9 de abril de 2018

A Via Láctea está a ficar maior


NGC 4565, uma galáxia espiral a uma distância estimada em 30-50 milhões de anos-luz.Crédito: Ken Crawford

De acordo com Cristina Martínez-Lombilla, candidata a doutoramento no Instituto de Astrofísica das Canárias em Tenerife, Espanha, e seus colaboradores, a galáxia que habitamos, a Via Láctea, pode estar a ficar maior. Ela apresentou o trabalho da sua equipa numa palestra na passada terça-feira, dia 3 de abril, durante a Semana Europeia de Astronomia e Ciências Espaciais em Liverpool. O Sistema Solar está localizado num dos braços do disco de uma galáxia espiral barrada a que chamamos Via Láctea, com um diâmetro de cerca de 100.000 anos-luz. A nossa Galáxia é formada por várias centenas de milhares de milhões de estrelas, com enormes quantidades de gás e poeira, componentes estes interligados e interagindo através da força da gravidade.  A natureza desta interação determina a forma de uma galáxia, que pode ser espiral, elíptica ou irregular. Sendo uma espiral barrada, a Via Láctea tem um disco no qual estrelas, poeiras e gases se encontram principalmente num plano, com braços que se estendem para fora de uma barra central.
No disco da Via Láctea existem estrelas de muita s idades diferentes. Estrelas azuis, quentes e massivas são muito luminosas e têm uma vida relativamente pequena de milhões de anos, enquanto estrelas de massa menor eventualmente tornam-se mais avermelhadas e mais fracas, podendo viver centenas de milhares de milhões de anos. As estrelas de curta vida, mais jovens, podem ser encontradas no disco da Galáxia, onde novas estrelas continuam a formar-se, ao passo que as estrelas mais antigas dominam a protuberância em redor do Centro Galáctico e o halo que circunda o disco.
Algumas regiões de formação estelar podem ser encontradas na orla externa do disco, e os modelos de formação de galáxias preveem que as novas estrelas aumentem lentamente o tamanho da galáxia em que residem. Um problema em estabelecer a forma da Via Láctea é que vivemos dentro dela, de modo que os astrónomos olham para galáxias similares noutros lugares como análogas à nossa.
Martínez-Lombilla e colegas propuseram-se a estabelecer se outras galáxias espirais parecidas à Via Láctea estão realmente a ficar maiores e, em caso afirmativo, o que isso significa para a nossa própria Galáxia. Ela e a sua equipa usaram o telescópio terrestre SDSS para dados óticos, e os dois telescópios espaciais GALEX e Spitzer para dados do ultravioleta próximo e infravermelho próximo, respetivamente, a fim de examinar detalhadamente as cores e movimentos das estrelas no final dos discos de outras galáxias.
Os investigadores mediram a luz nestas regiões, predominantemente proveniente de jovens estrelas azuis, e mediram o movimento vertical (para cima e para baixo no disco) das estrelas para descobrir quanto tempo levaria para se afastarem dos seus locais de nascimento, e como as suas galáxias hospedeiras estavam a crescer em tamanho.
Com base nisso, calcularam que as galáxias como a Via Láctea estão a crescer a cerca de 500 metros por segundo, depressa o suficiente para cobrir a distância de Liverpool a Londres em aproximadamente 12 minutos.
Martínez-Lombilla comenta: "A Via Láctea já é bastante grande. Mas o nosso trabalho mostra que pelo menos a sua parte visível está a aumentar lentamente de tamanho, à medida que se formam estrelas na periferia galáctica. Não é um crescimento rápido, mas se pudéssemos avançar no tempo e olhar para como a galáxia seria daqui a 3 mil milhões de anos, seria cerca de 5% maior do que é hoje."
Este crescimento lento pode ser irrelevante no futuro distante. Prevê-se que a Via Láctea colida com a vizinha Galáxia de Andrómeda daqui a cerca de 4 mil milhões de anos, e a forma de ambas mudará radicalmente à medida que se fundem.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Um aglomerado colossal

Essa imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra um massivo aglomerado de galáxias brilhando intensamente na escuridão. Apesar da sua beleza, esse aglomerado recebe o nome nada poético de PLCK_G308.3-20.2.

Aglomerados de galáxias contem milhares de galáxias unidas pela cola da gravidade. Em um ponto no tempo, eles foram considerados como sendo as maiores estruturas do universo, até que em 1980, eles foram superados pela descoberta dos super-aglomerados, que normalmente contêm dezenas de aglomerados de galáxias e grupos e se espalham por centenas de milhões de anos-luz. Contudo, os aglomerados possuem um título ainda, os superaglomerados não são unidos pela gravidade, então os aglomerados de galáxias são as maiores estruturas do universo unida pela gravidade.

Uma das características mais interessantes dos aglomerados de galáxias é o que existe entre as galáxias que os constituem, o chamado meio interaglomerado, ou ICM. Altas temperaturas são criadas nesses espaços por estruturas menores formadas dentro do aglomerado. Isso faz com que o ICM seja feito de plasma, matéria ordinária em estado superaquecido. A matéria mais luminosa no aglomerado reside no ICM, que é muito luminoso em raios-X. Contudo, a maior parte da massa num aglomerado de galáxias existe na forma não luminosa da matéria escura. Diferente do plasma, a matéria escura não é feita de matéria ordinária como prótons, nêutrons ou elétrons. Ela é uma substância hipotética que nunca foi descoberta diretamente.

Essa imagem foi feita com a Advanced Camera for Surveys do Hubble e pela Wide Field Camera 3, como parte do programa de observação chamado RELICS (Reionization Lensing Cluster Survey). O RELICS fez imagem de 41 aglomerados de galáxias massivos com o objetivo de encontrar as galáxias distantes mais brilhantes que posteriormente serão estudadas pelo Telescópio Espacial James Webb.
Crédito: ESA/Hubble & NASA, RELICS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Artigos Mais Lidos