22 de abril de 2019

Telescópio Hubble divulga imagem inédita de nebulosa do Caranguejo do Sul


O telescópio Hubble divulgou nesta quinta-feira (18) uma imagem inédita da nebulosa do Caranguejo do Sul para comemorar seus 29 anos no espaço.

A nebulosa é um dos muitos objetos que o Hubble desmistificou ao longo dos anos no espaço. Segundo o comunicado da Nasa e da Agência Europeia Espacial (ESA, na sigla em inglês), a nova imagem aumenta a compreensão sobre a nebulosa e demonstra as capacidades continuadas do telescópio.

Todo ano, para comemorar seu “aniversário”, o telescópio divulga uma nova imagem de seus objetos de estudo no espaço que sejam bonitos e significativos.

Par de estrelas forma a nebulosa

A nebulosa do Caranguejo do Sul tem estruturas aninhadas em formato de ampulheta e foi criada pela interação entre um par de estrelas no seu centro. O par desigual consiste em uma estrela gigante vermelha e uma estrela anã branca.

Uma estrela anã é pequena para ser qualificada como estrela, ou seja, tem massa menor e raio inferior às gigantes. É o tipo mais comum e o Sol é uma estrela anã. Já a estrela gigante é uma estrela de raio e luminosidade maiores.

A gigante vermelha é uma estrela luminosa em fase avançada da evolução estelar.

No caso da nebulosa do Caranguejo do Sul, a estrela gigante vermelha está derramando suas camadas externas na última fase de sua vida antes de também viver seus últimos anos como uma anã branca. Parte do material que sai da gigante vermelha é atraído pela gravidade da sua companheira.

De acordo com a ESA, quando uma quantidade suficiente deste material é puxada para a estrela anã branca, ela também ejeta o material para fora em uma espécie de erupção, criando as estruturas da nebulosa. Eventualmente, a estrela gigante vermelha terminará este processo de eliminar suas camadas externas e parará de alimentar sua companheira. Antes disso, mais erupções podem ocorrer, criando estruturas ainda mais complexas.

A nebulosa foi descrita pela primeira vez em 1967, mas era considerada uma estrela comum até 1989, quando foi observada com ajuda de telescópios. A imagem resultante mostrou uma nebulosa extensa em forma de caranguejo, formada por bolhas simétricas de gás e poeira.

Em 1999, o Hubble voltou a fazer imagens da nebulosa revelando toda sua estrutura e sugerindo que o fenômeno que criou as bolhas externas ocorreu duas vezes no passado astronômico recente.

A nova imagem feita pelo Hubble contribui para o estudo da história de um objeto ativo e em evolução.

Fonte: G1

Radiotelescópio Bingo vai estudar geometria do Universo

A torre de cornetas do radiotelescópio. [Imagem: Graciele Almeida de Oliveira/Bingo]
Diamante do Sertão
O Diamante do Sertão vai desvendar segredos do Universo depositado sobre uma mina de ouro.
Não parece um começo adequado para um artigo sobre ciências, mas não há metáforas profundas nesta descrição do Bingo, um radiotelescópio que está sendo construído no Brasil por um consórcio que conta ainda com África do Sul, China, Estados Unidos, França, Portugal, Reino Unido e Uruguai.
O apelido de Diamante do Sertão foi dado porque o observatório será instalado na Serra do Urubu, na cidade de Aguiar, no sertão da Paraíba, longe das metrópoles e das fontes de poluição eletromagnética. E, para "limpar" ainda mais o ambiente, o radiotelescópio está sendo construído na cava deixada por uma mina abandonada de ouro.
Mais ou menos do tamanho de um campo de futebol, o Bingo será maior do que o Rádio Observatório do Itapetinga (ROI), atualmente o principal radiotelescópio do Brasil.
Além das parábolas refletoras, o Bingo contará com aproximadamente 50 cornetas, dando ao telescópio dimensões que poderão ser vistas de longe e o tornarão um dos maiores radiotelescópios da América Latina.
"Contamos com a contribuição de nossos parceiros internacionais, especialmente as dos pesquisadores do Reino Unido, mas a maior parte da tecnologia para a construção está sendo desenvolvida aqui no Brasil," conta Carlos Alexandre Wuensche, do Inpe e pesquisador chefe do projeto Bingo.
Radiotelescópio Bingo vai estudar geometria do Universo
A torre de cornetas do radiotelescópio. [Imagem: Graciele Almeida de Oliveira/Bingo]
Oscilações Acústicas de Bárions
Bingo é um acrônimo para Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations, ou Oscilações Acústicas de Bárions em Observações de Gás Neutro.
As Oscilações Acústicas de Bárions (BAOs) são ondas geradas pela interação dos átomos com a radiação primordial do Universo. Sua detecção permitirá medir a distribuição do hidrogênio neutro em distâncias cosmológicas, usando uma técnica chamada de mapeamento de intensidade. O Bingo será o primeiro telescópio projetado para detectar BAOs por meio de ondas de rádio.
É possível "investigar a forma e a geometria do espaço, incluindo sua taxa de expansão, se soubermos a forma aparente das BAOs no espaço exterior e, assim, estudar a energia escura. Em termos um pouco mais técnicos, estaremos medindo os parâmetros cosmológicos que regem a geometria do Universo," explica o professor Élcio Abdalla, da USP.
Rajadas Rápidas de Rádio
"A proposta principal do Bingo é estudar a energia escura, mas também por meio do telescópio iremos estudar um fenômeno ainda pouco conhecido chamado Fast Radio Bursts [Rajadas Rápidas de Rádio]", complementa Abdalla.
As rajadas rápidas de rádio são pulsos eletromagnéticos de alta energia com duração de apenas alguns milissegundos. A origem desse fenômeno astrofísico ainda é desconhecida, mas existem pelo menos seis teorias tentando explicar esses pulsos de rádio.
Os dados do Bingo poderão ajudar a apontar qual teoria está mais próxima da realidade. Detectar essas RRRs (ou FRBs: fast radio bursts) é também um dos objetivos do radiotelescópio Chime (Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment). O Telescópio Bingo contribuirá para o estudo das rajadas no Hemisfério Sul.
Fonte: Inovação Tecnológica

MESSIER 75


Crédito:ESA/Hubble & NASA, F. Ferraro et al.


Essa explosão brilhante de estrelas é conhecida como Messier 75. O Messier 75 é mais um aglomerado globular de estrelas fotografado pelo Telescópio Espacial Hubble. Um aglomerado globular de estrelas é uma coleção esférica de estrelas que fica unida pela gravidade. Aglomerados como esse, orbitam as galáxias e normalmente residem nas áreas externas e menos populosas onde eles ser reunem para formar densas comunidades nos subúrbios galácticos.

O Messier 75 está localizado na constelação de Sagitário, a aproximadamente 67 mil anos-luz de distância da Terra. A maior parte das cerca de 400 mil estrelas do aglomerado são encontradas no núcleo do objeto. O Messier 75 é um dos aglomerados globulares mais densamente povoados de estrelas, com uma luminosidade de cerca de 180 mil vezes a luminosidade do Sol. Esse é um dos motivos pelo qual ele seja tão fotogênico!!!

O Messier 75 foi descoberto em 1780 por Pierra Méchain, e foi também observado por Charles Messier, que o adicionou em seu catálogo no final daquele ano. Essa imagem do Messier 75 foi feita pela Advanced Camera for Survey do Telescópio Espacial Hubble.

Fonte: Spacetelescope.org

Descoberto, finalmente, o primeiro tipo de molécula do univero

Ilustração da nebulosa planetária NGC 7027 e das moléculas de hidreto de hélio. Nesta nebulosa planetária, o SOFIA detetou hidreto de hélio, uma combinação de hélio (vermelho) e hidrogénio (azul), que foi o primeiro tipo de molécula a formar-se no Universo primitivo. Esta é a primeira vez que o hidreto de hélio foi descoberto no Universo moderno.Crédito: NASA/SOFIA/L. Proudfit/D.Rutter

O primeiro tipo de molécula que se formou no Universo foi detetado no espaço pela primeira vez, após década de pesquisa. Os cientistas descobriram a sua assinatura na nossa própria Galáxia usando o maior observatório aerotransportado do mundo, o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA, enquanto o avião voava bem acima da superfície da Terra e apontava os seus instrumentos sensíveis para o cosmos.

Quando o Universo era ainda muito jovem, só existiam apenas alguns tipos de átomos. Os cientistas pensam que cerca de 100.000 anos após o Big Bang, o hélio e o hidrogénio combinaram-se para fazer pela primeira vez uma molécula chamada hidreto de hélio. O hidreto de hélio deve estar presente em algumas partes do Universo moderno, mas nunca tinha sido detetado no espaço - até agora.

O SOFIA encontrou o hidreto de hélio moderno numa nebulosa planetária, um remanescente do que já foi uma estrela parecida com o Sol. Localizada a 3000 anos-luz de distância na direção da constelação de Cisne, esta nebulosa planetária, de nome NGC 7027, tem condições que permitem a formação desta molécula misteriosa. A descoberta serve como prova de que o hidreto de hélio pode, de facto, existir no espaço. Isto confirma uma parte fundamental da nossa compreensão básica da química do Universo primitivo e de como evoluiu ao longo de milhares de milhões de anos para a química complexa de hoje. Os resultados foram publicados na edição desta semana da revista Nature.

"Esta molécula estava à espreita, mas precisávamos dos instrumentos certos para fazer as observações na posição certa - e o SOFIA conseguiu fazer isso perfeitamente," disse Harold Yorke, diretor do Centro de Ciência SOFIA, em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia.

Hoje, o Universo está cheio de estruturas grandes e complexas como planetas, estrelas e galáxias. Mas há mais de 13 mil milhões de anos, após o Big Bang, o Universo primordial era quente e tudo o que existia eram alguns tipos de átomos, principalmente hélio e hidrogénio. À medida que os átomos se combinavam para formar as primeiras moléculas, o Universo foi finalmente capaz de arrefecer e começou a tomar forma. Os cientistas inferiram que o hidreto de hélio era essa primeira molécula primordial.

Quando o arrefecimento começou, os átomos de hidrogénio puderam interagir com o hidreto de hélio, levando à criação do hidrogénio molecular - a molécula principalmente responsável pela formação das primeiras estrelas. As estrelas passaram a forjar todos os elementos que compõem o nosso rico cosmos químico de hoje. O problema, porém, é que os cientistas não conseguiam encontrar hidreto de hélio no espaço. Este primeiro passo no nascimento da química permaneceu por provar, até agora.

"A falta de evidências da própria existência do hidreto de hélio no espaço interestelar foi um dilema para a astronomia durante décadas," disse Rolf Guesten do Instituto Max Planck para Radioastronomia, em Bona, Alemanha, autor principal do artigo.

O hidreto de hélio é uma molécula "sensível". O hélio, propriamente dito, é um gás nobre que dificilmente combina com qualquer outro tipo de átomo. Mas em 1925 os cientistas conseguiram criar a molécula em laboratório, persuadindo o hélio a partilhar um dos seus eletrões com um ião de hidrogénio.

Seguidamente, no final da década de 1970, os cientistas que estudavam a nebulosa planetária NGC 7027 pensaram que este ambiente podia ser o ideal para formar o hidreto de hélio. A radiação ultravioleta e o calor da estrela envelhecida criam condições adequadas para a formação do hidreto de hélio. Mas as suas observações foram inconclusivas. Esforços subsequentes sugeriram que podia lá existir, mas a molécula misteriosa continuava a escapar à deteção. Os telescópios espaciais usados não tinham a tecnologia específica para captar o sinal do hidreto de hélio a partir da mistura de outras moléculas na nebulosa.

Em 2016, os cientistas recorreram à ajuda do SOFIA. Voando a mais de 13.000 metros de altitude, o SOFIA faz observações acima das camadas interferentes da atmosfera da Terra. Mas tem uma vantagem em relação aos telescópios espaciais - regressa ao solo depois de cada voo.

"Podemos mudar os instrumentos e instalar a tecnologia mais recente," disse Naseem Rangwala, cientista do projeto SOFIA. "Esta flexibilidade permite-nos melhorar as observações e responder às questões mais prementes dos cientistas."

Uma atualização recente de um dos instrumentos do SOFIA, chamado GREAT (German Receiver at Terahertz Frequencies), acrescentou o canal específico para o hidreto de hélio que os telescópios anteriores não tinham. O instrumento trabalha como um recetor de rádio. Os cientistas sintonizam a frequência da molécula que procuram, de modo semelhante à sintonização de um rádio FM na estação certa. Quando o SOFIA levantou voo no céu noturno, os ansiosos cientistas estavam a bordo lendo os dados do instrumento em tempo real. O sinal do hidreto de hélio finalmente foi recebido em condições.

"Foi muito emocionante estar lá e ver o hidreto de hélio pela primeira vez nos dados," disse Guesten. "Isto leva uma investigação longa a um final feliz e elimina dúvidas sobre a nossa compreensão da química subjacente do Universo primordial."
Fonte: Astronomia OnLine
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