1 de mar de 2017

Cientistas vão ligar um telescópio que poderá fotografar o horizonte de eventos de um buraco negro

Buracos negros são muito legais. Ou, pelo menos, é isso que achamos, já que nunca vimos um de fato. Como seu nome indica, eles são muito, muito escuros. Fotografá-los não é uma tarefa fácil – na realidade, beira o impossível. Como eles irreversivelmente consomem tudo o que atravessa o seu horizonte de eventos, incluindo a luz, a imagem resultante vai parecer simplesmente um monte de nada.  Mas isso pode estar prestes a mudar, uma vez que os cientistas estão perto de ligar uma nova rede de telescópios que possui a melhor chance de nos mostrar o buraco negro no centro de nossa galáxia, o Sagitário A*. 

Telescópio do Horizonte de Eventos

Chamado de Telescópio do Horizonte de Eventos, o novo dispositivo é composto por uma rede de receptores de rádio localizados em todo o planeta, incluindo o Polo Sul, os EUA, o Chile e os Alpes franceses.  A rede será ligada entre 5 e 14 de abril, e os resultados colocarão a teoria da relatividade geral de Einstein à prova, como nunca antes.  O telescópio funciona usando uma técnica conhecida como interferometria de linha de base muito longa (VLBI, na sigla em inglês), o que significa que a rede de receptores se concentrará em ondas de rádio emitidas por um objeto particular no espaço ao mesmo tempo. No caso do buraco negro, a rede vai se concentrar em ondas de rádio com um comprimento de 1,3 mm (230 GHz), o que lhes dá a melhor chance de “atravessar” quaisquer nuvens de gás e poeira bloqueando o objeto.

Resolução inacreditável

Como muitas dessas antenas vão estar todas sintonizadas em um único ponto, a resolução do telescópio deve ser de 50 micro arco-segundos. Para colocar isso em perspectiva, é o equivalente a ser capaz de ver uma fruta do tamanho de uma laranja na superfície da lua. Isso é importante, porque Sagitário A*, embora seja enorme, é como uma agulha no palheiro que é nosso céu noturno.  Nós nunca o observamos diretamente, mas os pesquisadores sabem que ele existe por causa da maneira como influencia a órbita de estrelas próximas. Com base no comportamento dessas estrelas, os pesquisadores preveem que o buraco negro é provavelmente cerca de 4 milhões de vezes maior do que o nosso sol, mas com um diâmetro do horizonte de eventos de apenas 20 milhões de quilômetros ou mais. A uma distância de cerca de 26.000 anos-luz da Terra, isso faz dele um alvo pequeno.

O que vamos ver

O novo telescópio terá como objetivo observar o ambiente imediato em torno do buraco negro, e deve ser capaz de obter resolução suficiente para vermos o objeto em si.  Em abril, vamos fazer as observações que achamos ser a primeira chance real de trazer o horizonte de eventos de um buraco negro em foco”, disse o líder do projeto, Sheperd Doeleman, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA, À BBC.
Se o projeto for bem sucedido, o buraco negro se parecerá com um anel brilhante de luz em torno de uma bolha escura. Essa luz é emitida por partículas de gás e poeira aceleradas a altas velocidades antes de serem rasgadas e consumidas pelo buraco negro. A bolha escura seria a sombra lançada sobre aquele caos.

Apostem suas fichas

Se Einstein estiver certo, o formato que devemos ver será mais um crescente de luz do que um anel – porque um efeito Doppler dramático deve fazer o material se movendo em direção à Terra parecer muito mais brilhante. A relatividade geral também faz algumas previsões muito específicas sobre o tamanho que a sombra lançada pelo buraco negro deve ter, com base em quanto ele deve dobrar o espaço-tempo.
Se os pesquisadores conseguirem medir essa sombra, também podemos confirmar essa teoria.
Mas o que acontece se vermos ou medirmos algo diferente? Doeleman admite que essa é definitivamente uma possibilidade, e que abalaria o mundo da física como o conhecemos. Nunca é uma boa ideia apostar contra Einstein, mas se vermos algo muito diferente do que esperamos, temos que reavaliar a teoria da gravidade. Eu não espero que isso aconteça, mas tudo pode acontecer e essa é a beleza disso”, explica.

Paciência

Depois da coleta de informações, os pesquisadores vão precisar processar muitos dados. Por isso, não devemos esperar as primeiras imagens de um buraco negro até o final do ano, ou mesmo o início de 2018. Isso assumindo que o clima estará bom o suficiente para obtermos uma imagem clara na janela de visualização de Sagitário A * em abril.  Uma coisa é certa, no entanto: quando tivermos essas primeiras fotos, será um momento emocionante para a humanidade.
Fonte: Hypescience.com

AG Carinae perdendo massa a um ritmo fenomenal

Esta estrela luminosa, chamada AG Carinae, está perdendo massa a um ritmo fenomenal. Seus poderosos ventos chegam a sete milhões de quilômetros por hora e exercem uma enorme pressão sobre as nuvens de material já expelidos pela estrela.  Tais brisas incríveis limparam uma boa região imediatamente ao redor da estrela, esculpindo o material expelido no padrão observado na imagem acima, feita pelo Telescópio Espacial Hubble, em setembro de 2014.
A AG Carinae fica a 20.000 anos-luz de distância de nós, na constelação de Carina.

AG Carinae

A AG Carinae é um tipo raro de estrela azul variável luminosa, que evoluiu de uma estrela com cerca de 50 vezes a massa de nosso sol.  Esses objetos mostram comportamento mutável e imprevisível, experimentando tanto períodos de silêncio quanto períodos explosivos. Elas são também algumas das estrelas mais brilhantes conhecidas: dezenas de milhares a vários milhões de vezes mais luminosas que o sol.

Efeitos

Vale a pena notar que o brilho intenso no centro da imagem não é a própria estrela. Esta é minúscula na escala da fotografia, e está escondida dentro da região saturada. A cruz branca também não é um fenômeno astronômico, mas sim um efeito do telescópio. 
Fonte: Phys

NGC 1055 Close-up

A grande e bela galáxia espiral NGC 1055 é um membro dominante de um pequeno grupo de galáxias a apenas 60 milhões de anos-luz de distância, em direção à constelação aquaticamente intimidadora Cetus . Visto de lado, o universo da ilha se estende por mais de 100.000 anos-luz, um pouco maior que a nossa Via Láctea . As estrelas coloridas neste close-up cósmico de NGC 1055 estão em primeiro plano, bem dentro da Via Láctea. Mas as estonteantes regiões de formação de estrelas rosadas estão espalhadas por pistas de poeira sinuosas ao longo do disco fino da galáxia distante. Com um punhado de galáxias de fundo ainda mais distantes, a imagem profunda também revela um halo quadradão que se estende muito acima e abaixo do bluge central e disco de NGC 1055. O próprio halo é atado com estruturas estreitas e fracas, e poderia representar a mistura e espalhar detritos de uma galáxia satélite interrompida pela espiral maior há 10 bilhões de anos .
Fonte: NASA

A Nebulosa da Cabaça

Nuvens de gás em rápida expansão assinalam o fim de uma estrela central na Nebulosa da Cabaça. A estrela, que já foi normal, ficou sem combustível nuclear, fazendo com que as regiões centrais contraiam para formar uma anã branca. Parte da energia libertada faz com que o invólucro externo da estrela se expanda. Neste caso, o resultado é uma nebulosa protoplanetária fotogénica. À medida que o gás, com uma velocidade de um milhão de quilómetros por hora, colide com o gás interestelar circundante, é formada uma frente de choque supersónica onde o hidrogénio ionizado e o azoto brilham em tons de azul. O espesso gás e poeira escondem a estrela central moribunda. A Nebulosa da Cabaça, também conhecida como Nebulosa do Ovo Podre ou OH 231.84 +4.22, irá provavelmente transformar-se completamente numa nebulosa planetária bipolar ao longo dos próximos 1000 anos. A nebulosa mede aproximadamente 1,4 anos-luz em extensão e está localizada a cerca de 5000 anos-luz de distância na direção da constelação de Popa. 
  
CRÉDITOS: NASAESAHubbleMAST

O despertar de uma nova era para a Supernova 1987A


Já se passaram três décadas desde que astrônomos descobriram a supernova mais brilhante observada nos último 400 anos. A explosão estelar SN 1987A resplandeceu com o brilho de 100 milhões de sóis durante vários meses após a sua descoberta em 23 de fevereiro de 1987.  Situada na Grande Nuvem de Magalhães, uma das galáxias satélite da Via Láctea, a SN 1987A foi a explosão de supernova mais próxima observada em séculos, tendo-se tornado rapidamente na supernova mais bem estudada de todos os tempos. 

Durante os últimos 30 anos, observações de acompanhamento detalhadas, obtidas com telescópios colocados tanto no solo como no espaço, permitiram aos astrônomos estudar os momentos finais de uma estrela massiva com um detalhe sem precedentes, da estrela à supernova e aos restos da supernova, revolucionando a nossa compreensão destes eventos explosivos.

Com a sua excelente sensibilidade nos comprimentos de onda do milímetro e do submilímetro, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) tem explorado desde 2013 aspectos da SN 1987A não estudados anteriormente. Os astrônomos estão usando o ALMA para observar os restos brilhantes da supernova em alta resolução, estudando como é que estes restos estão criando enormes quantidades de poeira a partir dos novos elementos criados na estrela progenitora. 

Uma parte desta poeira chegará ao espaço interestelar e poderá um dia ser o material a partir do qual se formarão futuros planetas em torno de outras estrelas.  Estas observações sugerem que a poeira no Universo primordial foi criada por explosões de supernova semelhantes. A imagem composta aqui apresentada reúne observações do ALMA, do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e do Observatório de raios X Chandra da NASA.

FONTE: ESO
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