7 de abr de 2017

Maior perigo da queda de asteroide não vem do impacto

A melhor arma que temos contra um impacto desses ainda parece ser explodir o asteroide usando uma bomba nuclear.[Imagem: Tomsk State University]
Choque cósmico
A maioria das vítimas do impacto de um asteroide que eventualmente atinja a Terra não virá do próprio impacto. O vento, a pressão e o calor causados pelo acidente são muito mais perigosos, não importando onde o asteroide caia. A equipe do professor Clemens Rumpf, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, colocou a mão na massa para calcular o risco de mortalidade caso um asteroide atingisse uma área urbana.
Eles consideraram asteroides que se queimam completamente na atmosfera, aqueles que atingem o chão e aqueles que atingem a água. Surpreendentemente, os efeitos produzidos no ar são os que mais custariam vidas.
Pior que tsunami
Conforme um asteroide mergulha rumo ao solo, ele deposita uma enorme quantidade de energia na atmosfera, resultando em uma onda de choque muito forte, ventos com a força de tornados e uma pluma de fogo. Se ele chegar ao chão, formará uma cratera, sacudindo o solo em torno do impacto e lançando detritos para o ar.
Se o asteroide atingir a água - o que é duas vezes mais provável do que atingir a terra -, ele criaria um tsunami, com ondas que chegariam a dezenas de metros de altura. Quanto mais longe da costa for o impacto, mais profunda será a água e, portanto, mais altas as ondas.
Vários estudos anteriores concluíram que os tsunamis representavam os maiores riscos de um impacto de asteroide. Contudo, em comparação com o impacto em uma zona urbana, que é o foco da presente análise, o custo em vidas de um tsunami seria pequeno, de acordo com a equipe.
Por exemplo, um tsunami causado pelo impacto de um asteroide de 200 metros de largura a 130 quilômetros da costa do Rio de Janeiro poderia causar mais de 50 mil mortes, sendo 75% diretamente causadas pelo tsunami e o restante devido aos ventos fortes.
Mas um asteroide que caia sobre uma cidade mataria milhões de pessoas. E a maioria dessas mortes seriam causadas pelo vento, mesmo que o asteroide caia no chão, em vez de explodir no ar. 
Mapa dos impactos de asteroides na Terra: eles são raros, mas bem distribuídos. [Imagem: Planetary Science]
Catástrofe improvável
No caso da explosão no ar - como a que ocorreu recentemente com um pequeno asteroide sobre a cidade russa de Chelyabinsk - cerca de 15% das vítimas seriam mortas pelo calor.
Em um impacto direto, os efeitos das rajadas de vento e do aumento da temperatura se juntariam com as ondas de pressão, que podem romper órgãos internos, fazendo 97% das vítimas. Apenas cerca de 3% das vítimas seriam atingidas pelo impacto direto ou pelos terremotos e detritos que resultariam do impacto, diz a equipe. Felizmente, grandes asteroides não atingem a Terra com frequência: um impacto por um asteroide de 200 metros é esperado apenas uma vez a cada 40.000 anos. E um asteroide pode cair em qualquer lugar, e a maior parte da superfície do planeta está desabitada.
Assim, a chance da queda de um grande asteroide sobre uma cidade - para permitir verificar o nível de acerto das previsões da equipe - é muito pequena.
Fonte: Inovação Tecnológica

O ALMA observa fogos de artifícios estelares

As explosões estelares são normalmente associadas a supernovas, as espetaculares mortes das estrelas. No entanto, novas observações do ALMA forneceram informações sobre explosões na outra ponta do ciclo de vida estelar, o nascimento das estrelas. Astrônomos capturaram estas imagens quando exploravam os restos, parecidos com fogos de artifício, do nascimento de um grupo de estrelas massivas, demonstrando assim que a formação estelar pode ser também um processo violento e explosivo.
A 1350 anos-luz de distância na constelação de Orion, situa-se uma fábrica de estrelas densa e ativa chamada Nuvem Molecular de Orion 1 (OMC-1, sigla do inglês), que faz parte do mesmo complexo que a famosa Nebulosa de Orion. As estrelas nascem quando nuvens de gás, com centenas de vezes a massa do Sol, colapsam sob a sua própria gravidade. Nas regiões mais densas, as protoestrelas acendem-se e começam a vaguear sem rumo. 
Ao longo do tempo, algumas estrelas “caem” em direção a um centro de gravidade comum, geralmente dominado por uma protoestrela particularmente grande — e se as estrelas sofrem encontros próximos antes de escapar da sua maternidade estelar, podem então ocorrer interações violentas.
Há cerca de 100 000 anos, várias protoestrelas começaram a se formar no interior da OMC-1. A gravidade fez com que elas se aproximassem umas das outras com velocidades cada vez maiores até que, há cerca de 500 anos, duas delas se chocaram. Os astrônomos não sabem se estas estrelas apenas se tocaram ou colidiram completamente, mas em qualquer dos casos o fenômeno deu origem a uma poderosa erupção que lançou para o espaço interestelar várias protoestrelas próximas e centenas de correntes colossais de gás e poeira, deslocando-se a velocidades de mais de 150 quilômetros por segundo. 
A interação cataclísmica liberou tanta energia como a que o nosso Sol emite durante 10 milhões de anos. Agora, uma equipe de astrônomos liderada por John Bally (Universidade do Colorado, EUA) utilizou o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para observar o coração desta nuvem. A equipe descobriu um resto do nascimento explosivo deste grupo de estrelas massivas que parece uma versão cósmica de fogos de artifício, com enormes correntes de matéria se deslocando em todas as direções.
Acredita-se que tais explosões são relativamente curtas, e que os restos observados pelo ALMA não duram mais que alguns séculos. No entanto, embora breves, tais explosões de protoestrelas podem ser relativamente comuns. Ao destruírem a sua nuvem progenitora, estes eventos poderão ajudar a regular a taxa de formação estelar nestas nuvens moleculares gigantes.
Indícios da natureza explosiva dos restos da OMC-1 foram inicialmente observados em 2009 pelo Submillimeter Array no Hawai. Bally e a sua equipe também observaram este objeto no infravermelho próximo com o telescópio Gemini South no Chile, revelando uma estrutura notável de correntes de matéria, com dimensões de quase um ano-luz de ponta a ponta.
As novas imagens do ALMA mostram a natureza explosiva em alta resolução, revelando detalhes importantes sobre a distribuição e os movimentos de alta velocidade do gás de monóxido de carbono (CO) situado no interior das correntes de material. Isso ajudará os astrônomos a compreender melhor a força por detrás da explosão e o impacto que tais eventos podem ter na formação estelar na Galáxia.
Fonte: ESO

Detectada atmosfera de exoplaneta parecido com a Terra

Os astrônomos acreditam que o exoplaneta GJ 1132b seja um "mundo de água" com uma atmosfera de vapor quente.[Imagem: MPIA]
Atmosfera de exoplaneta
Astrônomos detectaram uma atmosfera em torno do exoplaneta GJ 1132b, de uma classe conhecida com super-Terra. Isto marca a primeira detecção de uma atmosfera em torno de um planeta mais parecido com a Terra - atmosferas de gigantes gasosos superquentes já haviam sido detectadas.
Portanto, é um passo importante no esforço de aprimorar técnicas que possam levar à detecção de vida fora do nosso Sistema Solar - é possível detectar esses sinais pelos gases que os seres vivos produzem ou necessitam para viver.
A descoberta foi feita quando um dos telescópios do ESO no Chile estava analisando a estrela GJ 1132, na constelação da Vela, a uma distância de 39 anos-luz da Terra. O planeta estudado é o segundo conhecido ao redor dessa estrela.
Vida no trânsito
Os astrônomos conseguiram medir a ligeira diminuição de brilho da estrela conforme o planeta e sua atmosfera absorviam parte da luz enquanto transitavam - passavam na frente da estrela.
Mais especificamente, as observações mostraram que o exoplaneta parece ser maior em uma das sete bandas de comprimento de onda detectados pelo telescópio. Isso sugere a presença de uma atmosfera opaca a este comprimento específico da luz - fazendo o planeta parecer maior -, mas transparente para todos os outros.
"Embora não seja a detecção de vida em outro planeta, é um passo importante na direção certa: a detecção de uma atmosfera em torno da super-Terra GJ 1132b marca a primeira vez que uma atmosfera foi detectada em torno de um planeta semelhante à Terra que não a própria Terra," comemorou o professor John Southworth, da Universidade Keele, no Reino Unido.
Existe vida lá fora?
A estratégia atual para encontrar sinais de vida em outro planeta é detectar a composição química da atmosfera do planeta e procurar desequilíbrios químicos que possam ser causados por organismos vivos - no caso da nossa própria Terra, a presença de grandes quantidades de oxigênio é o sinal marcante da vida como a conhecemos, embora devam existir vidas em formas que não conhecemos.
Até a obtenção destes novos resultados, as únicas detecções de atmosferas exoplanetárias envolviam gigantes gasosos, parecidos com um Júpiter de altíssima temperatura, orbitando muito próximo à sua estrela.
"Com esta pesquisa, nós demos o primeiro passo experimental para estudar as atmosferas de planetas menores, como a Terra. Simulamos uma gama de atmosferas possíveis para este planeta, constatando que atmosferas ricas em água e/ou metano poderiam explicar as observações do GJ 1132b. O planeta é significativamente mais quente e um pouco maior do que a Terra, então uma possibilidade é que seja um 'mundo de água' com uma atmosfera de vapor quente," comentou o professor Southworth.
Os cálculos iniciais indicam que o exoplaneta tem 1,4 vez a massa da Terra e uma temperatura média de 370º C.
Fonte: Inovação Tecnológica
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