23 de mai de 2017

Astrónomos confirmam detalhes orbitais do planeta menos compreendido de Trappist-1

Animação do planeta h do sistema TRAPPIST-1.Crédito: NASA/JPL-Caltech

Com o auxílio do Telescópio Espacial Kepler da NASA, cientistas identificaram um padrão regular nas órbitas dos planetas no sistema TRAPPIST-1 que confirmou detalhes suspeitos sobre a órbita do seu planeta mais externo e menos compreendido, TRAPPIST-1h. TRAPPIST-1 tem apenas 8% da massa do nosso Sol, tornando-a numa estrela mais fria e menos luminosa. É o lar de sete planetas do tamanho da Terra, três dos quais orbitam na zona habitável da estrela - a gama de distâncias onde a água líquida pode existir à superfície de um planeta rochoso. O sistema está localizado a cerca de 40 anos-luz de distância na direção da constelação de Aquário e tem uma idade estimada entre 3 e 8 mil milhões de anos.

Esta impressão artística mostra a vista da superfície de um dos planetas do sistema TRAPPIST-1. Há pelo menos sete planetas que orbitam esta estrela anã superfria situada a 40 anos-luz da Terra e todos eles têm aproximadamente o mesmo tamanho da Terra. Vários destes planetas encontram-se à distância certa da sua estrela para poderem ter água líquida à superfície.Crédito: ESO/N. Bartmann/spaceengine.org

Os cientistas anunciaram que o sistema tinha sete planetas do tamanho da Terra numa conferência de passado dia 22 de fevereiro. O Telescópio Espacial Spitzer da NASA, o TRAPPIST (Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope) no Chile e outros telescópios terrestres foram usados para caracterizar os planetas. Mas a colaboração só tinha uma estimativa para o período de TRAPPIST-1h.  Astrónomos da Universidade de Washington usaram dados do Telescópio Kepler para confirmar que TRAPPIST-1h orbita a sua estrela a cada 19 dias. A 9,6 milhões de quilómetros da sua fria estrela anã, TRAPPIST-1h está localizado para lá da orla externa da zona habitável e é provavelmente demasiado frio para a vida como a conhecemos. A quantidade de energia (por unidade de área) que o planeta h recebe da sua estrela é comparável à que o planeta anão Ceres, localizado na cintura de asteroides entre Marte e Júpiter, recebe do nosso Sol.

Esta impressão de artista mostra o possível aspeto de cada um dos planetas de TRAPPIST-1, com base em dados disponíveis sobre os seus tamanhos, massas e distâncias orbitais.Crédito: NASA/JPL-Caltech

"É incrivelmente emocionante aprender mais sobre este sistema planetário, especialmente sobre o planeta h, do qual mal tínhamos informações até agora," afirma Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA, na sede da agência espacial em Washington, EUA. "Esta descoberta é um grande exemplo de como a comunidade científica aproveita o poder de dados complementares das nossas diferentes missões para fazer descobertas tão fascinantes."
"Agradou-me realmente que TRAPPIST-1h estivesse exatamente onde a nossa equipa previu que estava. Durante algum tempo fiquei preocupado que estávamos a ver o que queríamos ver - afinal de contas, neste campo as coisas quase nunca são exatamente o que esperamos ver," comenta Rodrigo Luger, estudante de doutoramento da Universidade de Washington em Seattle e autor principal do estudo publicado na revista Nature Astronomy. "A natureza geralmente esconde uma surpresa ao virar de cada esquina mas, neste caso, a teoria e a observação combinaram perfeitamente."

Ressonância orbital - harmonia entre corpos celestes
Usando os dados anteriores do Spitzer, a equipa reconheceu um padrão matemático na frequência com que cada um dos seis planetas interiores orbitava a estrela. Este padrão complexo, mas previsível, chamado ressonância orbital, ocorre quando os planetas exercem um puxão gravitacional regular uns sobre os outros à medida que orbitam a estrela.
Para compreender o conceito de ressonância, considere as luas de Júpiter Io, Europa e Ganimedes, esta última a mais distante das três. Para cada volta que Ganimedes completa em torno de Júpiter, Europa orbita duas vezes e Io faz quatro viagens em redor do planeta. Esta ressonância 1:2:4 é considerada estável e caso uma lua fosse afastada do seu percurso, autocorrigir-se-ia e voltava a ter uma órbita estável. É esta influência harmoniosa entre os sete irmãos planetários de TRAPPIST-1 que mantém o sistema estável.
Estas relações, explica Luger, sugeriram que ao estudar as velocidades orbitais dos seus planetas vizinhos, os cientistas podiam prever a velocidade orbital exata e, portanto, também o período orbital do planeta h, mesmo antes das observações do Kepler. A equipe calculou seis possíveis períodos de ressonância para o planeta h que não iriam perturbar a estabilidade do sistema, mas apenas um não foi descartado por dados adicionais. As outras cinco possibilidades podiam ter sido observadas nos dados recolhidos pelo Spitzer e pelos dados terrestes da equipa TRAPPIST.
"Tudo isto", diz Luger, "indica que estas relações orbitais foram forjadas no início da vida do sistema TRAPPIST-1, durante o processo de formação planetária."
"A estrutura de ressonância não é coincidência e aponta para uma interessante história dinâmica em que os planetas provavelmente migraram para dentro em passo de bloqueio," salienta Luger. "Isto torna o sistema um grande laboratório para a formação de planetas e para as teorias de migração."

Colaboração global e em tempo real
Como parte da sua segunda missão, K2, o Kepler observou a zona do céu onde está situado o sistema TRAPPIST-1 entre 15 de dezembro de 2016 e 4 de março, recolhendo dados sobre as minúsculas mudanças de brilho estelar provocadas pelos trânsitos dos planetas. No dia 8 de março os dados brutos, não calibrados, foram divulgados à comunidade científica para que se começassem estudos de acompanhamento.
A tarefa de confirmar o período orbital de TRAPPIST-1h começou imediatamente e cientistas de todo o mundo fizeram uso das redes sociais para, em tempo real, partilhar novas informações sobre o comportamento da estrela e da sua ninhada de planetas. Nas duas horas após a divulgação dos dados, a equipa confirmou a sua previsão de um período orbital de 19 dias.
"A obtenção de resultados a partir de dados é sempre estimulante, mas foi um raro prazer assistir à colaboração entre cientistas espalhados pelo mundo e à partilha do seu progresso quase em tempo real nas redes sociais à medida que analisavam os dados e identificavam os trânsitos de TRAPPIST-1h," comenta Jessi Dotson, cientista do projeto K2 no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. "A criatividade e a rapidez com que os dados foram utilizados foi um aspeto particularmente emocionante da abordagem do K2, centrada na comunidade."
A cadeia de ressonâncias dos sete planetas de TRAPPIST-1 estabelece um recorde entre os sistemas planetários conhecidos, sendo os detentores anteriores os sistemas Kepler-80 e Kepler-223, cada um com quatro planetas ressonantes. O sistema TRAPPIST-1 foi descoberto pela primeira vez em 2016 pela colaboração TRAPPIST e pensava-se, na altura, que tinha apenas três planetas. Os restantes planetas foram descobertos graças ao Spitzer e a telescópios terrestres. O Telescópio Espacial Hubble da NASA está a juntar-se à investigação com observações atmosféricas e o Telescópio Espacial James Webb será, potencialmente, capaz de estudar as atmosferas em ainda maior detalhe.
Fonte: Astronomia OnLine

Viagem no tempo é possível com TARDIS do espaço-tempo

Além de permitir a viagem no tempo, a matéria exótica pode possibilitar a velocidade de dobra - alguns astrofísicos acreditam que haja matéria exótica em estrelas de nêutrons.[Imagem: NASA]

TARDIS matematicamente possível
Um matemático e um físico canadenses criaram um modelo matemático para uma máquina do tempo que, ainda que não seja viável no presente, também não se pode dizer que seja impossível de ser construída. David Tsang e Ben Tippett, da Universidade da Colúmbia Britânica, são especialistas na teoria de Einstein e em buracos negros - mas confessam que também gostam de ficção científica nas horas vagas.
"As pessoas pensam que viagens no tempo sejam algo ficcional. E nós tendemos a pensar que não é possível porque não o fazemos de fato. Mas, matematicamente, é possível," garante Tippett.
E, usando matemática e física, eles provaram.
Deduzindo fórmulas e triturando um bocado de números, Tsang e Tippett criaram um modelo matemático de uma TARDIS - o nome foi obviamente dado em homenagem à máquina do tempo do Dr. Who, mas eles conseguiram forjar uma sigla que fizesse sentido em seu trabalho: Traversable Acausal Retrograde Domain in Space-time, algo como domínio retrógrado não-causal no espaço-tempo. 
Máquina do espaço-tempo
Os dois pesquisadores descrevem sua máquina do tempo como uma bolha na geometria espaço-tempo que transporta seu conteúdo para trás e para a frente através do espaço e do tempo enquanto percorre um grande caminho circular. Os cálculos indicam que a bolha, em determinadas condições, se move através do espaço-tempo a velocidades maiores do que a velocidade da luz, permitindo que ela se mova para trás no tempo.
Para explicar isso, a dupla defende que a divisão do espaço em três dimensões, com o tempo em uma dimensão separada, é incorreta. As quatro dimensões devem ser imaginadas simultaneamente, afirmam, onde diferentes direções estão conectadas, como um contínuo espaço-tempo. 
Usando a teoria de Einstein, eles explicam que é a curvatura do espaço-tempo a responsável pelas órbitas curvas dos planetas. Em um espaço-tempo "plano", ou não-curvado, os planetas e estrelas iriam se mover em linhas retas. Contudo, na vizinhança de uma estrela, que tem massa enorme, a geometria do espaço-tempo torna-se curva e as trajetórias retas dos planetas próximos seguirão a curvatura e circularão ao redor da estrela.
"A direção temporal da superfície do espaço-tempo também apresenta uma curvatura. Existem evidências mostrando que, quanto mais perto de um buraco negro estivermos, mais lentamente o tempo se move. [Nosso] modelo de uma máquina do tempo usa o espaço-tempo curvo para dobrar o tempo em um círculo para os passageiros, e não colocá-lo em uma linha reta. Esse círculo nos leva de volta no tempo," explica Tippett.
Matéria exótica
Embora seja possível descrever esse tipo de viagem no tempo usando equações matemáticas, os pesquisadores duvidam que alguém chegue a construir uma máquina para demonstrar esse princípio porque o material para isso não existe - ainda.
"H.G. Wells popularizou o termo 'máquina do tempo' e deixou as pessoas com a ideia de que um explorador precisaria de uma 'máquina ou caixa especial' para realmente realizar viagens no tempo. Embora seja matematicamente viável, ainda não é possível construir uma máquina do espaço-tempo porque precisaríamos de materiais - que chamamos de matéria exótica - para dobrar o espaço-tempo nesses modos impossíveis, mas eles ainda não foram descobertos.
"Estudar o espaço-tempo é tanto fascinante quanto problemático. E também é uma maneira divertida de usar a matemática e a física. Especialistas em meu campo têm explorado a possibilidade de máquinas matemáticas do tempo desde 1949. E [nossa pesquisa] apresenta um novo método para fazer essas viagens," concluiu Tippett.
Fonte: Inovação Tecnológica

Feixe de energia estranho parece viajar cinco vezes a velocidade da luz

Um raio de energia que sai da galáxia M87 parece se mover cinco vezes mais rápido do que a velocidade da luz, conforme medido pelo Telescópio Espacial Hubble.
Esta façanha foi observada pela primeira vez em 1995, e tem sido vista em muitas outras galáxias desde então.Se nada pode quebrar o limite de velocidade cósmico, o que está acontecendo aqui?! Um truque de mágica, conforme explica Eileen Meyer, uma das pesquisadoras de um estudo sobre esse assunto, da Universidade de Maryland, nos EUA.

Os raios velozes

Conhecemos esse raio, um jato de plasma, que é disparado do núcleo de M87 desde 1918, quando o astrônomo Heber Curtis o notou pela primeira vez. Para ser visível de tão longe, ele tinha que ser enorme – cerca de 6.000 anos-luz.

Como os astrônomos modernos agora sabem, praticamente todas as galáxias têm um buraco negro central que periodicamente atrai estrelas e nuvens de gás. Isso aquece o buraco negro, e os campos magnéticos focalizam um pouco desse gás em jatos do plasma quente. Tais jatos são disparados em velocidades próximas – mas não mais rápidas do que – a da luz. 

M87

Quando apontamos um telescópio para o céu em direção a M87, seu raio de energia superveloz parece torto. Em vez de apontar exatamente para a nossa linha de visão, está inclinado um pouco para a direita. Para entender a ilusão, imagine uma única mancha brilhante de plasma começando na base desse caminho e emitindo um raio de luz, ambos viajando em direção à Terra. Agora aguarde 10 anos. Nesse tempo, a mancha moveu-se para mais perto de nós, em uma fração considerável da velocidade da luz. Isso diminui a distância do raio em poucos anos-luz em direção a nós.
Se você compara a primeira e a segunda imagens da perspectiva da Terra, parece que a mancha acabou de se mover pelo céu para a direita. No entanto, como a segunda posição também está mais perto de nós, sua luz viajou menos do que parece. Isso significa que ela aparenta ter chegado lá mais rápido do que realmente chegou – como se a mancha tivesse passado esses 10 anos viajando a uma velocidade ridiculamente rápida. 

Entendendo o universo

O jato de M87 é mais do que apenas uma curiosidade.
Em todo o universo, raios de energia disparados de buracos negros maciços podem parar ou iniciar a formação de estrelas. Mas não está claro como esses raios funcionam e quanta energia eles contêm.
Parecendo mover-se mais rapidamente do que a luz, eles mudam visivelmente em apenas alguns anos, o que é incomum para objetos distantes. Isso permite que os astrônomos façam estimativas precisas de quão rápido o plasma está se movendo e, portanto, quão poderoso é esse processo.
A galáxia M87 é especial porque está relativamente próxima de nós em comparação com outras galáxias, tornando-a mais fácil de estudar. Este último estudo, por exemplo, reuniu dados de mais de 20 anos de observação da M87. 
Fonte: NewScientist

A nebulosa da borboleta do Hubble

Crédito de imagem: NASA, ESA, Hubble, HLA; Reprocessamento e direitos autorais: Jesús M.Vargas & Maritxu Poyal
Muitos objetos brilhantes do céu noturno são nomeados em homenagem a flores ou insetos, por conta de seus formatos que lembram as criaturas terrestres. A Nebulosa Borboleta não é nenhuma exceção. Esse apelido, inclusive, é bem mais legal que o chato nome formal NGC 6302. Com uma envergadura que cobre mais de 3 anos-luz e uma temperatura superficial estimada em cerca de 250.000 graus Celsius, a estrela central moribunda desta nebulosa planetária tornou-se excepcionalmente quente, brilhando fortemente na luz ultravioleta, mas escondida da vista direta por um denso cobertor de poeira. Este close-up da nebulosa foi feito pelo telescópio espacial Hubble e teve suas cores reprocessadas. Hidrogênio molecular foi detectado na carcaça cósmica empoeirada da estrela candente. A NGC 6302 fica a cerca de 4.000 anos-luz de distância de nós, na constelação do Escorpião (Scorpius). 
Fonte: https://apod.nasa.gov/apod/ap170208.html

Física “fantasmagórica” de Einstein é usada para criar novo detector de ondas gravitacionais

A primeira detecção direta de ondas gravitacionais, um fenômeno predito pela teoria geral da relatividade de Einstein de 1915, foi relatada por cientistas em 2016. Armados com essa “descoberta do século”, físicos de todo o mundo têm planejado novos e melhores detectores de ondas gravitacionais.
O professor de física Chunnong Zhao e os doutores Haixing Miao e Yiqiu Ma são membros de uma equipe internacional que criou um projeto particularmente excitante para os detectores de ondas gravitacionais. O novo design é um avanço real porque ele pode medir sinais abaixo de um limite que anteriormente se acreditava ser uma barreira intransponível. Os físicos chamam esse limite de limite quântico padrão. Ele é definido pelo princípio da incerteza quântica. O novo design, publicado na revista Nature nesta semana, mostra que isso pode não ser mais uma barreira. O uso desta e de outras novas abordagens pode permitir que cientistas monitorem colisões de buracos negros e “terremotos espaciais” em todo o universo visível.
As ondas gravitacionais não são vibrações que viajam pelo espaço, mas sim vibrações do próprio espaço. Elas já nos mostraram uma inesperadamente grande população de buracos negros. Um estudo mais aprofundado das ondas gravitacionais pode nos ajudar a entender melhor nosso universo. Mas as tecnologias de detectores de ondas gravitacionais são suscetíveis a ter um significado enorme para além deste aspecto da ciência, porque em si eles estão nos ensinando a medir incrivelmente pequenas quantidades de energia. Os detectores de ondas gravitacionais usam luz laser para captar pequenas vibrações de espaço criadas quando buracos negros colidem. As colisões criam vastas explosões gravitacionais. São as maiores explosões conhecidas no universo, convertendo a massa diretamente em vibrações do espaço.
É preciso enormes quantidades de energia para fazer o espaço dobrar e vibrar. Nossos detectores – dispositivos perfeitos que usam espelhos pesados ​​com lasers poderosos – devem medir o espaço que se estende por apenas um bilionésimo de bilionésimo de metro sobre a escala de quatro quilômetros de nossos detectores. Estas medições já representam a menor quantidade de energia já medida.
Mas para os astrônomos de onda gravitacional isso não é bom o suficiente. Eles precisam ainda mais sensibilidade para poder ouvir muitos mais “sons” gravitacionais preditos, incluindo o som do momento em que o universo foi criado no big bang. É aí 

Uma ideia fantasmagórica de Einstein

O novo conceito é baseado em trabalhos originais de Albert Einstein. Em 1935, Albert Einstein e seus colegas de trabalho Boris Podolsky e Nathan Rosen tentaram depor a teoria da mecânica quântica, mostrando que ela previu correlações absurdas entre partículas amplamente espaçadas.
Einstein provou que se a teoria quântica estava correta, então pares de objetos amplamente espaçados poderiam ser enredados como duas moscas enredadas na teia de uma aranha. Estranhamente, o emaranhamento não diminuiu, por mais distante que se tenha permitido que os objetos se movessem.
Einstein chamou o emaranhamento de “ação fantasmagórica à distância”. Ele tinha certeza de que sua descoberta iria acabar com a teoria da mecânica quântica de uma vez por todas, mas isso não era para ser. Desde a década de 1980, os físicos demonstraram que o emaranhamento quântico é real. Por mais que a odiasse, a previsão de Einstein era certa e, para seu desgosto, a teoria quântica estava correta. As coisas à distância podiam ser enredadas.
Hoje os físicos têm se acostumado com o “fantasmagórico”, e a teoria do emaranhamento tem sido aproveitada para o envio de códigos secretos que não podem ser interceptados. Em todo o mundo, organizações como a Google e a IBM e laboratórios acadêmicos estão tentando criar computadores quânticos que dependem do emaranhamento. E agora Zhao e seus colegas querem usar o conceito de emaranhamento para criar o novo design do detector de ondas gravitacionais.

Uma nova maneira de medir as ondas gravitacionais

O aspecto mais empolgante do novo detector é que ele é, na verdade, apenas uma nova maneira de operar detectores existentes. Ele simplesmente usa o detector duas vezes.
Na primeira vez, os fótons no detector são alterados pela onda gravitacional para capturar as ondas. Na segunda vez, o detector é usado para alterar o emaranhamento quântico de tal forma que o ruído devido à incerteza quântica não é detectado. A única coisa que é detectada é o movimento dos espelhos distantes causados ​​pela onda gravitacional. O ruído quântico do princípio da incerteza não aparece na medição.

Para fazê-lo funcionar, é preciso começar com fótons emaranhados que são criados por um dispositivo chamado “espremedor quântico”. Esta tecnologia foi pioneira na astronomia de ondas gravitacionais na Australian National University, e agora é uma técnica estabelecida.

Ao redor do mundo, físicos estão se preparando para testar a nova teoria e encontrar a melhor maneira de implementá-la em seus detectores. Um deles é o detector de ondas gravitacionais GEO em Hannover, na Alemanha, que foi um banco de ensaio para muitas das novas tecnologias que permitiram a descoberta das ondas gravitacionais no ano passado. 
Fonte: HypeScience.com

HUBBLE avista LUA em torno do terceiro maior planeta ANÃO

O Hubble avistou uma lua em torno do planeta anão 2007 OR10. Estas duas imagens, separadas por um período de quase um ano, revelam uma lua em órbita do planeta anão 2007 OR10. Cada imagem, obtida pelo instrumento WFC3 do Hubble, mostra a companheira numa posição orbital diferente em torno do seu corpo hospedeiro. 2007 OR10 é o terceiro maior planeta anão conhecido, a seguir a Plutão e Éris, e o maior mundo, ainda sem nome, do Sistema Solar. O par está situado na Cintura de Kuiper, um reino de detritos gelados deixados para trás aquando da formação do Sistema Solar.Crédito: NASA, ESA, C. Kiss (Observatório Konkoly) e J. Stansberry (STScI)

O poder combinado de três observatórios espaciais, incluindo o Telescópio Espacial Hubble da NASA, ajudou os astrónomos a descobrir uma lua em órbita do terceiro maior planeta anão, catalogado como OR10 em 2007. O par reside nos frios arredores do nosso Sistema Solar, a que chamamos Cintura de Kuiper, um reino de detritos gelados deixados para trás aquando da formação do Sistema Solar há 4,6 mil milhões de anos atrás.Com esta descoberta, a maioria dos planetas anões conhecidos na Cintura de Kuiper com mais de 1000 km de diâmetro tem companheiros. Estes corpos fornecem informações sobre o modo como as luas se formaram no jovem Sistema Solar.
"A descoberta de satélites em torno de todos os maiores planetas anões conhecidos - à exceção de Sedna - significa que quando estes corpos se formaram, há milhares de milhões de anos atrás, as colisões devem ter sido mais frequentes e isso restringe os modelos de formação," comenta Csaba Kiss do Observatório Konkoly em Budapeste, Hungria. Ele é o autor principal do artigo científico que anuncia a descoberta da lua. "Com colisões frequentes, era muito fácil formar estes satélites."
Os objetos provavelmente batiam uns nos outros com mais frequência porque habitavam uma região abarrotada. "Deve ter havido uma densidade bastante alta de objetos, e alguns deles eram corpos massivos que estavam perturbando as órbitas de corpos menores," afirma John Stansberry do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. "Esta agitação gravitacional pode ter empurrado os corpos para fora das suas órbitas e aumentado as suas velocidades relativas, o que pode ter resultado em colisões."
Mas, segundo os astrónomos, a velocidade dos objetos em colisão não pode ter sido nem muito rápida nem muito lenta. Caso a velocidade do impacto fosse demasiado rápida, a colisão teria formado muitos detritos que podiam ter escapado do sistema; demasiado lenta e a colisão teria produzido apenas uma cratera de impacto.
As colisões na cintura de asteroides, por exemplo, são destrutivas porque os objetos estão a viajar depressa quando colidem uns com os outros. A cintura de asteroides é uma região de detritos rochosos entre as órbitas de Marte e o gigante gasoso Júpiter. A poderosa gravidade de Júpiter acelera as órbitas dos asteroides, gerando impactos violentos.
A equipe descobriu a lua em imagens de arquivo de 2007 OR10 obtidas pela câmara WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble. As observações do planeta anão pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA deram uma primeira pista aos astrónomos da possibilidade de uma lua em seu redor. O Kepler revelou que 2007 OR10 tem um lento período de rotação de 45 horas. "Os períodos de rotação típicos para os objetos da Cintura de Kuiper situam-se abaixo das 24 horas," comenta Kiss. "Pesquisámos no arquivo do Hubble porque o período de rotação mais lento podia ter sido provocado pelo puxão gravitacional de uma lua. O investigador inicial não encontrou a lua nas imagens do Hubble porque é muito ténue."
Os astrónomos descobriram a lua em duas observações separadas do Hubble, separadas por um ano. As imagens mostram que a lua está gravitacionalmente ligada a 2007 OR10 porque se move com o planeta anão, em relação ao fundo estelar. No entanto, as duas observações não forneceram informações suficientes para que os astrónomos determinassem uma órbita. Ironicamente, dado que não conhecemos a órbita, a ligação entre o satélite e a lenta rotação não está clara," explica Stansberry. 
Os astrónomos calcularam os diâmetros de ambos os objetos com base em observações no infravermelho longínquo pelo Observatório Espacial Herschel, que mediu a emissão térmica dos objetos distantes. O planeta anão mede aproximadamente 1530 km de diâmetro e a lua tem um diâmetro estimado entre os 240 e os 400 km. 2007 OR10, tal como Plutão, segue uma órbita excêntrica, mas está atualmente três vezes mais distante que Plutão do Sol.
2007 OR10 é membro de um clube exclusivo de nove planetas anões. Desses corpos, só Plutão e Éris são maiores que 2007 OR10. Foi descoberto em 2007 pelos astrónomos Meg Schawmb, Mike Brown e David Rabinowitz como parte de um levantamento de corpos do Sistema Solar distante usando o Telescópio Samuel Oschin do Observatório Palomar.
Fonte: Astronomia Online
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...