20 de abr de 2017

SH2-308 – Uma gigantesca bolha cósmica

Essa bela imagem mostra alguns fios cósmicos tênues que formam a Sh2-308, uma concha de gás apagada, localizada a cerca de 5200 anos-luz de distância na constelação de Canis Major. A Sh2-308 é uma grande estrutura em forma de bolha que se contorce ao redor de uma estrela grande e extremamente brilhante conhecida como estrela Wolf-Rayet, essa particular, conhecida como EZ Canis Majoris. Essas estrelas estão entre as mais brilhantes e mais massivas do universo, dezenas de vezes mais massivas do que o nosso Sol, e elas representam o extremo da evolução estelar. Ventos espessos continuamente sopram os progenitores de tais estrelas inundando seus arredores e drenando as camadas externas das estrelas Wolf-Rayet. 
O vento rápido de uma estrela Wolf-Rayet varre o material circundante para formar enormes bolhas de gás. A EX Canis Majoris é responsável por criar a bolha da Sh2-308, a estrela expeliu suas camadas externas para criar os fios cósmicos visíveis nessa imagem. A radiação intensa da estrela empurra a bolha cada vez para mais longe inflando-a e deixando-a cada vez maior. Atualmente as bordas da Sh2-308 estão separadas por 60 anos-luz de distância. Da mesma maneira que são muito lindas, essas bolhas cósmicas são passageiras. As mesmas estrelas que as formam irão destruí-las, eclipsando-as e submetendo-as a violentas explosões de supernovas.

Restos de planeta destruído encontrados na órbita de Marte

Marte é o único planeta terrestre do nosso sistema que possui asteroides troianos. [Imagem: Apostolos Christou et al. - 10.1093/mnras/stw3075]
Fósseis planetários
Marte compartilha sua órbita com um grupo de pequenos asteroides - os chamados troianos. Agora, uma equipe internacional de astrônomos, usando o telescópio VLT, no Chile, descobriu que a maioria desses objetos compartilha uma composição comum. Ter a mesma composição química significa que eles provavelmente são restos de um mesmo corpo celeste original, um pequeno planeta que foi destruído por uma colisão há muito tempo.
Asteroides troianos
Os asteroides troianos movem-se na mesma órbita de um planeta, presos dentro de "refúgios gravitacionais", 60º à frente e 60º atrás do planeta, os chamados pontos de Lagrange; o ponto que antecede o planeta é chamado L4, e aquele à sua retaguarda é o L5. Marte é até agora o único planeta terrestre conhecido que possui companheiros troianos em órbitas estáveis - Júpiter tem mais de 6.000 e Netuno tem 10.
E os troianos marcianos têm uma distribuição desigual que vem intrigando os astrônomos: todos, exceto um, estão no ponto L5, compondo uma família conhecida como Eureka. E as órbitas de todos, menos de um, se agrupam em torno da família Eureka. Para tentar descobrir porque eles se distribuem desta forma desigual, os astrônomos decidiram pesquisar se eles têm uma composição similar ou não. Felizmente, isto pode ser feito com telescópios, medindo a cor da luz solar refletida da superfície do asteroide - em outras palavras, obtendo seu espectro.
O que chamou a atenção dos astrônomos foi uma distribuição irregular dos troianos, em volta do grande Eureka. [Imagem: Apostolos Christou et al. - 10.1093/mnras/stw3075]
Colisões entre planetas
Os espectros mostram que esses asteroides são predominantemente compostos de olivina, um mineral que normalmente se forma dentro de corpos celestes muito maiores, sob condições de alta pressão e temperatura - no núcleo de um planeta, por exemplo. A implicação dessa composição similar é que os asteroides troianos de Marte são provavelmente resquícios do manto de algum planeta anão ou planetesimal que chegou a desenvolver uma crosta, manto e núcleo, e que deve ter sido destruído por colisões muito tempo atrás.
"Nossas descobertas sugerem que esse material participou da formação de Marte e talvez de seu vizinho planetário, nossa própria Terra," especula Apostolos Christou, do Observatório Armagh, no Reino Unido. Várias teorias sobre a formação da Lua especulam sobre o impacto de um hipotético planeta Teia (ou Theia) contra a Terra primordial, lançando ao espaço o material que formou nosso satélite. Mas os modelos mais recentes sobre a formação de Marte não incluem colisões com outros corpos.
Fonte: Inovação Tecnológica
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...