1 de ago de 2017

Estranhos sinais detectados da estrela Ross 128

A Ross 128 é uma das anãs-vermelhas que a equipe vinha observando em busca de planetas. [Imagem: PHL@UPR Arecibo/Aladin Sky Atlas]
Sinais
Radioastrônomos identificaram "sinais muito peculiares" emitidos pela estrela Ross 128, uma pequena anã-vermelha localizada na Constelação da Virgem, a cerca de 11 anos-luz da Terra.
Esta estrela já havia sido alvo de pesquisas por parte do SETI (Instituto de Busca por Inteligências Extraterrestres), mas nenhuma anomalia digna de nota havia sido observada.
Contudo, no dia 12 de Maio, quando Abel Mendez (Universidade de Porto Rico) e Jorge Zuluaga (Universidade de Antioquia) usavam o radiotelescópio de Arecibo para estudar a atividade típica das estrelas - e eventualmente encontrar variações em seu ambiente radiativo e magnético que indicassem a presença de planetas - eles se depararam com um sinal muito diferente de tudo o que já havia sido visto.
"Os sinais consistiam em pulsos de banda larga quase periódicos e sem polarização, com características de dispersão muito fortes. Nós acreditamos que os sinais não são interferências locais de radiofrequência (RFI), uma vez que eles são exclusivos da Ross 128 e as observações de outras estrelas imediatamente antes e depois não mostraram nada semelhante," escreveu Mendez em seu blog no site da universidade.
A equipe imediatamente convocou outros astrônomos, para que outros radiotelescópios pudessem checar o sinal. Isso, claro, incluiu o próprio SETI. Até agora, oito radiotelescópios já se juntaram à busca, embora o sinal possa ser fraco demais para a maioria deles.
Alienígenas ou novo fenômeno físico?
A equipe afirma que a chance de que os sinais sejam emitidos por alguma civilização alienígena está no fim da sua lista de hipóteses para explicar o "estranho sinal".
"Nós não sabemos a origem desses sinais, mas existem três explicações possíveis principais: eles podem ser (1) emissões da Ross 128 semelhantes a erupções solares do tipo II, (2) emissões de outro objeto no campo de visão da Ross 128, ou apenas (3) emissões de um satélite em órbita alta, uma vez que os satélites de órbita baixa se deslocam rapidamente para fora do campo de visão. Os sinais são provavelmente muito fracos para outros radiotelescópios no mundo e o FAST está atualmente em calibração," escreveu Mendez, referindo-se ao maior radiotelescópio do mundo, em fase de testes na China.
Mas o astrônomo prossegue esclarecendo que cada uma dessas três explicações tem seus próprios problemas, o que virtualmente deixa a origem dos sinais da Ross 128 em aberto.
"Por exemplo, as erupções solares de tipo II ocorrem em frequências muito mais baixas e a dispersão sugere uma fonte muito maior ou um campo de elétrons denso (por exemplo, a atmosfera estelar?). Além disso, não há muitos objetos próximos no campo de visão da Ross 128 e nunca vimos satélites emitirem disparos como esse, [e as emissões de satélites] eram comuns em nossas outras observações estelares. No caso de você se perguntar, a hipótese recorrente de alienígenas está abaixo de muitas outras explicações melhores," escreveu Mendez.
Como todo novo fenômeno, no entanto, é bastante provável que a explicação mais razoável para o evento não esteja na lista compilada pelos astrônomos.
A equipe já realizou uma nova etapa de observações usando os oito radiotelescópios agora envolvidos no estudo, e promete anunciar os resultados nos próximos dias.
Fonte: Inovação Tecnológica

Astrônomos podem ter encontrado primeira exolua


Possibilidade
Uma equipe de astrônomos pode ter descoberto a primeira exolua - uma lua fora do Sistema Solar.
Os sinais da possível lua foram registrados pelo telescópio espacial Kepler. Agora os astrônomos planejam usar o Hubble, em outubro, para realizar mais observações e confirmar a hipótese.
Se a descoberta for confirmada, a exolua teria o tamanho e a massa de Netuno e poderia orbitar um planeta grande como Júpiter, mas com 10 vezes sua massa. Todas as alegações anteriores de descobertas de luas fora do Sistema Solar foram posteriormente desmentidas por observações posteriores.
O candidato a lua é conhecido como Kepler-1625b I e foi observado em um sistema situado a quatro mil anos-luz da Terra.
Exoplanetas e exoluas
Até hoje, os astrônomos já descobriram mais de 3.000 exoplanetas - planetas que orbitam estrelas diferentes do Sol, mas nenhum satélite natural deles foi confirmado.
A caça às exoluas - que orbitariam esses planetas distantes - prosseguiu em paralelo. Mas, até agora, não foram detectados satélites extrassolares dadas as limitações da tecnologia atual.
"A gente poderia descrever, por enquanto, simplesmente como algo consistente com uma lua, mas, de repente, pode ser outra coisa", afirmou David Kipping, professor assistente de astronomia da Universidade de Columbia em Nova York, que afirma que passou "a maior parte de sua vida adulta" à procura de exoluas.
Trânsito
O telescópio espacial Kepler busca por planetas procurando pequenas oscilações no brilho das estrelas que ocorrem quando um planeta passa em frente a ela - evento conhecido como "trânsito". Para encontrar as exoluas, os pesquisadores observam a redução da luminosidade das estrelas antes e depois deste fenômeno.
O sinal promissor foi registrado durante três trânsitos - menos do que os astrônomos gostariam para anunciar com segurança uma descoberta.
A pesquisa atribuiu um nível de confiança "quatro sigmas" ao sinal registrado. O nível de confiança descreve o quão improvável é que um resultado experimental seja simplesmente um acaso. Se você pensar no jogo de cara ou coroa, seria o equivalente a tirar 15 caras seguidas.
Mas, segundo Kipping, essa não seria a melhor maneira de avaliar a potencial descoberta: "Estamos entusiasmados... estatisticamente, formalmente, é uma probabilidade muito alta. Mas nós confiamos realmente nas estatísticas? Isso é algo não quantificável. Até que a gente obtenha as observações do Hubble, seria 50% de chance, na minha opinião."
Fonte: Inovação Tecnológica

Nova maneira de enxergar a gravidade pode ser uma alternativa ao paradigma da matéria escura

A matéria escura é praticamente uma unanimidade entre a comunidade científica. Mas unanimidades também podem estar erradas. Por milênios, nós, humanos, tínhamos uma crença muito firme. Acreditávamos que nosso planeta, a Terra, estava no centro de um vasto universo, e todos os planetas, estrelas e os corpos celestes giravam em torno de nós. Este modelo geocêntrico, apesar de ter sido considerado desde o século 6 aC, foi escrito por Claudius Ptolomeu em 140 dC. Quando esse modelo encontrou problemas, como os movimentos retrógrados dos planetas, os cientistas trabalharam novamente os dados para se adequarem ao modelo, criando fenômenos como epiciclos.  Somente em 1543, 1400 anos depois, Nicolau Copérnico desencadeou uma mudança de paradigma que daria lugar a séculos de novas descobertas. De acordo com a teoria radical de Copérnico, a Terra não era o centro do universo, mas simplesmente um de uma longa lista de planetas orbitando ao redor do sol. Mas mesmo com as evidências de que vivemos em um sistema heliocêntrico e cientistas como Galileo Galilei aperfeiçoando o modelo, a sociedade sustentou a crença de que todo o universo orbitava em torno da Terra até o início do século 19.  Para Erik Verlinde, físico teórico da Universidade de Amsterdã, a ideia de matéria escura é o modelo geocêntrico do século 21. “O que as pessoas estão fazendo agora é permitir-se parâmetros livres para se adequarem aos dados”, diz Verlinde. “Você acaba com uma teoria que tem tantos parâmetros livres que é difícil de refutar”.

Gravidade como resultado da estrutura quântica do espaço

matéria escura, uma forma de matéria ainda não detectada que os cientistas acreditam que compõe mais de um quarto da massa e da energia do universo, foi primeiramente teorizada quando os cientistas notaram que as estrelas nas bordas externas das galáxias e dos aglomerados de galáxias estavam se movendo muito mais rápido do que a teoria da gravidade de Newton dizia que elas deveriam. Até agora, os cientistas assumiam que a melhor explicação para isso é que deve haver massa faltante no universo que manteria essas estrelas em movimento rápido na forma de matéria escura.
Mas Verlinde apresentou um conjunto de equações que explica essas curvas de rotação galáctica através da observação da gravidade como uma força emergente – um resultado da estrutura quântica do espaço.
A ideia está relacionada à energia escura, que os cientistas pensam ser a causa da aceleração da expansão do nosso universo. Verlinde acredita que o que vemos como matéria escura na verdade são apenas interações entre galáxias e o mar de energia escura em que elas estão incorporadas. 
Antes de começar a trabalhar nisso, nunca tive dúvidas sobre a matéria escura”, diz Verlinde. “Mas, então, comecei a pensar nesta conexão com a informação quântica e tive a ideia de que a energia escura está transportando mais da dinâmica da realidade do que percebemos”.
Verlinde não é o primeiro teórico a apresentar uma alternativa à matéria escura. Muitos acham que sua teoria ecoa o sentimento das equações do físico Mordehai Milgrom da “dinâmica Newtoniana modificada”, ou MOND. Assim como Einstein modificou as leis de gravidade de Newton para caber na escala de planetas e sistemas solares, a MOND modifica as leis da gravidade de Einstein para se ajustarem à escala de galáxias e aglomerados de galáxias.
Verlinde, no entanto, faz a distinção de que ele não está derivando as equações de MOND, em vez disso ele está derivando o que ele chama de “relação de escala”, ou um efeito de volume do espaço-tempo que só se torna importante a grandes distâncias.
Stacy McGaugh, astrofísico da Case Western Reserve University, nos EUA, diz que, enquanto a MOND é principalmente a noção de que a força efetiva da gravidade muda com a aceleração, as ideias de Verlinde são mais um trabalho teórico.
“Ele está tentando olhar a estrutura do espaço-tempo e ver se o que chamamos de gravidade é uma propriedade que emerge dessa estrutura quântica, daí o nome da gravidade emergente”, diz McGaugh. “Em princípio, é uma abordagem muito diferente que não necessariamente leva em consideração a MOND ou tem algo a ver com isso”.
Uma das coisas atraentes da teoria de Verlinde, diz McGaugh, é que naturalmente produz evidências de MOND de uma maneira que “simplesmente acontece”. “Esse é o tipo de coisa que se procura”, aponta. “Deve haver alguma base para que a MOND aconteça, e essa teoria pode fornecer isso”.

Ceticismo entre os pares

As ideias de Verlinde foram recebidas com bastante ceticismo na comunidade científica, em parte porque, de acordo com Kathryn Zurek, física teórica do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, do Departamento de Energia dos EUA, sua teoria deixa muitas coisas sem explicações.
“As teorias da gravidade modificada apenas tentam explicar as curvas de rotação galáctica [esses planetas em rápido movimento]”, diz Zurek. “Como evidência de matéria escura, essa é apenas uma parte muito pequena do quebra-cabeça. A matéria escura explica toda uma série de observações desde o tempo das microondas cósmicas de fundo, quando o universo tinha apenas alguns centenas de milhares de anos, através da formação de estruturas até hoje”.
Zurek diz que, para que os cientistas comecem a dar peso às suas reivindicações, Verlinde precisa desenvolver argumentos em torno de sua teoria e mostrar que ela acomoda uma ampla gama de observações.
“Deve-se sempre ‘cutucar’ o paradigma”, diz Zurek, “embora o paradigma da matéria escura tenha sido extremamente bem-sucedido, você sempre quer verificar seus pressupostos e certificar-se de que não está faltando algo que poderia ser a ponta do Iceberg”, sugere.
McGaugh teve uma crise de fé semelhante na matéria escura quando estava trabalhando em uma experiência em que as previsões da MOND eram as únicas que se tornaram realidade em seus dados. Ele estava fazendo observações de galáxias de brilho superficial, nas quais as estrelas se espalham mais do que em galáxias como a Via Láctea, onde as estrelas estão localizadas relativamente próximas umas das outras.
McGaugh diz que seus resultados não faziam sentido para ele no contexto padrão da matéria escura, e descobriu-se que as propriedades que estavam confundindo ele já haviam sido preditas pelas equações MOND de Milgrom em 1983, antes que as pessoas tivessem começado a levar a sério a ideia de galáxias de brilho superficial.
Embora a experiência de McGaugh o tenha feito questionar a existência de matéria escura e, em vez disso, defender a MOND, outros não foram tão rápidos em se juntar à causa.
“Subscrevemos um paradigma particular e a maior parte do nosso pensamento está limitado nos limites desse paradigma e, portanto, se encontrarmos uma situação em que exista uma mudança de paradigma, é realmente difícil pensar fora dessa caixa”, diz ele. “Mesmo que tenhamos regras para o jogo quanto a quando você deveria mudar de ideia e nós, em princípio, tentamos seguir isso, na prática há algumas mudanças de mentalidade tão grandes que simplesmente não podemos superar a nossa natureza humana”, tenta explicar.

Algo errado com as teorias da gravidade?

McGaugh diz que muitos de seus colegas acreditam que há tantas evidências de matéria escura que é uma perda de tempo considerar quaisquer alternativas. Mas ele acredita que todas as evidências da matéria escura podem ser uma indicação de que há algo errado com nossas teorias da gravidade.
“Eu meio que me preocupo que estejamos nos dirigindo a mais mil anos de epiciclos escuros”, diz McGaugh.
Mas, de acordo com Zurek, se a MOND estivesse perto das evidências que foram acumuladas pelo paradigma da matéria escura, as pessoas estariam reunidas em torno dela. O problema, ela diz, é que, no momento, a MOND não está nem perto de passar pela quantidade de testes que a matéria escura passou. Ela acrescenta que existem alguns físicos que argumentam que o paradigma de matéria escura pode, de fato, explicar essas observações sobre galáxias de brilho superficial.
Recentemente, a Case Western realizou uma oficina em que se reuniram representantes de diferentes comunidades, incluindo aqueles que trabalham em modelos de matéria escura, para discutir galáxias anãs e o efeito de campo externo, que é a noção de que objetos de muito baixa densidade serão afetados pelo que está em volta eles. A MOND prevê que a dinâmica de uma pequena galáxia satélite dependerá de sua proximidade com seu hospedeiro gigante de uma maneira que não acontece com a matéria escura.
McGaugh diz que na oficina havia um grupo de pessoas mais filosoficamente inclinadas que usam um conjunto de regras para julgar as teorias, que eles compilaram ao analisar como as teorias se desenvolveram no passado.
“Uma das coisas interessantes que surgiram foi que a MOND está melhorando nesse cartão de pontuação”, diz ele. “É mais progressiva no sentido de que está fazendo previsões bem-sucedidas para novos fenômenos, enquanto no caso da matéria escura tivemos que invocar repetidamente correções ad hoc ( algo com o objetivo de legitimar uma teoria, e não em decorrência de uma compreensão objetiva e isenta da realidade) para corrigir as coisas”.
As ideias de Verlinde, no entanto, não surgiram muito na oficina. Enquanto McGaugh diz que as duas teorias são tão intimamente relacionadas que esperava que as mesmas pessoas que buscam a MOND estariam interessadas na teoria de Verlinde, ele acrescentou que nem todos compartilham essa atitude. Muitos aguardam mais desenvolvimento teórico e outros testes observacionais.
“A teoria precisa fazer uma previsão clara para que possamos elaborar um programa para testá-la”, diz ele. “Precisa ser desenvolvida para ir além de onde estamos agora”.
Verlinde diz que ele percebe que ainda precisa desenvolver mais suas ideias e estendê-las para explicar coisas como a formação de galáxias e aglomerados de galáxias. Embora ele tenha trabalhado principalmente nesta teoria por conta própria, ele reconhece a importância de construir uma comunidade em torno de suas ideias.
Ao longo dos últimos meses, ele tem feito apresentações em diferentes universidades americanas, incluindo Princeton, Harvard, Berkeley, Stanford e Caltech. Atualmente, existe uma grande comunidade de pessoas que trabalham em ideias de informação quântica e gravidade, diz ele, e seu objetivo principal é conseguir que mais pessoas, em particular teóricos de cordas, comecem a pensar em suas ideias para ajudá-lo a melhorá-las.
“Eu acho que quando entendermos a gravidade melhor e usarmos essas equações para descrever a evolução do universo, poderemos responder as perguntas mais precisamente sobre como o universo começou”, diz Verlinde. “Eu realmente acho que a descrição atual é apenas uma parte da história e há uma maneira muito mais profunda de entendê-la – talvez uma maneira ainda mais bonita”. 
Fonte: Hypescience.com

Os cometas grandes e distantes são mais comuns do que se pensava

Esta ilustração mostra como os cientistas usaram dados da nave WISE da NASA para determinar os tamanhos dos núcleos dos cometas. Subtraíram um modelo de como a poeira e o gás se comportam em cometas com o objetivo de obter o tamanho do núcleo.Crédito: NASA/JPL-Caltech

Os cometas que levam mais de 200 anos para completar uma translação em torno do Sol são manifestamente difíceis de estudar. Dado que passam a maior parte do seu tempo nas zonas mais remotas do Sistema Solar, muitos dos cometas de "longo período" nunca se aproximam do Sol durante a vida de um ser humano. Na verdade, aqueles que viajam para dentro, oriundos da Nuvem de Oort - um grupo de corpos gelados a cerca de 300 mil milhões de quilómetros do Sol - podem ter períodos de centenas ou até milhões de anos.
A nave WISE da NASA, examinando todo o céu em comprimentos de onda infravermelhos, forneceu novas informações sobre esses viajantes distantes. Os cientistas descobriram que existem cerca de sete vezes mais cometas de longo período, medindo pelo menos 1 km de tamanho, do que se havia previsto anteriormente. Também descobriram que os cometas de longo período são, em média, até duas vezes maiores do que os "cometas da família de Júpiter", cujas órbitas são moldadas pela gravidade de Júpiter e têm períodos inferiores a 20 anos.
Os investigadores também observaram que, em oito meses, passaram pelo Sol três a cinco vezes mais cometas de longo período do que havia sido previsto. Os achados foram publicados na revista The Astronomical Journal.
"O número de cometas está relacionado com a quantidade de material que restou da formação do Sistema Solar," afirma James Bauer, autor principal do estudo e agora professor de investigação da Universidade de Maryland em College Park, EUA. "Nós agora sabemos que existem mais pedaços relativamente grandes de material antigo, provenientes da nuvem de Oort, do que pensávamos."

Animação de um cometa.
Crédito: NASA/JPL-Caltech


A Nuvem de Oort está demasiado distante para ser observada pelos telescópios atuais, mas pensa-se que seja uma distribuição esférica de pequenos corpos gelados nas extremidades do Sistema Solar. A densidade dos cometas no seu interior é baixa, de modo que a probabilidade de aí colidirem é também muito baixa. Os cometas de longo período que o WISE observou provavelmente foram expulsos da Nuvem de Oort há milhões de anos. As observações foram realizadas durante a missão principal da nave, antes de mudar de nome para NEOWISE e ser reativada para ter como alvo os objetos próximos da Terra.
"O nosso estudo é um olhar raro sobre objetos perturbados na Nuvem de Oort," comenta Amy Mainzer, coautora do estudo no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, e investigadora principal da missão NEOWISE. "São os objetos mais pristinos do que era o Sistema Solar quando este se formou."
Os astrónomos já tinham estimativas mais amplas de quantos cometas de longo período e de quantos cometas da família de Júpiter existiam no nosso Sistema Solar, mas não tinham uma boa maneira de medir os tamanhos dos cometas de longo período. Isto porque um cometa tem uma "coma" ou cabeleira, uma nuvem de gás e poeira que aparece nublada em imagens e obscurece o núcleo cometário. Mas usando os dados WISE, que mostram o brilho infravermelho desta cabeleira, os cientistas foram capazes de "subtrair" a cabeleira do cometa e estimar os tamanhos dos núcleos destes cometas. Os dados pertencem a observações do WISE, de 2010, de 95 cometas da família de Júpiter e de 56 cometas de longo período.
Os resultados reforçam a ideia de que os cometas que passam mais frequentemente pelo Sol tendem a ser mais pequenos do que aqueles que passam muito mais tempo longe da nossa estrela-mãe. Isto porque os cometas da família de Júpiter recebem mais exposição ao calor, o que faz com que substâncias voláteis, como a água, sublimem e arrastem outro material para longe da superfície do cometa.
"Isto significa que há uma diferença evolutiva entre os cometas da família de Júpiter e os cometas de longo período," comenta Bauer.
A existência de bastantes mais cometas de longo período do que o previsto sugere que um maior número deles provavelmente colidiu com planetas, fornecendo materiais gelados dos confins do Sistema Solar.
Os investigadores também encontraram agrupamentos nas órbitas dos cometas de longo período que estudaram, sugerindo a existência de corpos maiores que se separaram para formar estes grupos.
Os resultados serão importantes para avaliar a probabilidade de cometas impactarem os planetas do nosso Sistema Solar, incluindo a Terra.
"Os cometas viajam muito mais depressa do que os asteroides, e alguns são muito grandes," acrescenta Mainzer. "Estudos como este vão ajudar-nos a definir o tipo de perigo que os cometas de longo período podem representar."
Fonte: Astronomia OnLine

A história de três cidades estelares

A partir de nova observações obtidas com o Telescópio de Rastreio do VLT do ESO, astrônomos descobriram três populações distintas de estrelas bebês no Aglomerado da Nebulosa de Orion. Esta descoberta inesperada ajuda a compreender melhor como é que se formam este tipo de aglomerados, sugerindo que a formação estelar pode acontecer em surtos, onde cada um ocorre numa escala de tempo muito mais rápida do que se pensava anteriormente.
OmegaCAM — a câmera de grande angular óptica montada no Telescópio de Rastreio do VLT do ESO (VST) — capturou de forma detalhada a Nebulosa de Orion e o seu aglomerado associado de estrelas jovens, dando origem a esta imagem. Este objeto é uma das maternidades estelares mais próximas de nós, onde nascem tanto estrelas de grande como de pequena massa, situada a cerca de 1350 anos-luz de distância.

Esta imagem é mais do que apenas uma fotografia bonita. Uma equipe de astrônomos, liderada pelo astrônomo do ESO Giacomo Beccari, usou estes dados de qualidade sem precedentes para medir de forma precisa o brilho e as cores de todas as estrelas do aglomerado da Nebulosa de Orion. Estas medições permitiram aos astrônomos determinar a massa e idade das estrelas. Surpreendentemente, os dados revelaram três sequências de potenciais idades diferentes.

Ao analisar pela primeira vez os dados, ficamos bastante surpreendidos,” disse Beccari, o autor principal do artigo científico que apresenta estes resultados. “A excelente qualidade das imagens OmegaCAM revelou sem sombra de dúvidas que estamos a observar três populações estelares distintas nas regiões centrais de Orion.

Monika Petr-Gotzens, co-autora do artigo, e que também trabalha no ESO em Garching, explicou, “Este resultado é extremamente significativo. O que estamos vendo é que, neste aglomerado, as estrelas na fase inicial das suas vidas não se formaram todas em simultâneo, o que quer dizer que o nosso conhecimento relativa à formação de estrelas em aglomerados pode ter que ser modificado.”

Os astrônomos investigaram cuidadosamente a possibilidade dos diferentes brilhos e cores de algumas das estrelas terem origem em estrelas companheiras escondidas, em vez de indicarem idades diferentes, o que faria com que as estrelas parecessem mais brilhantes e vermelhas do que o são na realidade. No entanto, esta explicação implicaria a existência de propriedades bastante diferentes desses pares, propriedades que nunca foram observadas anteriormente. Outras medições das estrelas, tais como velocidades de rotação e espectros, apontam também para que as suas idades sejam diferentes.

Embora não possamos ainda refutar formalmente a possibilidade destas estrelas serem binárias, parece muito mais natural aceitar que estamos observando três gerações de estrelas que se formaram em sucessão durante um intervalo de tempo de cerca de 3 milhões de anos,” concluiu Beccari.

Os novos resultados sugerem fortemente que a formação estelar no aglomerado da Nebulosa de Orion ocorre em surtos e mais rapidamente do que se pensava anteriormente.
Fonte: ESO

Eclipse solar e lunar é tema de próxima sessão do FTD Digital Arena

 Evento será realizado no dia 05 de agosto e explicará como ocorrem os eclipses
Esclarecer dúvidas e curiosidades sobre os eclipses lunares e solares e sobre o Sistema Terra, Sol e Lua é o principal objetivo da próxima atividade do FTD Digital Arena, que acontecerá no próximo dia 05 de agosto. A atividade, orientada pelo físico e professor de astronomia, João Carlos de Oliveira, será realizada às 16h e explicará cientificamente como acontecem estes fenômenos.

No dia, o especialista trará mais informações sobre o eclipse lunar penumbral, que poderá ser acompanhado no céu no dia 07 de agosto de qualquer parte não iluminada da Terra, e que não será visível do Brasil. E sobre o eclipse solar, que acontecerá aproximadamente duas semanas após e será visível em sua totalidade nos Estados Unidos e oceano Atlântico. No Brasil, as regiões Norte e Nordeste, poderão acompanhar esse eclipse em sua fase parcial. Para o professor, acompanhar o movimento da Lua ao longo do ano, em seu maior ou menor afastamento do planeta Terra e também suas diferentes fases é uma atividade gratificante. “São nos eclipses que nosso deslumbramento com a Lua e também com o Sol chega ao máximo”, explica.

Além desta apresentação, o FTD Digital Arena também terá uma sessão às 14h, sobre “As Fronteiras do Sistema Solar”. Às 15h será exibido o filme “Kaluoka’Hina – O Recife Encantado”.

Sobre o FTD Digital Arena
O FTD Digital Arena, localizado na PUCPR com entrada pelo Portão 1, é um planetário com tecnologias de um cinema digital de alta definição, tendo uma cúpula em formato semiesférico e sistema de projetores digitais.

Serviço: Atividades no Planetário
Data: 05/08 - sábado
As Fronteiras do Sistema Solar
Horário: às 14h.
Apresentação filme fulldome 360° Kaluoka’hina – O Recife Encantado
Horário: às 15h.
Sistema Terra-Lua – Como ocorrem os eclipses
Horário: às 16h.
Local: FTD Digital Arena (Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho – Portão 1 da PUCPR).
Informações: 3271 -6322 | www.ftddigitalarena.com.br.
Valor: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia-entrada) | Condições especiais para pacote família.
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