diferente, que pode até ser cíclico.
Juliano Neves é um ateu da física: ele não acredita em Big Bang. O pós-doutorando na Universidade de Campinas causou um rebuliço na mídia na última semana ao afirmar que a expansão inicial do cosmos, a partir de uma singularidade de densidade infinita, é só uma visão entre várias possíveis.

Outras dessas visões — é bom lembrar, todas teóricas — pressupõem a existência de um universo cíclico, de um imenso balão em constante contração e expansão. Uma das consequências da adoção desse modelo seria a existência de um cosmos anterior ao nosso (e de um posterior também). O que deixou este repórter pensativo à noite, e te deixará também.

Para peitar o onipresente Big Bang, Neves usou uma analogia matemática com a outra coisa da astrofísica que, segundo a maior parte dos especialistas, tem densidade infinita: os buracos negros. O brasileiro parte de premissas diferentes das criadas por Stephen Hawking e Roger Penrose para compreender o espaço e o tempo — que sem dúvida são coerentes em si mesmos, mas não são os únicos desdobramentos possíveis da Relatividade Geral de Einstein. Para entender melhor essa ousadia e alegria, a SUPER bateu um papo de 13,8 bilhões de anos com Neves.

As várias histórias do Universo

O que torna a ciência um jeito tão eficiente de compreender o mundo é o fato de que ela não aceita respostas definitivas. Tudo só está provado até que se prove o contrário. É claro que precisamos pesar as evidências: se todos os experimentos feitos nos últimos 2 mil anos (que envolvem até, olha só, subir num foguete e ir para o espaço) pendem a favor de uma teoria — no caso, a de que a Terra é redonda —, então todo mundo dá o braço a torcer: pois é, a Terra é redonda mesmo.

Quando estamos lidando com a história de 13,8 bilhões de anos atrás — vulgo início do universo —, aí a coisa muda um pouco de figura. É quase impossível acumular evidências suficientes para cravar uma ou outra versão do parto do cosmos como 100% correta. Desde a publicação da Relatividade Geral, em 1915, as fórmulas de Einstein indicaram caminhos, interpretações plausíveis para o fenômeno.

Dentre elas, a mais popular e mainstream delas é a teoria do Big Bang. Uma singularidade — um estado inicial de energia impensavelmente grande e dimensões impensavelmente pequenas — se expande bruscamente e dá origem a tudo que conhecemos. Ela não é difundida só porque teve bons defensores na arena pública (como Stephen Hawking e Roger Penrose), mas porque sua matemática funciona especialmente bem. As contas dão certo quando existe uma expansão primordial nas fórmulas.

“Com o passar dos anos, a cosmologia padrão se estabelece com um universo em expansão e com a singularidade inicial”, conta Neves. Acontece que o modelo padrão tem problemas internos, como todo modelo físico tem, então muitos pesquisadores começam a pensar em alternativas.

Na teoria, a prática é outra

Os buracos negros que estão lá no céu — os que têm existência física e que trombam volta e meia, gerando ondas gravitacionais — são muito diferentes dos buracos negros matemáticos. Fórmulas são interpretações sintéticas de fenômenos reais, usadas para descrevê-los.

A matemática que apoia o Big Bang é a mesma matemática que apoia a descrição mais popular dos buracos negros: pontos de densidade infinita cercados por um horizonte de eventos. Um perímetro de não-retorno, além do qual nada é capaz de escapar da atração gravitacional — nem a própria luz.

Neves parte de um ponto de vista matemático diferente, que compartilha algumas conclusões amplamente aceitas, mas difere em um aspecto essencial. “O modelo que eu propus é a favor da expansão, da radiação cósmica de fundo e outras coisas muito bem estabelecidas [que também são essenciais para a cosmologia padrão]”, explica o brasileiro. “Mas eu não acredito na existência de singularidades. Não acho que houve um Big Bang, e eu também acho que, cruzando o horizonte de eventos, não há uma singularidade no interior dos buracos negros.”

Os buracos negros de Neves têm uma massa variável, que aumenta conforme você se aproxima do centro. São chamados regulares, em vez de singulares. Deles é possível pressupor um universo ricochete: em que não houve um Big Bang, e em que a fase atual de expansão foi precedida por uma de contração.

Evidências de outro mundo

Ele não é o primeiro. Ainda na década de 1970, um cientista brasileiro chamado Mário Novello (segue uma ótima história - http://revistaepoca.globo.com/Vida-util/noticia/2013/04/mario-novello-um-engano-benefico.html ) já levava muito a sério o questionamento do Big Bang, ainda que partindo de princípios diferentes dos de Neves. Ele chegou a publicar um livro sobre o assunto.

Neves acredita que, se a expansão atual do nosso universo de fato foi precedida pela contração de um universo anterior, talvez restem por aí ondas gravitacionais que tenham sido criadas no universo que veio antes do nosso — e que poderiam ser detectadas por nós.

Sua posição ainda não é tão popular entre astrofísicos, mas descobertas recentes, como a energia escura, deixam a cosmologia padrão em uma posição mais frágil do que a que ela ocupou nos últimos 50 anos. Visões que se opõem ao Big Bang tendem a se tornar cada vez mais comuns. E, mesmo que porventura não se provem corretas, terão a virtude de todas as hipóteses: alimentar a discussão mais importante da humanidade. Como, afinal, nós viemos parar aqui?
Fonte: https://super.abril.com.br

ESO 580-49 uma galáxia com tendências explosivas

Não se deixe enganar!!! O objeto retratado nessa foto do Hubble é a galáxia conhecida como ESO 580-49, parece tranquila e modesta, mas essa galáxia espiral na verdade possui tendências explosivas. Em Outubro de 2011, uma explosão cataclísmica, de radiação de raios gamma de alta energia, conhecida como explosão de raios-gamma, ou no inglês, GRB, foi detectada vinda da região do céu onde fica a ESO 580-49. 
Os astrônomos acreditam que a galáxia foi o local que abrigou a GRB, já que a chance de um alinhamento coincidente entre uma galáxia e uma GRB é de 1 em 10 milhões. A explosão aconteceu a cerca de 185 milhões de anos-luz de distância da Terra, o que faz dela ser a segunda explosão de raios-gamma mais próxima da Terra, já detectada. 
As explosões de raios-gamma estão entre os eventos mais brilhantes do cosmos, ocasionalmente superando o brilho combinado de raios-gamma de todo o universo por poucos segundos. A causa exata de uma GRB que provavelmente aconteceu dentro dessa galáxia, catalogada como GRB 111005A, ainda é um mistério. 
Alguns eventos conhecidos podem sim gerar GRBs, mas nenhuma dessas explicações parecem resolver a questão dessa explosão. Os astrônomos sugeriram que a ESO 580-49 abrigou um novo tipo de explosão GRB, um tipo que ainda não foi caracterizado.

Centro da nossa galáxia é mortal para seres vivos?

Quando buracos negros absorvem a matéria, emitem uma radiação tão forte que é capaz de "esterilizar" todos os planetas ao seu redor. Esta teoria também se aplica ao buraco negro gigante que domina o centro da Via Láctea.
É melhor não se aproximar de grandes buracos negros. E não só pelas razões já conhecidas — sua incrível força de gravidade capaz de "devorar" sistemas solares inteiros — mas também porque, enquanto estão em processo de "absorção" da matéria, emitem radiação ionizante intensa que é capaz de matar qualquer forma de vida que se encontra à distância de milhões de quilômetros ao seu redor. Pelo menos, tal conclusão é sugerida pelo artigo publicado na revista Scientific Reports.

De acordo com o artigo, Sagitário A* é um dos buracos negros supergigantes que faz parte da maior estrutura no centro da nossa galáxia. Seu tamanho é equivalente a quatro milhões de estrelas similares ao nosso Sol, e sua radiação é tão intensa que poderia causar morte de todos os seres vivos à distância de 10.000 anos-luz ao seu redor. Assim, tudo que se encontra no raio do seu alcance não é capaz de escapar à radiação.

No entanto, há 8.000 milhões de anos quando o buraco negro provavelmente estava no período do seu maior crescimento, a Terra e o Sistema Solar ainda não eram formados.

Os autores do estudo, astrofísicos Amedeo Balbi e Francesco Tombesi, da Universidade de Tor Vergata (Roma, Itália), indicam que não são os buracos negros que na verdade emitem radiação. É a própria matéria ao seu redor que antes de ser devorada, acelera-se a velocidades extremas e se aquece, emitindo no espaço ventos de raios X e luz ultravioleta tão intensos que poderiam literalmente "arrancar" a atmosfera do nosso planeta se vivêssemos apenas 1.000 anos-luz de distância de Sagitário A*.

Felizmente, nosso Sistema Solar é afastado do buraco negro cerca de 24.000 anos-luz, ou seja, localiza-se em "subúrbios" da nossa galáxia. Esse fato nos permite escapar da radiação de Sagitário A*.

Ao formular a hipótese sobre a presença de vida no universo, os cientistas sempre levaram em conta a radiação emitida por fontes poderosas tais como explosões de supernova ou focos de raios de gama. Mas o efeito 'esterilizante' provocado por buracos negros nunca foi levado em consideração.

"Esta consideração deve nos impulsionar a atualizar o conceito de zona habitável da galáxia. Nem todas as áreas da galáxia têm, de fato, o mesmo potencial de abrigar vida", explica Balbi.  Por um lado, o centro da galáxia é considerado um lugar totalmente estéril. Mas por outro, quanto mais chegarmos à borda da galáxia, diminui-se a densidade dos elementos pesados, necessários para a vida. Assim, os astrônomos supõem que o melhor lugar da Via Láctea para viver é a zona intermediária, ou seja, exatamente onde se localiza nosso sistema solar.
Fonte: https://br.sputniknews.com

2 planetas semelhantes à Terra foram descobertos, mas em qual deles há vida?

Um dos planetas localiza-se na zona habitável da sua estrela, o que significa que pode conter água líquida na sua superfície. Um grupo internacional de astrônomos encontrou à distância de 111 anos-luz da Terra um exoplaneta, cujas caraterísticas não excluem a presença de vida, informa o portal Phys org.  Novos estudos, que utilizaram dados obtidos através do Observatório Europeu do Sul (ESO), demostraram alguns detalhes quanto a esse exoplaneta pouco conhecido. Revelou-se que o exoplaneta gira ao redor da anã vermelha K2-18 e poderia ser uma versão de maior tamanho da Terra. 
No total, os cientistas descobriram dois planetas que orbitam ao redor dessa estrela na constelação de Leo. Um deles foi descoberto em 2015 e recebeu o nome de K2-18b. No entanto, somente agora os astrônomos começaram a estudá-lo. Encontra-se na zona habitável da sua estrela (mãe), porém pode conter água líquida na sua superfície. 
O segundo planeta chama-se K2-18c. Por localizar-se muito perto da sua estrela, fica fora da área potencialmente habitável. No entanto, durante seus estudos, os cientistas conseguiram determinar que K2-18b é um planeta principalmente rochoso com uma pequena atmosfera de gás, como a Terra, mas maior. Além disso, é o planeta que possui água — tem uma camada grossa de gelo na superfície.  
"Utilizando os dados que temos, não podemos distinguir entre estas duas possibilidades, mas com o telescópio espacial James Webb (JWST), seremos capazes de explorar o planeta e determinar se tem uma atmosfera extensa ou se é um planeta coberto por água", explicou um dos pesquisadores do grupo científico, o astrônomo Ryan Cloutier.
Fonte: https://br.sputniknews.com

O ESO vai construir o ELT com o espelho primário completo

O Conselho do ESO, o órgão gestor desta organização, acaba de autorizar gastos adicionais que cobrem o custo dos cinco anéis internos de segmentos para o espelho principal (M1) do Extremely Large Telescope (ELT), assim como um conjunto sobressalente de 133 segmentos de espelho (um sexto do M1 total) e uma unidade de manutenção adicional de segmentos de espelho. A decisão foi tomada na mais recente reunião do Conselho, realizada em Garching, na Alemanha, após recomendação favorável do Comitê Financeiro do ESO e tornada possível graças a um panorama financeiro melhorado.

O ELT é um telescópio terrestre revolucionário, que terá um espelho primário de 39 metros de diâmetro composto por 798 segmentos hexagonais. Será o maior telescópio óptico do mundo, “o maior olho do mundo virado para o céu”. A primeira luz do ELT está prevista para 2024.

Até agora os cinco anéis internos de segmentos do espelho primário do ELT encontravam-se na Fase 2 do projeto, não tendo tido ainda financiamento. Esta segunda fase incluía também uma unidade para lavagem, limpeza e revestimento dos segmentos de espelho, necessária para manter o espelho no seu desempenho máximo, assim como um conjunto sobressalente de 133 segmentos. Estas etapas da Fase 2 do telescópio tiveram agora sinal verde para avançar. A construção do telescópio está a pleno vapor, com quase 90% dos contratos da Fase 1, em valor, já assinados.
Fonte: ESO

7 de dez de 2017

Buraco negro mais antigo já encontrado tem a massa de 800 milhões de sóis

A mais recente edição da revista “Nature” traz uma descoberta titânica: um buraco negro de 800 milhões de massas solares é o mais antigo já estudado. Ele fica em um quasar luminoso e a luz que nos atinge é de quando o universo tinha apenas 5% de sua idade atual – 690 milhões de anos após o Big Bang.  A massa do buraco negro descoberto pela equipe do astrônomo da Carnegie Institution for Science, Eduardo Bañados, é o mais impressionante. “Reunir toda essa massa em menos de 690 milhões de anos é um enorme desafio para as teorias do crescimento supermassivo dos buracos negros”, explicou Bañados em um comunicado.

Refletores do Universo

Quasares são objetos extremamente brilhantes, constituídos por enormes buracos negros que agregam matéria nos centros de galáxias maciças. Para que buracos negros tão grandes se formassem logo depois do Big Bang, os pesquisadores supuseram que haveria condições permitindo o desenvolvimento de buracos negros supermassivos com até 100 mil vezes a massa do Sol – o que é totalmente diferente do que acontece hoje. Atualmente, os buracos negros que se formam raramente têm mais de algumas dezenas de massas solares.

Como são tão luminosos, astrônomos conseguem detectar quasares nos cantos mais escondidos do universo e eles estão entre os objetos mais distantes conhecidos pelo homem. Quanto mais longe eles estão, mais sua luz demora para nos atingir e mais antigos são. Por isso, são fundamentais para entendermos os primeiros momentos do Universo.

Até agora, o quasar mais antigo e distante conhecido era o ULAS J1120+0641, a 13,04 bilhões de anos-luz da Terra e criado cerca de 750 milhões de anos após o Big Bang. Já o quasar relatado no novo artigo, chamado ULAS J1342+0928, está a 13,1 bilhões de anos-luz de distância.

O começo de tudo

O ULAS J1342+0928 data de uma era conhecida como época da reionização, logo depois da idade das trevas do Universo, antes da formação dos corpos celestes luminosos. Após o Big Bang, o Universo era uma sopa de partículas extremamente energéticas em expansão e resfriamento constante. Aproximadamente 400 mil anos depois – muito rápido em escala cósmica -, essas partículas esfriaram e uniram-se em gás hidrogênio neutro. Até que a gravidade condensasse a matéria para formar as primeiras estrelas e galáxias, o Universo estava escuro. 

Mas algum evento, talvez a energia liberada por essas estrelas anciãs, fez com o que hidrogênio neutro se agitasse e ionizasse (perdendo um elétron), estado em que o gás permaneceu desde então. Com a reionização do Universo, fótons passaram a poder transitar livremente pelo espaço, tornando o universo transparente à luz.

Analisando o novo quasar, astrônomos puderam perceber que grande parte do hidrogênio ao seu redor é neutro, indicando que ele é uma fonte da época da reionização e que poderia ajudar a desvendar o que aconteceu nesse período da história cósmica. “Foi a última grande transição do universo e uma das atuais fronteiras da astrofísica”, explica o pesquisador.

 “Este quasar, em particular, é tão brilhante que se tornará uma mina de ouro para estudos de acompanhamento e será um laboratório crucial para estudar o universo inicial”, disse Bañados ao portal Space.com. “Nós já conseguimos garantir observações para este objeto com vários dos telescópios mais poderosos do mundo. Mais surpresas podem surgir”.

Porém, para que possam realmente traçar paralelos e encontrar padrões, os cientistas precisam encontrar novos exemplares de quasares tão antigos quanto esse – uma missão difícil. Durante a pesquisa, a equipe de Bañados analisou um décimo do céu visível da Terra e encontrou apenas o ULAS J1342+0928. As estimativas é de que existam apenas de 20 a 100 quasares do mesmo período em todo o espaço.

A descoberta e a análise do quasar foram feitas usando um dos telescópios de Magellan no Observatório Las Campanas, no Chile, assim como o Grande Telescópio Binocular, no Arizona, e o telescópio Gemini North, no Havaí. Com a construção de equipamentos ainda mais sensíveis, como o ELT, que deve ser inaugurado em 2024, no deserto do Atacama, em breve será possível investigar ainda mais a fundo os mistérios do universo. 
Fonte: https://hypescience.com/

Essa não! 4 casos em que humanidade quase achou prova da vida extraterrestre, mas não deu

Nesta matéria, fazemos questão de revisar quatro momentos em que a humanidade acreditava ter encontrado outras formas de vida, mas, mais tarde, a natureza alienígena destes fenômenos não pôde ser confirmada.
A humanidade sempre quis saber se estamos ou não sozinhos no universo, bem como provar a existência de outras formas de vida, seja humanoide ou de outra natureza. Enquanto o mundo espera pelos resultados da análise de bactérias vivas recentemente encontradas na superfície da Estação Espacial Internacional (EEI), que poderiam inclusive ter origem extraterrestre, vamos relembrar quatro ocasiões notáveis em que pensávamos ter encontrado evidências de outras formas de vida, mas logo depois esta teoria foi descartada ou simplesmente nunca chegou a ser confirmada.

Alienígenas ou um pulsar?
Em 1967, o astrofísica Jocelyn Bell Burnell descobriu o primeiro sinal de rádio de um pulsar (uma estrela de nêutrons que emite radiação periódica). Embora no início se pensasse que era um sinal emitido por alienígenas, mais tarde se entendeu sua origem natural.
Uau!
Em agosto de 1977, o astrônomo Jerry Ehman, da Universidade Estatal de Ohio (EUA), detectou um sinal espacial de origem desconhecida mais potente que todos os captados na altura. O sinal foi batizado como "Uau!" e foi considerado por muitos como uma prova da existência de vida inteligente extraterrestre. No entanto, em 2016 o astrônomo Antonio Paris apresentou uma teoria que refutou a origem alienígena do sinal, atribuindo-o a dois cometas que haviam sido observados na mesma área onde Ehman registrou sua descoberta. Posteriormente, o astrônomo confirmou sua versão.

Meteorito Allan Hills 84001

Em 1966, quando os cientistas anunciaram ter encontrado evidências de vida microbiana fossilizada em um meteorito de Marte chamado Allan Hills 84001, a notícia abalou todo o mundo.  No entanto, o exame posterior do meteorito provocou controvérsia entre os especialistas, já que muitos deles sugeriram que os fósseis pudessem ter aparecido lá devido a processos não biológicos. A respectiva pesquisa ainda permanece em debate, com este corpo espacial sendo investigado até hoje.

'Tabby'

A estrela KIC 8462852, apelidada de "Tabby", fica a cerca de 1.500 anos-luz da Terra e tem flutuações de luz estranhas. Seus padrões de escurecimento se consideram atípicos, uma vez que é uma estrela que excede um pouco o tamanho do Sol e deve ter um brilho mais ou menos constante. Tabby" continua sendo um dos principais mistérios para os astrônomos, que não conseguem entender por que, de vez em quando, a estrela fica sem luz.
Entre as teorias mais incríveis figura aquela que sugere a existência de uma megaestrutura, supostamente criada por uma civilização alienígena, avançada suficiente para usar a energia da estrela para seus próprios fins. No entanto, uma equipe de pesquisadores belgas recentemente sugeriu que "Tabby" poderia ser realmente uma nuvem de poeira que se move em redor da estrela e leva aproximadamente 700 dias percorrendo sua órbita.
Fonte: https://br.sputniknews.com

Todos os Eclipses de 2017

O painel acima mostra os eclipses lunares e solares de 2017 e as imagens foram feitas de 4 países diferentes, pelos famosos caçadores de eclipses. A temporada de eclipses de 2017 começou lá em Fevereiro, com um sutil eclipse penumbral da Lua. A imagem do canto superior esquerdo mostra o registro feito desde a República Tcheca. No eclipse penumbral a Lua passa somente pela penumbra da Terra projetada no espaço. Um mês depois, na Lua nova, aconteceu o eclipse anular do Sol que foi registrado da Argentina e está representado na imagem do canto superior direito. Um m6es que foi marcado pelos eclipses em 2017 foi o mês de Agosto. No canto inferior esquerdo está o registro do eclipse parcial da Lua registrado desde a Alemanha, e no canto inferior direito está uma imagem do grande eclipse de 2017, o eclipse total do Sol, eu foi observado por milhões de pessoas através dos EUA. Agora é esperar a temporada de 2018!!!
 Fonte: https://apod.nasa.gov/apod/ap171207.html

6 de dez de 2017

NASA encontra planeta que 'desafia todas as expectativas'

O misterioso mundo celestial nunca deixa de surpreender os cientistas. Um novo planeta chamado WASP-18b deixou cientistas da NASA encucados.
Os cientistas descobriram um planeta de desafia os conceitos dos cientistas, pois sua estratosfera está cheia de monóxido de carbono e não tem água. Esta descoberta sugere que o planeta poderia ter se formado de maneira totalmente nova, diferente de qualquer outro planeta conhecido pelo homem. A composição do WASP-18b desafia todas as expectativas", disse Kyle Sheppard, do Goddard Space Flight Center da NASA. 
"Nós não conhecemos nenhum outro planeta extrasolar, onde o monóxido de carbono domina completamente a atmosfera superior". 
Com a ajuda do telescópio espacial Hubble, os cientistas observaram as "impressões digitais" provenientes do planeta distante e perceberam que os materiais não combinavam com o que eles esperavam ver. A única explicação consistente para os dados é uma superabundância de monóxido de carbono e muito pouco vapor de água na atmosfera de WASP-18b, além da presença de uma estratosfera", disse Nikku Madhusudhan, co-autor do estudo do Universidade de Cambridge. 
Ele acrescentou que esta rara combinação de fatores "abre uma nova janela para a nossa compreensão dos processos fisicoquímicos em atmosferas exoplanetárias. Os cientistas esperam que, com o esperado lançamento do poderoso telescópio espacial James Webb, será possível descobrir mais sobre WASP-18b e outros planetas como ele.
Fonte: https://br.sputniknews.com

Photobomb astronômico: dois colossais buracos negros inesperados em foto de Andrômeda

Aparentemente, não são apenas humanos que não conseguem resistir à tentação de entrar de penetra na foto dos outros. Um grupo de cientistas foi surpreendido por um photobomb cósmico ao analisar imagens da galáxia Andrômeda: o que acreditavam previamente ser um tipo especial de estrela parece ser, na verdade, uma dupla de buracos negros orbitando muito perto um do outro – tão perto que algo parecido nunca tinha sido observado antes.

Inicialmente, acreditava-se que o objeto, batizado de J0045+41, estava dentro de Andrômeda, também conhecida como M31. Porém, usando dados do Observatório de raios-X Chandra, da Nasa, e dos telescópios Gemini-North, no Havaí, e Palomar Transient Factory, na Califórnia, os pesquisadores perceberam que ele está mil vezes mais longe.

“Estávamos procurando um tipo especial de estrela na M31 e achávamos ter encontrado uma”, disse o pesquisador responsável, Trevor Dorn-Wallenstein, que faz sua pós-graduação na Universidade de Washington, em um comunicado à imprensa . “Ficamos surpresos e entusiasmados por encontrar algo muito estranho!”.

Muito mais longe do que se pensava

Quando, a partir dos fortes sinais de raio-x detectados pelo Chandra, os astrônomos perceberam que o objeto não era um par de estrelas que orbitam a si mesmas a cada 76 dias, mudaram sua hipótese para um binário de buracos negros e uma estrela de nêutrons. Mas, em seguida, os dados espectrais do Gemini-North provaram que ali teriam que haver ao menos um buraco negro supermassivo. Isso permitiu aos pesquisadores calcular a distância do J0045+41, que está a 2,6 bilhões de anos-luz de distância de nós. Andrômeda, a nossa galáxia vizinha mais próxima, fica a 2,5 milhões de anos-luz – e espera-se que ela colida com a Via Láctea em cerca de 4 bilhões de anos.

O espectro também demonstrou que um segundo buraco negro estava presente em J0045+41, movendo-se a uma velocidade diferente do primeiro, o que é esperado se os dois buracos negros estiverem orbitando um ao outro. Já as variações periódicas medidas pelo Palomar Transient Factory são coincidentes com o esperado quando dois buracos negros supermassivos se orbitarem. Essa é a primeira vez em que foram encontradas evidências tão fortes de um par de buracos negros gigantes se orbitando”, declarou a co-autora Emily Levesque, também da Universidade de Washington.

Extremamente próximos

Segundo os cálculos dos cientistas, nunca foi descoberta uma dupla de buracos negros supermassivos tão próximos entre si. A estimativa é de que suas órbitas estejam separadas por apenas algumas centenas de vezes a distância entre a Terra e o Sol, o que corresponde a menos de um centésimo de um ano-luz. Em comparação, a estrela mais próxima do nosso Sol está a cerca de quatro anos-luz de distância.

A explicação para o surgimento desse sistema poderia ser uma fusão, bilhões de anos atrás, de duas galáxias, cada uma contendo um buraco negro supermassivo. À medida que emitem ondas gravitacionais, os dois buracos negros de J0045+41 estão inevitavelmente se aproximando cada vez mais um do outro. Como não puderam identificar a massa dos buracos negros, os cientistas não conseguiram prever quando a colisão acontecerá, podendo ser em 350 ou até 360 mil anos. Um artigo descrevendo a descoberta foi aceito para publicação na edição de novembro do periódico “The Astrophysical Journal” e está disponível on-line. 
[Nasa, Science Alert]
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