4 de set de 2017

De microondas para megamasers

Os fenômenos que acontecem no universo emitem radiação em todo o espectro eletromagnético, desde os raios-gamma de alta energia, que são emitidos pelos eventos mais energéticos do cosmos até as ondas de rádio e micro-ondas de menor energia.
As micro-ondas, a mesma radiação que esquenta o seu jantar, são produzidas por uma grande quantidade de fontes astrofísicas, incluindo fortes emissores como os masers (lasers de micro-ondas), e até mesmo por emissores mais fortes ainda que levam o nome de megamasers e pelo centro de algumas galáxias. Os centros galácticos especialmente intensos e luminosos são conhecidos como núcleo ativos de galáxias. 
Eles são intensos assim pois são energizados por buracos negros supermassivos que estão num voraz processo de alimentação, sugando o material ao redor, porém parte desse material que não cai no buraco negro é ejetado como jatos e radiação. As duas galáxias mostradas nessa imagem foram fotografadas pelo Telescópio Espacial Hubble, e são denominadas de MCG+01-38-004 (a superior, avermelhada) e a MCG+01-38-005 (a inferior e azulada). A MCG+01-38-005 é um tipo especial de megamaser, o núcleo ativo da galáxia está bombeando para fora uma grande quantidade de energia, o que estimula nuvens de água ao redor. 
Os átomos que constituem a água, de hidrogênio e oxigênio, são capazes de absorver parte dessa energia e reemitir em um comprimento de onda específico, um dos quais cai dentro do regime de micro-ondas. A MGC+01-38-005 é então conhecida como megamaser de água.
Os astrônomos podem usar esses objetos para pesquisar as propriedades fundamentais do universo. As emissões de micro-ondas da MGC+01-38-005 foram usadas para calcular um valor refinado para a constante de Hubble, uma medida de quão rápido o universo está se expandindo. Essa constante tem esse nome em homenagem ao astrônomos que fez as observações responsáveis pela descoberta da expansão do universo, e que depois também foi homenageado dando nome ao telescópio espacial Hubble, Edwin Hubble.

Mistério testemunhado no céu no século 15 é resolvido por astrônomos

O que pareceu ser uma nova estrela surgiu nos céus em 11 de março de 1437. O recém-chegado astro galáctico foi testemunhado por astrônomos reais coreanos e pelas poucas pessoas que tomaram notas sobre as estrelas no início do século 15. Eles gravaram o local dela no céu noturno e relataram que, 14 dias depois, ela desapareceu de seu lugar na constelação de Escorpião.

O mais curioso é que ela desapareceu muito rápido para ser uma supernova, ou para ter morrido em uma explosão de fogo. Em vez disso, os astrônomos coreanos descobriram o que é chamado de Nova Clássica. As estrelas não precisam perecer para produzir eventos explosivos.
Durante uma Nova, uma estrela anã branca suga hidrogênio de uma estrela vizinha, se cobrindo de uma camada de gás roubado. A pressão se transforma em um evento cataclísmico. Em 1437, esta anã ejetou sua concha de hidrogênio em um flash tão brilhante que pôde ser visto de Escorpião até Seul.
Quase 600 anos depois, a Nova não é mais 300 mil vezes mais brilhante do que o sol. Mas ainda mantém a atenção dos astrônomos. Michael Shara, astrofísico do Museu Americano de História Natural, busca por essa antiga Nova há quase três décadas.
As interpretações modernas dos mapas coreanos indicaram que a Nova estava entre duas estrelas particulares na cauda de Escorpião. Então, o astrofísico observou. “Eu usei todas as ferramentas e técnicas que os astrônomos desenvolveram”, diz Shara, “e fiquei completamente com as mãos vazias”.
Mas, ao mudar o campo de busca para o próximo par de estrelas de Escorpião, ele encontrou os restos da erupção – a anã branca e sua concha em erupção – dentro de 90 minutos. “Estava parada ali, olhando para mim o tempo todo”, diz ele. Shara afirma que sentiu uma onda de emoções conflitantes. “Eu estava simultaneamente dançando ao redor do escritório”, e, porque ela estava tão perto por tanto tempo, “me golpeando na cabeça, dizendo, ‘Droga'”.
Na década de 1980, Shara havia predito que as Novas, sistemas parecidos com Novas e Novas anãs eram as mesmas estrelas em diferentes estágios de um ciclo de erupção. Esta estrela, ele disse, oferece evidências disso.
“Assim como lagartas e borboletas são diferentes estágios de desenvolvimento de um organismo, as hibernações e erupções desses sistemas de estrelas binárias são cíclicas”, aponta..
Uma estrela anã branca reúne o hidrogênio de sua vizinha por 100.000 anos, entra em erupção, permanece em hibernação, atravessa um estágio anã-nova – e faz tudo de novo, possivelmente por um bilhão de anos. A anã branca, que tão dramaticamente derramou sua pele de hidrogênio em 1437, fará isso novamente. 
Fonte: HypeScience.com

Supernovas misteriosas

Como fogos de artifício iluminando o céu durante as comemorações de ano novo, os majestosos braços espirais da NGC 5559 são iluminados com novas estrelas que estão nascendo. A NGC 5559 é uma galáxia espiral, com braços preenchidos por gás e poeira que circundam um brilhante bulbo central galáctico. Esses braços são considerados um ambiente rico para a formação de estrelas, pontilhados com um festivo conjunto de cores, incluindo estrelas recém-nascidas que brilham com tonalidade azulada como resultado da grande temperatura que ainda preservam. A NGC 5559 foi descoberta pelo astrônomo William Herschel em 1785 e localiza-se a aproximadamente 240 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação de Boötes. 

Em 2001, uma supernova rica em cálcio chamada de 2001co foi observada na NGC 5559. As supernovas ricas em cálcio, ou também chamadas de Ca-rich SNe, são descritas como rápidas e apagadas, já que elas são menos luminosas que os outros tipos de supernovas e também se desenvolvem muito rapidamente, além de revelar o espectro dominado pela forte linha de cálcio. A 2001co ocorreu dentro do disco da NGC 559 perto das regiões de formação de estrelas, mas as Ca-rich SNe são normalmente observadas em grandes distâncias o que traz questões curiosas sobre suas progenitoras.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...