Descoberta matemática interpreta atmosferas de exoplanetas
Espectro de um planeta
A matemática ataca novamente,
desta vez resolvendo um problema fundamental que vinha atrapalhando as
interpretações que os astrônomos tentam fazer sobre as atmosferas dos
exoplanetas.
Analisar os espectros dos planetas é crucial para entender o que há neles. Em cima, o espectro da Terra; embaixo, do exoplaneta WASP-39b. [Imagem: Gkouvelis - 10.3847/1538-4357/ae3246]
Saber "ler" a atmosfera
de um planeta é crucial para entendê-lo, com um foco especial na busca por
sinais da presença de vida, que precisa analisar os resultados em busca de
compostos gerados por processos biológicos.
O problema é que analisar os
dados colhidos de atmosferas reais até agora era considerado matematicamente
intratável.
Por isso, há mais de 30 anos os
modelos analíticos têm-se baseado em uma atmosfera "simplificada", já
que o tratamento matemático completo exige a resolução de uma integral
geométrica complexa na presença da opacidade dependente da altitude - um
problema que só poderia ser encarado por supercomputadores rodando por meses.
Mesmo os modelos não enfrentavam a questão de como a estrutura vertical de uma
atmosfera altera os sinais observados pelos telescópios.
O professor Leonardos Gkouvelis,
da Universidade de Munique, na Alemanha, descobriu como lidar matematicamente,
de modo prático, com o efeito crucial, que envolve como a opacidade atmosférica
varia com a pressão. A solução consiste na primeira teoria analítica de forma
fechada da espectroscopia de transmissão.
Dados reais
O novo modelo conecta diretamente
dados de física molecular de laboratório com observações astronômicas,
melhorando significativamente a concordância com dados reais, tanto para a
atmosfera da Terra quanto para observações de alta precisão de exoplanetas,
feitas com telescópios de última geração.
De fato, avaliações iniciais
mostraram que a nova forma de cálculo fornece informações essenciais sobre por
que muitas atmosferas de exoplanetas apresentam características espectrais
"atenuadas".
"Essa solução analítica abre
caminho para uma nova geração de técnicas de análise e recuperação atmosférica
muito mais rápidas, transparentes e realistas," disse Gkouvelis.
"Elas serão essenciais para maximizar o retorno científico de missões
atuais e futuras, como o JWST e o Ariel, e para avançar na caracterização
detalhada de mundos potencialmente habitáveis além do Sistema Solar."
Inovação Tecnológica

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