2 de abr de 2018

Será que há vida escondida nas nuvens de Vênus?

Em Vênus, um dia de 462 °C é considerado ameno. Outono. Mas se a temperatura, por si só, não for suficiente para torrar microorganismos hipotéticos, também dá para mencionar a atmosfera com 96,5% de dióxido de carbono – e só 0,002% de vapor de água. Em outras palavras, passar a noite no planeta mais quente do Sistema Solar é mais ou menos como acampar no escapamento de um caminhão ligado… Só que três vezes mais quente. Encontrar vida como a conhecemos por lá seria um milagre.
Mas é claro que a seleção natural dá um jeitinho para tudo. A Terra está repleta de microrganismos extremófilos – isto é, bactérias adaptadas a ambientes como soda cáustica ou os 11 quilômetros de profundidade da fossa das Marianas, no Pacífico. O metabolismo delas é tão adaptado a essas condições que elas sequer sobrevivem em ambientes mais tranquilos. Por que, então, não poderia existir um bichinho microscópico capaz de aguentar o tranco do planeta mais quente da nossa vizinhança?
Uma equipe de astrobiólogos – cientistas especializados em vida fora da Terra – propôs que, se é que Vênus tem seus extremófilos, o mais provável é que eles vivam na densa atmosfera do planeta, em meio às nuvens. Eles baseiam a hipótese em duas premissas: uma é que o astro esquentadinho, em um passado distante, teve condições climáticas propícias ao surgimento da vida. Outra é que, embora hoje em dia a superfície do planeta seja uma sucursal do inferno, seu céu (mais precisamente a faixa entre 40 km e 60 km de altitude) teria condições de pressão e temperatura bem mais tranquilas– e poderia, em tese, abrigar seres vivos em suspensão.
“Vênus teve muito tempo para evoluir suas próprias formas de vida”, afirmou em comunicado Limaye Sanyaj, da Universidade de Wiscosin – e o principal autor do artigo científico. Segundo ele, o planeta teve depósitos de água líquida em sua superfície por cerca de 2 bilhões de anos. “Isso é muito mais do que se supõe ter ocorrido em Marte.” Ou seja: não é improvável que a vida tenha prosperado por lá no passado – e que os poucos microrganismos que sobreviveram à mudança climática violenta estejam abrigados lá em cima até hoje. A 40 km de altitude, a temperatura fica entre 0 ºC e 60 ºC, e a pressão é algo entre metade e o dobro da atmosfera terrestre. Esses são parâmetros bem razoáveis para a sobrevivência de seres vivos semelhantes aos que conhecemos.
Essa não é uma ideia nova: foi proposta pelo físico Harold Morowitz em 1967, e popularizada por Carl Sagan. Entre 1962 e 1978, várias sondas visitaram a estrela da manhã para coletar dados. Agora, porém, essas ideias e dados podem ser reinterpretados à luz das descobertas mais recentes de astrônomos e biólogos. Por exemplo: vistas daqui, as nuvens de Vênus têm manchas escuras compostas de ácido sulfúrico e montes de partículas não-identificadas. Essas manchas têm padrões de absorção de luz similares aos de algumas bactérias. Nada impede, portanto, que as partículas sejam colônias de microrganismos extremófilos com metabolismo baseado em enxofre. É difícil saber sem dados que diferenciem matéria orgânica de não orgânica, mas o artigo científico descreve detalhadamente como seria a “digestão” desses seres, se eles existissem. 
Essas e outras propostas sobre a vida em Vênus precisam, obviamente, ser investigadas e comprovadas na prática. Por isso, Sanyaj e seus colegas propõem uma série de simulações de laboratório e métodos de observação que poderiam dar conta do recado. “Investigações sobre as nuvens de Vênus podem se beneficiar de uma mistura de sondas em órbita, sondas na superfície do astro e missões de coleta de amostras para trazê-las de volta à Terra.” Em outras palavras, o artigo é especulativo. É acima de tudo, um convite para a comunidade científica levar a sério a busca por seres vivos no planeta mais tórrido das redondezas.
FONTE: https://www.msn.com

Clonagem cósmica

A imagem acima está repleta de galáxias. Um olho bem treinado pode identificar belas galáxias elípticas e espetaculares galáxias espirais, que podem ser vistas me várias orientações, de lado, com o plano da galáxia visível, de frente, mostrando seus belos braços espirais além de qualquer inclinação entre esses dois extremos. A maior parte dos pontos brilhantes nessa imagem são galáxias, algumas estrelas da nossa própria galáxia podem ser visíveis e se destacam pelos spikes de difração.

O objeto que mais chama a atenção está no centro do frame. Com o nome de SDSSJ0146-0929, o bulbo central brilhante é um aglomerado de galáxias, uma monstruosa coleção de centenas de galáxias todas elas unidas pela gravidade. A massa desse aglomerado de galáxias é grande o suficiente para distorcer de forma severa o tecido do espaço-tempo ao seu redor, criando as estranhas curvas que quase circulam o aglomerado como um todo.

Esses arcos fazem pare de exemplos de um fenômeno cósmico conhecido como Anel de Einstein. O anel é criado à medida que a luz de objetos distantes, como galáxias, passa por um massa muito grande, como essa do aglomerado. Nessa imagem, a luz de uma galáxia de segundo plano é distorcida e refratada ao redor do massivo aglomerado e forçada a viajar através de diferentes trajetórias de luz até a Terra, fazendo com que a galáxia possa ser vista em alguns lugares ao mesmo tempo.
Crédito:
ESA/Hubble & NASA
Acknowledgement: Judy Schmidt

NASA prepara o lançamento da próxima missão a procurar novos MUNDOS

Ilustração do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) em frente de um planeta de lava em órbita da sua estrela-mãe. O TESS vai identificar milhares de potenciais novos planetas para estudo e observações futuras.Crédito: NASA/GSFC

O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA está nos preparativos finais no estado norte-americano da Flórida para o lançamento do dia 16 de abril, com o objetivo de encontrar mundos desconhecidos em torno de estrelas próximas, fornecendo alvos onde estudos futuros avaliarão a sua capacidade para abrigar vida.

"Uma das maiores questões na exploração exoplanetária é: se um astrónomo encontra um planeta na zona habitável de uma estrela, será interessante do ponto de vista de um biólogo?" afirma George Ricker, investigador principal do TESS no Instituto Kavli para Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT (Massachusetts Institute of Technology), que lidera a missão. "Nós esperamos que o TESS descubra uma série de planetas cujas composições atmosféricas, que possuem pistas potenciais para a presença de vida, possam ser medidas com precisão por observadores futuros."

No dia 15 de março, o satélite passou uma análise que confirmou que estava pronto para lançamento. Para os preparativos finais, a nave será abastecida e encapsulada dentro da área de carga útil do seu foguetão Falcon 9 da SpaceX. O TESS será lançado a partir do Complexo de Lançamento Espacial 40 na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral na Flórida. Com a ajuda de uma assistência gravitacional da Lua, colocar-se-á numa órbita de 13,7 dias em torno da Terra. Sessenta dias após o lançamento, e após os testes dos seus instrumentos, o satélite começará a sua missão inicial de dois anos.

Quatro câmaras de campo largo darão ao TESS um campo de visão que cobre 85% de todo o nosso céu. Dentro desta vasta perspetiva visual, o céu foi dividido em 26 setores que o TESS observará um a um. O primeiro ano de observações mapeará os 13 setores que abrangem o céu do sul, e o segundo ano mapeará os 13 setores do céu do norte. A nave espacial estará à procura de um fenómeno conhecido como trânsito, onde um planeta passa em frente da sua estrela, provocando um mergulho periódico e regular no brilho da estrela. O telescópio Kepler da NASA usou o mesmo método para avistar mais de 2600 exoplanetas confirmados, a maioria dos quais orbita estrelas ténues entre 300 e 3000 anos-luz de distância.

"Aprendemos com o Kepler que existem mais planetas do que estrelas no nosso céu, e agora o TESS abrirá os nossos olhos para a variedade de planetas em torno de algumas das estrelas mais próximas," comenta Paul Hertz, diretor da Divisão de Astrofísica na sede da NASA. "O TESS lançará uma rede mais ampla do que nunca para mundos enigmáticos cujas propriedades podem ser investigadas pelo próximo Telescópio Espacial James Webb e por outras missões."

O TESS concentrar-se-á em estrelas a menos de 300 anos-luz de distância e entre 30 e 100 vezes mais brilhantes que os alvos do Kepler. O brilho destas estrelas-alvo permitirá aos investigadores usar espectroscopia, o estudo da absorção e emissão de luz, para determinar a massa, a densidade e composição atmosférica. A água e outras moléculas-chave nas atmosferas podem dar-nos dicas sobre a capacidade de um planeta para abrigar vida.

"O TESS está a abrir uma porta para todo um novo tipo de estudo," realça Stephen Rinehart, cientista do projeto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, que administra a missão. "Vamos poder estudar planetas individuais e começar a falar sobre as diferenças entre planetas. Os alvos que o TESS encontrar vão ser objetos fantásticos para investigação nas próximas décadas. É o começo de uma nova era na investigação exoplanetária."

Através do Programa de Investigadores do TESS, a comunidade científica mundial poderá participar em investigações fora do âmbito da missão principal, aprimorando e maximizando o retorno científico da missão em áreas que vão desde a caracterização exoplanetária até à astrofísica estelar e ciência do Sistema Solar.

"Eu desconfio que não sabemos tudo o que o TESS vai alcançar," acrescenta Rinehart. "Para mim, a parte mais excitante de qualquer missão é o resultado inesperado, aquele que ninguém estava à espera."
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Um eco de luz

Esta imagem obtida pelo Telescópio de Rastreio do VLT do ESO (VST) revela duas galáxias no início de um processo de fusão. As interações entre o duo deram origem a um efeito raro conhecido por eco de luz, onde a luz reverbera no material existente em cada galáxia. Trata-se de um efeito semelhante a um eco acústico, onde o som refletido chega ao ouvinte depois do som direto. Este é o primeiro caso de um eco de luz observado entre duas galáxias.

A galáxia maior, que nos aparece em amarelo, chama-se ShaSS 073 e trata-se de uma galáxia ativa com um núcleo extremamente luminoso. A sua companheira menos massiva, em azul, é ShaSS 622 e juntas estas galáxias constituem o sistema ShaSS 622-073. O núcleo brilhante de ShaSS 073 excita a região de gás no disco da sua companheira azul, bombardeando o material com luz e fazendo com que este brilhe intensamente ao absorver e re-emitir esta radiação. A região brilhante estende-se ao longo de 1,8 bilhões de anos-luz quadrados.

Ao estudar esta fusão, os astrônomos descobriram que a luminosidade da galáxia grande central é 20 vezes menor que a necessária para excitar o gás da maneira acima descrita, o que indica  que o centro de ShaSS 073 se apagou drasticamente nos últimos 30 000 anos, mas a região altamente ionizada situada entre as duas galáxias guarda ainda a memória da sua antiga glória.

Crédito:
ESO
Acknowledgements: P. Merluzzi (INAF-Osservatorio Astronomico di Capodimonte, Italy)

Quão grande é a galáxia de Andrômeda?

Os astrônomos acreditavam que a galáxia de Andrômeda, nosso vizinho galáctico mais próximo, tinha três vezes o tamanho da Via Láctea. Não mais.
Esta imagem da galáxia de Andrômeda, capturada pelo Galaxy Evolution Explorer da NASA, mostra o lado ultravioleta do nosso conhecido vizinho galáctico. NASA / JPL-Caltec

Tanto a Via Láctea quanto a galáxia de Andrômeda (M31) são gigantescas galáxias espirais em nosso universo local. E em cerca de 4 bilhões de anos, a Via Láctea e Andrômeda vão colidir em uma partida gravitacional de sumô que acabará por prendê-los para sempre. Como os astrônomos pensavam que Andrômeda era até três vezes mais massiva que a Via Láctea, eles esperavam que nossa galáxia fosse facilmente dominada e absorvida por nosso vizinho maior. Mas agora, novas pesquisas sugerem que superestimamos nosso oponente. 

Em um estudo publicado hoje no Monthly Notices da Royal Astronomical SocietyUma equipe de astrônomos australianos anunciou que Andromeda não é realmente o peso pesado que nós pensávamos que era. Em vez disso, eles descobriram que nosso vizinho galáctico mais próximo é mais ou menos do mesmo tamanho que a Via Láctea - cerca de 800 bilhões de vezes a massa do Sol. Para determinar o tamanho da galáxia de Andrômeda, a equipe usou uma técnica que calcula a velocidade necessária para uma estrela em movimento rápido escapar da atração gravitacional de sua galáxia hospedeira. Essa velocidade necessária necessária para ejeção é conhecida como a velocidade de escape de um objeto 

"Quando um foguete é lançado ao espaço, é jogado fora com uma velocidade de 11 quilômetros por segundo para superar a força gravitacional da Terra", disse Prajwal Kafle, astrofísico da Universidade da Austrália Ocidental. do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia, em um comunicado de imprensa . “Nossa galáxia, a Via Láctea, é mais de um trilhão de vezes mais pesada que o nosso minúsculo planeta Terra, portanto, para escapar de sua atração gravitacional, temos que lançar com uma velocidade de [342 milhas por segundo] (550 quilômetros por segundo). Usamos essa técnica para amarrar a massa de Andrômeda ”. 

Essa não é a primeira vez que o peso de uma galáxia é recalculado com base na análise das velocidades de escape de objetos dentro dela. Em 2014, Kafle usou uma técnica semelhante pararever a massa da Via Láctea , mostrando que a nossa galáxia tem muito menos matéria escura - uma forma misteriosa de matéria que tem gravidade, mas não interage com a luz - do que se pensava anteriormente. 
Assim como o estudo de 2014 mostrou para a Via Láctea, o artigo de hoje sugere que pesquisas anteriores superestimaram a quantidade de matéria escura presente na galáxia de Andrômeda. “Examinando as órbitas das estrelas de alta velocidade, descobrimos que [Andrômeda] tem muito menos matéria escura do que se pensava anteriormente”, disse Kafle, “e apenas um terço do descoberto em observações anteriores.” 

Embora a revisão da massa total de Andrômeda possa Parece que deveria ajudar a Via Láctea durante a eventual colisão das galáxias, os pesquisadores dizem que novas simulações são necessárias para determinar exatamente o que acontecerá quando as galáxias se encontrarem. Mas não importa o que aconteça em 4 bilhões de anos, Kafle diz que a nova descoberta de hoje “transforma completamente nossa compreensão do grupo local.  Por enquanto, no entanto, podemos nos consolar com o novo conhecimento de que a Via Láctea não é tão dominada por Andromeda como pensávamos antes. Como disse o astrofísico da Universidade de Sydney, Geraint Lewis, “podemos colocar essa corrida armamentista gravitacional para descansar”.
Fonte: http://www.astronomy.com

Astrônomos descobriram um novo tipo de morte violenta em estrelas

Quando uma estrela é supernova, é um processo tão gigantesco que geralmente dura meses. Então, quando os astrônomos capturaram um com apenas algumas semanas, sentaram-se e prestaram atenção - e encontraram um tipo totalmente novo de supernova nunca observado antes. A supernova é chamada KSN 2015K, e atingiu o brilho máximo e desapareceu completamente em menos de um mês, 10 vezes mais rápido do que outras supernovas de brilho semelhante, que normalmente levam meses. 

De acordo com uma equipe internacional de pesquisadores, a explicação mais provável é que ele foi envolto por um casulo de gás e poeira que já havia sido ejetado - só se tornando visível depois que a poeira foi expelida pela onda de choque da supernova.
"Descobrimos ainda outra maneira pela qual as estrelas morrem e distribuem material de volta ao espaço", disse o pesquisador Brad Tucker, da Universidade Nacional da Austrália. Eventos como esses foram capturados antes. Eles são chamados de transientes luminosos de evolução rápida, ou FELTs, e confundiram astrônomos porque não se alinham aos modelos tradicionais de supernova.
O KSN 2015K foi capturado pelo telescópio Kepler em 2015, que fotografou o evento a cada 30 minutos durante toda a sua duração - dando um nível de detalhe sem precedentes sobre essas explosões peculiares de luz. Em apenas 2,2 dias, o KSN 2015K alcançou um pico de brilho comparável ao de uma supernova do Tipo Ia - a explosão de uma anã branca em um sistema binário. Em uma semana, caiu para metade desse brilho e desapareceu completamente em apenas 25 dias.
A equipe descobriu que a curva de luz combinava com a de uma supernova depois que a estrela explodiu - sem o esperado acúmulo. Mas se um casulo de material de galpão tivesse escondido a estrela de vista, isso explicaria como a supernova parecia acontecer tão rapidamente. Quando as estrelas morrem, elas podem lançar grande parte de sua massa na forma de gás e poeira no espaço ao redor delas. Normalmente, isso é iluminado por dentro pela estrela, mas se fosse denso o suficiente, teoricamente, poderia esconder a luz da estrela.
Naturalmente, isso levanta a questão: o que poderia criar um denso casulo de material em torno de uma estrela instável tão pouco tempo antes de sua morte?
Existem vários culpados possíveis, mas as supernovas Tipo Ia geralmente produzem uma incrível quantidade de níquel radioativo. Muito pouco níquel foi observado no caso do KSN 2015K, como evidenciado pela rapidez com que desapareceu.
explicação mais provável , então, é o que é conhecido como uma estrela de ramo gigante assintótica - uma gigante vermelha de baixa a média massa ganhando brilho enquanto morre. Se o KSN 2015K estivesse na extremidade de maior massa desse tipo de estrela, com um vento muito lento e empoeirado soprando ao redor, isso poderia ter criado o casulo. No entanto, as supernovas gigantes vermelhas não são tão brilhantes quanto as supernovas anãs brancas.
Quando o núcleo da estrela desmoronou, a enorme quantidade de energia cinética produzida pela explosão teria se convertido em luz quando bateu no casulo, representando o pico extremamente brilhante da curva de luz.  Mais observações ajudarão a verificar essa hipótese - e os próximos telescópios, como o TESS da NASA , poderão examinar os FELTs com mais detalhes e ajudar a aprender mais sobre suas estrelas progenitoras.
"Este trabalho também tem outro legado", escreveu o astrofísico JJ Eldridge, da Universidade de Auckland, em um editorial de acompanhamento .
"Isso mostra que as observações de cadência ultra-altas do céu serão uma área rica para descobertas futuras. Por milhares de anos pensamos que o céu era imutável. Então as observações de supernovas galácticas detalhadas em registros históricos ao redor do mundo mostraram-nos que o céu estava mudando em escalas de tempo humanas.
"Agora, estas observações do KSN 2015K mostraram que a agonia das estrelas pode ser ainda mais rápida do que pensávamos".
A pesquisa foi publicada na  Nature Astronomy .
FONTE: https://www.sciencealert.com

Esta galáxia inexplicável está deixando os astrônomos malucos

Há muito tempo os astrônomos têm uma pedra em seus sapatos chamada matéria escura. Teorizada há quase um século, a matéria escura nunca foi realmente observada ou teve sua existência provada, mas os especialistas acreditam que ela é parte fundamental do universo – ela seria mais pesada do que todas as estrelas visíveis, gás e poeira no cosmos por uma razão de 6 para 1. Embora ninguém saiba o que ela realmente é, ou quanto pesa, ou do que é feita, sua presença foi inferida de sua influência gravitacional na matéria comum em todas as galáxias já observadas – pelo menos até agora. Os astrônomos acabaram de descobrir uma galáxia que parece não ter matéria escura. O estudo, publicado na revista Nature, questiona o que sabemos sobre a formação de galáxias e, se confirmado, pode ajudar a elucidar a verdadeira natureza deste tipo de matéria.

A galáxia NGC 1052-DF2, localizada a 65 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Cetus, tem a sua massa toda formada pela matéria visível. Ela abriga cerca de 200 milhões de estrelas e quantidades insignificantes de gás e poeira. De acordo com o novo estudo, liderado pelo astrônomo Pieter van Dokkum, da Universidade de Yale, nos EUA, a matéria visível da galáxia é responsável por toda a sua massa, uma conclusão profundamente estranha.

“É realmente muito desconfortável. Ela não deveria existir; não deveria ser real. No entanto, se você analisar os dados, essa é a conclusão para a qual você é atraído”, se espanta Marla Geha, astrônoma da Universidade de Yale que não fez parte da equipe de descoberta.

Nas teorias da formação de galáxias, aglomerados pesados ​​de matéria escura atraem coisas luminosas para eles, semeando novas galáxias e criando uma espécie de esqueleto para todo o universo visível se agarrar. Observações dão apoio a esta teoria. Galáxias com o tamanho da Via Láctea, por exemplo, parecem estar aninhadas dentro de nuvens de matéria escura, cerca de 30 vezes mais pesadas do que todas as suas estrelas juntas. A NGC 1052-DF2, uma galáxia menor, deveria ter 400 vezes mais matéria escura que estrelas, com base em observações de dezenas de objetos comparáveis. Em vez disso, o novo artigo sugere que o que vemos na NGC 1052 – DF2 é tudo que ela tem.

No entanto, ainda é muito cedo para descartar as regras antigas, diz o astrofísico James Bullock, da Universidade da Califórnia. Ele aponta que a galáxia está orbitando outra. É possível que essa galáxia se formou sobre a matéria escura como qualquer outra, e a galáxia vizinha removeu a matéria escura dela, sugere ele.

Para imaginar esse processo, é preciso imaginar a matéria escura como uma coleção difusa de partículas individuais – ao contrário da matéria comum, que se aglomera em estrelas e planetas. “É melhor pensar nela como um fluido, como um mar de matéria escura”, diz Bullock. A principal teoria da matéria escura prevê que esse “mar” de partículas se mova em torno de uma galáxia em órbitas profundas, como cometas ao redor do sol. Bullock acha que, à medida que as partículas de matéria escura desta galáxia alcançavam os extremos de suas órbitas, as forças da galáxia vizinha poderiam tê-las arrancado.

Problemas (ainda) sem solução

Os astrônomos descobriram a galáxia em 2000, mas observações mais detalhadas chamaram a atenção de van Dokkum e de sua equipe. Um estudo mais detalhado usando o Sloan Digital Sky Survey, o Telescópio Espacial Hubble e o Observatório Keck no Havaí revelaram um enxame de pontos brilhantes.

Os pesquisadores acreditam que os pontos são, provavelmente, aglomerados globulares, esferas apertadas de estrelas, muitas vezes encontradas nos confins das galáxias. Os da NGC 1052-DF2 são misteriosos por si só: muitos são comparáveis ​​em brilho aos de Omega Centauri, o aglomerado globular mais brilhante da Via Láctea. Medindo seus movimentos, os astrônomos puderam calcular a massa do material contido dentro de suas órbitas, e então descobriram que a matéria escura é muito esparsa ou simplesmente não existe por lá.

Por mais incrível ou contra-intuitivo que isso pareça, a existência de uma galáxia assim pode ajudar a comprovar a existência da matéria escura. A equipe argumenta que as teorias alternativas à matéria escura têm problemas em explicar um objeto assim. Teorias como a dinâmica newtoniana modificada e uma nova ideia chamada gravidade emergente, por exemplo, propõem que não há matéria escura. 
Em vez de as galáxias serem preenchidas com misteriosas coisas invisíveis, essas teorias postulam, a gravidade funciona de maneira diferente do esperado em escalas galácticas, de uma maneira que apenas imita a presença de matéria escura. Mas se isso fosse verdade, então todas as galáxias deveriam obedecer a essas diferentes leis da gravidade e parecerem conter matéria escura, sem exceções. Teorias que desafiam a existência da matéria escura precisarão explicar a nova afirmação sobre a galáxia NGC 1052-DF2 para sobreviver.

Dois lados da mesma moeda

Mas a nova descoberta também representa um desafio para os teóricos da matéria escura. Afinal, se a matéria escura é real, os físicos ainda precisam explicar como as estrelas da NGC 1052-DF2 se separaram dela. A galáxia está em uma das pontas de dois extremos. Ela parece ser o exato oposto de outra galáxia, chamada Dragonfly 44, outra descoberta estranha feita pela mesma equipe em 2016. Enquanto a NGC 1052-DF2 parece não ter matéria escura, a Dragonfly 44 parece ter muito mais matéria escura relativa a matéria visível do que os astrônomos esperavam.

Ambas as descobertas desafiam as relações normais de escala de galáxias e exigem novas teorias sobre como as galáxias se formam. “É um momento muito divertido no mundo da física das galáxias”, diz Annika Peter, astrônoma da Universidade Estadual de Ohio, também nos EUA, em uma matéria do site Quanta Magazine.

A maioria dos caminhos para explicar a formação da NGC 1052 – DF2 leva a seus vizinhos galácticos. Para Peter, o objeto deve estar em um grupo de galáxias, que teria influenciado na perda da matéria escura. Ela explica que o campo gravitacional maior das galáxias adjacentes poderia ter puxado a matéria escura para longe dela, arrancando a toalha debaixo das estrelas, mantendo as configurações do lugar intactas.

Van Dokkum e seus colegas têm outras ideias. Por exemplo, eles acreditam que ela pode ser resultado de uma fusão de galáxias. Quando duas galáxias se fundem, fluxos de gás podem colidir, enquanto acredita-se que a matéria escura passaria por isso sem fazer interações. Isso permitiria que o gás formasse estrelas longe de aglomerados de matéria escura. No entanto, essa galáxia não parece ter os recursos semelhantes a caudas que normalmente acompanham esse processo. Van Dokkum diz que, por enquanto, todas as teorias que tentam explicar esta estranha descoberta têm seus problemas.

A equipe está agora propondo observações adicionais da NGC 1052-DF2. Uma prioridade será medir a massa da galáxia observando as órbitas de suas estrelas, não apenas os movimentos dos aglomerados globulares brilhantes. A comunidade da astrofísica estará prestando atenção. “É muito difícil argumentar contra os dados”, diz Geha. “Mas eu pessoalmente quero muito mais estudos sobre este objeto antes de estar pronto para ser totalmente convencido.”

O próximo passo é descobrir se esta galáxia é uma exceção ou a norma. Se os astrofísicos encontrarem mais galáxias semelhantes, eles terão que revisar suas teorias atuais sobre a matéria escura. A principal teoria – que a matéria escura consiste das chamadas partículas massivas de interação fraca, cada uma ligeiramente mais pesada que um próton – não seria capaz de explicar a existência de muitas galáxias sem matéria escura. 
Fonte: https://hypescience.com

NGC 602 e Além


Crédito: raios-X: Chandra: NASA/CXC/Univ.Potsdam/L.Oskinova et al; Ótico: Hubble: NASA/STScI; Infravermelho: Spitzer: NASA/JPL-Caltech

Perto dos arredores da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite a cerca de 200 mil anos-luz de distância, está situado o jovem enxame estelar NGC 602. Rodeado por gás e poeira natal, NGC 602 é apresentado nesta impressionante imagem obtida pelo Hubble, melhorada com imagens em raios-X pelo Chandra e infravermelhas pelo Spitzer. Cristas fantásticas e formas "penteadas para trás" sugerem fortemente que a radiação energética e ondas de choque das massivas e jovens estrelas de NGC 602 provocaram a erosão do material poeirento e despoletaram uma progressão da formação estelar que se move para fora do centro do enxame. À distância estimada da Pequena Nuvem de Magalhães, a imagemcobre cerca de 200 anos-luz, mas também são aqui visíveis muitas outras galáxias de fundo. Estas galáxias estão centenas de milhões de anos-luz, ou mais, para trás de NGC 602.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/


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