18 de outubro de 2019

Hubble fotografa primeiro cometa interestelar


Ele se parece com os "nossos", mas é um cometa alienígena, vindo de outro sistema planetário. [Imagem: NASA, ESA, D. Jewitt (UCLA)]


Cometa interestelar

O telescópio espacial Hubble obteve a melhor visão até agora de um visitante interestelar que se acredita ter chegado aqui de outro sistema planetário, em outro ponto da nossa galáxia.

O cometa 2I/Borisov (o "I" significa interestelar) é apenas o segundo objeto interestelar (o número 2 em seu nome) já visto cruzando o nosso Sistema Solar. Hennadiy Borysov foi o astrônomo amador que o descobriu. Em 2017, o primeiro visitante interestelar identificado, um objeto chamado 'Oumuamua, passou a 38 milhões de quilômetros do Sol antes de sair novamente do Sistema Solar.

"Enquanto o 'Oumuamua parecia uma rocha nua, o Borisov é realmente ativo, mais como um cometa normal. É um quebra-cabeças porque esses dois são tão diferentes," comentou o astrônomo David Jewitt, da Universidade da Califórnia.

De fato, essa similaridade com os "nossos" cometas foi um tanto decepcionante, uma vez que se esperava que um cometa interestelar fornecesse vários insights valiosos, como a composição química, a estrutura e as características da poeira de um bloco de construção planetário, presumivelmente forjado em um sistema estelar alienígena há muito tempo e muito longe daqui.

"Como outro sistema estelar pode ser bem diferente do nosso, o cometa poderia ter experimentado mudanças significativas durante sua longa jornada interestelar. No entanto, suas propriedades são muito semelhantes às dos blocos de construção do Sistema Solar, e isso é muito notável," acrescentou a astrônoma Amaya Moro-Martin, membro da equipe de observação.

Cometa Borisov

O Hubble fotografou o 2I/Borisov a uma distância de aproximadamente 420 milhões de quilômetros da Terra. O cometa está viajando em direção ao Sol e fará sua maior aproximação da nossa estrela em 7 de dezembro, quando estará duas vezes mais longe do Sol do que a Terra.

Ele também segue um caminho hiperbólico ao redor do Sol e atualmente está disparando a uma velocidade extraordinária de mais de 150.000 quilômetros por hora, ou tão rápido quanto a Terra viaja ao redor do sol. Em meados de 2020, o cometa estará de volta ao espaço interestelar, onde flutuará por milhões de anos antes de talvez um dia se aproximar de outro sistema estelar.

Fonte: Inovação Tecnológica

Via Láctea “sequestrou” diversas pequenas galáxias de sua vizinha celestial


Pesquisa aponta que nossa galáxia está passando por uma fusão maciça com sua maior galáxia satélite, a Grande Nuvem de Magalhães
Uma das simulações usada no estudo. No centro, há matéria escura (em branco). No canto inferior direito, uma galáxia parecida com a Grande Nuvem de Magalhães, com gás e estrelas, acompanhada de diversas galáxias menores. Crédito: Ethan Jahn, UC Riverside.

Assim como a Lua orbita a Terra e a Terra orbita o sol, as galáxias orbitam umas às outras, de acordo com as previsões da cosmologia. Mais de 50 galáxias satélites descobertas, por exemplo, orbitam nossa própria galáxia, a Via Láctea. A maior delas é a Grande Nuvem de Magalhães, também conhecida como LMC, uma grande galáxia anã que se assemelha a uma fraca nuvem no céu noturno do Hemisfério Sul. 

Uma equipe de astrônomos, liderada por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside, descobriu que várias galáxias pequenas — ou “anãs” — que orbitam a Via Láctea provavelmente foram “roubadas” da LMC, incluindo várias anãs de baixo brilho, e também outras galáxias relativamente mais brilhantes e conhecidas, como a Carina e a Fornax.

Os pesquisadores fizeram a descoberta usando novos dados sobre o movimento de várias galáxias próximas, coletados pelo telescópio espacial Gaia, e contrastando-os com simulações hidrodinâmicas cosmológicas avançadas. Para isso, a equipe da UC Riverside usou as posições no céu e as velocidades previstas dos materiais que acompanha a LMC, como a matéria escura. 

Eles descobriram que pelo menos quatro anãs de brilho fraco e duas anãs clássicas, a Carina e a Fornax, eram satélites da LMC no passado. Durante o processo de fusão, no entanto, a Via Láctea, mais massiva, usou seu poderoso campo gravitacional para dividir a LMC e roubar esses satélites, relatam os pesquisadores.

“Esses resultados são uma confirmação importante de nossos modelos cosmológicos, que prevêem que pequenas galáxias-anãs no Universo também devem estar cercadas por uma população de galáxias de brilho fraco companheiras”, diz Laura Sales, professora assistente de física e astronomia, que liderou a time de pesquisa. “É a primeira vez que somos capazes de mapear a hierarquia da formação estrutural para essas anãs de brilho fraco e ultra-fraco”.

As descobertas têm implicações importantes sobre a massa total da LMC, e também sobre a formação da Via Láctea.

“Se tantas anãs vieram junto com a LMC apenas recentemente, isso significa que as propriedades da população de satélites da Via Láctea há apenas um bilhão de anos eram radicalmente diferentes, impactando nosso entendimento de como as galáxias de brilho fraco se formam e evoluem”, diz Sales.

Os resultados do estudo serão publicados na edição de novembro de 2019 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Galáxias anãs são pequenas galáxias que contêm de alguns milhares a alguns bilhões de estrelas. Os pesquisadores usaram simulações em computador do projeto Feedback In Realistic Environments para mostrar que a LMC (e galáxias semelhantes) abrigam inúmeras galáxias anãs minúsculas, muitas das quais não contêm estrelas — apenas matéria escura, um tipo de matéria que os cientistas acreditam constituir a maior parte da massa do Universo.

“O alto número de pequenas galáxias anãs parece sugerir que o conteúdo de matéria escura da LMC é bastante grande, o que significa que a Via Láctea está passando pela fusão mais maciça de sua história com sua parceira LMC, atraindo, no processo, até um terço da massa do halo de matéria escura da Via Láctea — o halo de material invisível que cerca nossa galáxia “, diz Ethan Jahn, o primeiro autor do artigo e pós-graduando no grupo de pesquisa de Sales.

Jahn explica que o número de pequenas galáxias anãs que a LMC têm pode ser maior do que astrônomos estimavam anteriormente, e que muitos desses pequenos satélites não têm estrelas.  Galáxias pequenas são difíceis de medir, e é possível que algumas galáxias anãs de brilho ultra-leve já conhecidas estejam de fato associadas à LMC”, disse ele. “Também é possível que descubramos novas galáxias do tipo associados a ela”.

Galáxias anãs podem ser satélites de galáxias maiores ou podem ser “isoladas”, existindo por si próprias e independentes de qualquer objeto maior. Jahn explica que a LMC costumava ser isolada, mas foi capturada pela gravidade da Via Láctea e agora é um satélite.

“A LMC hospedou pelo menos sete galáxias satélites próprias, incluindo a Pequena Nuvem de Magalhães no hemisfério celestial Sul, antes de serem capturadas pela Via Láctea”, diz ele.  Será interessante ver se eles se formam de maneira diferente dos satélites das galáxias da Via Láctea”, diz Jahn.

Fonte: Scientific American Brasil

ALMA observa fluxos contra-intuitivos em torno de buraco negro


Impressão de artista do coração da galáxia NGC 1068, que alberga um buraco negro que se alimenta ativamente, escondido por trás de uma nuvem de gás e poeira em forma de anel. O ALMA descobriu dois fluxos gasosos em contrarotação em torno do buraco negro. As cores na imagem representam o movimento do gás: o azul é material que se move na nossa direção, o vermelho é material que se afasta de nós.Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello 

No centro de uma galáxia chamada NGC 1068, um buraco negro supermassivo esconde-se dentro uma espessa nuvem de poeira e gás em forma de anel. Quando os astrónomos usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para estudar esta nuvem em mais detalhe, fizeram uma descoberta inesperada que poderá explicar porque é que os buracos negros supermassivos cresceram tão depressa no início do Universo.

"Graças à espetacular resolução do ALMA, medimos o movimento do gás nas órbitas mais interiores em redor do buraco negro," explica Violette Impellizzeri do NRAO (National Radio Astronomy Observatory), que trabalha com o ALMA no Chile e é a autora principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal. "Surpreendentemente, encontrámos dois discos de gás girando em direções opostas."

Os buracos negros supermassivos já existiam quando o Universo era jovem, apenas mil milhões de anos após o Big Bang. Mas exatamente como estes objetos extremos, cujas massas atingem milhares de milhões de vezes a massa do Sol, tiveram tempo para crescer tanto, é uma questão importante entre os astrónomos. Esta nova descoberta do ALMA pode fornecer uma pista. "Os fluxos de gás contragiratórios são instáveis, o que significa que as nuvens caem no buraco negro mais depressa do que num disco com uma única direção de rotação," disse Impellizzeri. "Esta pode ser uma maneira pela qual um buraco negro cresce rapidamente."

NGC 1068 (também conhecida como Messier 77) é uma galáxia espiral a aproximadamente 47 milhões de anos-luz da Terra na direção da constelação de Baleia. No seu centro está um núcleo galáctico ativo, um buraco negro supermassivo que se alimenta ativamente de um disco giratório e fino de gás e poeira, também conhecido como disco de acreção.

Observações anteriores do ALMA revelaram que o buraco negro está a engolir material e a expelir gás a velocidades incrivelmente altas. Este gás expelido do disco de acreção provavelmente contribui para ocultar a região em redor do buraco negro dos telescópios óticos.

Impellizzeri e a sua equipa usaram a incrível capacidade de ampliação do ALMA para observar o gás molecular em redor do buraco negro. Inesperadamente, encontraram dois discos de gás contragiratórios. O disco interno mede 2-4 anos-luz e segue a rotação da galáxia, ao passo que o disco externo (também conhecido como toro) mede 4-22 anos-luz e gira na direção oposta.

"Não esperávamos ver isto porque o gás que entra no buraco negro normalmente gira apenas numa direção," disse Impellizzeri. "Algo deve ter perturbado o fluxo, porque é impossível que uma parte do disco comece a girar para trás sozinha."

A contrarotação não é um fenómeno invulgar no espaço. "Vemos isto em galáxias, geralmente a milhares de anos-luz dos seus centros galácticos," explicou o coautor Jack Gallimore da Universidade Bucknell, em Lewisburg, no estado norte-americano da Pensilvânia. "A contrarotação resulta sempre da colisão ou interação entre duas galáxias. O que torna este resultado notável é que vemos contrarotação a uma escala muito menor, a dezenas de anos-luz em vez de a milhares de anos-luz do buraco negro central."

Os astrónomos pensam que o fluxo oposto em NGC 1068 pode ser provocado por nuvens de gás que caíram da galáxia hospedeira, ou por uma pequena galáxia, que passava numa órbita contrária, capturada no disco.

De momento, o disco externo parece estar numa órbita estável em redor do disco interno. "Isto vai mudar quando o disco externo começar a cair no disco interno, o que poderá ocorrer após algumas órbitas ou algumas centenas de milhares de anos. Os fluxos giratórios do gás vão colidir e tornar-se instáveis, e os discos vão provavelmente colapsar num evento luminoso quando o gás molecular cair no buraco negro. Infelizmente, não estaremos cá para testemunhar estes fogos-de-artifício," concluiu Gallimore.

Fonte: Astronomia OnLine

Dunas de areia em Titã podem ser feitas por raios cósmicos


Titã é o único lugar no Sistema Solar, além da Terra que tem líquido na sua superfície em forma de oceanos, lagos e rios, mas, além disso, Titã tem também enormes desertos cobertos por dunas de areia. O material que faz essas dunas é normalmente assumido como sendo material que cai do céu, mas um novo estudo sugere que ele pode muito bem ser feito no próprio solo.

As dunas de Titã, o maior satélite natural de Saturno, se espalham pela região equatorial e atingem alturas de cerca de 100 metros em alguns lugares. Imagens feitas pela sonda Cassini da NASA mostraram que as dunas contêm moléculas orgânicas escuras, que são feitas de longas cadeias de átomos de carbono.

Nós também podemos ver moléculas orgânicas na espessa atmosfera de Titã, o que levou muitos pesquisadores a inferirem que essas moléculas, se formam ali e depois caem como chuva. Mas essas moléculas podem também se formarem no próprio solo do satélite num processo que também pode acontecer em outras mundos, mesmo aqueles que não possuem atmosfera.

A Cassini descobriu a assinatura de gelo de acetileno nas mesmas regiões das dunas de Titã, então, foram desenhados experimentos, para ver se esse gelo poderia ser quimicamente convertido em moléculas orgânicas complexas. Nos experimentos, o gelo de acetileno foi bombardeado com radiação de alta energia, similar aos raios cósmicos que se propagam pela galáxia, e foi então possível observar que esses raios cósmicos podem aquecer o gelo até que ele sublime e esse processo determinaria a sua composição final.

Através dos experimentos pôde-se descobrir que a radiação que aquece o gelo é a causa para a reação química acontecer e então se criar moléculas orgânicas que são observadas nas dunas de Titã. Essas moléculas são muito provavelmente criadas na atmosfera, então eles poderiam também vir dali.

O processo é provavelmente mais eficiente em mundos sem atmosfera, como o planeta anão Makemake e outros, que apresentam sinais de gelo orgânico.

No fim das contas, nós não sabemos exatamente o que é essa areia e nem como ela chegou até ali. Sabemos um pouco sobre a superfície de Titã, e isso tudo é o motivo pelo qual a NASA está mandando, por volta de 2026, a missão Dragonfly até Titã. A missão irá pousar em uma região próximas das dunas por volta de 2034 e ela está sendo desenvolvida para responder uma série de questões sobre a química de Titã.

Fonte: newscientist.com

16 de outubro de 2019

Há um par de bolhas gigantes e estranhas no centro da nossa galáxia

As bolhas são apenas visíveis quando as manchas de fumaça acima e abaixo da linha central brilhante da galáxia. Observatório de Radioastronomia da África do Sul

O centro da Via Láctea é um lugar muito tumultuado, algumas vezes ele explode algumas bolhas. Os astrônomos, usando o telescópio MeerKAT na África do Sul descobriram um par de enorme bolhas de partículas e alta energia vagando a centenas de anos-luz acima e abaixo do buraco negro supermassivo central da Via Láctea. 

O MeerKAT é sensível a um tipo de ondas de rádio chamado de radiação sincrotron, que é causada por partículas carregadas como elétrons que se movem a uma velocidade próxima da velocidade da luz. Assim é possível mapear o centro da Via Láctea com essa radiação e aprender muitas coisas.

Os astrônomos descobriram duas imensas bolhas se estendendo para fora de uma área ao redor do buraco negro supermassivo central da galáxia, perpendicular ao disco galáctico. Esses balões de partículas devem ter sido acelerados a altíssimas velocidades por um algum evento extraordinariamente poderoso no meio da Via Láctea.

As bolhas estão circuladas aqui.
Observatório de Radioastronomia da África do Sul

Que evento foi esse, é a famosa pergunta de 1 milhão de dólares. Existem duas ideias principais, o buraco negro podeteriam ter ficado ativo de forma breve, engolindo muito material de uma vez só e gerando uma flare enorme, ou uma explosão de formação de estrelas poderia ter enviado uma energia extra pelo centro galáctico.

Enquanto os astrônomos trabalham para descobrir o que causou as bolhas, elas podem ajudar a resolver um mistério cósmico. Mais de 100 estranhos filamentos de partículas magnetizadas foram descobertos perto do centro da galáxias a cerca de 35 anos atrás, e nós não sabemos como eles se formaram ou por que eles têm energia suficiente para emitir ondas de rádio, já que eles não estão aparentemente associados a objetos muito energéticos. 

Os pesquisadores descobriram que quase todos os filamentos brilhantes estão dentro das bolhas. Devido a esse impressionante alinhamento, é possível que a mesma explosão poderosa que criou as bolhas também tenha dado aos filamentos a energia que fez com que eles se iluminassem.

Esses eventos estão moldando a evolução do núcleo da nossa galáxia. Aprender sobre a nossa própria galáxia faz com que possamos aprender mais sobre outras galáxias mais ativas que estão muito longe para serem estudadas em detalhe.


A incrível estrela de Barnard

Estrelas são sóis distantes. Gigantescas bolas de gás, sobretudo hidrogênio, brilhando com a energia de reações nucleares que ocorrem constantemente em seu interior.
Muita gente confunde estrela com meteoro – a popular “estrela cadente” – que risca o céu numa fração de segundo ao penetrar em nossa atmosfera, queimando com seu rastro de luz.
Mas, as estrelas de verdade não ficam tão perto. A mais próxima, o Sol, brilha a 150 milhões de quilômetros de nossa pele. E isso não é nada perto dos 40 trilhões de quilômetros que nos separam da segunda estrela mais próxima, Alfa do Centauro.
Vistas assim, de tão longe, as estrelas acabam sendo chamadas de “fixas”, dada a grande dificuldade em percebermos seu movimento próprio. No entanto, elas se movem. Embora boa parte delas se desloque muito sutilmente, alguns segundos de arco em séculos.
Pequena notável
Mas, existe uma estrela cujo movimento próprio é notável, extraordinário em termos astronômicos. É a estrela de Barnard, que fica na constelação de Ofiúco, o serpentário.
Barnard é a segunda estrela mais próxima do Sol, perdendo, portanto, apenas para Alfa do Centauro. Ela foi estudada em detalhes pelo astrônomo estadunidense Edward E. Barnard (1857-1923), que detectou seu rápido deslocamento no céu: mais de 10 segundos de arco por ano.
Do nosso ponto de vista na Terra nenhuma estrela se move mais depressa. Essa velocidade aparente é resultado da trajetória atual desse astro, viajando na direção do nosso Sistema Solar a 140 quilômetros por segundo.
Mas nada de pânico! O que vai acontecer é que por volta do ano 11.800 a estrela de Barnard roubará a posição de Alfa do Centauro, tornando-se a mais próxima do Sol. Um bom momento para lembrarmos que ainda estamos no ano 2017.
Barnard é pequena e “fria” em termos estelares. Tem apenas 15% do diâmetro do Sol e um colorido superficial predominantemente vermelho, característico de sua idade: 10 bilhões de anos (o Sol tem 5 bilhões).
Não é possível acompanhar a olho nu o movimento próprio da estrela de Barnard, pois leva 175 anos para ela se deslocar o equivalente ao diâmetro da Lua Cheia. Parece pouco, mas a maioria das estrelas se desloca absurdamente menos – não é à toa que são ditas “fixas”. Mas dê tempo suficiente e todas se movem, e até as constelações que visualizamos no céu hoje deixam de existir, dando lugar a outras formas e figuras.
Imaginação fértil
Recentemente a estrela de Barnard ocupou uma posição de destaque na imaginação de algumas pessoas. É que elas cismaram, por algum motivo, que Barnard era um planeta vindo colidir com a Terra.
Lembram-se do “fim do mundo” que era para ter acontecido no último sábado? Tudo um grande mal entendido (somada a uma boa dose de má fé) com o rápido movimento dessa estrelinha admirável. O fato é que a estrela de Barnard não ameaça ninguém, e até encoraja o intelecto humano ao revelar um universo ainda mais incrível que nossa mais fértil imaginação.
Fonte: Nossa Ciência

15 de outubro de 2019

Para planetas recém-nascidos, os sistemas solares são naturalmente "à prova de bebés"


Um jovem planeta num sistema à prova de bebé: os novos resultados mostram como um limite dentro do disco em torno de jovem estrela parecida com o Sol atua como uma barreira que impede que os planetas mergulhem na estrela.Crédito: Departamento Gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia

Simulações numéricas de um grupo de astrónomos liderado por Mario Flock do Instituto Max Planck para Astronomia, mostraram que os sistemas planetários jovens são naturalmente "à prova de bebés": os mecanismos físicos combinam-se para impedir os jovens planetas nas regiões interiores de darem um mergulho fatal para a estrela. Processos similares também permitem que os planetas nasçam perto das estrelas - a partir de detritos presos numa região próxima da estrela. A investigação, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, explica descobertas pelo Telescópio Espacial Kepler que mostram um grande número de super-Terras em órbita íntima das suas estrelas, nos limites da região à prova de bebé. 

Quando uma criança nasce, os pais certificam-se que a sua casa é à prova de bebé, estabelecendo barreiras de segurança que mantêm a criança longe de áreas particularmente perigosas. Novas investigações sobre a formação planetária mostram que algo muito semelhante ocorre nos jovens sistemas planetários.

Os planetas formam-se em torno de uma jovem estrela, cercada por um disco de gás e poeira. Dentro deste disco protoplanetário, os grãos de poeira unem-se, ficando cada vez maiores. Após alguns milhões de anos, atingem alguns quilómetros em diâmetro. Neste ponto, a gravidade é forte o suficiente para unir estes objetos e assim formar planetas, objetos redondos, sólidos ou com um núcleo sólido, com diâmetros de alguns milhares de quilómetros ou mais.

Uma curiosa multidão no limite interior

Assim como crianças, os objetos sólidos num sistema planetário tão jovem tendem a mover-se em todas as direções - não apenas em órbita da estrela, mas flutuando para fora e para dentro. Isto pode ser potencialmente fatal para planetas que já se encontrem relativamente próximos da estrela central.

Perto da estrela, encontraremos apenas planetas rochosos, com superfícies sólidas, semelhantes à nossa Terra. Os núcleos planetários só podem capturar e manter quantidades significativas de gás para se transformarem em gigantes gasosos muito mais longe da estrela quente. Mas o tipo mais simples de cálculo para o movimento de um planeta perto da estrela, no gás de um disco protoplanetário, mostra que um planeta deste tipo deverá flutuar continuamente para dentro, mergulhando na estrela numa escala de tempo inferior a um milhão de anos, muito menos do que a vida útil do disco.

Se fosse este o cenário completo, seria surpreendente que o satélite Kepler da NASA, que examinou estrelas parecidas com o Sol (dos tipos espectrais F, G e K), encontrasse algo completamente diferente: inúmeras estrelas têm as chamadas super-Terras em órbita íntima, planetas rochosos mais massivos do que a nossa própria Terra. Particularmente comuns são planetas com períodos de aproximadamente 12 dias, até períodos tão baixos quanto 10 dias. Para o nosso Sol, isso corresponderia a raios orbitais de mais ou menos 0,1 UA, apenas cerca de um-quarto do raio orbital de Mercúrio, o planeta mais próximo do nosso Sol.

Foi este o quebra-cabeças que Mario Flock, líder de grupo do Instituto Max Planck para Astronomia, decidiu resolver juntamente com colegas do JPL, da Universidade de Chicago e da Queen Mary University em Londres. Os investigadores envolvidos são especialistas em simular o ambiente complexo em que os planetas nascem, modelando os fluxos e as interações de gás, poeira, campos magnéticos e planetas nos seus vários estágios percursores. Dianto do aparente paradoxo das super-Terras íntimas vistas pelo Kepler, propuseram-se a simular em detalhe a formação planetária perto de estrelas parecidas com o Sol.

Um Sistema Solar à prova de bebés

Os seus resultados foram inequívocos e sugerem duas possíveis razões por trás da ocorrência comum de planetas em íntima órbita. A primeira é que, pelo menos para planetas rochosos com até 10 vezes a massa da Terra ("super-Terras" ou "mini-Neptunos"), estes sistemas estelares jovens são à prova de bebés.

A barreira de segurança que mantém os planetas jovens fora da zona de perigo funciona da seguinte maneira. Quanto mais perto estivermos da estrela, mais intensa a sua radiação estelar. Dentro do limite chamado frente de sublimação, a temperatura do disco sobe acima dos 1200 K e as partículas de poeira (silicatos) transformam-se em gás. O gás extremamente quente dentro dessa região torna-se muito turbulento. Esta turbulência transporta o gás em direção à estrela a alta velocidade, adelgaçando no processo a região interna do disco.

À medida que uma jovem super-Terra viaja através do gás, é normalmente acompanhada por gás que também gira com o planeta num percurso orbital semelhante a uma ferradura. À medida que o planeta se move para dentro e atinge a frente de sublimação dos silicatos, as partículas de gás que se deslocam do gás mais fino para o gás mais denso fora dos limites dão um pequeno chuto ao planeta. Nesta situação, o gás exercerá uma influência (em termos físicos: um momento) ao planeta viajante e, crucialmente, devido ao salto na densidade, radialmente para fora.

Desta forma, a fronteira serve como uma barreira de segurança, impedindo que os jovens planetas mergulhem na estrela. E a localização do limite para uma estrela tipo-Sol, conforme previsto pela simulação, corresponde ao limite inferior para períodos orbitais descobertos pelo Kepler. Como Mario Flock diz: "porque é que existem tantas super-Terras em órbita próxima, como o Kepler nos mostrou? Porque os jovens sistemas planetários têm uma barreira à prova de bebés integrada!"

Construção planetária na fronteira

Existe uma possibilidade alternativa: ao rastrear o movimento de objetos mais pequenos, com alguns milímetros ou centímetros de tamanho, os cientistas descobriram que estes seixos tendem a acumular-se bem atrás da frente de sublimação dos silicatos. Para que a pressão se equilibre diretamente na fronteira, o gás fino na região de transição precisa de girar mais depressa do que o normal (já que deve haver um equilíbrio entre pressão e força centrífuga). Esta rotação do gás é mais rápida do que a velocidade orbital "Kepleriana" de uma partícula isolada em órbita da estrela por conta própria.

Um seixo que entra nesta região de transição é forçado para este movimento superior à velocidade Kepleriana e é imediatamente ejetado novamente à medida que as forças centrífugas correspondentes o empurram para fora, como uma pequena criança num carrossel. Isto também contribui para a frequência de super-Terras em órbita próxima. As super-Terras formadas não são as únicas com uma barreira de segurança à prova de bebés. O facto de que objetos muito mais pequenos também têm fornece condições ideais para a formação de super-Terras naquele local!

Os resultados não foram uma surpresa completa para os investigadores. De facto, encontraram uma "armadilha" semelhante em modelos de estrelas muito mais massivas ("estrelas Herbig"), embora a uma distância muito maior. Os novos resultados estendem-se para estrelas parecidas com o Sol e acrescentam o mecanismo à prova de bebés para planetas recém-nascidos. Além disso, o novo artigo científico é o primeiro que fornece uma comparação com os dados estatísticos do telescópio espacial Kepler, tendo em cuidada consideração que o Kepler só poderia ver certos tipos de sistema (principalmente aqueles com o plano orbital visto quase de lado).

E o nosso próprio Sistema Solar?

Curiosamente, por estes critérios, o nosso próprio Sistema Solar também poderia ter abrigado um planeta semelhante à Terra mais perto do Sol do que o atual planeta mais interior, Mercúrio. Será o facto de não existir um planeta desse tipo um acaso estatístico, ou será que esse planeta realmente existiu, mas foi expulso do Sistema Solar? Esta é uma pergunta interessante para investigações adicionais. Mario Flock salienta: "O Sistema Solar não só era à prova de bebés, como é possível que o bebé assim protegido tenha 'voado do ninho'!"
Fonte: Astronomia OnLine

5 descobertas estranhas que o telescópio Hubble fez sobre buracos negros

O telescópio espacial Hubble está prestes a se aposentar, dando lugar ao seu sucessor, o telescópio espacial James Webb. Já são quase 30 anos explorando as maravilhas do universo e respondendo a algumas das perguntas mais inquietantes sobre o cosmos, e entre as observações mais fascinantes do Hubble estão novidades sobre buracos negros — que há não muito tempo eram apenas uma teoria.

Claro, não é possível ver um buraco negro, nem mesmo para um telescópio poderoso como o Hubble. Mas instrumentos como este podem fazer observações sobre o que acontece por perto desses colossos espaciais - aliás, foi assim que astrônomos conseguiram capturar a primeira foto real de um buraco negro. Assim, o Hubble ajudou os cientistas a fazer descobertas diversas, e o que eles perceberam foi que os buracos negros podem ser mais estranhos do que pensávamos.

A NASA listou algumas das descobertas mais desconcertantes realizadas pelo Hubble com relação a esses objetos:

Buracos negros supermassivos são comuns

Uma das descobertas impressionantes foi que eles estão em todo lugar, incluindo os supermassivos. Se você olhar para qualquer galáxia aleatória do universo, é bem provável que ela tenha um buraco negro supermassivo no seu centro. O nome de “supermassivos” que eles recebem é quase didático - essas coisas têm massa equivalentes a milhões ou até bilhões de estrelas.

Exemplo disso é o Sagittarius A*, que tem massa de aproximadamente quatro milhões de vezes a massa solar, e fica no centro da Via Láctea. Mas ele não chega nem perto do titânico buraco negro supermassivo da galáxia elíptica Holmberg 15A, que tem massa de 40 bilhões de vezes maior que a do Sol!

O Hubble descobriu que a massa desses buracos negros, escondidos em núcleos galácticos, está relacionada à massa da galáxia hospedeira. Em outras palavras, quanto maior a galáxia, maior o seu buraco negro supermassivo central. Os cientistas acham que isso - talvez - significa que os buracos negros cresceram junto com suas galáxias, consumindo alguns objetos que, por azar, se aproximam demais.

Alguns aglomerados de estrelas têm buracos negros

Um aglomerado globular é uma “bola” de estrelas antigas e muito semelhantes, unidas pela gravidade. Seu interior é muito denso e rico em estrelas antigas, podendo, inclusive, ter até um milhão de estrelas. Eles são bastante comuns e conhecidos - um deles é o famoso Omega Centauri, descoberto em 1677. Mas o Hubble encontrou alguns bem estranhos por aí: é que alguns são muito mais massivos que o normal, têm uma grande variedade de estrelas e podem até abrigar um buraco negro no centro.

Isso sugere que pelo menos alguns dos mais de 150 aglomerados globulares em nossa galáxia podem ter sido galáxias anãs que a Via Láctea acabou absorvendo.

Jatos de buraco negro regulam nascimento de estrelas
Sim, os buracos negros em si são invisíveis. Mas, às vezes, eles lançam grandes jatos de energia quando gás e poeira caem neles - e isso podemos ver. Como as estrelas se formam a partir de gás e poeira, esses jatos acabam por afetar o nascimento de novas estrelas na galáxia. Às vezes, eles emitem combustível necessário para continuar criando novas estrelas, mas o Hubble observou que eles também podem manter a formação de estrelas em um ritmo lento e constante.

Buracos negros crescem em galáxias em colisão

Galáxias inteiras às vezes podem se fundir, gerando uma supergaláxia, e isso deve acontecer um dia com a própria Via Láctea e Andrômeda - daqui a uns 4 bilhões de anos. Esse processo de colisão também acontece na constelação de Ursa Maior, criando a fusão da Medusa, cuja imagem o próprio telescópio Hubble captuou. Bem, se a maioria das galáxias têm um buraco negro supermassivo no centro, então o que acontece com eles quando as galáxias colidem?

A resposta é simples, e foi confirmada pelo Hubble em 2018: eles também se fundem para formar buracos negros ainda maiores! O telescópio conseguiu observar uma dupla de buracos negros gigantes no ato de se fundirem, na galáxia NGC 6240.

Buracos negros supermassivos podem ser expulsos

Não é porque um buraco negro supermassivo habita no coração das galáxias que nada pode expulsá-los de lá. Que melhor maneira de apimentar os buracos negros do que lançar ondas gravitacionais na mistura? Ondas gravitacionais são ondulações no espaço-tempo que podem ser criadas quando dois objetos massivos orbitam um ao outro.

Em 2017, o Hubble encontrou um buraco negro desonesto que está voando para longe do centro de sua galáxia a uma velocidade cerca de 90 vezes mais rápida que o nosso Sol está viajando através da Via Láctea. O que arrancou o buraco negro do núcleo da galáxia? Ondas gravitacionais! Os cientistas pensam que este é um caso em que duas galáxias estão nos estágios finais da fusão, o que significa que seus buracos negros centrais provavelmente também estão se fundindo em um processo super caótico.
Fonte: Canaltech

James Webb | O que cientistas esperam descobrir com o novo telescópio espacial


Depois de destacar que o telescópio ewspacial James Webb nos brindará com imagens incríveis da Via Láctea e até mesmo do buraco negro supermassivo presente no centro da nossa galáxia, a NASA voltou a falar sobre os benefícios que o instrumento trará à ciência. Descrevendo-o como “uma missão épica”, a agência afirma que ele abrirá uma “janela para o universo primitivo, permitindo ver o período em que as primeiras estrelas e galáxias se formaram”.

Esse telescópio ambicioso é um projeto internacional, também administrado pela ESA (Agência Espacial Européia) e a Agência Espacial Canadense, e será o principal observatório mundial de ciências espaciais, de acordo com a NASA. A agência está confiante que ele resolverá mistérios do Sistema Solar e poderá enxergar mundos distantes ao redor de outras estrelas, e até mesmo sondar as origens do universo - e o nosso lugar nele. De acordo com a NASA, o Webb vai "mudar a forma como pensamos sobre o céu noturno e nosso lugar no cosmos".

A agência espacial publicou uma conversa com parte da equipe que trabalha no desenvolvimento do telescópio, e como eles usarão os dados coletados por ele. Uma das entrevistadas foi a Dra. Amber Straughn, que chegou ao NASA Goddard para estudar galáxias usando dados do telescópio espacial Hubble e hoje trabalha com as atividades de comunicação e divulgação do Webb. Ela usará os dados do novo telescópio em suas pesquisas sobre formação e evolução de galáxias.

Já o Dr. John Mather é cientista sênior do projeto Webb, e líder da equipe científica. Ele ganhou um Prêmio Nobel em 2006 por confirmar a teoria do Big Bang com extrema precisão por meio de uma missão chamada Cosmic Background Explorer (COBE), e é especialista em cosmologia, astronomia e instrumentação infravermelha.

Amber afirmou que o James Webb foi projetado essencialmente “para responder a algumas das maiores perguntas que temos hoje em astronomia”, e não são apenas questões científicas. Por exemplo, como de onde viemos? Como chegamos aqui? E, claro, estamos sozinhos? “Para responder às maiores perguntas da astronomia hoje, precisamos realmente de um telescópio muito grande. E o Telescópio Espacial James Webb é o maior telescópio que já tentamos enviar para o espaço”.

Para Mather, “um dos desafios maravilhosos sobre astronomia é que precisamos imaginar algo para poder procurá-lo”. Por outro lado, a natureza “tem uma maneira de ser ainda mais criativa do que nós, por isso sempre nos surpreendemos com o que vemos no céu [...] Toda vez que construímos um [telescópio] melhor, vemos algo que nunca imaginamos estar lá fora”. Assim, Mather acredita que o Webb, por ser melhor e mais poderoso que os anteriores, certamente nos surpreenderá de alguma maneira que nem mesmo ele pode prever.

Como lembrou Amber, o projeto trouxe “grandes desafios de engenharia”. Nunca um instrumento tão ambicioso foi feito antes - o Webb tem como objetivo detectar as primeiras estrelas e galáxias que nasceram no universo primitivo, uma região do cosmos que ainda não vimos. Para capacitá-lo para essa tarefa, a equipe precisou inventar “uma nova maneira de fabricar os espelhos, uma maneira de focalizá-lo no espaço sideral, vários novos tipos de detectores de infravermelho e inventar o grande guarda-chuva que chamamos de protetor solar”, listou Mather.

mber destacou que a equipe também quer ver como as galáxias crescem e mudam com o tempo. “Temos perguntas sobre como as galáxias se mesclam, como os buracos negros se formam e como as entradas e saídas de gás afetam a evolução da galáxia”. No entanto, uma das peças fundamentais desse “quebra-cabeça” é “como as galáxias começaram”.

Uma coisa que a equipe do Webb tem certeza é que eles não sabem quais novas descobertas devem esperar. John recorda que, durante toda a história da astronomia, os estudiosos pensaram que o universo funcionava de uma forma, só para em seguida novas descobertas mostrarem o contrário. Até mesmo Einstein, que ao imaginar que o universo tem uma idade infinita, estava errado. “Estamos bastante confiantes de que não sabemos o que vamos encontrar”, disse o pesquisador. Para Amber, essa perspectiva de não saber é “uma das coisas mais empolgantes de trabalhar em um telescópio como esse”.

O telescópio espacial James Webb está programado para ser lançado em 2021. 
Fonte: Canaltech

O cometa azul


Esta imagem mostra o cometa C/2016 R2 (PANSTARRS) localizado nos confins do Sistema Solar. Tal como o seu nome sugere, este cometa foi descoberto em 2016 pelos telescópios Pan-STARRS no Havaí. Esta nova imagem foi capturada por um projeto baseado no Observatório do Paranal do ESO no Chile chamado SPECULOOS — Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars (Busca de planetas habitáveis que eclipsam estrelas ultra-frias).

Os cometas são bolas de poeira, gelo, gás e rochas. Quando passam perto do Sol, o gelo aquece, transformando-se em gás e escapando num processo chamado “outgassing”. Este processo forma envelopes difusos em torno do núcleo do cometa, as chamadas comas, e caudas bem distintas. Observações SPECULOOS mostram que a cauda do C/2016 R2 (PANSTARRS) muda drasticamente ao longo de apenas uma noite, criando um conjunto dinâmico de imagens. 

Esta imagem, e as imagens que a acompanham e que mostramos num filme time-lapse, correspondem a observações obtidas no dia 18 de janeiro de 2018 durante uma fase de testes do telescópio Callisto do SPECULOOS, e foram tiradas quando o cometa estava a 2,85 UA do Sol (1 Unidade Astronômica corresponde à distância média entre a Terra e o Sol) e viajando em direção ao interior do Sistema Solar.

Este cometa é particularmente intrigante por causa das moléculas e compostos raros que os cientistas detectaram na sua coma: monóxido de carbono e íons de nitrogênio. Estes compostos dão ao cometa linhas de emissão azuis distintas — daí ter sido apelidado de “cometa azul”. 

Este tímido cometa passa perto do Sol apenas uma vez a cada 20 000 anos, tendo a sua mais recente aproximação sido em maio de 2018. Esta imagem foi obtida quando o telescópio seguia o movimento do cometa; por isso os traços brilhantes de luz no fundo da imagem correspondem a estrelas distantes, mas o cometa e a sua coma gasosa estão bem focados, uma prova do poder de rastreamento do SPECULOOS.
Fonte: Eso.org

Revelada explosão violenta no coração de um sistema que alberga um buraco negro


Uma equipe internacional de astrónomos, liderada pela Universidade de Southampton, usou câmaras de última geração para criar um filme com alta taxa de quadros de um sistema com um buraco negro em crescimento e a um nível de detalhe nunca antes visto. No processo, descobriram novas pistas para a compreensão dos arredores imediatos destes objetos enigmáticos. Os cientistas publicaram o seu trabalho num novo artigo da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os buracos negros podem alimentar-se de uma estrela próxima e criar vastos discos de acreção de material. Aqui, o efeito da forte gravidade do buraco negro e o próprio campo magnético do material pode emitir níveis de radiação em rápida mudança do sistema como um todo.  Esta radiação foi detetada no visível pelo instrumento HiPERCAM acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) em La Palma, Ilhas Canárias, e em raios-X pelo observatório NICER da NASA a bordo da Estação Espacial Internacional.

O buraco negro estudado tem o nome MAXI J1820+070 e foi descoberto no início de 2018. Fica a apenas 10.000 anos-luz de distância, na nossa própria Via Láctea. Tem uma massa equivalente a mais ou menos 7 sóis, que colapsou numa região do espaço inferior à cidade de Londres.

O estudo destes sistemas geralmente é muito difícil, pois as suas distâncias tornam-nos demasiado ténues e pequenos para serem observados - nem mesmo com o EHT (Event Horizon Telescope), que recentemente obteve a primeira fotografia do buraco negro no centro da galáxia M87. Os instrumentos HiPERCAM e NICER, no entanto, permitem que os investigadores registem "filmes" da luz do sistema a mais de 300 fps ("frames per second", quadros por segundo), capturando "crepitações" violentas e "surtos" de luz visível e raios-X.

John Paice, estudante na Universidade de Southampton e do Centro Interuniversitário de Astronomia e Astrofísica, na Índia, foi o autor principal do estudo que apresentou estes resultados e também o artista que criou o filme. Ele explicou o trabalho da seguinte forma: "O filme foi feito usando dados reais, mas diminui para 1/10 da velocidade real para permitir que os surtos mais rápidos fossem discernidos pelo olho humano. Podemos ver que o material em redor do buraco negro é tão brilhante que ofusca a estrela que está a consumir, e as oscilações mais rápidas duram apenas alguns milissegundos - é o 'output' de mais de cem sóis emitido num piscar de olhos."

Os cientistas também descobriram que quedas nos níveis de raios-X são acompanhadas por um aumento da luz visível (e vice-versa). E que os flashes mais rápidos no visível emergiram uma fração de segundo após os raios-X. Tais padrões revelam indiretamente a presença de plasma distinto, material extremamente quente onde os eletrões são despojados dos átomos, em estruturas profundas no abraço da gravidade do buraco negro, de outra forma pequenas demais para serem resolvidas.

Não é a primeira vez que isto é encontrado; uma diferença de fração de segundo entre a luz raios-X e visível já foi observada noutros dois sistemas que hospedam buracos negros, mas nunca com este nível de detalhe. Os membros dessa equipa internacional estiveram na vanguarda deste campo ao longo da última década. O Dr. Poshak Gandhi, igualmente de Southampton, também encontrou as mesmas assinaturas temporárias nos dois sistemas anteriores.

Ele comentou acerca da importância destas descobertas: "O facto de vermos isto agora em três sistemas reforça a ideia de que é uma característica unificadora de tais buracos negros em crescimento. A ser verdade, deve estar a dizer-nos algo fundamental sobre como o fluxo de plasma em torno dos buracos negro opera.

"As nossas melhores ideias invocam uma ligação profunda entre os fluxos de plasma, para dentro e para fora. Mas estas são condições físicas extremas que não podemos replicar nos laboratórios da Terra e não entendemos como a natureza gere isto. Estes dados serão cruciais para acertar na teoria correta."
Fonte: Astronomia OnLine

11 de outubro de 2019

NASA revive foto incrível da Via Láctea e garante muito mais com novo telescópio


O telescópio Spitzer conseguiu, em 2006, capturar uma imagem impressionante de parte da Via Láctea usando seus sensores infravermelhos. Essa foi uma façanha sem precedentes, porque há um manto de poeira e gás que dificulta a vida de qualquer instrumento na missão de obter uma foto com essa. No entanto, em breve veremos imagens muito mais fascinantes, graças ao telescópio espacial James Webb (JWST), ainda mais poderoso, que será lançado em breve. A NASA publicou novamente a foto do Spitzer para contar alguns detalhes sobre seu próximo telescópio espacial.

Previsto agora para ser lançado em 2021, o James Webb usará câmeras infravermelhas mais avançadas para criar imagens da galáxia enquanto estiver na órbita da Terra e, além disso, capturar estrelas mais fracas e detalhes menores do espaço, em comparação com o que o Spitzer é capaz de fazer. "Uma imagem do Webb terá a mais alta qualidade já obtida do centro galáctico", disse Roeland van der Marel, astrônomo que trabalhou na criação dos instrumentos de imagem do novo telescópio espacial. Essas imagens poderão ajudar a responder algumas das maiores perguntas sobre como a nossa galáxia se formou, e como evoluiu ao longo do tempo.

Abaixo, você confere a foto do Spitzer. Ela é, na verdade, um mosaico de fotos menores, mostrando o centro galáctico na luz infravermelha. Na imagem, estrelas antigas mais frias aparecem em azul nas bordas, enquanto as mais jovens e massivas têm tonalidades de vermelho. A faixa horizontal de estrelas mais brilhantes no centro da imagem é parte do plano da Via Láctea.

No ponto branco brilhante no meio da foto fica o centro da galáxia, cheio de estrelas jovens e, em algum lugar ali, está um buraco negro supermassivo chamado Sagittarius A*, que existe no centro da Via Láctea. Não podemos vê-lo, mas, com a nova tecnologia de infravermelho do James Webb, o novo telescópio poderá fornecer dados sem precedentes sobre este buraco negro.

Além disso, o James Webb estudará todas as fases da história do universo para entendermos como as primeiras estrelas e galáxias se formaram, como nascem os planetas e onde pode haver vida no universo. Um espelho dobrável de berílio com mais de 6 metros de largura ajudará o telescópio a observar galáxias distantes em detalhes e capturar sinais extremamente fracos dentro da própria Via Láctea, também.

O James Webb já está totalmente montado e agora passa por um processo de testes nas instalações da Northrop Grumman, na Califórnia, antes de seu lançamento, previsto para o dia 30 de março de 2021, depois de anos de atrasos. "Tantas coisas interessantes e estranhas acontecem nos centros das galáxias", disse Marcia Rieke, que supervisiona o desenvolvimento da câmera de infravermelho do James Webb. "Queremos descobrir o que está acontecendo por conta própria".
Fonte: Canaltech.com.br

Saturno supera Júpiter após descoberta de 20 novas luas

Concepção artística das 20 luas recém-descobertas que orbitam Saturno. Essas descobertas elevam a contagem total de luas do planeta para 82, superando Júpiter.[Imagem: Carnegie Institution]

Órbitas retrógradas e prógradas

Astrônomos descobriram 20 novas luas orbitando Saturno. Isso eleva o número total de luas do planeta para 82, superando Júpiter, que tem 79, como o planeta com maior número de luas no Sistema Solar.

Cada uma das luas recém-descobertas tem cerca de cinco quilômetros de diâmetro. Dezessete delas orbitam o planeta na contramão, ou em direção retrógrada, significando que seu movimento é oposto à rotação do planeta em torno de seu eixo. As outras três luas orbitam na direção prógrada - na mesma direção em que Saturno gira.

Duas das luas prógradas estão mais próximas do planeta e levam cerca de dois anos para viajar ao redor de Saturno. As luas retrógradas, mais distantes, e uma das luas prógradas, levam mais de três anos para completar uma órbita.

"Estudar as órbitas dessas luas pode revelar suas origens, bem como informações sobre as condições de Saturno no momento de sua formação," explicou Scott Sheppard, da Instituição Carnegie, nos EUA.

Grupos de luas de Saturno

As luas externas de Saturno parecem estar agrupadas em três grupos diferentes em termos das inclinações dos ângulos em que estão orbitando ao redor do planeta. Duas das luas prógradas recém-descobertas se encaixam em um grupo de luas exteriores, com inclinações de cerca de 46 graus, chamadas de grupo Inuit, batizadas em homenagem à mitologia da nação indígena esquimó. Essas luas podem ter-se originado de uma lua maior que se despedaçou no passado.

Da mesma forma, as recém-anunciadas luas retrógradas têm inclinações semelhantes às de outras luas saturnianas retrógradas conhecidas anteriormente, indicando que também são fragmentos prováveis de uma lua-mãe maior que teria se partido. Essas luas retrógradas estão no grupo Nórdico, com nomes vindos da mitologia nórdica. Uma das luas retrógradas recém-descobertas é a lua mais distante conhecida em torno de Saturno.

"Esse tipo de agrupamento de luas externas também é visto em torno de Júpiter, indicando colisões violentas ocorridas entre luas no sistema saturniano, ou com objetos externos, como asteroides ou cometas," explicou Sheppard.

A outra lua prógrada recém-encontrada tem uma inclinação próxima a 36 graus, o que é semelhante ao outro agrupamento de luas internas prógradas ao redor de Saturno, chamado grupo Gálico. Mas esta nova lua orbita muito mais longe de Saturno do que qualquer outra lua prógrada, indicando que ela pode ter sido empurrada para fora ao longo do tempo ou pode não estar associada ao agrupamento mais interno de luas prógradas.

As novas luas foram descobertas usando o telescópio Subaru, no topo de Mauna Kea, no Havaí.
Fonte: Inovação Tecnológica

10 de outubro de 2019

Estudo questiona teoria de que Vênus já teve oceanos de água líquida


Imagem de radar do Ovda Flactus. A linha escura traça a margem do fluxo de lava. (Imagem: NASA)

Alguns estudos têm sugerido que Vênus já teve uma atmosfera muito mais fria que a atual, e que oceanos líquidos já estiveram presentes em sua superfície - ou seja, ele teria sido parecido com a Terra. Pesquisadores que sustentam essa hipótese vêm tentando desvendar o que teria acontecido por lá para que esse mundo se tornasse o “inferno” hostil e tóxico que conhecemos hoje. Porém, um novo estudo questiona a ideia de que Vênus já teria sido semelhante ao nosso planeta. 

Cientistas do Lunar and Planetary Institute (LPI) descobriram que um fluxo vulcânico no planalto venusiano chamado Ovda Regio é composto de lava basáltica. Com isso, eles questionam a hipótese da antiga habitabilidade de Vênus, ou que o planeta já teve um oceano antigo de água líquida.

A região do Ovda Regio está localizada próxima ao equador venusiano, e é o maior planalto conhecido na crosta do planeta, cobrindo uma área de aproximadamente 15.000.000 km². A evolução cinemática dos planaltos da crosta de Vênus é um assunto amplamente debatido na comunidade científica, porque a compreensão dessa evolução deve ajudar a conhecer melhor a história do próprio planeta.

Estudos anteriores tiveram como base a química da atmosfera e a presença de terras altas, ou planaltos, para sustentar a ideia de que Vênus já foi habitável. Os pesquisadores pensam que essas terras altas são formadas por rochas graníticas, como nos continentes da Terra, e isso implicaria em uma antiga existência de oceanos. Mas a equipe do LPI redesenhou o fluxo de lava do Ovda Fluctus, usando dados de radar da Magellan, uma sonda espacial da NASA, e descobriu que ele não é granítico, como se esperava - é provavelmente formado por rochas de basalto, que podem se formar com ou sem água.

O resultado tem implicações potencialmente significativas para a história evolutiva de Vênus. "Sabemos muito pouco sobre a superfície de Vênus", diz o Dr. Allan Treiman, um dos membros da equipe. "Se as terras altas de Ovda Regio são feitas de rochas basálticas, como a maioria de Vênus, elas provavelmente foram espremidas até suas alturas atuais por forças internas, possivelmente como montanhas que resultam de placas tectônicas na Terra".

Isso não elimina totalmente a ideia de que Vênus poderia ter sido, um dia, habitável. Mas questiona um dos indícios nos quais os pesquisadores se basearam para defender a tese de que o planeta já teve oceanos de água líquida. Só teremos pistas mais concretas quando enviarmos sondas capazes de confirmar ou negar as suposições sobre a antiga habitabilidade venusiana.
Fonte: Canaltech
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