17 de março de 2020

Pesquisadores descobrem novos planetas menores além de Netuno

Lista inclui mais de 100 objetos do Sistema Solar situados além de Netuno descobertos pelo DES
Plutão, o mais conhecido dos TNOs: centenas de companheiros detectados pelo DES. Crédito: Nasa/JHU APL/SwRI/Alex Parker

Usando dados do levantamento Dark Energy Survey (DES), pesquisadores internacionais encontraram mais de 300 objetos transnetunianos (TNOs, na sigla em inglês), pequenos planetas localizados nos confins do Sistema Solar, incluindo mais de 100 novas descobertas. Publicado na revista “The Astrophysical Journal Supplement Series”, o estudo também descreve uma nova abordagem para encontrar tipos semelhantes de objetos e pode ajudar a futuras pesquisas pelo hipotético Planeta Nove e outros planetas não descobertos. 

O trabalho foi liderado pelo brasileiro Pedro Bernardinelli (formado em física na USP), aluno de doutorado da Universidade da Pensilvânia (EUA), e pelos professores Gary Bernstein e Masao Sako, também da Universidade da Pensilvânia.

O objetivo do DES, que completou seis anos de coleta de dados em janeiro, é entender a natureza da energia escura, coletando imagens de alta precisão do céu do hemisfério sul. Embora o DES não tenha sido projetado especificamente para os TNOs, sua abrangência e profundidade de cobertura o tornaram particularmente hábil em encontrar novos objetos além de Netuno. “O número de TNOs que você pode encontrar depende de quanto do céu você olha e qual é a coisa mais fraca que pode encontrar”, diz Bernstein.

Como o DES foi projetado para estudar galáxias e supernovas, os pesquisadores tiveram de desenvolver uma nova maneira de rastrear o movimento. Pesquisas dedicadas a TNOs fazem medições com a frequência de uma ou duas horas, o que permite aos pesquisadores rastrear mais facilmente seus movimentos. “As pesquisas dedicadas a TNOs têm uma maneira de ver os objetos se moverem, e é fácil rastreá-los”, diz Bernardinelli. “Uma das principais coisas que fizemos neste artigo foi descobrir uma maneira de recuperar esses movimentos.”

Peneira rigorosa

Usando os primeiros quatro anos de dados do DES, Bernardinelli começou com um conjunto de dados de 7 bilhões de “pontos”, todos os objetos possíveis detectados pelo software que estavam acima dos níveis de fundo da imagem. Ele então removeu quaisquer objetos presentes em várias noites – coisas como estrelas, galáxias e supernovas – para criar uma lista “transitória” de 22 milhões de objetos antes de iniciar um jogo massivo de “ligar os pontos”, procurando pares ou triplos próximos dos objetos detectados para ajudar a determinar onde o objeto apareceria nas noites subsequentes.

Os 7 bilhões de pontos iniciais foram reduzidos a uma lista de cerca de 400 candidatos, vistos em pelo menos seis noites de observação. “Temos essa lista de candidatos e temos que garantir que nossos candidatos sejam realmente reais”, diz Bernardinelli.

Com o objetivo de filtrarem sua lista de candidatos até os TNOs reais, os pesquisadores voltaram ao conjunto de dados original para ver se conseguiam encontrar mais imagens do objeto em questão. “Digamos que encontramos algo em seis noites diferentes”, diz Bernstein. “Para os TNOs que existem, nós os apontamos por 25 noites diferentes. Isso significa que há imagens onde esse objeto deveria estar, mas elas não conseguiram superar o primeiro passo de ser chamadas de ponto.”

Bernardinelli desenvolveu uma maneira de empilhar várias imagens para criar uma visão mais nítida, o que ajudou a confirmar se um objeto detectado era um TNO real. Os pesquisadores também verificaram que seu método foi capaz de detectar TNOs conhecidos nas áreas do céu em estudo e de detectar objetos falsos que foram injetados na análise. “A parte mais difícil foi tentar garantir que encontrássemos o que deveríamos encontrar”, diz Bernardinelli.

Órbitas superlongas

Após muitos meses de desenvolvimento e análise de métodos, os pesquisadores encontraram 316 TNOs, incluindo 245 descobertas feitas pelo DES e 139 novos objetos que não foram publicados anteriormente. Com apenas 3 mil objetos conhecidos atualmente, esse catálogo DES representa 10% de todos os TNOs conhecidos.

Plutão, o TNO mais conhecido, está 40 vezes mais distante do Sol do que a Terra, e os TNOs encontrados a partir dos dados do DES variam de 30 a 90 vezes a distância da Terra ao Sol. Alguns desses objetos estão em órbitas extremamente longas, que os levarão muito além de Plutão.

Agora que o DES está completo, os pesquisadores estão executando novamente sua análise em todo o conjunto de dados reunido, desta vez com um limite mais baixo para a detecção de objetos no primeiro estágio de filtragem. Isso significa que há um potencial ainda maior para encontrar novos TNOs, possivelmente até 500, com base nas estimativas dos pesquisadores, em um futuro próximo.

Base para novas buscas

O método desenvolvido por Bernardinelli também pode ser usado para procurar TNOs nas próximas pesquisas de astronomia, incluindo o novo Observatório Vera C. Rubin, no Chile. Esse observatório examinará todo o céu meridional e poderá detectar objetos ainda mais fracos e mais distantes do que o DES. “Muitos dos programas que desenvolvemos podem ser facilmente aplicados a outros grandes conjuntos de dados, como o que o Observatório Rubin produzirá”, diz Bernardinelli.

Esse catálogo de TNOs também será uma ferramenta científica útil para pesquisas sobre o Sistema Solar. Como o DES coleta um amplo espectro de dados sobre cada objeto detectado, os pesquisadores podem tentar descobrir de onde o TNO se originou, uma vez que se espera que objetos que se formam mais próximos do Sol tenham cores diferentes das originadas em regiões mais distantes e mais frias. E, estudando as órbitas desses objetos, os pesquisadores podem estar um passo mais perto de encontrar o Planeta Nove, um planeta hipotético do tamanho de Netuno que se pensa existir além de Plutão.

“Há muitas ideias sobre planetas gigantes que costumavam estar no Sistema Solar e não existem mais, ou planetas distantes e massivos, mas muito fracos para que ainda não tenhamos percebido”, diz Bernstein. “Criar o catálogo é a parte divertida da descoberta. Então, quando você cria esse recurso, pode comparar o que encontrou com o que a teoria de alguém disse que deveria encontrar.”
Fonte: Revista Planeta

De onde vem a água de Encélado?


Os cientistas planetários pensam que um oceano de água, dióxido de carbono, amônia, sal e outros compostos fica abaixo da superfície fria da lua de Saturno, Encélado. A gravidade do mundo anilhado cria marés, flexionando e aquecendo Encélado para manter a mistura de água líquida. // Astronomia : Roen Kelly, depois de G. Tobie, et al.

Em primeiro lugar, o gelo de água é abundante no satélite Encélado de Saturno, pois esse objeto está bem longe do Sol. Na verdade, quase todos os satélites dos planetas gigantes, com a importante exceção de Io, satélite de Júpiter, os planetas anões, como Plutão, os cometas e os objetos do Cinturão de Kuiper são formados com uma grande quantidade de gelo de água.

O hidrogênio é o elemento mais abundante no universo e o oxigênio, o terceiro mais abundante, isso faz com que a formação de H2O não seja tão complicada assim. Além de uma certa distância do Sol, a chamada linha de neve, ou linha de congelamento, qualquer água deve estar no seu estado sólido, e quando os planetas e os satélites se desenvolveram, o gelo foi um importante componente químico.

Então, de onde vem a “água” nas plumas que são expelidas do satélite Encélado? Essa na verdade é uma das grandes descobertas da missão Cassini da NASA. A região polar sul de Encélado é intensamente deformada e acidentada, e entre esses acidentes, um grupo deles chama a atenção.

São fissuras na crosta, chamadas de “listras de tigres”, que expelem, calor e jatos, ou gêiseres de vapor d’água e de pequenas partículas. O vapor d’água contém uma pequena quantidade de dióxido de carbono, além de amônia, metano e outros compostos orgânicos. As partículas expelidas juntas são na sua maioria compostas por gelo, mas contém também sais e/ou bicarbonatos.

Esses jatos expelidos pelo polo sul de Encélado, leva os cientistas planetários a estimarem que exista abaixo da superfície fria de gelo do satélite, um oceano de água salgada. Não se sabe se esse oceano é global em extensão, ou é localizado, mas sabe-se que a presença de um oceano permite que o gelo de Encélado se flexione sob a força gravitacional de Saturno. E é essa flexão e o aquecimento mecânico que deve manter, o pequeno satélite Encélado tão ativo. 

Fonte: Astronomy.com

Beleza maciça


Crédito da imagem: Dados da imagem: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS 

Processamento de imagem por Kevin M. Gill, © CC BY

A missão Juno da NASA capturou esse olhar no hemisfério sul de Júpiter em 17 de fevereiro de 2020, durante a aproximação mais recente da espaçonave ao planeta gigante.  Júpiter não é apenas o maior planeta que orbita o Sol, mas contém mais que o dobro da quantidade de material de todos os outros objetos do sistema solar combinados - incluindo todos os planetas, luas, asteróides e cometas. Na composição, Júpiter se assemelha a uma estrela, e os cientistas estimam que, se tivesse sido pelo menos 80 vezes mais massiva em sua formação, poderia ter se tornado um tipo de estrela chamada anã vermelha em vez de planeta.

Enquanto os elementos mais comuns do universo, hidrogênio e hélio, compõem a maior parte da massa de Júpiter, as nuvens impressionantes que são visíveis no topo de sua atmosfera são compostas principalmente de amônia e sulfeto de hidrogênio.

Essa visualização de alta resolução é composta de quatro imagens capturadas pelo imageador JunoCam e montadas pelo cientista cidadão Kevin M. Gill. As imagens foram tiradas em 17 de fevereiro de 2020, entre as 10:31 e as 11:00 PST (13:31 e 14:00 EST). Durante esse período, a sonda estava entre 49.700 e 100.400 quilômetros (30.700 e 62.400 milhas) do topo das nuvens do planeta, a latitudes entre 50 e 68 graus sul.

As imagens brutas do JunoCam estão disponíveis para o público ler e processar produtos de imagem em  https://missionjuno.swri.edu/junocam/processing .   

Mais informações sobre Juno estão em  https://www.nasa.gov/juno  e  https://missionjuno.swri.edu .

Fonte: NASA

Algo estranho está acontecendo com a Estrela do Norte.


Ela continua quebrando os modelos dos astrônomos de como as estrelas devem agir.

Uma imagem de exposição longa mostra estrelas que parecem girar em torno de Polaris, a estrela do norte, que aparece fixa no céu. (Imagem: © Shutterstock)

Algo estranho está acontecendo com a Estrela do Norte.

As pessoas observam a Estrela do Norte por séculos. A estrela brilhante, também conhecida como Polaris, fica quase que diretamente acima do Polo Norte terrestre e serve como um belo guia no céu para os viajantes sem bússola. Ela também é a estrela do tipo Cefeida mais próxima da Terra. Cefeida, é um tipo de estrela que pulsa regularmente, variando tanto o seu diâmetro como o seu brilho. E a Polaris ainda faz parte de um sistema binário, ela tem uma irmã mais apagada, conhecida como Polaris B.

Como muitas coisas na vida, e no universo, à medida que aprendemos mais, parece que entendemos menos, e no caso da Polaris isso também é verdade. O problema com a Polaris é que ninguém concorda sobre o seu tamanho e sobre a sua distância.

Os astrofísicos possuem alguns métodos para calcular a massa, a idade e a distância de uma estrela como a Polaris. Um método é o modelo de evolução estelar. Os pesquisadores podem estudar o brilho, a cor e a taxa de pulsação da estrela e usar esses dados para estimar o tamanho da estrela e o seu brilho e em que estágio da vida ela está. Uma vez que esses detalhes sejam determinados, não é difícil de estimar a sua distância, é uma matemática bem simples uma vez que você sabe o brilho da estrela e o quanto ela aparece apagada da Terra.

Esses modelos são especialmente precisos para as Cefeidas, pois a sua taxa de pulsação é diretamente relacionada com a sua luminosidade ou com o seu brilho. Isso torna fácil calcular a distância de qualquer uma dessas estrelas. Os astrônomos estão certos que eles entendem que a relação que as Cefeidas têm, tornam-se ferramentas críticas para medir as distâncias no universo.

Mas existem outras maneiras de se estudar a Polaris, e esses métodos não concordam com os modelos de evolução estelar. A Polaris é que os astrônomos chamam de uma binária astrometria, o que significa que você pode, na verdade, ver a sua companheira ao seu redor, numa órbita que dura 26 anos.

Os pesquisadores ainda não fizeram observações detalhadas de uma órbita completa da Polaris B. Mas eles observaram o suficiente da estrela companheira nos anos recentes para se ter uma imagem detalhada do que a órbita se parece. Com essa informação, você pode aplicar as leis de Newton da gravidade para medir a massa das duas estrelas. Essa informação, combinada com novas medidas de paralaxe feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, que é uma outra maneira de se calcular a distância até uma estrela, leva a números bem precisos sobre a massa e a distância da Polaris. Essas medidas dizem que a estrela tem cerca de 3.45 vezes a massa do Sol.

Esse valor é menor do que o obtido com os modelos de evolução estelar, que sugerem que a massa da Polaris é cerca de 7 vezes a massa do Sol.

Esse sistema estelar é estranho de várias maneiras. Os cálculos da idade da Polaris B sugerem que a estrela é muito mais velha que a sua irmã maior, o que é bem incomum para um sistema estelar binário. Normalmente, as duas estrelas possuem a mesma idade.  Os astrônomos, recentemente geraram um grande conjunto de modelos para a Polaris para ver se esses modelos poderiam reconciliar todos os dados sobre o sistema. Mas eles não puderam.

Uma possibilidade é que no mínimo uma das medidas esteja errada. A Polaris é uma estrela particularmente difícil de ser estudada. Localizada sobre o Polo Norte da Terra, ela está fora do campo de visão da maior parte dos telescópios. E os telescópios que possuem os equipamentos necessários para fazer as medidas precisas das propriedades da estrela são normalmente desenhados para estudar estrelas mais apagadas e mais distantes. A Polaris é muito brilhante para esses instrumentos, na verdade, ela cega os instrumentos.

Mas os dados que os pesquisadores possuem são confiáveis.

As observações recentes levaram os pesquisadores a bolarem uma interessante explicação. Talvez, a estrela principal do sistema da Polaris em algum momento da sua história foi na verdade duas estrelas que se fundiram há milhões de anos. Essa colisão estelar, pode, rejuvenescer as estrelas, puxando um material extra e fazendo as estrelas parecerem jovens.

Estrelas que resultam de colisões binárias não se ajustam perfeitamente aos modelos de evolução estelar, e esse evento poderia explicar a discrepância encontrada com a Polaris. Esse seria um cenário improvável, mas não impossível, de fato nenhuma explicação é totalmente satisfatória.

É bem difícil desenvolver conclusões significantes além do fato que a Polaris continua sendo um mistério e que à medida que os astrônomos mais fazem observações e medidas da estrela, mas complicado fica e menos eles acabam entendendo sobre a estrela.

Fonte: Space.com



Como será a estrela supergigante Betelgeuse quando for supernova


A estrela supergigante vermelha Betelgeuse está chegando ao fim de sua vida e os pesquisadores estão se preparando para o que parecerá quando a estrela morrer em uma explosão de fogo chamada supernova.Localizada na constelação de Orion, a estrela tem cerca de 1.000 vezes o tamanho de o sol. O brilho de Betelgeuse tem caído para o ponto mais baixo nos últimos 100 anos, e alguns cientistas sugeriram que a estrela está chegando perto de ficar sem combustível e se transformar em supernova . 

Em um novo estudo, pesquisadores da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, modelaram as explosões estelares que ocorrem quando supergigantes pulsantes como Betelgeuse morrem , mostrando o brilho esperado dessas supernovas, de acordo com um comunicado da universidade.  Queríamos saber como seria se uma estrela pulsante explodisse em diferentes fases da pulsação", afirmou Jared Goldberg, principal autor do estudo e estudante de física da UC Santa Barbara. "Os modelos anteriores são mais simples porque não incluem os efeitos dependentes do tempo das pulsações".

Quando uma estrela massiva fica sem material em seu núcleo, a estrela entra em colapso sob sua própria gravidade e se transforma em uma supernova. Os pesquisadores estimaram que isso provavelmente acontecerá com Betelgeuse nos próximos 100.000 anos , o que é relativamente breve em termos astronômicos. Essa explosão criará uma explosão capaz de ofuscar brevemente uma galáxia inteira, de acordo com o comunicado.

As supernovas diferem com base na massa, raio e energia total da explosão da estrela que está morrendo. Pulsações nas estrelas dificultam a previsão de como as estrelas explodirão, porque diferentes camadas da estrela podem expandir ou contrair-se opostas uma à outra. A luz das camadas compactadas da estrela é mais fraca, enquanto a luz das camadas em expansão parece mais brilhante.  Parece uma supernova de uma estrela maior ou de uma estrela menor em diferentes pontos da pulsação", disse Goldberg no comunicado. "É quando você começa a considerar pulsações mais complicadas, onde há coisas entrando ao mesmo tempo que coisas saindo - então nosso modelo realmente produz diferenças visíveis".

Ao modelar Betelgeuse , os pesquisadores descobriram que a estrela inteira pulsa em uníssono, o que significa que, quando a estrela morrer, ela se comportará como se fosse uma estrela estática com um determinado raio. Portanto, modelos de supernova para estrelas como Betelgeuse se parecem com modelos que não são responsáveis ​​por pulsação, de acordo com o comunicado.

Os resultados foram publicados em 28 de fevereiro no The Astrophysical Journal.
Fonte: Space.com

Novas descobertas de ondas gravitacionais

Simulação numérica da primeira fusão de buracos negros binários observada pelo detetor Advanced LIGO no dia 14 de setembro de 2015.Crédito: S. Ossokine, A. Buonanno (Instituto Max Planck para Física Gravitacional), projeto Simulating eXtreme Spacetimes, W. Benger (Airborne Hydro Mapping GmbH)

Investigadores do Instituto Max Planck para Física Gravitacional (Instituto Albert Einstein) em Hannover, juntamente com colegas internacionais, publicaram o seu segundo Catálogo Aberto de Ondas Gravitacionais (2-OGC). Usaram métodos de investigação aprimorados para aprofundar os dados publicamente disponíveis da primeira e da segunda campanha de observações.

Além de confirmarem as dez fusões conhecidas buracos negros binários e de uma fusão de estrelas de neutrões binárias, também identificaram quatro candidatos promissores à fusão de buracos negros, que passaram despercebidos nas análises iniciais do LIGO/Virgo.

Estes resultados demonstram o valor das investigações dos dados públicos do LIGO/Virgo por grupos independentes das colaborações LIGO/Virgo. A equipa de investigação também disponibilizou o seu catálogo completo, além da análise detalhada de mais de uma dúzia possíveis fusões de buracos negros binários.

"Nós incorporamos os métodos mais avançados," diz Alexander Nitz, cientista da equipa do Instituto Max Planck para Física Gravitacional (Instituto Albert Einstein) em Hannover, que liderou a equipa de investigação internacional. "As nossas melhorias permitem descobrir fusões mais fracas de buracos negros binários: os quatro sinais adicionais mostram que isto funciona!"

Os resultados foram publicados a semana passada na revista The Astrophysical Journal.

Novas descobertas em dados antigos

A equipe internacional de pesquisa analisou os dados de ondas gravitacionais disponíveis ao público, obtidos pelos detetores Advanced LIGO e Advanced Virgo na sua primeira (de setembro de 2015 a janeiro de 2016) e na sua segunda (de novembro de 2016 a agosto de 2017) campanha de observações. Estes foram previamente analisados pela colaboração LIGO e Virgo. Foram encontradas dez fusões de buracos negros binários e uma fusão de estrelas de neutrões binárias. Outra análise independente já havia encontrado várias fusões adicionais de buracos negros.

O trabalho liderado por Nitz confirma 14 destes eventos e encontra mais uma possível fusão de buracos negros binários não avistada pelas análises anteriores. A ser real, GW151205 veio de uma fusão bastante distante de dois buracos negros massivos com mais ou menos 70 e 40 vezes a massa do Sol, respetivamente.

O truque não foi apenas uma maneira aprimorada de classificar potenciais sinais de ondas gravitacionais, mas também ter como alvo as propriedades que os buracos negros binários devem ter. "Temos uma ideia do que é a típica massa de um buraco negro binário a partir dos sinais que já foram detetados," explica Collin Capano, investigador sénior do Instituto Albert Einstein em Hannover e coautor da publicação. "A nossa sensibilidade a buracos negros binários melhorou 50% a 60% usando estas informações para ajustar a nossa pesquisa e procurar os sinais mais prováveis."

Nenhuma nova fusão de estrelas de neutrões binárias

A equipa não encontrou novos candidatos a fusões de estrelas de neutrões binárias nos dados das duas campanhas de observação do LIGO/Virgo. Dado que apenas foram identificadas duas fusões de estrelas de neutrões binárias, graças às suas ondas gravitacionais, e a população subjacente não é bem conhecida, uma pesquisa direcionada ainda não é possível.

Os 15 sinais relatados agora são apenas uma pequena parte de um maior catálogo online. A equipa publicou o seu catálogo completo de eventos, incluindo candidatos estatisticamente menos significativos e os resultados detalhados das suas análises. "Esperamos que estes dados permitam que outros cientistas realizem futuramente investigações profundas, fornecendo uma melhor compreensão da população de buracos negros binários, bem como do ruído de fundo," diz Sumit Kumar, investigador sénior do Instituto Albert Einstein e coautor da publicação.

Fonte: Astronomia OnLine

16 de março de 2020

Astrônomos descobriram o primeiro planeta fora do disco da nossa galáxia


Desde a descoberta do primeiro planeta extra-solar, os cientistas conseguiram descobrir mais de 4.000 na Via Láctea. Até agora, todos esses planetas tinham uma coisa em comum: estavam todos em um disco relativamente fino formando o plano da galáxia. Foi assim até agora.
Menos de dois anos após o início da pesquisa de planetas extra-solares, o telescópio TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) descobriu um planeta orbitando uma estrela que voava 5870 anos-luz acima do plano da galáxia. No entanto, este não é um planeta típico. Apesar de estar próximo do tamanho da Terra – o que significa que provavelmente é um planeta rochoso – é extremamente denso. Sua massa é 8,7 vezes a massa da Terra. 

Uma equipe internacional de astrônomos marcou o recém-descoberto planeta LHS 1815b (orbita a estrela LHS 1815) e o descreveu em um artigo científico aceito para publicação em uma revista científica The Astronomical Journal.

A Via Láctea é uma galáxia espiral barrada, o que significa que a forma se assemelha a um disco plano com braços espirais enrolados ao redor do centro. Se olharmos para a nossa galáxia não de cima, mas a partir da borda, veremos um disco muito fino, com um inchaço delicado no centro da galáxia, onde há um buraco negro supermassivo. 

Obviamente, toda a galáxia está imersa em um halo mais esférico, que, no entanto, é praticamente desprovido de estrelas. Se olharmos mais de perto para nossa galáxia, veremos que um disco fino com várias centenas de anos-luz de espessura é cercado por um disco mais espesso que tem muito menos estrelas, mas ainda mais que o resto do halo galáctico. Isso é chamado de disco espesso.

Estrelas de disco espessas quase todos têm mais de 10 bilhões de anos, têm baixo teor de metal e se movem mais rapidamente pelo centro da galáxia do que as estrelas em um disco fino. As órbitas das estrelas espessas do disco perfuram o plano do disco fino indo acima dele abaixo do plano da galáxia.

Os cientistas supuseram que, uma vez que as estrelas de disco grosso têm menos metal, a formação de planetas em seu entorno pode ser difícil e, como não conhecíamos nenhum planeta orbitando a estrela de disco grosso, isso não poderia ser de forma alguma. verificar.

Um planeta recém-descoberto está cruzando o plano da galáxia

Quando os astrônomos viram os vestígios do LHS 1815b nos dados do telescópio TESS, estavam a 97 anos-luz de distância da Terra, mas chamaram a atenção dos astrônomos, porque planetas rochosos são de particular interesse para eles, como locais onde poderiam potencialmente se desenvolver. vida.

Embora o novo planeta gire em torno de uma anã vermelha relativamente calma, a distância entre eles é tão pequena que é bombardeada com grandes quantidades de radiação intensa a cada volta de 3,1843 dias.

Foi somente quando os pesquisadores analisaram os dados do satélite Gaia, que mede o movimento das estrelas no espaço, que eles perceberam que estavam realmente olhando para uma estrela de um disco grosso que está apenas passando por um disco fino próximo ao Sol. Atualmente, a estrela está se dirigindo acima do plano da galáxia, onde subirá para um máximo de 5870 anos-luz acima do disco fino.

O fato de o LHS 1815 estar passando por nós significa que podemos aprender muito sobre como procurar tais planetas. Talvez haja mais planetas de disco tão grandes nos dados do TESS. Se conseguirmos encontrá-los, poderemos aprender muito sobre a evolução dos exoplanetas em diferentes partes da galáxia.

Fonte: odiariocarioca.com

Astrônomos agora sabem por que Betelgeuse escureceu


O veredito oficial parece ter saído: A supergigante vermelha Betelgeuse não estava flutuando internamente, ao contrário, a estrela espirrou uma enorme nuvem de poeira que obscureceu sua luz por um tempo. Isso significa que a estrela não está, como alguns esperavam, prestes a se tornar uma supernova.
“Vemos isso o tempo todo em supergigantes vermelhas, e é uma parte normal do seu ciclo de vida”, disse a astrônoma Emily Levesque, da Universidade de Washington. “Supergigantes vermelhas ocasionalmente lançam material de suas superfícies, que condensam em torno da estrela como poeira. À medida que esfria e se dissipa, os grãos de poeira absorvem parte da luz que se aproxima de nós e bloqueiam nossa visão”, ressaltou. 

Betelgeuse chamou a atenção dos astrônomos no final do ano passado, quando começou a despencar no brilho. Entre setembro de 2019 e janeiro de 2020, seu brilho diminuiu significativamente – o suficiente para ser notado a olho nu.

Isso causou um pouco de confusão, já que Betelgeuse – a apenas 600 anos-luz de distância, na constelação de Órion – é uma das estrelas mais brilhantes do céu. Possui entre 8 e 8,5 milhões de anos de idade e está nos estágios finais de sua vida útil.

Os dias da sequência principal da estrela, onde a fusão do hidrogênio é constante, estão concluídos. Ela ficou sem hidrogênio há algum tempo e agora está fundindo hélio em carbono e oxigênio. Eventualmente, o núcleo de Betelgeuse fundirá elementos cada vez mais pesados, resultando em um acúmulo de ferro que fará com que o núcleo desmorone – e a velha estrela explodirá em uma supernova épica.

Um dos sinais de que tal explosão é iminente é um escurecimento da estrela, mas os astrônomos previram que Betelgeuse ainda está a pelo menos algumas dezenas de milhares de anos a partir do ponto de explodir.

Então, você pode pensar que seu comportamento recente deixou todo mundo intrigado, especialmente porque seu escurecimento era desigual – ocorrendo apenas em uma parte da estrela. As hipóteses incluíram algum processo de convecção interna que estava esfriando a superfície. Outra possibilidade era uma nuvem gigante de poeira e gás ejetada pela estrela quando ela perdia massa.

Portanto, os astrônomos estavam olhando muito de perto. Em 14 de fevereiro deste ano, eles fizeram observações para obter o espectro de Betelgeuse. E uma das coisas que um espectro pode revelar é a temperatura da estrela, através da análise do que conhecemos como “linhas espectrais”. As linhas de emissão em um espectro indicam onde a luz está sendo emitida, enquanto as linhas de absorção indicam onde está sendo absorvida.

O que os pesquisadores procuravam eram as linhas de absorção de óxido de titânio, que podem se acumular nas camadas superiores de estrelas gigantes frias. A abundância de óxido de titânio se correlaciona com a temperatura da estrela.

De acordo com a abundância que encontraram, a temperatura de Betelgeuse é de cerca de 3.325 graus Celsius. Isso é consistente tanto com uma medida tomada pela equipe em 2004 e com uma medição de 3.317 graus Celsius em 2011. Também é significativamente mais quente do que seria esperado para processos de convecção.

“Uma comparação com nosso espectro de 2004 mostrou imediatamente que a temperatura não havia mudado significativamente”, explicou o astrônomo Phillip Massey, do Observatório Lowell. “Sabíamos que a resposta tinha que ser poeira”, ressaltou.

No mês passado, depois que a equipe fez suas observações, Betelgeuse parou de escurecer e começou a brilhar novamente. Então, a supernova está mais uma vez fora de questão, por enquanto. Mas a brilhante estrela vermelha ainda representa uma excelente oportunidade para aprender mais sobre os estágios finais da vida útil de uma estrela gigante.

Fonte: Misteriosdoespaco.blog.br
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