21 de fev de 2017

Todo mundo pode procurar seu novo planeta neste site financiado pela NASA

A NASA está convidando o público para ajudar a descobrir planetas desconhecidos na nossa galáxia. Um novo site chamado Backyard Worlds: Planet 9 permite que todos participem da busca ao assistir a pequenos vídeos feitos com imagens captadas pela missão WISE da NASA. Os vídeos dão destaque a objetos que se moveram gradualmente pelo espaço.
“Há apenas quatro anos-luz entre Netuno e Proxima Centauri, a estrela mais próxima, e a maioria deste vasto território ainda não foi explorado”, afirma o astrofísico da NASA Marc Kuchner. Ele explica que essa dificuldade acontece porque a região recebe pouca luz solar. “Mesmo objetos grandes nesta região mal brilham em luz visível. Mas ao olhar no infravermelhor da WISE, podemos ter captado objetos que de outra forma teriam passado batido”, diz.
A missão WISE, ou Wide-field Infrared Survey Explorer, escaneou o céu inteiro entre 2010 e 2011, produzindo uma inspeção detalhada. Quando completou sua missão principal em 2011, a missão foi interrompida. Ela foi então reativada em 2013 e recebeu uma nova missão da NASA para identificar Objetos Próximos da Terra que podem ser perigosos. Eles são asteroides e cometas com orbita que vão trazê-los para perto da Terra. A missão foi renomeada NEOWISE, ou Near-Earth Objetct Wide-field Infrared Survey Explorer.
O novo site usa esses dados para procurar por objetos ainda desconhecidos próximos do nosso Sistema Solar. Em 2016, por exemplo, astrônomos da Caltech em Pasadena mostraram que vários objetos distantes tinham órbitas que indicavam que eram afetados pela gravidade de um planeta ainda não detectado. Este planeta foi apelidade de Planeta 9.
A busca também pode revelar objetos mais distantes como anãs marrons, ou estrelas falhas, no espaço próximo da Terra. “Anãs marrons se formam como estrelas mas viram planetas, e as mais frias delas são parecidas com Júpiter”, explica Jackie Faherty, astrônomo do Museu Americano de História Natural em Nova York. “Ao usar o Backyard Worlds: Planet 9, o público por nos ajudar a descobrir mais desses planetas estranhos”.

Por que a NASA precisa de você?

A melhor forma de encontrá-los é através de uma busca sistemática de objetos em movimento nas imagens do WISE. Enquanto parte desta busca pode ser feita por computadores, máquinas não são muito boas em trabalhar com artefatos imagéticos, especialmente em partes do espaço que têm muitos objetos. Por isso, a NASA precisa de olhos humanos para identificar rapidamente objetos em movimento enquanto ignoram outros ruídos imagéticos.

Como ajudar

Por exemplo, a imagem abaixo mostra um objeto em movimento (em laranja) que foi catalogado como uma anã marrom chamada WISE 0855?0714. Ao ver vídeos como esses, qualquer pessoa pode ajudar a descobrir mais objetos semelhantes.
No site, pessoas do mundo inteiro podem explorar pequenos vídeos que mostram pequenas seções do espaço e suas mudanças através dos anos. Objetos em movimento apontados pelos participantes vão ser investigados por equipes de cientistas. O mais legal disso tudo é que o participante receberá crédito pela sua descoberta em toda publicação científica que acontecer como consequência de sua participação.
“Backyard Worlds: Planet 9 tem o potencial de revelar descobertas únicas, e é empolgante pensar que elas podem ser apontadas primeiro por cientistas cidadãos”, diz o pós-doutorando Aaron Meisner, da Universidade da Califórnia em Berkeley.  O projeto é uma parceria entre a NASA, UC Berkeley, Museu Americano de História Natural de Nova York, Universidade do Estado de Arizona, Space Telescope Science Institute em Baltimore e Zooniverse.
Quer começar a procurar por objetos em movimento? Clique aqui para explorar o espaço. 
Fonte: HypeScience.com

O pulsar mais brilhante e distante do universo

O pulsar identificado como NGC 5907 X-1, na galáxia espiral NGC 5907. A imagem tem dados de emissão de raios-X (azul/branco) obtidos pelo XMM-Newton da ESA e pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA, e dados óticos do SDSS (Sloan Digital Sky Survey - galáxia e estrelas de fundo). A inserção mostra a pulsação de raios-X da estrela de neutrões giratória, com um período de 1,13 segundos.Crédito: ESA/XMM-Newton; NASA/Chandra e SDSS

O XMM-Newton da ESA descobriu um pulsar - o remanescente giratório de uma estrela anteriormente massiva - que é mil vezes mais brilhante do que se pensava ser possível. O pulsar é também o mais distante do seu tipo já detetado, tendo a sua luz viajado 50 milhões de anos-luz antes de ser detetada pelo XMM-Newton. Os pulsares são estrelas de neutrões giratórias e magnetizadas que varrem pulsos regulares de radiação em dois feixes simétricos através do cosmos. 

Se devidamente alinhados com a Terra, estes feixes são como um farol que parece ligar e desligar-se à medida que gira. São remanescentes de estrelas gigantes que explodiram como poderosas supernovas no final da sua vida natural, antes de se tornarem "cadáveres" estelares pequenos e extraordinariamente densos. Esta fonte de raios-X é a mais luminosa do seu tipo já detetada até à data: é 10 vezes mais brilhante do que o anterior detentor do recorde. Num segundo, emite a mesma quantidade de energia libertada pelo nosso Sol em 3,5 anos.

O XMM-Newton observou o objeto várias vezes ao longo dos últimos 13 anos, sendo a descoberta o resultado de uma busca sistemática por pulsares nos dados de arquivo - e foi o seu pulso periódico de 1,13 segundos que saltou à vista. O sinal também foi identificado em dados de arquivo do NuSTAR da NASA, fornecendo informações adicionais.

"Antes, pensava-se que apenas os buracos negros com pelo menos 10 vezes a massa do nosso Sol, alimentando-se das suas companheiras estelares, podiam alcançar tais luminosidades extraordinárias, mas as pulsações rápidas e regulares desta fonte são as impressões digitais de estrelas de neutrões e distinguem-se claramente dos buracos negros," comenta Gian Luca Israel, do INAF-Observatório Astronómico de Roma, Itália, autor principal do artigo que descreve o resultado, publicado esta semana na revista Science.

Os dados de arquivo também revelaram que a rotação do pulsar mudou ao longo do tempo, de 1,43 segundos em 2003 para 1,13 segundos em 2014. A mesma aceleração relativa, na rotação da Terra, encurtaria o dia por cinco horas no mesmo período de tempo. Só uma estrela de neutrões é compacta o suficiente para se manter unida enquanto gira tão depressa," acrescenta Gian Luca. Embora não seja invulgar para a rotação de uma estrela de neutrões mudar, neste caso o aumento tão elevado está provavelmente relacionado com o rápido consumo de massa de uma companheira.

"Este objeto é realmente um desafio para a nossa compreensão atual do processo de acreção para estrelas de alta luminosidade," realça Gian Luca. "É 1000 vezes mais luminosa do que se pensava ser possível para uma estrela de neutrões com acreção, de modo que algo mais é necessário nos nossos modelos, a fim de poderem explicar a quantidade enorme de energia libertada pelo objeto. Os cientistas pensam que deve haver um campo magnético forte e complexo perto da sua superfície, de tal forma que a acreção na superfície da estrela de neutrões é ainda possível enquanto ainda gera a alta luminosidade.

"A descoberta deste objeto muito invulgar, de longe o mais extremo já descoberto em termos de distância, luminosidade e aumento da sua rotação, estabelece um novo para o XMM-Newton, e está a mudar as nossas ideias de como estes objetos realmente 'trabalham'," conclui Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.
Fonte: Astronomia OnLine

Pela primeira vez cientistas observam o violento início de uma supernova

Cientistas observaram os efeitos imediatos da formação de uma supernova pela primeira vez, detectando apenas três horas depois da explosão o enorme brilho da morte de uma estrela supergigante vermelha.  O evento foi batizado de SN 2013fs, e foi a primeira chance que os pesquisadores tiveram de estudar uma supernova tão jovem. Normalmente o brilho resultante de sua formação só é descoberto alguns dias depois. Neste caso, foi mais sorte que qualquer outra ação mais ativa; os telescópios já estavam apontados para a região correta por coincidência.
A supernova aconteceu na galáxia chamada NGC 7610, que está a 160 milhões de anos-luz da Terra. Depois da luz desta explosão anciã ter viajado por 160 milhões de anos através do espaço, ela finalmente atingiu a Terra em 2013, onde foi detectada em uma inspeção automática do céu que acontecia no observatório Palomar, perto de San Diego, na Califórnia.  Até alguns anos atrás, flagrar uma supernova uma semana depois da explosão já era considerado pouco tempo. Este já não é mais o caso, e com novas inspeções automáticas e totalmente robotizadas, temos flagrado eventos um dia ou até menos depois da explosão”, diz o astrofísico Ofer Yaron, do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel.

Cenário da explosão

Ao identificar a luz apenas algumas horas depois da explosão, cientistas tiveram a rara oportunidade de examinar as condições cósmicas que cercavam a estrela pouco antes da explosão.  O brilho da supernova é visível por cerca de um ano, mas para observar o cenário da explosão, é preciso descobrir a supernova o quanto antes. No caso da SN 2013fs, observações mostraram que a estrela estava cercada por um disco de fragmentos que havia sido ejetado pela estrela no ano anterior à explosão. Essa camada de material cobriu a estrela com uma nuvem de gás de 10 bilhões de km de profundidade, antes de ser destruída pela supernova.
“Antes de virar supernova, a estrela passa por instabilidades muito significantes no seu interior, afetando as camadas externas e superfície, o que causa essa perda de massa logo antes da explosão”, explica Yaron. “É como se a estrela soubesse que está no fim da vida e que vai morrer logo, e expulsa o material como se fosse o último suspiro”.
SN 2013fs é uma supernova do tipo II, o tipo mais comum de explosão estelar, envolvendo estrelas entre 8 e 50 vezes a massa do Sol. “O fato dela ser do tipo comum II e estar com material ao seu redor significa que esse fenômeno de grande perda de massa logo antes da explosão pode ser comum entre colapsos de supernovas”, diz o cientista.
Em breve poderemos confirmar se a perda de massa realmente é normal nesse tipo de explosão ou não, já que a tecnologia dos telescópios tem melhorado rapidamente. O esperado é que em pouco tempo possamos identificar essas explosões apenas minutos depois delas acontecerem. Essa possibilidade deverá ajudar cientistas a estudar essas mortes violentas das estrelas com grandes detalhes. Eles até esperam observar uma supernova na Via Láctea – contanto que ela não aconteça muito perto de nós. “Se você perguntar a um nadador no mar, ele não quer ver um tubarão. Mas se perguntar a um mergulhador, isso é tudo o que ele quer ver”, compara Yaron. 

Cientistas da NASA têm um plano para transformar Plutão em um planeta de novo



É uma besteira”, falou Alan Stern, o principal investigador da missão New Horizons da NASA para Plutão, sobre o fato de Plutão ter deixado oficialmente de ser um planeta. Agora Stern está comandando um time de cientistas da NASA que propuseram uma nova definição do que é um planeta que faria mais do que resgatar a antiga glória do gelado planeta anão. 
proposta que o time de Stern mandou para aprovação do IAU redefiniria a nossa compreensão de um planeta em termos bem simples. Os cientistas reduziriam a definição para “objetos redondos no espaço que são menores do que estrelas”. Sim, isso transformaria a Lua da Terra, assim como muitas outras, em planetas.

Uma descrição mais detalhada da proposta define o método de classificação planetar como “um corpo de massa sub-estelar que nunca passou por fusão nuclear e que tem auto-gravitação o bastante para assumir um formato esferoidal adequadamente descrito por um elipsóide triaxial independente de seus parâmetros orbitais”.

Stern obviamente é parte interessada nessa discussão, considerando que ele foi o líder da missão New Horizons que trouxe imagens impressionantes e novas informações sobre Plutão. Essa missão lembrou as pessoas de quão incrível o planeta anão é, e ele tem questões com a mudança de status do planeta há anos. Em 2015, disse para a Business Insider que os astrônomos não deveriam decidir o que é ou não um planeta. “Você deveria ouvir cientistas planetários, que sabem algo sobre esse assunto”, afirmou. “Quando olhamos para um objeto como Plutão, não sabemos outro nome pelo qual chamá-lo”.

Science Alert resume as críticas da proposta do sistema atual de classificação planetária:  Primeiro, ele reconhece como planetas só aqueles objetos que orbitam o Sol, não aqueles orbitando outras estrelas ou orbitando livremente na galáxia como ‘planetas interestelares’”, eles explicam.  Segundo, o fato de que ele necessita de uma área limpa significa que “nenhum planeta no Sistema Solar” satisfaz o critério, já que um pequeno número de pequenos corpos cósmicos está constantemente voando por meio das órbitas planetares, incluindo da Terra.  

Finalmente, e “mais sério”, eles dizem, essa estipulação de zona livre significa que a matemática usada para confirmar se um corpo cósmico é um planeta de verdade é dependente da distância, porque uma “zona” precisa ser limpa. Isso precisa de objetos progressivamente maiores em cada zona sucessiva, e “até objetos do tamanho da terra na Cintura de Kuiper não teriam uma zona limpa”.  Vai depender da União Astronômica Internacional dizer por fim se esse novo sistema deve ou não ser adotado. Pode parecer meio cedo para redefinir o que é um planeta, mas a humanidade tem mudado a definição desde sempre.  Se você realmente ama Plutão, isso pode ser uma boa notícia. Se você ainda está com problemas de lembrar que só existem oito planetas ao invés de nove, essa proposta vai continuar a tornar sua vida difícil. 
Fonte: MSN

Mapeando a árvore genealógica das estrelas


Imagem que mostra famílias genealógicas de estrelas na nossa Galáxia, incluindo o nosso Sol. Crédito: Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge


Os astrónomos estão a usar princípios aplicados na biologia e na arqueologia para construir uma árvore genealógica das estrelas na Galáxia. Ao estudar as assinaturas químicas encontradas nas estrelas, estão a reunir essas árvores evolutivas olhando para como as estrelas se formaram e como estão ligadas entre si. As assinaturas atuam como um homólogo das sequências de ADN. É semelhante à marcação química de estrelas e forma a base de uma disciplina que os astrónomos chamam de arqueologia galáctica.

Foi Charles Darwin que, em 1859, publicou a sua revolucionária teoria de que todas as formas de vida são descendentes de um antepassado comum. Esta teoria tem informado a biologia evolutiva desde então, mas foi um encontro casual entre uma astrónoma e um biólogo, durante um jantar em King's College, Cambridge, que fez a astrónoma pensar sobre como podia ser aplicado às estrelas da Via Láctea.  A Dra. Paula Jofré, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, descreve na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society como criou uma "árvore genealógica" filogenética que liga várias estrelas da Galáxia.

"O uso de algoritmos para identificar famílias de estrelas é uma ciência que está constantemente em desenvolvimento. As árvores filogenéticas dão uma dimensão extra aos nossos esforços, razão pela qual esta abordagem é tão especial. Os ramos das árvores servem para nos informar sobre a história partilhada das estrelas," comenta. A equipa escolheu vinte e duas estrelas, incluindo o Sol, para estudar. Os elementos químicos foram cuidadosamente medidos a partir de dados provenientes de espectros terrestres de alta resolução obtidos com grandes telescópios localizados no norte do Chile.

Assim que as famílias foram identificadas usando ADN químico, a sua evolução foi estudada com a ajuda das suas idades e propriedades cinemáticas obtidas pela missão espacial Hipparcos, o percursor do Gaia, o observatório que foi lançado pela ESA e que está a meio do seu projeto de 5 anos de mapear o céu.
As estrelas nascem nas nuvens de poeira da Galáxia, graças a explosões violentas que espalham matéria-prima. É provável que duas estrelas, com as mesmas composições químicas, tenham nascido na mesma nuvem molecular. 

Algumas vivem durante mais tempo que a idade do Universo e servem como registos fósseis da composição do gás no momento em que foram formadas. A estrela mais antiga da amostra analisada pela equipa tem uma idade estimada em quase 10 mil milhões de anos, duas vezes mais velha que o Sol. A mais jovem tem 700 milhões de anos.

Na evolução, os organismos estão ligados entre si por um padrão de descendência com modificações à medida que evoluem. As estrelas são muito diferentes dos organismos vivos, mas ainda têm uma história de descendência partilhada uma vez que se formam em nuvens de gás e transportam essa história na sua estrutura química. Ao aplicar os mesmos métodos filogenéticos que os biólogos usam para traçar a descendência em plantas e em animais, é possível explorar a "evolução" das estrelas na Via Láctea.

"As diferenças entre estrelas e animais são imensas, mas partilham a propriedade de mudar ao longo do tempo e, portanto, ambas podem ser analisadas pela construção de árvores da sua história," afirma o professor Robert Foley, do Centro Leverhulme para Estudos Evolutivos Humanos em Cambridge.
Com um número cada vez maior de conjuntos de dados sendo disponibilizados tanto pelo Gaia como por telescópios mais avançados no solo, e por grandes levantamentos espectroscópicos atuais e futuros, os astrónomos estão cada vez mais perto de construir uma árvore genealógica que pode ligar todas as estrelas da Via Láctea.
Fonte: Astronomia OnLine

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