O motor magnético escondido do sol
Cientistas finalmente conseguiram identificar onde fica o verdadeiro “motor” que gera o poderoso campo magnético do Sol
Diagrama da atmosfera interna e externa do Sol, mostrando o núcleo, as zonas radiativas e de convecção – separadas pela tacoclina – e características da superfície como manchas solares, erupções, a cromosfera e a coroa. Imagem via NASA
Esse mecanismo essencial,
responsável pelo ciclo de atividade solar que dura cerca de 11 anos, não está
perto da superfície visível, como muitos modelos anteriores imaginavam, mas bem
mais fundo, a aproximadamente 200 mil quilômetros de profundidade – uma
distância equivalente a cerca de 16 vezes o diâmetro da Terra alinhados um após
o outro.
Pesquisadores do New Jersey
Institute of Technology analisaram quase 30 anos de dados coletados por
instrumentos da NASA e redes terrestres. Eles usaram a heliosseismologia, uma
técnica que estuda as ondas sonoras produzidas pelo movimento turbulento do plasma
dentro do Sol, como se fossem uma espécie de “ecografia” estelar.
Essas ondas viajam pelo interior
da estrela e sofrem pequenas alterações de velocidade dependendo dos fluxos de
material e da rotação em diferentes camadas. Com bilhões de medições acumuladas
ao longo de três ciclos solares completos, a equipe mapeou padrões de movimento
que formam faixas rotacionais em forma de borboleta – exatamente o mesmo
formato que as manchas solares desenham na superfície ao longo do tempo.
O ponto central da descoberta é
uma camada fina e especial chamada tacoclina, situada na fronteira entre a zona
convectiva externa (onde o plasma quente sobe e desce de forma agitada) e a
zona radiativa interna (mais estável). Nessa região, a velocidade de rotação do
Sol muda bruscamente, criando forças de cisalhamento intensas que torcem e
amplificam o campo magnético, funcionando como o verdadeiro dínamo solar.
Até agora, os cientistas
suspeitavam que a tacoclina tinha um papel importante, mas faltavam provas
observacionais diretas e claras. Com esses novos dados de longo prazo, ficou
evidente que o “motor” magnético nasce ali embaixo. Os fluxos rotacionais começam
nessa profundidade e demoram anos para chegar à superfície, o que explica por
que há um atraso entre as mudanças internas e a aparição de manchas solares,
erupções e outras manifestações visíveis.
Essa revelação ajuda a entender
melhor como o Sol inverte sua polaridade magnética a cada 11 anos e como surgem
os períodos de maior ou menor atividade. Além de avançar o conhecimento sobre
nossa estrela, o estudo melhora as perspectivas de prever eventos de clima
espacial – como grandes ejeções de massa coronal que podem perturbar satélites,
redes elétricas, comunicações e sistemas de navegação aqui na Terra.
Embora ainda não permita
previsões exatas de ciclos futuros, a descoberta reforça a necessidade de
incluir toda a zona convectiva, especialmente a tacoclina, nos modelos
computacionais atuais, que muitas vezes se limitavam às camadas mais
superficiais. O trabalho também abre caminho para compreender ciclos magnéticos
em outras estrelas da galáxia, já que o Sol serve como o melhor laboratório
próximo que temos para estudar esses fenômenos.
Terrarara.com.br

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