31 de julho de 2018

Sondando o Passado Distante


Obtida para um programa de pesquisa sobre formação de estrelas em galáxias distantes e velhas, essa imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, com a sua Wide Field Camera 3 (WFC3), demonstra o imenso efeito da gravidade, mas especificamente, ela mostra os efeitos da lente gravitacional, causada por um objeto chamado de SDSS J1152+3313.

As lentes gravitacionais, como esse aglomerado de galáxias  SDSS J1152+3313, possui uma imensa massa que distorce as suas redondezas e curva a luz de objetos distantes em anéis, arcos, listras, borrões, e outras formas estranhas. Essa lente, contudo, não somente distorce a aparência de uma galáxia distante, ela também amplifica a sua luz, fazendo com que ela pareça mais brilhante do apareceria sem a lente. Combinada com a grande qualidade de imagem obtida com o Hubble, isso fornece pistas valiosas como as estrelas se formaram no início do universo.

A formação de estrelas é um processo fundamental na astronomia. Tudo que  emite  luz está de certa forma conectado com as estrelas, então entender como as estrelas se formam é fundamental para entender os incontáveis objetos no universo. Os astrônomos podem  pesquisar essas regiões primordiais de formação de estrelas para aprender sobre seus tamanhos, luminosidades, taxa de  formação e gerações de diferentes tipos de  estrelas.
Crédito: ESA / Hubble e NASA
Fonte: SPACETELESCOPE.ORG 

Mares tempestuosos em Carina


Esta Foto da Semana mostra um casulo de gás e poeira em forma de crescente: a nebulosa NGC 3199, situada a 12000 anos-luz de distância da Terra. A nebulosa parece atravessar um céu repleto de estrelas, tal como um navio atravessa mares tempestuosos. Esta analogia torna-se bastante apropriada quando pensamos que NGC 3199 se situa em Carina — a constelação austral que representa a quilha do navio Argos!

NGC 3199 foi descoberta pelo astrônomo britânico John Herschel em 1834, quando este compilava o seu famoso catálogo de objetos interessantes do céu noturno. Desde a sua descoberta, a nebulosa tem sido observada por diversas vezes, incluindo com os telescópios do ESO, o Very Large Telescope de 8,2 metros (eso0310, eso1117) e o VLT Survey Telescope de 2,6 metros (VST). Foi este último que obteve a imagem que aqui apresentamos. Sabe-se agora que o crescente brilhante desta nebulosa faz parte de uma bolha muito maior mas mais tênue de gás e poeira.

A nebulosa NGC 3199 contém uma estrela notável chamada HD 89358, que é um tipo incomum de estrela extremamente quente e massiva, conhecida por estrela Wolf-Rayet. HD 89358 gera ventos e correntes estelares extremamente intensas, que chocam e limpam o material ao seu redor, contribuindo assim para a morfologia deformada e assimétrica de NGC 3199.

O VST, que começou as suas operações em 2011, pode obter imagens de uma grande área no céu de uma só vez — uma área com duas vezes o tamanho da Lua Cheia — graças à sua câmera de 256 milhões de pixels, a OmegaCAM, o que lhe permite caracterizar objetos interessantes que depois o seu vizinho maior, o Very Large Telescope do ESO, pode explorar com mais detalhe.

Crédito: ESO

Resto de estrela revela origem de moléculas radioativas

Observações ALMA descobrem isótopo radioativo de alumínio-26 nos restos de CK Vulpeculae

Com o auxílio do ALMA e do NOEMA, astrônomos fizeram a primeira detecção confiável de uma molécula radioativa no espaço interestelar. O componente radioativo da molécula é um isótopo de alumínio. As observações revelam que o isótopo se dispersou no espaço após a colisão de duas estrelas, a qual deu origem a um resto estelar conhecido por CK Vulpeculae. Trata-se da primeira vez que foi feita uma observação direta deste elemento numa fonte conhecida. Identificações anteriores deste isótopo tiveram origem na detecção de raios gama, no entanto a sua origem precisa era desconhecida.

Uma equipe, liderada por Tomasz Kamiński (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, Cambridge, EUA), usou o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e o NOrthern Extended Millimeter Array (NOEMA) para detectar uma fonte do isótopo radioativo de alumínio-26. A fonte, conhecida por CK Vulpeculae, foi inicialmente observada em 1670 e na época aparecia no céu como uma “estrela nova”, brilhante e vermelha. Apesar de inicialmente poder ser vista a olho nu, rapidamente enfraqueceu e atualmente são necessários telescópios potentes para observar os restos desta fusão: uma estrela central pouco brilhante rodeada por um halo de matéria brilhante que se afasta da estrela.

348 anos após a observação do evento inicial, os restos desta fusão estelar explosiva levaram à detecção clara e convincente de uma versão de alumínio radioativo, chamado alumínio-26. Trata-se da primeira molécula radioativa instável claramente detectada fora do Sistema Solar. Os isótopos radioativos têm um excesso de energia nuclear e decaem eventualmente para um estado estável. Esta primeira observação deste isótopo num objeto do tipo estelar é também importante no contexto mais amplo da evolução química galática,” diz Kamiński.

“Esta é a primeira vez que identificamos diretamente um produtor ativo do nuclídeo radioativo de alumínio-26.”

Kamiński e a sua equipe detectaram uma assinatura espectral única de moléculas compostas por alumínio-26 e flúor (26AlF) nos restos que rodeiam CK Vulpeculae, situada a cerca de 2000 anos-luz de distância da Terra. À medida que giram e se deslocam no espaço, estas moléculas emitem uma "impressão digital" específica nos comprimentos de onda milimétricos, um processo conhecido por transição rotacional.

Os astrônomos consideram este procedimento padrão para a detecção de moléculas. A observação deste isótopo particular fornece-nos novas pistas sobre o processo de fusão que deu origem à CK Vulpeculae e demonstra também que as camadas interiores, densas e profundas, de uma estrela onde os elementos pesados e os isótopos radioativos são formados, podem agitar-se e ser lançadas para o espaço por colisões estelares.

“Estamos a observar as “entranhas” de uma estrela destruída por uma colisão há cerca de três séculos atrás,” comenta Kamiński. Os astrônomos determinaram também que as duas estrelas que se fundiram possuíam uma massa relativamente pequena, sendo uma delas uma gigante vermelha de massa entre 0,8 e 2,5 massas solares. Uma vez que é radioativo, o alumínio-26 decai, tornando-se mais estável, e nesse processo um dos prótons do núcleo decai para um nêutron. Nesse momento, o núcleo excitado emite um fóton de elevada energia, o qual observamos sob a forma de um raio gama.

Anteriormente, detecções de emissões de raios gama mostraram que se encontram presentes na Via Láctea cerca de duas massas solares de alumínio-26, mas o processo que deu origem a estes átomos radioativos não era conhecido. Adicionalmente, devido à maneira como são detectados os raios gama, a sua origem precisa era também algo relativamente desconhecido. Com estas novas medições, os astrônomos detectaram definitivamente e pela primeira vez um radioisótopo instável numa molécula fora do Sistema Solar.

No entanto, e paralelamente, a equipe concluiu que a produção de alumínio-26 por objetos semelhantes à CK Vulpeculae não será a fonte principal de alumínio-26 na nossa Galáxia. A massa de alumínio-26 existente na CK Vulpeculae é aproximadamente um quarto da massa de Plutão e, dado que estes eventos ocorrem tão raramente, é altamente improvável que sejam os únicos produtores deste isótopo na Via Láctea, o que nos leva a realizar estudos adicionais sobre estas moléculas radioativas.
Fonte: ESO

HD 26965b: Super-Terra localizada a apenas 16 anos-luz de distância

Astrônomos descobriram um exoplaneta com algumas vezes a massa da Terra orbitando uma estrela próxima. Um artigo reportando a descoberta foi publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Designado de HD 2695b, o exoplaneta recém-descoberto tem uma massa equivalente a 8.47 vezes a massa da Terra e está localizado a 16 anos-luz de distância. Esse planeta orbita uma estrela anã brilhante da Classe-K, chamada de HD 26965 a cada 42.4 dias. A estrela tem aproximadamente 6.9 bilhões de anos de vida e tem uma massa equivalente a 78% da massa do Sol, e um raio 87% maior que o Sol.

“A HD 29695 é a estrela primária de um sistema triplo de estrelas bem separado. As outras duas companheiras são uma anã branca e uma anã da Classe-M4”, disse o astrônomo Bo Ma um dos coautores do trabalho da Universidade da Flórida.  Essa estrela é uma estrela pobre em metal e muito brilhante com uma magnitude absoluta de V=4.4. Isso faz dela a segunda estrela mais brilhante no céu noturno com a detecção de uma Super-Terra, a outra é a HD 20794, com V=4.3”.

“Um fato interessante é que a HD 20794 tem uma metalicidade semelhante a da HD 26965, que é consistente com a descoberta de que planetas menores são detectados ao redor de estrelas com uma grande variedade de metalicidade”.

“Com um massa mínima de 8.4 vezes a massa da Terra, o HD 26965b provavelmente possui uma atmosfera gasosa isso com base em outros planetas com a mesma massa e raio conhecidos”, adicionou ele.  Contudo, nós notamos que o Kepler-10c tem uma massa e órbita similar, orbita uma estrela com baixa metalicidade e não possui um envelope, então, o HD 26965b, pode ser um mundo parecido com ele”.

O HD 26965b foi descoberto usando o método da velocidade radial, pelo projeto Dharma Planeta Survey, o DPS.  Esse método observa por variações no movimento da estrela causada pela força gravitacional do planeta em sua órbita, o tamanho dessa variação revela a massa do planeta.

“Numa busca feita nos primeiros dados do projeto DPS, nós descobrimos sinais de velocidade radia consistentes com uma Super-Terra, orbitando a estrela anã K, HD 26965 com magnitude de V=4.4. Dados adicionais de velocidade radial foram usados do arquivo do Keck, e do arquivo do HARPS”, disseram os astrônomos.  O mesmo sinal foi detectado de forma independente por Matias Diaz, da Universidad de Chile e coautores, mas eles não puderam confirmar se esse sinal era da presença de um planeta ou da variação da própria estrela”.

NOVOS retratos de família de SATURNO e MARTE pelo HUBBLE


Esta imagem mostra as observações recentes dos planetas Saturno e Marte pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA.As primeiras observações de Marte, pelo Hubble, remontam a 1991 e a primeira observação de Saturno, pelo telescópio espacial, foi levada a cabo em 1990 - o ano do lançamento.Crédito: Saturno - NASA, ESA, A. Simon (GSFC) e Equipa OPAL e J. DePasquale (STScI); Marte - NASA, ESA e STScI

Recentemente, os planetas Saturno e Marte estiveram, um após o outro, em oposição à Terra. Durante este tipo de evento os planetas estão relativamente próximos da Terra, permitindo com que os astrónomos os possam observar em maior detalhe. O Hubble aproveitou esta configuração e fotografou ambos os planetas, continuando a sua observação de longa data dos planetas do Sistema Solar.

Desde que o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA foi lançado, que o seu objetivo tem sido sempre o de estudar não apenas objetos astronómicos distantes, mas também os planetas do nosso Sistema Solar. As imagens de alta resolução dos nossos vizinhos planetários, pelo Hubble, só podem ser superadas pelas naves que visitam realmente esses corpos. No entanto, o Hubble tem uma vantagem sobre as sondas espaciais: pode olhar para estes objetos periodicamente e observá-los durante períodos muito mais longos do que qualquer outra sonda que por lá passe.

Nos últimos meses, os planetas Marte e Saturno têm estado em oposição - as datas exatas são 27 de junho para Saturno e 27 de julho para Marte. Uma oposição ocorre quando o Sol, a Terra e um planeta estão alinhados, a Terra situada entre o Sol e o planeta. Durante uma oposição, um planeta está totalmente iluminado pelo Sol a partir da perspetiva da Terra, e também assinala o momento em que o planeta está mais próximo do nosso planeta, permitindo com que os astrónomos observem as características planetárias em maior detalhe (as datas de oposição e maior aproximação diferem ligeiramente; esta diferença é provocada pela órbita elíptica dos planetas e pelo facto de que as órbitas não estão exatamente no mesmo plano).

Composição de Saturno, obtida pelo Hubble no dia 6 de junho, com seis das suas luas conhecidas. Da esquerda para a direita, as luas visíves são Dione, Encélado, Tétis, Jano, Epimeteu e Mimas. A imagem é uma composição porque as luas movem-se durante as exposições de Saturno, de modo que os fotografamas individuais têm que ser realinhados para fazer um retrato a cores.Crédito: NASA, ESA, A. Simon (GSFC) e Equipa OPAL e J. DePasquale (STScI)

Um mês antes da oposição de Saturno - no dia 6 de junho - o Hubble foi usado para observar o planeta dos anéis. Nesta altura, Saturno estava a aproximadamente 1,4 mil milhões de quilómetros da Terra. As imagens captadas mostram o magnífico sistema de anéis de Saturno perto da sua inclinação máxima em direção à Terra, permitindo uma espetacular visão dos anéis e das divisões entre eles. Embora todos os gigantes gasosos possuam anéis, os de Saturno são os maiores e os mais belos, estendendo-se até oito vezes o raio do planeta.

Juntamente com uma espantosa imagem do sistema de anéis, a nova imagem do Hubble revela um padrão hexagonal em redor do polo norte - uma característica estável de vento descoberta durante a passagem rasante da Voyager 1 em 1981. Para sul desta característica encontra-se uma fileira de nuvens brilhantes: remanescentes de uma tempestade em desintegração.

Enquanto observava o planeta, o Hubble também conseguiu captar imagens de seis as 62 luas conhecidas de Saturno: Dione, Encélado, Tétis, Jano, Epimeteu e Mimas. Os cientistas pensam que uma pequena lua rebelde como estas se desintegrou há 200 milhões de anos para formar o sistema de anéis de Saturno.

Em meados de julho, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA observou Marte, apenas 13 dias antes de fazer a sua maior aproximação à Terra em 2018. Embora as imagens anteriores mostrem características detalhadas à superfície, esta nova imagem é dominada por uma gigantesca tempestade de areia que envolve todo o planeta.Crédito: NASA, ESA e STScI

O Hubble obteve o segundo retrato, do planeta Marte, no dia 18 de julho, apenas 13 dias antes de Marte alcançar a sua maior aproximação à Terra. Este ano, Marte passou a 57,6 milhões de quilómetros da terra. Foi a maior aproximação desde o Grande Evento de 2003 - há quase 60.000 anos que não estava tão perto.  Embora as imagens anteriores tenham mostrado características da superfície do planeta, esta nova imagem é dominada por uma gigantesca tempestade de areia que envolve todo o planeta. Ainda visíveis, as esbranquiçadas calotas polares, Terra Meridiani, a Cratera Schiaparelli e a Bacia Hellas - mas todas estas características estão levemente obscurecidas pela poeira atmosférica.

Esta imagem compara as observações de Marte feitas durante as oposições de 2016 e 2018.A imagem de 2016 mostra Marte durante um dia nublado. No entanto, o antigo vulcão inativo Syrtis Major, a brilhante bacia oval Hellas Planitia, Arabia Terra e as características escuras de Sinus Sabaeous e Sinus Meridiani, junto ao equador, eram claramente visíveis.A nova imagem de 2018 foi captada quando o planeta estava envolto numa tempestade global de areia. Ainda podem ser vistas as calotas polares, Terra Meridiani, a Cratera Schiaparelli e Hellas Basin - mas todas estas características superficiais estão obscurecidas pela poeira na atmosfera.Crédito: NASA, ESA e STScI

A comparação destas novas imagens de Marte e Saturno com dados mais antigos recolhidos pelo Hubble, por outros telescópios e até por naves espaciais, permite que os astrónomos estudem como os padrões de nuvens e as estruturas em grande escala noutros planetas do nosso Sistema Solar mudam com o decorrer do tempo.
Fonte: Astronomia OnLine

30 de julho de 2018

A Batalha de NGC 3256


   Marcada por uma região central excecionalmente brilhante, faixas rodopiantes de poeira e longas caudas de maré, a peculiar NGC 3256 é o rescaldo de uma colisão verdadeiramente cósmica. O confronto entre duas galáxias separadas, que já dura há 500 milhões de anos, abrange cerca de 100 mil anos-luz nesta imagem nítida do Hubble. Claro, quando duas galáxias colidem, as estrelas individuais raramente o fazem. Gigantescas nuvens galácticas de gás molecular e poeira interagem e produzem explosões espetaculares de formação estelar. Neste embate galáctico, as duas galáxias espirais originais tinham massas semelhantes. Os seus discos não são mais distintos e os dois núcleos galácticos estão escondidos pela poeira obscurecida. Na escala de tempo de algumas centenas de milhões de anos os núcleos provavelmente também fundir-se-ão à medida que NGC 3256 se torna uma única grande galáxia elíptica. NGC 3256 propriamente dita está quase a 100 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação do hemisfério sul de Vela. A imagem inclui muitas galáxias de fundo ainda mais distantes e estrelas pontiagudas em primeiro plano.
Crédito: NASA, ESA, Telescópio Espacial Hubble   

Físicos querem encontrar quinta dimensão estudando a gravidade

Já há algumas ideias sobre como "ver" dimensões extras do espaço - alguns físicos acreditam que a matéria escura pode ser extradimensional.[Imagem: Andrew J. Hanson/Indiana University]
Dimensão perdida
"Qual é a 5ª dimensão? Eu sei que a primeira é a altura, a segunda é a largura, a terceira é a profundidade e a quarta, o tempo. Mas ninguém parece saber o que é a quinta!".
Esta pergunta foi enviada por Lena Komaier-Peeters, uma menina de 12 anos, a um programa de divulgação científica da emissora britânica BBC.
Os organizadores do programa foram tentar encontrar alguma pista para responder às perguntas da garota no LHC, o maior experimento científico já construído, onde físicos do mundo todo tentam desvendar os segredos da matéria.
E foram para lá por uma boa razão: algumas teorias indicam que o LHC pode dar pistas sobre os grávitons, hipotéticas partículas que explicariam a força da gravidade e, ao dar essa explicação, poderiam comprovar a existência de dimensões adicionais do Universo.
Físicos querem encontrar quinta dimensão estudando a gravidade
O que sabemos sobre a força da gravidade? Bem pouco. [Imagem: Sandbox Studio/Ana Kova]
Gravidade e múltiplas dimensões
Mas como é que uma explicação para a força da gravidade pode dar pistas sobre a quinta dimensão - e a sexta, e a sétima etc.
"Uma razão muito convincente é que realmente não entendemos por que a força da gravidade é muito mais fraca do que as outras forças fundamentais que experimentamos. Se eu te der um ímã de geladeira e uma chave qualquer, o ímã levantará a chave com muita facilidade. A força magnética desse pequeno ímã supera a força da gravidade da Terra, que é enorme, que puxa a chave na direção oposta.
"A hipótese é que a gravidade pode experimentar dimensões adicionais, enquanto nós não temos essa capacidade. E ela se dissipa nessas outras dimensões e é por isso que sentimos que ela é muito fraca," explicou a física Rakhi Mahbubani, do LHC.
Se essa teoria estiver correta, há uma pequena probabilidade de que uma das partículas subatômicas produzidas nas colisões do LHC seja um gráviton. A física atual estabelece que cada força tem uma partícula relacionada que a transporta - a luz é transportada por fótons e, do mesmo modo, a gravidade deveria teoricamente ser transportada por grávitons. Só que ninguém nunca capturou um deles.
Se, e quando, os grávitons puderem ser capturados, então será possível observar seu comportamento e seus níveis de energia e verificar se eles de fato parecem estar perdendo potência ao mergulhar em dimensões extras do Universo que fogem à nossa percepção.
Físicos querem encontrar quinta dimensão estudando a gravidade
Nas teorias da gravidade quântica, as dimensões podem se evaporar. [Imagem: Ambjørn/Jurkiewicz/Loll]
Gráviton no LHC? Muito difícil
Infelizmente, muitos físicos não são nem um pouco otimistas com um eventual sucesso do LHC em capturar os grávitons
"Temos certeza de que os grávitons existem, o que não temos certeza é que eles podem ser descobertos com o Grande Colisor de Hádrons. Na verdade, é o oposto: você tem que ser muito, muito, muito sortudo para poder encontrar grávitons nessa máquina. Existem teorias e as estamos testando, mas, se os grávitons estivessem lá, poderíamos tê-los visto facilmente e não os vimos, então as probabilidades são mínimas," defende o professor Sean Carroll, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que também contraria muitos dos seus colegas defendendo que o tempo é mesmo real, e não uma ilusão.
Mesmo assim, acrescenta Carroll, vale a pena continuar procurando por outras dimensões porque, se elas forem encontradas, "tudo o que pensamos sobre as leis fundamentais da natureza mudará: seria uma descoberta transcendental. Se nós não as vemos [as partículas grávitons], isso não significa que elas não estão lá, mas que nossos experimentos ainda não são bons o suficiente. Se continuarmos tentando, vamos achar algum dia."
Dimensões escondidas
E então, quando finalmente tivermos sucesso em comprovar a existência de outras dimensões, poderemos "acessá-las"?
"Nós tendemos a acreditar que uma outra dimensão é um lugar aonde você vai e é possuído por criaturas estranhas. E uma dimensão é simplesmente uma direção no espaço. Neste momento, nós conhecemos três, que poderíamos chamar de 'para cima-para baixo', 'para a esquerda e para a direita' e 'para a frente e para trás'," explica Carroll.
Assim, não faz sentido perguntar "Onde está a dimensão para cima-para baixo?" porque ela está em todo o lugar, assim como todas as outras.
"O que sabemos com certeza é que elas estão escondidas de alguma forma, então podem ser muito, muito, muito pequenas, tanto que nunca as veremos - essa é a maneira mais fácil de se esconderem," afirmou o físico.
Mas também há outras possibilidades - os físicos já conseguiram pensar em pelo menos duas.
"Uma é que [as dimensões] são apenas um pouco pequenas, com um milímetro ou um décimo de milímetro. E a outra é que as dimensões são infinitamente grandes, mas não podemos alcançá-las porque estamos presos em um subespaço da dimensão inferior do Universo," disse Carroll.
Isso é algo que os físicos chamam de Teoria das Cordas, ou Teoria das Branas, uma referência a membranas, que limitariam nosso Universo de quatro dimensões dentro de um espaço de dimensionalidade superior.
"Se isso for verdade, pode haver múltiplas branas, múltiplos subespaços de bi, tri, tetra e penta dimensionais paralelos. Nesse sentido, poderia haver mundos paralelos incorporados nessas outras dimensões," disse Carroll.
No fim das contas, algo que parece estar bem comprovado é que os físicos gostam muito de uma dimensão maravilhosa: a da imaginação, o ponto de partida de tantas grandes descobertas.
Fonte: Inovação Tecnológica

M31 colidiu com galáxia massiva há 2 mil milhões de anos

Nesta imagem, a Galáxia de Andrómeda dilacera a grande galáxia M32p, que eventualmente resultou na formação de M32 e de um grande halo de estrelas. Crédito: Richard D'Souza. Imagem de M31 cortesia de Wei-Hao Wang. Imagem do halo estelar de M31 cortesia da AAS/IOP

Cientistas da Universidade de Michigan deduziram que a Galáxia de Andrómeda, a nossa grande vizinha galáctica mais próxima, destruiu e canibalizou uma enorme galáxia há dois mil milhões de anos.  Apesar de ter sido em grande parte despedaçada, esta galáxia massiva deixou para trás uma rica trilha de evidências: um halo quase invisível de estrelas maior do que a própria Galáxia de Andrómeda, um elusivo fluxo de estrelas e uma enigmática galáxia compacta, M32. A descoberta e estudo desta galáxia dizimada ajudará os astrónomos a entender como galáxias de disco como a Via Láctea evoluem e sobrevivem a grandes fusões.

Esta galáxia perturbada, de nome M32p, era o terceiro maior membro do Grupo Local de galáxias, depois da Via Láctea e de Andrómeda. Usando modelos de computador, Richard D'Souza e Eric Bell do Departamento de Astronomia da Universidade de Michigan foram capazes de reunir estas evidências, revelando esta irmã há muito perdida da Via Láctea. As descobertas foram publicadas na revista Nature Astronomy.

Os cientistas sabem há muito que este grande halo quase invisível de estrelas em torno de galáxias contém o remanescente de galáxias canibalizadas mais pequenas. Uma galáxia como Andrómeda deveria ter consumido centenas das suas companheiras mais pequenas. Os investigadores pensavam que isso dificultaria o estudo de qualquer uma delas.  Usando novas simulações de computador, os cientistas foram capazes de entender que, apesar de muitas galáxias companheiras terem sido consumidas por Andrómeda, a maioria das estrelas no fraco halo de M31 é principalmente atribuída à destruição de uma única grande galáxia.

"Foi um momento 'eureka'. Percebemos que podíamos usar esta informação do halo estelar externo de Andrómeda para inferir as propriedades da maior destas galáxias dilaceradas," comenta o autor principal D'Souza, investigador pós-doutorado da Universidade de Michigan.

"Os astrónomos há muito que estudam o Grupo Local - a Via Láctea, Andrómeda e as suas companheiras. Foi chocante perceber que a Via Láctea tinha uma irmã, que só agora sabemos da sua existência," afirma o coautor Bell, professor de astronomia da Universidade de Michigan.  Esta galáxia, de nome M32p, que foi destruída pela Galáxia de Andrómeda, era pelo menos 20 vezes maior do que qualquer galáxia que se fundiu com a Via Láctea ao longo da sua vida. M32p teria sido massiva, tornando-se a terceira maior galáxia do Grupo Local, depois de Andrómeda e da Via Láctea.

Segundo os cientistas, este trabalho também pode ajudar a resolver um mistério de longa data: a formação da enigmática galáxia satélite de Andrómeda, M32. Eles sugerem que a compacta e densa M32 é o centro sobrevivente da irmã há muito perdida da Via Láctea, como o caroço indestrutível de uma ameixa.

"M32 é esquisita," comenta Bell. "Embora pareça um exemplo compacto de uma antiga galáxia elíptica, ela na verdade tem muitas estrelas jovens. É uma das galáxias mais compactas do Universo. Não há outra galáxia igual."

Os astrónomos dizem que o seu estudo pode alterar a compreensão tradicional de como as galáxias evoluem. Eles perceberam que o disco de M31 sobreviveu a um impacto com uma enorme galáxia, o que questionaria a sabedoria comum de que estas grandes interações destroem discos e formam uma galáxia elíptica. O momento da fusão também pode explicar o espessamento do disco da Galáxia de Andrómeda, bem como a explosão de formação estelar há dois mil milhões de anos, um achado que foi alcançado independentemente por investigadores franceses no início deste ano.

"A Galáxia de Andrómeda, com um espetacular surto de formação estelar, teria parecido muito diferente há 2 mil milhões de anos," comenta Bell. "Quando andava na escola, disseram-me que a compreensão da Galáxia de Andrómeda e da sua galáxia satélite M32 era uma grande ajuda para desvendar os mistérios da formação galáctica."

Os cientistas dizem que o método usado neste estudo pode ser aplicado noutras galáxias, permitindo a medição das maiores fusões galácticas. Com este conhecimento, os cientistas podem melhor desvendar a teia complexa de causa e efeito que impulsiona o crescimento das galáxias e aprender mais sobre o que as fusões fazem às galáxias.
 Fonte: Astronomia OnLine

Tecnologia de raios-X revela matéria nunca antes vista em torno do buraco negro


O buraco negro em Cygnus X-1 é uma das fontes mais brilhantes de raios-X no céu. A luz perto do buraco negro vem da matéria sugada pela sua companheira. Crédito: NASA, ESA, Martin Kornmesser

Em um estudo de colaboração internacional, cientistas do Japão e da Suécia esclareceram como a gravidade afeta a forma da matéria em torno do buraco negro no sistema binário Cygnus X-1. Os pesquisadores criaram dois modelos que podem ajudá-los a entender melhor a física da gravidade e a evolução dos buracos negros e das galáxias.  Perto do centro da constelação de Cygnus, uma estrela orbita o primeiro buraco negro descoberto no universo. Juntos, eles formam um sistema binário conhecido como Cygnus X-1.

Este buraco negro é também uma das fontes mais brilhantes de raios-X no céu. No entanto, os cientistas não tinham certeza sobre a geometria da matéria que dá origem a essa luz. Para descobrir isso, a equipe do novo estudo precisou desenvolver uma técnica chamada de “polarimetria de raios-X”.  Ainda não é possível observar diretamente um buraco negro, porque a luz não pode escapar dele. Em vez de observar o próprio objeto, então, os cientistas olham para a luz vinda da matéria próxima ao buraco negro. No caso de Cygnus X-1, essa luz vem da estrela companheira.

A maior parte dela, porém, como a que vem do sol, vibra em muitas direções. Os cientistas precisavam de alguma técnica especial que lhes permitisse direcionar e medir esta dispersão de luz, para descobrir onde se origina e para onde se espalha. Primeiro, eles lançaram um polarímetro de raios-X em um balão chamado PoGO+. Depois, eles utilizaram esses dados para medir a fração de raios-X que era refletida do disco de acreção em torno do buraco negro, a fim de identificar a forma da matéria. Por fim, os cientistas criaram dois modelos concorrentes que descrevem como a matéria perto de um buraco negro pode ser vista em um sistema binário como o Cygnus X-1: o “modelo de lâmpada” e o “modelo estendido”.

No primeiro, a corona é compacta e está ligada ao buraco negro. Os fótons se curvam em direção ao disco de acreção, resultando em mais luz refletida. No modelo estendido, a corona é maior e se espalha ao redor da vizinhança do buraco negro. Nesse caso, a luz refletida pelo disco é mais fraca. Como a luz não se dobrava muito sob a forte gravidade de Cygnus, a equipe concluiu que esse buraco negro se encaixava no modelo estendido.

Com essa informação, os pesquisadores podem descobrir mais sobre determinadas características dos buracos negros. Um exemplo é o seu spin (seu “giro”). Os efeitos do spin podem modificar o espaço-tempo em torno do buraco negro, e também fornecer pistas sobre a evolução do objeto. Ele pode estar diminuindo de velocidade desde o começo do universo, ou pode estar acumulando matéria e girando mais rápido.

“O buraco negro em Cygnus é um de muitos. Gostaríamos de estudar mais buracos negros usando a polarimetria de raios-X, como aqueles mais próximos do centro das galáxias. Talvez possamos entender melhor a evolução dos buracos negros, assim como a evolução das galáxias”, disse um dos pesquisadores do estudo, Hiromitsu Takahashi, da Universidade de Hiroshima, no Japão.  As descobertas do estudo foram publicadas em um artigo na revista científica Nature Astronomy
Fonte: https://phys.org

Telescópio terrestre iguala Hubble em qualidade das imagens


A imagem do planeta Netuno da esquerda foi obtida pelo telescópio terrestre VLT. A imagem da direita é uma imagem semelhante obtida pelo Hubble. Note que as duas imagens não foram capturadas no mesmo momento e nem da mesma posição, por isso as estruturas na superfície do planeta não são iguais.[Imagem: ESO/P. Weilbacher (AIP)/NASA/ESA/M.H. Wong/J. Tollefson]

Telescópio com qualidade espacial 

O VLT, um dos maiores telescópios do mundo, instalado no Chile, estreou seu novo sistema de óptica adaptativa com um feito histórico: atingindo uma qualidade das imagens similar - superior em alguns detalhes - à do telescópio espacial Hubble.

Os telescópios espaciais são muito mais caros e não podem ser consertados - o Hubble até que podia, enquanto existiam os ônibus espaciais - mas têm a grande vantagem de sofrerem a interferência da atmosfera terrestre, o que gera imagens tipicamente mais nítidas.

Mas a tecnologia da óptica adaptativa está permitindo tirar essa diferença ao corrigir a turbulência da atmosfera.

O instrumento MUSE, instalado no VLT, passou a utilizar um sistema inédito de correção, chamado Tomografia Laser, usa quatro raios laser para criar "estrelas artificiais", que servem como referência para anular as variações da atmosfera momento a momento.

A estreia, em grande estilo, obteve imagens extremamente nítidas do planeta Netuno, de enxames estelares e outros objetos celestes mais distantes, comprovando que as melhorias incrementais podem permitir que os telescópios terrestres andem sempre nos calcanhares dos telescópios espaciais. Além disso, como o MUSE é um espectrógrafo (MUSE: Multi Unit Spectroscopic Explorer), a atualização permitirá estudar as propriedades dos corpos celestes com muito mais detalhe do que era possível até agora.

Limite teórico de nitidez de imagem

A nova unidade de óptica adaptativa, chamada GALACSI, deu ao telescópio um "modo de campo estreito", que corrige a turbulência atmosférica acima do telescópio em todas as altitudes, dando assim origem a imagens muito mais nítidas, embora de uma região menor do céu do que já se obtinha com o "modo de campo largo", que corrige os efeitos da turbulência atmosférica até 1 km acima do telescópio.

Com esta nova capacidade, o telescópio terrestre de 8 metros atinge o limite teórico de nitidez de imagem, não estando assim limitado à distorção atmosférica, obtendo imagens comparáveis, em termos de nitidez, às que são obtidas com o Telescópio Espacial Hubble.

Mas não pense que isso representa o fim dos telescópios em órbita: novas tecnologias de espelhos flexíveis para telescópios espaciais prometem fazer com que os observatórios orbitais abram vantagem novamente nos próximos anos.

Estas imagens do planeta Netuno foram obtidas durante os testes de óptica adaptativa em modo de campo estreito. A imagem da direita foi capturada sem o sistema de óptica adaptativa, e a da esquerda foi obtida após o sistema ser ligado. [Imagem: ESO/P. Weilbacher (AIP)]

Óptica adaptativa 

A óptica adaptativa é uma técnica que compensa os efeitos de distorção da atmosfera terrestre, a mesma turbulência que faz as estrelas cintilarem quando observadas a olho nu. A luz das estrelas e galáxias fica distorcida ao passar através da camada protetora da nossa atmosfera.

Para melhorar de forma artificial a qualidade destas imagens, quatro raios laser foram fixados ao telescópio principal do VLT, projetando no céu uma forte luz alaranjada de 30 cm de diâmetro, que energiza os átomos de sódio que se encontram na atmosfera superior.

É assim que são criadas as estrelas artificiais, cuja luz é usada pelo sistema para determinar a turbulência existente na atmosfera e calcular as correções necessárias, mil vezes por segundo, que são fornecidas ao espelho secundário fino e deformável do telescópio, o qual altera constantemente a sua forma, corrigindo assim estes efeitos de distorção da luz.
Fonte: Inovação Tecnológica

Primeiro teste bem sucedido da relatividade geral de Einstein realizado perto de buraco negro supermassivo

Culminação de 26 anos de observações do coração da Via Láctea obtidas com instrumentos do ESO

Observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO revelaram pela primeira vez os efeitos previstos pela relatividade geral de Einstein no movimento de uma estrela passando no campo gravitacional extremo existente próximo do buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. Este resultado, há muito procurado, representa o culminar de uma campanha de observações de 26 anos realizada com os telescópios do ESO no Chile.

Obscurecido pelas espessas nuvens de poeira, o buraco negro supermassivo mais perto da Terra situa-se a cerca de 26 000 anos-luz de distância, no centro da Via Láctea. Este monstro gravitacional, com uma massa de 4 milhões de vezes a massa solar, encontra-se rodeado por um pequeno grupo de estrelas que o orbitam a alta velocidade. Este meio extremo — o campo gravitacional mais forte da nossa Galáxia — é o local ideal para explorar a física gravitacional e, particularmente, testar a teoria da relatividade geral de Einstein.

Novas observações infravermelhas obtidas com os instrumentos extremamente sensíveis GRAVITY, SINFONI e NACO, montados no Very Large Telescope do ESO (VLT), permitiram aos astrônomos acompanhar uma destas estrelas, chamada S2, à medida que passava muito perto do buraco negro durante Maio de 2018. No ponto da sua órbita mais próximo do buraco negro, a distância desta estrela ao objeto era menor que 20 bilhões de quilômetros e a sua velocidade era maior que 25 milhões de quilômetros por hora — quase 3% da velocidade da luz.

A equipe comparou medições de posição e velocidade obtidas pelo GRAVITY e pelo SINFONI, respectivamente, juntamente com observações anteriores de S2 obtidas com outros instrumentos, com previsões de gravidade newtoniana, relatividade geral e outras teorias de gravidade. Os novos resultados são inconsistentes com as previsões newtonianas mas estão em excelente acordo com a relatividade geral.

Estas medições extremamente precisas foram obtidas por uma equipe internacional liderada por Reinhard Genzel do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE) em Garching, Alemanha, em colaboração com pesquisadores do Observatório de Paris—PSL, Universidade de Grenoble-Alpes, CNRS, Instituto Max Planck de Astronomia, Universidade de Colônia, Centro de Astrofísica e Gravitação (CENTRA) e ESO. Estas observações são o culminar de 26 anos das observações mais precisas até hoje do centro da Via Láctea obtidas com instrumentos do ESO.

“Esta é a segunda vez que observamos a passagem de S2 próximo do buraco negro situado no nosso centro galático. No entanto, desta vez, devido à instrumentação disponível muito melhorada, fomos capazes de observar a estrela com uma resolução sem precedentes,” explica Genzel. “Estas observações foram preparadas arduamente durante vários anos, uma vez que queríamos tirar o máximo partido desta oportunidade única de observar os efeitos da relatividade geral.”

As novas medições revelam claramente um efeito chamado desvio para o vermelho gravitacional. A luz emitida pela estrela é “esticada” na direção dos maiores comprimentos de onda por efeito do campo gravitacional muito forte do buraco negro. E a variação do comprimento de onda da luz de S2 está precisamente de acordo com a variação prevista pela teoria da relatividade geral de Einstein. Trata-se da primeira vez que este tipo de desvio às previsões da teoria da gravidade newtoniana é observado no movimento de uma estrela em torno de um buraco negro supermassivo.

A equipe usou o SINFONI para medir a velocidade de S2 ao aproximar-se e a afastar-se da Terra e o instrumento interferométrico GRAVITY para fazer medições extremamente precisas das variações de posição de S2 de modo a poder definir-se a forma da sua órbita. As imagens criadas pelo GRAVITY são tão nítidas que conseguem mostrar o movimento da estrela de noite para noite à medida que esta passa perto do buraco negro — a 26 000 anos-luz de distância da Terra.

“As nossas primeiras observações da S2 com o GRAVITY, há cerca de 2 anos atrás, mostraram que poderíamos ter efetivamente no buraco negro um laboratório ideal,” acrescenta Frank Eisenhauser (MPE),Pesquisador Principal do GRAVITY e do espectrógrafo SINFONI. “Durante a passagem próxima, pudemos inclusive detectar na maioria das imagens o brilho fraco da estrela orbitando em torno do buraco negro, o que nos permitiu seguir a sua órbita de forma muito precisa e detectar assim o desvio para o vermelho gravitacional no espectro de S2.”

Mais de cem anos após a publicação do seu artigo que descreveu as equações da relatividade geral, Einstein mostrou estar certo uma vez mais — e num laboratório muito mais extremo do que jamais poderia imaginar!

Françoise Delplancke, Chefe do Departamento de Engenharia de Sistemas no ESO, explica a importância destas observações: “No Sistema Solar podemos apenas testar as leis da física sob determinadas condições. Por isso é muito importante em astronomia testar também as leis que são ainda válidas quando os campos gravitacionais são muito mais fortes.”

Espera-se conseguir revelar outro efeito relativístico no final do ano com observações de acompanhamento — uma pequena rotação da órbita da estrela, conhecida por precessão de Schwarzschild — à medida que S2 se afasta do buraco negro.

Xavier Barcons, Diretor Geral do ESO, conclui: “O ESO tem trabalhado com Reinhard Genzel e a a sua equipe, assim como com colaboradores nos Estados Membros do ESO há mais de um quarto de século. O desenvolvimento de instrumentos extremamente poderosos necessários à obtenção destas medições tão delicadas revelou-se um tremendo desafio. A descoberta anunciada hoje trata-se do resultado extraordinário de uma parceria notável.”
Fonte: ESO

Conheça 5 curiosidades sobre cometas e asteroides

Podemos não conhecer cada canto do nosso planeta como deveríamos, mas considerando nosso avanço tecnológico atual, a exploração espacial é um caminho natural a se seguir. Esse é um longo trajeto, onde precisaremos desenvolver novas soluções de transporte e vida no espaço, enquanto tentamos conhecer melhor os corpos celestes que estão ao nosso redor.
Uma das melhores formas de se entender as origens do Sistema Solar é observando cometas e asteroides, pois sua formação ocorreu junto dele, há aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Quando os comparamos com planetas, são relativamente pequenos, mas sua composição pode ajudar a entender melhor como tudo se formou. Muito se fala, mas algumas pessoas desconhecem fatos bem interessantes sobre cometas e asteroides. Veja abaixo 5 curiosidades sobre esses corpos celestes, que são parte fundamental da nossa realidade.

1. Diferença entre eles

Cometas se formaram em regiões mais distantes do Sol, e isso se reflete em sua composição, que é basicamente de gelo. Essa característica fez deles verdadeiras cápsulas do tempo, com registros de matéria intacta da origem do nosso sistema planetário. Atualmente, eles se concentram nos limites do Sistema Solar, no Cinturão de Kuiper e na Nuvem de Oort, além da órbita de Netuno. Apesar de possuírem idade semelhante, os asteroides surgiram em uma área mais conturbada, dentro dos limites atuais do Sistema Solar. 
De modo geral, sua formação pode ser considerada como a de um planeta que não conseguiu acumular material suficiente para que orbitasse o Sol de maneira regular. A maioria deles está em uma região conhecida como cinturão de asteroides, que se localiza entre Marte e Júpiter.  Ocasionalmente, alguns deles têm sua órbita desviada, por influência da gravidade de Júpiter, e acabam sendo lançados em direção aos planetas mais próximos do Sol — e a Terra está nessa lista. Ambos liberam poeira cósmica e podem nos proporcionar uma visão incrível quando passam perto o suficiente.

2. Amostras grátis de espaço

O estudo desses corpos a partir da Terra é complicado, pois quase sempre estão longe, são pequenos e escuros, dificultando a visualização. Aproximadamente 20 missões foram enviadas ao espaço com o objetivo de estudá-los; duas trouxeram amostras na volta, uma de um cometa e outra de um asteroide.  Não é uma grande quantidade de material, mas certamente é melhor do que nada. Por sorte, essa dimensão não importa, tanto que a poeira deixada pelo rastro dos corpos celestes também pode ser coletada e estudada.

3. Pouso realizado com sucesso

Recentemente, a ESA Rosetta se tornou a primeira sonda a pousar em um cometa. O feito aconteceu em 2014, quando o Philae se desconectou do módulo principal e aterrissou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (67P/C-G). A missão durou 10 anos, tempo em que a sonda percorreu um longo caminho para ganhar velocidade e se posicionar de forma precisa ao lado de seu objeto de estudo.

4. Eles contêm a origem da vida

Uma das descobertas mais relevantes feitas pela sonda ESA Rosetta foi a de um aminoácido na superfície do cometa, chamado glicina. Apesar de o composto já ter sido detectado em outras amostras de cometas, sempre se questionou uma possível contaminação do material antes da análise.  Ao detectar glicina diretamente na superfície do 67P/G-C, comprovou-se que eles possuem o potencial de carregar moléculas orgânicas, que são essenciais para a formação de vida, tanto na Terra quanto em qualquer outro lugar do Universo.  Não sabemos como os seres vivos se originaram na Terra, mas uma das possibilidades é que materiais como esse tenham sido trazidos por cometas. Da mesma forma que caíram por aqui, podem ter sido levados a qualquer planeta, talvez originando a vida que tanto procuramos fora da Terra.

5. Conheça bem seu inimigo

A importância de cometas e asteroides é indiscutível, mas entender exatamente a sua formação também possui outros motivos. Da mesma forma que um impacto de grandes proporções atingiu a Terra há mais de 60 milhões de anos, causando danos significativos, o mesmo poderia ocorrer em um futuro próximo. Felizmente, não existem previsões do tipo, mas quando algo do gênero for detectado, será necessário o máximo de conhecimento para tentar evitar nossa extinção.  Os dinossauros não tinham essa capacidade, mas considerando nosso nível tecnológico atual, podemos pelo menos nos precaver e tentar organizar uma preparação em um evento do tipo. Além disso, alguns corpos podem conter metais preciosos, sem falar na água em formato sólido. Considerando uma condição de colonização de outros planetas, esses recursos podem se tornar essenciais para o sucesso da empreitada.
Fonte: MEGA CURIOSO

26 de julho de 2018

Buracos negros, quasares e supernovas: o fenômeno mais surpreendente no espaço sideral

Ao longo das últimas três décadas, o Telescópio Espacial Hubble tem nos ajudado a ter uma melhor visão do espaço sideral. Estimativas atuais indicam que existem cerca de 100 a 200 bilhões de galáxias em nosso universo observável. Alguns astrofísicos acreditam que esse número é subestimado; pode haver na verdade 2 trilhões de galáxias no total.

De qualquer maneira, o universo que conhecemos é insondável, e isso sem levar em conta a teoria das cordas e outras dimensões possíveis. Dentro deste enorme campo de bilhões de anos-luz de distância, ocorrem alguns dos fenômenos mais fascinantes que já observamos. E o que é mais legal: eles são muitas vezes interligados e nos surpreendem todos os dias com novos aspectos que iluminam cada vez mais nossa compreensão do universo.

Buracos negros, quasares e supernovas

Os buracos negros são objetos que possuem uma quantidade incrível de massa e densidade, tanto que nem mesmo a luz pode escapar dos limites de sua gravidade.  Embora ainda seja impossível ver diretamente um buraco negro, o advento dos telescópios espaciais com ferramentas avançadas nos permitiu detectá-los nos últimos anos. Hoje, os cientistas acreditam que há provavelmente um buraco negro supermassivo no centro de cada galáxia.

Sim, supermassivo. Isso porque buracos negros vêm em tamanhos variados. Alguns podem ser tão pequenos quanto um único átomo, mas sua massa é tão densa quanto uma cadeia de montanhas. Os buracos negros estelares têm em média a massa do nosso sol, e geralmente são criados quando uma grande estrela explode em uma supernova. Já os buracos negros supermassivos possuem milhões de vezes a massa do sol.

O quasar é uma corrente de energia semelhante a um jato, emitida por um buraco negro. Suas proporções são épicas em comparação com outros objetos espaciais em torno dele. Alguns buracos negros de 3 bilhões de vezes a massa do sol liberam quasares igualmente poderosos.

Concepção artística de um buraco negro supermassivo central de uma galáxia jovem

Quasares: as coisas mais brilhantes que já vimos

O primeiro quasar foi descoberto em 1963 pelo astrônomo Maarten Schmidt. Durante muito tempo, uma das questões mais intrigantes da astrofísica foi o mecanismo por trás desse fenômeno bizarro, intrinsecamente ligado a buracos negros.  Abreviação para “fonte de rádio quase estelar” (em inglês, quasi-stellar radio source), um quasar é um dos objetos mais brilhantes do universo. Acredita-se que alguns produzem 10 a 100 vezes mais energia do que toda a Via Láctea em um espaço confinado ao tamanho do nosso sistema solar. 

A maioria dos quasares estão a bilhões de anos-luz de distância de nós, e são monitorados medindo o espectro de sua luz. Embora não saibamos as operações exatas por trás desses objetos, temos algumas ideias.

O atual consenso científico é de que os quasares são produzidos por buracos negros supermassivos que estão consumindo matéria ao seu redor. À medida que a matéria é sugada para o buraco e gira, grandes quantidades de radiação na forma de raios-X, raios de luz visível, raios gama e ondas de rádio são disparadas. Esse “caos” todo é a energia que irrompe em forma de quasar.

Estrela? Não, quasar ou supernova

Representação artística do disco de acreção do ULAS J1120 + 0641, um quasar muito distante alimentado por um buraco negro com uma massa de dois bilhões de vezes a do sol

O 3C 273 – o primeiro quasar descoberto por Schimdt – foi inicialmente confundido com uma estrela. E esta não foi a primeira vez que objetos distantes no céu causaram o mesmo tipo de equívoco. Várias vezes na história da humanidade, mesmo antes de o telescópio ser inventado, supernovas foram observadas e confundidas com estrelas regulares. Uma supernova tem um começo extremamente brilhante que dura apenas um momento no tempo – é o fim da vida de uma estrela. Essa morte estelar pode brevemente ofuscar uma galáxia inteira e produzir mais energia que o sol em questão de segundos.

Uma das primeiras supernovas foi registrada em 185 dC por astrônomos chineses. Atualmente chamada de RCW 86, ficou no céu por oito meses. Houve um total de sete supernovas registradas antes dos telescópios, de acordo com a Encyclopedia Britannica. Uma famosa supernova que conhecemos hoje como Nebulosa do Caranguejo foi vista em todo o mundo por volta de 1054. Astrônomos coreanos registraram a explosão e nativos americanos podem ter sido inspirados por ela, de acordo com pinturas rupestres datadas da época. A supernova era tão brilhante que podia ser vista durante o dia.

Tudo está interligado


Em média, prevê-se que uma supernova ocorra uma vez a cada 50 anos em uma galáxia como a Via Láctea. Isso significa que uma estrela provavelmente está explodindo a cada segundo em algum lugar do universo.  Nem todas as estrelas se tornarão supernovas, entretanto; a forma como morrem depende do seu tamanho. Por exemplo, o sol não é grande o suficiente para explodir e deve se tornar uma gigante vermelha no final de sua vida.

Entre as estrelas que explodem em supernovas, existem dois tipos, de acordo com sua massa:
  • Supernova Tipo I: uma estrela reúne matéria a partir de objetos vizinhos e provoca uma reação nuclear descontrolada que causa sua explosão;
  • Supernova Tipo II: uma estrela fica sem combustível nuclear e colapsa sobre si mesma, geralmente causando um buraco negro.
As conexões entre quasares, buracos negros e supernovas são claras, mas complexas. O modo como tudo se soma está sendo lentamente desvendado por astrônomos, conforme eles colocam as peças cósmicas em seu lugar.  E estamos nos tornando cada vez melhores em testemunhar esses tipos de eventos e estudá-los. Inclusive, o astrônomo Duccio Macchetto, da Agência Espacial Europeia (ESA), acredita que descobriremos que os buracos negros têm um papel ainda mais importante na formação e evolução das galáxias nos próximos dez anos. Mal podemos esperar! 
Fonte: https://bigthink.com
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