28 de junho de 2019

Titã será o próximo mundo do Sistema Solar a receber sonda da NASA


Em janeiro, a NASA disse que decidiria, ainda em 2019, se levaria adiante o projeto Dagonfly para lançar um helicóptero (que na verdade seria um misto de drone com robô exploratório) à lua Titã, de Saturno. E nesta quinta (27), a agência espacial dos EUA confirmou que Titã será mesmo seu próximo alvo no Sistema Solar.

"Avançando em nossa busca pelos blocos de construção da vida, a missão Dragonfly voará várias vezes para amostrar e examinar locais ao redor da lua gelada de Saturno", disse a NASA em comunicado oficial. A missão será lançada em 2026 e chegará a seu destino em 2034, com o helicóptero rodeando Titã em busca de processos químicos prebióticos em comum entre o satélite de Saturno e a Terra.

Esta será a primeira vez em que a agência espacial lançará um drone com vários rotores para outro planeta — o Dragonfly tem oito rotores e funciona como um grande drone altamente tecnológico. Para voar, o drone se aproveitará da densa atmosfera de Titã, com densidade quatro vezes maior que a da Terra.

Acredita-se que Titã seja um análogo à Terra primitiva, e estudar este satélite natural de pertinho pode fornecer mais pistas sobre como a vida deve ter surgido em nosso planeta. Por cerca de três anos, mais ou menos, a Dragonfly explorará diversos ambientes de Titã, incluindo suas dunas orgânicas e crateras de impacto — locais onde água líquida e materiais orgânicos essenciais à vida existiram juntos possivelmente há dezenas de milhares de anos.

"Visitar este misterioso mundo oceânico poderá revolucionar o que sabemos sobre a vida no universo. Esta missão de ponta teria sido impensável há apenas alguns anos, mas agora estamos prontos para o fantástico voo da Dragonfly", declarou entusiasmado o administrador da NASA, Jim Bridenstine.

Com voos curtos, o drone explorará inicialmente os campos de dunas equatoriais chamados de Shangri-La, que são semelhantes às dunas lineares da Namíbia, na África Austral. Ao longo do caminho, o helicóptero fará algumas paradas para coletar amostras de áreas com geografia diversa, até que finalmente chegará à cratera Selk, onde há evidências de que, no passado, existiu água no estado líquido.

A sonda voará mais de 175 quilômetros (quase o dobro da distância que até hoje foi percorrida por todos os rovers de Marte combinados). A lua Titã é maior do que o planeta Mercúrio e é o segundo maior satélite natural do Sistema Solar. Por estar muito longe do Sol, sua temperatura superficial é de cerca de -179 graus Celsius, e sua pressão superficial é 50% mais intensa do que a da Terra.

A missão Dragonfly agora faz parte do programa New Frontiers da NASA, que inclui a missão New Horizons (que estudou Plutão e mais recentemente sobrevoou o objeto transnetuniano Ultima Thule), a missão Juno (que estuda Júpiter), e a OSIRIS-REx (que estuda o asteroide Bennu). 
Fonte: Canaltech

Cientistas descobrem origem de intrigante rajada de ondas de rádio cósmicas


(Ilustração) O radiotelescópio Askap determina a localização da rajada rápida de rádio

Astrônomos celebraram uma descoberta, publicada na prestigiosa revista Science, que poderá ajudá-los a mapear os confins do Universo. Uma equipe de astrônomos internacionais liderada por cientistas australianos desvendou pela primeira vez a origem precisa de um misterioso fenômeno chamado "rajada rápida de rádio", descoberto em 2007.

Essas ondas cósmicas podem emitir em um milésimo de segundo o equivalente a 10.000 anos de energia solar.

"Toda a comunidade astronômica esperava ansiosamente por esse resultado", disse à AFP Casey Law, astrônomo da Universidade da Califórnia em Berkeley, que não participou do estudo publicado esta semana.

Este trabalho é o mais importante desde a descoberta destas rajadas rápidas de rádio (FRB, por sua sifla em inglês). Não se sabe o que produz essas monstruosas rajadas de energia, mas os astrônomos concordam em um ponto: vêm de galáxias muito, muito distantes.

A busca por essas rajadas permitiu detectar 85 desde sua identificação. A maioria era única: um flash e depois nada. Mas algumas se repetiam.  Em 2017, pela primeira vez, os astrônomos conseguiram localizar precisamente a fonte de uma rajada repetida, batizada FRB 121102.

- Mapa do cosmos -

Mas localizar uma rajada única representou outro importante cartada.

A equipe, liderada pelo australiano Keith Bannister, da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO), desenvolveu uma nova metodologia para enfrentar o desafio.

"Você pode comparar isso a um movimento desacelerado na TV: nós programamos um computador para procurar ativamente por rajadas. Ele recebia um bilhão de medições por segundo e tentava descobrir quais continham um FRB", explicou Bannister à AFP.

Como resultado, a FRB 180924 foi descoberta pelo telescópio de rádio ASKAP no oeste da Austrália. Ela nasceu a 3,6 bilhões de anos-luz da Terra.  A rajada chegou a cada uma das trinta e seis parábolas desse telescópio em um momento imperceptivelmente diferente, o que permitiu aos cientistas fazer um tipo de triangulação para calcular a origem.

"É como olhar para a Terra a partir da lua e encontrar não apenas em que casa uma pessoa vive, mas também em qual cadeira ela está sentada na sala de jantar", disse Keith Bannister.

Graças a outros telescópios no Chile e no Havaí, os cientistas conseguiram obter uma imagem da galáxia original e sua distância da Terra. Enquanto que a rajada rápida de rádio localizada em 2017 veio de uma galáxia anã, a nova descrita na quinta-feira veio de uma enorme galáxia formada por estrelas antigas.

O que leva os pesquisadores a concluir... que ainda não sabem como essas rajadas são formadas.

"Isso implicaria que rajadas rápidas de rádio repetidas e não repetidas têm origens completamente diferentes", diz Shriharsh Tendulkar, astrônomo da Universidade McGill, que não é membro da equipe de pesquisa.

A descoberta fascina os astrônomos porque fornece novas informações sobre o que há nos espaços entre galáxias... E poderá ajudá-los a resolver o enigma da "matéria perdida" do universo.

Os cientistas têm uma teoria para explicar por que o número de átomos observado em estrelas é menos da metade dos cálculos teóricos. Átomos perdidos seriam encontrados em gases ionizados em espaços intergalácticos.

As ondas cósmicas se dispersam durante sua jornada até a Terra: um pouco como a luz é refratada através de um prisma. Acontece que as observações da equipe correspondem ao que a teoria previu sobre a quantidade de matéria em seu caminho.

Mas isso terá que ser reforçado por milhares, até dezenas de milhares de observações adicionais, para formar um mapa dos confins do universo.

"Como uma ressonância magnética do cosmos", diz um coautor do estudo, Ryan Shannon, da Universidade de Swinburne, na Austrália.  Quanto ao material que falta, ele está otimista: "Será o suficiente localizar mais algumas rajadas para resolver o problema".
Fonte: BRnoticias

25 de junho de 2019

Via Láctea colidiu com uma Galáxia dominada por Matéria Escura a menos de 1 Bilhão de anos atrás


De acordo com nova pesquisa liderada pelo Instituto de Tecnologia de Rochester (RIT), a colisão da galáxia anã Antlia 2, recentemente descoberta, com a Via Láctea, há centenas de milhões de anos, é responsável por ondulações no disco externo de gás da Via Láctea.
A Grande Nuvem de Magalhães, a Galáxia da Via Láctea e Antlia 2 (da esquerda para a direita). Crédito da imagem: V. Belokurov / Marcus e Gail Davies / Robert Gendler.

De acordo com uma nova pesquisa liderada pelo Rochester Institute of Technology, o RIT, a colisão de uma galáxia anã, recém-descoberta, a galáxia anã Antila 2, com a nossa galáxia, a Via Láctea, a centenas de milhões de anos atrás, é responsável por ondas no disco externo de gás da nossa galáxia.

Antila 2, foi descoberta em 2018, quando a missão Gaia fez a sua segunda liberação de dados.  A galáxia anã está localizada na constelação de Antila, a aproximadamente 130 mil anos-luz de distância da Terra.  Ela tem o tamanho aproximado da Grande Nuvem de Magalhães, e tem um terço do tamanho da Via Láctea.

A posição atual da Antila 2, se ajusta bem com a localização de uma galáxia anã dominada por matéria escura que os astrônomos tinham previstos em 2009 a partir de uma análise dinâmica.  Usando os dados da missão Gaia, eles calcularam sua trajetória passada e descobriram que a Antila 2 teria colidido com a Via Láctea e produzido grandes ondulações que nós observamos no gás localizado na parte externa do disco da Via Láctea.

“A descoberta poderia ajudar a desenvolver métodos para caçar por galáxias escuras e por fim, resolver o grande mistério sobre a matéria escura”, disse Sukanya Chakrabarti, astrônomo do RIT e principal autor do estudo.

“Nós não entendemos qual é a natureza da partícula da matéria escura, mas se você sabe o quanto de matéria escura tem, então o que é indeterminado é a variação da densidade com o raio.  Se Antila 2 é a galáxia anã, que previmos, você sabe qual a sua órbita. Você sabe que ela chegou perto do disco galáctico. Isso insere restrições não apenas na massa, mas também na densidade. Isso significa que você pode usar Antila 2 como um laboratório único para aprender sobre a natureza da matéria escura”.

O Dr. Chakrabarti e seus colegas também exploraram outras causas potenciais para as ondulações no disco externo da Via Láctea, mas logo eliminaram esses outros candidatos. Por exemplo, a galáxia anã Sagittarius não teria força gravitacional suficiente para isso e a Pequena e a Grande Nuvens de Magalhães estão muito distantes.

A evidência aponta para Antila 2 como sendo a causa mais provável.

“Liberações adicionais dos dados da missão Gaia poderão fornecer uma maior clareza sobre isso”, disse o Dr. Chakrabarti.  Nós já fizemos uma previsão do que esperar para o movimento das estrelas na galáxia anã Antila 2 em futuras liberações de dados pela missão Gaia”, disse o pesquisador. Se a previsão coincidir com os dados, eles estão no caminho certo.

O artigo descrevendo a descoberta será publicado no Astrophysical Journal Letters.

Fonte: Sci-news.com

Curiosity detecta níveis anormalmente elevados de metano


Esta imagem foi obtida pela Navcam do rover Curiosity da NASA no dia 18 de junho de 2019, o seu 2440.º dia marciano, ou sol, da sua missão. Mostra parte de "Teal Ridge", que o rover tem vindo a estudar dentro de uma região chamada "unidade argilosa". Crédito: NASA/JPL-Caltech

A semana passada, o rover Curiosity da NASA descobriu um resultado surpreendente: a maior quantidade de metano já medida durante a missão - cerca de 21 partes por cada mil milhões de unidades de volume. A descoberta veio do espectrómetro a laser SAM (Sample Analysis at Mars) do rover. É excitante porque a vida microbiana é uma importante fonte de metano na Terra, mas o metano também pode ser criado através de interações entre rochas e água.

O Curiosity não tem instrumentos que possam dizer definitivamente qual é a fonte do metano, ou até se é proveniente de uma fonte local dentro da Cratera Gale ou de qualquer outro lugar do planeta.  Com as nossas medições atuais, não temos como dizer se a fonte de metano é biológica ou geológica, ou mesmo antiga ou moderna," disse Paul Mahaffy, investigador principal do SALM no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

A equipa do Curiosity detetou metano muitas vezes ao longo da missão. Os trabalhos anteriores documentaram como os níveis de fundo do gás parecem subir e descer sazonalmente. Também notaram picos repentinos de metano, mas a equipa de cientistas sabe muito pouco sobre quanto tempo estas plumas transitórias duram ou porque são diferentes dos padrões sazonais.

A equipa do SAM organizou uma experiência diferente para este fim-de-semana que passou, a fim de recolher mais informações sobre o que poderia ser uma pluma passageira. O que quer que encontrem - mesmo que seja uma ausência de metano - vai adicionar contexto à medição recente.

Os cientistas do Curiosity precisam de tempo para analisar estas pistas e realizar muitas mais observações de metano. Também precisam de tempo para colaborar com outras equipas científicas, incluindo as da ExoMars TGO da ESA, que está em órbita científica há pouco mais um ano sem detetar qualquer metano. A combinação das observações à superfície e em órbita pode ajudar os cientistas a localizar fontes do gás no planeta e a entender quanto tempo dura na atmosfera marciana. Isso pode explicar porque razão as observações do gás metano pela TGO e pelo rover Curiosity têm sido tão diferentes.
Fonte: Astronomia OnLine

Trilhões de estrelas


Crédito: ESA / Hubble e NASA, V. Rubin et al.

Esta imagem da semana de Hubble mostra a galáxia espiral Messier 98, localizada a cerca de 45 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Coma Berenices (o cabelo de Berenice) . Foi descoberto em 1781 pelo astrônomo francês Pierre Méchain , um colega de Charles Messier , e é um dos menores objetos do catálogo astronômico de Messier .

Estima-se que Messier 98 contenha cerca de um trilhão de estrelas, e está cheio de poeira cósmica - visível aqui como uma teia de marrom avermelhado que se estende através da estrutura - e gás hidrogênio . Esta abundância de material estelar significa que o Messier 98 está produzindo recém-nascidos estelares a uma taxa alta; a galáxia mostra os sinais característicos de estrelas que ganham vida em todo o seu centro brilhante e braços giratórios.

Esta imagem do Messier 98 foi tirada em 1995 com o Wide Field e Planetary Camera 2 , um instrumento que foi instalado no Telescópio Espacial Hubble da NASA / ESA de 1993 até 2009. Estas observações foram feitas em luz infravermelha e visível como parte de um estudo. de núcleos de galáxias dentro do Aglomerado de Virgem e apresentam uma porção da galáxia perto do centro.
Fonte: Spacetelescope.org

A baixa densidade de alguns exoplanetas é confirmada


Representação de um artista do sistema estelar Kepler-9 e dois de seus planetas. Os astrônomos confirmaram as densidades muito baixas de dois planetas do Kepler-9 usando os métodos de tempo de trânsito e de velocidade radial. NASA, Laboratório de Propulsão a Jato / Instituto de Tecnologia da Califórnia, Ames Research Center

A missão Kepler e sua extensão, chamada K2, descobriram milhares de exoplanetas. Ele os detectou usando a técnica de trânsito, medindo a queda na intensidade da luz sempre que um planeta em órbita se movia através da face de sua estrela hospedeira como visto da Terra. Os trânsitos podem não apenas medir o período orbital, eles freqüentemente podem determinar o tamanho do exoplaneta a partir da profundidade e forma detalhadas de sua curva de trânsito e das propriedades da estrela hospedeira. 

O método de trânsito, no entanto, não mede a massa do planeta. O método da velocidade radial, em contraste, que mede a oscilação de uma estrela hospedeira sob a atração gravitacional de um exoplaneta orbital, permite a medição de sua massa. Conhecer o raio e a massa de um planeta permite a determinação de sua densidade média e, consequentemente, pistas para sua composição.

Cerca de quinze anos atrás, os astrônomos da CfA e outros perceberam que em sistemas planetários com múltiplos planetas, o puxão gravitacional periódico de um planeta sobre outro alteraria seus parâmetros orbitais. Embora o método de trânsito não possa medir diretamente as massas de exoplanetas, ele pode detectar essas variações orbitais e estas podem ser modeladas para inferir massas. A Kepler identificou centenas de sistemas exoplanetas com variações de tempo de trânsito, e dúzias foram modeladas com sucesso.

Surpreendentemente, este procedimento pareceu encontrar uma prevalência de exoplanetas com densidades muito baixas. O sistema Kepler-9, por exemplo, parece ter dois planetas com densidades respectivamente de 0,42 e 0,31 grama por centímetro cúbico. (Para comparação, a densidade média da Terra rochosa é de 5,51 gramas por centímetro cúbico, a água é, por definição, 1,0 gramas por centímetro cúbico,

Os astrônomos da CfA David Charbonneau, David Latham, Mercedes Lopez-Morales e David Phillips e seus colegas testaram a confiabilidade do método medindo as densidades dos planetas Kepler-9 usando o método de velocidade radial, estando seus dois planetas semelhantes a Saturno entre um pequeno grupo de exoplanetas cujas massas podem ser medidas (se mal) com qualquer técnica. 

Eles usaram o espectrômetro HARPS-N no Telescopio Nazionale Galileo em La Palma em dezesseis épocas de observação; O HARPS-N normalmente mede as variações de velocidade com um erro tão pequeno quanto cerca de vinte milhas por hora. Seus resultados confirmam as densidades muito baixas obtidas pelo método de tempo de trânsito e verificam a potência do método de variação de trânsito.
Fonte: cfa.harvard.ed

24 de junho de 2019

Existe mais poeira de supernova no sistema solar do que se pensava anteriormente


Dois pesquisadores do Max Planck Institute for Chemistry descobriram evidências que sugerem que a poeira das supernovas é mais abundante do se pensava. Em um artigo publicado na revista Nature Astronomy, Jan Leitner e Peter Hoppe descrevem o uso de uma nova tecnologia para analisar os grãos da poeira de supernova e o que eles encontraram.

Os cientistas sabiam por algum tempo que a poeira emitida pelas estrelas fizeram o seu caminho para o nosso sistema solar. Eles também sabem que alguma parte dessa poeira vem de supernovas. Nesse novo esforço, os pesquisadores dizem que eles encontraram evidências que a maior parte da poeira interestelar que chega na Terra vem de supernovas, mais do que se pensava anteriormente.

Os pesquisadores sugerem que a razão para que uma menor quantidade de poeira estelar foi atribuída para supernovas, foi pelo fato dos pesquisadores não terem ferramentas para examinar propriamente os grãos de poeira. Eles relataram que o desenvolvimento de uma sonda de íons chamada de Cameca NanoSIMS 50, permitiu que eles pudessem medir a poeira com um melhor detalhe. O processo de medida também incluiu o uso de um espectrômetro de massa capaz de medir os isótopos com uma alta resolução espacial. 

Usando a nova tecnologia, os pesquisadores determinaram o quanto da poeira vem de estrelas regulares, e o quanto vem de supernovas, menos de 1%. A porcentagem que originou de supernovas foi maior do que o esperado, isso sugere que a maior parte da poeira estelar na Terra tem uma origem em supernovas. E isso sugere que tem mais poeira no espaço originada em supernovas do que se pensava anteriormente.

A poeira estudada pelos pesquisadores foi obtida a partir de amostras de condritos encontradas no Noroeste da África. Estudos com a nova tecnologia permite que os pesquisadores possam medir a quantidade de magnésio e o que eles também notaram que é anterior a nossa própria estrela. Eles apontam que a maior parte do material no nosso sistema solar foi criado do material ejetado das estrelas, então, um entendimento melhor da poeira estelar poderia levar a um entendimento melhor sobre como nós estamos aqui. 
Fonte: Space Today
Phys.org

Astrofísicos anunciam descoberta que poderia reescrever a história de como as galáxias morrem


A pesquisadora e professora de física e astronomia Allison Kirkpatrick, da Universidade do Kansas (EUA), fez uma descoberta surpreendente que parece derrubar suposições sobre como galáxias amadurecem e morrem. Ela encontrou algo que está chamando de “quasares frios” – galáxias com uma abundância de gás frio que ainda podem produzir novas estrelas, apesar de ter um quasar no centro.

Tais quasares podem representar uma fase até então desconhecida do ciclo de vida de toda galáxia.

Quasar

Um quasar, ou “fonte de rádio quase estelar”, é essencialmente um buraco negro supermassivo mega agitado. Gás caindo em direção a um quasar no centro de uma galáxia forma um “disco de acreção” que pode lançar uma quantidade incompreensível de energia eletromagnética, muitas vezes com uma luminosidade centenas de vezes maior que uma galáxia típica.

Normalmente, a formação de um quasar é semelhante a uma aposentadoria galáctica – os cientistas pensam que isso sinaliza o fim da capacidade de uma galáxia de produzir novas estrelas.

“Todo o gás que está se acumulando no buraco negro está sendo aquecido e emitindo raios-X”, esclarece Kirkpatrick. “Algo que está emitindo raios-X é uma das coisas mais quentes do universo. Esse gás começa a acender no buraco negro e começa a se mover em velocidades relativísticas. Também tem um campo magnético ao redor deste gás.

Da mesma forma que há erupções solares, pode ter jatos de material subindo através desses campos magnéticos e sendo atirados para longe do buraco negro. Estes jatos essencialmente sufocam o suprimento de gás da galáxia, então não há mais como formar novas estrelas. Depois que uma galáxia parou de formar estrelas, dizemos que está passivamente morta”.

O problema é que a pesquisa de Kirkpatrick trouxe uma surpresa: ao analisar galáxias, ela percebeu que cerca de 10% das que hospedam buracos negros supermassivos tinham uma fonte de gás frio remanescente após entrar nessa fase, e ainda estavam criando novas estrelas.

Como assim?

Kirkpatrick identificou os objetos usando o mapa digital Sloan Digital Sky Survey, o mais detalhado do universo disponível. Em seguida, vasculhou a região com o telescópio XMM Newton, examinando os raios-X. Por fim, utilizou o telescópio espacial Herschel, um telescópio de infravermelho distante, para detectar poeira e gás na galáxia.

Algumas das galáxias têm assinaturas de fusão óbvias, algumas se parecem muito com a Via Láctea e têm braços espirais muito óbvios, e algumas são realmente compactas. Desta população diversa, mais 10% estão com “quasares frios” ainda produzindo estrelas, o que é realmente único e inesperado.

“Estas são fontes muito compactas, azuis, luminosas. Se parecem exatamente como você esperaria que um buraco negro supermassivo parecesse nos estágios finais depois de ter apagado todas as estrelas em uma galáxia. Estão evoluindo para uma galáxia elíptica passiva, no entanto, encontramos também muito gás frio nelas. Essa é a população que estou chamando de ‘quasares frios’”, afirma a pesquisadora.

A astrofísica suspeita que os “quasares frios” representam um breve período ainda a ser reconhecido nas fases finais do tempo de vida de uma galáxia – em termos de vida humana, seria algo como uma “festa de aposentadoria”.

“Essas galáxias são raras porque estão em fase de transição – nós as capturamos logo antes da formação de estrelas na galáxia ser extinta e esse período de transição deve ser muito curto”, disse Kirkpatrick.

Suposições

As descobertas dão aos cientistas uma nova compreensão e detalhes de como a extinção da formação de estrelas nas galáxias ocorre, subvertendo os pressupostos sobre os quasares.

“Já sabíamos que os quasares passavam por uma fase obscura de poeira”, conta Kirkpatrick. “Sabíamos que eles passavam por uma fase muito encoberta onde a poeira cerca o buraco negro supermassivo. Chamamos isso de fase vermelha. Agora, encontramos esse regime de transição único que não conhecíamos. Antes, se você dissesse a alguém que havia encontrado um quasar luminoso com uma cor azul ótica – mas ainda com muita poeira, gás e formação estelar -, elas diriam: ‘Não, não é assim que deve ser’”.

Os próximos passos são determinar se a fase de “quasar frio” acontece com uma classe específica de galáxias, ou com todas as galáxias.

“Parece que esses objetos estão soprando sua própria poeira – então nós vemos isso como um objeto azul -, mas ainda não explodiram toda a poeira e gás nas galáxias hospedeiras. Esta é uma fase de transição, digamos de 10 milhões de anos. Em escalas de tempo universais, é um período realmente curto – e é difícil detectar esse tipo de coisa.  Estamos fazendo o que chamamos de pesquisa cega para encontrar objetos que não estávamos procurando. E ao encontrá-los, isso poderia implicar que acontece com todas as galáxias”, conclui Kirkpatrick. 
Fonte: Hypescience.com
[Phys]

Planetas gigantes que orbitam estrelas semelhantes ao Sol podem ser raros


A impressão artística de um exoplaneta da classe de Júpiter conhecido como 51 Eri b, descoberto pela Gemini Planet Imager em 2014. Imagem: Danielle Futselaar & Franck Marchis, Instituto SETI

O instrumento Gemini Planet Imager, anexado ao telescópio Gemini South, de 8 metros, no Chile, está encerrando uma pesquisa de quatro anos com 531 jovens estrelas relativamente próximas em busca de exoplanetas gigantes. A análise está em andamento, mas metade dos dados coletados, representando 300 estrelas, indica que planetas gigantes ao redor de estrelas semelhantes ao Sol podem ser raras. 

Se confirmadas, as descobertas, a serem publicadas no The Astrophysical Journal, teriam implicações para o desenvolvimento da vida em planetas terrestres que orbitam tais estrelas.

"Suspeitamos que em nosso sistema solar Júpiter e Saturno esculpiram a arquitetura final que influencia as propriedades de planetas terrestres como Marte e Terra, incluindo elementos básicos para a vida, como a entrega de água e as taxas de impacto", disse Franck Marchis, um pesquisador sênior do Instituto SETI e co-autor do artigo.

"Um sistema planetário com apenas planetas terrestres e sem planetas gigantes provavelmente será muito diferente do nosso, e isso pode ter consequências sobre a possibilidade de existência de vida em outras partes de nossa galáxia."

Mais de 4.000 exoplanetas já foram identificados até agora, a grande maioria encontrada medindo o ligeiro escurecimento da luz de uma estrela à medida que um planeta se move em frente ao seu sol - o método de trânsito planetário - ou observando a minúscula oscilação de uma estrela - muda em velocidade radial - causada pela gravidade de um planeta em órbita.

Ambas as técnicas favorecem a detecção de planetas orbitando relativamente próximos de seus sóis. Mas o Gemini Planet Imager, ou GPI, foi projetado para a imagem direta de planetas gigantes bloqueando a luz de uma estrela hospedeira próxima e usando sofisticadas óticas adaptativas para neutralizar a turbulência atmosférica.

Observações anteriores indicaram planetas gigantes mais tipicamente formados em torno de estrelas de maior massa e com base em estatísticas, os pesquisadores esperavam encontrar cerca de uma dúzia desses mundos nas primeiras 300 estrelas pesquisadas. Mas eles só encontraram seis.

Como se viu, 123 das estrelas amostradas eram mais de 1,5 vezes mais massivas que o Sol. E todos os seis planetas detectados na pesquisa orbitavam as estrelas de massa mais alta.

O GPI não é sensível aos planetas do tamanho de Júpiter ou menor, mas as novas observações, juntamente com a prevalência observada de planetas de massa ao redor de estrelas mais maciças que o Sol, indicam que o sistema solar da Terra, com a presença de Júpiter e Saturno, pode não ser típico.

"Se esta descoberta for confirmada depois de analisar o resto dos dados da pesquisa, e mais pesquisas de telescópios terrestres e espaciais que estão por vir, isso terá um impacto sobre a nossa compreensão da existência de vida em planetas terrestres", disse Marchis. “Isso é basicamente a razão de ser dessas pesquisas, para entender como o sistema planetário se formou e que tipo de vida poderia existir em outro lugar.”
Fonte: Astronomynow.com

Dois planetas alienígenas potencialmente semelhantes à Terra encontrados em torno da estrela próxima


Há ainda mais planetas potencialmente habitáveis ​​perto da Terra do que imaginávamos. Uma equipe de pesquisa descobriu dois planetas semelhantes à Terra em nosso quintal cósmico, e eles estão localizados na zona perfeita para a formação de água em suas superfícies presumivelmente rochosas.

Os planetas orbitam um sol conhecido como "a estrela de Teegarden", que fica a apenas 12,5 anos-luz da Terra . (Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou cerca de 6 trilhões de quilômetros ou 10 trilhões de quilômetros.) Os dois planetas se parecem muito com a Terra e nossos mundos vizinhos, disseram os pesquisadores.

"Os dois planetas lembram os planetas interiores de nosso sistema solar", o autor Mathias Zechmeister, um cientista de pesquisa no Instituto de Astrofísica na Universidade de Göttingen, na Alemanha, disse em um comunicado . "Eles são apenas ligeiramente mais pesados ​​que a Terra e estão localizados na chamada zona habitável, onde a água pode estar presente na forma líquida."

Os resultados foram obtidos como parte da pesquisa CARMENES para exoplanetas; CARMENES significa "Pesquisa de alta resolução de Calar Alto para anões M com Exoearths com Espectrógrafos Échelle ópticos e infravermelhos próximos."

De acordo com as observações do projeto, os mundos recém-descobertos orbitam sua estrela-mãe com períodos de aproximadamente cinco dias e 11 dias, respectivamente. Isso é muito rápido comparado aos planetas orbitando nosso próprio sol (até mesmo Mercúrio leva 88 dias para um único circuito), mas a estrela de Teegarden é um anão M - um tipo de estrela que produz menos luz e energia que nosso próprio sol. Quaisquer mundos potencialmente habitáveis ​​seriam encontrados amontoados mais perto desta estrela do que a Terra está ao sol, ou a água deles congelaria. Assim, suas órbitas seriam mais rápidas.

Mais planetas podem estar escondidos no sistema solar da estrela de Teegarden, acrescentou a equipe de pesquisadores, já que muitas estrelas têm mais de um par de planetas orbitando-as. A equipe de pesquisa tentou encontrar mais evidências de planetas usando o método "transit", que procura por sutis quedas de brilho à medida que um mundo passa na frente de sua estrela.

Os cientistas não detectaram nenhum trânsito, mas apontaram uma coincidência de geometria cósmica: quaisquer habitantes em potencial nos planetas recém-descobertos poderiam usar o método de trânsito para ver a Terra. Isso porque, do ponto de vista da estrela de Teegarden, a Terra orbita seu sol no ângulo certo para atravessar a face de nossa estrela, permitindo que qualquer astrônomo "lá fora" nos aviste quando passarmos.

Um artigo baseado na pesquisa foi publicado na revista Astronomy and Astrophysics .
Fonte: Space.com

Brilho misterioso aquece anéis de Urano

© Fornecido por Três Editorial Ltda Brilho nos anéis de urano: característica não é encontrada em outros sistemas de anéis no nosso sistema. Foto: E. Molter/I. de Pater/UC Berkeley

Algum tipo de onda de calor aquece os anéis de Urano, revelam novas imagens do planeta, obtidas por dois telescópios no Chile. A temperatura dos anéis, verificada pela primeira vez, é de 195 graus Celsius negativos – o ponto em que o nitrogênio líquido entra em ebulição, informa uma pesquisa descrita em artigo aceito para publicação no “The Astronomical Journal” e disponível em versão pré-impressão no site arXiv, segundo o site Space.com.

A temperatura encontrada é muito baixa, mas vale lembrar que a maior parte do espaço é ainda mais fria e convive com o chamado zero absoluto (-273 °C). Além disso, Urano é um dos planetas exteriores do Sistema Solar e recebe apenas uma fração do calor do Sol de que a Terra desfruta.

Os cientistas responsáveis pelas novas imagens ainda não sabem o que causa o calor relativo. Mas a temperatura anômala confirma que o anel uraniano mais brilhante e denso (denominado anel épsilon) é bem diferente de outros sistemas de anéis em nosso sistema.

“Os anéis de Saturno, principalmente os gelados, são largos [e] brilhantes e possuem uma faixa de tamanhos diferentes de partículas, desde poeira do tamanho de um mícron no anel D mais interno, até dezenas de metros de tamanho nos anéis principais”, afirma em um comunicado Imke de Pater, astrônoma da Universidade da Califórnia em Berkeley e coautora do estudo. “O pequeno final está faltando nos principais anéis de Urano. O anel mais brilhante, épsilon, é composto de rochas do tamanho de bolas de golfe e maiores.”

O anel épsilon também difere dos anéis observados nos outros planetas gigantes. Os de Júpiter são constituídos por partículas com cerca de um milésimo de milímetro de diâmetro cada; já os de Netuno são feitos quase inteiramente de poeira.

“Já sabemos que o anel épsilon é um pouco estranho, porque não vemos o material menor”, disse Edward Molter, autor do estudo e aluno de pós-graduação da Universidade da Califórnia em Berkeley, no mesmo comunicado. “Algo tem varrido o material menor para fora, ou está tudo junto. Apenas não sabemos. Esse é um passo para entender a composição [dos anéis] e se todos os anéis vieram do mesmo material de origem ou se este é diferente em cada anel.”
Fonte: MSN

18 de junho de 2019

Órbitas planetárias podem explicar o mistério do ciclo de 11 anos do sol


As forças de maré de Vênus, Terra e Júpiter influenciam o ciclo de 11 anos do Sol.
O Solar Dynamics Observatory da NASA capturou essa imagem de uma erupção solar da classe X que entrou em erupção na superfície do sol em 10 de setembro de 2017.(Imagem: © NASA / SDO / Goddard)


As órbitas de Vênus, Terra e Júpiter podem explicar o ciclo regular de 11 anos do Sol, sugere um novo estudo. 

Uma equipe de pesquisadores do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR), um instituto de pesquisa em Dresden, na Alemanha, mostrou que os campos magnéticos desses três planetas influenciam o ciclo da atividade solar , resolvendo uma das maiores questões da física solar.

"Tudo aponta para um processo cronometrado", disse Frank Stefani, pesquisador do HZDR e principal autor do novo estudo, em um comunicado . "O que vemos é o paralelismo completo com os planetas ao longo de 90 ciclos". 

Os pesquisadores compararam observações da atividade solar - como manchas solares, erupções solares e ejeções de massa coronal - dos últimos mil anos com alinhamentos planetários, a fim de mostrar que havia de fato uma correlação, de acordo com a declaração. 

Enquanto outras estrelas como o sol passam por ciclos semelhantes, marcados por uma mudança nos níveis de radiação ou número e tamanho das manchas solares, os modelos anteriores foram incapazes de explicar o que causa o ciclo muito regular de 11 anos do sol da Terra. 

No entanto, este novo estudo mostra uma conexão entre as forças de maré de Vênus, Terra e Júpiter - cuja atração gravitacional puxa o plasma do sol - e o ritmo constante da atividade magnética do sol. "Há um nível surpreendentemente alto de concordância", disse Stefani. 

Os pesquisadores disseram que esperam usar o mesmo modelo do campo magnético do sol para quantificar e prever com mais eficácia os eventos climáticos espaciais , ou tempestades solares que expelem radiação potencialmente perigosa. 

O estudo foi publicado em 22 de maio na revista Solar Physics .
Fonte: Space.com

No caso de alguém precisar de esclarecimento, aqui está a definição da lua


Por todo o dinheiro que estamos gastando, a NASA NÃO deveria estar falando sobre ir à Lua - Fizemos isso há 50 anos. Eles deveriam estar focados nas coisas muito maiores que estamos fazendo, incluindo Marte (da qual a Lua é uma parte), Defesa e Ciência! " 

- Presidente Trump, em um  tweet

Então, sim. . . há muito para descompactar aqui.

Primeiro, vamos dar crédito onde o crédito é devido: é um fato que os astronautas americanos pousaram na Lua há 50 anos (não importa o que  os teóricos da conspiração digam ).

Mas o presidente pode querer dar outra olhada na  diretiva de política espacial que  ele assinou em seu primeiro ano no cargo, que dirigiu a NASA para retornar à superfície lunar. Ele também pode rever  o grande discurso que o  vice-presidente Pence deu nesta primavera, no qual ele deu à NASA um prazo de cinco anos para a missão da Lua. E poderia valer a pena reexaminar a solicitação de seu governo de que o  Congresso adicionasse US $ 1,6 bilhão  ao orçamento da NASA para esse fim (talvez os beneficiários da Pell Grant o queiram de volta?).

A NASA definiu suas ambições lunares como um trampolim para uma eventual missão humana ao Planeta Vermelho, que é possivelmente o que Trump estava se referindo quando chamou a Lua de "uma parte" de Marte.

Mas apenas no caso, parece valer a pena declarar: A Lua é um satélite da Terra.

Na verdade, a Lua é provavelmente descrita com maior precisão como parte do nosso próprio planeta. As rochas trazidas pelos astronautas da Apollo  mostram que o material lunar carrega impressões digitais quase idênticas às encontradas na Terra. Os cientistas pensam que a Lua foi formada a partir de detritos produzidos durante uma antiga e gigantesca colisão entre a Terra e um protoplaneta agora desaparecido chamado Theia.

Marte tem duas luas chamadas Fobos e Deimos, cujos nomes vêm das palavras gregas para "pânico" e "pavor". Mas esses pequenos corpos, e o planeta em que eles orbitam, podem estar em qualquer lugar entre 34 milhões de milhas e 249 milhões de milhas de nossa Lua a qualquer momento.
Fonte: Sciencealert.com

Os elementos pesados da Terra nasceram em explosões de supernovas


O ouro das nossas joias é de outro mundo - e isto não é apenas um elogio.

Numa descoberta que pode derrubar a nossa compreensão de onde os elementos pesados da Terra, como ouro e platina, vêm, uma nova investigação feita por um físico da Universidade de Guelph sugere que a maior parte destes materiais foram expelidos por um tipo de explosão estelar largamente negligenciada, bem longe no espaço e no tempo.

Cerca de 80% dos elementos pesados do Universo formaram-se provavelmente em colapsares, uma forma rara de explosão de supernova, mas rica em elementos pesados, após o colapso de estrelas massivas e velhas tipicamente 30 vezes mais massivas do que o nosso Sol, disse o professor de física Daniel Siegel.

Essa descoberta anula a ideia generalizada de que estes elementos vêm principalmente de colisões entre estrelas de neutrões ou entre uma estrela de neutrões e um buraco negro, explicou Siegel.

O seu trabalho, em coautoria com colegas da Universidade de Columbia, foi publicado na revista Nature.

Usando supercomputadores, os três cientistas simularam a dinâmica dos colapsares, ou estrelas antigas cuja gravidade faz com que implodam e formem buracos negros.

No seu modelo, os colapsares massivos e com rápida rotação ejetam elementos pesados, cujas quantidades e distribuição são "surpreendentemente semelhantes ao que observamos no nosso Sistema Solar," explicou Spiegel.

A maioria dos elementos encontrados na natureza foram produzidos em reações nucleares em estrelas e, finalmente, expelidos por enormes explosões estelares.

Os elementos pesados encontrados na Terra e noutras partes do Universo, de explosões remotas, variam de ouro a platina, de urânio a plutónio usados em reatores nucleares, até elementos químicos mais exóticos como o neodímio, encontrado em produtos eletrónicos.

Até agora, os cientistas pensavam que estes elementos eram "cozinhados" principalmente em colisões estelares envolvendo estrelas de neutrões ou buracos negros, como numa colisão entre duas estrelas de neutrões observada por detetores terrestres bastante noticiada em 2017.

Ironicamente, disse Siegel, a sua equipa começou a trabalhar para entender a física dessa fusão antes das suas simulações apontarem para os colapsares como uma incubadora de elementos pesados. "A nossa investigação sobre estrelas de neutrões levou-nos a pensar que o nascimento de buracos negros, num tipo muito diferente de explosão estelar, podia produzir ainda mais ouro do que as fusões entre estrelas de neutrões."

O que aos colapsares falta em frequência, compensa no fabrico de elementos pesados, realçou Siegel. Os colapsares também produzem flashes intensos de raios-gama.

"Oitenta por cento destes elementos pesados que vemos devem vir dos colapsares. Os colapsares são bastante raros em termos de ocorrência de supernovas, ainda mais raros do que as fusões de estrelas de neutrões - mas a quantidade de material ejetado para o espaço é muito maior do que a das fusões de estrelas de neutrões."

A equipa espera agora ver o seu modelo teórico validado por observações. Siegel disse que instrumentos infravermelhos como os do Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021, devem ser capazes de detetar a radiação indicadora de elementos pesados de um colapsar numa galáxia distante.

"Essa seria uma assinatura clara," disse, acrescentando que os astrónomos também podem detetar evidências de colapsares observando as quantidades e a distribuição de elementos pesados noutras estrelas da nossa Via Láctea.

Siegel salientou que esta investigação pode fornecer pistas sobre a formação da nossa Galáxia.

"Tentar descobrir de onde vêm os elementos pesados pode ajudar-nos a entender como a Via Láctea foi 'montada' quimicamente e como se formou. Isto pode realmente ajudar a resolver algumas grandes questões da cosmologia, já que os elementos pesados são um bom rastreador."

Este ano assinala-se o 150.º aniversário da criação da tabela periódica dos elementos químicos de Dmitri Mendeleev. Desde então, os cientistas acrescentaram muitos outros elementos à tabela periódica, um marco dos livros escolares e científicos de todo o mundo.

Referindo-se ao químico russo, Siegel disse: "Conhecemos muitos outros elementos químicos que ele não conhecia. O que é fascinante e surpreendente é que, após 150 anos a estudar os blocos fundamentais da natureza, ainda não entendemos bem como o Universo produz uma grande parte dos elementos da tabela periódica."
Fonte: Astronomia OnLine

Recente cratera de impacto em Marte


Uma nova cratera em Marte, que apareceu em algum momento entre setembro de 2016 e fevereiro de 2019, aparece como uma mancha escura na paisagem nesta foto de alta resolução. (Imagem: © NASA / JPL / Universidade do Arizona)

Uma pequena rocha espacial colidiu com o Planeta Vermelho produzindo uma cratera estimada entre 15 e 16 metros de diâmetro.  A nova cratera marciana foi registrada pelo Mars Reconnaissance Orbiter (MRO). Esse satélite artificial tem observado Marte por mais de 13 anos, utilizando sobretudo sua câmera de alta resolução, a HiRISE.

Uma foto feita pela HiRISE em abril de 2019, mas postada recentemente, mostra a formação esférica com tonalidades diferentes do relevo ao seu redor.  Os pesquisadores ainda não sabem ao certo quando a cratera foi formada, ou seja, quando o meteorito caiu na superfície marciana, mas as estimativas apontam para um momento entre setembro de 2016 e fevereiro de 2019.

HiRISE detecta centenas de novas crateras em Marte a cada ano, mas essa está no topo da lista quando o assunto é tamanho. Isso significa que estamos falando de um impacto que não acontece com tanta frequência.  Os pesquisadores estimaram que o meteorito responsável por essa cratera tinha cerca de 1,5 metro. Se o alvo fosse a Terra ao invés de Marte, essa rocha espacial teria se fragmentado completamente e não teria atingido a superfície.

A atmosfera rarefeita de Marte permite que objetos menores consigam chegar até a superfície, portanto os impactos são mais frequentes. Ainda assim, os cientistas acreditam que este meteorito era mais "sólido" do que a maioria, pois mesmo caindo em Marte, seria comum ele ter se fragmentado criando diversas crateras menores.

"É um lembrete do que existe lá fora", disse Veronica Bray, membro da equipe HiRISE da Universidade do Arizona. "Marte é um mundo dinâmico, repleto de dunas móveis e furacões de poeira, mas as crateras são as características mais interessantes."

Veronica diz ter ficado fascinada com essa imagem colorida, pois ela mostra claramente os detalhes do impacto. Uma região mais escura onde a poeira foi deslocada. Abaixo temos o que parece ser rocha basáltica. Existem áreas com tons azuis, o que pode ser gelo que foi exposto.

A cratera surgiu numa região conhecida como Valles Marineris, próximo do equador.
Fonte: NASA

17 de junho de 2019

Campo magnético pode manter o buraco negro da Via Láctea relativamente calmo


Linhas de fluxo que mostram os campos magnéticos sobrepostos a uma imagem a cores do anel de poeira que rodeia o buraco negro supermasisvo da Via Láctea. A estrutura azul em forma de Y é material quente que cai em direção ao buraco negro, localizado próximo do ponto onde os dois braços da figura em forma de Y se intersetam. As linhas revelam que o campo magnético segue a forma da estrutura empoeirada. Cada dos braços azuis tem o seu próprio campo que é totalmente distinto do resto do anel, visto em rosa. Crédito: poeira e campos magnéticos - NASA/SOFIA; imagem do campo estelar - NASA/Telescópio Espacial Hubble  

Existem buracos negros supermassivos no centro da maioria das galáxias, e a nossa Via Láctea não é exceção. Mas muitas outras galáxias têm buracos negros altamente ativos, o que significa que está a cair neles muito material, emitindo radiação altamente energética neste processo de "alimentação". O buraco negro central da Via Láctea, por outro lado, está relativamente calmo. Novas observações do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA estão a ajudar os cientistas a compreender as diferenças entre buracos negros ativos e silenciosos.

Estes resultados fornecem informações sem precedentes sobre o forte campo magnético no centro da Via Láctea. Os cientistas usaram o mais novo instrumento do SOFIA, o HAWC+, para realizar estas medições.

Os campos magnéticos são forças invisíveis que influenciam os percursos de partículas carregadas e têm efeitos significativos sobre os movimentos e a evolução da matéria em todo o Universo. Mas os campos magnéticos não podem ser visualizados diretamente, portanto o seu papel não é bem compreendido. 

O instrumento HAWC+ deteta luz infravermelha distante e polarizada, invisível aos olhos humanos, emitida por grãos de poeira. Estes grãos alinham-se perpendicularmente aos campos magnéticos. A partir dos resultados do SOFIA, os astrónomos podem mapear a forma e inferir a força do campo magnético, de outra forma invisível, ajudando a visualizar esta força fundamental da natureza.

"Este é um dos primeiros exemplos em que podemos realmente ver como os campos magnéticos e a matéria interestelar interagem uns com os outros," observou Joan Schmelz, astrofísica do Centro de Pesquisas Espaciais Universitárias do Centro Ames da NASA em Silicon Valley, Califórnia, EUA, coautora do artigo que descreve as observações. "O HAWC+ muda o jogo."

Observações anteriores do SOFIA tinham mostrado o anel inclinado de gás e poeira em órbita do buraco negro da Via Láctea, de nome Sagitário A* (Sgr A*). Mas os novos dados do HAWC+ fornecem uma visão única do campo magnético nesta área, que parece traçar a história da região ao longo dos últimos 100.000 anos.

Os detalhes destas observações do campo magnético, pelo SOFIA, foram apresentados na reunião de junho de 2019 da Sociedade Astronómica Americana e serão submetidos à revista The Astrophysical Journal.

A gravidade do buraco negro domina a dinâmica do centro da Via Láctea, mas o papel do campo magnético tem sido um mistério. As novas observações com o HAWC+ revelam que o campo magnético é forte o suficiente para restringir os movimentos turbulentos do gás. Se o campo magnético canalizar o gás para que entre no próprio buraco negro, o buraco negro torna-se ativo porque consome muito gás. No entanto, se o campo magnético canalizar o gás para que entre em órbita em redor do buraco negro, então o buraco negro ficará quieto porque não está a ingerir nenhum gás que, de outra forma, acabaria por formar novas estrelas.

Os investigadores combinaram imagens no infravermelho médio e longínquo das câmaras do SOFIA com novas linhas de fluxo que visualizam a direção do campo magnético. A estrutura azul em forma de Y (ver figura) é material quente que cai em direção ao buraco negro, localizado próximo do ponto onde os dois braços da figura em forma de Y se intersetam. Colocando a estrutura do campo magnético sobre a imagem revela que o campo magnético segue a forma da estrutura empoeirada. 

Cada dos braços azuis tem o seu próprio componente de campo que é totalmente distinto do resto do anel, visto em rosa. Mas também existem lugares onde o campo se distancia das principais estruturas de poeira, como nas extremidades superior e inferior do anel.

"A forma espiral do campo magnético canaliza o gás para uma órbita em torno do buraco negro," comentou Darren Dowll, cientista do JPL da NASA e investigador principal do instrumento HAWC+, autor principal do estudo. "Isto pode explicar porque é que o nosso buraco negro está calmo enquanto outros estão ativos."

As novas observações do SOFIA com o HAWC+ ajudam a determinar como o material no ambiente extremo de um buraco negro supermassivo interage com ele, abordando uma antiga questão de porque é que o buraco negro central da Via Láctea é relativamente ténue, enquanto os de outras galáxias são tão brilhantes.
Fonte: Astronomia OnLine
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