28 de set de 2017

Os 7 lugares no sistema solar em que é mais provável que haja vida

À medida que os seres humanos se arriscam para cada vez mais longe do nosso planeta natal, buscamos outros organismos vivos, uma prova de que não estamos sozinhos no universo. Nós, é claro, ainda não encontramos nenhum. Mas uma quantidade crescente de dados nos deu uma melhor noção de onde podemos procurar por vida na nossa vizinhança do sistema solar.

Seth Shostak, astrônomo sênior no Instituto de Pesquisa de Inteligência Extraterrestre (SETI), suspeita que existam vários locais próximos onde provavelmente existe alguma forma de vida microbiana.

“Há pelo menos outros sete lugares em nosso próprio sistema solar, assim como lugares próximos que você poderia chegar com um foguete, que poderiam ter vida microbiana”, afirmou Shostak ao site Futurism. Ele também acha que, possivelmente, possamos detectar essa vida microbiana alienígena “mais cedo” do que poderíamos encontrar uma vida extraterrestre inteligente.

Você pode adivinhar quais são esses sete lugares?

O planeta vermelho e as luas de Júpiter

Marte é o candidato mais óbvio, diz Shostak. É possível que as formas de vida inferiores sejam escondidas sob a sujeira do Planeta Vermelho, a 30 metros ou abaixo da superfície, onde alguma água líquida possa existir.

Além de Marte, três das luas de Júpiter são fortes candidatas.

Uma delas é Europa, que tem oceanos subterrâneos capazes de hospedar vida microbiana. Esta sobreviveria em pontos quentes no fundo, que seriam como “pequenos mini-vulcões que lhes dariam energia para a vida”, afirma Shostak.

As outras são, presumivelmente, Ganimedes – a maior lua em todo o sistema solar e lar de um corpo de água semelhante aos oceanos da Terra, mas enterrado sob uma espessa crosta de gelo – e Callisto, que tem um oceano e uma atmosfera.

As luas de Saturno e nosso não-planeta favorito

Há duas luas em torno de Saturno – obrigado, Cassini! – que poderiam potencialmente abrigar alguma forma de vida. Uma é Titã, que tem lagos líquidos feitos de gás natural. Encélado apresenta condições ainda mais favoráveis, garante Shostak. Pode ser mais fácil encontrar a vida microbiana lá porque a lua “está atirando geysers no espaço. Então você não precisa pousar. Você não precisa perfurar”, explica ele.

Você pega alguma dessa gosma de geyser e traz de volta à Terra e talvez você encontre alienígenas”.
Por fim, Plutão, o planeta que não é planeta. Sob a superfície de Plutão, poderia haver bolsas de água líquida”, diz Shostak. “Qualquer lugar onde você tem água líquida – líquida de qualquer tipo – talvez tenha micróbios”. Ele faz um esclarecimento, porém: “Não estou dizendo que há plutonianos”.
Esses sete têm os processos orgânicos certos que podem servir de alimento ou fonte de energia, bem como alguma forma de líquido – e não necessariamente apenas água – para sustentar a vida microbiana. “Você tem algo que lhe dá comida, fundamentalmente, e a oportunidade de criar vida, que, afinal, é apenas química orgânica”, define.
Fonte: HypeScience.com 
Science Alert

As estranhas estruturas da Nebulosa Saturno

A nebulosa planetária NGC 7009, ou Nebulosa Saturno, emerge da escuridão como uma série de bolhas de forma estranha, brilhando em tons de rosa e azul. Esta imagem colorida foi obtida pelo instrumento MUSE montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), no âmbito dum estudo que mapeou pela primeira vez a poeira no interior duma nebulosa planetária. O mapa — que nos revela estruturas intricadas na poeira, incluindo conchas, um halo e uma estrutura em forma de onda — ajudará os astrônomos a compreender como é que as nebulosas planetárias desenvolvem estranhas formas e simetrias.  A Nebulosa Saturno situa-se a aproximadamente 5000 anos-luz de distância na constelação do Aquário. Seu nome deriva da sua estranha forma, que faz lembrar o planeta com anéis favorito de todos, visto de perfil. 
Na realidade, as nebulosas planetárias não têm nada a ver com planetas. A Nebulosa Saturno era originalmente uma estrela de pequena massa, que se expandiu para formar uma gigante vermelha no final da sua vida, começando a libertar as suas camadas mais exteriores. Este material foi empurrado por ventos estelares fortes e energizado por radiação ultravioleta emitida pelo núcleo estelar quente deixado para trás, criando assim uma nebulosa circunstelar de poeira e gás quente de cores brilhantes. No coração da Nebulosa encontra-se a estrela condenada, visível nesta imagem, e que está no processo de se tornar uma anã branca. 
De modo a compreendermos melhor como é que as nebulosas planetárias se moldam nestas formas estranhas, uma equipe internacional de astrônomos, liderada por Jeremy Walsh do ESO, usou o instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) para observar o interior dos véus de poeira da Nebulosa Saturno. O MUSE é um instrumento que está instalado num dos quatro Telescópios Principais do Very Large Telescope no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, que além de imagens obtém também informações sobre o espectro de luz (ou gama de cores) dum objeto em cada ponto da imagem. 
A equipe usou o MUSE para produzir os primeiros mapas ópticos detalhados do gás e poeira na nebulosa planetária. A imagem resultante revela muitas estruturas intricadas, incluindo uma concha interna elíptica, uma concha externa e um halo. A imagem também mostra duas correntes já observadas anteriormente, que se estendem a partir de cada ponta do eixo mais longo da nebulosa, terminando em asas brilhantes. 
Curiosamente, a equipe descobriu ainda na poeira uma estrutura em forma de onda, a qual não se compreende bem. A poeira distribui-se por toda a nebulosa, mas existe uma diminuição significativa na quantidade existente na periferia da concha interior, onde parece que a poeira está sendo destruída. Existem vários mecanismos potenciais para esta destruição. A concha interior é essencialmente uma onda de choque em expansão, por isso pode estar se chocando com os grãos de poeira, destruindo-os, ou alternativamente pode estar a produzir um efeito de calor extra que fará evaporar a poeira. 
Mapear as estruturas de gás e poeira situadas no coração de nebulosas planetárias ajuda-nos a compreender melhor o seu papel na vida e morte das estrelas de pequena massa, além de nos ajudar igualmente a perceber como é que as nebulosas planetárias adquirem as suas formas estranhas e complexas.  As capacidades do MUSE, no entanto, vão bem além das nebulosas planetárias. 
Este instrumento é capaz de estudar a formação de estrelas e galáxias no Universo primordial, assim como mapear a distribuição de matéria escura em aglomerados de galáxias no Universo próximo. O MUSE criou também o primeiro mapa tridimensional dos Pilares da Criação na Nebulosa da Águia e obteve imagens duma colisão cósmica numa galáxia próxima de nós.
Fonte: ESO

26 de set de 2017

Estrelas e espirais

Esta bela galáxia espiral, chamada NGC 1964, situa-se a aproximadamente 70 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação da Lebre. NGC 1964 possui um núcleo denso e brilhante situado no coração de um disco oval sarapintado, o qual por sua vez se encontra rodeado pelos distintos braços espirais salpicados de brilhantes regiões estreladas. O centro resplandescente da galáxia chamou a atenção do olho treinado do astrônomo William Herschel na noite de 20 de novembro de 1784, o que levou à descoberta desta galáxia e à sua subsequente integração no catálogo New General Catalogue.  Além de conter estrelas, NGC 1964 também está situada numa região do céu repleta de estrelas. Nesta imagem obtida pelo instrumento Wide Field Imager (WFI), montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, podemos ver a estrela HD 36785 logo à direita da galáxia. Por cima dela encontram-se duas outras estrelas proeminentes chamadas HD 36784 e TYC 5928-368-1, enquanto que a estrela grande brilhante por baixo e à direita de NGC 1964 é conhecida por BD-22 1147. Esta imagem de NGC 1964 também mostra uma série de galáxias, visíveis no plano de fundo. O WFI é capaz de observar a luz emitida por estas galáxias distantes, até 40 milhões de vezes mais fracas do que o que o olho humano pode observar.

Crédito: ESO/Jean-Christophe Lambry

Morte por supernova revela vínculo com nascimento estelar

Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra a Supernova 1987A no interior da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da nossa Via Láctea.Crédito: NASA, ESA, R. Kirshner (Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e Fundação Gordon e Betty Moore), e M. Mutchler e R. Avila (STScI)

Pensava-se, anteriormente, que as moléculas e as poeiras fossem completamente destruídas pelas gigantescas explosões de supernova. No entanto, pela primeira vez, os cientistas descobriram que não é bem o caso. Um grupo de cientistas, incluindo os financiados pelo Conselho Europeu de Pesquisa e pelos projetos SNDUST e COSMICDUST, identificou duas moléculas previamente não detetadas: formilum (HCO+) e monóxido de enxofre (SO) no remanescente de supernova 1987A. Tendo explodido originalmente em fevereiro de 1987, a Supernova 1987A está localizada a 163.000 anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa própria Via Láctea.

A fábrica de poeira de um remanescente de supernova muito jovem
O autor principal do estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, Dr. Mikako Matsuura, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Cardiff, disse: "Esta é a primeira vez que encontramos estas espécies de moléculas dentro das supernovas, o que questiona os nossos pressupostos de que essas explosões destroem todas as moléculas e poeiras presentes no interior de uma estrela." A acompanhar estas moléculas recém-identificadas estavam substâncias como monóxido de carbono (CO) e óxido de silício (SiO), que já tinham sido detetadas anteriormente.
A descoberta destas moléculas inesperadas abre a possibilidade de que a morte explosiva das estrelas forma nuvens residuais de gás que arrefecem abaixo dos -200ºC, resultando nos vários elementos pesados sintetizados que começam a abrigar moléculas, produzindo o que é apelidado de "fábrica de poeira". Como o Dr. Matsuura continua a explicar, "o que é mais surpreendente é que estas fábricas de moléculas ricas são geralmente encontradas em condições onde as estrelas nascem. A morte de estrelas massivas pode, portanto, levar ao nascimento de uma nova geração."
À medida que são criadas novas estrelas a partir dos elementos mais pesados espalhados durante as explosões, este trabalho abre a perspetiva de uma melhor compreensão da composição dessas estrelas nascentes, analisando a sua fonte.

Uma espetacular despedida celeste
A mecânica das supernovas é relativamente bem compreendida. Quando estrelas gigantes chegam ao fim da sua evolução estelar, ficam praticamente sem combustível, sem calor e energia suficientes para neutralizar a força da sua própria gravidade. Consequentemente, as regiões externas da estrela caem sobre o núcleo com uma força formidável, provocando a espetacular explosão e deixando o que parece ser uma nova estrela brilhante para trás, antes de desvanecer.
Desde a sua descoberta há mais de 30 anos atrás que os astrónomos têm enfrentado obstáculos no estudo da Supernova 1987A, especialmente no que toca à investigação do núcleo mais interior. Esta investigação foi realizada com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), o que permitiu com que a equipa a explorasse em grande detalhe. Dado que a instalação possui 66 antenas e é capaz de observar comprimentos de onda milimétricos - no espectro eletromagnético, estão situados entre o infravermelho e o rádio -, consegue penetrar as nuvens de gás e poeira da supernova. Esta capacidade permitiu expor as moléculas recém-formadas.
Para expandir as suas descobertas atuais, a equipa planeia continuar a usar o ALMA para verificar a prevalência das moléculas de HCO+ e SO, bem como explorar ainda mais as moléculas detetadas até agora.
Fonte: Astronomia OnLine

NGC 6753 Uma bela galáxia espiral com sua coroa

Apesar dos avanços conseguidos em várias áreas nas últimas décadas, o processo de formação de galáxia, permanece como sendo uma questão em aberto na astronomia. Várias teorias tem sido sugeridas, mas como as galáxias se apresentam nas mais diversas formas e tamanhos, elípticas, espirais, irregulares, etc.., nenhuma teoria tem conseguido de forma única e satisfatória explicar a origem de todas as galáxias no universo.
Para determinara qual o modelo de formação de galáxias está correto, se é que existe um, os astrônomos caçam por sinais de processos físicos que possam ser observados nas galáxias. Um exemplo desses processos, são as chamadas coroas galácticas, que são regiões enormes e invisíveis de gás quente que rodeiam o bulbo visível da galáxia formando uma estrutura esferoidal. Essas coroas são tão quentes que elas podem ser detectadas pela emissão de raios-X. Pelo fato de serem filamentadas elas são extremamente difíceis de serem detectadas. Em 2013, os astrônomos destacaram a NGC 6753, mostrada aqui numa bela imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble, como uma das únicas galáxias espirais conhecidas que era massiva o suficiente e próxima o suficiente para ter sua coroa estudada e imageada com detalhes. A NGC 6753, está localizada a cerca de 150 milhões de anos-luz de distância da Terra, e óbvio que isso é perto em termos astronômicos.
A NGC 6753 apresenta uma grande variação de cores nessa imagem, as explosões azuladas nos braços espirais são regiões preenchidas com estrelas jovens emitindo intensa radiação ultravioleta, enquanto que áreas mais avermelhadas são preenchidas com estrelas mais velhas emitindo uma radiação mais fria no infravermelho próximo.
Fonte: SPACE TODAY

A Via Láctea é um "OUTLIER"? estudando as suas "IRMÃS" em busca de pistas

Imagem ótica de uma "irmã" da Via Láctea.Crédito: SDSS

A galáxia mais estudada do Universo - a Via Láctea - pode não ser tão "típica" quanto se pensava anteriormente, de acordo com um novo estudo. A Via Láctea, que é o lar da Terra e do seu Sistema Solar, hospeda várias dúzias de galáxias satélite mais pequenas. Estas galáxias mais pequenas orbitam a Via Láctea e são úteis na compreensão da nossa própria Galáxia.
Os primeiros resultados do levantamento SAGA (Satellites Around Galactic Analogs) indicam que as galáxias satélite da Via Láctea são muito mais tranquilas do que outros sistemas comparáveis em termos de luminosidade e ambiente. Muitos satélites dessas galáxias "irmãs" estão a produzir ativamente novas estrelas, mas as da Via Láctea são principalmente inertes. Segundo os investigadores, isto é significativo, porque muitos modelos para o que sabemos sobre o Universo dependem de galáxias que se comportam de forma semelhante à Via Láctea.
"Nós usamos a Via Láctea e os seus arredores para estudar absolutamente tudo," afirma a astrofísica Marla Geha de Yale, autora principal do artigo publicado na revista The Astrophysical Journal. "Surgem centenas de estudos por ano sobre matéria escura, cosmologia, formação estelar e formação galáctica, usando a Via Láctea como guia. Mas é possível que a Via Láctea seja um 'outlier'."
O levantamento SAGA começou há cinco anos atrás com o objetivo de estudar as galáxias satélite em redor de 100 irmãs da Via Láctea. Até ao momento, estudou oito outros sistemas idênticos ao da Via Láctea, que os cientistas dizem ser uma amostra demasiado pequena para chegar a conclusões definitivas. O SAGA espera ter estudado 25 irmãs da Via Láctea nos próximos dois anos.
No entanto, o levantamento já dá que falar. Numa recente conferência onde Geha apresentou alguns dos resultados iniciais do SAGA, outro investigador disse-lhe: "Você acabou de lançar uma chave inglesa no que sabemos sobre a forma como as galáxias pequenas se formam."
"O nosso trabalho coloca a Via Láctea num contexto mais amplo," comenta a investigadora do SAGA Risa Wechsler, astrofísica do Instituto Kavli da Universidade de Stanford. "O Levantamento SAGA vai fornecer uma compreensão crítica da formação das galáxias e da natureza da matéria escura."
Wechsler, Geha e sua equipa dizem que vão continuar a melhorar a eficiência de encontrar satélites em torno de irmãs da Via Láctea. "Eu quero realmente saber a resposta à pergunta 'A Via Láctea é única, ou totalmente normal?'," comenta Geha.
Fonte: Astronomia OnLine

22 de set de 2017

Esta estrela que você pode ver no céu gira tão rápido que quase desmancha

Pela primeira vez, astrônomos observaram uma estrela de rotação rápida que emite luz polarizada, um fenômeno que foi previsto há mais de 50 anos, mas que, até então, esquivava-se de nossos instrumentos e fugia à observação humana. Com base nessas descobertas, eles finalmente confirmaram a taxa de giro maluca de Regulus – uma das estrelas mais brilhantes que podemos ver a partir do nosso planeta. 

Luz polarizada

Para entender qual é o grande problema aqui, precisamos desviar um pouco o assunto e entender o que é, de fato, a luz polarizada.
Normalmente, as ondas de luz viajam em qualquer direção, batendo e saltando sobre objetos ao nosso redor (e é por isso que podemos enxergar as coisas com nossos olhos). Mas as ondas de luz também podem ser polarizadas, o que significa que todas elas giram em uma determinada direção.
Em 1968, uma dupla de astrônomos, J. Patrick Harrington e George W. Collins II, previram que uma estrela que gira rapidamente emitiria luz polarizada. Em sua rotação incomum, sua forma é distorcida para um formato achatado nos pólos, como se estivesse esmagada.
Mas, enquanto essas ideias sugeridas há mais de 50 anos induziram a criação de uma série de instrumentos destinados a detectar a polarização no espaço interestelar, até agora os astrônomos não haviam realmente capturado a polarização de uma estrela que gira rapidamente.
Agora, uma equipe internacional da Austrália, dos EUA e do Reino Unido fez exatamente isso, graças a um polarímetro altamente sensível desenvolvido na Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW) em Sydney.
“O Instrumento Polarimétrico de Alta Precisão, HIPPI, é o polarímetro astronômico mais sensível do mundo”, diz um dos integrantes da equipe, o astrônomo Daniel Cotton da UNSW.

Procedimento

A equipe apontou o HIPPI a Regulus, uma estrela de primeira magnitude e azulada a 79 anos-luz de distância da Terra. Está localizada na constelação de Leo e classificada como a 22ª estrela mais brilhante no céu noturno.
Anteriormente, os astrônomos extrapolaram sua taxa de rotação com base em modelos calculados para outras estrelas desse tipo. Mas eles não conseguiram confirmar esta interpretação antes de garantir mais observações diretas sobre o giro de Regulus.
Agora, graças a esta primeira detecção de luz polarizada de uma estrela que gira rapidamente, sabemos que Regulus está realmente rodando feito uma maluca a uma velocidade de 320 quilômetros por segundo (199 milhas por segundo). Isso é tão rápido que a estrela está basicamente à beira de se explodir rumo ao espaço.
“Nós achamos que o Regulus está girando tão rapidamente que está perto de voar para longe, com uma taxa de rotação de 96,5 por cento da velocidade angular para ruptura”, diz Cotton.

Avanço da ciência

Esta nova medida é útil não apenas para entender o próprio Regulus. Ela está abrindo novos caminhos para que possamos revelar novos detalhes de algumas das estrelas maiores e mais quentes lá fora, permitindo-nos descobrir mais sobre seus ciclos de vida.
“Anteriormente, o campo foi amplamente restrito ao estudo de material externo às estrelas ou àquelas com campos magnéticos extremos”, escreve a equipe no estudo. “Agora somos capazes de investigar os parâmetros fundamentais da própria atmosfera estelar”.
As descobertas foram publicadas em Nature Astronomy. 
Fonte: HypeScience.com

Duas estrelas, três dimensões e quantidades gigantescas de energia

Esta ilustração mostra o modelo tridimensional da explosão de V745 Sco. A onda de choque está a amarelo, a massa ejetada pela explosão tem tons púrpura e o disco de material mais frio, maioritariamente intocado pelos efeitos da onda de choque, está a azul. A cavidade visível no lado esquerdo do material ejetado (ver versão legendada) é o resultado dos detritos da superfície da anã branca ficando mais lentos à medida que atingem a gigante vermelha.Crédito: NASA/CXC/M. Weiss

Os astrónomos conhecem há décadas as explosões irregulares da estrela dupla V745 Sco, localizada a aproximadamente 25.000 anos-luz da Terra. Mas ficaram surpreendidos quando explosões anteriores do sistema foram observadas em 1937 e 1989. No entanto, quando entrou em erupção no dia 6 de fevereiro de 2014, os cientistas estavam prontos para observar o evento com um conjunto de telescópios, incluindo o Observatório de raios-X Chandra da NASA. V745 Sco é um sistema estelar binário composto por uma gigante vermelha e por uma anã branca ligadas pela gravidade. Estes dois objetos estelares orbitam tão perto um do outro que as camadas externas da gigante vermelha são atraídas pela intensa força gravitacional da anã branca. Este material cai gradualmente à superfície da anã branca. Ao longo do tempo acumula-se material suficiente para desencadear uma explosão termonuclear colossal, provocando um aumento dramático de brilho a que os astrónomos chamam nova. Os astrónomos viram V745 Sco enfraquecer por um fator de mil vezes, no visível, ao longo de mais ou menos 9 dias.
Esta imagem de V745 Sco (também conhecida como Nova 1937) foi obtida dia 6 de fevereiro de 2014.Crédito: S. O'Connor, St. Georges, Bermuda)

Os astrónomos observaram V745 Sco com o Chandra durante pouco mais de duas semanas após a erupção de 2014. A sua principal descoberta foi que a maioria do material expelido pela explosão movia-se na nossa direção. Para explicar isto, uma equipa de cientistas do INAF - Observatório Astronómico de Palermo, da Universidade de Palermo e do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica construiu um modelo tridimensional da explosão e ajustou o modelo até que explicasse as observações. Neste modelo, incluíram um grande disco de gás frio em torno do equador do binário, provocado pela anã branca que puxa um vento gasoso da gigante vermelha. Os cálculos de computador mostraram que a onda de choque da nova e o material ejetado foram provavelmente concentrados ao longo dos polos norte e sul do sistema binário. A sua forma foi provocada pela explosão que colidiu com o disco de gás frio em torno da estrela dupla. Esta interação fez com que a onda de choque e o material ejetado diminuíssem de velocidade ao longo da direção do disco e produzissem um anel em expansão de gás emissor de raios-X. Os raios-X do material que se movia na direção contrária à da Terra foram principalmente absorvidos e bloqueados pelo material que se movia na direção da Terra, explicando por que parecia que a maioria do material se movia na nossa direção.
A figura mostra o novo modelo 3D da explosão, a onda de choque está a amarelo, a massa ejetada pela explosão tem tons púrpura e o disco de material mais frio, maioritariamente intocado pelos efeitos da onda de choque, está a azul. A cavidade visível no lado esquerdo do material ejetado (ver versão legendada) é o resultado dos detritos da superfície da anã branca ficando mais lentos à medida que atingem a gigante vermelha. Uma quantidade extraordinária de energia foi libertada durante a explosão, equivalente a cerca de 10 triliões de bombas de hidrogénio. Os autores estimam que o material expelido tem uma massa equivalente a um-décimo da massa da Terra. 
Embora este "arroto" estelar seja impressionante, a quantidade de massa ejetada é ainda muito menor do que o valor que os cientistas calculam ser necessário para despoletar a explosão. Isto significa que apesar de explosões recorrentes, uma quantidade substancial de material está a ser acumulada à superfície da anã branca. Se for acumulado material suficiente, a anã branca sofre uma explosão termonuclear e pode ser completamente destruída. Os astrónomos usam estas chamadas supernovas do Tipo Ia como marcadores cósmicos de distância para medir a expansão do Universo.
Os cientistas também foram capazes de determinar a composição química do material ejetado pela nova. A sua análise destes dados mostra que a anã branca é composta principalmente por carbono e oxigénio. O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de 1 fevereiro de 2017 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível online.
Fonte: Astronomia OnLine

Hubble descobre objeto único no sistema solar

O 288P é formado por dois corpos (a elipse mostra a órbita mútua) que, juntos, navegam pelo espaço com uma cauda parecida com a de um cometa. [Imagem: ESA/Hubble, L. Calçada]
Asteroide ou cometa?
Parece ser um asteroide binário, mas, em vez de dois pedregulhos virtualmente inertes, como costumam ser os asteroides, a dupla se comporta em tudo como se fosse um cometa, incluindo uma longa cauda e uma coma brilhante. Assim é o objeto celeste, que não se encaixa em nenhuma definição já proposta pelos cientistas, descoberto por uma equipe liderada por Jessica Agarwal, do Instituto Max Planck de Pesquisas do Sistema Solar, na Alemanha.
O objeto, conhecido como 288P, está localizado no cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter, onde costumam morar - ou ter-se originado - a maioria dos asteroides que conhecemos. Já os cometas, os cientistas acreditam que eles venham de um ainda hipotético campo de corpos celestes situado nos confins do Sistema Solar, conhecido como Nuvem de Oort.
Assim, se o 288P é um "asteroide cometário" ou um "cometa asteroidal" é coisa que ainda vai exigir longas discussões em congressos de astronomia nos próximos anos.
Na prática, a descoberta complica as definições e lança novas possibilidades sobre as especificações cruas de asteroides como corpos secos e quase inertes - essencialmente pedras girando pelo espaço - e cometas como corpos cheios de gelo e atividade decorrente de seu aquecimento ao se aproximar do Sol. Essa definição dos cometas já vem balançando muito desde que a sonda Rosetta visitou o cometa Chury, praticamente redefinindo o que é um cometa ao mostrar que, em vez de um grande bloco de gelo empoeirado, como os cientistas acreditavam, o cometa é largamente poroso, mas "seco como um osso no deserto".
Serão necessárias observações continuadas para tentar traçar a verdadeira personalidade do objeto. [Imagem: NASA/ESA/J. Agarwal]
Gelo interior
As imagens, feitas pelo telescópio Hubble, mostram que o 288P é um binário formado por dois corpos de tamanhos praticamente iguais, separados entre si por cerca de 100 quilômetros.
A atividade cometária ainda é um enigma, e exigirá novas observações e um acompanhamento do objeto durante algum tempo, mas Jessica Agarwal acredita que esse é um indicador de que o binário é resultado da cisão de um objeto maior, expondo um núcleo preservado, que agora estaria sendo ejetado.
"Nós detectamos fortes indícios da sublimação de gelo de água devido ao aumento do aquecimento solar - similar a como a cauda de um cometa é criada. Gelo de superfície não poderia sobreviver no cinturão de asteroides pela idade do Sistema Solar, mas poderia ser protegido por bilhões de anos por um manto refratário de poeira, com apenas alguns poucos metros de espessura," disse ela.
Por isso a equipe acredita que o 288P existe na forma de um binário por não mais do que 5.000 anos, com o cenário mais provável indicando que ele teria se quebrado devido a uma rápida rotação. "Depois disso, os dois fragmentos podem estar se afastando devido aos torques de sublimação," disse Jessica.
Fonte:  Site Inovação Tecnológica

21 de set de 2017

Fim do mundo vai ocorrer no próximo sábado, diz teoria

Um novo “fim do mundo” se aproxima neste sábado. Ao menos é o que diz uma teoria apocalíptica formulada pelo numerólogo David Meade, autor do livro Planeta X, que prevê a colisão de um enorme planeta misterioso com a Terra e a consequente destruição da humanidade. O criador da tese, no entanto, já havia tentado divulgar essa mesma história em 2012, mas foi desmentido por um cientista da Nasa, que, na época, chamou de “ridículas” as declarações sobre “um planeta que está, ao mesmo tempo, próximo e invisível”. Segundo o pesquisador, se o planeta existisse e estivesse realmente a uma distância ameaçadora, seria impossível que nenhum astrônomo tivesse notado sua presença.  
Meade, no entanto, continua a afirmar que o planeta Nibiru (também chamado Planeta X), que estaria vindo diretamente da fronteira com o sistema solar, vai atingir a Terra neste final de semana. Suas evidências são baseadas em versos e códigos numerológicos da Bíblia centrados no número 33 – exatamente o número de dias entre o eclipse solar do dia 21 de agosto, que ele considera ter sido um aviso, e a data apocalíptica.  Jesus viveu por 33 anos, o nome Elohim, que é um dos nomes usados pelos judeus para Deus foi mencionado 33 vezes [na Bíblia]. É um número muito significativo na Bíblia e na numerologia”, disse Meade em entrevista ao The Washington Post. O americano é conhecido por suas teorias que misturam textos bíblicos e astronomia.
Nibiru
A suposta existência do planeta Nibiru é motivo de teorias conspiratórias desde a década de 70. Em 2012, no entanto, este e outros rumores sobre o fim da Terra tomaram proporções tão preocupantes que o pesquisador David Morrison, do Instituto de Astrobiologia da Nasa, teve de publicar um vídeo em seu canal no Youtube para acabar com os mais de 20 e-mails semanais que entravam em sua caixa perguntando sobre o Planeta X.  Se o planeta estivesse tão perto, seria brilhante e facilmente visível a olho nu. Todos nós poderíamos vê-lo. Se Nibiru fosse real e se fosse um planeta com uma massa substancial, ele já perturbaria as órbitas de Marte e da Terra. Veríamos mudanças por causa deste objeto entrando no sistema solar interno”, afirmou na gravação.
Fonte: msn.com

20 de set de 2017

A Nebulosa do Véu – Filamentos de uma estrela que explodiu

Filamentos como esse é tudo o que restou visível de uma estrela na Via Láctea. A cerca de 7000 anos atrás, essa estrela explodiu como uma supernova deixando para trás a chamada Nebulosa do Véu. No momento da explosão, a nuvem de gás em expansão provavelmente foi mais brilhante que a Lua Crescente e ficou visível por semanas para as pessoas que existiam aqui na Terra e que estavam olhando para o céu. Hoje, a remanescente de supernova resultante, também conhecida como Loop de Cygnus, tem se apagado e só é visível através de um pequeno telescópio direcionado para a constelação de Cygnus. A Nebulosa do Véu é fisicamente enorme, ela está localizada a cerca de 1400 anos-luz de distância da Terra e cobre no céu um tamanho equivalente a mais de 5 luas cheias. A imagem acima foi feita pelo Telescópio Espacial Hubble e só é possível, graças ao fato de ser mosaico formado por 6 imagens cobrindo somente 2 anos-luz, ou seja, uma pequena porção da remanescente de supernova. Em imagens completas da Nebulosa do Véu, até mesmo as pessoas com vista mais treinada dificilmente conseguem identificar esses filamentos.

Novo mapa de gravidade sugere que MARTE tem uma crosta porosa

Um novo mapa da espessura da crosta de Marte mostra menos variação entre regiões mais espessas (a vermelho) e regiões mais finas (a azul), em comparação com mapeamentos anteriores. Esta imagem está centrada em Valle Marineris, com Tharsis Montes perto do terminador a oeste. O mapa está baseado em modelos do campo de gravidade de Marte por cientistas do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. A equipa descobriu que, globalmente, a crosta de Marte é menos densa, em média, do que se pensava anteriormente, o que poderá significar variações mais pequenas de espessura crustal. Crédito: NASA/Goddard/UMBC/MIT/E. Mazarico

Os cientistas da NASA encontraram evidências de que a crosta de Marte não é tão densa como se pensava anteriormente, uma pista que poderá ajudar os investigadores a compreender melhor a estrutura e evolução do Planeta Vermelho. Uma densidade mais baixa significa, provavelmente, que pelo menos parte da crosta de Marte é relativamente porosa. No entanto, nesta altura, a equipa não pode descartar a possibilidade de uma composição mineral diferente ou talvez de uma crosta mais fina.
"A crosta é o resultado final de tudo o que aconteceu durante a história de um planeta, de modo que uma densidade menor poderá ter implicações importantes sobre a formação e evolução de Marte," comenta Sander Goossens do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. Goossens é o autor principal do artigo que descreve este trabalho, publicado na revista Geophysical Research Letters.
Os investigadores mapearam a densidade da crosta marciana, estimando que a densidade média é de 2582 quilogramas por metro cúbico. 
Este valor é comparável à densidade média da crosta lunar. Anteriormente, considerava-se que a crosta de Marte era pelo menos tão densa quanto a crosta oceânica da Terra, cerca de 2900 kg/m^3.
O novo valor é derivado do campo de gravidade de Marte, um modelo global que pode ser extraído de dados de rastreamento por satélite usando ferramentas matemáticas sofisticadas. O campo de gravidade da Terra é extremamente detalhado, porque os conjuntos de dados têm uma resolução muito alta. Estudos recentes da Lua, pela missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) da NASA, também forneceram um mapa de gravidade preciso.
Os conjuntos de dados para Marte não têm tanta resolução, por isso é mais difícil determinar a densidade da crosta a partir dos mapas de gravidade atuais. Como resultado, as estimativas anteriores basearam-se mais fortemente em estudos da composição do solo e das rochas marcianas.
"À medida que esta história se desenrola, chegamos à conclusão de que não basta apenas conhecer a composição das rochas," afirma o geólogo planetário de Goddard Greg Neumann, coautor do artigo. "Nós também precisamos de saber como as rochas foram trabalhadas ao longo do tempo."
Goossens e colegas começaram com os mesmos dados usados para o modelo de gravidade existente, mas com um novo "twist", estabelecendo uma restrição diferente e aplicando-a para obter a nova solução. Uma restrição compensa o facto de que mesmo os melhores conjuntos de dados não conseguem capturar todos os detalhes. Em vez de seguirem a abordagem padrão, conhecida por aqueles no campo como a restrição Kaula, a equipa criou uma restrição que leva em consideração as medições precisas das mudanças de elevação de Marte, ou topografia.
"Com esta abordagem, conseguimos espremer mais informações sobre o campo de gravidade a partir dos dados existentes," comenta Terence Sabaka, geofísico de Goddard, o segundo autor do artigo.
Antes de se debruçarem sobre Marte, os cientistas testaram a sua abordagem aplicando-a ao campo de gravidade que estava em uso antes da missão GRAIL. A estimativa resultante para a densidade da crosta lunar correspondeu, essencialmente, ao valor de 2550 kg/m^3 da missão GRAIL.
A partir do novo modelo, a equipa gerou mapas globais da densidade e espessura da crosta. Estes mapas mostram os tipos de variações que os investigadores esperavam, como uma crosta mais densa sob os vulcões gigantes de Marte.
Os cientistas salientam que a missão InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA deverá fornecer os tipos de medições que confirmam os seus achados. Com lançamento previsto para 2018, colocará uma plataforma geofísica em Marte a fim de estudar o seu interior profundo.
Fonte: Astronomia OnLine

Estrela envelhecendo sopra bolha difusa

Astrônomos usaram o ALMA para capturar esta bela imagem de uma delicada bolha de material expelido pela exótica estrela vermelha U Antliae. Estas observações irão ajudar os astrônomos a compreender melhor como é que as estrelas evoluem durante as fases finais do seu ciclo de vida.
Na fraca constelação austral da Máquina Pneumática, um observador cuidadoso munido de binóculos poderá ver uma estrela muito vermelha, que varia ligeiramente em brilho de semana para semana. Esta estrela muito incomum chama-se U Antliae e novas observações obtidas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) revelam uma concha esférica bastante fina à sua volta.

U Antliae é uma estrela de carbono, isto é, uma estrela evoluída, luminosa e fria do ramo assintótico das gigantes. Há cerca de 2700 anos, U Antliae sofreu um período curto de perda de massa rápida. Durante este período de apenas algumas centenas de anos, o material que compõe a concha, que agora observamos nos novos dados ALMA, foi ejetado a alta velocidade. A análise detalhada desta concha mostrou também a existência de nuvens de gás finas e esparsas, as chamadas subestruturas filamentares.

Esta imagem se tornou possível devido à capacidade única do rádio telescópio ALMA em criar imagens nítidas em vários comprimentos de onda. O ALMA, situado no planalto do Chajnantor no deserto chileno do Atacama, conseguiu observar a estrutura da concha da U Antliae com muito mais detalhe do que o conseguido até então.

Os novos dados ALMA não consistem apenas numa única imagem: o ALMA produz um conjunto de dados tridimensionais (um cubo de dados) com cada “fatia” correspondente a um comprimento de onda ligeiramente diferente. Devido ao efeito Doppler, cada fatia diferente do cubo de dados mostra imagens do gás deslocando-se a velocidades diferentes, aproximando-se ou afastando-se do observador. Ao dispormos de velocidades diferentes, podemos cortar a bolha cósmica em fatias virtuais, tal como uma tomografia do corpo humano feita pelo computador. A concha observada apresenta-se simetricamente bastante redonda e muito fina, o que faz dela uma estrutura notável.

Compreender a composição química das conchas e atmosferas destas estrelas, e saber como é que estas conchas se formam por perda de massa, é importante para compreendermos como é que as estrelas, e consequentemente as galáxias, evoluíram no Universo primordial. Conchas como a que observamos em torno de U Antliae mostram uma enorme variedade de componentes químicos baseados no carbono e em outros elementos. Estas conchas ajudam igualmente a reciclar matéria, contribuindo com até 70% da poeira do meio interestelar.
Fonte: ESO

18 de set de 2017

Aceleração da expansão do Universo pode dispensar energia escura

São crescentes as dúvidas sobre a aceleração da expansão do Universo - há dúvidas também sobre a idade do Universo e sobre se o Big Bang realmente ocorreu.[Imagem: JHUAPL/SwRI]

Dúvidas sobre o lado escuro do Universo
Embora seja largamente aceita na comunidade científica, a ideia de que o Universo está se expandindo, e de que essa expansão está se acelerando, tem sido objeto de dúvida por parte de um número crescente de pesquisadores.
A questão fundamental é: O que impulsiona a expansão e a aceleração da expansão do Universo?
O modelo padrão chama essas "causas" de matéria escura e energia escura, mas todas as tentativas de detectar sinais de ambas falharam até agora.
Um trio de físicos da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, acaba de oferecer uma nova abordagem que talvez possa livrar os cientistas da necessidade de explicar esse cada vez mais incômodo "lado escuro" do Universo.
Espaço flutuante
A equipe abordou a questão da expansão do Universo encarando de frente uma incompatibilidade entre duas das mais bem-sucedidas teorias que explicam o funcionamento do nosso universo: a mecânica quântica, nas dimensões microscópicas, e a teoria da relatividade geral de Einstein, nas dimensões cósmicas.
Os resultados sugerem que, se déssemos um zoom poderoso o suficiente no Universo, perceberíamos que ele é composto por um espaço e um tempo que "flutuam" constantemente - o espaço-tempo se espicha e encolhe o tempo todo.
"O espaço-tempo não é tão estático quanto parece, ele está constantemente em movimento," explicou Qingdi Wang.
"Esta é uma nova ideia em um campo onde não tem havido muitas novas ideias para tentar abordar esta questão", acrescentou seu colega Bill Unruh.
Energia do vácuo
Esta não é a primeira vez que os físicos tentam se livrar da matéria escura e da energia escura. Como em outras tentativas, parece que o segredo da questão está no nosso desconhecimento sobre o que realmente é a gravidade. [Imagem: Sandbox Studio/Ana Kova]
Quando os dados começaram a indicar que o Universo está em uma expansão acelerada - isto foi em 1998 - os astrônomos e físicos sugeriram que o espaço não é vazio, em vez disso estando repleto de uma energia que empurra a matéria - a famosa energia escura.
O candidato mais natural para compor a energia escura é a energia do vácuo. Contudo, quando os físicos aplicam a teoria da mecânica quântica à energia do vácuo, ela prevê que a energia de vácuo tem uma densidade incrivelmente elevada, muito mais do que a energia total de todas as partículas de matéria no Universo. Se isso for verdade, a teoria da relatividade geral sugere que essa energia do vácuo teria um efeito gravitacional descomunal - a maioria dos físicos acredita que os resultados indicam que o Universo deveria simplesmente explodir, e não meramente acelerar.
Felizmente isso não acontece, e o Universo parece se expandir bem devagar. Logo, a teoria não está completa, e há um problema que deve ser resolvido para a física fundamental progredir.
  • Expansão líquida
Ao contrário das tentativas anteriores, que se concentraram em modificar as teorias da mecânica quântica ou da relatividade geral para resolver a questão, Wang e seus colegas sugerem uma abordagem diferente. Eles levaram a enorme densidade de energia do vácuo prevista pela mecânica quântica a sério e acreditam ter descoberto informações importantes sobre a energia de vácuo que não foram levadas em consideração nos cálculos anteriores.
Os novos resultados fornecem uma imagem física completamente diferente do Universo.
Nesta nova imagem, o espaço em que vivemos está flutuando - e flutuando para valer. Em cada ponto, ele oscila entre expansão e contração. À medida que balança para frente e para trás, os dois movimentos quase se cancelam, mas um efeito líquido muito pequeno leva o Universo a se expandir lentamente a uma taxa acelerada.
Mas se o espaço e o tempo estão flutuando, por que não podemos sentir isso?
"Isso acontece em escalas muito pequenas, bilhões e bilhões de vezes menores do que um elétron," justifica Wang.
"É semelhante às ondas que vemos no oceano. Elas não são afetadas pela dança intensa dos átomos individuais que compõem a água em que essas ondas se movimentam," disse o professor Unruh.
Fonte: Inovação Tecnológica

Uma nova e brilhante "Estrela" poderá aparecer no céu noturno em 2022

Uma enorme colisão entre duas estrelas a cerca de 1.800 anos-luz de distância poderá adicionar um novo objeto brilhante ao nosso céu noturno, dizem os cientistas - embora esta estrela temporária só será visível por dois ou três anos.


Esta é a primeira vez que especialistas tentam prever uma explosão cósmica como esta, e os pesquisadores dizem que geralmente há apenas uma chance de um "em um milhão" de serem capazes de prever uma nova estrela, antes que ela realmente apareça. O astrônomo Larry Molnar e sua equipe da Calvin College em Michigan têm mantido um olhar próximo em uma estrela binária chamada KIC 9832227, que é na verdade constituído por duas estrelas em órbita entre si. 
Neste caso, estamos lidando com um binário de contato, onde ambas as estrelas compartilham partes da mesma atmosfera, como dois amendoins em uma casca. Os pesquisadores pensam que essas estrelas estão se aproximando e poderão colidir entre si em 2022. Esse tipo de fusão é o que se chama uma nova vermelha, e a explosão resultante causará um aumento de 10.000 vezes no seu brilho - o suficiente para que seja visível da Terra por algum tempo.  Se a previsão estiver correta, então, pela primeira vez na história, os pais poderão apontar para uma mancha escura no céu e dizer: 'Olhem, garotos, há uma estrela escondida ali, mas logo vai-se acender ', Diz o chefe da pesquisa de Calvin College, Matt Walhout, que não esteve envolvido no estudo.
A história realmente começou em 2008 com V1309 Scorpii - outra estrela binária que também causou uma nova vermelha. Embora o incidente não tenha sido previsto antecipadamente, as observações dele mostraram o período orbital entre as duas estrelas individuais caindo mais e mais rápido à medida que a colisão se aproximava.
Molnar e seus colegas descobriram o mesmo padrão na CCI 9832227 em 2013 e 2014, e continuando ao longo de 2016 - o que significa que o tempo necessário para que as estrelas se aproximem é realmente pequeno.
A equipe está monitorando as emissões de rádio, infravermelho e raios-X das estrelas, usando uma variedade de instrumentos, incluindo o observatório Very Large Array no Novo México, a Infrared Telescope Facility no Havaí e a nave XMM-Newton, em órbita em torno da Terra. Essas leituras devem nos permitir descobrir se KIC 9832227 está em curso de iluminar o nosso céu noturno. Em seguida, a caça será sobre encontrar outras estrelas binárias como esta, e ver se podemos prever mais dessas colisões.
Se os eventos se desenrolarem como os astrônomos previram, poderemos ver a brilhante explosão da Nova Vermelha na ala norte da constelação de Cygnus, em 2022 - sem necessidade de telescópios. Lembre-se que tecnicamente esta colisão - devemos ser capazes de testemunhá-la - realmente aconteceu há um longo tempo atrás, já que a luz que estaremos vendo terá 1.800 anos de idade. "Ninguém nunca conseguiu prever o nascimento de uma estrela antes, então isso realmente não tem precedentes", afirmou Robert Massey, da Royal Astronomical Society, que não esteve envolvido no estudo, em entrevista com Sarah Knapton, do The Telegraph.
"Acho que haverá uma corrida entre astrônomos amadores e membros do público para detectá-lo primeiro". As descobertas foram disponibilizadas on-line, enquanto os autores aguardam a revisão de pares até à sua publicação em uma revista científica.
A pesquisa também está sendo usada como a base de um próximo documentário chamado Luminous, e você pode assistir ao trailer abaixo 
Fonte: ScienceAlert
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