22 de mar de 2017

Estas estrelas fugiram de uma guerra gravitacional

Imagem da Nebulosa Kleinmann-Low, parte do complexo da Nebulosa de Orionte, composta por imagens óticas e infravermelhas do Hubble. A radiação infravermelha permite perscrutar através da poeira da nebulosa e ver as estrelas no seu interior. As estrelas reveladas têm um tom avermelhado. Os astrónomos procuravam planetas flutuantes e anãs castanhas. Como efeito colateral, descobriram uma veloz estrela fugitiva.Crédito: NASA, ESA/Hubble

Enquanto os descobridores portugueses do século XV exploravam terras africanas, um grupo de estrelas travava uma luta contenciosa - uma guerra estelar na distante Nebulosa de Orionte. As estrelas lutavam entre si num conflito gravitacional, que terminou com o sistema a afastar-se e com pelo menos três estrelas expelidas em direções diferentes. As velozes estrelas desertoras passaram despercebidas durante centenas de anos até que, nas últimas décadas, duas delas foram detetadas em observações no rádio e no infravermelho, comprimentos de onda que podem penetrar a espessa poeira da Nebulosa de Orionte.
As observações mostraram que as duas estrelas viajavam a altas velocidades em direções opostas uma à outra. A origem das estrelas, no entanto, era um mistério. Os astrónomos traçaram ambas as estrelas 540 anos para o passado, até ao mesmo local, e sugeriram que faziam parte do mesmo, atualmente extinto, sistema múltiplo. Mas a energia combinada da dupla, que agora as está a levar para fora, não batia certo. Os investigadores argumentaram que deveria haver pelo menos uma outra culpada, culpada esta que roubou energia do lançamento estelar.

Agora, o Telescópio Espacial Hubble da NASA ajudou os astrónomos a descobrir a peça final do puzzle, ao encontrar a terceira estrela fugitiva. Os astrónomos seguiram o percurso da estrela recém-descoberta de volta ao mesmo local onde as duas estrelas anteriormente conhecidas estavam localizadas há 540 anos. O trio reside numa pequena região de jovens estrelas chamada Nebulosa Kleinmann-Low, perto do centro do vasto complexo da Nebulosa de Orionte, localizada a 1300 anos-luz da Terra.

Esta ilustração mostra como um grupo estelar pode fragmentar-se, expelindo os seus membros para o espaço. Painel 1: membros de um sistema múltiplo orbitam-se uns aos outros. Painel 2: duas das estrelas movem-se para mais perto uma da outra ao longo das suas órbitas; Painel 3: as duas estrelas eventualmente ou se fundem ou formam um binário íntimo. Este evento liberta energia gravitacional suficiente para expulsar todas as estrelas do sistema. Crédito: NASA, ESA e Z. Levy (STScI)

"As novas observações do Hubble fornecem evidências muito fortes de que as três estrelas foram expelidas de um sistema múltiplo," afirma o investigador principal Kevin Luhman, da Universidade Estatal da Pensilvânia, EUA. "Os astrónomos já tinham encontrado, anteriormente, alguns outros exemplos de estrelas em rápido movimento que traçaram de volta a sistemas estelares múltiplos e que, portanto, provavelmente foram arremessadas. Mas estas três estrelas são os exemplos mais jovens de estrelas ejetadas. Têm provavelmente apenas algumas centenas de milhares de anos. De facto, com base nas imagens infravermelhas, as estrelas ainda são jovens o suficiente para albergar discos de material deixado para trás aquando da sua formação."
Todas as três estrelas se movem extremamente depressa para fora da Nebulosa Kleinmann-Low, a quase 30 vezes a velocidade da maioria dos habitantes estelares da nebulosa. Com base em simulações de computador, os astrónomos preveem que estas guerras gravitacionais ocorram em enxames jovens, onde as estrelas recém-nascidas se aglomeram. "Mas não temos observado muitos exemplos, especialmente em enxames muito jovens," comenta Luhman. "A Nebulosa de Orionte pode estar rodeada por outras estrelas ejetadas no passado e que agora fogem para o espaço."

Os resultados da equipe foram publicados na edição de 20 de março da revista The Astrophysical Journal Letters. Luhman tropeçou na terceira estrela veloz, chamada "fonte x," enquanto caçava planetas flutuantes na Nebulosa de Orionte como membro de uma equipe internacional liderada por Massimo Robberto do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. 

A imagem captada pelo Hubble mostra um grupo de jovens estrelas, a que damos o nome de Enxame do Trapézio (centro). A 1.ª inserção realça a localização das três estrelas. O local do nascimento do sistema múltplo está marcado como "initial position". Duas das estrelas - BN e "I", para fonte I - foram descobertas há décadas atrás. A fonte I está embebida em poeira espessa e não pode ser vista. Descobriu-se recentemente que a terceira estrela, "x", para fonte x, moveu-se bastante entre 1998 e 2015, tal como mostra a segunda inserção.Crédito: NASA, ESA, K. Luhman (Universidade Estatal da Pensilvânia) e M. Robberto (STScI)

A equipe usou a visão infravermelha do instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble para realizar o levantamento. Durante a análise, Luhman comparava novas imagens infravermelhas obtidas em 2015 com observações de 1998 pelo NICMOS (Near Infrared Camera and Multi-Object Spectrometer). Ele notou que a fonte x havia mudado consideravelmente de posição, em relação às estrelas próximas, nos 17 anos entre as imagens do Hubble, indicando que a estrela se movia rapidamente, a mais de ‪200.000 km/h.
O astrónomos então olharam para as posições anteriores da estrela, projetando o seu caminho de volta no tempo. Ele percebeu que, na década de 1470, a fonte x estivera perto da mesma localização inicial na Nebulosa Kleinmann-Low que as outras duas estrelas fugitivas, Becklin-Neugebauer (BN) e "fonte I."
BN foi descoberta em 1967 com recurso a imagens infravermelhas, mas o seu rápido movimento só foi detetado em 1995, quando observações no rádio determinaram que a velocidade da estrela rondava os ‪96.000 km/h. A fonte I viaja a aproximadamente 35.400 km/h. A estrela só havia sido detetada no rádio; dado que está fortemente envolta em poeira, a sua luz visível e infravermelha é amplamente bloqueada. As três estrelas provavelmente foram expulsas do seu lar natal quando se envolveram num "jogo de bilhar" gravitacional, comenta Luhman. O que muitas vezes acontece quando um sistema múltiplo desmorona é que duas das estrelas se aproximam o suficiente uma da outra, fundem-se ou formam um binário muito íntimo. 

Em ambos os casos, o evento liberta energia gravitacional suficiente para impulsionar para fora todas as estrelas do sistema. O episódio energético também produz um fluxo massivo de material, que pode ser visto em imagens do NICMOS como "dedos" de matéria que flui para longe da posição da embebida estrela apelidada de fonte I.

Os telescópios futuros, como o JWST (James Webb Space Telescope), vão ser capazes de observar uma grande faixa da Nebulosa de Orionte. Através da comparação de imagens da nebulosa, obtidas pelo JWST, com aquelas obtidas anos antes pelo Hubble, os astrónomos esperam identificar mais estrelas fugitivas que se separaram de outros sistemas múltiplos.
Fonte: Astronomia OnLine

A NASA quer transformar o sol em um supertelescópio

Recentemente, a NASA delineou planos para utilizar o sol como um gigantesco telescópio, a fim de caçar mundos alienígenas no cosmos. A teoria para isso foi discutida no evento Planetary Science Vision 2050, em Washington DC, nos EUA. Tal telescópio, ainda não construído, seria posicionado de tal maneira a transformar o sol em uma “lente gravitacional” para ver planetas distantes 1.000 vezes mais claramente do que podemos no momento.

Lente gravitacional

A lente gravitacional é um fenômeno físico bastante peculiar, que pertence à escola einsteiniana da relatividade geral. Apesar de Einstein ter explicado formalmente sua teoria em 1936, seus testes tecnicamente se estenderam algumas décadas antes, principalmente durante uma experiência de 1919 feita por Sir Arthur Eddington, um astrônomo e polímata inglês. 
No que provou ser o primeiro experimento físico a verificar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein – que postulava que a luz nem sempre viaja em linha reta -, Eddington foi a uma remota ilha ao largo da costa oeste da África para observar um eclipse solar total. Uma série de imagens tiradas do eclipse continha um curioso grupo de faíscas brilhantes identificadas como o conjunto de estrelas Hyades.
Como estas estavam posicionadas diretamente atrás do sol na época, a experiência mostrou que a imensa massa do astro tinha distorcido tanto o espaço-tempo que a luz proveniente do grupo Hyades estava se dobrando em torno dele, e fazendo o seu caminho para a Terra.

Brilhante, mas difícil

Agora, quase um século mais tarde, este princípio está sendo ponderado pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA como uma maneira de ver exoplanetas e estrelas a muitos anos-luz de distância de nós.
Só o tempo dirá se essa proposta vai de fato se tornar realidade, mas apenas a ideia de usar nosso próprio sol como uma lupa já é muito legal. Grandes dificuldades estão envolvidas, no entanto.
A experiência ocorreu em 1919, mas os cientistas não construíram um telescópio que utiliza o sol antes porque, graças à interferência gravitacional do resto do sistema solar, o efeito de lente gravitacional para tal telescópio só funcionaria se ele fosse posicionado 14 vezes mais longe do que Plutão está de nós agora.
Atualmente, nenhum objeto feito pelo homem chegou a viajar sequer perto dessa distância. Portanto, não espere que tal supertelescópio apareça em breve – precisamos melhorar a nossa tecnologia de propulsão primeiro. 
Fonte: IFLS

Como cientistas coletaram um pedaço do sol

Você sabia que existe um local na Terra em que é possível segurar um pedaço do Sol? Este lugar fica no Centro Espacial Johnson, em Houston, Texas. Lá existem duas salas repletas de wafers (finas fatias de material semicondutor) e folhas metálicas que armazenam partículas do vento solar.
Há quinze anos, essas partículas carregadas foram lançadas pelo Sol para o espaço com velocidade de 750km/s. Normalmente, elas iriam viajar pelo sistema solar, mas naquela ocasião, algo esperava por elas no caminho. Acampada entre a Terra e o Sol, no ponto exato em que as gravidades dos dois corpos se cancelam, estava uma nave brilhante, com a missão de captar o número máximo de partículas.
Esta nave se chama Genesis, e ficou neste ponto entre dezembro de 2001 e abril de 2004, captando as partículas com os wafers compostos de materiais como silício, diamante, ouro, alumínio e safira.  A viagem de volta à Terra levou quatro meses. Genesis não pousou na nossa superfície, mas enviou uma cápsula contendo os wafers para nós. Em 8 de setembro de 2004, a cápsula passou por uma entrada na atmosfera bastante acidentada. Ela tinha um enorme paraquedas e deveria descer tão lentamente que um helicóptero iria coletar o material com segurança. Para o horror os cientistas, esse paraquedas não funcionou, e a cápsula se espatifou no deserto de Utah.
Ao examinar os pedaços de metal retorcido no deserto, os cientistas respiraram aliviados ao constatar que nem tudo estava perdido. Muitos wafers estavam quebrados, mas outros ficaram intactos, com as amostras de vento solar guardadas com segurança.
Em janeiro de 2005, o primeiro wafer estava pronto para análise. Cientistas finalmente colocaram as mãos nos pedacinhos do Sol e passaram a examiná-los.
Os resultados foram fascinantes. Primeiro, os pesquisadores determinaram que as partículas hipotéticas chamadas partículas energéticas solares não existem no vento solar, desbancando uma teoria da Era Apollo. Eles também descobriram que o Sol tem proporção maior de Oxigênio 16 do que a Terra. Isso é estranho, já que a Terra e quase tudo no sistema solar surgiram da mesma nebulosa. Então o que aconteceu com o oxigênio? Os cientistas ainda não têm certeza.
As amostras continuam armazenadas, esperando pelo desenvolvimento de novas tecnologias e pesquisas para nos fornecer ainda mais informações sobre o Sol e a Terra. 

DAWN revela atividades de criovulcanismo no planeta anão Ceres

Imagens altamente resolvidas da Cratera Occator mostram evidências de atividade geológica de longa duração.

Esta imagem de toda a Cratera Occator mostra o poço brilhante no seu centro e o domo criovulcânico. As montanhas rugosas na borda da cratera lançam suas sombras sobre áreas do poço. Esta imagem foi obtida a uma distância de 1.478 km da superfície de Ceres e possui uma resolução de 158 metros por pixel. Créditos: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
Entre as características mais impressionantes na superfície de Ceres estão as manchas brilhantes no centro da Cratera Occator, as quais já se destacavam quando a sonda DAWN da NASA ainda estava se aproximando do planeta anão. Cientistas, sob a liderança do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar (MPS), determinaram agora, de forma inédita, a idade deste material brilhante que consiste principalmente de depósitos de sais minerais especiais. Com ‘apenas’ cerca de quatro milhões de anos de idade, esses depósitos são cerca de 30 milhões de anos mais jovens do que a cratera propriamente dita. Considerando isso, bem como a distribuição e natureza do material brilhante dentro da cratera, as medidas sugerem que a Cratera Occator tem sido o cenário de surtos eruptivos de salmoura subterrânea durante um longo período e até quase recentemente. Consequentemente, Ceres é o corpo mais próximo do Sol possui atividade criovulcânica.
Durante quase dois anos, a sonda DAWN da NASA tem acompanhado o planeta anão Ceres, que orbita o Sol dentro do Cinturão Principal de Asteroides, localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter. Durante a primeira parte da missão, entre dezembro de 2015 e setembro de 2016, a espaçonave robótica procurou diminuir a sua órbita até quando ‘apenas’ 375 km a separavam da superfície. Durante esta órbita de mapeamento de baixa altitude, as câmeras fotográficas da DAWN produziram imagens detalhadas da superfície de Ceres, exibindo uma resolução de até 35 metros por pixel. O sistema científico de imagem da DAWN foi desenvolvido, construído e tem sido operado sob a liderança do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar (MPS).
Os pesquisadores do MPS investigaram detalhadamente as complexas estruturas geológicas vistas nas imagens da Cratera Occator. Estas estruturas incluem fraturas, avalanches e crateras menores e jovens. Andreas Nathues, pesquisador da Câmera de Enquadramento (Framing Camera), exclamou:
Nestes dados, a origem e a evolução da cratera pode ser lida mais claramente do que nunca!
Indicações adicionais foram fornecidas por medições do espectrômetro infravermelho VIR a bordo da DAWN.
Aqui vemos um mosaico em cores falsas que mostram partes da Cratera Occator. As imagens foram obtidas a uma distância de 375 km. O lado esquerdo do mosaico mostra a região central da cratera, que contém o material mais brilhante de Ceres. A área mede 11 km em diâmetro e é parcialmente rodeada por montanhas íngremes. No meio está uma cúpula com 400 metros de altura coberta por fraturas, possui um diâmetro de 3 km. O lado direito do mosaico mostra outras manchas menos brilhantes da Cratera Occator. Créditos: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
A Cratera Occator, localizada no hemisfério norte de Ceres, mede 92 quilômetros de diâmetro. No seu centro encontra-se um poço com um diâmetro de aproximadamente 11 km. Em várias partes da sua periferia, montanhas irregulares e encostas íngremes sobem até 750 metros de altura. Dentro do poço se formou uma cúpula brilhante, com um diâmetro de 3 km, 400 metros de altura e exibe fraturas características que se destacam.
Thomas Platz do MPS também declarou:
Esta cúpula contém o material mais brilhante de Ceres.
Os pesquisadores denominam o material brilhante presente no poço central de Cerealia Facula. Os dados do VIR mostram que os componentes lá são ricos em certos sais chamados carbonatos. Tendo em vista que impactos posteriores, nesta área, não expuseram qualquer outro material oriundo das profundezas, esta cúpula possivelmente consiste inteiramente de material brilhante. As manchas brilhantes (Vinalia Faculae), localizadas na parte exterior da cratera, são mais pálidas, formam uma camada mais fina e (assim como os dados do VIR e das câmeras mostram) e consistem de uma mistura de carbonatos e material escuro circunvizinho.
Andreas Nathues e a sua equipe interpretaram este poço central, com o seu cume rochoso e irregular, como um remanescente de uma antiga montanha central. Esse cume se formou como resultado do impacto que criou a Cratera Occator há cerca de 34 milhões de anos e colapsou mais tarde. A cúpula de material brilhante é muito mais jovem: tem apenas aproximadamente 4 milhões de anos. A chave para determinar estas idades foi a contagem e a medição precisa das crateras menores criadas por impactos posteriores. A suposição básica deste método é que as superfícies que mostram muitas crateras são mais antigas do que aquelas menos “perfuradas”. Dado que até muitas crateras pequenas são visíveis em imagens de alta resolução, o novo estudo contém a datação mais precisa até a data.
Andreas Nathues explicou:
A idade e aspecto do material que envolve a cúpula brilhante sugere que Cerealia Facula foi formada por um processo eruptivo recorrente, que também expeliu material para regiões mais externas do poço central. Um único evento eruptivo é bastante improvável.
Um olhar sobre o sistema de Júpiter suporta esta teoria. As luas Calisto e Ganimedes mostram cúpulas semelhantes. Os investigadores as interpretam como depósitos vulcânicos e consequentemente como sinais de criovulcanismo.
Este anaglifo em 3D mostra, pela primeira vez, uma parte da Cratera Occator em uma combinação entre um estereograma e uma imagem em cores falsas. Créditos: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
Os cientistas do MPS assumem que um processo similar está ativo em Ceres.
Andreas Nathues destacou:
O grande impacto que rasgou a gigante Cratera Occator, à superfície do planeta anão, deve ter originalmente começado tudo e desencadeado a atividade criovulcânica posterior.
Após a perturbação causada pelo impacto, os pesquisadores que investigaram a salmoura suspeitam que ou uma camada completa ou escombros espalhados sob o manto rochoso, foram capazes de se aproximar da superfície. A pressão mais baixa permitiu com que a água e os gases dissolvidos (como o metano e dióxido de carbono) escapassem, formando um sistema de aberturas. Na superfície apareceram fraturas através das quais a solução saturada emergiu das profundezas. Os sais depositados formaram gradualmente a cúpula que atualmente observamos por lá.
A última dessas erupções provavelmente criou a superfície atual da cúpula, há quatro milhões de anos atrás. Se a atividade criovulcânica cessou completamente ou se ainda está em curso um nível mais baixo é algo ainda incerto para os cientistas. As fotografias da cratera, mostrando neblina quando fotografada em certos ângulos, parecem suportar a última hipótese. No final de 2015, os pesquisadores do MPS explicaram este fenômeno como sublimação de água.
Recentes investigações apoiam esta interpretação. Os cientistas do MPS avaliaram várias imagens da Cratera Occator, capturadas em uma fase inicial da missão, obtidas a uma distância de 14.000 quilômetros e a partir de ângulos baixos. Elas claramente mostram variações de brilho seguindo um ritmo diurno.
Singh Thangjam descreveu os resultados de sua análise:
A natureza da luz dispersa no chão de Occator difere fundamentalmente daquela noutras partes da superfície de Ceres. A explicação mais provável é que, próximo ao chão da cratera, uma neblina oticamente fina e semitransparente foi formada.
Os investigadores pensam que a neblina é possivelmente formada pela sublimação de água que emerge a partir de fraturas no chão da cratera quando exposta à luz solar.
O artigo assinado por Nathues et al., intitulado “Evolution of Occator Crater on (1)Ceres” foi publicado em The Astronomical Journal Volume 153, Number 3 (17 de fevereiro de 2017) 
Fonte: Eternos Aprendizes - http://eternosaprendizes.com 

Marte tem anéis? Hoje não, mas poderá ter um dia

Uma nova teoria por cientistas da Universidade Purdue afirma que a lua marciana Fobos poderá eventualmente desintegrar-se, formando um anel em redor do Planeta Vermelho. Os cientistas financiados pela NASA teorizam que esta formação de anéis já aconteceu antes e que à medida que as luas se fragmentam, algum do material cai para a superfície, como pode ser visto na imagem.Crédito: Centro Envision da Universidade Purdue

Em crianças, aprendemos algumas características dos planetas do nosso Sistema Solar - Júpiter é o maior, Saturno tem anéis, Mercúrio é o mais próximo do Sol. Marte é vermelho, mas é possível que um dos nossos vizinhos mais próximos também tenha tido anéis no seu passado e que possa vir a ter novamente algum dia.
Essa é a teoria apresentada por cientistas financiados pela NASA da Universidade Purdue, em Lafayette, no estado norte-americano do Indiana, cujos achados foram publicados na revista Nature Geoscience. David Minton e Andrew Hesselbrock desenvolveram um modelo que sugere que detritos expelidos para o espaço por um asteroide ou por outro corpo que colidiu com Marte há cerca de 4,3 mil milhões de anos alterna entre a formação de um anel planetário e a aglomeração para formar uma lua.
Uma teoria sugere que a grande bacia polar norte de Marte, a Bacia Borealis - que cobre cerca de 40% do planeta no seu hemisfério norte - foi criada por esse impacto, expulsando detritos para o espaço. Esse grande impacto teria ejetado material suficiente, da superfície de Marte, para formar um anel," comenta Hesselbrock. O modelo de Hesselbrock e Minton sugere que à medida que o anel se formava, e os detritos lentamente se afastavam do Planeta Vermelho e se espalhavam, este começou a aglomerar-se e formou, eventualmente, uma lua. 
Esta imagem obtida pelo rover Curiosity da NASA mostra a lua de Marte, Fobos, a passar diretamente em frente de Deimos, em 2013. Uma nova investigação sugere que as luas foram formadas há muito tempo atrás a partir de partículas de anéis em redor do planeta e que, num futuro distante, poderão desintegrar-se para formar novos anéis. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/Univ. Texas A&M
Ao longo do tempo, a força gravitacional de Marte teria puxado essa lua em direção do planeta até atingir o limite de Roche, a distância na qual as forças de maré de um planeta desintegram um corpo celeste unido apenas pela gravidade. Fobos, uma das luas de Marte, está ficando cada vez mais próxima do planeta. De acordo com o modelo, Fobos irá desintegrar-se quando atingir o limite de Roche, e produzir um conjunto de anéis daqui a cerca de 70 milhões de anos. Dependendo da posição do limite de Roche, Minton e Hesselbrock pensam que este ciclo poderá ter-se repetido entre três e sete vezes ao longo de milhares de milhões de anos. 
Segundo o modelo, de cada vez que uma lua se desintegra e é reformada a partir do anel resultante, a sua lua sucessora seria cinco vezes mais pequena do que a anterior, e os detritos teriam caído para o planeta, possivelmente explicando depósitos sedimentares enigmáticos encontrados perto do equador de Marte. Poderíamos ter sedimentos lunares com quilómetros de espessura a chover nos primeiros tempos da história do planeta, e existem depósitos sedimentares enigmáticos em Marte sem nenhuma explicação de como lá chegaram," comenta Minton. "E agora é possível estudar esse material."

Fobos, uma das duas luas de Marte, poderá eventualmente desintegrar-se e formar um anel em redor do planeta. Os investigadores da Universidade Purdue, financiados pela NASA, indicam que este processo de fragmentação das luas em anéis, e consequente reformação, poderá ter acontecido várias vezes ao longo de milhares de milhões de anos.Crédito: Centro Envision da Universidade Purdue

Outras teorias sugerem que o impacto que produziu a Bacia Polar Norte levou à formação de Fobos há 4,3 mil milhões de anos atrás, mas Minton disse que é improvável que a lua tenha durado todo esse tempo. Além disso, Fobos teria que ter sido formada longe de Marte e teria que ter atravessado a ressonância de Deimos, a mais exterior das duas luas de Marte. A ressonância ocorre quando duas luas exercem influência gravitacional uma sobre a outra repetidamente e periodicamente, como fazem as luas principais de Júpiter.
Ao passar pela sua ressonância, Fobos teria alterado a órbita de Deimos. Mas a órbita de Deimos está a um grau do equador de Marte, sugerindo que Fobos não teve nenhum efeito sobre Deimos. Não aconteceu muita coisa à órbita de Deimos desde que se formou," comenta Minton. "Fobos, ao passar por essas ressonâncias, teria mudado isso."
"Esta pesquisa destaca ainda mais maneiras dos impactos afetarem um corpo planetário," comenta Richard Zurek do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. Ele é cientista do projeto MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, cujo mapeamento gravitacional forneceu suporte para a hipótese de que as planícies a norte foram formadas por um impacto gigante.  Minton e Hesselbrock vão concentrar-se agora ou na dinâmica do primeiro conjunto de anéis formados ou nos materiais que choveram sobre Marte derivados da desintegração das luas.
Fonte: Astronomia OnLine
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