21 de nov de 2017

Cientistas não sabem por que tanta antimatéria está nos atingindo

Cientistas estão tentando descobrir por que tantas partículas de antimatéria estão atingindo a Terra. Uma equipe de pesquisadores internacionais analisou recentemente resultados do Observatório Cherenkov de Raios Gama (HAWC), no México, para testar a hipótese de que o excesso de antimatéria poderia estar vindo dos pulsares, estrelas de nêutrons que canalizam as partículas carregadas para um feixe com seus campos magnéticos super fortes.

Já sabemos que elas nos atingem e até já temos uma teoria do porquê – os astrônomos acreditam que elas chegam até nós vindos dos pulsares. A questão é que há mais dessas partículas nos atingindo do que deveriam – em 2008, uma sondagem na órbita da Terra descobriu que mais dessas partículas de alta energia estão nos atingindo do que esperávamos.

Estes “anti-elétrons” são chamados de pósitrons e o novo estudo nos dá algumas respostas sobre eles – embora não sejam exatamente aquelas que os cientistas estavam esperando. Os raios cósmicos são partículas incrivelmente rápidas que são atiradas no espaço pela força de energias muito altas. Os pósitrons compõem uma pequena parte dessas partículas super rápidas, mas ninguém sabe com certeza de onde eles vêm ou como eles são criados.

Os pulsares funcionam como aceleradores de partículas gigantes para a poeira e as partículas que ficam em volta deles, juntando as partículas e produzindo matéria. A teoria diz que, em meio ao caos de partículas, elétrons e os seus gêmeos da anti-matéria podem surgir e ser levados pelas ondas de choque produzidas pelas colisões.

Surpresa

O observatório HAWC detectou recentemente um par de pulsares que podem ser candidatos perfeitos a fontes de pósitrons. Os dois estão a poucas centenas de anos-luz de distância de nós. “Detectores do observatório HAWC gravam a radiação gama emitida, entre outros, por uma certa população de elétrons produzidos por pulsares e acelerada por eles para grandes energias”, diz o físico Francisco Salesa Greus, da Academia Polonesa das Ciências, em Cracóvia. “A questão básica era: há bastante desses elétrons interagindo para produzir o número certo de pósitrons?”. E a resposta é não.

Após 17 meses colhendo dados e, depois, analisando-os minuciosamente, os pesquisadores descobriram que os pulsares eram responsáveis ​​por alguns dos pósitrons de energia extra alta, mas o número ainda era pequeno demais para explicar todos eles. Embora seja uma decepção para os cientistas que uma de suas teorias esteja errada, isso pode abrir outras possibilidades. “Uma vez que o envolvimento dos pulsares na geração de pósitrons de alta energia que nos atingem é tão modesto, outras explicações tornam-se cada vez mais prováveis”, diz Sabrina Casanova, também pesquisadora do Instituto de Física Nuclear da Academia Polonesa de Ciências.

Uma dessas explicações envolve a decadência de partículas maciças de matéria escura. É uma ideia tentadora para os pesquisadores, especialmente porque proporcionaria uma maneira de entender um pouco mais este material intrigante que constitui um quarto da massa do Universo.


Mas, por enquanto, essa também é apenas outra possibilidade. O mistério permanece.

Fluxos que aparecem na superfície de Marte podem ser apenas de areia, e não de água, como se pensava

Estudo fez nova análise de dados que antes alimentaram a ideia de que poderia haver líquido escorrendo de encostas no Planeta Vermelho durante as épocas mais quentes.
Uma nova interpretação de dados obtidos em 2011 pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) concluiu que o que inicialmente foi considerado como sendo "rios" em Marte pode ser, na realidade, correntes de ar carregadas de areia, informou a Nasa, a agência espacial americana.
"As marcas escuras em Marte, anteriormente consideradas como uma prova de correntes de água na superfície do planeta, foram interpretadas por uma nova pesquisa como fluxos granulares, nos quais grãos de areia e pó caem ladeira abaixo, criando leitos escuros", afirmou nesta segunda-feira a Nasa.
As conclusões dessa nova análise, que foi publicada nesta segunda (20) pela revista "Nature Geoscience", descartam, além disso, a presença suficiente de líquido em Marte.
"Considerávamos esses fluxos como correntes de água, mas o que vemos nessas encostas responde mais ao que poderíamos esperar de areia seca", afirmou Colin Dundas, autor do artigo e membro do Departamento de Pesquisa Geológica do Centro de Ciência Astrológica de Flagstaff, no Arizona.
De acordo com Dundas, as imagens feitas pela potente câmera da MRO mostram que não existe inclinação suficiente para gerar leitos para que a água se deslocasse de forma regular. Desse modo, o movimento detectado pode ser atribuído a areia caindo na região.
Milhares desses leitos, chamados de fluxos interminentes por aparecerem somente na estação mais quente do planeta, tinham sido detectados em mais de 50 regiões de Marte, gerando uma grande expectativa sobre a presença de água.
Essas conclusões contradizem a teoria defendida até o momento pela própria Nasa que, em 2015, disse ter provas da existência de água em Marte.
Com um espectômetro instalado na sonda, os cientistas detectaram sinais de minerais hidratados em montanhas marcianas nas quais foram percebidas essas "raias" misteriosas.
Fonte: G1

Observações do ESO mostram que o primeiro asteroide interestelar é diferente de todos os observados até hoje

VLT revela objeto escuro, vermelho e extremamente alongado
Astrônomos estudaram pela primeira vez um asteroide que entrou no Sistema Solar vindo do espaço interestelar. Observações feitas com o Very Large Telescope do ESO no Chile e em outros observatórios do mundo mostram que este objeto único viajava no espaço há milhões de anos antes do seu encontro casual com o nosso Sistema Solar. O objeto parece ser vermelho escuro e extremamente alongado, metálico ou rochoso, nada parecido com o que encontramos normalmente no Sistema Solar. Estes novos resultados serão publicados na revista Nature em 20 de novembro de 2017.

Em 19 de outubro de 2017, o telescópio Pan-STARRS no Hawai capturou um fraco ponto de luz deslocando-se no céu. Inicialmente parecia ser um pequeno asteroide rápido comum, no entanto observações adicionais nos dias seguintes permitiram calcular a sua órbita de modo bastante preciso, o que revelou, sem sombra de dúvidas, que se tratava de um objeto que não vinha do interior do Sistema Solar, como todos os outros asteroides ou cometas observados até hoje, mas sim do espaço interestelar. 

Embora classificado originalmente como cometa, observações obtidas pelo ESO e por outros observatórios não revelaram sinais de atividade cometária após a sua passagem próxima ao Sol em Setembro de 2017. O objeto foi por isso reclassificado como sendo um asteroide interestelar e chamado 1I/2017 U1 (‘Oumuamua). Tivemos que agir muito rapidamente,” explica o membro da equipe Olivier Hainaut do ESO, em Garching, Alemanha. “O ‘Oumuamua já tinha passado o ponto da sua órbita mais próximo do Sol e dirigia-se para o espaço interestelar.”

O Very Large Telescope do ESO foi imediatamente convocado para medir a órbita do objeto, sua cor e seu brilho com mais precisão do que a obtida por telescópios menores. A rapidez nesta ação era crucial, uma vez que o ‘Oumuamua desaparecia rapidamente no céu, afastando-se do Sol e da Terra, no seu percurso para fora do Sistema Solar. Mas o objeto ainda reservava algumas surpresas.

Combinando as imagens do instrumento FORS montado no VLT — com 4 filtros diferentes — com as imagens obtidas por outros grandes telescópios, a equipe de astrônomos liderada por Karen Meech (Institute for Astronomy, Hawai, EUA) descobriu que o ‘Oumuamua varia em brilho de um fator 10, à medida que gira em torno do seu eixo a cada 7,3 horas.

Karen Meech explica o significado deste resultado: “Esta variação em brilho estranhamente elevada revela que o objeto é extremamente alongado: cerca de 10 vezes mais comprido do que largo, com uma forma complexa. Descobrimos também que apresenta uma cor vermelha escura, semelhante aos objetos no Sistema Solar externo, e confirmamos que é completamente inerte, sem o menor traço de poeira ao seu redor.”

Estes propriedades sugerem que o ‘Oumuamua é denso, possivelmente rochoso ou com um conteúdo metálico elevado, sem quantidades significativas de água ou gelo, e que a sua superfície é escura e vermelha devido aos efeitos de irradiação por parte de raios cósmicos ao longo de muitos milhões de anos. Estima-se que tenha pelo menos 400 metros de comprimento.

Cálculos preliminares da sua órbita sugerem que o objeto tenha vindo da direção aproximada da estrela brilhante Vega, na constelação boreal da Lira. No entanto, mesmo viajando à tremenda velocidade de cerca de 95 000 km/hora, demorou tanto tempo a chegar ao nosso Sistema Solar, que Vega não se encontra já na posição que ocupava quando o asteroide partiu de lá, há cerca de 300 mil anos atrás. O ‘Oumuamua deve ter vagado pela Via Láctea, sem ligação a nenhum sistema estelar, durante centenas de milhões de anos até seu encontro casual com o Sistema Solar.

Os astrônomos estimam que, por ano, um asteroide interestelar semelhante ao ‘Oumuamua passe através do Sistema Solar interior, no entanto como estes objetos são fracos e difíceis de detectar nunca foram observados até agora. Apenas recentemente é que os telescópios de rastreio, como o Pan-STARRS, se tornaram suficientemente poderosos para conseguirem detectar tais objetos.

“Continuamos observando este objeto único,” conclui Olivier Hainaut, “E esperamos determinar com mais exatidão de onde ele veio e para onde ele irá na sua próxima volta na Galáxia. E agora que descobrimos a primeira rocha interestelar, estamos prontos para as seguintes!”
Fonte: ESO
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