23 de agosto de 2019

Estamos mais perto de resolver o mistério do metano em Marte


Os cientistas deram um importante passo em frente na descoberta da misteriosa fonte de metano em Marte, refinando as estimativas do gás na atmosfera do planeta.  O metano que "sopra" de uma enorme cratera em Marte pode ser um sinal de vida ou outra atividade não biológica sob a superfície do planeta. 

A cratera Gale, que mede 154 km em diâmetro e tem aproximadamente 3,8 mil milhões de anos, é considerada por alguns como um antigo leito de um lago. 

A equipe conseguiu melhorar a estimativa do metano usando dados de um satélite, o ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter), e do rover Curiosity, que recolhe amostras de rochas, solo e ar para análise a bordo. 

O Dr. John Moores, investigador da Universidade Nacional Australiana (ANU, "Australian National University") mas atualmente na Universidade de York, Canadá, que liderou o novo estudo, disse que os cientistas especularam por mais de uma década qual seria a fonte do metano em Marte. 

"Este novo estudo redefine a nossa compreensão de como a concentração de metano na atmosfera de Marte muda com o tempo, e isso ajuda-nos a resolver o maior mistério sobre a fonte," disse o Dr. Moores.

Penny King, coinvestigadora da ANU, disse que há várias explicações igualmente plausíveis para o metano detetado em Marte.

"Alguns micróbios da Terra podem sobreviver sem oxigénio, bem fundo no subsolo, e libertar metano como parte dos seus resíduos," disse a professora King da Escola de Ciências da Terra da ANU.

"O metano em Marte tem outras fontes possíveis, como reações entre rochas e água ou materiais em decomposição contendo metano."

No ano passado, os cientistas aprenderam que as concentrações de metano mudaram ao longo das estações com um ciclo anual repetível.

"Este trabalho mais recente sugere que a concentração de metano muda ao longo de cada dia," disse o Dr. Moores.

"Nós conseguimos - pela primeira vez - calcular um único número para a taxa de infiltração de metano na cratera Gale em Marte, o que equivale a uma média de 2,8 kg por dia marciano."

O Dr. Moores disse que a equipa foi capaz de conciliar os dados do ExoMars TGO e do rover Curiosity, que parecem contradizer-se um ao outro com deteções de metano muito diferentes.

"Nós fomos capazes de resolver estas diferenças mostrando como as concentrações de metano eram muito baixas na atmosfera durante o dia e significativamente mais altas perto da superfície do planeta à noite, à medida que a transferência de calor diminui," acrescentou.

O estudo, apoiado pela missão MSL (Mars Science Laboratory) da NASA e pela Agência Espacial Canadiana, foi publicado na revista Geophysical Research Letters. A equipa envolveu instituições do Canadá, Austrália, Estados Unidos e França.
Fonte: Astronomia OnLine

Podem existir até 10 bilhões de planetas parecidos com a Terra na nossa galáxia


Um novo estudo publicado na revista The Astronomical Journal nesta semana conclui que um planeta parecido com a Terra orbita um a cada quatro estrelas parecidas com o sol. Isso quer dizer que poderia haver até 10 bilhões de planetas parecidos com a Terra apenas na Via Láctea.

Este trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), que usaram dados do telescópio Kepler da NASA.  Esta estimativa é um dado importante para a procura por vida alienígena, já que planetas com potencial de vida são aqueles parecidos com o nosso. Ou seja, estamos procurando por planetas mornos e que contêm água líquida.

Este estudo pode ajudar a guiar missões futuras que estão à procura de planetas com sinais de vapor de água e oxigênio. Conseguimos muito mais retorno de nossos investimentos se soubermos quando e onde procurar”, explica um dos autores do estudo, Eric Ford, ao Business Insider.  A equipe de Ford definiu um planeta parecido com a Terra como aqueles que têm entre 75% e 150% o tamanho da Terra e que orbitam estrelas a cada 237 a 500 dias.

Isso tudo indicaria que um planeta estaria na zona habitável de uma estrela, aquela que poderia conter água líquida em sua superfície.

A ajuda de Kepler

O telescópio Kepler foi lançado em 2009 para localizar planetas fora do nosso sistema solar. Ele usa o método de trânsito para identificar esses planetas. Este método funciona da seguinte forma: o telescópio captura a luz de 530 mil estrelas, e procura identificar pequenas diminuições na iluminação desses planetas. Essa diminuição indica que pode ter um planeta passando na frente dessa estrela.

O Kepler encontrou de 2009 até 2018 mais de 2.600 exoplanetas, e isto revelou que existem mais planetas do que estrelas na Via Láctea. Isto também deu aos pesquisadores uma nova noção sobre a diversidade dos tipos de planetas. Ele foi aposentado no ano passado por falta de combustível, e este trabalho passou a ser realizado pelo Transitioning Exoplanet Survey Satellite (TESS), lançado em 2018.

Os resultados de Kepler mostraram que entre 20 a 50% das estrelas visíveis da Terra têm planetas parecidos com o nosso nas zonas habitáveis dessas estrelas. Os pesquisadores utilizaram o catálogo de planetas fornecido por Kepler em conjunto com uma pesquisa das estrelas da Via Láctea feira pela nave Gaia da Agência Europeia Espacial para criar simulações computacionais de universos hipotéticos .

Então os pesquisadores observaram essas simulações da mesma forma que Klepler teria feito. Com isso, conseguiram estimar entre 5 a 10 bilhões de planetas parecidos com a Terra.

O próximo passo agora é estudar esses planetas para descobrir do que eles são compostos. “Cientistas estão particularmente interessados em procurar por biomarcadores, moléculas que são indicadores de vida, na atmosfera de planetas que têm mais ou menos o tamanho da Terra”, explica Ford.  Os cientistas podem saber mais sobre a atmosfera de um planeta ao analisar como a luz de uma estrela passa próximo à superfície desse planetas.
Fonte: Hypescience.com
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