19 de julho de 2018

Observatórios revelam raro asteroide duplo

Impressão de artista do aspeto do binário 2017 YE5. Os dois objetos mostram diferenças marcantes em termos de refletividade de radar, o que poderá indicar que têm diferentes propriedades de superfície.Crédito: NASA/JPL-Caltech

Novas observações feitas por três dos maiores radiotelescópios do mundo revelaram que um asteroide descoberto no ano passado é na realidade dois objetos, cada com cerca de 900 metros de diâmetro, orbitando-se um ao outro. O asteroide próximo da Terra 2017 YE5 foi descoberto com observações fornecidas pelo projeto MOSS (Morocco Oukaimeden Sky Survey) no dia 21 de dezembro de 2017, mas não eram conhecidos detalhes acerca das propriedades físicas do objeto até ao final de junho.

Este é apenas o quarto asteroide binário de "massa igual" próximo da Terra já detetado, constituído por dois objetos quase idênticos em tamanho, em órbita um do outro. As novas observações fornecem as imagens mais nítidas já obtidas deste tipo de asteroide binário. No dia 21 de junho, o asteroide 2017 YE5 fez a sua maior aproximação à Terra pelo menos dos próximos 170 anos, chegando a 6 milhões do nosso planeta, ou cerca de 16 vezes a distância à Lua. Nos dias 21 e 22 de junho, as observações pelo GSSR (Goldstone Solar System Radar) da NASA no estado norte-americano da Califórnia mostraram os primeiros sinais de que YE5 podia ser um sistema binário. 

As observações revelaram dois lóbulos distintos, mas a orientação do asteroide era tal que os cientistas não podiam ver se os dois corpos estavam separados ou unidos. Eventualmente, os dois objetos giraram para expor uma lacuna distinta entre eles. Os cientistas do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, já haviam planeado observar YE5, e foram alertados pelos seus colegas em Goldstone acerca das propriedades únicas do asteroide. No dia 24 de junho, os cientistas uniram-se com investigadores do GBO (Green Bank Observatory) no estado norte-americano de West Virginia e usaram os dois observatórios juntos numa configuração de radar bi-estática (na qual o Arecibo transmite o sinal de radar e o Green Bank recebe o sinal de retorno). Juntos, puderam confirmar que 2017 YE5 era composto por dois objetos separados. 

No dia 26 de junho, Goldstone e Arecibo confirmaram independentemente a natureza binária do asteroide. As novas observações obtidas entre os dias 21 e 26 de junho indicam que os dois objetos giram em torno um do outro uma vez a cada 20 a 24 horas. Isto foi confirmado com observações óticas das variações de brilho feitas por Brian Warner no CS3 (Center for Solar System Studies) em Rancho Cucamonga, Califórnia.

Imagens de radar mostram que os dois objetos são maiores do que o seu brilho ótico combinado originalmente sugeria, indicando que as duas rochas não refletem tanta luz solar quanto um típico asteroide rochoso. 2017 YE5 é provavelmente tão escuro quanto carvão. As imagens de Goldstone obtidas no dia 21 de junho também mostram uma diferença marcante na refletividade dos dois objetos, um fenómeno anteriormente inédito entre os mais de 50 outros asteroides binários estudados com radar desde 2000 (no entanto, a maioria desses asteroides binários consiste de um objeto maior e de um satélite muito menor). 

As diferenças de refletividade também aparecem nas imagens de Arecibo e sugerem que os dois objetos podem ter densidades e composições diferentes perto das suas superfícies ou diferentes rugosidades à superfície. Os cientistas estimam que dos asteroides próximos da Terra com mais de 200 metros, cerca de 15% são binários com um objeto maior e um satélite muito mais pequeno. Os binários de massa igual como 2017 YE5 são muito mais raros. Os binários de contacto, nos quais dois objetos de tamanho similar estão em contacto, são responsáveis por outros 15% dos asteroides próximos da Terra maiores que 200 metros. 

A descoberta da natureza binária de 2017 YE5 fornece aos cientistas uma importante oportunidade para melhorar a compreensão de diferentes tipos de binários e para estudar os mecanismos de formação entre binários e binários de contacto, que podem estar relacionados. A análise da combinação entre as observações de radar e as observações no visível podem permitir com que os cientistas estimem as densidades dos objetos de 2017 YE5, o que irá melhorar a compreensão da sua composição e estrutura interna, e de como se formaram.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Exoplaneta Ross 128b pode ser habitável, mas não é gêmeo da Terra


Vários sistemas planetários em torno de anãs vermelhas têm sido notícia recentemente, incluindo Proxima b, um planeta que orbita a estrela mais próxima de nosso próprio Sol, a Próxima Centauro, e os sete planetas da estrela TRAPPIST-1, um sistema que não é muito maior do que Júpiter.[Imagem: ESO/M. Kornmesser]

Irmão, gêmeo não

O exoplaneta Ross 128b pode realmente ter características viáveis para abrigar vida, mas também possui marcadas diferenças em relação à Terra. Esta é a conclusão de uma equipe internacional coordenada por astrônomos do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, que analisou as características físico-químicas desse exoplaneta que está vindo em nossa direção e que é o mais próximo de nós em torno de uma estrela anã vermelha.  O sistema extrassolar Ross 128 ficou famoso por apresentar estranhos sinais variáveis que chegaram a ser apontados como sinais de vida extraterrestre.

Exoplaneta potencialmente habitável

Diogo Souto e seus colegas realizaram um estudo detalhado das propriedades da estrela visando compreender melhor o exoplaneta Ross 128b, descoberto em 2017.  O planeta tem massa equivalente à da Terra, está localizado na zona habitável da sua estrela e tem uma temperatura média na superfície da ordem de 21ºC. Outro fator de interesse é que ele está muito próximo da Terra, a 10 anos-luz, algo por volta de 95 trilhões de quilômetros.

"Desenvolvemos um estudo detalhado das propriedades físico-químicas da estrela Ross 128 com o intuito de inferir propriedades sobre o exoplaneta Ross 128b e, assim, conhecê-lo melhor. Para tal, usamos modelos de formação planetária e verificamos que o exoplaneta deve ser composto por minerais similares aos da Terra, no entanto, com um núcleo um pouco maior," explicou Diogo Souto.

A radiação que Ross 128b recebe de sua estrela é similar à que a Terra recebe do Sol porque a Ross 128 é uma anã vermelha, um tipo de estrela mais fria do que o Sol; a estrela Ross 128 tem temperatura de 2958 ºC, quase a metade do nosso Sol (5.499ºC); Ross 128b está a uma distância de 6 milhões de quilômetros de sua estrela, enquanto a Terra está a 150 milhões de quilômetros do Sol, aproximadamente.

"Um dos diferenciais entre as estrelas é a abundância dos seus elementos químicos. A composição química da estrela Ross 128 é, de certa forma, parecida com a do Sol. Neste estudo, conseguimos estudar a assinatura de oito elementos: carbono, oxigênio, magnésio, alumínio, potássio, cálcio, titânio e ferro. As proporções entre alguns destes elementos como Fe/Mg, Ca/Mg e Al/Mg são parecidas com o que observamos no Sol e na Terra, e, segundo nossa análise, também são similares ao exoplaneta Ross 128b. Com isso, temos indícios de que a formação e a composição de Ross 128b sejam parecidas com a da Terra," detalhou Diogo.

Os dados indicam que Ross 128b tem uma massa mínima 30% superior à massa terrestre, enquanto o seu raio é 10% maior que o da Terra. A razão entre a massa e o raio deste exoplaneta o coloca no grupo de planetas rochosos, assim como a Terra.

Só parecido

Mas há outras diferenças entre os dois planetas, indicando que o Ross 128b não é exatamente um gêmeo da Terra, como se apontara inicialmente: "Verificamos também que não há indicativo de um forte campo magnético em Ross 128, o que poderia reduzir as suas chances de habitabilidade," explicou Diogo.

"Embora o Ross 128 b não seja um gêmeo da Terra, e ainda há muito que não sabemos sobre seu potencial de atividade geológica, fomos capazes de reforçar o argumento de que é um planeta temperado que poderia ter água líquida em sua superfície," finalizou o pesquisador.
Fonte: Inovação Tecnológica

O modelo cosmológico padrão acaba de ser confirmado


O satélite Planck, da Agência Espacial Europeia ( ESA ), passou quatro anos, entre 12 de agosto de 2009 e 23 de outubro de 2013, estudando o Universo primordial e sua evolução. O satélite Planck mapeia a radiação no comprimento de onda das microondas. Antes disso, o Universo era completamente escuro e opaco. A radiação cósmica de fundo em micro - ondas ( CMB, na sigla em inglês ), como é chamada, foi originalmente causada por fótons que se estenderam até o comprimento de onda de microondas à medida que o Universo se expandia. 

Ao estudar as diferenças e mudanças no CMB em diferentes regiões do céu, os astrônomos podem calcular várias características do Universo à medida que ele evoluiu ao longo do tempo. Os cientistas do Planck acharam que a qualidade de alguns dos dados de polarização naquela versão de 2015, relativa à orientação das ondas de luz, estava faltando, e talvez não fosse boa o suficiente para ser usada na cosmologia. 

Nos anos seguintes, os cientistas do projeto Planck reprocessaram os dados, comparando - os com observações feitas por outros instrumentos, análises e experimentos, o que os levou a estes dados atuais, que tiveram resultados bastante satisfatórios. “ Este é o legado mais importante do Planck ”, diz Jan Tauber, Cientista do Projeto Planck da ESA. 

“ Até agora, o modelo padrão da cosmologia sobreviveu a todos os testes e o Planck fez as medições que mostram isso ”, diz ele em um comunicado à imprensa da ESA. 

“ Agora estamos realmente confiantes de que podemos recuperar um modelo cosmológico baseado apenas na temperatura, apenas na polarização, e baseado na temperatura e na polarização. A Constante de Hubble Na verdade, como o modelo agora é mais preciso, ele apresenta um enigma interessante : a Constante de Hubble. 

“ Por enquanto, não devemos ficar muito empolgados em encontrar uma nova física : pode ser que a discrepância relativamente pequena possa ser explicada por uma combinação de pequenos erros e efeitos locais ”, aponta o cientista do projeto Planck Jan Tauber, da ESA, na matéria do Science Alert. O problema é que, de acordo com os dados do Planck, a Constante de Hubble tem 67,4 quilômetros por segundo por megaparsec – com menos de 1% de incerteza.
Fonte: https://www.sciencealert.com

Colisão há bilhões de anos pode explicar bizarrices de Urano

Urano intriga os cientistas há muito tempo. O distante planeta sempre foi diferente de seus companheiros de Sistema Solar. Agora, um novo estudo pode explicar todas as excentricidades do gigante gelado. Segundo o artigo, Urano é tão estranho por causa de uma enorme colisão de bilhões de anos atrás com um objeto enorme, com aproximadamente duas vezes o tamanho da Terra. Essa colisão pode ter levado à extrema inclinação do planeta e a outros atributos bizarros observados hoje em dia.

“Todos os planetas do sistema solar estão girando mais ou menos da mesma forma, mas Urano está completamente de lado”, explica Jacob Kegerreis, principal autor do estudo e pesquisador do Instituto de Cosmologia Computacional da Universidade de Durham, no Reino Unido, em entrevista ao portal Space. Além dessa inclinação inexplicável, Urano também tem um campo magnético “muito, muito estranho” e é extremamente frio, embora devesse ser mais quente, segundo Kegerreis.

Em seu estudo, Kegerreis e sua equipe de astrônomos procuram explicar muitas das características estranhas do planeta, atribuindo-as a uma colisão com um objeto maciço e gelado há cerca de 4 bilhões de anos.

Segundo um comunicado à imprensa da Universidade de Durham, a equipe realizou simulações de alta resolução pela primeira vez de diferentes colisões maciças com o gigante do gelo para tentar descobrir como o planeta evoluiu. A pesquisa confirma um estudo anterior que já afirmava que a posição inclinada de Urano era causada por uma colisão com um objeto massivo – provavelmente um jovem proto-planeta feito de rocha e gelo – durante a formação do sistema solar, há cerca de 4 bilhões de anos.

A colisão não explica apenas a inclinação de Urano. As simulações também sugeriram que detritos do impacto podem ter formado uma fina camada perto da borda da camada de gelo do planeta, prendendo o calor que emana do núcleo de Urano. O aprisionamento desse calor interno poderia em parte ajudar a explicar a temperatura extremamente fria de Urano na atmosfera externa do planeta, cerca de -216 graus Celsius.

Esta colisão é “praticamente o único caminho” que pode explicar a inclinação do planeta, afirma Kegerreis. “Rodamos mais de 50 cenários de impacto diferentes usando um super computador de alta potência para ver se poderíamos recriar as condições que moldaram a evolução do planeta. Nossas descobertas confirmam que o resultado mais provável foi que o jovem Urano esteve envolvido em uma colisão cataclísmica com um objeto duas vezes maior que a massa da Terra, se não maior, colocando-o de lado e definindo os eventos que ajudaram a criar o planeta que vemos hoje”, explica.

De raspão

Urano reteve sua atmosfera após este impacto, o que é curioso. Os pesquisadores acreditam que isso aconteceu porque o objeto apenas roçou o planeta, atingindo-o com força suficiente para mudar sua inclinação, mas não o suficiente para afetar sua atmosfera.

É provável que esse tipo de evento não seja incomum no universo: “Todas as evidências apontam para impactos gigantescos sendo frequentes durante a formação de planetas, e com esse tipo de pesquisa, estamos agora obtendo mais informações sobre seus efeitos em exoplanetas potencialmente habitáveis”, afirma Luis Teodoro, coautor do estudo e pesquisador do Centro de Pesquisa Ames da BAER / NASA.

De acordo com Kegerreis, essa colisão também poderia explicar duas outras esquisitices sobre o planeta inclinado. Primeiro, poderia explicar como e por que algumas das luas de Urano se formaram. Os pesquisadores acreditam que o impacto poderia ter derrubado rochas e gelo na órbita do jovem planeta – detritos que depois se tornaram parte das 27 luas de Urano. Além disso, eles acham que a colisão poderia ter alterado a rotação de quaisquer luas que já existissem na época. 

No ano passado, um outro estudo também explorou esse aspecto da colisão. Os pesquisadores também sugerem que a colisão poderia ter criado gelo derretido e pedaços de rocha dentro do planeta, que inclinaram seu campo magnético. Os pesquisadores agora querem fazer simulações com resolução ainda maior para entender melhor a evolução de Urano. A equipe também pretende estudar a química de Urano e as diferentes maneiras que um impacto como este poderia ter afetado sua atmosfera.

Urano é semelhante ao tipo mais comum de exoplanetas encontrados fora do nosso sistema solar, e os pesquisadores esperam que suas descobertas ajudem a explicar como esses planetas evoluíram e a entender melhor sua composição química. 
Fontes: hypescience.com 
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