9 de outubro de 2017

A misteriosa estrela que apaga de forma irregular acabou de ficar mais estranha

A misteriosa estrela KIC 8462852, que tem confundido os astrônomos desde a sua descoberta, em 2015, continua a fazê-lo, de forma tão espetacular que só ela consegue. De acordo com os registros da pesquisa de todo o céu examinados por pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, a estrela também exibiu um comportamento estranho há mais de 10 anos, uma péssima notícia para as teorias atuais sobre KIC 8462852.  A KIC 8462852, que está a cerca de 1.500 anos-luz de distância, também é conhecida como Estrela de Tabby ou Estrela de Boyajian, em homenagem a Tabetha Boyajian, a astrônoma de Yale que primeiro reparou no comportamento incomum da estrela em 2015. Ela notou que a luz da estrela estava escurecendo muito estranhamente.

O telescópio Kepler passa seus dias procurando estrelas escurecidas – o padrão de escurecimento delas nos ajuda a encontrar exoplanetas. Quando um planeta passa entre nós e sua estrela hospedeira enquanto a orbita, a luz escurece da nossa perspectiva.

Esse apagamento causado por exoplanetas é regular, periódico e limitado. Mas o da KIC 8462852 é irregular e a quantidade que ela escurece varia. Seu escurecimento mais recente ocorreu em setembro deste ano, com sua luminosidade caindo 3%, mas também foi observada caindo em 22%. Não existe um padrão discernível para as flutuações de seu brilho.

Picos de brilho

A KIC 8462852 também parecia estar em um desvanecimento muito lento, escurecendo gradualmente ao longo do tempo. No entanto, uma análise que incluiu um século de dados descobriu que este não é o caso, e agora os pesquisadores da Carnegie encontraram outra coisa: a KIC 8462852 também ficou significativamente mais brilhante no passado. Os pesquisadores examinaram 11 anos de dados do All Sky Automated Survey (ASAS) e cerca de 2 anos de dados mais recentes da pesquisa automatizada All-Sky de alta precisão para supernovas (ASAS-SN).

Eles descobriram que ela, de fato, estava escurecendo desde fevereiro de 2015, e agora está 1,5% mais fraca do que era então. Mas eles também descobriram que KIC 8462852 teve dois períodos de brilho significativo, um em 2007 e outro em 2014.

“Até este trabalho, pensávamos que as mudanças de luz só estavam ocorrendo em uma direção – escurecendo”, explicou o pesquisador Josh Simon. “A percepção de que a estrela às vezes fica mais brilhante além de períodos de escurecimento é incompatível com a maioria das hipóteses para explicar o seu comportamento estranho”.

Essas teorias incluem um planeta anelado que passaria na frente da estrela, ou absolutamente enorme ou um pequeno, com um bamboleio orbital, um enxame de cometas, lixo espacial, uma megaestrutura alienígena, a estrela engolindo um planeta ou algo acontecendo dentro da própria estrela.

Nuvem de poeira

Uma nova pesquisa liderada por Huan Meng, da Universidade do Arizona, nos EUA, publicada no The Astrophysical Journal, propôs que o escurecimento possa ser devido a uma nuvem irregular de poeira – porque há menos escurecimento na luz infravermelha do que a luz ultravioleta e qualquer coisa maior do que a poeira bloquearia toda a luz.

“Isso praticamente exclui a teoria da megaestrutura alienígena, pois isso não poderia explicar o escurecimento dependente do comprimento de onda”, diz Meng. “Nós suspeitamos, em vez disso, que há uma nuvem de poeira em órbita da estrela com um período orbital de aproximadamente 700 dias”. 

Se for poeira, a estrela ficará mais vermelha quando escurecer, o que seria consistente com a teoria, então é o que o co-pesquisador da Carnegie, Benjamin Shappee, acredita que o próximo passo deve ser. “Essa informação ajudaria a restringir as possíveis explicações sobre por que essa estrela está fazendo coisas tão estranhas”, diz ele. 
Fonte: HypeScience,com 
Science Alert

Radar que estudará luas geladas de Júpiter é testado

Será a primeira investigação detalhada desses mundos promissores para a busca de vida fora da Terra. [Imagem: ESA/ATG; Jupiter: NASA/ESA/J. Nichols; Ganymede: NASA/JPL; Io: NASA/JPL/University of Arizona; Callisto e Europa: NASA/JPL/DLR]

Explorador das Luas Geladas de Júpiter

Um radar espacial, projetado para investigar abaixo da superfície das luas geladas de Júpiter, começou a ser testado na Terra. A sonda espacial Juice - Explorador das Luas Geladas de Júpiter (Jupiter Icy Moons Explorer) - da Agência Espacial Europeia, tem lançamento programado para 2022, chegando lá sete anos depois.

A sonda estudará a atmosfera turbulenta de Júpiter e seus vastos campos magnéticos, mas o grande interesse está voltado para as luas de tamanho planetário Ganimedes, Europa e Calisto. Acredita-se que todas as três tenham oceanos de água líquida sob suas crostas geladas. A missão deverá coletar pistas-chave sobre o potencial desses oceanos para abrigar ambientes habitáveis.

Radar espacial

Uma maneira de determinar a natureza da subsuperfície das luas é rastrear através do gelo com o radar. Esta será a tarefa do instrumento que agora está sendo testado, chamado "Radar para Exploração das Luas Geladas", que será o primeiro capaz de realizar medições diretas do subsolo de outros mundos.

O radar conta com um mastro de 16 metros de comprimento, que será desdobrado após o lançamento. Quando chegar às luas de Júpiter, ele emitirá ondas de rádio para a superfície e analisará o tempo e a intensidade das suas reflexões, tirando conclusões sobre características enterradas a até 9 km de profundidade. Já os detalhes verticais aparecerão nas imagens se tiverem pelo menos 50 metros.

O instrumento também ajudará a caracterizar a ampla gama de variações de composição química, térmica e estrutural do gelo de superfície e das águas dos oceanos de subsuperfície.

Um objetivo em cada lua

A expectativa é que o radar ajude a confirmar a existência e apontar a real profundidade dos hipotéticos oceanos abaixo das crostas geladas das luas. A sonda Juice voará pelas luas de Júpiter a distâncias entre 200 e 1.000 km, devendo orbitar Ganimedes por pelo menos nove meses. Ela também explorará regiões potencialmente ativas da lua Europa e poderá distinguir onde a composição muda, como a presença de reservatórios locais de águas superficiais - criovulcanismo - entre as camadas geladas.

Em Ganimedes, o equipamento deverá ser capaz de encontrar camadas subterrâneas "defletidas", o que ajudará a determinar sua história tectônica. A distinção entre o gelo e os materiais não-gelo também será possível, eventualmente permitindo a detecção de reservatórios criovulcânicos enterrados.

Em Calisto, o perfil de radar ajudará a compreender a evolução da estrutura de grandes crateras de impacto que aparecem na superfície, que tipicamente exibem vários aros e uma cúpula central. Isso fornecerá pistas sobre a natureza da superfície e do subterrâneo no momento do impacto.

"Ver o subsolo destas luas com o radar será como olhar para trás no tempo, ajudando-nos a determinar a evolução geológica desses mundos enigmáticos," disse Olivier Witasse, membro do projeto. "O radar é um dos 10 instrumentos na nossa nave espacial que, em conjunto, será o mais poderoso sensor remoto, geofísico e de carga útil complementar in situ que já foi enviado para o Sistema Solar externo."

Voo de teste

Para avaliar as características principais da antena e verificar as simulações computacionais, a ESA realizou um teste usando um helicóptero. A antena foi montada em uma maquete simplificada da sonda espacial e pendurada 150 m abaixo do helicóptero, que fez voos entre 50 e 320 m acima do solo.

Os testes foram realizados com a antena e a matriz solar em orientações horizontais e verticais em relação à sonda espacial para analisar a interação entre os componentes da sonda e a antena e para testar as características dos sinais retornados.  
"Todos os testes foram concluídos e forneceram uma grande quantidade de dados que serão analisados nas próximas semanas para orientar os próximos passos do desenvolvimento do instrumento e para melhorar a modelagem das nossas simulações de programas informáticos desenvolvidas no laboratório," disse Lorenzo Bruzzone, da Universidade de Trento, na Itália.
Fonte: Inovação Tecnológica
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