12 de dezembro de 2017

O físico brasileiro que não acredita em Big Bang

 Juliano Neves, doutor pela USP, questiona a famosa teoria — e propõe um universo diferente, que pode até ser cíclico.
Juliano Neves é um ateu da física: ele não acredita em Big Bang. O pós-doutorando na Universidade de Campinas causou um rebuliço na mídia na última semana ao afirmar que a expansão inicial do cosmos, a partir de uma singularidade de densidade infinita, é só uma visão entre várias possíveis.

Outras dessas visões — é bom lembrar, todas teóricas — pressupõem a existência de um universo cíclico, de um imenso balão em constante contração e expansão. Uma das consequências da adoção desse modelo seria a existência de um cosmos anterior ao nosso (e de um posterior também). O que deixou este repórter pensativo à noite, e te deixará também.

Para peitar o onipresente Big Bang, Neves usou uma analogia matemática com a outra coisa da astrofísica que, segundo a maior parte dos especialistas, tem densidade infinita: os buracos negros. O brasileiro parte de premissas diferentes das criadas por Stephen Hawking e Roger Penrose para compreender o espaço e o tempo — que sem dúvida são coerentes em si mesmos, mas não são os únicos desdobramentos possíveis da Relatividade Geral de Einstein. Para entender melhor essa ousadia e alegria, a SUPER bateu um papo de 13,8 bilhões de anos com Neves.

As várias histórias do Universo

O que torna a ciência um jeito tão eficiente de compreender o mundo é o fato de que ela não aceita respostas definitivas. Tudo só está provado até que se prove o contrário. É claro que precisamos pesar as evidências: se todos os experimentos feitos nos últimos 2 mil anos (que envolvem até, olha só, subir num foguete e ir para o espaço) pendem a favor de uma teoria — no caso, a de que a Terra é redonda —, então todo mundo dá o braço a torcer: pois é, a Terra é redonda mesmo.

Quando estamos lidando com a história de 13,8 bilhões de anos atrás — vulgo início do universo —, aí a coisa muda um pouco de figura. É quase impossível acumular evidências suficientes para cravar uma ou outra versão do parto do cosmos como 100% correta. Desde a publicação da Relatividade Geral, em 1915, as fórmulas de Einstein indicaram caminhos, interpretações plausíveis para o fenômeno.

Dentre elas, a mais popular e mainstream delas é a teoria do Big Bang. Uma singularidade — um estado inicial de energia impensavelmente grande e dimensões impensavelmente pequenas — se expande bruscamente e dá origem a tudo que conhecemos. Ela não é difundida só porque teve bons defensores na arena pública (como Stephen Hawking e Roger Penrose), mas porque sua matemática funciona especialmente bem. As contas dão certo quando existe uma expansão primordial nas fórmulas.

“Com o passar dos anos, a cosmologia padrão se estabelece com um universo em expansão e com a singularidade inicial”, conta Neves. Acontece que o modelo padrão tem problemas internos, como todo modelo físico tem, então muitos pesquisadores começam a pensar em alternativas.

Na teoria, a prática é outra

Os buracos negros que estão lá no céu — os que têm existência física e que trombam volta e meia, gerando ondas gravitacionais — são muito diferentes dos buracos negros matemáticos. Fórmulas são interpretações sintéticas de fenômenos reais, usadas para descrevê-los.

A matemática que apoia o Big Bang é a mesma matemática que apoia a descrição mais popular dos buracos negros: pontos de densidade infinita cercados por um horizonte de eventos. Um perímetro de não-retorno, além do qual nada é capaz de escapar da atração gravitacional — nem a própria luz.

Neves parte de um ponto de vista matemático diferente, que compartilha algumas conclusões amplamente aceitas, mas difere em um aspecto essencial. “O modelo que eu propus é a favor da expansão, da radiação cósmica de fundo e outras coisas muito bem estabelecidas [que também são essenciais para a cosmologia padrão]”, explica o brasileiro. “Mas eu não acredito na existência de singularidades. Não acho que houve um Big Bang, e eu também acho que, cruzando o horizonte de eventos, não há uma singularidade no interior dos buracos negros.”

Os buracos negros de Neves têm uma massa variável, que aumenta conforme você se aproxima do centro. São chamados regulares, em vez de singulares. Deles é possível pressupor um universo ricochete: em que não houve um Big Bang, e em que a fase atual de expansão foi precedida por uma de contração.

Evidências de outro mundo

Ele não é o primeiro. Ainda na década de 1970, um cientista brasileiro chamado Mário Novello (segue uma ótima história - http://revistaepoca.globo.com/Vida-util/noticia/2013/04/mario-novello-um-engano-benefico.html ) já levava muito a sério o questionamento do Big Bang, ainda que partindo de princípios diferentes dos de Neves. Ele chegou a publicar um livro sobre o assunto.

Neves acredita que, se a expansão atual do nosso universo de fato foi precedida pela contração de um universo anterior, talvez restem por aí ondas gravitacionais que tenham sido criadas no universo que veio antes do nosso — e que poderiam ser detectadas por nós.

Sua posição ainda não é tão popular entre astrofísicos, mas descobertas recentes, como a energia escura, deixam a cosmologia padrão em uma posição mais frágil do que a que ela ocupou nos últimos 50 anos. Visões que se opõem ao Big Bang tendem a se tornar cada vez mais comuns. E, mesmo que porventura não se provem corretas, terão a virtude de todas as hipóteses: alimentar a discussão mais importante da humanidade. Como, afinal, nós viemos parar aqui?
Fonte: https://super.abril.com.br

ESO 580-49 uma galáxia com tendências explosivas

Não se deixe enganar!!! O objeto retratado nessa foto do Hubble é a galáxia conhecida como ESO 580-49, parece tranquila e modesta, mas essa galáxia espiral na verdade possui tendências explosivas. Em Outubro de 2011, uma explosão cataclísmica, de radiação de raios gamma de alta energia, conhecida como explosão de raios-gamma, ou no inglês, GRB, foi detectada vinda da região do céu onde fica a ESO 580-49. 
Os astrônomos acreditam que a galáxia foi o local que abrigou a GRB, já que a chance de um alinhamento coincidente entre uma galáxia e uma GRB é de 1 em 10 milhões. A explosão aconteceu a cerca de 185 milhões de anos-luz de distância da Terra, o que faz dela ser a segunda explosão de raios-gamma mais próxima da Terra, já detectada. 
As explosões de raios-gamma estão entre os eventos mais brilhantes do cosmos, ocasionalmente superando o brilho combinado de raios-gamma de todo o universo por poucos segundos. A causa exata de uma GRB que provavelmente aconteceu dentro dessa galáxia, catalogada como GRB 111005A, ainda é um mistério. 
Alguns eventos conhecidos podem sim gerar GRBs, mas nenhuma dessas explicações parecem resolver a questão dessa explosão. Os astrônomos sugeriram que a ESO 580-49 abrigou um novo tipo de explosão GRB, um tipo que ainda não foi caracterizado.

Centro da nossa galáxia é mortal para seres vivos?

Quando buracos negros absorvem a matéria, emitem uma radiação tão forte que é capaz de "esterilizar" todos os planetas ao seu redor. Esta teoria também se aplica ao buraco negro gigante que domina o centro da Via Láctea.
É melhor não se aproximar de grandes buracos negros. E não só pelas razões já conhecidas — sua incrível força de gravidade capaz de "devorar" sistemas solares inteiros — mas também porque, enquanto estão em processo de "absorção" da matéria, emitem radiação ionizante intensa que é capaz de matar qualquer forma de vida que se encontra à distância de milhões de quilômetros ao seu redor. Pelo menos, tal conclusão é sugerida pelo artigo publicado na revista Scientific Reports.

De acordo com o artigo, Sagitário A* é um dos buracos negros supergigantes que faz parte da maior estrutura no centro da nossa galáxia. Seu tamanho é equivalente a quatro milhões de estrelas similares ao nosso Sol, e sua radiação é tão intensa que poderia causar morte de todos os seres vivos à distância de 10.000 anos-luz ao seu redor. Assim, tudo que se encontra no raio do seu alcance não é capaz de escapar à radiação.

No entanto, há 8.000 milhões de anos quando o buraco negro provavelmente estava no período do seu maior crescimento, a Terra e o Sistema Solar ainda não eram formados.

Os autores do estudo, astrofísicos Amedeo Balbi e Francesco Tombesi, da Universidade de Tor Vergata (Roma, Itália), indicam que não são os buracos negros que na verdade emitem radiação. É a própria matéria ao seu redor que antes de ser devorada, acelera-se a velocidades extremas e se aquece, emitindo no espaço ventos de raios X e luz ultravioleta tão intensos que poderiam literalmente "arrancar" a atmosfera do nosso planeta se vivêssemos apenas 1.000 anos-luz de distância de Sagitário A*.

Felizmente, nosso Sistema Solar é afastado do buraco negro cerca de 24.000 anos-luz, ou seja, localiza-se em "subúrbios" da nossa galáxia. Esse fato nos permite escapar da radiação de Sagitário A*.

Ao formular a hipótese sobre a presença de vida no universo, os cientistas sempre levaram em conta a radiação emitida por fontes poderosas tais como explosões de supernova ou focos de raios de gama. Mas o efeito 'esterilizante' provocado por buracos negros nunca foi levado em consideração.

"Esta consideração deve nos impulsionar a atualizar o conceito de zona habitável da galáxia. Nem todas as áreas da galáxia têm, de fato, o mesmo potencial de abrigar vida", explica Balbi.  Por um lado, o centro da galáxia é considerado um lugar totalmente estéril. Mas por outro, quanto mais chegarmos à borda da galáxia, diminui-se a densidade dos elementos pesados, necessários para a vida. Assim, os astrônomos supõem que o melhor lugar da Via Láctea para viver é a zona intermediária, ou seja, exatamente onde se localiza nosso sistema solar.
Fonte: https://br.sputniknews.com

2 planetas semelhantes à Terra foram descobertos, mas em qual deles há vida?

Um dos planetas localiza-se na zona habitável da sua estrela, o que significa que pode conter água líquida na sua superfície. Um grupo internacional de astrônomos encontrou à distância de 111 anos-luz da Terra um exoplaneta, cujas caraterísticas não excluem a presença de vida, informa o portal Phys org.  Novos estudos, que utilizaram dados obtidos através do Observatório Europeu do Sul (ESO), demostraram alguns detalhes quanto a esse exoplaneta pouco conhecido. Revelou-se que o exoplaneta gira ao redor da anã vermelha K2-18 e poderia ser uma versão de maior tamanho da Terra. 
No total, os cientistas descobriram dois planetas que orbitam ao redor dessa estrela na constelação de Leo. Um deles foi descoberto em 2015 e recebeu o nome de K2-18b. No entanto, somente agora os astrônomos começaram a estudá-lo. Encontra-se na zona habitável da sua estrela (mãe), porém pode conter água líquida na sua superfície. 
O segundo planeta chama-se K2-18c. Por localizar-se muito perto da sua estrela, fica fora da área potencialmente habitável. No entanto, durante seus estudos, os cientistas conseguiram determinar que K2-18b é um planeta principalmente rochoso com uma pequena atmosfera de gás, como a Terra, mas maior. Além disso, é o planeta que possui água — tem uma camada grossa de gelo na superfície.  
"Utilizando os dados que temos, não podemos distinguir entre estas duas possibilidades, mas com o telescópio espacial James Webb (JWST), seremos capazes de explorar o planeta e determinar se tem uma atmosfera extensa ou se é um planeta coberto por água", explicou um dos pesquisadores do grupo científico, o astrônomo Ryan Cloutier.
Fonte: https://br.sputniknews.com

O ESO vai construir o ELT com o espelho primário completo

O Conselho do ESO, o órgão gestor desta organização, acaba de autorizar gastos adicionais que cobrem o custo dos cinco anéis internos de segmentos para o espelho principal (M1) do Extremely Large Telescope (ELT), assim como um conjunto sobressalente de 133 segmentos de espelho (um sexto do M1 total) e uma unidade de manutenção adicional de segmentos de espelho. A decisão foi tomada na mais recente reunião do Conselho, realizada em Garching, na Alemanha, após recomendação favorável do Comitê Financeiro do ESO e tornada possível graças a um panorama financeiro melhorado.

O ELT é um telescópio terrestre revolucionário, que terá um espelho primário de 39 metros de diâmetro composto por 798 segmentos hexagonais. Será o maior telescópio óptico do mundo, “o maior olho do mundo virado para o céu”. A primeira luz do ELT está prevista para 2024.

Até agora os cinco anéis internos de segmentos do espelho primário do ELT encontravam-se na Fase 2 do projeto, não tendo tido ainda financiamento. Esta segunda fase incluía também uma unidade para lavagem, limpeza e revestimento dos segmentos de espelho, necessária para manter o espelho no seu desempenho máximo, assim como um conjunto sobressalente de 133 segmentos. Estas etapas da Fase 2 do telescópio tiveram agora sinal verde para avançar. A construção do telescópio está a pleno vapor, com quase 90% dos contratos da Fase 1, em valor, já assinados.
Fonte: ESO
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