26 de jun de 2017

Telescópio Cherenkov quer desvendar luzes de altíssima energia

Observatório possibilitará estudar raios gama com precisão sem precedentes.[Imagem: CTA]
Luz de alta energia
Os raios gama poderão ser estudados, em breve, com precisão sem precedentes. Um consórcio composto por mais de 1.350 cientistas e engenheiros de 32 países, incluindo o Brasil, pretende construir até 2022 o Cherenkov Telescope Array (CTA), o maior observatório terrestre voltado a estudar essas partículas de luz (fótons) de altíssimas energias vindas do espaço.
Apesar de uma busca de mais de um século, ainda pouco se sabe sobre essas partículas de luz, suas fontes e o papel que desempenham em nossa galáxia e além dela.
"O CTA faz parte de uma nova geração de detectores de raios gama e pode possibilitar a identificação de mais de mil novos objetos emissores da radiação gama que chegam à Terra, produzidos por raios cósmicos [partículas, como prótons, elétrons e íons, que viajam com velocidades próximas à da luz]," disse Razmik Mirzoyan, pesquisador do Instituto de Física Max Planck de Munique, na Alemanha, em palestra durante evento promovido em São Paulo pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Luz Cherenkov
Ao chegarem à Terra, os raios gama colidem com moléculas de ar e dão origem a partículas secundárias subatômicas, que caem em forma de cascatas, também conhecidas como chuveiros de ar ou de partículas.
Essas partículas de alta energia podem viajar mais rápido que a luz, dando origem a um flash azul semelhante a uma onda de choque produzida por um avião supersônico ao quebrar a barreira do som.
O matemático inglês Oliver Heaviside (1850 - 1925) calculou e previu as principais características de um fenômeno desse tipo, quando um elétron se move em um meio transparente com velocidade superior à da luz. O trabalho do cientista inglês, contudo, não foi apreciado pelos seus pares contemporâneos e foi esquecido.
Quase 50 anos depois das primeiras publicações de Heaviside sobre a previsão desse tipo de fenômeno - iniciadas em 1888 -, o físico russo Pavel Cherenkov (1904 - 1990) descobriu experimentalmente o efeito, que foi batizado de radiação ou luz Cherenkov.
"Em 1937, Cherenkov conseguiu medir a anisotropia [característica de um meio em que certas propriedades físicas variam em diferentes direções] desse tipo de emissão e submeteu um artigo relatando os resultados à Nature, mas a revista recusou a publicação do trabalho," disse Mirzoyan. "Felizmente, a revista Physical Review aceitou publicar o artigo em que Cherenkov mencionou a possibilidade de medir elétrons rápidos com carga negativa."
Telescópio Cherenkov quer desvendar luzes de altíssima energia
Os raios cósmicos ultra-energéticos são detectados por tanques de água especiais, conhecidos como detectores de Cherenkov. [Imagem: ASPERA/G.Toma/A.Saftoiu]
Chuveiros de partículas
Em 1938, o físico francês Pierre Auger (1899 - 1993), ao posicionar detectores de partículas no alto dos Alpes, percebeu que dois deles, localizados a vários metros de distância um do outro, detectaram partículas que chegavam ao mesmo tempo, em cascatas.
E, em 1948, o físico britânico Patrick Blackett (1897 - 1940), ao estudar os raios cósmicos por meio de uma câmara de nuvens - um método de identificação de partículas subatômicas -, mencionou a probabilidade da existência de componentes leves de "luz Cherenkov" de partículas relativísticas em chuveiros de ar que poderiam contribuir marginalmente para a intensificação da luz do céu noturno.
A partir de então, começou a corrida para o desenvolvimento de detectores de "luz Cherenkov" de chuveiros de partículas produzidos tanto por raios cósmicos como por raios gama, ambos vindos do espaço. "Até então a 'luz Cherenkov' tinha sido detectada apenas em meios sólidos e líquidos", explicou Mirzoyan.
Telescópio Cherenkov quer desvendar luzes de altíssima energia
Uma erupção recorde de raios gama foi detectada recentemente pelo telescópio espacial Fermi, da NASA. [Imagem: NASA/DOE/Fermi LAT Collaboration]
Telescópios de raios gama
A atual geração de detectores de raios gama - formada pelo Sistema Estereoscópico de Alta Energia (HESS - High Energy Stereoscopic System), na Namíbia, o Observatório de Raios Gama (Magic), nas Ilhas Canárias, na Espanha, e o Veritas, no Arizona, nos Estados Unidos - começou a produzir resultados em 2003 e aumentou o número de objetos emissores de raios gama conhecidos de cerca de 10 para 100.
O CTA (Cherenkov Telescope Array) deverá aumentar esse catálogo 10 vezes ao detectar mais de mil novos objetos, uma vez que será 10 vezes mais sensível e terá uma precisão sem precedentes para detecção de raios gama de alta energia.
Esse aumento de sensibilidade e de precisão na detecção desses raios gama será possível em razão da área de coleta de dados e de uma combinação de três classes de telescópios Cherenkov para cobrir uma gama de energia que varia de 20 GeV a 300 TeV.
Enquanto os observatórios de raios gama atuais possuem, no máximo, cinco telescópios Cherenkov operando em conjunto, o CTA será composto por 100 telescópios terrestres de três tamanhos diferentes, divididos em um local no hemisfério Norte e a outra parte maior no hemisfério Sul.
No Hemisfério Sul, o observatório será construído no deserto do Atacama, no Chile, próximo ao telescópio ALMA (Atacama Large Milimeter Array). No hemisfério Norte será situado nas Ilhas Canárias, próximo ao Observatório Magic.
Dessa forma, o CTA terá uma área de coleta equivalente a mais de 1 milhão de metros quadrados (m2), o que permitirá uma cobertura de quase todo o céu, em um ângulo de 360º, aumentando a chance de capturar os chuveiros de partículas produzidos pelos raios gama.
Telescópio Cherenkov quer desvendar luzes de altíssima energia
Há também "explosões escuras" de raios gama - uma explosão dessas libera tanta energia quanto o Sol ao longo de toda a sua vida de 10 bilhões de anos. [Imagem: NAOJ]
Um evento por século
Embora a "luz Cherenkov" se espalhe sobre uma grande área (de 250 metros de diâmetro), o chuveiro de partículas dura apenas alguns bilionésimos de segundo e é muito raro, com uma taxa de ocorrência de um fóton de raios gama por m2 por ano a partir de uma fonte luminosa forte ou de um por m2 por século a partir de uma fonte luminosa fraca.
Cada telescópio terá uma montagem que permitirá apontar rapidamente para os alvos almejados e será composto de um grande espelho segmentado para refletir a "luz Cherenkov" para uma câmera de alta velocidade.
Por meio das imagens obtidas da câmera será possível digitalizar e gravar a imagem do chuveiro de raios gama para um estudo mais aprofundado de suas fontes cósmicas, como os arredores de buracos negros, remanescentes de supernovas, galáxias com núcleos ativos e pulsares.
Telescópio Cherenkov quer desvendar luzes de altíssima energia
Participação brasileira
O projeto de construção do CTA é estimado em 400 milhões de euros e o Brasil colabora no projeto em diferentes frentes. Uma delas é a construção do ASTRI Mini-Array - um arranjo menor de telescópios Cherenkov, que será o protótipo do observatório CTA -, em parceria com a Itália e a África do Sul.
O miniarranjo será composto por nove telescópios Cherenkov com espelho de 4,3 metros de diâmetro, que serão instalados na parte sul do CTA, no Chile, a partir de 2018.
O ASTRI terá uma sensibilidade superior à do HESS e atingirá energias acima de 100 TeV - equivalente a 100 trilhões de elétrons-volt. O telescópio protótipo do ASTRI foi inaugurado em Serra la Nave, na região de Catânia, na Itália, em setembro de 2014, e possui uma inovadora câmera focal modular com fotomultiplicadores de silicone, desenvolvida em parceria com engenheiros brasileiros do IAG-USP.
O grupo da professora Elisabete Dal Pino no IAG-USP é responsável pela construção de três dos nove telescópios do ASTRI por meio de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP.
Outro grupo de pesquisadores da USP de São Carlos também está desenvolvendo, por meio de outro Projeto Temático apoiado pela FAPESP, o suporte de câmera do telescópio de médio porte (MST) do CTA em parceria com a equipe alemã do Observatório.
Além disso, outro grupo de pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) está desenvolvendo componentes estruturais para os telescópios de grande porte (LST) do CTA.
"O protótipo dos telescópios ASTRI já está quase pronto, em fase final de testes, e a construção da parte mecânica e das estruturas dos nove telescópios será iniciada em breve", disse Elisabete.
Fonte: Inovação Tecnológica

Campo magnético de Urano muda todos os dias, mostra pesquisa

C
ientistas do Instituto Georgia de Tecnologia, nos Estados Unidos, encontraram novas evidências de como o (estranho) campo magnético de Urano funciona. Segundo estudo publicado no periódicoJournal of Geophysical Research: Space Physics, o planeta possui uma esfera protetora que se fecha e abre aproximadamente a cada 17 horas. Diferente dos outros planetas do Sistema Solar, Urano rotaciona em uma inclinação de 98 graus em relação ao plano de sua órbita em torno do Sol. Seu campo magnético também se encontra inclinado cerca de 59 graus em relação ao seu eixo de rotação, além de não ser localizado exatamente no centro do planeta.

Com ajuda de um modelo computacional que simula as ações dos ventos solares, as pesquisadoras entenderam que o campo serve como proteção para Urano. Quando os dois movem-se na mesma direção, os ventos passam pelo planeta suavemente. Mas quando as partículas que sopram do Sol atingem determinado ângulo, o campo magnético uraniano se realinha, deixando apenas uma pequena quantidade delas passar por ele.O processo é chamado de reconexão magnética e occore aqui na Terra também, embora de forma menos frequente. As pesquisadoras acreditam que o movimento da barreira em Urano ocorre a cada 17 horas terrestres, resultando em auroras boreais constantes.
As especialistas ressaltam, porém, que só terão uma ideia precisa do que acontece no planeta quando uma sonda for enviada a ele. As únicas informações concretas existentes são resultado da passagem do Voyager 2 por Urano, em 1986, e mesmo assim, são muito poucas. A NASA pretende enviar uma nova máquina para lá em 2034, mas nada foi oficialmente planejado ainda.Descobrir mais sobre Urano e o funcionamento de seu campo magnético pode ajudar a compreender melhor os exoplanetas, já que a maioria também é uma grande bola de gelo como ele e seu vizinho Netuno. Entender como os ventos solares afetam sua superfície nos dirá mais da superfície dos mundos além do Sistema Solar.
Fonte: GALILEU

Betelgeuse capturada pelo ALMA


Esta mancha alaranjanda é a estrela próxima Betelgeuse, vista pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). É a primeira vez que o ALMA observa a superfície de uma estrela, sendo esta primeira tentativa resultado na imagem com a maior resolução conseguida até hoje para Betelgeuse.
Betelgeuse é uma das maiores estrelas conhecidas — com um raio de cerca de 1400 vezes superior ao do Sol no contínuo milimétrico. Situada a cerca de 600 anos-luz de distância na constelação de Orion, esta supergigante vermelha brilha intensamente, o que lhe dará uma vida curta. A estrela tem apenas cerca de 8 milhões de anos de idade, mas já está no processo de se transformar numa supernova. Quando isso acontecer, a explosão resultante poderá ser vista a partir da Terra, mesmo em plena luz do dia.
Esta estrela tem sido observada em muitos comprimentos de onda, em particular no visível, no infravermelho e no ultravioleta. Com o auxílio do Very Large Telescope do ESO, os astrônomos descobriram uma enorme pluma de gás quase tão grande como o nosso Sistema Solar e também uma bolha gigante em ebulição na superfície de Betelgeuse. Estas estruturas ajudam a explicar como é que a estrela perde gás e poeira a taxas elevadíssimas. Nesta imagem, o ALMA observou o gás quente da cromosfera inferior de Betelgeuse nos comprimentos de onda submilimétricos — onde temperaturas elevadas localizadas explicam a sua assimetria. O ALMA ajuda-nos assim a compreender as atmosferas extensas destas estrelas quentes e resplandescentes.

Homem deve voltar-se para o espaço, defende Stephen Hawking

As bases na Lua são um sonho antigo - mas continuam sendo um sonho, sem um projeto definido por falta de objetivos práticos.[Imagem: BBC]
Propósito para a humanidade
O físico britânico Stephen Hawking convocou países a enviarem astronautas à Lua até 2020. Para ele, é preciso também construir uma base lunar nos próximos 30 anos e enviar pessoas a Marte até 2025 - tudo isso pensando "no futuro da humanidade".
As previsões de Hawking almejam principalmente reacender programas espaciais globais, forjar novas alianças e dar à humanidade uma nova "sensação de propósito".
"Essa expansão para o espaço pode mudar completamente o futuro da humanidade", disse o físico britânico. "Tenho esperanças de que isso uniria países que competem entre si em torno de uma única meta, para enfrentar o desafio comum a todos nós. Um novo e ambicioso programa espacial serviria para engajar os mais novos e estimular o interesse deles em outras áreas, como astrofísica e cosmologia."
Futuro da humanidade
Questionado sobre se não seria melhor gastar o dinheiro disponível tentando resolver os problemas deste planeta, em vez de investi-lo no espaço, Hawking pontuou que é importante, sim, cuidar das questões urgentes daqui - mas agregou que pensar no espaço é importante para garantir o futuro da humanidade.
"Não estou negando a importância de lutar contra o aquecimento global e as mudanças climáticas aqui, ao contrário do que fez Donald Trump, que pode ter tomado a decisão mais séria e errada sobre esse tema que o mundo poderia esperar," disse - no início deste mês, o presidente norte-americano anunciou a saída dos EUA do Acordo de Paris, pacto climático que visa impedir o aumento das temperaturas globais.
No entanto, Hawking ressaltou que as viagens espaciais são essenciais para o futuro da humanidade, principalmente porque a Terra está sob ameaça - justamente por conta de problemas como o aquecimento global e a diminuição dos recursos naturais.
"Estamos ficando sem espaço aqui e os únicos lugares disponíveis para irmos estão em outros planetas, outros universos. É a hora de explorar outros sistemas solares. Tentar se espalhar por aí talvez seja a única estratégia que pode nos salvar de nós mesmos. Estou convencido de que os seres humanos precisam sair da Terra," afirmou o físico.
Mas, aparentemente, devemos ter cuidado com quem encontrarmos pelo caminho, já que Hawking também defendeu recentemente que a humanidade deve evitar contato com alienígenas.
Para o espaço e avante
O chefe da Agência Espacial Europeia (ESA), Jan Woerner, prevê a construção de uma base na Lua em 2024 e está colaborando com a Rússia para enviar uma sonda e testar um possível local para isso. A China já estipulou uma meta de enviar um astronauta à Lua em breve.
Já a NASA não tem planos de voltar à Lua por enquanto e vem focando seus esforços no plano de enviar astronautas a Marte até 2030. No entanto, se outras agências espaciais começarem a colaborar entre si para a construção de uma base lunar, seria difícil ver a NASA fora do empreendimento.
Para Hawking, o ponto principal é que não há futuro a longo prazo para nossas espécies na Terra: ele acha que seríamos atingidos por um asteroide novamente ou eventualmente engolidos pelo nosso próprio Sol. Ele ainda reforça que viajar para outros planetas distantes "elevaria a humanidade".
"Sempre que demos um novo salto, por exemplo a ida à Lua, unimos os povos e as nações, inauguramos novas descobertas e novas tecnologias", afirmou. "Deixar a Terra exige uma movimentação global, todos devem estar juntos nisso. Precisamos fazer renascer a empolgação dos primórdios das viagens espaciais, na década de 1960."
Para ele, a colonização de outros planetas já não é mais tema de ficção científica. "Se a humanidade quiser continuar (a viver) por mais milhões de anos, nosso futuro residirá na ousadia de ir onde ninguém mais ousou ir. Espero que seja para o melhor. Nós não temos outra opção."
Fonte: Inovação Tecnológica

Vivemos em um multiverso? Onde se escondem esses mundos?

Conforme algumas estimativas, o universo conhecido pode conter cerca de dois trilhões de galáxias, sendo que a central manteria em torno de si aproximadamente cem milhões de estrelas e incontáveis planetas. Mas pode haver múltiplas cópias do universo da maneira como nós o enxergamos?
O conceito de um multiverso – mundos que coexistem conosco de forma invisível e que podem representar versões da realidade quase idênticas à nossa – é uma ideia aceita na ficção científica e que intrigou gerações de físicos, bem como fãs e criadores de histórias ficcionais.
Enquanto os cientistas ainda não tenham encontrado qualquer evidência de que multiversos de fato existam, há uma série de hipóteses que utilizam as leis da física para explorar a possibilidade de universos múltiplos, às vezes desafiando nossa compreensão sobre a própria viabilidade desse processo. Erin MacDonald, astrofísica, engenheira e autoproclamado “nerd maciço de ficção científica”, palestrou sobre o tema durante um painel no Future Con, festival que destacou a intersecção entre ciência, tecnologia e ficção científica no distrito de Washington.
MacDonald explicou que o nosso universo existe dentro de um tecido de espaço-tempo – um formato tridimensional combinado com a noção do tempo para criar um 4D contínuo. Mas cientistas não podem afirmar com certeza como se configura esse espaço-tempo, o que significa que podem existir inúmeros universos invisíveis aos olhos humanos.

Realidade espelhada

A versão mais simples do conceito de multiverso é chamada realidade alternativa ou realidade espelhada. Segundo ela, há um único universo paralelo ao nosso, que também é seu lado oposto – como mostrou o episódio “Mirror, Mirror” da série Star Trek. Na história, um grupo desembarca erroneamente numa versão diferente da Enterprise, habitada por versões mais brutais dos colegas de tripulação.
Outra perspectiva sobre o multiverso é defendida pela Teoria M, que descreve nosso universo como uma membrana dentro de uma vasta e possivelmente infinita pilha de membranas tridimensionais flexíveis – que também seriam, individualmente, universos diferentes. Este seria o mundo Brana.
Universos múltiplos também podem existir dentro de bolhas que congregam o espaço-tempo, em um conceito explorado no videogame “Bioshock Infinte”. Segundo esse cálculo, habitantes de dois universos poderiam, em tese, interagir se suas bolhas se conectassem diretamente, de acordo com MacDonald.

Polarizações a cada decisão

Os universos quânticos aparecem mais frequentemente na ficção científica, informa a pesquisadora. Essa ideia sugere que cada decisão de uma pessoa cria uma nova linha do tempo e um novo universo, autônomo, que segue um caminho diferente. Para criar histórias de ficção científica sobre viagens no tempo, escritores invocam as regras dos universos quânticos para explicar como os personagens conseguem viajar até o passado sem apagar a própria existência – todas as suas escolhas dão vida a novos universos inteiros sem interferir no universo original.
Talvez, porém, a premissa mais perturbadora de todas seja a de que o universo que percebemos como real é, na verdade, algum tipo de simulação, como no filme “Matrix”.
“Você gostaria de saber se fosse uma simulação sem qualquer controle? Poderíamos testar essa simulação se todos nós fôssemos apenas um código?”, perguntou MacDonald ao público. Por ora, muitas perguntas permanecem sem resposta – tanto sobre multiversos quanto a respeito da nossa realidade, afirmou.
“Nada disso pode ser comprovado, mas é interessante pensar no assunto”, concluiu. 
Fonte: HypeScience.com

HUBBLE capta massivo disco galáctico "MORTO" que desafia as teorias da evolução das GALÁXIAS

Agindo como um "telescópio natural" no espaço, a gravidade do enorme enxame galáctico no plano da frente, MACS J2129-0741, amplia, aumenta o brilho e distorce a distante galáxia de fundo MACS2129-1, vista na caixa de cima. A inserção do meio é uma ampliação da galáxia distorcida pelo efeito de lente gravitacional. A inserção de baixo é uma imagem reconstruída, com base em modelos, que mostra o aspeto da galáxia caso o enxame de frente não estivesse presente. A galáxia tem um tom avermelhado porque está tão distante que a sua luz é desviada para a parte vermelha do espectro.Crédito: NASA, ESA, S. Toft (Universidade de Copenhaga), M. Postman (STScI), e equipa CLASH

Ao combinar o poder de uma "lente natural" no espaço com a capacidade do Telescópio Espacial Hubble da NASA, astrónomos fizeram uma descoberta surpreendente - o primeiro exemplo de uma galáxia em forma de disco, compacta ainda que massiva, e de rápida rotação, que deixou de fabricar estrelas apenas poucos milhares de milhões após o Big Bang.
Encontrar tal galáxia tão cedo no início da história do Universo desafia a compreensão atual de como as galáxias massivas se formam e evoluem, dizem os cientistas.
Quando o Hubble fotografou a galáxia, os astrónomos esperavam ver uma bola caótica de estrelas formada através de galáxias que se fundiram. Em vez disso, viram evidências de que as estrelas nasceram num disco em forma de panqueca.
Esta é a primeira evidência observacional direta de que pelo menos algumas das primeiras galáxias "mortas" - onde a formação estelar parou - de alguma forma evoluem de um disco parecido ao da Via Láctea para as gigantes elípticas que vemos hoje.
Esta é uma surpresa porque as galáxias elípticas contêm estrelas mais antigas, enquanto as galáxias espirais geralmente contêm estrelas azuis mais jovens. Pelo menos algumas dessas primeiras galáxias de disco "mortas" devem ter sofrido algumas mudanças. Não só mudaram de estrutura, mas também de movimentos das suas estrelas a fim de esculpir uma forma de galáxia elíptica.
Esta impressão de artista mostra o possível aspeto da jovem e morta galáxia de disco MACS2129-1, à direita, em comparação com a nossa Via Láctea, à esquerda. Apesar de três vezes mais massiva, tem apenas metade do tamanho. MACS2129-1 também gira a mais do dobro da velocidade da Via Láctea. Note que as regiões da Via Láctea são azuis devido à "explosão" de formação estelar, enquanto a jovem galáxia morta é amarela, o que significa uma popular estelar mais velha e nenhuma formação estelar recente.Crédito: NASA, ESA e Z. Levy (STScI)
"Esta nova visão pode obrigar-nos a repensar todo o contexto cosmológico de como as galáxias chegam depressa à 'velhice' e evoluem para galáxias locais de forma elíptica," afirma Sune Toft, líder do estudo e do Centro de Cosmologia Escura do Instituto Neils Bohr, Universidade de Copenhaga, Dinamarca. "Talvez estivéssemos cegos ao facto de que as primeiras galáxias 'mortas' pudessem ser realmente discos, simplesmente porque não as conseguíamos observar."
Os estudos anteriores de distantes galáxias mortas assumiram que a sua estrutura é semelhante à das galáxias elípticas locais para qual evoluem. Em princípio, a confirmação desta suposição exige telescópios espaciais mais poderosos do que os disponíveis atualmente. No entanto, através de um fenómeno chamado "lente gravitacional," um massivo enxame galáctico no plano da frente atua como uma "lente" no espaço para ampliar e esticar imagens de galáxias de fundo muito mais distantes. Ao juntar esta lente natural com o poder de resolução do Hubble, os cientistas foram capazes de ver o centro da galáxia moribunda.
A galáxia remota tem três vezes a massa da Via Láctea, mas apenas metade do tamanho. As medições da velocidade de rotação, feitas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, mostraram que a galáxia de disco gira a mais do dobro da velocidade da Via Láctea.
Usando dados de arquivo do CLASH (Cluster Lensing And Supernova survey with Hubble), Toft e a sua equipa foram capazes de determinar a massa estelar, a taxa de formação estelar e as idades das estrelas.
Ainda não se sabe porque é que esta galáxia parou de fabricar estrelas. Poderá ser o resultado de um núcleo galáctico ativo, onde a energia brota de um buraco negro supermassivo. Esta energia inibe a formação estelar ao aquecer o gás ou ao expulsá-lo da galáxia. Ou poderá ser o resultado do fluxo de gás frio para a galáxia, que é rapidamente comprimido e aquecido, impedindo com que arrefeça e produza nuvens de formação estelar no centro.
Mas como é que estes discos jovens, compactos e massivos evoluem para as galáxias elípticas que vemos no Universo atual? "Provavelmente através de fusões," comenta Toft. "Se estas galáxias crescem através de fusões com companheiras mais pequenas, e estas companheiras surgem em grande número e de muitos ângulos na direção da galáxia, isto acabaria por aleatorizar as órbitas das estrelas nas galáxias. Também podemos pensar nas grandes fusões galácticas. Definitivamente também destruiriam o movimento ordenado das estrelas."
Os resultados foram publicados na edição de 22 de junho da revista Nature. Toft e a equipa esperam usar o Telescópio Espacial James Webb da NASA para procurar uma amostra maior destas galáxias.
Fonte: Astronomia OnLine
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