31 de ago de 2017

VLA revela campo magnético de galáxia distante

Esquerda: imagem, pelo Telescópio Espacial Hubble, do sistema de lente gravitacional CLASS B1152+199. O quasar de fundo sofre o efeito de lente graças a uma galáxia em frente, que produz duas imagens A e B. Direita: rotação de Faraday das imagens da lente. A imagem A deriva de uma linha de visão através dos arredores menos densos da galáxia que atua como lente com um campo magnético mais fraco, enquanto a imagem B deriva de uma linha de visão mais próxima do centro da galáxia, com mais densidade gasosa e um campo magnético mais forte.Crédito: Sui Ann Mao; Arquivo do Hubble (Rusin et al.)

Com a ajuda de uma gigantesca lente cósmica, astrónomos mediram o campo magnético de uma galáxia a quase cinco mil milhões de anos-luz de distância. Este marco astronómico está a fornecer pistas importantes sobre um problema nas fronteiras da cosmologia - a natureza e origem dos campos magnéticos que desempenham um papel importante na forma como as galáxias se desenvolvem ao longo do tempo.
Os cientistas usaram o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) do NSF (National Science Foundation) para estudar uma galáxia que forma estrelas situada diretamente entre um quasar mais distante e a Terra. A gravidade da galáxia atua como uma lente gigante, dividindo a imagem do quasar em duas imagens separadas a partir do ponto de vista da Terra. Mais importante, as ondas de rádio provenientes deste quasar, situado a quase 8 mil milhões de anos-luz de distância, estão preferencialmente alinhadas, ou polarizadas.
"A polarização das ondas provenientes do quasar de fundo, combinada com o facto de que as ondas que produzem as duas imagens de lente viajaram através de partes diferentes da galáxia interveniente, permitiu-nos aprender alguns factos importantes sobre o campo magnético da galáxia," comenta Sui Ann Mao, Líder do Grupo de Investigação Minerva para o Instituto Max Planck de Radioastronomia em Bona, Alemanha.
Vista esquemática do sistema de lente: o distante quasar, localizado a 7,9 mil milhões de anos-luz sofre o efeito de lente gravitacional graças a uma galáxia situada a 4,6 mil milhões de anos-luz, entre este objeto e a Terra. As linhas de visão A e B derivam de diferentes campos magnéticos e condições gasosas em diferentes partes da galáxia que atua como lente.Crédito: Sui Ann Mao

Os campos magnéticos afetam as ondas de rádio que viajam através deles. A análise das imagens do VLA mostrou uma diferença significativa entre as duas imagens de lente gravitacional no que toca ao modo como a polarização das ondas mudou. Isto significa, dizem os cientistas, que as diferentes regiões da galáxia interveniente afetaram as ondas de forma diferente.
"A diferença diz-nos que esta galáxia tem um campo magnético de grande escala e coerente, parecido ao que vemos em galáxias próximas no universo atual," explica Mao. A semelhança é tanto na força do campo como no seu arranjo, com linhas de campo torcidas em espirais em torno do eixo de rotação da galáxia.
Uma vez que esta galáxia foi observada como era há quase cinco mil milhões de anos, quando o Universo tinha cerca de dois-terços da sua idade atual, esta descoberta fornece uma pista importante sobre como os campos magnéticos são formados e evoluem ao longo do tempo.
"Os resultados do nosso estudo suportam a ideia de que os campos magnéticos galácticos são produzidos por um efeito de dínamo rotativo, semelhante ao processo que produz o campo magnético do Sol," acrescenta Mao. "No entanto, existem outros processos que podem produzir campos magnéticos. Para determinar qual o processo em ação, precisamos ir mais longe no tempo - para galáxias mais distantes - e fazer medições parecidas dos seus campos magnéticos," realça.
"Esta medição forneceu os testes mais rigorosos, até ao momento, de como os dínamos operam nas galáxias," afirma Ellen Zweibel, da Universidade de Wisconsin-Madison.
Os campos magnéticos desempenham um papel fundamental na física do gás ténue que permeia o espaço entre as estrelas numa galáxia. A compreensão de como esses campos se formam e desenvolvem ao longo do tempo pode fornecer aos astrónomos pistas importantes sobre a evolução das próprias galáxias.

Mao e colegas divulgaram os seus resultados na revista Nature Astronomy.
FONTE: ASTRONOMIA ONLINE

O ALMA descobre enormes reservatórios de gás turbulento escondidos em galáxias distantes

Primeira detecção de CH+ em galáxias distantes com formação estelar explosiva fornece pistas novas sobre a história de formação estelar do Universo

O ALMA detectou reservatórios turbulentos de gás frio em torno de galáxias distantes com formação estelar explosiva. Ao detectar CH+ pela primeira vez, este trabalho abre uma nova janela na exploração de uma época crítica de formação estelar no Universo. A presença deste íon lança uma nova luz sobre como é que as galáxias conseguem estender o seu período de formação estelar rápida. Os resultados foram publicados hoje na revista Nature. 
Uma equipe liderada por Edith Falgarone (Ecole Normale Supérieure e Observatoire de Paris, França) utilizou o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para detectar assinaturas do íon de hidreto de carbono CH+ em galáxias distantes com formação estelar explosiva. O grupo de pesquisadores identificou os fortes sinais de CH+ em cinco das seis galáxias estudadas, incluindo a Pestana Cósmica. Este trabalho fornece novas informações que ajudam os astrônomos a compreender melhor o crescimento das galáxias e como é que o meio que envolve estes objetos alimenta a formação estelar.
“O CH+ é um íon especial. Precisa de muita energia para se formar e é muito reativo, o que significa que o seu tempo de vida é muito curto e não pode ser transportado para muito longe. Por isso, o CH+ mostra-nos como é que a energia flui nas galáxias e no meio ao seu redor” diz Martin Zwaan, astrônomo do ESO, que contribuiu para o artigo científico que descreve os resultados.
Para percebermos como é que o CH+ rastreia a energia podemos fazer uma analogia com estar num barco num oceano tropical durante uma noite escura e sem Lua. Quando as condições são apropriadas, o plâncton fluorescente pode iluminar a região em redor do barco à medida que este avança. A turbulência causada pelo barco deslizando na água excita o plâncton, que emite luz, revelando assim a presença de regiões turbulentas na água escura por baixo de nós. Uma vez que o CH+ se forma exclusivamente em pequenas áreas onde os movimentos turbulentos do gás se dissipam, a sua detecção rastreia essencialmente a energia em escala galáctica.
O CH+ observado revela densas ondas de choque, alimentadas por ventos galácticos rápidos e quentes que têm origem nas regiões de formação estelar das galáxias. Estes ventos fluem ao longo da galáxia e empurram o material para fora desta, no entanto os seus movimentos turbulentos são tais que parte deste material pode ser de novo capturado pela atração gravitacional da própria galáxia. A matéria aglomera-se em enormes reservatórios turbulentos de gás frio de baixa densidade, estendendo-se mais de 30 mil anos-luz a partir da região de formação estelar da galáxia.
“Com o CH+ aprendemos que a energia está armazenada no interior de vastos ventos do tamanho de galáxias e que termina como movimentos turbulentos em reservatórios invisíveis de gás frio que rodeiam a galáxia,” disse Falgarone, autor principal do novo artigo científico. “Os nossos resultados desafiam a teoria de evolução galáctica. Ao dar origem a turbulência nos reservatórios, estes ventos galácticos aumentam a fase de formação estelar explosiva, em vez de a extinguirem.”  
A equipe determinou que os ventos galácticos não podem por si próprios alimentar os reservatórios gasosos recentemente descobertos, sugerindo que a massa vem de fusão ou acreção galácticas de correntes de gás escondidas, como previsto pela atual teoria.
“Esta descoberta representa um enorme passo em frente na nossa compreensão de como o fluxo de material é regulado em torno das galáxias com a mais intensa formação estelar explosiva do Universo primordial," disse o Diretor de Ciência do ESO, Rob Ivison, co-autor do novo artigo. “Este trabalha demonstra bem o que pode ser alcançado quando cientistas de uma variedade de áreas se juntam para explorar as capacidades de um dos mais poderosos telescópios do mundo.”
FONTE: ESO

30 de ago de 2017

KEPLER descobre variabilidade nas "SETE IRMÃS"

Esta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Kepler mostra os membros do enxame das Plêiades. O enxame abrange 42 CCDs das 95 que constituem a câmara do Kepler. As estrelas mais brilhantes - Alcyone, Atlas, Electra, Maia, Merope, Taygeta e Pleione - são visíveis a olho nu. O Kepler não foi desenhado para observar estrelas assim tão brilhantes; fazem com que a câmara fique saturada, produzindo picos e outros artefactos. Apesar desta séria degradação, a nova técnica permitiu que os astrónomos medissem cuidadosamente as mudanças no brilho destas estrelas enquanto o Kepler as observava durante quase três meses.Crédito: NASA/Universidade de Aarhus/T. White

As Sete Irmãs, assim conhecidas pelos antigos gregos, são agora conhecidas pelos astrónomos modernos como M45, ou como o enxame estelar das Plêiades - um conjunto de estrelas visíveis a olho nu e estudadas há já milhares de anos por culturas espalhadas por todo o mundo. O Dr. Tim White do Centro de Astrofísica Estelar da Universidade de Aarhus, juntamente com a sua equipa de astrónomos dinamarqueses e internacionais, demonstraram uma poderosa nova técnica para observar estrelas como estas que, normalmente, são demasiado brilhantes para avistar com telescópios de alto desempenho. 

O seu trabalho foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Usando um novo algoritmo para melhorar as observações do Telescópio Espacial Kepler na sua missão K2, a equipa realizou o estudo mais detalhado, até agora, da variabilidade destas estrelas. O Kepler está desenhado para procurar planetas em órbita de estrelas distantes através da deteção da diminuição do brilho quando estes passam à sua frente, e também para fazer asterossismologia (sismologia estelar), estudando a estrutura e evolução de estrelas tal como revelado pelas mudanças no seu brilho.

Tendo em conta que a missão Kepler foi desenhada para observar milhares de estrelas fracas de uma só vez, algumas das estrelas mais brilhantes são na verdade demasiado brilhantes para observar. A luz de uma estrela brilhante, apontada a um detetor, fará com que os pixéis centrais da imagem da estrela fiquem saturados, o que provoca uma perda de precisão muito significativa na medição do brilho total da estrela. Este é o mesmo processo que causa uma perda de alcance dinâmico nas câmaras digitais comuns, que não conseguem ver detalhes ténues e brilhantes na mesma exposição.

"A solução para a observação de estrelas brilhantes com o Kepler acabou por ser bastante simples," comenta o autor principal Tim White. "Estamos principalmente preocupados com as mudanças relativas, não absolutas, no brilho. Nós podemos medir essas alterações nos pixéis insaturados próximos e ignorar completamente as áreas saturadas."

Mas as mudanças no movimento do satélite e ligeiras imperfeições no detetor podem ainda ocultar o sinal de variabilidade estelar. Para superar este facto, os autores desenvolveram uma nova técnica para "pesar" a contribuição de cada pixel a fim de encontrar o equilíbrio certo onde os efeitos instrumentais são cancelados, revelando a verdadeira variabilidade estelar. Este novo método foi denominado fotometria halo, um algoritmo simples e rápido que os autores lançaram como software livre de código aberto.

A maioria das sete estrelas são estrelas B de pulsação lenta, uma classe de estrela variável em que o brilho estelar muda com períodos razoavelmente longos (poucos dias). As frequências destas pulsações são fundamentais para explorar alguns dos processos mal compreendidos no núcleo destas estrelas.

A sétima estrela, Maia, é diferente: varia com um período regular de 10 dias. Estudos anteriores mostraram que Maia pertence a uma classe de estrelas com concentrações superficiais anormais de alguns elementos químicos, como o manganês. Para saber se estes elementos estavam relacionados, foram realizadas várias observações espectroscópicas com o Telescópio Hertzsprung SONG.

"O que vimos foi que as mudanças de brilho observadas pelo Kepler acompanham as mudanças na força da absorção do manganês na atmosfera de Maia," comenta a Dra. Victoria Antoci, coautora do trabalho e professora assistente do Centro de Astrofísica Estelar da Universidade de Aarhus. "Nós concluímos que as variações são provocadas por uma grande mancha química à superfície da estrela, que se torna visível com a rotação da estrela ao longo do período de 10 dias."

"Há sessenta anos atrás, os astrónomos pensaram que tinham observado variabilidade em Maia com um período de algumas horas e sugeriram que esta era a primeira estrela de uma nova classe de variáveis chamadas 'Variáveis Maia'," explica White, "mas as nossas novas observações mostram que Maia não é, ela própria, uma Variável Maia!"

Não foram detetados sinais de trânsitos exoplanetários neste estudo, mas os autores mostram que o seu novo algoritmo pode alcançar a precisão necessária para o Kepler e os futuros telescópios espaciais como o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) detetarem planetas em trânsito de estrelas tão brilhantes quanto a nossa vizinha Alpha Centauri. Estas estrelas brilhantes e próximas são os melhores alvos para futuras missões, como o Telescópio Espacial James Webb, que deverá ser lançado no final de 2018.
Fonte: Astronomia OnLine

As estações do ano são foco de sessão deste sábado (02) do FTD Digital Arena

No encontro, físico trará uma visão geral sobre o ciclo e as diferenças no céu em cada época

Esclarecer sobre o ciclo das quatro estações, como isto influenciou na história, que mudanças acontecem em cada etapa e o motivo desse ciclo acontecer são os principais objetivos da próxima sessão do FTD Digital Arena, “As Quatro Estações – O Ciclo da Natureza”. Apresentada pelo físico João Carlos de Oliveira, a atividade acontecerá às 16h e trará uma visão geral sobre as quatro estações e como o céu pode ser visto em cada época.

Segundo o físico, a humanidade acompanha esse ciclo da natureza desde os primórdios de sua existência. “O conhecimento do início e fim de cada estação tornou-se essencial para a sobrevivência das diversas culturas, pois só assim as pessoas sabiam os momentos certos de plantio, colheita, os lugares e animais para caçar em cada época do ano e o momento e destino adequado para realizar a migração”, explica. “No entanto, o entendimento do porquê desse ciclo só ocorreu após o homem entender que é a Terra que orbita o Sol, que a Terra é redonda, que o nosso planeta gira em torno de um eixo de rotação e que esse eixo está levemente inclinado em relação ao plano de órbita”, pontua.

Antes desta atividade, às 14h será apresentada a sessão “As Fronteiras do Sistema Solar”, que falará sobre as condições que permitem a existência da vida na Terra, se há possibilidades de existência de vida em outros lugares, se vivemos em um planeta especial, além de falar sobre os astros que formam o Sistema Solar, suas características e como as definimos. Já às 15h, será exibido o filme “Seleção Natural”. Neste documentário, os participantes irão acompanhar uma viagem de Charles Darwin a bordo do Beagle, respondendo perguntas sobre a teoria da seleção natural e observando o mundo com os olhos do pesquisador.

Para mais informações, acesse http://www.ftddigitalarena.com.br/programacao/.

28 de ago de 2017

Nova explicação para o comportamento louco da estrela 'Meganestrutura alienígena'

Uma equipe de cientistas liderada por Mario Sucerquia, da Universidade de Antioquia, na Colômbia, sugeriu uma nova explicação para os padrões de brilho irregular da estrela K8462852, que recentemente retomou seu comportamento incomum. A mudança misteriosa na sua opacidade poderia ser causada por um exoplaneta em trânsito, de estrutura anelar, semelhante a Saturno. 

Estudamos a dinâmica da formação de inclinações no anel para explicar sinais de trânsito irregulares e anômalos de planetas aninhados, próximos uns aos outros, bem como os estágios evolutivos iniciais de seus anéis”, escreveram os pesquisadores. Uma equipe de astrônomos liderada por Tabetha Boyajian, da Universidade de Yale, notou, em 2015, o comportamento incomum de uma estrela chamada KIC 8462852. Normalmente, as estrelas observadas a partir da Terra se escurecem sempre que um planeta passa em frente a ela, num processo chamado de “trânsito”.
Esse não foi o caso da KIC 8462852, mais tarde denominada “estrela de Tabby”. Seguiu-se uma onda de explicações, desde cometas intrusos até uma “megaestrutura” colossal que orbita a estrela, supostamente construída por seres extraterrestres. Sucerquia e seus colegas testaram sua ideia através de simulações de como a luz se curva quando um planeta anelado transita sua estrela, a cerca de um décimo da distância que a Terra leva até o Sol.
Um exoplaneta desse tipo cria brilhos irregulares quando seu anel bloqueia primeiro algumas das estrelas e, em seguida, passa a ofuscá-las ainda mais. Depois, os anéis as bloqueiam outra vez. Esses trânsitos não produzem nenhum padrão óbvio, pois os anéis podem estar em ângulo diferente a cada momento. Além disso, suas simulações demostraram que uma estrela pode atrair os anéis e fazê-los balançar, intensificando a maneira irregular como suas luzes se enfraquecem. 
“Descobrimos que as estruturas anelares inclinadas sofrem mudanças de formato e direção a curto prazo, que se expressam como fortes variações de profundidade no trânsito e nos momentos de contato, mesmo entre eclipses consecutivos”, explicaram no documento.
No entanto, para alguns, essas observações não são suficientes. “Ainda não reconhecemos um padrão nas alterações de brilho ou uma escuridão quase periódica ou mesma periódica na estrela de Tabby, produzida por um exoplaneta anelado”, disse Keivan Stassun, da Universidade Vanderbilt, ao New Scientist.
“O objetivo deste trabalho é mostrar à comunidade científica que existem mecanismos que podem alterar as curvas luminosas”, disse Sucerquia ao New Scientist. “Essas mudanças são geradas pela dinâmica das luas ou dos anéis, e as alterações nesses sistemas podem ocorrer em escalas tão pequenas que devem ser detectadas em apenas alguns anos. Ele admite que, enquanto sua ideia não é a única explicação plausível para as ocorrências, as metas da equipe continuam a se focar na comparação de suas descobertas com os dados obtidos a partir da estrela de Tabby.
Este artigo foi originalmente publicado na Futurism. 
FONTE: ScienceAlert

Telescópio WEBB irá estudar os "MUNDOS OCEÂNICOS" do sistema solar

Possíveis resultados espectroscópicos de uma das plumas de água de Europa. Este é apenas um exemplo dos dados que o Webb poderá fornecer.Crédito: NASA-GSFC/SVS, Telescópio Espacial Hubble, Stefanie Milam, Geronimo Villanueva

O Telescópio Espacial James Webb da NASA vai usar as suas capacidades infravermelhas para estudar os "mundos oceânicos" da lua de Júpiter, Europa, e da lua de Saturno, Encélado, somando às observações feitas pelos orbitadores Galileo e Cassini. As observações do Webb também podem ajudar a orientar futuras missões às luas geladas.

Europa e Encélado estão na lista dos alvos escolhidos por observadores de tempo garantido, isto é, cientistas que ajudaram ao desenvolvimento do telescópio e, portanto, estão entre os primeiros a usá-lo para observar o Universo. Um dos objetivos científicos do telescópio é estudar planetas que possam ajudar a esclarecer as origens da vida, mas isto não significa apenas exoplanetas; o Webb também ajudará a desvendar os mistérios ainda detidos por objetos no nosso próprio Sistema Solar (de Marte para fora).

Geronimo Villanueva, cientista planetário do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA Greenbelt, no estado norte-americano da Maryland, é o cientista principal das observações de Europa e Encélado pelo Webb. A sua equipa faz parte de um esforço maior para estudar o nosso Sistema Solar com o telescópio, liderado pela astrónoma Heidi Hammel, vice-presidente executiva da AURA (Association of Universities for Research in Astronomy). A NASA selecionou Hammel como cientista interdisciplinar do Webb em 2002.

De particular interesse para os cientistas são as plumas de água que "rompem" as superfícies de Encélado e Europa, e que contêm uma mistura de vapor de água e substâncias orgânicas simples. As missões Cassini-Huygens e Galileo da NASA, e o Telescópio Espacial Hubble, já reuniram evidências de que estes jatos são o resultado de processos geológicos que aquecem grandes oceanos subterrâneos. "Nós escolhemos estas duas luas devido ao seu potencial para exibir assinaturas químicas de interesse astrobiológico," explica Hammel.
Impressão de artista do interior "cortado" da crosta de Encélado, que mostra que a atividade hidrotermal pode ser a causa das plumas de água à superfície da lua.Crédito: NASA-GSFC/SVS, NASA/JPL-Caltech/SwRI

Villanueva e a sua equipa planeiam usar a câmara NIRCam (near-infrared camera) do Webb para captar imagens de alta resolução de Europa, que usarão para estudar a sua superfície e para pesquisar regiões quentes à superfície indicadoras de atividade de plumas e processos geológicos ativos. Assim que localizem uma pluma, passam a usar o NIRSpec (near-infrared spectrograph) e o MIRI (mid-infrared instrument) para analisar espectroscopicamente a composição da pluma. As observações do Telescópio Espacial James Webb serão particularmente importantes para as plumas de Europa, cuja composição permanece em grande parte um mistério. "Será que são feitas de água gelada? Será que existe libertação de vapor de água? Qual é a temperatura das regiões ativas e a da água emitida?" pergunta Villanueva. "As medições do Webb vão permitir abordar essas questões com uma precisão sem precedentes. Para Encélado, Villanueva explicou que tendo em conta que essa lua é quase 10 vezes mais pequena que Europa, a partir do ponto de vista do Webb, não será possível captar imagens de alta resolução da sua superfície. No entanto, o telescópio ainda poderá analisar a composição molecular das plumas de Encélado e realizar uma ampla análise das suas características. A maior parte do terreno da lua já foi mapeado pela sonda Cassini, que passou cerca de 13 anos a estudar Saturno e os seus satélites.

Villanueva advertiu que, enquanto ele e a sua equipa planeiam usar o NIRSpec para procurar assinaturas orgânicas (como metano, metanol e etano) nas plumas de ambas as luas, não há garantia que consigam apanhar estas emissões intermitentes "no ato", nem que as emissões tenham uma composição orgânica significativa. "Nós só esperamos deteções se as plumas estiverem particularmente ativas e se forem ricas em materiais orgânicos," realça Villanueva.

A evidência de vida nas plumas poderá ser ainda mais evasiva. Villanueva explicou que embora o desequilíbrio químico nas plumas (uma abundância ou escassez inesperada de certos produtos químicos) possa ser um sinal dos processos naturais da vida microbiana, também pode ser provocado por processos geológicos naturais.

Embora o Telescópio Espacial James Webb possa não ser capaz de responder, concretamente, à pergunta se os oceanos subterrâneos das luas contêm vida, Villanueva disse que será capaz de melhor caracterizar as regiões ativas das luas que possam merecer estudos mais aprofundados. As missões futuras, como a Europa Clipper da NASA, cujo principal objetivo é determinar se Europa é habitável, vão poder usar os dados do Webb para escolher locais privilegiados para observação.
Fonte: Astronomia OnLine

24 de ago de 2017

10 coisas que acontecerão quando o sol começar a morrer

O sol é uma estrela e, como todas as outras estrelas, vai morrer um dia. Nosso astro-rei tem uma vida útil de cerca de dez bilhões de anos, e já estamos chegando na metade deste tempo. Isso traz uma questão importante: o que exatamente acontecerá uma vez que o sol alcançar seu limite?

10. O efeito estufa se tornará extremamente efetivo


Uma das primeiras coisas que acontecerá quando o hidrogênio do sol acabar é que ele se iluminará muito. Quanto mais brilhante ficar, mais energia a Terra receberá. Hoje, os gases em nossa atmosfera – como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso – funcionam como um filtro para o brilho da nossa estrela. Mas, neste ponto, já não serão capazes de deter tamanha energia. A Terra ficará extremamente quente, fazendo com que a água em todo o mundo se evapore e crie uma nuvem densa na atmosfera. Esta nuvem protegerá a superfície da Terra da radiação do sol por um tempo. Depois, o calor será grande demais, e os oceanos começarão a ferver. Não será mais possível que a vida exista, uma vez que morreríamos por falta de água e calor excessivo.

9. O sol expandirá




Não só o sol se tornará muito mais brilhante, como também aumentará muito em tamanho. Uma vez que consuma todo o seu combustível, passará para a próxima fase em seu ciclo de vida: o de gigante vermelha. Apesar de maior, a temperatura da fase gigante vermelha é menor, de 2.000 a 3.000 graus Celsius, em comparação com a temperatura normal da superfície do sol, de cerca de 5.000 a 9.000 graus Celsius.

8. E, em seguida, se encolherá

Ao longo do tempo, o sol continuará a mudar. Quando acabar seu hélio, não será capaz de fundir seu carbono, e se encolherá, tornando-se uma anã branca. Esta fase é muito menor que o tamanho original do sol. As anãs brancas têm muito menos energia, e muito mais longevidade. Esses remanescentes de estrelas continuam brilhando por bilhões e bilhões de anos, até que, em algum ponto, se transformam em anãs negras. É impossível saber exatamente quanto tempo esse processo demora, uma vez que os astrônomos acreditam que o universo ainda não é velho o suficiente para que alguma anã negra tenha se formado.

7. A órbita da Terra mudará

Quando o sol morrer, tudo na Terra também morrerá, mas isso não significa que o planeta sumirá. Uma vez que o sol atingir sua fase gigante vermelha, se expandirá e diminuirá pelo menos três quartos da distância da Terra. Mas nosso planeta terá uma chance de escapar.  À medida que o sol se aproxima, a atração gravitacional que exerce na Terra e em outros planetas próximos vai enfraquecer. Esse enfraquecimento fará com que esses planetas se dirijam para órbitas mais seguras (exceto Mercúrio e Vênus, que serão consumidos). É claro que todas as formas de vida não existirão mais, tornando esta fuga de última hora bastante inútil.

6. A vida pode se formar em outros lugares

Embora a vida na Terra já terá desaparecido quando o sol se tornar uma gigante vermelha, pode reaparecer em outro lugar. Júpiter e Saturno são planetas grandes com muitas luas, que podem ser habitáveis. Europa e Ganimedes, por exemplo, são duas luas que atualmente contêm gelo. Uma vez que o sol aumentar de tamanho, ficará próximo o suficiente delas para aquecer esse gelo e criar um ambiente adequado para formas de vida familiares.

5. A Via Láctea e a Andrômeda vão se fundir

Este evento celestial não será causado pela morte do sol, mas ocorrerá mais ou menos na mesma época. O primeiro encontro das duas galáxias acontecerá durante a agonia da morte do sol. A Via Láctea e a Andrômeda já estão se movendo uma em direção à outra, a uma velocidade de 402.000 quilômetros por hora – a colisão é inevitável. Parece assustador, mas o sistema solar provavelmente ficará bem. Se a vida de alguma forma encontrar uma maneira de persistir até este ponto, quem estiver por perto vai poder curtir um longo show de luz à medida que os gases e as estrelas das duas galáxias colidem.

4. O sistema solar externo finalmente sentirá calor

Como já mencionado, o sol se tornará muito maior. Isso fará com que os planetas mais próximos se transformem em terrenos baldios ardentes, enquanto os mais distantes e congelados nas bordas do sistema solar, como o planeta anão Plutão (hoje, sua temperatura varia de -233 a -223 graus Celsius) poderão finalmente esquentar um pouco.

3. A vida humana será impossível na Terra

Conforme já foi comentado, a vida pode até ocorrer em outro lugar, mas definitivamente não vai resistir aqui na Terra. A superfície do planeta ficará muito quente e, mesmo que de alguma forma criemos uma nova tecnologia anticalor, é improvável que possamos cultivar qualquer coisa para comer, ou encontrar água para beber. Tudo o que é necessário para a sobrevivência deixará de existir.

2. Os asteroides também desaparecerão

É possível que os asteroides enfrentem alguns problemas quando o sol chegar em sua fase de anã branca. Neste ponto, Júpiter e outros planetas terão ajustado suas órbitas às mudanças radicais da estrela. Por causa da grande massa de Júpiter, sua atração gravitacional ainda será enorme, o que perturbará as órbitas dos asteroides, talvez fazendo com que sejam jogados para fora de nosso sistema solar. Eles também podem ser expulsos da região ou simplesmente triturados pelo sol. Os cientistas são capazes de fazer tais previsões ao olhar para anãs brancas atuais. Eles notaram que as áreas em torno de anãs brancas contêm muita poeira. Isso indica que deve ter havido corpos de rocha as orbitando em algum ponto. Esses corpos devem ter sido esmagados em simples partículas para criar o que os astrônomos veem hoje.

1. Os humanos podem encontrar outra maneira de sobreviver, fugindo da Terra

A NASA já está trabalhando em uma missão para Marte. Muitas outras empresas também anunciaram tentativas de colonizar o planeta vermelho. Marte seria um pequeno feito em comparação com viajar para lugares muito mais distantes, o que seria necessário para escapar da morte do sol. Mas é como Neil Armstrong disse: “Esse é um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade. Nós não conhecemos toda a extensão do universo, nem de nossas próprias capacidades. Mesmo que o fim do sol possa parecer o fim da vida como a conhecemos, podemos estar errados. Talvez nossas mentes possam nos levar mais longe no universo do que imaginamos.
Fonte: HypeScience.com

Exclusivo: Podemos ter detectado um novo tipo de onda gravitacional

Pesquisadores podem ter descoberto uma deformação sutil no tecido do espaço, resultante da colisão cataclísmica de duas estrelas de nêutrons. Telescópios ópticos, incluindo o Telescópio Espacial Hubble, devem vasculhar a fonte da possível onda: uma galáxia elíptica a centenas de milhões de anos-luz de distância de nós. As ondas gravitacionais são marcadores dos eventos mais violentos do nosso universo, gerados quando objetos densos como buracos negros ou estrelas de nêutrons colidem com energia tremenda.

Dois experimentos – LIGO nos EUA e VIRGO na Europa – já detectaram pequenas mudanças no caminho dos raios laser causados pela passagem de ondas gravitacionais. até o momento, todas de colisões de buracos negros.  Os dois experimentos têm coordenado a coleta de dados desde novembro, aumentando sua sensibilidade, e logo podem anunciar um novo tipo de onda gravitacional, resultado da colisão de estrelas de nêutrons. 

Durante o fim de semana, o astrônomo J. Craig Wheeler, da Universidade do Texas em Austin (EUA0, lançou especulações sobre uma potencial detecção nova do LIGO. Ele sugeriu que os cientistas observaram a luz emitida pela fonte de onda gravitacional, o que por sua vez indica que essa fonte são estrelas de nêutrons, pois, ao contrário dos buracos negros, podem ser analisadas em comprimentos de onda visíveis. 

O porta-voz do LIGO, David Shoemaker, não quis comentar os rumores, dizendo apenas que uma rodada de observação “muito emocionante” chegará ao fim em 25 de agosto, e a equipe deve publicar atualizações importantes. A especulação é focada na NGC 4993, uma galáxia a cerca de 130 milhões de anos-luz de distância. Ontem à noite, o Telescópio Espacial Hubble mudou seu foco para uma fusão de estrelas de nêutrons binárias dentro da galáxia. Uma imagem publicamente disponível dessa fusão foi posteriormente excluída. 
Fonte: NewScientist

A galáxia NGC 7479 é registrada pela SUPRIME-CAM do telescópio SUBARU

A NGC 7479, também conhecida como Caldwell 44, LEDA 70419 e UGC 12343 é uma galáxia espiral barrada. Ela está localizada a cerca de 120 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação de Pegasus. A galáxia foi descoberto pelo astrônomo britânico William Herschel no dia 18 de Outubro de 1784. De acordo com os astrônomos, a NGC 7479, está passando por um ativo processo de formação de estrelas, com muitas estrelas jovens e brilhantes podendo ser observadas nos braços espirais da galáxia e no seu disco. Desde 1980, duas supernovas foram descobertas na galáxia, a SN 1990U e a SN2009jF.
A NGC 7479 também é uma galáxia Seyfert, um fato curioso é que somente 1% das galáxias espirais são Seyfert. Galáxia Seyfert é um tipo de galáxia que tem um buraco negro ativo no seu centro. A imagem colorida da NGC 7479 é uma composição de exposições separadas adquiridas pela Suprime-Cam do Telescópio Subaru, uma câmera de 80 megapixel montada no foco primário do gigantesco telescópio. Alguns filtros foram utilizados para amostrar vários comprimentos de onda.
“A capacidade de imageamento da Suprime-Cam no que se refere a campo amplo, é cerca de 200 vezes maior do que a do Telescópio Espacial Hubble. Junto com os sensíveis detectores CCD, o gigantesco espelho do Subaru e as condições excelentes de tempo em Maunakea, a Suprime-Cam se torna um dos instrumentos mais poderosos do mundo para se fazer imagens do universo”, disse Sadanori Okamura, professor da Universidade Hosei, um dos principais desenvolvedores da Suprime-Cam.
Fonte: SPACE TODAY

As NEBULOSAS da ÁGUIA e do CISNE

As nebulosas da Águia e do Cisne tomam conta dessa vasta paisagem celeste registrada através de um telescópio enquanto observava na direção do braço espiral de Sagittarius e o centro da Via Láctea. A Águia, também conhecida como M16 aparece na parte superior da imagem, e a M17, o Cisne, na parte inferior do frame mostrando as nuvens cósmicas como regiões mais brilhantes de ativa formação de estrelas. Elas localizam-se ao longo do braço espiral coberto com a característica emissão avermelhada do gás atômico hidrogênio, e com as nebulosas escuras e empoeiradas. A M17, também chamada de Nebulosa Omega, localiza-se a cerca de 5500 anos-luz de distância da Terra, enquanto que a M16 localiza-se a cerca de 6500 anos-luz de distância da Terra. O centro de ambas as nebulosas são locais bem conhecidos de formação de estrelas e já foram registrados em detalhe pelo Telescópio Espacial Hubble. A imagem acima é um mosaico que se estende por 3 graus no céu, dados de imagens de alta resolução obtidos com filtros de banda estreita foram usados para realçar a região central de ambas as nebulosas. As asas da Nebulosa da Águia se estendem por quase 120 anos-luz. O Cisne tem mais de 300 anos-luz de diâmetro.

Canais de Marte podem ser cicatrizes de impacto, não sinais de água

A hipótese de um impacto gigantesco também parece ser coerente com a enorme "cicatriz" no relevo marciano. [Imagem: NASA]

Solução para o paradoxo de Marte
Atribuídos a mares e rios desde que o astrônomo Giovanni Schiaparelli desenhou os primeiros mapas de Marte, em 1877, as intrincadas formações do relevo do Planeta Vermelho até hoje desafiam as interpretações.
Elas se parecem com canais feitos na Terra pela água, mas os melhores estudos indicam que Marte não tem e quase certamente nunca teve condições de abrigar águas correntes em sua superfície - este é o chamado Paradoxo de Marte.
Ramon Brasser e Stephen Mojzsis, da Universidade do Colorado, nos EUA, acreditam ter encontrado uma solução bastante plausível para esse paradoxo. Segundo sua hipótese, os canais de Marte não foram produzidos pela água, mas pelo impacto de um asteroide gigantesco.
Esse asteroide - do tamanho do planeta anão Ceres - teria arrancado um pedaço do hemisfério norte de Marte e deixado um rastro de elementos metálicos no interior do planeta.
O choque também teria criado um anel de detritos rochosos em torno de Marte, que pode ter-se aglomerado mais tarde para formar suas luas, Fobos e Deimos.
Impacto marciano
Amostras de meteoritos marcianos indicam uma superabundância de metais raros - como platina, ósmio e irídio - no manto do planeta que ainda está por ser explicada. Esses elementos sugerem que Marte deve ter sido atingido por grandes asteroides em suas primeiras eras.
A dupla primeiro estimou a quantidade dos metais raros nos meteoritos marcianos e calculou que eles representam cerca de 0,8 por cento da massa de Marte. Em seguida, eles usaram simulações de impactos com asteroides de diferentes tamanhos atingindo Marte para ver qual tamanho de asteroide traria os metais em quantidade suficiente para explicar sua presença hoje.
Com base nessa análise, os metais de Marte são melhor explicados por uma colisão massiva de meteoritos há cerca de 4,43 bilhões de anos, seguida de uma longa história de impactos menores. Nas simulações de computador, um impacto de um asteroide com pelo menos 1.200 quilômetros de diâmetro conseguiria depositar a quantidade suficiente dos elementos metálicos.
Um impacto desse tamanho também teria mudado de forma drástica a crosta de Marte, criando seus hemisférios tão diferentes. De fato, a crosta do hemisfério norte de Marte parece ser um pouco mais jovem que as terras altas do sul, o que está de acordo com o resultado das simulações.
"Nós mostramos neste artigo - a partir da dinâmica e da geoquímica - que podemos explicar essas três características únicas de Marte," disse Mojzsis, referindo-se aos canais, à composição mineral e às luas do planeta. "Esta solução é elegante, no sentido de que resolve três problemas interessantes e extraordinários sobre como Marte chegou a ser o que é."
Fonte: Inovação Tecnlógica

Quando faltarem 5 dias para o apocalipse, a NASA advertirá

Astrônomos e programadores da NASA criaram um sistema de alerta precoce para um eventual 'ataque asteroidal', que pode, com quase 100% de garantia, detectar qualquer asteroide 5 dias antes de ele se aproximar da Terra, diz Universe Today.
Ao longo das últimas décadas, cientistas de todo o mundo têm vigiado ativamente os asteroides próximos da Terra e conduzido uma espécie de censo cósmico, na tentativa de entender a que ponto eles são perigosos para a humanidade. No espaço próximo à Terra há tantos asteroides  que os astrônomos tiveram de criar uma tabela especial para avaliar a hipótese de eles atingirem a Terra.

Apesar do grande número de asteroides descobertos nos últimos anos com a ajuda de telescópios terrestres e do observatório WISE (Explorador Infravermelho de Campo Amplo), muitos asteroides grandes e inúmeros objetos espaciais menores (do tamanho mais ou menos igual ao do meteorito que caiu em Chelyabinskem fevereiro de 2013), há muitos outros que ainda não foram descobertos.

Segundo diz o relatório publicado pela NASA em 2011, até hoje se conhecem apenas cinco mil asteroides com diâmetro aproximado de uma centena de metros, enquanto se estima que o número total de asteroides seja de dezenas de milhares. O número de corpos objetos menores dentro do cinturão principal de asteroides pode ser ainda maior e chegar a um milhão.

É por esta razão que a NASA, a Roscosmos e outras agências espaciais estão trabalhando ativamente para desenvolver sistemas de detecção de asteroides antes de eles atingirem a terra e refletindo sobre a criação de infraestruturas de "defesa espacial".
O primeiro produto desse tipo foi o sistema Scout, desenvolvido na NASA e testado com sucesso em novembro do ano corrente. Ao usar o telescópio automático PAN-STARRS, ele conseguiu detectar o asteroide 2016 UR36 cinco dias antes do seu encontro com o nosso planeta, calcular o seu diâmetro (entre 5 e 25 metros) e determinar a distância entre ele e a Terra. 

O prazo de cinco dias pode parecer bem curtinho e insuficiente mesmo para enviar uma missão encabeçada por Bruce Willis que destruísse asteroides potencialmente perigosos, mas antigamente os cientistas eram capazes de detectar tal "assassino" espacial apenas algumas horas antes de sua queda na superfície da Terra. Tendo cinco dias de vantagem, você pode, pelo menos, avaliar os eventuais prejuízos e tomar as medidas adequadas para salvar os habitantes da respetiva área.
Fonte: https://br.sputniknews.com

A melhor imagem já obtida da superfície e atmosfera de uma estrela

Primeiro mapa do movimento de material numa estrela diferente do Sol

Com o auxílio do Interferômetro do Very Large Telescope do ESO, astrônomos construíram a imagem mais detalhada até hoje de uma estrela — a supergigante vermelha Antares. Os astrônomos criaram também o primeiro mapa de velocidades do material na atmosfera da estrela — pela primeira vez para uma estrela diferente do Sol — revelando turbulência inesperada na enorme atmosfera extensa de Antares. Os resultados foram publicados na revista Nature.
A olho nu, a famosa estrela brilhante Antares resplandece num tom vermelho forte, situada no coração da constelação do Escorpião. Trata-se de uma estrela supergigante vermelha enorme e relativamente fria nos estágios finais da sua vida, a caminho de se tornar uma supernova.

Uma equipe de astrônomos liderada por Keiichi Ohnaka da Universidade Católica del Norte, no Chile, usou o Interferômetro do Very Large Telescope do ESO (VLTI), situado no Observatório do Paranal, no Chile, para mapear a superfície de Antares e medir os movimentos do material da superfície. Trata-se da melhor imagem até hoje da superfície e atmosfera de uma estrela diferente do Sol.

O VLTI é uma infraestrutura única que combina a luz coletada por até 4 telescópios, sejam os Telescópios Principais de 8,2 metros, sejam os Telescópios Auxiliares menores, para formar um telescópio virtual equivalente a um único espelho de 200 metros de diâmetro. Este método permite resolver pequenos detalhes que seriam impossíveis com apenas um telescópio individual.

Como é que estrelas como Antares perdem massa tão depressa na fase final da sua evolução é um dos problemas com que nos deparamos há mais de meio século,” disse Keiichi Ohnaka, que é também o autor principal do artigo científico que descreve estes resultados. ”O VLTI é a única infraestrutura que nos permite medir diretamente os movimentos do gás na atmosfera extensa de Antares — um passo crucial na resolução deste problema. O desafio seguinte consiste em identificar o fenômeno que dá origem aos movimentos turbulentos observados.”

Usando os novos resultados, a equipe criou o primeiro mapa em duas dimensões de velocidades da atmosfera de uma estrela sem ser o nosso Sol. Para isso, os pesquisadores utilizaram o VLTI com três dos Telescópios Auxiliares e um instrumento chamado AMBER para fazer imagens da superfície de Antares num pequeno intervalo de comprimentos de onda infravermelhos. A equipe usou estes dados para calcular a diferença entre a velocidade do gás atmosférico em posições diferentes na estrela e a velocidade média de toda a estrela, o que deu origem a um mapa da velocidade relativa do gás atmosférico ao longo de todo o disco de Antares — algo pioneiro para uma estrela sem ser o Sol.

Os astrônomos descobriram gás turbulento de baixa densidade muito mais longe da estrela do que o previsto e concluíram que este movimento não deve resultar da convecção, ou seja, de deslocamentos de grande escala da matéria, responsáveis pela transferência de energia desde o núcleo até a atmosfera exterior de muitas estrelas. Os pesquisadores concluíram que um novo processo, atualmente desconhecido, pode ser necessário para explicar estes movimentos nas atmosferas extensas de supergigantes vermelhas como Antares.

No futuro, esta técnica observacional pode ser aplicada a diferentes tipos de estrelas para estudar as suas superfícies e atmosferas com um detalhe sem precedentes. Até agora este tipo de estudo limitava-se apenas ao Sol,” conclui Ohnaka. “O nosso trabalho traz à astrofísica estelar uma nova dimensão e abre uma janela totalmente nova à observação das estrelas.
Fonte: ESO

22 de ago de 2017

Marte pode ter tempestades de neve noturnas assustadoras


O planeta natal de Elon Musk, que os humanos conhecem como Marte, está repleto de surpresas. O planeta tem uma lua desmoronando sob o peso de seu próprio estressepode ser apropriado para o cultivo de batatas e abriga restos de um oceano antigo gigante. Aparentemente, esse é só o começo da estranheza absurdamente maravilhosa de Marte.

Um novo estudo publicado nesta segunda-feira (22), na Nature Geoscience sugere que o Planeta Vermelho pode passar por tempestades de neve pequenas mas intensas de noite. Embora já saibamos sobre as rajadas marcianas há algum tempo, essa pesquisa sugere que as tempestades de neve noturnas são na verdade localizadas e com neve se movimentando rapidamente.

É difícil visualizar Marte — que parece um deserto ou uma caixa de areia — como um lugar em que pode cair neve. De acordo com os modelos dos pesquisadores, nuvens de gelo de água ainda conseguem se formar na atmosfera de Marte, que é aproximadamente 100 vezes mais fina que a da Terra e contém significativamente menos vapor d'água. À noite, essas partículas de nuvem de gelo se resfriam, causando a instabilidade que pode levar a essas tempestades de neve localizadas intensas.

Embora a nave Phoenix, da NASA, tenha encontrado neve caindo em Marte pela primeira vez em 2008, essa nova informação poderia iluminar o quão rapidamente a precipitação se move e de onde ela vem.

"Mostramos que tais tempestades de neve — ou microexplosões de gelo — podem explicar camadas mistas noturnas profundas detectadas de assinaturas de órbita e de precipitação, detectadas abaixo das nuvens de gelo de água pela nave Phoenix 
", escreveram os pesquisadores. "Em nossas simulações, tempestades de neve convectivas ocorrem apenas durante a noite marciana, resultando de instabilidade atmosférica devido ao resfriamento de partículas de nuvens de gelo."

Portanto, embora você possa não conseguir construir um homem de gelo no Planeta Vermelho, pode se confortar com o fato de que, se Elon Musk conseguir o que quer, você pode ter uma chance de ser pulverizado pelos velozes flocos de neve marcianos — algum dia.
Fonte: MSN
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