23 de outubro de 2018

KES 75: O mais jovem PULSAR da VIA LÁCTEA expõe segredos de morte ESTELAR


Esta composição de Kes 75, o mais jovem pulsar conhecido da Via Láctea, inclui dados do Chandra e do SDSS. A região azul representa raios-X altamente energéticos em redor do pulsar, mostrando uma área chamada nebulosa de vento pulsar, e a região roxa mostra raios-X menos energéticos, emitidos pelos detritos deixados para trás pela explosão de supernova original.Crédito: NASA/CXC/NCSU/S. Reynolds; ótico: PanSTARRS

Cientistas confirmaram a identidade do mais jovem pulsar na Via Láctea usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA. Este resultado pode fornecer aos astrónomos novas informações sobre como algumas estrelas terminam as suas vidas. Após algumas estrelas massivas ficarem sem combustível, entram em colapso e explodem como supernovas, deixando para trás "pepitas" estelares densas chamadas estrelas de neutrões. As estrelas de neutrões com uma rápida rotação e altamente magnetizadas produzem um feixe de radiação semelhante ao de um farol que os astrónomos detetam como pulsos à medida que a rotação do pulsar "varre" o feixe através do céu.

Desde que Jocelyn Bell Burnell, Anthony Hewish e colegas descobriram os pulsares através da sua emissão de rádio na década de 1960, foram identificados mais de 2000 destes objetos exóticos. No entanto, permanecem muitos mistérios sobre os pulsares, incluindo a sua diversidade de comportamentos e a natureza das estrelas que os formam.

Novos dados do Chandra estão a ajudar a resolver algumas dessas questões. Uma equipa de astrónomos confirmou que o remanescente de supernova Kes 75, localizado a cerca de 19.000 anos-luz da Terra, contém o mais jovem pulsar conhecido da Via Láctea.

A rápida rotação e o forte campo magnético do pulsar geraram um vento de matéria energética e partículas de antimatéria que fluem para longe do pulsar quase à velocidade da luz. Este vento pulsar criou uma grande bolha magnetizada de partículas altamente energéticas chamada nebulosa de vento pulsar, vista como a região azul que rodeia o pulsar.

Nesta composição de Kes 75, os raios-X de alta energia observados pelo Chandra são de cor azul e destacam a nebulosa de vento pulsar em redor do pulsar, enquanto os raios-X menos energéticos aparecem com tom roxo e mostram os detritos da explosão. Uma imagem ótica do SDSS (Sloan Digitized Sky Survey) revela estrelas no campo.

Os dados do Chandra obtidos em 2000, 2006, 2009 e 2016 mostram mudanças na nebulosa de vento pulsar com o passar do tempo. Entre 2000 e 2016, as observações do Chandra revelam que a orla externa da nebulosa de vento pulsar expande-se incrivelmente a 1 milhão de metros por segundo.

Esta alta velocidade pode ser devida à nebulosa de vento pulsar que se expande para um ambiente de densidade relativamente baixa. Especificamente, os astrónomos sugerem que está a expandir-se para uma bolha gasosa soprada por níquel radioativo formado na explosão e expelido à medida que esta explodiu. Este níquel também alimentou a luz da supernova, à medida que se decompôs em gás ferroso difuso que encheu a bolha. Se assim for, isto dá aos astrónomos uma visão do coração da explosão estelar e dos elementos que criou.

A taxa de expansão também diz aos astrónomos que Kes 75 explodiu há cerca de cinco séculos, a partir da perspetiva da Terra (o objeto está a cerca de 19.000 anos-luz de distância, mas os astrónomos referem-se a quando a sua luz terá chegado à Terra). Ao contrário de outros remanescentes de supernova desta época, como Tycho e Kepler, não existem evidências conhecidas de registos históricos de qualquer observação da explosão que deu origem a Kes 75.

Porque é que Kes 75 não foi vista da Terra? As observações do Chandra, juntamente com observações anteriores por outros telescópios, indicam que a poeira e o gás interestelar que preenchem a nossa Galáxia são muito densas na direção da estrela condenada. Este fator teria tornado a supernova demasiado fraca para observar da Terra há vários séculos atrás.

O brilho da nebulosa de vento pulsar diminuiu 10% entre 2000 e 2016, concentrado principalmente na região norte, com uma diminuição de 30% num nó brilhante. As rápidas mudanças observadas na nebulosa de vento pulsar Kes 75, bem como a sua estrutura invulgar, apontam para a necessidade de modelos mais sofisticados da evolução das nebulosas de vento pulsar.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na The Astrophysical Journal e está disponível online.
Fonte: Astronomia OnLine

Espaçonave parte em direção à Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol


Espaçonave BepiColombo deve chegar ao seu destino em 2025: Mercúrio é um dos planetas menos explorados do Sistema Solar
Espaçonave BepiColombo decolou no último sábado, 20 de outubro, a bordo do foguete Ariane 5 do espaçoporto Kourou, na Guiana Francesa, em direção a um dos menores e inexplorados planetas do nosso Sistema Solar: Mercúrio. Construído graças à uma parceria entre a Agência Espacial (ESA) Europeia e a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), a BepiColombo é formado por dois orbitadores científicos, que serão transportados até Mercúrio usando propulsão elétrica solar, além de contar com uma ajuda da gravidade. No caminho, o equipamento dará uma volta pela Terra, duas em Vênus e seis no próprio planeta antes de entrar em sua órbita em 2025. 

"Há um longo e excitante caminho à nossa frente antes de o BepiColombo começar a coletar dados para a comunidade científica", disse Günther Hasinger, diretor de Ciência da ESA. Juntos, os orbitadores farão medições que revelará a estrutura interna do planeta, a natureza da superfície e a evolução das características geológicas — incluindo o gelo nas crateras sombreadas do planeta — e a interação entre o planeta e o vento solar.

"Um aspecto único desta missão é ter duas espaçonaves monitorando o planeta de dois locais diferentes ao mesmo tempo: isso é realmente fundamental para entender os processos ligados ao impacto do vento solar na superfície de Mercúrio e seu ambiente magnético", contou Johannes Benkhoff, cientista do projeto.

Os dois orbitadores científicos também poderão operar alguns de seus instrumentos no caminho, proporcionando oportunidades únicas para coletar dados valiosos em Vênus. Alguns dos instrumentos projetados para estudar Mercúrio de uma maneira particular podem ser usados ​​de maneira completamente diferente em Vênus, que tem uma atmosfera espessa em comparação com a superfície exposta de Mercúrio.

"O BepiColombo é uma das missões interplanetárias mais complexas que já voamos", afirma Andrea Accomazzo, diretor de voo do BepiColombo. "Um dos maiores desafios é a enorme gravidade do Sol, que torna difícil colocar uma espaçonave em uma órbita estável ao redor de Mercúrio. Temos que frear constantemente para garantir uma queda controlada em direção ao Sol. Outro desafio é o ambiente de temperatura extrema que a espaçonave irá suportar, que vai de -180 ° C a mais de 450 ° C - mais quente que um forno de pizza.
Fonte: GALILEU
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