1 de jun de 2017

UGC 1810: Galáxias em Interação Selvagem

Crédito: NASAESAHubbleHLA; Processamento e Direitos de Autor: Domingo Pestana

O que é que está a acontecendo nesta galáxia espiral? Embora os detalhes permaneçam incertos, certamente tem a ver com uma batalha constante com a sua galáxia vizinha mais pequena. A galáxia principal é UGC 1810 mas, juntamente com a sua parceira colisional, são conhecidas como Arp 273. A forma geral de UGC 1810 - em particular o seu anel exterior azulado - é provavelmente o resultado de interações gravitacionais selvagens e violentas. A cor azul deste anel é causada por estrelas massivas azuis, quentes e que se formaram apenas nos últimos milhões de anos. A parte mais interna da galáxia parece mais velha, mais vermelha e contornada com poeira filamentar mais fria. No plano da frente são visíveis algumas estrelas brilhantes, sem relação com UGC 1810, e no plano de trás, algumas galáxias de fundo. Arp 273 situa-se a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Andrómeda. Muito provavelmente, UGC 1810 irá devorar a sua companheira galáctica ao longo dos próximos milhares de milhões de anos e assentar numa forma espiral clássica. 
 Fonte: NASAESAHubbleHLA; 


Supernova a morte catastrófica de grandes estrelas

O que são supernovas
         Supernovas são objetos celestes pontuais com luz extremamente intensa e com duração de apenas alguns meses. Da antiguidade, há poucos registros desses objetos, que desafiavam a compreensão de seus observadores. Na Europa dominada pelo aristotelismo, nenhum astrônomo lhes deu maior atenção. Pois segundo Aristóteles, o céu era imutável, do que se deduzia que tanto cometas como supernovas eram fenômenos atmosféricos. Como mostraremos mais adiante, as supernovas são explosões de estrelas de grande massa que exauriram suas fontes convencionais de energia.
         A luminosidade de uma supernova (SN) é gigantesca. Em seu pico, que ocorre poucas semanas após o seu aparecimento, a luminosidade pode atingir valores de dez bilhões de sóis e a SN pode competir em luminosidade com toda a galáxia em que se situa. 
A figura 1 mostra a foto da SN 1994D que explodiu nas bordas da galáxia espiral NGC 4526  situada à distância de 108 milhões de anos-luz.  Uma supernova expele até cerca de 90% da sua massa para o espaço, e séculos depois essa massa de gás pode ser vista como uma nebulosa em forma esférica ou de anel. 
A figura 2 mostra os gases formados por uma supernova que Kepler notou pela primeira vez dia 17/10/1604. Esta foi a última supernova inquestionavelmente observada na Via Láctea. Ocorreu a 20 mil anos luz de distância e pôde ser vista durante o dia por 3 semanas. Mas exames recentes de restos de SN indicam que em nossa galáxia ocorre em média uma supernova a cada 50 anos, ou seja, a cada 1,5 bilhões de segundos. 
Como o universo visível tem cerca de mil bilhões de galáxias, a cada segundo nele explodem centenas de SN. Mas mesmo com o atual sistema de monitoramento por meio de poderosos telescópios, a grande maioria delas passa despercebida.    

Figura 1 – Supernova SN 1994D que explodiu na borda da galáxia 4526 (constelação de Virgem). Crédito: Peter Challis e equipe High-Z. Foto tomada pelo Hubble Space Telescope (HST).

Figura 2 – Remanescentes da SN 1604, observada e registrada por Kepler. 
Classificação das supernovas
         Os primeiros estudos teóricos sobre supernovas foram realizados pelo físico suíço Fritz Zwicky (1898 – 1974) que desde os 27 anos trabalhou no Instituto Tecnológico da Califórnia. Zwicky, que em 1926 cunhou o termo supernova, teorizou que elas eram geradas por explosões de estrelas anãs brancas (ver anãs brancas no artigo Evolução Estelar). 
Junto com seu colega Walter Baade, Zwicky também reconheceu dois tipos de supernovas: Tipo I, cujo espectro de emissão não contém raias de absorção por hidrogênio, e Tipo II, que mostram raias de hidrogênio muito alargadas. É fato reconhecido da sociologia da ciência que a aceitação inicial de idéias realmente pioneiras depende consideravelmente da personalidade dos seus proponentes. 
Ocorre que Zwicky tinha um caráter singularmente arrogante e áspero. Sobre seus colegas de ofício, dizia que eram idiotas esféricos. Esféricos porque pareciam igualmente idiotas, qualquer que fosse o ângulo de visão. Esse não é definitivamente o tipo que faz sucesso facilmente. Ele fez algumas descobertas de grande importância que só foram levadas a sério décadas mais tarde. 
Em 1933, descobriu a existência da matéria escura, mas foi ignorado até os anos 1970, quando a matéria escura foi redescoberta independentemente. Coisa algo semelhante ocorreu com suas descobertas e idéias pioneiras sobre SN.

Figura 3  –  Fritz Zwicky (1898 – 1974). Astrofísico suíço pioneiro no estudo de supernovas. Por causa do temperamento áspero, muitas descobertas importantes de Zwicky só foram reconhecidas tardiamente.
         Os estudos mais recentes exigiram uma classificação mais detalhada das SN. Há 3 classes de supernovas tipo I, que são Ia, Ib e Ic, e pelo menos 3 classes de SN tipo II. Essa classificação é feita com base no espectro de luz das SN e também na sua curva de luminosidade, ou seja, a maneira como a luminosidade aumenta e, após atingir seu pico, decresce até finalmente tornar-se talvez invisível. Somente as SN tipo Ia são explosões de estrelas anãs brancas. As outras são explosões de estrelas gigantes – com massa maior do que uns 9 sóis – que consomem rapidamente o hidrogênio do seu núcleo, entram em crise energética e explodem sem passar pelo estágio de anãs brancas. 
Supernovas Tipo Ia podem ser observadas tanto em galáxias elípticas, nas quais há muito não há formação de novas estrelas, quanto nas galáxias espirais. Os outros tipos de supernovas só ocorrem nos braços das galáxias espirais, onde a formação de novas estrelas ainda é freqüente.  Isso ocorre porque uma estrela com massa de 10 sóis vive apenas uns 10 milhões de anos antes de explodir como supernova. 
Por que anãs brancas podem explodir como supernovas
         Como se pode ver no artigo Evolução Estelar, estrelas com massa na faixa aproximada de 1 a 9 sóis, uma vez exaurido o hidrogênio em seus núcleo, passam por um processo no qual se tornam gigantes vermelhas, expelem grande parte da sua massa externa e o núcleo remanescente se transforma em uma anã branca composta principalmente de carbono e oxigênio. Uma anã branca é capaz de se manter estável, evitando seu colapso gravitacional por meio da chamada pressão por degenerescência eletrônica, desde que sua massa seja inferior ao chamado limite de Chandrasekhar, cujo valor é cerca de 1,4 massas solares. 
Mas uma estrela anã branca pode ganhar massa adicional se for parte de um sistema binário (pelo menos metade das estrelas existentes são binárias) e se a sua companheira também vier a se tornar gigante vermelha. Nesse caso, a anã branca começa a absorver matéria da vizinha agigantada (ver figura 4) até que finalmente atinja o limite de Chandrashekhar. Ao atingir esse limite, ela se colapsa e seu núcleo atinge temperatura de bilhões de graus, o que inicia um processo explosivo de fusão de carbono e oxigênio. Em questão de segundos a SN emite (1-2) x 1044 joules de energia, o que, em ordem de grandeza, equivale ao que o Sol emitirá em toda a sua existência.

Figura 4 – Em um sistema de estrelas binárias em que uma é anã branca e a é gigante vermelha, a primeira pode sugar massa da segunda. Se a anã branca atingir o limite de Chandrasekhar, explode como supernova Tipo Ia. 
Supernovas Tipo Ia são usadas como velas padrão
         Vimos que a energia emitida por supernovas Tipo Ia varia por um fator de apenas 2. O mesmo ocorre com sua luminosidade máxima, que ocorre cerca de 2 semanas após a explosão. Pelo exame do espectro da luz emitida pela supernova, os astrônomos aprenderam a reconhecer as que têm maior ou menor luminosidade. Assim, essas supernovas têm sido utilizadas como velas padrão (fontes de intensidade bem estabelecida). 
A comparação entre a luminosidade aparente e a luminosidade absoluta presumível  tem possibilitado medidas de grandes distâncias astronômicas com incerteza de apenas 7%, o que é muito pouco comparado com os métodos tradicionais. Isso tem levado a importantes avanços em cosmologia observacional, que serão discutidos mais adiante. 
Os outros tipos de supernovas são explosões de estrelas muito massivas
         Estrelas com mais de 9 massas solares podem explodir como supernovas sem passar pelo estágio de anãs brancas. Elas têm uma evolução complexa e relativamente rápida. No início, como todas as estrelas, elas geram energia pela fusão de hidrogênio em hélio em seu núcleo. Quando o hidrogênio no núcleo se exaure, cessa a geração de calor, a pressão para fora gerada pelo núcleo diminui e este se contrai sobre a pressão gravitacional da região externa rica em hidrogênio. Essa compressão aquece o núcleo o bastante para que 3 núcleos de hélio sejam fundidos para formar carbono. 
Na camada adjacente a esse núcleo superaquecido a temperatura se eleva o bastante para que tenha início a fusão do hidrogênio. Mas essa etapa evolutiva também chega a um fim e a estrela sofre nova compressão. No núcleo, elementos mais pesados começam a ser gerados por fusão, na camada adjacente tem início fusão de hélio para gerar carbono e em uma terceira camada começa a fusão do hidrogênio. As etapas vão se sucedendo até que a estrela adquira uma estrutura tipo cebola como exibida na figura 5. 
Figura 5 – Estrutura de cebola de uma estrela muito massiva ao final da sua vida na Sequência Principal.
         Em dado momento, o calor gerado pelos processos de fusão não é mais capaz de gerar pressão para fora que suporte a compressão gravitacional. O núcleo central de ferro sofre um colapso com velocidade de até 70.000 km/s. Energia da ordem de 1046 joules é emitida na forma de neutrinos. Cerca de um centésimo da energia desses neutrinos é absorvida pelas camadas externas, o que gera a explosão de supernova.  Material é expelido da estrela com velocidades de até 30.000 km/s, no que ela perde cerca de 90% da sua massa. O núcleo remanescente se transforma em uma estrela de nêutrons se a massa da estrela progenitora for menor do que cerca de 20 massas solares. Se for maior do que esse limite estimado, o núcleo se transforma em um buraco negro. Simulações em computador mostram que estrelas com massa maior do que 50 massas solares entram em colapso e convertem-se diretamente em buracos negros sem que haja uma explosão tipo supernova.  
Os elementos pesados da tabela periódica são originários de supernovas
         Não fossem as supernovas, a vida no universo seria impossível porque a química existente seria excessivamente simples. De fato, no Big Bang só foram produzidos hidrogênio, hélio e uma pitadinha de lítio. Todos os outros elementos são sintetizados em estrelas massivas e em algumas delas jogados no espaço em explosões de supernovas. Mesmo em estrelas com massa maior do que 9 massas solares, que dão origem a supernovas tipos Ib, Ic e II, os processos de fusão nuclear não são capazes de gerar elementos mais pesados do que o ferro. Isso porque a fusão nuclear do ferro com outros elementos consome energia em vez de gerá-la. 
Mas na explosão de supernovas, qualquer que seja o seu tipo, as ondas de choque do gás em expansão são capazes de suprir a energia suficiente para a síntese de todos os elementos da tabela periódica. Se uma nova estrela se forma em gás enriquecido desses elementos e essa estrela contém um sistema planetário, esses planetas podem apresentar uma química complexa o bastante para que nela se desenvolva a vida. Isso é exatamente o que ocorreu com o nosso Sol e seus planetas.  
A concentração de elementos pesados no Sol sugere que ele na verdade seja uma estrela de terceira geração. Com isso se quer dizer que ele foi gerado de gás produzido por uma (ou mais de uma) supernova cuja estrela progenitora (ou estrelas progenitoras) foram formadas de restos de supernovas. Eu e você, caro leitor, somos feitos de lixo atômico, somos filhos e netos de uma das maiores calamidades nucleares que se conhece no universo.
CRÉDITOS: Prof. Alaor Chaves (02/junho/2011) 
http://www.observatorio.ufmg.br

Apocalipse

Nada no Universo é eterno. Tudo é muito dinâmico, em constante modificação. O Universo foi formado a cerca de 16 bilhões de anos; a nossa galáxia a 13 bilhões e o sistema solar a 4,5 bilhões.
O Sol é uma estrela como centenas de milhares de outras, contando só as da nossa galáxia. As estrelas nascem, vivem e morrem. O tempo estimado de vida de uma estrela como o Sol é de 9 bilhões de anos, o que faz com que daqui a outros 4,5 bilhões de anos tenhamos o seu fim, assim como de todo o sistema solar, em uma grande explosão que ejetará gás e poeira em todas as direções. Se lembramos que o aparecimento do homem na Terra se deu a poucas centenas de milhares de anos, vemos que temos ainda muito tempo pela frente, até o fim certo de nosso planeta.
Acontece entretanto que a Terra orbita o Sol em uma região por onde freqüentemente passam asteróides e cometas com tamanhos suficientes para, em uma colisão com nosso planeta, provocará extinção da vida humana. Poderia uma catástrofe dessa natureza significar o Apocalipse?

ASTERÓIDES

Ida
 Asteróides são objetos sem atmosfera, rochosos e metálicos que orbitam o Sol e cujos tamanhos variam de alguns poucos metros até quase 1000 km (o maior asteróide conhecido, Ceres, tem 980 km de diâmetro). São conhecidos dezesseis asteróides com diâmetro superior a 240 km. Até hoje foi possível fotografarmos "de perto", permitindo-nos a visualização de detalhes, apenas três asteróides. A foto acima é do asteróide Ida e foi obtida pela sonda espacial Galileo, em agosto de 1993, a apenas 3.000 km de distância. É nítidamente visível o grande número de crateras na superfície de Ida, devido a impactos sofridos através dos tempos, com corpos menores. Ida tem 56 km de comprimento.
A sonda Galileo encontra-se hoje cumprindo sua função principal que é obter informações sobre Júpiter e suas luas. No caminho para Júpiter a sonda Galileo se aproximou de dois asteróides, Ida e Gaspra, e os fotografou. Essas são as mais ilustrativas fotos até hoje obtidas de asteróides.  Ida é um asteróide do tipo S, formado por silicatos ricos em metais. A maioria dos asteróides conhecidos (75%) são do tipo C, ricos em carbono.

COMETAS

HalleyCometas têm órbitas muito elípticas, que os trazem próximo ao Sol e os levam longe no sistema solar. Longe do Sol, cometas são como que imensas pedras de gelo sujo, formados por uma mistura de material volátil (que quando aquecido passa diretamente do estado sólido para o estado gasoso) e grãos rochosos e metálicos de tamanhos variados. Quando se aproxima do Sol (e conseqüentemente da Terra) parte do material que forma o cometa se volatiliza, dando origem à sua cabeleira e à sua cauda. A cabeleira que envolve o núcleo de um cometa e a sua cauda, empurrada pelo "vento solar" no sentido oposto ao que o Sol se encontra são formadas assim de gases e poeira que se desprendem desse núcleo (essa pedra de gelo sujo). Mais de 99% da massa de um cometa está em seu núcleo.
Até hoje a única imagem feita do núcleo de um cometa foi do Halley, obtida pela sonda Giotto em março de 1986. Pelo fato dos núcleos dos cometas quando se aproximam da Terra estarem envoltos em suas cabeleiras, não nos é possível vê-los. Para fazer a foto acima a sonda Giotto teve que entrar dentro da cabeleira do Halley. O tamanho do núcleo do Halley foi estimado em 16x8x8 km. A parte mais clara nessa foto corresponde à ejeção de gases e poeira em regiões de sua superfície devido ao processo de volatilização.

COLISÃO?
ImpactoBasta olharmos o grande número de crateras que encontramos na superfície da Terra, algumas delas com quilômetros de diâmetro, oriundas de colisões de asteróides e cometas com nosso planeta, para reconhecermos a possibilidade de catástrofes provenientes de tais colisões.
A extinção dos dinossauros, por exemplo, é creditada á colisão com a Terra de um asteróide de aproximadamente 10 km de diâmetro. Esse asteróide haveria caído na região do golfo do México a 65 milhões de anos e em sua queda levantou uma nuvem de poeira tão grande que se espalhou por toda a atmosfera e ficou suspensa durante séculos, mudando o clima do planeta e diminuindo sensivelmente a vegetação existente, levando gradativamente os dinossauros à extinção. Em 1908 um asteróide de aproximadamente 50 metros de diâmetro haveria "explodido" no ar sobre o rio Tunguska, na Sibéria, devastando mais de 2.000 quilômetros quadrados de densa floresta.
Para um corpo colidir com a Terra é necessário que ele passe por onde a Terra passa, ou seja, é necessário que a sua órbita cruze a órbita da Terra. Estimamos que existam cerca de 2.000 asteróides e cometas cujas órbitas cruzam a órbita da Terra; desses apenas 200 são conhecidos e constantemente monitorados. Com toda segurança podemos afirmar que nenhum dos objetos conhecidos colidirá com a Terra, pelo menos nos próximos 100 anos. Resta contudo a possibilidade de virmos a descobrir um objeto em rota de colisão com nosso planeta, para daqui, digamos, algumas poucas dezenas de anos.

PROBABILIDADES e CONSEQÜÊNCIAS

O número de corpos do sistema solar diminui muito à medida que seus tamanhos aumentam; ou seja: existem muitos corpos pequenos, porém poucos corpos grandes. Isso faz com que a probabilidade de colisões com nosso planeta diminua com o aumento do tamanho dos corpos. Entretanto, devido à grande velocidade desses corpos, mesmo um cometa ou asteróide "pequeno" que cair na Terra, poderá liberar uma quantidade muito grande de energia.

Objetos de 10 a 30 metros de diâmetro, colidindo com a Terra, seriam capazes de liberar uma energia de 3 a 1.000 megatons (equivalente a centenas de bombas de Hiroshima). Estimamos que a freqüência de colisões de corpos dessa faixa de tamanho com a Terra deva ser de 1 a 100 anos. Objetos de 30 a 200 metros de diâmetro liberariam uma energia de 1.000 a 10.000 megatons e devem cair na Terra com uma freqüência de 100 a 10.000 anos. O asteróide que caiu em Tunguska no início do século se encontra nessa faixa de tamanho.
Objetos de 200 metros a 2 quilômetros de diâmetro liberariam uma energia de 10.000 a 100.000 megatons e devem cair na Terra com uma freqüência de 10.000 a 1 milhão de anos. Seriam capazes de devastar áreas equivalentes a um continente.

Objetos de 2 a 10 quilômetros de diâmetro liberariam uma energia de 100 mil a 1 milhão de megatons e devem cair na Terra com uma freqüência de 1 milhão a 100 milhões de anos. O asteróide que provocou a extinção dos dinossauros se encontra dentro dessa faixa de tamanho. Objetos com mais de 10 quilômetros de diâmetro seriam capazes de extinguir a vida em nosso planeta e devem cair na Terra com uma freqüência de 100 milhões a 1 bilhão de anos. A imagem acima é uma simulação da colisão de um desses asteróides com a Terra.
Créditos: Prof. Renato Las Casas e Divina Mourão (31/08/98)
http://www.observatorio.ufmg.br 

Einstein confirmado: buracos negros são mesmo buracos

Encontrada a primeira evidência experimental de que os buracos negros têm um horizonte de eventos – ou seja, de que eles engolem astros ao pé da letra 

Vamos começar com a afirmação mais óbvia já feita na SUPER: a Terra gira em torno do Sol, assim como os outros planetas, muito distantes de nós, giram em torno de suas respectivas estrelas. Tudo isso, por sua vez, gira em torno do centro da Via Láctea, nossa galáxia. Não desanime, leitor, esse texto já vai ficar legal (falando nisso, quem já entende como funciona um buraco negro pode pular para o parágrafo oito).
Esse é o hábito mais comum do cosmos: no vácuo do espaço, tudo está sempre girando em torno de tudo. A culpa, como você (de novo) já sabe, é de um negócio chamado gravidade. É aí que complica. Todo mundo já viu a gravidade se manifestar – basta tropeçar ou deixar um prato cair. Mas como exatamente ela faz isso? De onde vem essa força invisível, intocável, e o que a torna capaz de nos puxar para baixo?
Ela faz isso curvando o tecido do espaço-tempo – e esse é um princípio físico mais fácil de entender do que parece. Faça o seguinte: distribua um punhado de bolinhas de gude na superfície de um colchão. Elas ficarão paradas, certo? Agora sente no meio delas. O colchão vai afundar, e todas vão rolar em sua direção até encostar em você.
O Sol faz a mesma coisa. Ele é tão grande que afunda o “colchão” do universo – e todas as bolinhas de gude próximas, que atendem pelo nome de planetas, se acumulam em torno dele.  Mas o que acontece se você soltar uma bigorna de uma tonelada no colchão? Bem, ela é tão pesada que rasga a espuma e arrasta todas as bolinhas para o buraco. Se você acha que essa cena, apesar de absurda na prática, faz todo o sentido na teoria, palmas: Einstein concorda com você.
A bigorna no colchão é o que os físicos chamam de buraco negro. Uma região com tanta massa, mas tanta massa concentrada em um espaço tão pequeno que a própria estrutura do universo não aguenta o tranco e afunda de vez. Quem cai ali não sai mais – nem a luz escapa. Uma cena linda, mas hipotética: é complicado provar a existência de algo invisível. A ciência tem bons motivos para acreditar em algo chamado horizonte de eventos. É um perímetro de não-retorno. Qualquer corpo celeste que passe desse limite será engolido pelo buraco negro e nunca mais dará sinal de vida.
Fonte: Super Interessante

Viagem interestelar vai durar no mínimo 69 anos - veja por quê

Está com pressa para chegar a outra estrela? Então não trace curso para a estrela mais próxima. [Imagem: NASA/ESA/H. Bond (STScI)/M. Barstow (University of Leicester)]
Tão longe, tão perto
Com tantas estrelas no céu, parece natural assumir que a mais próxima de nós seria o melhor alvo para inaugurarmos uma era de viagens interestelares, já que seria mais rápido chegar até lá.
Mas não é bem assim - pelo menos não com a tecnologia que parece mais ao nosso alcance.
Um trio de astrofísicos do Instituto Max Planck para Pesquisa de Sistemas Solares, na Alemanha, garante que poderíamos alcançar e orbitar Sirius, a estrela mais brilhante do nosso céu noturno, em apenas 69 anos.
Isto apesar do fato de que ela está duas vezes mais distante do que as nossas estrelas mais próximas, no sistema Alfa Centauro, cuja viagem exigiria mais de um século.
Os resultados surpreenderam os pesquisadores, mas eles afirmam que a matemática é simples.
Ir à estrela ou passar pela estrela
Tudo começou com o projeto Starshot, que anunciou a intenção de enviar nanonaves espaciais a Alfa Centauro em uma viagem de 20 anos.
Logo em seguida, René Heller e seus colegas se deram conta de que, se tudo corresse conforme planejado, as nanonaves passariam chispando pela estrela e seus planetas, com apenas alguns segundos para coletar dados - mais ou menos como a sonda New Horizons passou por Plutão, viajando rápido demais para conseguir entrar em órbita.
Eles calcularam então que seria necessário brecar a espaçonave, elevando a missão para cerca de 140 anosE ninguém iria querer simplesmente passar por um sistema estelar que possui o exoplaneta mais parecido com a Terra que já detectamos. 
Os defensores das velas solares estão depositando suas esperanças em painéis ultrafinos de grafeno, que absorvem fótons com alta eficiência. [Imagem: NASA]
Viagem a Sirius
Agora a mesma equipe usou seus cálculos para levar em conta que brecar uma espaçonave depende da intensidade disponível de energia luminosa na estrela de destino, já que a missão está sendo projetada para usar uma forma de propulsão chamada vela solar, que aproveita o impulso dos fótons da luz estelar - ou de um canhão laser na Terra, ao menos na parte inicial da viagem. 
Sirius está a 8 anos-luz de distância, duas vezes mais do que Alfa Centauro, mas é 16 vezes mais brilhante, de forma que sua luz ajudaria a nave espacial a acelerar e depois desacelerar de modo muito mais intenso.
E, como a trio destaca, a matemática é simples: O tempo que leva para viajar para um sistema estelar e, em seguida, conseguir ficar por lá, é uma função da distância dividida pela raiz quadrada da luminosidade da estrela. Assim, levaria menos tempo para viajar para Sirius em comparação com Alfa Centauro.
Os resultados apontam um tempo de viagem de 69 anos para visitar Sirius - contra os 140 anos para visitar Alfa Centauro. 
Fonte: Inovação Tecnológica

Imagens surreais mostram que Júpiter é ainda mais estranho do que pensávamos

Os primeiros resultados científicos da nave espacial Juno mostram um mundo de nuvens intrincadas, magnetismo intenso e um núcleo potencialmente erodido.
Esta visão colorida aumentada do polo sul de Júpiter foi criada por Gabriel Fiset, usando dados da sonda espacial Juno da NASA

O maior planeta do sistema solar acaba de se revelar ainda mais espetacular com essas novas imagens feitas pela sonda Juno, da NASA. Ela está orbitando Júpiter desde julho passado. Os primeiros resultados científicos da missão, relatados em 46 artigos publicados nas revistas científicas Science e Geophysical Research Letters, estão mostrando que o planeta não funciona da maneira que os cientistas pensavam.
Uma montagem de 10 imagens mostra Júpiter crescendo e encolhendo em tamanho aparente antes e depois de Juno fazer sua melhor aproximação ao planeta, em 27 de agosto de 2016
Membros da equipe da missão Juno da NASA convidaram o público a processar imagens cruas e postar seus resultados, como este apresentado pelo usuário Eric Jorgensen
Tomada pela nave espacial Juno da NASA, esta imagem destaca uma tempestade rodopiante ao sul de um dos ciclones ovais brancos em Júpiter.
Juno passeou pela atmosfera de Júpiter e fez esta imagem em 2 de fevereiro de 2017, cerca de 14.000 quilômetros acima das nuvens
Esta imagem realçada de uma misteriosa mancha escura em Júpiter parece revelar uma “galáxia” de tempestades turbulentas
Esta imagem de cores melhoradas de um misterioso ponto escuro em Júpiter parece revelar uma "galáxia" de "tempestade" de "ropor".
A parte iluminada pelo sol de Júpiter e sua atmosfera rodopiante brilham nesta imagem processada pelo cidadão Alex Mai

Novidades

Os resultados iniciais incluem a revelação de que o campo magnético de Júpiter é quase o dobro do esperado, e que enormes ciclones entram em erupção perto dos polos do planeta. Ainda mais dados sugerem que o núcleo do planeta pode ser maior e mais diluído do que o previsto, com metais pesados e rochas se dissolvendo lentamente em uma camada de hidrogênio metálico líquido. 
Juno também vislumbrou as poderosas auroras que brilham perto dos polos de Júpiter, que são curiosamente desprovidas de bandas nebulosas – em vez disso, são vistas tumultuosas tempestades e espirais de cor pastel, que parecem muito diferentes umas das outras.  Na atmosfera de Júpiter, a sonda detectou amônia brotando do fundo do planeta. A pungente e sufocante pluma de gás poderia estar criando vastos sistemas climáticos, que transformam as nuvens do planeta na arte que podemos ver nas fotos.

Não acabou

Mais tumultuado e colorido do que o vizinho Saturno, Júpiter também é muito maior, de forma que é possível que ele esteja sendo moldado por processos que são mais parecidos com os que ocorrem em estrelas do que em planetas. À medida que Juno percorre Júpiter várias dezenas de vezes, a sonda deve continuar respondendo a perguntas que nem poderiam ser imaginadas antes.  Talvez, no final da missão, a sonda finalmente ajude os cientistas a resolver o mistério do que realmente está por baixo das nuvens tortuosas de Júpiter. 
Fonte: NatGeo
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