2 de mai de 2017

Sistema solar recém descoberto pode "SEMEAR" vida entre exoplanetas adjacentes

Ilustração que mostra o hipotético aspeto de cada um dos planetas do sistema TRAPPIST-1, com base nos dados disponíveis sobre o seu tamanho, massa e distância orbital.Crédito: NASA/JPL-Caltech

Depois da NASA ter anunciado, em fevereiro, a descoberta de um sistema solar com sete planetas - três dos quais foram considerados potencialmente habitáveis - o investigador pós-doutorado Sebastiaan Krijt, da Universidade de Chicago, perguntou-se: caso exista vida num desses planetas, será que os detritos espaciais podem transportá-la para outro?

Numa investigação recentemente publicada na revista The Astrophysical Journal Letters, Krijt e outros cientistas da mesma universidade concluem que formas de vida, como bactérias ou organismos unicelulares, poderiam percorrer pelo recém-descoberto sistema TRAPPIST-1 - um sistema solar invulgar que é um novo e excitante lugar na Via Láctea para procurar vida extraterrestre.

"Parece provável uma troca frequente de material entre planetas adjacentes no íntimo sistema TRAPPIST-1," comenta Krijt, autor principal do estudo. "Se algum desses materiais contiver vida, é possível que possam inocular outro planeta com vida. Para que isso aconteça, um asteroide ou cometa terá que atingir um dos planetas, lançando detritos suficientemente grandes para o espaço e isolando a forma de vida dos perigos da viagem espacial. 
Esta ilustração mostra a possível superfície de TRAPPIST-1f, um dos recém-descobertos planetas no sistema TRAPPIST-1.Crédito: NASA/JPL-Caltech

O material teria que ser expelido rápido o suficiente para romper com a atração gravitacional do planeta, mas não tão rápido que destruísse a forma de vida. E a viagem teria que ser relativamente curta para que a forma de vida pudesse sobreviver. Os cientistas realizaram várias simulações para TRAPPIST-1 e descobriram que o processo poderia ocorrer ao longo de um período tão curto quanto 10 anos. A maior parte da massa transferida entre planetas, que seria grande o suficiente para que a vida sobrevivesse à irradiação durante a transferência e ao calor durante a reentrada, seria ejetada a uma velocidade apenas ligeiramente superior à velocidade de escape, concluíram.

"Dado que os sistemas planetários íntimos estão sendo detetados com mais frequência, esta investigação fará com que repensemos o que esperamos encontrar em termos de planetas habitáveis e de transferência de vida - não só no sistema TRAPPIST-1, mas também noutros lugares," comenta Fred Ciesla, professor de ciências geofísicas na Universidade de Chicago e coautor do artigo. "Devemos pensar em termos de sistemas de planetas como um todo, e como interagem, e não em termos de planetas individuais."

O primeiro exoplaneta, um planeta em órbita de uma estrela que não o Sol, foi confirmado em 1992. Atualmente, já foram descobertos mais de 3600 exoplanetas, com pelo menos outros 3000 candidatos à espera de confirmação. Além disso, já foram confirmados mais de 600 sistemas exoplanetários múltiplos. 

"O campo relativamente novo da exoplanetologia está a explodir e a ser considerado mais seriamente do que nunca," acrescenta Ciesla. "Se tomássemos o Sistema Solar como modelo, nunca teríamos imaginado as coisas que estamos a encontrar, como a descoberta recente de um planeta que orbita dois sóis."

O impulso agora não é tanto descobrir novos planetas, mas sim caracterizá-los, determinar como evoluíram e entender como interagem, salienta Krijt. Os sistemas exoplanetários servem como laboratórios para ajudar os cientistas a compreender o Sistema Solar, realça Ciesla, observando que 40.000 toneladas de detritos espaciais caem para a Terra a cada ano. "O material da Terra deve também estar flutuando por aí, e é concebível que parte possa estar transportando vida. Algumas formas de vida são muito robustas e podem sobreviver à viagem espacial."
Fonte: Astronomia OnLine

CASSINI mergulha entre SATURNO e seus ANÉIS


Impressão de artista da sonda Cassini da NASA que mostra a divisão entre Saturno e os seus anéis.Crédito: NASA/JPL-Caltech

A sonda Cassini da NASA está de volta ao contacto com a Terra depois do seu primeiro mergulho bem-sucedido através da estreita abertura entre o planeta Saturno e os seus anéis de passado dia 26 de abril de 2017. A nave espacial encontra-se no processo de transmissão de dados científicos e de engenharia recolhidos durante essa passagem, via Complexo Goldstone da DSN (Deep Space Network) da NASA no Deserto de Mojave na Califórnia. EUA. A DSN adquiriu o sinal da Cassini às 07:56 de dia 27 de abril (hora portuguesa) e os dados começaram a aparecer às 08:01 do mesmo dia.
Esta imagem não processada mostra características na atmosfera de Saturno, nunca vistas tão de perto. A foto foi captada pela Cassini durante o seu primeiro mergulho do "Grande Final", dia 26 de abril de 2017.Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute 

"Na maior tradição de exploração, a sonda Cassini da NASA, mais uma vez, abriu novos caminhos, mostrando-nos novas maravilhas e demonstrando onde a nossa curiosidade nos pode levar quando nos atrevemos," comenta Jim Green, diretor da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington. Enquanto mergulhava através da divisão, a Cassini passou a 3000 km do topo das nuvens de Saturno (onde a pressão do ar é de 1 bar - comparável à pressão atmosférica da Terra ao nível do mar) e a cerca de 300 km da orla mais interna e visível dos anéis.

Apesar dos gerentes da missão estarem confiantes de que a Cassini ia passar com sucesso pela lacuna, tomaram precauções extra neste primeiro mergulho, pois a região nunca tinha sido explorada antes. "Nenhuma nave espacial jamais esteve tão perto de Saturno. Só podíamos contar com previsões, baseadas na nossa experiência com os outros anéis de Saturno, com o que pensávamos que essa divisão entre os anéis e Saturno seria," comenta Earl Maize, gestor do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Fico muito contente em informar que a Cassini passou pela divisão exatamente como planeado e saiu do outro lado em excelente forma."
Esta imagem não processada mostra características na atmosfera de Saturno, nunca vistas tão de perto. A foto foi captada pela Cassini durante o seu primeiro mergulho do "Grande Final", dia 26 de abril de 2017.Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

A distância que separa os anéis e o topo da atmosfera de Saturno ronda os 2000 km. Os melhores modelos para a região sugeriam que se houvesse partículas do anel na área onde a Cassini cruzava o plano anular, que estas seriam minúsculas, na escala de partículas de fumo. A nave espacial passou por esta região a velocidades que rondam os 124.000 km/h em relação ao planeta, de modo que quaisquer partículas pequenas que atingissem uma área sensível podiam, potencialmente, ter desativado a nave espacial.
Esta imagem não processada mostra características na atmosfera de Saturno, nunca vistas tão de perto. A foto foi captada pela Cassini durante o seu primeiro mergulho do "Grande Final", dia 26 de abril de 2017.Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Como medida protetora, a sonda usou a sua grande antena parabólica de alto ganho (4 metros de diâmetro) como escudo, orientando-a na direção das partículas do anel em aproximação. Isto fez com que a sonda estivesse fora de contacto com a Terra durante a travessia do plano dos anéis, que ocorreu às 10:00 (hora portuguesa) de dia 26 de abril. A Cassini estava programada para recolher dados científicos enquanto passava bem próximo do planeta e para, cerca de 20 horas depois, orientar-se para a Terra e fazer contacto. O próximo mergulho da Cassini, através da lacuna que separa o planeta dos anéis, está agendado para o dia 2 de maio.

Lançada em 1997, a Cassini chegou a Saturno em 2004. Após o último "flyby" pela grande lua Titã, no dia 22 de abril, a Cassini começou o que os técnicos da missão chamam de "Grande Final". Durante este último capítulo, a Cassini orbitará Saturno aproximadamente uma vez por semana, fazendo um total de 22 mergulhos entre os anéis e o planeta. Os dados deste primeiro mergulho vão ajudar os engenheiros a compreender se e como precisarão de proteger a nave durante as próximas travessias do plano dos anéis. A sonda está numa trajetória que, eventualmente, a levará a mergulhar na atmosfera de Saturno - e assim terminar a sua histórica missão - no dia 15 de setembro de 2017.
Fonte: Astronomia OnLine

Explorando as Antenas

Crédito de imagem e direitos autorais: Dados; Subaru, NAOJ, NASA / ESA / Hubble - montagem e processamento; Roberto Colombari

A aproximadamente 60 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação de Corvus, duas grandes galáxias estão colidindo. As estrelas nas duas galáxias catalogadas como NGC 4038 e NGC 4039, raramente colidem, no decorrer dessa interação fenomenal que chega a durar centenas de milhões de anos. Mas as grandes nuvens de gás e poeira molecular das galáxias, se fundem constantemente, gerando grandes episódios de formação de estrelas perto do centro desse choque cósmico. Se espalhando por mais de 500 mil anos-luz, essa bela imagem revela também novos aglomerados de estrelas e matéria fluindo para longe da cena do acidente devido a forças de marés. Essa imagem impressionante foi construída com dados obtidos pelo telescópio Subaru, responsável pela imagem dos braços de marés e foram integrados a dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble que ficou responsável em mostrar os detalhes do centro das galáxias. A aparência visual das estruturas em arco que se estendem das galáxias em colisão, dão ao par um nome bem sugestivo – As Antenas.
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