31 de julho de 2019

Missão TESS completa primeiro ano de observações

O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA descobriu 21 planetas para lá do nosso Sistema Solar e capturou dados sobre outros eventos interessantes ocorridos no céu do hemisfério sul durante o seu primeiro ano de ciência. O TESS voltou agora a sua atenção para o hemisfério norte para completar a mais abrangente expedição de caça exoplanetária já realizada.

O TESS começou a caçar exoplanetas (ou mundos em órbita de estrelas distantes) no céu do hemisfério sul em julho de 2018, enquanto também recolhia dados sobre supernovas, buracos negros e outros fenómenos na sua linha de visão. Juntamente com os planetas descobertos pelo TESS, a missão já identificou mais de 850 candidatos a exoplaneta que aguardam confirmação por telescópios terrestres.

"O ritmo e a produtividade do TESS, no seu primeiro ano de operações, ultrapassaram em muito as nossas esperanças mais otimistas para a missão," disse George Ricker, investigador principal do TESS no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, EUA. "Além de encontrar um conjunto diversificado de exoplanetas, o TESS também descobriu um tesouro de fenómenos astrofísicos, incluindo milhares de violentos objetos estelares variáveis."

Para procurar exoplanetas, o TESS usa quatro grandes câmaras para observar uma secção de 24 por 96 graus no céu durante 27 dias de cada vez. Algumas destas secções sobrepõem-se, de modo que algumas partes do céu são observadas durante quase um ano. O TESS está a concentrar-se em estrelas a menos de 300 anos-luz do nosso Sistema Solar, procurando trânsitos, quedas periódicas no brilho provocado por um objeto, como um planeta, passando em frente à estrela.

No dia 18 de julho, foi concluída a porção sul da pesquisa e a nave virou as suas câmaras para o norte. Quando completar a secção norte em 2020, o TESS terá mapeado mais de três-quartos do céu. O Kepler descobriu o incrível resultado que, em média, cada sistema estelar tem um planeta ou planetas em seu redor," disse Padi Boyd, cientista do projeto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "O TESS dá o próximo passo. 

Se os planetas estão em toda a parte, então queremos encontrar aqueles que orbitam estrelas próximas e brilhantes, porque serão esses os que podemos agora acompanhar com telescópios terrestres e espaciais existentes, e a próxima geração de instrumentos durantes as décadas seguintes."

Exoplanetas

Para se qualificar como um candidato a exoplaneta, um objeto deve fazer pelo menos três trânsitos nos dados do TESS, e passar por várias verificações adicionais para garantir que os trânsitos não são falsos positivos provocados por um eclipse ou por uma estrela companheira, mas que são, de factos, exoplanetas. Uma vez identificado um candidato, os astrónomos utilizam uma grande rede de telescópios terrestres para o confirmar.

"A equipa está focada atualmente em encontrar os melhores candidatos para confirmar por meio de acompanhamento no solo," disse Natalia Guerrero, que administra a equipa encarregada de identificar candidatos a exoplanetas no MIT. "Mas há muitos mais candidatos potenciais a exoplaneta nos dados ainda a serem analisados, por isso estamos apenas a ver aqui a ponta do iceberg. O TESS apenas arranhou a superfície. Os planetas que o TESS descobriu até agora variam de um mundo com 80% do tamanho da Terra até aqueles comparáveis ou superiores aos tamanhos de Júpiter e Saturno. Tal como o Kepler, o TESS está a encontrar muitos planetas mais pequenos do que Neptuno, mas maiores do que a Terra.

Enquanto a NASA se esforça para colocar astronautas em alguns dos nossos vizinhos mais próximos - a Lua e Marte - a fim de entender mais sobre os planetas do nosso próprio Sistema Solar, observações posteriores com telescópios poderosos dos planetas que o TESS descobre vão permitir-nos entender melhor como a Terra e o Sistema Solar se formaram. Com os dados do TESS, os cientistas que usam observatórios atuais e futuros, como o Telescópio Espacial James Webb, poderão estudar outros aspetos dos exoplanetas, como a presença e a composição de qualquer atmosfera, que afetaria a possibilidade de desenvolvimento da vida.

Cometas

Antes do início das operações científicas, o TESS captou imagens nítidas de um cometa recém-descoberto no nosso Sistema Solar. Durante um teste dos instrumentos em órbita, as câmaras do satélite obtiveram uma série de imagens que capturaram o movimento de C/2018 N1, um cometa descoberto no dia 29 de junho pela NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA. O TESS também capturou dados de objetos semelhantes para lá do Sistema Solar.

Exocometas

Os dados da missão também foram usados para identificar trânsitos de cometas em órbita de outra estrela: Beta Pictoris, localizada a 63 anos-luz de distância. Os astrónomos conseguiram encontrar três cometas que eram pequenos demais para serem planetas e tinham caudas detetáveis, a primeira identificação do seu tipo no visível.

Supernovas

Dado que o TESS passa quase um mês a observar na mesma direção, pode capturar dados sobre eventos estelares, como supernovas. Durante os seus primeiros meses de operações científicas, o TESS identificou seis supernovas em galáxias distantes que foram posteriormente descobertas por telescópios terrestres. Os cientistas esperam usar estes tipos de observações para melhor entender as origens de um tipo específico de explosão conhecida como supernova do Tipo Ia.

As supernovas do Tipo Ia ocorrem em sistemas estelares onde uma anã branca extrai gás de outra estrela ou quando duas anãs brancas se fundem. Os astrónomos não sabem qual dos dois casos é o mais comum mas, com os dados do TESS, terão uma compreensão mais clara das origens destas explosões cósmicas.

As supernovas do Tipo Ia pertencem a uma classe de objetos chamada "vela padrão", o que significa que os astrónomos sabem quão luminosas são e podem usá-las para calcular parâmetros como a rapidez com que o Universo está a expandir-se. Os dados do TESS vão ajudar a compreender as diferenças entre as supernovas do Tipo Ia criadas em ambas as circunstâncias, o que poderá ter um grande impacto sobre como entendemos os eventos que ocorrem a milhares de milhões de anos-luz e, em última análise, sobre o destino do Universo.
Fonte: Astronomia OnLine

30 de julho de 2019

Encontradas duas estrelas anãs brancas que orbitam em minutos

Impressão de artista de um par de anãs brancas, de nome ZTF J1530+5027. Este par "eclipsante" de anãs brancas orbita-se uma à outra a cada sete minutos: quando a estrela maior e mais fria passa em frente, ou eclipsa, a estrela mais pequena e quente, a luz da estrela mais pequena é bloqueada. Para os astrónomos que observam o sistema, o par parece ter desaparecido durante aproximadamente 30 segundos durante a fase eclipsante da sua órbita.Crédito: Caltech/IPAC/R. Hurt

Duas estrelas mortas foram vistas a orbitar-se uma à outra a cada sete minutos. A descoberta celeste rara foi feita usando o ZTF (Zwicky Transient Facility) do Caltech, um levantamento do céu topo-de-gama no Observatório Palomar que varre rapidamente o céu noturno à procura de qualquer coisa que se mova, pisque ou varie de brilho. 

O novo duo dinâmico, oficialmente conhecido como ZTF J1539+5027, é o segundo par mais rápido de estrelas mortas que se orbitam, de nome anãs brancas, encontrado até hoje. O par é também o mais rápido "sistema binário eclipsante", o que significa que uma anã branca cruza repetidamente em frente da outra a partir do nosso ponto de vista. A natureza eclipsante das companheiras estelares é fundamental porque permite que os astrónomos aprendam os tamanhos, as massas e os períodos orbitais das estrelas.

Cada uma das recém-descobertas anãs brancas tem aproximadamente o tamanho da Terra, uma sendo um pouco menor e mais brilhante que a outra, e juntas têm uma massa equivalente à do nosso Sol. Os dois objetos orbitam muito próximos um do outro, a um-quinto da distância entre a Terra e a Lua; na verdade, as estrelas em órbita cabiam dentro do planeta Saturno. E completam uma volta em torno da outra a cada sete minutos a velocidades de centenas de quilómetros por segundo. 

"À medida que a estrela mais fraca passa em frente da mais brilhante, bloqueia a maior parte da luz, resultando no padrão cintilante de sete minutos que vemos nos dado do ZTF," disse o estudante Kevin Burdge do Caltech, autor principal de um novo estudo sobre as estrelas publicado na edição de 25 de julho da revista Nature. 

"A matéria está a preparar-se para sair da anã branca, maior e mais leve, para a anã mais pequena e mais pesada, que acabará por absorver  completamente a sua companheira mais leve. Já vimos muitos exemplos de um tipo de sistema em que uma anã branca foi canibalizada pela sua companheira, mas raramente avistamos sistemas onde ainda se estão a fundir, como neste." 

O par também é único por ser uma das poucas fontes conhecidas de ondas gravitacionais - ondulações no espaço e no tempo - que serão captadas pela futura missão espacial europeia LISA (Laser Interferometer Space Antenna), que deverá ser lançada em 2034. LISA será semelhante ao LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) do NSF, que fez história em 2015 ao fazer a primeira deteção direta de ondas gravitacionais de um par de buracos negros em colisão. Mas o LISA detetará as ondas, no espaço, em frequências mais baixas. 

"Estas duas anãs brancas estão a fundir-se porque estão a emitir ondas gravitacionais. Uma semana depois do LISA ficar ativo, deverá detetar as ondas gravitacionais deste sistema," diz o coautor Tom Prince, professor de física no Caltech e investigador sénior do JPL. "O LISA encontrará dezenas de milhares de sistemas binários como este na nossa Galáxia, mas até agora só conhecemos alguns. E este sistema binário de anãs brancas é um dos mais bem caracterizados devido à sua natureza eclipsante." 

Um rápido piscar no céu noturno 

O objeto raro foi detetado pela grande câmara de 576 megapixéis do ZTF, que varre rapidamente todo o céu a cada três noites e a maior parte do plano da Via Láctea todas as noites. Burdge encontrou ZTF J1539+5027 executando um programa de computador que rastreou 10 milhões de objetos cósmicos, procurando mudanças durante um período de três meses. Assim que encontrou objetos candidatos com o ZTF, Burdge usou o NOAO (National Optical Astronomy Observatory) em Kitt Peak para acompanhar e encontrar os candidatos mais promissores. 

"Este par destacou-se porque o sinal repete-se com muita frequência e de maneira tão previsível," disse Burdge, membro da equipa do ZTF no Caltech. "Antes, não conseguíamos procurar objetos que mudam sistematicamente em escalas de tempo de minutos. O ZTF permite-nos fazer isso porque a sua câmara é enorme e porque pode facilmente tirar fotos do céu e depois voltar e repetir." Observações posteriores com o Telescópio Hale de 200 polegadas, no Observatório Palomar, ajudaram a refinar as medições do novo sistema. 

"Apenas alguns meses depois de ficar ativo, os astrónomos do ZTF detetaram anãs brancas que se orbitam umas às outras num ritmo recorde," disse Anne Kinney, diretora assistente de ciências matemáticas e físicas do NSF. "É uma descoberta que melhorará em muito a nossa compreensão desses sistemas e é uma amostra das surpresas que ainda estão por vir." 

Um par emaranhado 

As anãs brancas começam as suas vidas como estrelas como o nosso Sol, exceto que estavam unidas como um par íntimo. À medida que as estrelas envelheceram, transformaram-se em gigantes vermelhas, embora não ao mesmo tempo. Com o tempo, as estrelas inchadas soltaram as suas camadas externas, deixando para trás duas estrelas mortas - as anãs brancas. 

"Às vezes estas anãs brancas binárias fundem-se numa única estrela, e outras vezes a órbita aumenta à medida que a anã branca mais leve é gradualmente destruída pela mais massiva," explicou o coautor James (Jim) Fuller, professor assistente de astrofísica teórica no Caltech. "Não temos certeza do que acontecerá neste caso, mas a descoberta de mais sistemas deste tipo dir-nos-á com que frequência estas estrelas sobrevivem aos seus encontros imediatos." 

Outro mistério que os investigadores esperam responder no futuro envolve a temperatura da anã branca mais quente, estimada em 50.000º C, ou nove vezes mais quente do que o Sol. Pensa-se que esta anã branca seja tão quente porque está a começar a "alimentar-se" da sua companheira e a puxar material, um processo que aquece este material a temperaturas escaldantes. Mas esta alimentação, ou processo de "acreção", é geralmente associado a raios-X, e os investigadores não estão a detetá-los. 

"É estranho que não estejamos a ver raios-X neste sistema. Uma possibilidade é que os pontos de acreção na anã branca - as áreas para onde o material está a cair - sejam maiores do que o normal, e isso poderá resultar na emissão de luz ultravioleta e visível em vez de raios-X," acrescentou Burdge. 

A equipa diz que a anã branca dupla, localizada a quase 8000 anos-luz de distância na direção da constelação de Boieiro, deverá continuar a piscar no céu noturno por aproximadamente cem mil anos. Os astrónomos amadores até poderão observar o par como um único ponto no céu, piscando a cada sete minutos, com a ajuda de um telescópio com pelo menos um metro de tamanho.
Fonte: Astronomia OnLine

29 de julho de 2019

NGC 3234 - Uma galáxia espiral observada completamente de lado

Acredite ou não, essa faixa longa e luminosa, com pacotes de material e com partes brilhantes é uma galáxia espiral parecida com a Via Láctea. Mas como pode ser?

O ponto é que estamos observando essa galáxia conhecida como NGC 3432, diretamente de lado, desde a Terra. Os braços espirais da galáxia e o seu núcleo estão escondidos e nós estamos vendo de fato, uma fina faixa da sua região mais externa. São as bandas escuras de poeira cósmica, as porções de brilho variado, e as regiões de tonalidade rosa de formação de estrelas, que nos ajudam a determinar a forma verdadeira da NGC 3432, mas óbvio que isso não é tão fácil e representa um certo desafio para os astrônomos. 

Pelo fato de observatórios como o Telescópio Espacial Hubble observarem galáxia espirais com todo o tipo de orientação, os astrônomos podem dizer quando nós estamos observando uma totalmente de lado como essa.  A galáxia está localizada na constelação de Leo Minor. Outros telescópios estudam e observam a NGC3234, como o Sloan Digital Sky Survey, o Galaxy Evolution Explorer, ou GALEX e o Infrared Astronomical Satellite, ou IRAS.

Crédito: ESA/Hubble & NASA, A. Filippenko, R. Jansen

Fonte: Spacetelescope.org

Observatório Chandra da NASA comemora seu 20º aniversário


No dia 23 de Julho de 1999, o Ônibus Espacial Columbia, foi lançado desde o Kennedy Space Center, carregando o Observatório de Raios-X Chandra. Nas duas décadas que se passaram desde então os poderosos e únicos olhos de raios-X do Chandra veem contribuindo e muito para revolucionar o nosso entendimento sobre o universo.

“Nesse ano quando comemoramos datas muito especiais como os 50 anos da chegada do homem na Lua e os 100 anos desde o eclipse total do Sol que comprovou a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein, não podemos perder mais uma data”, disse Paul Hertz, Diretor de Astrofísica da NASA. “O Chandra foi lançado 20 anos atrás, e continua realizando maravilhosas descobertas científicas ano após ano”.

Para comemorar os 20 anos de operação científica do Chandra, a NASA está lançando novas imagens representando a exploração feita pelo observatório espacial, demonstrando a variedade de objetos que ele estuda bem como, mostrando como os raios-X adquiridos por ele complementam outras observações. Desde os colossais aglomerados de galáxias até a luz de estrelas jovens, essas novas imagens representam uma amostra do que a impressionante visão de raios-X do Chandra pode fazer.

O Chandra é considerado um dos “Grandes Observatórios” da NASA, juntamente com o Hubble, com o Spitzer e com o Compton, e é até hoje o telescópio de raios-X com o maior poder de resolução. Ele normalmente é usado em conjunto com outros telescópios, como o Hubble e o Spitzer que observam em diferentes partes do espectro eletromagnético, e também participa de observações conjuntas com o XMM-Newton da ESA e o NuSTAR da própria NASA, esses dois últimos também observatórios de raios-X.

As descobertas realizadas pelo Chandra têm impactado virtualmente cada aspecto da astrofísica. Por exemplo, o  Chandra estava envolvido na prova direta da existência da matéria escura. Ele tem testemunhado poderosas erupções de buracos negros supermassivos. Os astrônomos também usam o Chandra para mapear como os elementos essenciais para a vida são espalhados pelas explosões de supernovas.

Muitos dos fenômenos agora investigados pelo Chandra não eram nem conhecidos quando o telescópio espacial foi lançado. Por exemplo, os astrônomos agora, usam o Chandra para estudar o efeito da energia escura, testar o impacto da radiação  estelar em exoplanetas e observar as consequências dos eventos que geram as ondas gravitacionais.

“O Chandra, permanece inigualável na sua habilidade de encontrar e estudar fontes de raios-X”, disse Belinda Wilkes diretora do Chandra X-ray Center. “Como virtualmente cada fonte astronômica emite raios-X, nós precisamos de um telescópio como o Chandra para ter uma visão completa e um entendimento do universo como um todo”.

O Chandra foi originalmente proposto para a NASA em 1976 por Riccardo Giacconi, que ganhou o prêmio Nobel de física em 2002 pelas suas contribuições para a astronomia de raios-X, e Harvey Tananbaum, que tornou-se o primeiro diretor do Chandra X-ray Center. Levou décadas de colaboração entre cientistas e engenheiros, companhias privadas e agências governamentais para fazer o Chandra se tornar uma realidade.

“A construção e a operação do Chandra, sempre foi e continua sendo um trabalho de equipe”, disse Martin Weisskopf, cientistas de projeto do Chandra no Marshall Space Flight Center da NASA. “É uma honra e um privilégio estar envolvido com esse poderoso instrumento científico”.

Em 2018, a NASA estendeu a missão do Chandar, e ele ficará em operação até 2024, com a possibilidade de mais duas extensões de 3 anos.

O Observatório de raios-X Chandra tem esse nome em homenagem ao vencedor do prêmio Nobel, Subrahmanyan Chandrasekar. O Marshall Space Flight Center da NASA gerencia  o programa do Chandra. O Chandra X-ray Center do Smithsonian Astrophysical Observatory controla as operações de voo e científicas do Chandra, desde Cambridge, Mass.
Fonte: NASA

5 razões porque deveríamos estudar mais os asteroides


No mesmo dia em que a Terra sobreviveu a um quase acidente com o asteroide 367943 Duende, câmeras de painéis de automóveis russos capturaram inesperadamente imagens de um asteroide diferente, quando este atingiu a atmosfera, explodindo e ferindo mais de 1.000 pessoas.

Aquele dia em Chelyabinsk, em fevereiro de 2013, lembrou ao mundo que a Terra não existe em uma bolha. Os asteroides fornecem uma conexão direta entre a Terra e o espaço interplanetário. Crateras, como a Cratera Barringer no Arizona, são um lembrete gritante. Os dinossauros morreram devido a um impacto diferente não muito longe no Golfo do México. Mas em outras partes do universo, os asteroides podem realmente transportar a vida entre diferentes planetas.

Enquanto o mundo reflete sobre o primeiro voo para a Lua e nosso futuro em Marte, pensamos que os asteroides – os chamados ‘planetas menores’ – merecem reconhecimento. Aqui está o porquê:  

1. Asteroides podem nos exterminar

Não vimos o meteoro de Chelyabinsk chegando até que os câmeras russas o filmaram. Felizmente, ninguém morreu como resultado direto da explosão. Da próxima vez, podemos não ser tão sortudos. Mesmo para os asteroides conhecidos, existe pelo menos uma pequena possibilidade de que eles possam colidir com a Terra nos próximos cem anos. 

Atualmente existem seis asteroides conhecidos com pelo menos 0,1% de chance de impactar a Terra antes do século XXIII. E o mesmo asteroide, que causaria algumas baixas ao explodir sobre uma floresta, poderia matar milhares de pessoas ao explodir sobre uma grande cidade.

2. Asteroides podem conter água

Os astrônomos debatem a origem da água da Terra e se ela foi enviada ao nosso planeta há bilhões de anos por cometas e asteroides. A sonda espacial Dawn da NASA visitou o maior asteroide conhecido, Ceres, e detectou água em sua superfície. De fato, a NASA classifica Ceres como um antigo “mundo oceânico”, embora um onde o oceano de água e amônia tenha congelado e reagido com as rochas de silicato para formar depósitos minerais que agora estão por toda a paisagem.

3. Asteroides revelam como o sistema solar se formou

As superfícies dos asteroides não se desgastam como rochas na Terra, porque os asteroides não têm atmosferas. Isso significa que as crateras dos asteroides estão melhor preservadas em grandes escalas de tempo e evidenciam os impactos dos últimos quatro bilhões de anos que teriam sido apagados na Terra.

Desta forma, os asteroides podem atuar como cápsulas do tempo para evidências do universo antigo.

Quanto mais para trás você vai no tempo, mais complicado se torna, pois os asteroides mudam nas centenas de milhões de anos após sua formação, mudando suas posições e sofrendo colisões.

4. Asteroides revelam como o sistema solar vai morrer

Mais de seis bilhões de anos a partir de agora, quando o Sol usar todo o seu combustível de hidrogênio, ele começará a mudar, tornando-se uma anã branca – o estado final da maioria das estrelas na Via Láctea Galáxia. Durante esta transformação, o Sol irá brevemente aumentar o suficiente para engolir Mercúrio, Vênus e talvez a Terra. Mas pelo menos cinco dos planetas do Sol e muitos asteroides sobreviverão a essa transformação.

Os asteroides, então, desempenham um papel importante, pois são “chutados” em direção à anã branca pelo campo gravitacional dos planetas sobreviventes quando se aproximam demais.

Observamos regularmente os restos quebrados de asteroides dentro das atmosferas de outras estrelas anãs brancas, permitindo-nos determinar a composição química dos asteroides, realizando uma autópsia de longe. Essa técnica é a maneira mais direta que podemos investigar a composição química de sistemas planetários fora do nosso.

Os asteroides em nosso próprio sistema solar podem fornecer os melhores meios para as futuras civilizações galácticas descobrirem mais sobre os corpos planetários que orbitarão nosso futuro Sol, muito depois que a Terra se foi.

5. Asteroides podem transportar a vida

Sabemos da natureza destrutiva do impacto de um asteroide, mas e se pudesse agir como um meio de fuga?

Um impacto suficientemente grande por um asteroide daria energia suficiente para ejetar material da superfície de um planeta. Se o planeta estiver habitável, parte do material ejetado pode se tornar uma embarcação de transporte para microrganismos resistentes, que poderiam ter uma chance de sobreviver ao lançamento no espaço.

Claro, o lançamento é apenas o começo da aventura geral. Para completar o salto de um planeta para outro, a vida deve suportar as duras condições do espaço durante a sua viagem interplanetária. Ao chegar ao seu destino, ela deve sobreviver à entrada no novo planeta, incluindo outro impacto na superfície.

A ampla gama de sistemas planetários descobertos pelos astrônomos nos últimos anos poderia ajudar. Alguns deles estão cheias de planetas potencialmente habitáveis ​​juntos. O sistema TRAPPIST-1 é apenas um exemplo. Este é um grupo de sete planetas orbitando uma estrela 12 vezes menor do que o nosso próprio Sol, a apenas 39 anos-luz de distância.

Todos os sete planetas são aproximadamente do mesmo tamanho da Terra e agrupados relativamente próximos – o que significa que as bactérias poderiam pular entre eles se fossem perturbadas por um asteroide em um planeta próximo.

Com condições favoráveis ​​em vigor no planeta de destino, a vida poderia ter uma chance muito maior de sobreviver à jornada do que se um organismo vivo fosse ejetado da Terra e chegasse a um planeta diferente em nosso sistema solar.

Os muitos obstáculos envolvidos neste salto interplanetário apresentam uma árdua batalha para os microorganismos que procuram um novo lar. No entanto, a teoria continuará a gerar intrigas à medida que os astrônomos descobrirem mundos ainda mais estranhos e maravilhosos moldados pela influência dos asteroides. Com cada novo mundo vem uma maior compreensão do papel fundamental que desempenham na formação do nosso Universo.
Fonte: Ovnihoje.com

Bela imagem do HUBBLE da galáxia espiral NGC 3169


De vez em quando, o Telescópio Espacial Hubble da NASA / ESA vislumbra um objeto comum - digamos, uma galáxia espiral - de uma maneira interessante ou incomum. Uma perspectiva nitidamente inclinada, como a mostrada nesta imagem do Hubble, pode fazer parecer que nós, espectadores, estamos esticando nossos pescoços para ver através de uma barreira no centro brilhante da galáxia.

No caso da NGC 3169, essa barreira é a poeira espessa embutida nos braços espirais da galáxia. A poeira cósmica compreende um pot-pourri de partículas, incluindo gelo de água, hidrocarbonetos, silicatos e outros materiais sólidos. Tem muitas origens e origens, desde as sobras da formação de estrelas e planetas a moléculas modificadas ao longo de milhões de anos por interações com a luz estelar.

A NGC 3169 está localizada a cerca de 70 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Sextantes (o Sextante). É parte do grupo de galáxias Leão I, que, como o Grupo Local que abriga nossa galáxia, a Via Láctea, faz parte de uma congregação galáctica maior conhecida como o Superaglomerado de Virgem. 
Crédito de texto: ESA (Agência Espacial Europeia)
Crédito de imagem: ESA / Hubble & NASA, L. Ho
Fonte: NASA

É descoberto intrigante planeta com 3 sóis

O mundo recém-descoberto orbita uma das estrelas, enquanto o par restante percorre o céu como duas luas cheias vermelhas sempre presentes.
 O mundo recém-descoberto orbita uma das estrelas, enquanto o par restante percorre o céu como duas luas cheias vermelhas sempre presentes. É descoberto intrigante planeta com 3 sóis. Um planeta não muito distante, onde três sóis dançam através do céu, pode ser uma chave em nossa busca de vida em mundos além da Terra. 

O planeta tem o nome muito pouco carismático LTT 1445Ab, mas graças às observações do Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) da NASA, sabemos que o planeta recém-descoberto do tamanho da Terra é como algo de um filme de ficção científica. O universo de Star Wars tem Tatooine com seus dois sóis, mas o LTT 1445Ab é parte de um sistema de três estrelas que está a menos de 23 anos-luz da Terra. 

Astrônomos viram pelo menos um outro planeta em um sistema de três estrelas, mas é um gigante a mais de 300 anos-luz de distância. Se algum dia encontrarmos uma maneira de viajar na velocidade da luz, o LTT 1445Ab seria apenas uma jornada de 23 anos, o que é relativamente próximo em termos galácticos.

Seria certamente legal visitar o LTT 1445Ab com seus três sóis anões vermelhos. Ele orbita uma das estrelas, enquanto o par restante percorre o céu como duas luas cheias vermelhas sempre presentes. 

O problema é que o planeta não está na zona habitável e quase certamente é quente demais para abrigar a vida. Mas esse mundo tri-solar ainda merece muito estudo. Para começar, é apenas um pouco maior que a Terra e é provavelmente um planeta rochoso como o nosso. 

Ele é também o segundo planeta mais próximo que pode ser observado passando em frente, ou em trânsito de sua estrela e o mais próxima que podemos ver em trânsito em uma anã vermelha. (acredita-se que o Proxima b, o exoplaneta mais próximo possível, não esteja realmente transitando sua estrela anã vermelha.)

Isso é importante porque os planetas em trânsito oferecem aos cientistas a oportunidade de estudar atmosferas. Isso também poderia nos dar uma ideia melhor das chances de encontrar vida em outras partes do universo, porque as estrelas anãs vermelhas são consideradas o tipo mais comum de estrelas.

O LTT 1445Ab pode acabar tendo um papel importante em responder a pergunta clássica: estamos sozinhos? Isso é razão mais do que suficiente para ele merecer um nome melhor. 
Fonte: Ovnihoje.com

Asteroide que poderia ter destruído cidades passou pela Terra quase indetectado


Pesquisadores do Royal Institution of Australia, uma organização científica australiana sem fins lucrativos, disseram que um asteroide com potencial para destruir cidades passou muito perto da Terra – e quase não o vimos.
Nomeado Asteroide 2019 OK, a rocha tinha cerca de 57 a 130 metros de largura e se movia em velocidade a uma distância de aproximadamente 73.000 quilômetros da Terra – menos de um quinto da distância até a lua.

“Francamente, deveria preocupar todos nós. Não é um filme de Hollywood. É um perigo claro e presente. Seria como uma arma nuclear muito grande”, esclareceu Alan Duffy, principal pesquisador do instituto australiano.

“É provavelmente o maior asteroide a passar tão perto da Terra em muitos anos”, complementou Michael Brown, astrônomo e professor da Universidade Monash, ao The Post. “Nos surpreendeu rapidamente”.

Asteroide 2019 OK

O asteroide foi detectado semana passada por duas equipes de astronomia diferentes, uma no Brasil e outra nos EUA.  Os astrônomos não identificaram o objeto – de um tipo conhecido como “assassino de cidades” – até pouco tempo antes de se aproximar da Terra a cerca de 61 vezes a velocidade de um jato comercial.

Os dados sobre seu tamanho e órbita só foram compilados algumas horas antes de ele passar pelo planeta. Para colocar seu tamanho em perspectiva, o incidente com meteoro de 2013 em Chelyabinsk, na Rússia, tinha apenas 20 metros de diâmetro e explodiu com mais energia do que uma arma nuclear.

Por que não o detectamos antes?

Como deixamos um asteroide tão grande quase passar despercebido?  Justamente por conta de seu tamanho e órbita. Embora seja grande, o Asteroide 2019 OK não é do tamanho da rocha que causou a extinção dos dinossauros, por exemplo. Objetos deste tipo são detectados 90% das vezes por instituições científicas.

Além disso, o asteroide possui uma órbita muito elíptica. Segundo Brown, ele passou bem além da órbita de Marte, quase na órbita de Vênus, de forma que ficou difícil vê-lo de longe. Apenas três dias antes de seu encontro com a Terra, era mil vezes mais fraco para se detectar do nosso ponto de vista.

Por fim, há a questão da velocidade. Conforme se aproximava do planeta, o asteroide viajava a 24 quilômetros por segundo. As rochas espaciais detectadas recentemente possuíam velocidades entre 4 e 19 quilômetros por segundo.

Precisamos de avanços na detecção de objetos potencialmente perigosos

Segundo os astrônomos, essa detecção de último minuto serve como um lembrete da ameaça real que asteroides podem representar para a Terra. Se tivesse nos atingido, teria sem dúvida resultado em incidentes devastadores.

Embora as chances de um grande asteroide “matar” uma cidade inteira sejam “modestas”, Brown afirma que vale a pena dedicar recursos para a detecção e prevenção destes tipos de objetos. O Asteroide 2019 OK prova que existem outros por aí potencialmente perigosos dos quais não temos conhecimento, e eles podem se aproximar da Terra sem aviso prévio.

De acordo com o The Washington Post, os astrônomos estão desenvolvendo pelo menos duas abordagens para tentar desviar asteroides possivelmente prejudiciais ao planeta. Duffy explicou que uma das estratégias envolve empurrar o asteroide lentamente para longe da Terra, e a outra, chamada de trator de gravidade, usa a gravidade de uma espaçonave para desviar o objeto, se ele for detectado cedo o suficiente.
Fonte: Hypescience.com
[Futurism, TheWashingtonPost]

26 de julho de 2019

Como os buracos negros moldam galáxias


Num novo estudo, os cientistas analisaram oito anos de observações do XMM-Newton do buraco negro no centro de uma galáxia ativa conhecida como PG 1114+445, mostrando como os ventos ultrarrápidos - fluxos de gás emitidos do disco de acreção muito próximo do buraco negro - interagem com a matéria interestelar nas partes centrais da galáxia. Estes fluxos já tinham sido vistos antes, mas o novo estudo identifica claramente, e pela primeira vez, três fases da sua interação com a galáxia hospedeira.

"Estes ventos podem explicar algumas correlações surpreendentes que os cientistas conhecem há anos, mas que não conseguiam explicar," disse o autor principal Roberto Serafinelli do Instituto Nacional de Astrofísica de Milão, Itália, que realizou a maior parte do trabalho como parte do seu doutoramento na Universidade de Roma Tor Vergata. 

"Por exemplo, vemos uma correlação entre as massas de buracos negros supermassivos e a dispersão de velocidade das estrelas nas partes internas das suas galáxias hospedeiras. Mas não há como tal se deva ao efeito gravitacional do buraco negro. O nosso estudo mostra, pela primeira vez, como estes ventos de buracos negros impactam a galáxia em maior escala, possivelmente fornecendo o elo que faltava."

Os astrónomos já haviam detetado dois tipos de fluxos nos espectros de raios-X emitidos pelos núcleos ativos das galáxias, as densas regiões centrais das galáxias conhecidas por conter buracos negros supermassivos. Os chamados fluxos ultrarrápidos (em inglês "ultra-fast outflows", ou UFOs), feitos de gás altamente ionizado, viaja a velocidades de até 40% da velocidade da luz e são observáveis nas proximidades do buraco negro central.

Os fluxos mais lentos, conhecidos como absorvedores quentes, viajam a velocidades muito mais baixas, de centenas de quilómetros por segundo, e possuem características físicas semelhantes - como densidade de partículas e ionização - à matéria interestelar circundante. É mais provável que esses fluxos mais lentos sejam detetados a distâncias maiores dos centros das galáxias.

No novo estudo, os cientistas descrevem um terceiro tipo de fluxo que combina características dos dois anteriores: a velocidade de um UFO e as propriedades físicas de um absorvedor quente.

Este arrasto acontece a uma distância de dezenas a centenas de anos-luz do buraco negro. O UFO gradualmente empurra a matéria interestelar para longe das partes centrais da galáxia, limpando-a do gás e diminuindo a acreção da matéria em redor do buraco negro supermassivo. Embora os modelos já tenham previsto antes este tipo de interação, o estudo atual é o primeiro a apresentar observações reais das três fases.  Esta primeira interação acontece muitos anos depois do UFO ter deixado o buraco negro. Mas a energia do UFO permite que o buraco negro relativamente pequeno tenha impacto sobre o material muito além do alcance da sua força gravitacional.  

De acordo com os cientistas, os buracos negros supermassivos transferem a sua energia para o ambiente circundante através desses fluxos e gradualmente limpam as regiões centrais da galáxia de gás, o que pode então interromper a formação estelar. De facto, as galáxias de hoje produzem estrelas com muito menos frequência do que costumavam nos estágios iniciais da sua formação.

A resolução de energia sem precedentes do XMM-Newton foi fundamental para diferenciar os três tipos de características correspondentes aos três tipos de fluxos. No futuro, com observatórios novos e mais poderosos, como o ATHENA (Advanced Telescope for High ENergy Astrophysics) da ESA, os astrónomos poderão observar centenas de milhares de buracos negros supermassivos, detetando estes fluxos mais facilmente. ATHENA, que será mais de 100 vezes mais sensível do que o XMM-Newton, deverá ser lançado no início da década de 2030. 

Mais dados, no futuro, vão ajudar a desvendar as complexas interações entre os buracos negros supermassivos e as suas galáxias hospedeiras em detalhe e a explicar a diminuição na formação estelar que os astrónomos observam ter ocorrido ao longo de bilhões de anos.
Fonte: ESA

Astrônomos observam fases agonizantes de uma estrela parecida com o Sol


Os astrônomos que estudam a evolução das estrelas estão acostumados a acompanhar eventos que levam um tempo muito maior que a vida humana para acontecer. Porém, no caso da estrela T Ursae Minoris, ou T UMi, que vem sendo observada a 1 século, os astrônomos detectaram que ela está muito perto de morrer e pode experimentar importantes eventos dentro de décadas. Além disso, mesmo sendo maior que o Sol, a T UMi pode ser classificada como sendo do mesmo tipo do Sol.

Estrelas com massas superioras a 8 vezes a massa do Sol, terminam sua vida numa bela explosão de supernova, evento esse que podemos acompanhar por semanas às vezes. Estrelas menores, contudo, se movimenta numa velocidade bem menor e termina sua vida de maneira bem menos espetacular.

Todas as estrelas que têm massas entre 0.5 e 8 vezes a massa do Sol, eventualmente expelem suas camadas externas, deixando para trás seus núcleos que se transformam numa estrela do tipo anã branca. Os astrônomos sabem disso através de uma combinação entre modelagem e a observação de estrelas em diferentes momentos de suas jornadas. Contudo, o processo é tão lento que nunca foi visto acontecer. Os astrônomos também não conseguiram testemunhar ainda a transição entre os estágios dessa jornada.

Agora, contudo, a Dra. Meridith Joyce, da Australian National University e seus colegas, analisaram o comportamento da T UMi e publicaram o trabalho no periódico The Astrophysical Journal. Desde 1905, os astrônomos amadores registram o brilho variável da estrela, que chega a um fator de 100, na maioria do tempo no ciclo de 310 a 315 dias. Desde 1979 essas variações se tornaram mais rápidas, caindo para 114 dias, e a variabilidade também diminuiu.

Com isso, a Joyce concluiu que a T UMi está expelindo suas camadas externas através de uma série de pulsos cada pulso durando alguns séculos. “A produção de energia na T UMi tem se tornado instável. Durante essa fase, a fusão nuclear incendeia nas profundezas da estrela, causando pulso térmicos”, disse Joyce.

Joyce prevê que nesse ritmo levará entre 30 a 50 anos, para que a T UMi comece a crescer e esfriar novamente. Ela espera estar ainda trabalhando em astronomia para poder verificar sua previsão.

Com base na massa e no tamanho da estrela obtido a partir da modelagem feita por Joyce, a T UMi deve passar por 25 pulsos para emitir todas suas camadas externas, e pelos cálculos faltam ainda algo entre 5 a 10 pulsos.

O Sol tem cerca da metade da massa inicial da T UMi, embora um sexto da T UMi já tinha ido embora. Os pulsos da estrela serão mais curtos e existem poucos deles para esgotar a estrela. “O Sol, tem no mínimo mais uns 5 bilhões de anos de vida antes de entrar na fase de gigante vermelha”. Nesse ponto, o Sol irá se expandir engolindo Mercúrio, Vênus e possivelmente a Terra, antes de declinar, com pulsos ou não, até terminar a sua vida como uma estrela anã branca.

O material que a T UMi está dispensando inclui carbono e nitrogênio, além de quantidade menores de metais como estanho que será absorvido na geração seguinte de estrelas do sistema e pode ajudar a construir novos planetas. 
Fonte: Iflscience.com

A primeira supernova observada pelo satélite TESS


Quando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA foi lançado para o espaço em abril de 2018, o seu objetivo era específico: procurar novos planetas no Universo.

Mas numa investigação publicada recentemente, uma equipe de astrónomos da Universidade Estatal do Ohio mostrou que o levantamento, apelidado TESS, também pode ser usado para monitorizar um tipo específico de supernova, dando aos cientistas mais pistas sobre o que faz com que as anãs brancas expludam - e sobre os elementos que essas explosões deixam para trás.

"Nós sabemos há anos que estas estrelas explodem, mas temos ideias terríveis do porquê," disse Patrick Vallely, autor principal do estudo e estudante de astronomia da mesma universidade. "A coisa mais importante aqui é que somos capazes de mostrar que esta supernova não é consistente com uma anã branca que retira massa diretamente de uma companheira estelar - o tipo de ideia padrão que levou as pessoas a tentar encontrar assinaturas de hidrogénio em primeiro lugar. Isto porque a curva de luz do TESS não mostra nenhuma evidência de uma companheira, e tendo em conta que as assinaturas do hidrogénio nos espectros SALT não evoluem como os outros elementos, podemos descartar o modelo padrão."

A sua pesquisa, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, representa as primeiras descobertas publicadas sobre uma supernova observada com o TESS e acrescenta novas informações às teorias de longa data sobre os elementos deixados para trás depois que uma estrela anã branca explode como supernova.

Esses elementos há muito que incomodam os astrónomos.

Os astrónomos pensam que uma anã branca explode num tipo específico de supernova, Tipo Ia, depois de recolher massa de uma estrela companheira próxima e crescer demasiado para permanecer estável. Mas se isso for verdade, então os astrónomos teorizaram que a explosão deixaria para trás traços de hidrogénio, um bloco de construção crucial das estrelas e do Universo inteiro (as anãs brancas, pela sua natureza, já queimaram todo o seu hidrogénio e, portanto, não seriam uma fonte de hidrogénio numa supernova).

Mas até esta observação de uma supernova com o TESS, os astrónomos nunca tinham visto estes traços de hidrogénio no rescaldo da explosão: esta supernova é a primeira do seu tipo em que os astrónomos mediram o hidrogénio. Aquele hidrogénio, relatado pela primeira vez por uma equipa dos Observatórios do Instituto Carnegie para Ciência, poderá mudar a natureza do que os astrónomos sabem sobre as supernovas das anãs brancas.

"A coisa mais interessante sobre esta supernova em particular é o hidrogénio que vimos nos seus espectros (os elementos que a explosão deixa para trás)," disse Vallely. "Há anos que procuramos hidrogénio e hélio nos espectros deste tipo de supernova - esses elementos ajudam-nos a compreender o que provocou a supernova."

O hidrogénio poderia significar que a anã branca consumiu uma estrela próxima. Nesse cenário, a segunda estrela seria uma estrela normal no meio da sua vida útil - não uma segunda anã branca. Mas quando os astrónomos mediram a curva de luz desta supernova, a curva indicava que a segunda estrela era, de facto, uma segunda anã branca. Então, de onde veio o hidrogénio?

O professor de astronomia Kris Stanek - conselheiro de Vallely e coautor do artigo, disse que é possível que o hidrogénio tenha vindo de uma estrela companheira - uma estrela normal - mas ele acha que é mais provável que o hidrogénio tenha vindo de uma terceira estrela que estava perto da explosão da anã branca e que foi consumida na supernova por acaso.

"Seria de pensar que, dado que vemos este hidrogénio, isso significa que a anã branca consumiu uma segunda estrela e explodiu, mas, com base na curva de luz que vimos desta supernova, isso pode não ser verdade," disse Stanek.

"Com base na curva de luz, o evento mais provável, pensamos, é que o hidrogénio pode estar a vir de uma terceira estrela no sistema," acrescentou Stanek. "Portanto, o cenário predominante, pelo menos aqui na Universidade, é que o modo de fabricar uma supernova do Tipo Ia é ter duas estrelas anãs brancas em interação - até mesmo colidindo. Mas também ter uma terceira estrela que fornece o hidrogénio."

A equipe de investigação, Vallely, Stanek e uma equipa de astrónomos de todo o mundo, combinou dados do TESS com dados do ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae). O ASAS-SN é liderado pela mesma instituição de ensino e é composto por pequenos telescópios espalhados pelo planeta que vigiam o céu em busca de supernovas em galáxias distantes.

O TESS, em comparação, foi construído para procurar planetas próximos na nossa Galáxia - e para fornecer dados muito mais depressa do que os telescópios espaciais anteriores. Isso significa que a equipa da Universidade do Ohio foi capaz de usar os dados do TESS para ver o que estava a acontecer em torno da supernova nos primeiros momentos depois de ter explodido - uma oportunidade sem precedentes.

A equipa combinou dados do TESS e do ASAS-SN com dados do SALT (South African Large Telescope) para avaliar os elementos deixados no rescaldo da explosão de supernova. Eles encontraram tanto hidrogénio quanto hélio, dois indicadores que a estrela que explodiu consumiu, de alguma forma, uma estrela companheira próxima.

"O que é realmente interessante sobre estes resultados é que, quando combinamos os dados, podemos aprender coisas novas," disse Stanek. "E esta supernova é o primeiro caso interessante desta sinergia."

A supernova que esta equipe observou foi do Tipo Ia, um tipo de supernova que pode ocorrer quando duas estrelas se orbitam uma à outra - o que os astrónomos chamam de sistema binário. Nalguns casos de uma supernova do Tipo Ia, uma dessas estrelas é uma anã branca.

Uma anã branca queimou todo o seu combustível nuclear, deixando para trás apenas um núcleo muito quente (a temperatura de uma anã branca excede 100.000 K). A menos que a estrela cresça roubando energia e matéria de uma estrela próxima, a anã branca passa os próximos mil milhões de anos a arrefecer antes de se transformar num pedaço de carbono negro.

Ma se a anã branca e outra estrela estiverem num sistema binário, a anã branca lentamente recebe massa da outra estrela até que, eventualmente, a anã branca explode como supernova.

As supernovas do Tipo Ia são importantes para a ciência espacial - ajudam os astrónomos a medir distâncias no espaço e ajudam a calcular a rapidez com que o Universo está a expandir-se (uma descoberta tão importante que ganhou o Prémio Nobel da Física em 2011).

"Este é o tipo mais famoso de supernova - levou à descoberta da energia escura na década de 1990," disse Vallely. "São responsáveis pela existência de tantos elementos no Universo. Mas nós não entendemos muito bem a física por trás delas. E é por isso que gosto tanto da combinação do TESS com o ASAS-SN; podemos construir estes dados e usá-los para descobrir um pouco mais sobre estas supernovas."

Os cientistas, em geral, concordam que a estrela companheira leva à supernova de uma anã branca, mas o mecanismo dessa explosão, e a composição da estrela companheira, são pouco conhecidos.

Esta descoberta, disse Stanek, fornece algumas evidências de que a estrela companheira neste tipo de supernova é provavelmente outra anã branca.

"Estamos a ver algo novo nestes dados, e isso ajuda à nossa compreensão do fenómeno das supernovas do Tipo Ia," acrescentou. "E podemos explicar isto em termos dos cenários que já temos - precisamos apenas que a terceira estrela, neste caso, seja a fonte do hidrogénio."
Fonte: ccvalg.pt

Revelados os primeiros dias da Via Láctea

Impressão de artista dos primeiros dias da Via Láctea.Crédito: Gabriel Pérez Diaz, SMM (IAC)

O Universo, há 13 mil milhões de anos atrás, era muito diferente do Universo que conhecemos hoje. Sabemos que as estrelas se formavam a um ritmo muito elevado, dando origem às primeiras galáxias anãs, cujas fusões fizeram surgir as galáxias atuais mais massivas, incluindo a nossa. No entanto, não era conhecida a exata cadeia de eventos que produziram a Via Láctea. Até agora.

Medições exatas da posição, brilho e distância de aproximadamente um milhão de estrelas da nossa Galáxia, até 6500 anos-luz do Sol, obtidas com o telescópio espacial Gaia, permitiram que uma equipa do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) revelasse alguns dos seus estágios iniciais. 

"Nós analisámos e comparámos com modelos teóricos a distribuição de cores e magnitudes (brilhos) das estrelas na Via Láctea, dividindo-as em vários componentes; o chamado halo estelar (uma estrutura esférica que envolve galáxias espirais) e o disco espesso (estrelas que se formam no disco da nossa Galáxia, mas que ocupam uma certa gama de alturas)" explica Carme Gallart, investigadora do IAC e a autora principal do artigo científico, publicado na revista Nature Astronomy.

Estudos anteriores haviam descoberto que o halo Galáctico mostrava sinais claros de ser formado por dois componentes estelares distintos, um dominado por estrelas mais azuis do que o outro. O movimento das estrelas no componente azul rapidamente permitiu identificá-lo como os restos de uma galáxia anã (Gaia-Encélado) que colidiu com a Via Láctea primitiva. No entanto, a natureza da população vermelha, e a época da fusão entre Gaia-Encélado e a nossa Galáxia, eram desconhecidas até agora.

"A análise dos dados do Gaia permitiu-nos obter a distribuição de idades das estrelas em ambos os componentes e mostrou que os dois são formados por estrelas igualmente antigas, que são mais antigas do que as do disco espesso," disse Chris Brook, investigador do IAC e coautor do artigo. Mas se ambos os componentes foram formados ao mesmo tempo, o que diferencia um do outro? 

"A peça final do quebra-cabeças foi dada pela quantidade de 'metais' (elementos que não são hidrogénio ou hélio) nas estrelas de um componente ou outro," explicou Tomás Ruiz Lara, investigador do IAC e coautor do artigo. "As estrelas no componente azul têm uma quantidade mais baixa de metais do que as do componente vermelho". Estes achados, com a adição de previsões de simulações que também foram analisadas no artigo, permitiram que os cientistas completassem a história da formação da Via Láctea.

Há 13 mil milhões de anos começaram a formar-se estrelas em dois sistemas estelares diferentes dos que então se fundiram: um era uma galáxia anã que chamamos Gaia-Encélado e o outro era o principal progenitor da nossa Galáxia, quatro vezes mais massivo e com uma maior proporção de metais. Há cerca de 10 mil milhões de anos, houve uma violenta colisão entre o sistema mais massivo e Gaia-Encélado. 

Como resultado, algumas das suas estrelas e de Gaia-Encélado foram colocadas num movimento caótico e, eventualmente, formaram o halo da Via Láctea atual. Depois, tiveram lugar surtos violentos de formação estelar até há 6 mil milhões de anos, quando o gás assentou no disco da Via Láctea e produziu o que conhecemos como o "disco fino".

"Até agora, todas as previsões e observações cosmológicas de galáxias espirais distantes, semelhantes à Via Láctea, indicam que esta fase violenta de fusão entre estruturas mais pequenas era muito frequente," explicou Matteo Monelli, investigador do IAC e coautor do artigo. Agora fomos capazes de identificar a especificidade do processo na nossa própria Galáxia, revelando os primeiros estágios da nossa história cósmica com detalhes sem precedentes.
Fonte: Astronomia OnLine
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