7 de abril de 2021

Telescópio Espacial Hubble observa quasares duplos em galáxias em fusão

 A concepção deste artista mostra a luz brilhante de dois quasares residindo nos núcleos de duas galáxias que estão em processo caótico de fusão. O cabo de guerra gravitacional entre as duas galáxias as estica, formando longas caudas de maré e iniciando uma tempestade de nascimento de estrelas. Quasares são faróis brilhantes de luz intensa dos centros de galáxias distantes. Eles são alimentados por buracos negros supermassivos que se alimentam vorazmente de matéria em queda. Esse frenesi de alimentação libera uma torrente de radiação que pode ofuscar a luz coletiva de bilhões de estrelas na galáxia hospedeira. Em algumas dezenas de milhões de anos, os buracos negros e suas galáxias se fundirão, assim como o par de quasares, formando um buraco negro ainda mais massivo. Créditos: NASA, ESA e J. Olmsted (STScI)

O Telescópio Espacial Hubble observou um par de quasares há mais de 10 bilhões de anos. Os objetos estão tão próximos um do outro que, a partir das observações feitas da Terra, parecem um único objeto. Mas o Hubble possui uma visão nítida, já que no espaço ele não sofre interferência da atmosfera terrestre, sendo capaz de diferenciá-los. A equipe de astrônomos acredita que esses quasares estejam localizados nos núcleos de duas galáxias em processo de fusão. 

Um quasar é uma espécia de farol de luz intenso no centro de uma galáxia, formado quando buraco negro supermassivo se alimenta vorazmente do material ao seu redor, emanando uma enorme quantidade de radiação. Este processo é tão brilhante que é capaz de ofuscar todo o brilho da galáxia hospedeira. 

O pesquisador Yue Shen, da Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign, explica que, no universo distante, para cada mil quasares, existe um sistema duplo. “Portanto, encontrar esses quasares duplos é como encontrar uma agulha em um palheiro", acrescenta. A equipe ainda encontrou outra dupla de quasares em outra colisão de galáxias. 

Esta descoberta é uma ótima chance para os astrônomos estudarem a dinâmica entre colisões de galáxias e a fusão dos buracos negros em seus núcleos. Ao que tudo indica, há 10 bilhões de anos, existia um número muito maior de duplas quasares pelo universo; no entanto, boa parte delas teria se fundido enquanto as galáxias se chocavam umas contra as outras. "Esta é realmente a primeira amostra de quasares duais na época de pico da formação de galáxias com a qual podemos usar para sondar ideias sobre como buracos negros supermassivos se unem para formar um binário", disse a pesquisadora Nadia Zakamska, da Universidade Johns Hopkins. 

Até o momento, os astrônomos descobriram mais de 100 pares de quasares em galáxias em fusão, mas nenhum deles é tão antigo como os recém-observados. Através das observações feitas com o Hubble, estima-se que cada um dos novos observados esteja a cerca de 10.000 anos-luz de distância do outro. Para efeitos de comparação, o Sistema Solar está a cerca de 26.000 anos-luz de distância do buraco negro supermassivo no núcleo da Via Láctea, chamado Sagittarius A*. 

Para descobrir para qual direção o telescópio Hubble deveria apontar, a equipe usou os dados do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), e do telescópio Sloan Digital Sky Survey, localizado no Observatório Apache Point, no Novo México. Novas ferramentas, como o Telescópio Espacial James Webb, poderão sondar as galáxias hospedeiras dessas duplas de quasares, além de observar estes objetos localizados a uma distância maior do que a capacidade do Hubble. 

O artigo foi integralmente publicado no periódico científico Nature Astronomy. 

Fonte: Canaltech.com.br

NASA

A matéria escura pode ser feita de buracos negros desde o início dos tempos

 A matéria escura pode consistir em antigos buracos negros. (Crédito da imagem: Shutterstock)

A  matéria escura, a substância misteriosa que exerce atração gravitacional, mas não emite luz, pode realmente consistir em vastas concentrações de buracos negros antigos criados no início do universo, de acordo com um novo estudo. Essa conclusão vem de uma análise das ondas gravitacionais, ou ondulações no espaço-tempo, produzidas por duas colisões distantes entre buracos negros e estrelas de nêutrons. 

As ondulações — nomeadas GW190425 e GW190814 — foram detectadas em 2019 pelo Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO) em Washington e Louisiana (EUA), e o Virgo Interferometer perto de Pisa, Itália. Uma análise anterior sugeriu que as ondulações foram produzidas por colisões entre buracos negros que possuíam 1,7 e 2,6 vezes a massa do nosso Sol e uma estrela de nêutrons menor ou um buraco negro muito maior. 

Mas isso faria com que um dos objetos em cada colisão fosse o que os astrofísicos chamam de buraco negro de massa solar, com aproximadamente a massa do sol. 

“Os buracos negros de massa solar são muito misteriosos, já que não são previstos pela astrofísica convencional”, como as explosões de estrelas, ou supernovas, que transformam estrelas maiores em buracos negros, disse o autor do estudo, Volodymyr Takhistov, da Universidade da Califórnia, Los Angeles, disse ao Live Science. 

Em vez disso, os autores propõem no estudo, publicado em 16 de fevereiro na revista Physical Review Letters, esses buracos negros de massa solar podem ser buracos negros “primordiais” criados durante o Big Bang. Ou eles podem ter se formado mais tarde, quando as estrelas de nêutrons foram transmutadas em buracos negros, seja depois de engolir os buracos negros primordiais, ou depois de absorver certos tipos de matéria escura, a misteriosa matéria que exerce atração gravitacional e não interage com a luz, disse Takhistov. 

Buracos negros primordiais

Os buracos negros primordiais, se existem, foram provavelmente criados em grande número no primeiro segundo do Big Bang, cerca de 13,77 bilhões de anos atrás. Eles teriam existido em todos os tamanhos – o menor seria microscópico e o maior teria dezenas de milhares de vezes a massa do nosso sol. 

Os cálculos mostram que o menor já teria “evaporado”, emitindo partículas quânticas por meio de um processo conhecido como radiação Hawking, de modo que apenas buracos negros primordiais com massas maiores que 10 ^ 11 quilogramas — aproximadamente a massa de um pequeno asteróide — poderiam ter sobrevivido até a atualidade. 

Se eles existissem, esses antigos buracos negros poderiam formar os imensos halos de “matéria escura” que cercam as galáxias, pensam alguns astrofísicos. 

Os pesquisadores queriam saber se podiam distinguir buracos negros primordiais de buracos negros que se formaram a partir de estrelas de nêutrons, os resquícios cintilantes de supernovas deixados para trás quando suas estrelas-mãe explodiram depois de usar todo o seu hidrogênio em reações de fusão nuclear. 

Astrofísicos calculara que estrelas menores do que cerca de cinco vezes a massa do Sol colapsam e deixam para trás uma estrela de nêutrons de matéria ultradensa, com aproximadamente a massa do nosso Sol com o formato de uma esfera do tamanho de uma cidade. 

Nesta teoria, a intensa gravidade de algumas estrelas de nêutrons teria continuamente atraído partículas de matéria escura e finalmente sua gravidade teria se tornado tão grande que a estrela de nêutrons e a matéria escura teriam colapsado juntas em um buraco negro, sugere o novo estudo. 

Uma alternativa proposta pelo estudo é que uma estrela de nêutrons pode ter se atraído e se fundido com um pequeno buraco negro primordial, que então se estabeleceu no centro de gravidade da estrela de nêutrons e se alimentou da matéria circundante até que restasse apenas o buraco negro. 

Ondas gravitacionais

Takhistov e seus colegas raciocinaram que os buracos negros transmutados de estrelas de nêutrons teriam que seguir a mesma distribuição de massa das estrelas de nêutrons de onde se originaram, que depende do tamanho de suas estrelas-mãe. 

Levando isso em consideração, eles analisaram os dados das cerca de 50 detecções de ondas gravitacionais feitas até o momento e descobriram que apenas duas — GW190425 e GW190814 — envolviam objetos com as massas certas para serem buracos negros primordiais, escreveram os autores do estudo. 

A pesquisa não é conclusiva: ainda é possível que essas duas colisões envolvam estrelas de nêutrons com as massas detectadas, ou buracos negros transmutados de estrelas de nêutrons desses tamanhos. Mas a distribuição de massa das estrelas de nêutrons que teoricamente existem no universo torna isso improvável, escreveram os autores. 

“Nosso trabalho oferece um teste poderoso para entender sua origem e relação com a matéria escura”, disse Takhistov. “Em particular, este teste demonstra que buracos negros significativamente mais pesados ​​de aproximadamente 1,5 massas solares são muito improváveis ​​de serem buracos negros ‘transmutados’ por interrupções de estrelas de nêutrons.” 

E se for esse o caso, isso sugere que buracos negros primordiais podem realmente existir, e que eles podem ser um componente da matéria escura, de acordo com o estudo.

O método se tornará mais preciso à medida que mais detecções de ondas gravitacionais forem feitas, disse Takhistov: “O teste é de natureza estatística, portanto, coletar mais dados permitirá um melhor entendimento.” 

Fonte: Space.com

Buraco negro de massa intermédia é a chave para os gigantes nos centros das galáxias

 O novo buraco negro foi descoberto através da deteção de uma explosão de raios-gama ampliada gravitacionalmente. Crédito: Carl Knox, OzGrav

Um novo buraco negro quebra o recorde - não por ser o mais pequeno ou o maior - mas por estar bem no meio. O recém-descoberto buraco negro faz parte de um elo perdido entre duas populações de buracos negros: os buracos negros de massa estelar e os buracos negros supermassivos nos núcleos da maioria das galáxias. 

Num esforço conjunto, investigadores da Universidade de Melbourne e da Universidade Monash descobriram um buraco negro com aproximadamente 55.000 vezes a massa do Sol, um lendário buraco negro de "massa intermédia". 

O artigo que relata a descoberta foi publicado na revista Nature Astronomy. 

O autor principal e estudante de doutoramento da Universidade de Melbourne, James Paynter, disse que esta última descoberta lança uma nova luz sobre como os buracos negros supermassivos se formam. "Embora saibamos que estes buracos negros supermassivos se escondem nos núcleos da maioria, senão de todas as galáxias, não entendemos como estes gigantes são capazes de crescer tanto estando limitados à idade do Universo," disse. 

O novo buraco negro foi descoberto através da deteção de uma explosão de raios-gama ampliada gravitacionalmente. 

Observou-se que a explosão de raios-gama, um flash de meio segundo de luz altamente energética emitida por um par de estrelas em fusão, teve um "eco" revelador. Este eco é provocado pelo buraco negro de massa intermédia, que desvia o percurso da luz no seu caminho para a Terra, de modo que os astrónomos vêm o mesmo flash duas vezes. 

Um poderoso software desenvolvido para detetar buracos negros a partir de ondas gravitacionais foi adaptado para estabelecer que os dois flashes são imagens do mesmo objeto. 

"Este buraco negro recém-descoberto pode ser uma relíquia antiga - um buraco negro primordial - criado no início do Universo antes da formação das primeiras estrelas e galáxias," disse o coautor do estudo, o professor Eric Thrane da Escola de Física e Astronomia da Universidade Monash e investigador do OzGrav (ARC Centre of Excellence for Gravitational Wave Discovery). 

"Estes primeiros buracos negros podem ser as sementes dos buracos negros supermassivos que vivem no coração das galáxias hoje." 

A professora Rachel Webster, da Universidade de Melbourne, pioneira em lentes gravitacionais e coautora do estudo, disse que os achados têm potencial para ajudar os cientistas a fazer avanços ainda maiores. 

"Usando este novo candidato a buraco negro, podemos estimar o número total destes objetos no Universo. Previmos que isto poderia ser possível há 30 anos, e é emocionante ter descoberto um exemplo forte." 

Os investigadores estimam que existem cerca de 46.000 buracos negros de massa intermédia nas proximidades da nossa Galáxia, a via Láctea.

Fonte: Astronomia OnLine

Astrônomos detectam raios-X vindos de Urano

Foto de Urano, composta por uma imagem de raios-X obtida por Chandra (mostrada em rosa) e uma imagem ótica obtida pelo telescópio Keck-I.

Usando o Observatório de Raios-X Chandra, da Nasa, astrônomos detectaram raios-X vindos de Urano, revelando uma dimensão até então desconhecida deste majestoso gigante de gelo. 

A nova descoberta, publicada no JGR: Physics, significa que as emissões de raios-X foram detectadas em todos os planetas do sistema solar, exceto Netuno. Além disso, o estudo pode render novos insights sobre objetos emissores de raios-X mais distantes, incluindo buracos negros, supernovas, quasares e estrelas de nêutrons. O novo artigo foi liderado pelo astrônomo William Dunn, da University College London. 

Composto principalmente por hidrogênio e hélio, Urano exibe dois conjuntos de anéis, ambos em órbita acima de seu equador. O planeta é um tanto estranho, pois gira de lado em relação ao plano do sistema solar (nenhum outro planeta faz isso). A espaçonave Voyager 2 da Nasa visitou Urano muito brevemente em 1986, então, além disso, os astrônomos têm dependido de telescópios, como Chandra e Hubble, para estudar o sétimo planeta a partir do Sol. 

Dunn — junto com a física Affelia Wibisono, uma estudante de doutorado na UCL e coautora do estudo — descobriu as evidências das emissões de raios-X de Urano nos dados do Chandra coletados em 2002 e 2017. Os dados de 2002 foram coletados pelo Chandra Advanced CCD Imaging Spectrometer, enquanto os dados de 2017 vieram da Câmera de Alta Resolução do Chandra, além de observações ópticas. Os sinais observados são muito fracos, mas eles estão lá.

Com os raios-X confirmados em Urano, o desafio agora é determinar a causa. 

“Existem três maneiras principais de um planeta produzir raios-X: fluorescência, dispersão de raios-X solares e emissões aurorais”, explicou Wibisono em um artigo que escreveu para o site do Chandra. 

Urano, assim como muitos outros objetos no sistema solar — incluindo cometas, luas e até mesmo Plutão –, provavelmente está dispersando os raios-X recebidos pelo Sol. Mas esta não parece ser a fonte exclusiva de raios-X em Urano. Como Wibisono aponta, “nossos cálculos sugerem que Urano estava produzindo mais raios-X do que deveria se o planeta estivesse apenas espalhando os raios-X do Sol”. 

Os autores propuseram duas teorias diferentes para explicar as emissões. Uma possibilidade é que os anéis de Urano estejam emitindo essa radiação, semelhante ao que está acontecendo com os anéis em torno de Saturno. Esse processo, conhecido como fluorescência, ocorre quando partículas com carga energética, como elétrons e prótons, colidem com os anéis, fazendo-os brilhar em raios-X. 

Outra possibilidade é que eles estejam sendo produzidos pelas auroras de Urano, como explica a Nasa em um comunicado.

Na Terra, podemos ver shows de luzes coloridas no céu chamados auroras, que acontecem quando partículas de alta energia interagem com a atmosfera. Os raios-X são emitidos nas auroras da Terra, produzidos por elétrons energéticos depois que eles viajam pelas linhas do campo magnético do planeta até seus polos e são desacelerados pela atmosfera. Júpiter também tem auroras. Os raios-X das auroras em Júpiter vêm de duas fontes: elétrons viajando pelas linhas do campo magnético, como na Terra, e átomos e moléculas com carga positiva chovendo nas regiões polares de Júpiter. 

O problema é que a causa das auroras em Urano ainda não é totalmente compreendida, portanto, muito disso continua sendo uma suposição. Outras “observações de Urano por Chandra e outros telescópios de raios-X são necessárias antes de podermos dar uma resposta definitiva”, admite Wibisono. 

Urano representa um objeto fascinante para estudar vários aspectos dos planetas distantes, e isso por causa de seu eixo de rotação incomum e campo magnético instável. Com sua inclinação estranha, os astrônomos podem ver Urano em um ângulo irregular e, devido ao seu campo magnético, que também é estranhamente inclinado, os astrônomos podem eventualmente encontrar uma conexão com as auroras complexas e variáveis ​​do planeta. Ainda há muito o que aprender sobre este estranho e maravilhoso gigante de gelo.

Fonte: Gizmodo Brasil

O primeiro cometa interestelar pode ser o mais puro já encontrado

Novas observações obtidas com o Very Large Telescope (VLT) do ESO indicam que o cometa 2I/Borisov, o segundo e mais recente visitante interestelar detectado no nosso Sistema Solar, é um dos mais primitivos já observados. Os astrônomos suspeitam que o cometa provavelmente nunca passou perto de uma estrela, tornando-o uma relíquia intacta da nuvem de gás e poeira da qual se formou.

O cometa 2I/Borisov foi descoberto pelo astrônomo amador Gennady Borisov em agosto de 2019, tendo-se confirmado que este objeto vinha de fora do Sistema Solar algumas semanas mais tarde. “O 2I/Borisov pode representar o primeiro cometa verdadeiramente intocado já observado”, disse Stefano Bagnulo do Observatório e Planetário Armagh, Irlanda do Norte, Reino Unido, que liderou o novo estudo publicado hoje na revista Nature Communications. A equipe acredita que o cometa nunca passou perto de nenhuma estrela antes de passar pelo Sol em 2019. 

Bagnulo e colegas usaram o instrumento FORS2 montado no Very Large Telescope (VLT) do ESO, no norte do Chile, para estudar o 2I/Borisov em detalhes, através de uma técnica chamada polarimetria. Uma vez que esta técnica é regularmente usada para estudar cometas e outros pequenos corpos do nosso Sistema Solar, isso permitiu que a equipe comparasse o visitante interestelar com nossos cometas locais. 

A equipe descobriu que o cometa 2I/Borisov tem propriedades polarimétricas distintas das dos cometas do Sistema Solar, com exceção do Hale-Bopp. O cometa Hale-Bopp despertou grande interesse no público no final dos anos 1990, por ser facilmente visível a olho nu e também por ser um dos cometas mais puros que os astrônomos já viram. Antes da sua mais recente passagem pelo Sol observada por nós, acredita-se que o Hale-Bopp tenha passado perto do nosso Sol apenas uma vez e, portanto, quase não foi afetado pelo vento solar e pela radiação, tratando-se por isso de um cometa bastante puro, com uma composição muito semelhante à nuvem de gás e poeira que lhe deu origem (assim como ao resto do Sistema Solar) há cerca de 4,5 bilhões de anos. 

Ao analisar a polarização juntamente com a cor do cometa para aprender mais sobre a sua composição, a equipe concluiu que o 2I/Borisov é, na realidade, ainda mais puro que o Hale-Bopp, o que significa que traz consigo assinaturas imaculadas da nuvem de gás e poeira a partir da qual se formou. 

“O fato dos dois cometas serem notavelmente semelhantes sugere que o meio que deu origem ao 2I/Borisov não é assim tão diferente, em termos de composição, do meio do Sistema Solar primordial”, explicou Alberto Cellino, um dos co-autores do estudo do Observatório Astrofísico de Torino, Instituto Nacional de Astrofísica (INAF), Itália. 

Olivier Hainaut, astrônomo do ESO na Alemanha que estuda cometas e outros objetos próximos da Terra, mas que não esteve envolvido neste novo estudo, concorda. “O resultado principal — que o cometa 2I/Borisov não é igual a nenhum outro cometa excepto o Hale-Bopp — é bastante forte”, diz Hainaut, acrescentando que “é muito plausível que ambos os cometas tenham se formado em condições muito semelhantes”. 

“A chegada do 2I/Borisov do espaço interestelar nos deu a primeira oportunidade para estudar a composição de um cometa de outro sistema planetário e verificar que o material desde cometa é de algum modo diferente da nossa variedade local”, explica Ludmilla Kolokolova, da Universidade de Maryland, EUA, que esteve envolvida neste trabalho. 

Bagnulo espera que os astrônomos tenham outra oportunidade, ainda melhor, de estudar um cometa deste tipo antes do final desta década. “A ESA está planejando o lançamento do Comet Interceptor em 2029, o qual terá a capacidade de chegar a outro visitante interestelar, se se descobrir um em uma trajetória adequada”, explica Bagnulo, referindo-se a uma futura missão da Agência Espacial Europeia. 

Uma história de origem escondida na poeira 

Mesmo sem uma missão espacial, os astrônomos podem usar os muitos telescópios colocados no solo terrestre para aprenderem mais sobre as diferentes propriedades dos cometas exteriores ao Sistema Solar como o 2I/Borisov. “Imagine a sorte que tivemos que um cometa de um sistema a anos-luz de distância simplesmente fez uma viagem até nossa porta por acaso”, disse Bin Yang, astrônoma do ESO no Chile, que também aproveitou a passagem do 2I/Borisov pelo Sistema Solar para estudar este misterioso cometa. Os resultados da sua equipe foram publicados na revista Nature Astronomy. 

Yang e a sua equipe usaram dados do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), do qual o ESO é um parceiro, assim como o VLT do ESO, para estudarem os grãos de poeira do 2I/Borisov com o intuito de saberem mais sobre o nascimento do cometa e as condições presentes no seu sistema. 

A equipe descobriu que a coma do 2I/Borisov — um envelope de poeira que rodeia o corpo principal do cometa — contém pedrinhas compactas, grãos com cerca de um milímetro ou mais de tamanho. Além disso, a equipe descobriu que as quantidades relativas de monóxido de carbono e água no cometa mudaram drasticamente à medida que este se aproximou do Sol. A equipe, que também inclui Olivier Hainaut, explica que este fato indica que o cometa é constituído por materiais que se formaram em diferentes locais do seu sistema planetário. 

As observações de Yang e colegas sugerem que a matéria existente no sistema planetário de origem do 2I/Borisov se encontrava misturada, quando da formação do cometa, desde as zonas próximas da sua estrela até às mais afastadas. Uma explicação seria a existência de planetas gigantes cuja forte gravidade agita o material no sistema. Os astrônomos acreditam que um processo similar tenha ocorrido nas fases iniciais do nosso próprio Sistema Solar. 

Apesar do 2I/Borisov ter sido o primeiro cometa vindo de fora do Sistema Solar a passar pelo Sol, não foi o primeiro visitante interestelar. O primeiro objeto interestelar que vimos passar pelo Sistema Solar foi o ‘Oumuamua, outro objeto estudado com o auxílio do VLT em 2017. Originalmente classificado como cometa, o ‘Oumuamua foi mais tarde reclassificado como asteroide já que não possuía uma coma cometária.

Fonte: ESO

29 de março de 2021

Estranha anomalia cósmica está nos enviando sinais de rádio de frequência ultra-baixa

Pesquisadores detectaram frequências de rádio ultra-baixas sendo emitidas por um objeto em forma de água-viva em um aglomerado de galáxias distante. O objeto misterioso está localizado a 340 milhões de anos-luz da Terra no aglomerado de galáxias Abell 2877, de acordo com a ScienceNews. 

Os pesquisadores por trás do artigo publicado no The Astrophysical Journal dizem que usaram o radiotelescópio Murchison Widefield Array (MWA) no oeste da Austrália para descobrir as frequências de rádio ultra-baixas — e sua forma distinta. Olhamos para os dados e, à medida que reduzimos a frequência, vimos uma estrutura fantasmagórica como uma água-viva começar a emergir”, disse Torrance Hodgson, autor principal e doutorando do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia em Perth, em um comunicado à imprensa. 

Os pesquisadores apelidaram o objeto de “Medusa USS”, mas não assumam que é uma referência a Jornada nas Estrelas. “USS” realmente indica sua frequência de rádio “ultra-steep-spectrum” (espectro últra-íngreme, em tradução livre). 

Arqueologia Cósmica

Como você pode imaginar, estudar frequências de rádio a 340 milhões de anos-luz de distância apresenta seu próprio conjunto especial de desafios. “Tivemos que empreender alguma arqueologia cósmica para entender a antiga o histórico das água-viva”, disse Hodgson no comunicado à imprensa. 

No entanto, eles foram capazes de desenvolver uma teoria de onde veio: buracos negros supermassivos que criaram “poderosos jatos de plasma” cerca de dois bilhões de anos atrás. 

“Este plasma esmaeceu, ficou quieto e ficou dormente”, disse Hodgson. “Então, recentemente, duas coisas aconteceram; o plasma começou a se misturar ao mesmo tempo que ondas de choque muito suaves passavam pelo sistema. Isso reacendeu brevemente o plasma, iluminando a água-viva e seus tentáculos para nós vermos.” 

A ferramenta certa para o trabalho

Espero que não tenhamos que esperar muito até que os pesquisadores descubram mais sobre as águas-vivas cósmicas desde que a construção do novo Square Kilometre Array (SKA) começou. Os pesquisadores antecipam que o radiotelescópio nos dará uma visão melhor do objeto. 

“O SKA será milhares de vezes mais sensível e terá uma resolução muito melhor do que a MWA, então pode haver muitas outras águas-vivas misteriosas esperando para serem descobertas uma vez que sua operação [iniciar]”, disse a professora Melanie Johnston-Hollitt, coautora do artigo e supervisora de Hodgson, em um comunicado à imprensa. 

O radiotelescópio também dará aos pesquisadores uma olhada em algumas das primeiras galáxias quet existiram no universo. Seria legal, porém, se eles descobrissem um tubarão cósmico ou baleia para se juntar a águas-vivas da USS em nosso aquário espacial.  

Fonte: ICRAR/Curtin University

Tecnoassinaturas: O que devemos procurar para encontrar civilizações extraterrestres?

 Visualização artística de um exoplaneta hipotético com suas luzes artificiais no lado noturno. [Imagem: Rafael Luis Méndez Peña/Sciworthy.com]

Inteligência pelo Universo 

Com a melhoria dos telescópios e das técnicas para observar planetas em outros sistemas solares, tem havido muitas sugestões sobre como estudar esses exoplanetas a partir da observação de suas atmosferas, de seus espectros radiativos etc. 

Entre os interesses destaca-se naturalmente a busca por sinais de vida. 

E, além das bioassinaturas - detecção de substâncias que indicam atividade biológica -, estão as tecnoassinaturas - indícios do uso de tecnologia ou atividade industrial, por exemplo. 

Para tentar organizar as campanhas observacionais e guiar os esforços para o desenvolvimento de novas tecnologias que possam detectar os sinais que se procura, o Instituto de Astrofísica das Canárias, na Espanha, reuniu os maiores especialistas na área para equalizar os conhecimentos e as expectativas melhor fundamentadas. 

"Não temos ideia se a inteligência é algo muito comum no Universo ou, pelo contrário, se é extremamente rara," explica o professor Hector Navarro. "Por isso não podemos saber se essas buscas têm alguma chance de sucesso. Não há escolha a não ser buscar e ver o que encontramos, porque as implicações seriam enormes." 

Busca científica por ETs 

As sugestões para busca de civilizações extraterrestres foram desde as mais básicas, como a presença de poluição industrial na atmosfera ou grandes enxames de satélites, até hipotéticas obras gigantescas de engenharia espacial, como escudos de calor para combater as mudanças climáticas ou esferas de Dyson para explorar a energia da estrela. 

Algumas das propostas sugerem procurar por grandes distâncias no espaço, através de nossa galáxia e até mesmo além, enquanto outras visam a varredura do nosso próprio Sistema Solar em busca de sondas que possam ter sido enviadas para cá em um passado distante. 

"A ideia de pesquisar por tecnoassinaturas baseia-se na tecnologia que temos hoje na Terra e em possíveis extensões da nossa tecnologia no futuro," destaca o professor Jacob Misra, um dos coordenadores do comitê. "Isso não significa necessariamente que qualquer tecnologia extraterrestre deva ser como a nossa, mas imaginar extensões plausíveis de nosso próprio futuro é um lugar para começar a pensar em pesquisas astronômicas que poderíamos realmente fazer para procurar possíveis tecnoassinaturas".

Tecnoassinaturas 

Para definir as opções em que vale a pena apostar para tentar encontrar a tecnoassinaturas de civilizações extraterrestres, o comitê fez uma lista com 12 possibilidades: 

·     Gases industriais no espectro atmosférico
·         Iluminação no lado escuro do planeta
·         Sombreamentos na estrela detectáveis pelo método de trânsito
·         Cinturões de Clarke (famílias de satélites) detectáveis pelo método de trânsito
·         Pulsos de laser
·         Calor de esferas de Dyson
·         Calor de civilizações galácticas
·         Sinais de rádio
·         Artefatos em co-orbitais da Terra
·         Artefatos que possam ter caído na Lua e em outras superfícies menos sujeitas ao intemperismo do clima
Sondas interestelares
Artefatos em asteroides (como no asteroide 'Oumuamua)

"Existem agora oportunidades novas e exclusivas para procurar por tecnoassinaturas além das pesquisas de rádio SETI tradicionais, motivadas por enormes avanços na ciência dos exoplanetas e nas capacidades de observação nos últimos anos. As agências espaciais, públicas e privadas, podem estar particularmente interessadas em aprender sobre os pontos de vista da comunidade [científica] quanto aos métodos ideais para pesquisas futuras de tecnoassinaturas com tecnologia atual ou futura. Este relatório é um esforço nessa direção," escreveu a equipe.

Fonte: Inovação Tecnológica

Revista científica afirma que viajar mais rápido que a luz é possível

Um novo estudo afirma que a tecnologia de “dobra espacial” — um mecanismo popularizado por “Star Trek” que permitiria viagens mais rápidas que a luz (MRQL) — pode ser mais viável do que se pensava anteriormente. 

Dr. Erik Lentz, astrofísico da Universidade de Göttingen, na Alemanha, publicou um artigo na revista Classical and Quantum Gravity afirmando que a velocidade da MRQL é possível usando a física convencional, relata a Popular Mechanics. Isso vai contra as teorias anteriormente propostas da tecnologia de dobra que se baseavam em matéria exótica e desconhecida que seriam utilizadas como energia. 

“Este trabalho moveu o problema da viagem mais rápida que a luz a um passo da pesquisa teórica em física fundamental e mais perto da engenharia”, disse Lentz em um comunicado. 

Próxima Parada: Proxima Centauri

Vamos colocar isso em perspectiva: se você usar o foguete mais rápido da Terra para viajar para Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso sistema solar além do Sol, ainda levaria mais de 50 mil anos para chegar lá. 

No entanto, se você fizer a mesma viagem usando um motor de dobra MRQL, você levaria apenas dois a três anos. 

Um motor de dobra funcionaria dobrando o tecido do espaço-tempo em torno de uma nave espacial para permitir que ele viajasse a velocidades MRQL. Os modelos teóricos existentes para motores de dobra exigiriam “energia negativa” — e não está claro se isso existe. 

É precisamente por isso que o modelo de Lentz é tão excitante. Se pudermos confiar na física conhecida atualmente para atingir velocidades de MRQL as possibilidades seriam muito maiores. 

“O próximo passo é descobrir como reduzir a quantidade astronômica de energia necessária para dentro do alcance das tecnologias atuais, como uma grande usina de fissão nuclear moderna. Então poderíamos falar sobre a construção dos primeiros protótipos”, disse Lentz. 

Outro estudo, também publicado em Classic and Quantum Gravity, de uma startup chamada Física Aplicada fala sobre o mesmo assunto. Como Lentz, eles sugerem que os motores de dobra espacial poderiam ser “construídos sobre os princípios físicos conhecidos pela humanidade hoje”. 

Claro, ainda há muito que os cientistas precisam descobrir antes de começarmos a reservar passagens para estrelas próximas. Mas estamos ficando tentadoramente perto de finalmente viver nossos sonhos da USS Enterprise.

Fonte: Hypescience.com

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Artigos Mais Lidos