24 de agosto de 2018

Há 12 anos, Plutão deixou de ser considerado um planeta no Sistema Solar

Em 24 de agosto de 2006, uma decisão histórica fez com que os livros didáticos precisassem ser reescritos. É que, naquela data, a União Astronômica Internacional (IAU) batia o martelo quanto à definição de Plutão: o que até então era o nono planeta do Sistema Solar foi rebaixado de categoria e passou a ser considerado um planeta-anão.

A decisão não aconteceu assim, do dia para a noite. Foram anos de intenso debate, com argumentos válidos dos dois lados do "ringue", e o rebaixamento de Plutão rende polêmica até hoje. Uns acreditam que a redefinição do planeta para a categoria de planeta-anão foi uma vitória do raciocínio científico, enquanto outros defendem que o pequeno mundo nos confins do Sistema Solar é especial demais para não ser oficializado como um planeta.

A votação envolveu 424 astrônomos, com Mike Brown, pesquisador da Caltech, anunciando oficialmente: "Plutão não é um planeta. Há, oficialmente, oito planetas no Sistema Solar". Já Alan Stern, líder da missão New Horizons, da NASA, declarou na ocasião: "Estou com vergonha da astronomia. Menos de 5% dos astrônomos do mundo votaram. Essa definição 'fede', por razões técnicas".

O que é preciso para ser considerado um planeta

De acordo com a IAU, há três categorias principais de objetos no Sistema Solar:

Planetas: os oito grandes mundos desde Mercúrio até Netuno
Planetas-anões: qualquer objeto circular que não seja um satélite, e não tenha "limpado" a vizinhança em torno de sua órbita
Pequenos corpos: todos os outros objetos que orbitam o Sol
E segundo a nova definição, planeta é o objeto que: 
É esférico
Orbita o Sol, mas não é satélite de outro planeta
Não compartilha sua órbita com nenhum outro objeto significativo

Sendo assim, Plutão acabou sendo rebaixado à categoria de planeta-anão porque, ao seu redor, há um "mar" de outros objetos, já que sua gravidade não é intensa o suficiente para atraí-los e, assim, limpar sua órbita. E como Plutão, "haverá centenas de planetas-anões", disse Brown na época — e, de fato, vários mundos foram categorizados como planeta-anão após a redefinição da IAU.

Doze anos depois, a revolta continua

Para Alan Stern, a resolução de 2006 é falha. Na época, ele declarou que "é evidente que a zona da Terra não está limpa", uma vez que nosso planeta (bem como outros do Sistema Solar) abriga objetos em torno de sua órbita, como asteroides, por exemplo. Sendo assim, os critérios usados para rebaixar Plutão à condição de planeta-anão seriam vagos e errôneos. E a discussão tomou novo fôlego com a missão New Horizons, liderada justamente por Stern.

Lançada em 2006, a sonda chegou à órbita de Plutão em 2015 e, durante meses, estudou o planeta-anão e suas luas, proporcionando descobertas sem precedentes. "Quando vemos um planeta como Plutão, com estruturas familiares — montanhas de gelo e céu azul com nuvens — nós naturalmente nos vemos usando a palavra 'planeta' para descrevê-lo", disse Stern. "Há um poder psicológico na palavra 'planeta' que ajuda as pessoas a entenderem que aquele é um lugar importante do espaço", opina.

Com as descobertas e revelações proporcionadas pela New Horizons em mãos, Stern e seus colegas de missão encabeçam a proposta de se fazer uma nova redefinição de planeta do Sistema Solar — mas o problema é que, de acordo com suas sugestões, se Plutão voltasse a ser um planeta, outros 100 objetos do nosso quintal espacial também seriam.

Esses objetos estão, principalmente, localizados no Cinturão de Kuiper, perto de Plutão. Essa região abriga objetos como Eris, Makemake e Haumea, que, caso a proposta de Stern seja aceita, se tornariam planetas oficiais. A proposta é definir como planeta "um corpo de massa subestelar que nunca foi submetido à fusão nuclear, e que possui autogravitação suficiente para assumir uma forma esferoidal, independentemente de seus parâmetros orbitais".

Para deixar a coisa ainda mais confusa, além de diversos planetas-anões serem elevados à categoria de planetas, segundo essa sugestão de definição, outros objetos, como satélites naturais, também seriam encarados como planetas. Ou seja: a nossa Lua, e todas as outras luas redondas do Sistema Solar, se tornariam planetas — o que complicaria (e muito) o estudo da astronomia nas escolas.

Mas Stern e seus colegas, na verdade, não querem que a IAU adote sua sugestão de redefinição no sentido literal. A proposta, aqui, é promover um novo debate a ponto de inspirar a comunidade científica e educadores de ciências a pressionarem a IAU para rever a redefinição de 2006. De qualquer maneira, é seguro concluir que o debate continua, e ainda há muito chão pela frente até o dia em que Plutão tenha sua definição reavaliada (se é que isso vai acontecer). 

Para que Plutão volte a ser um planeta oficial, a IAU precisa, sim, rever suas definições, mas abraçando de maneira mais abrangente a comunidade astronômica internacional e colocando à mesa ideias mais precisas do que as apresentadas até o momento.
Fonte: MSN
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