1 de março de 2018

Estudo sugere vida alienígena em lua de Saturno

Pode ser que a humanidade não precise mais olhar para além do nosso Sistema Solar na busca de vida alienígena, disseram nesta terça-feira (27) pesquisadores que examinaram uma das luas de Saturno. A esfera gelada Encélado pode apresentar condições ideais de vida para os microrganismos unicelulares conhecidos como arqueias, encontrados em alguns dos ambientes mais extremos da Terra, informaram os pesquisadores na revista científica Nature Communications.
Uma arqueia metanogênica (produtora de metano) chamada Methanothermococcus okinawensis prosperou em condições de laboratório imitando as que acredita-se existir no satélite de Saturno, disse a equipe. Na Terra, este tipo de arqueia é encontrado em temperaturas muito quentes perto de fontes hidrotermais de águas profundas, e converte dióxido de carbono e gás hidrogênio em metano.
Traços de metano foram previamente detectados em vapores emanando de rachaduras na superfície de Encélado. Concluímos que alguns dos CH4 (metano) detectados em Encélado poderiam, em princípio, ser produzidos por metanogênicos", escreveram os pesquisadores. Eles também calcularam que o hidrogênio suficiente para suportar esses micróbios poderia ser produzido por processos geoquímicos no núcleo rochoso de Encélado.
Os autores se propuseram a testar a hipótese de que as condições no satélite podem ser boas para a hospedagem de arqueias metanogênicas. Os dados, baseados puramente em estudos de laboratório, mostraram que "poderia ser" assim, disse Simon Rittmann, da Universidade de Viena, coautor do artigo científico. Mas os resultados não fornecem "nenhuma evidência de possível vida extraterrestre", destacou à AFP.
"Nosso estudo diz respeito apenas aos micro-organismos. Eu gostaria de evitar qualquer especulação sobre a vida inteligente", afirmou. Saturno é o sexto planeta a partir do Sol, separado da Terra apenas por Marte e Júpiter, e tem dezenas de luas. Pesquisas anteriores sugeriram que Encélado contém um oceano de água líquida - um ingrediente-chave para a vida - sob sua superfície gelada.
Também acredita-se que a lua contém compostos como o metano, dióxido de carbono e amônia, e que seu polo sul abriga atividade hidrotermal - uma combinação de traços que o torna um alvo-chave na busca de vida extraterrestre. Pesquisas adicionais são necessárias para excluir a possibilidade de o metano de Encélado ser proveniente de processos geoquímicos não biológicos, segundo os autores.
Fonte: YAHOO

Um retrato do futuro do Sol?

Células convectivas
Esta é a gigante vermelha Π1 Grou (pi 1 Grou), uma estrela muito antiga, com um diâmetro 350 vezes maior que o do Sol. O nosso Sol também irá aumentar de tamanho, tornando-se uma gigante vermelha semelhante a esta, daqui a cerca de 5 bilhões de anos.
Esta nova imagem revela as células convectivas que constituem a superfície desta enorme estrela. Cada célula cobre mais de um quarto do diâmetro da estrela e tem cerca de 120 milhões de km de comprimento. Para comparação, a fotosfera do Sol contém cerca de 2 milhões de células convectivas, com diâmetros típicos de apenas 2.000 km.
A enorme diferença nas células convectivas destas duas estrelas pode ser explicada em parte pelas suas gravidades de superfície. Π1 Grou tem apenas 1,5 vez a massa do Sol mas é muito maior, o que resulta numa gravidade de superfície muito menor e em apenas alguns grânulos extremamente grandes.
Esta é a primeira vez que se observaram diretamente padrões de granulação na superfície de uma estrela que não o Sol. As superfícies - chamadas fotosferas - de muitas estrelas gigantes ficam obscurecidas por poeira, o que dificulta as observações. No entanto, no caso da Π1 Grou, apesar de haver poeira longe da estrela, este efeito não é significativo e não atrapalhou as novas observações no infravermelho, feita com o instrumento PIONIER, montado no telescópio VLT, no Chile.
Envelhecimento das estrelas
Quando esta estrela gastou todo o hidrogênio que tinha para queimar, ela terminou a primeira fase da sua fusão nuclear. A estrela diminuiu de tamanho quando ficou sem energia, o que fez com que aquecesse a uma temperatura de mais de 100 milhões de graus.
Essa temperatura extrema deu origem à próxima fase da estrela, que começou então a queimar hélio, transformando-o em átomos mais pesados como o carbono e o oxigênio. O núcleo intensamente quente expeliu as camadas mais externas da estrela, fazendo com que ela aumentasse de tamanho em centenas de vezes. A estrela que vemos hoje é uma gigante vermelha variável. Até agora, a superfície de uma destas estrelas nunca tinha sido observada com tanto detalhe.
Os astrônomos acreditam que o nosso Sol passará por essa mesma sequência. Infelizmente não estaremos aqui para conferir, porque, ao aumentar de tamanho, a estrela deverá engolir Mercúrio, Vênus e, provavelmente, a Terra.
Nome estranho
O nome Π1 Grou vem do sistema de designação criado pelo astrônomo alemão Johann Bayer no século XVII. Ele classificou 1.564 estrelas, dando-lhes nomes compostos por uma letra grega seguida do nome da constelação onde se encontravam.
De modo geral, dava-se às estrelas nomes com letras gregas relativas ao seu brilho aparente quando vistas a partir da Terra, sendo que a mais brilhante era designada por Alfa. A estrela mais brilhante da constelação do Grou é por isso designada Alfa Grou.
Π Grou corresponde, na realidade, a um par de estrelas de cores contrastantes que nos aparecem próximas no céu - a segunda naturalmente tem o nome de Π2 Grou.
Fonte: www.inovacaotecnologica.com.br

NOVA TEORIA : A lua pode ter formado dentro da Terra

Baseia-se em uma teoria que sugere que nosso planeta era "um donut gigante de rocha vaporizada".
Os cientistas não têm certeza de como a nossa Lua se formou. Várias teorias já foram apresentadas ao longo dos anos – algumas mais bem aceitas do que outras -, mas algumas pontas soltas ainda permanecem. Agora, uma nova teoria parece amarrar estas pontas. Segundo o novo estudo, a Lua teria se formado dentro da Terra, quando nosso planeta não tinha se formado completamente ainda e era uma nuvem fervente e giratória de rocha vaporizada, chamada sinestia. 

O novo modelo, liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia e da Universidade de Harvard, todas nos EUA, resolve vários problemas das teorias atuais sobre a formação lunar.

“O novo trabalho explica os recursos da Lua que são difíceis de resolver com as ideias atuais”, diz Sarah Stewart, professora de Ciências Planetárias e Terra da Universidade da Califórnia. “A Lua é quimicamente quase a mesma coisa que a Terra, mas com algumas diferenças”, garante ela. “Este é o primeiro modelo que pode combinar o padrão da composição da Lua”.

Os modelos atuais de formação lunar sugerem que a Lua se formou como resultado de uma colisão entre a Terra primitiva e um corpo de tamanho de Marte, comumente chamado de Theia. De acordo com estes modelos, a colisão entre Terra e Theia jogou rocha fundida e metal em órbita, que então teriam se juntado para formar a Lua.

A nova teoria depende, em vez disso, de um novo tipo de objeto planetário proposto por Stewart e Simon Lock, estudante de pós-graduação em Harvard, chamado sinestia. Uma sinestia se forma quando uma colisão entre objetos de tamanho planetário resulta em uma massa giratória rápida de rocha fundida e vaporizada com parte do corpo em órbita em torno de si.

Eles teorizam que sinestias provavelmente não duram muito tempo – talvez apenas centenas de anos. Elas encolheriam rapidamente enquanto irradiam calor, fazendo com que o vapor de rocha se condense em líquido, finalmente entrando em colapso e formando um planeta.

“Nosso modelo começa com uma colisão que forma uma sinestia”, diz Lock. “A Lua então se forma dentro da Terra vaporizada a temperaturas de quatro a seis mil graus Fahrenheit e pressões de dezenas de atmosferas”. Segundo os dois pesquisadores, uma vantagem do novo modelo é que existem múltiplas maneiras de uma sinestia adequada se formar – não seria preciso confiar em uma colisão com o objeto de tamanho certo que estivesse exatamente da maneira correta.

Uma vez formada a sinestia da Terra, os pedaços de rocha fundida colocados em órbita durante o impacto teriam formado a semente para o nosso satélite. Então, rocha de silicato vaporizado teria se condensado na superfície da sinestia e depois caído sobre a proto-Lua, enquanto a própria sinestia da Terra diminuía gradualmente.

Eventualmente, a Lua surgiu das nuvens da sinestia que arrastava sua própria atmosfera de vapor de rocha. A nova teoria explica tanto as semelhanças quanto as diferenças entre a Lua e a Terra: a Lua herdou sua composição da Terra ao se formar dentro dela, mas, devido à sua formação em altas temperaturas, teria perdido os elementos que seriam facilmente vaporizados, o que explicaria a sua composição distinta.
Fonte: https://www.engadget.com/2018/02/28/moon-formed-inside-earth-synestia/

"ESCADA" Refinada do HUBBLE fornece evidências de uma nova física no UNIVERSO

Esta ilustração mostra os três passos que os astrónomos usaram para medir a expansão do Universo (constante de Hubble) com uma precisão sem precedentes, reduzindo a incerteza total até 2,3%. As medições otimizam e fortalecem a construção da "escada" de distâncias cósmicas, usada para medir distâncias precisas a galáxias próximas e distantes da Terra. O estudo mais recente do Hubble estica o número de estrelas analisadas a distâncias até 10 vezes mais para o espaço do que os resultados anteriores do Hubble.Crédito: NASA, ESA, A. Feild (STScI) e A. Riess (STScI/JHU)

Os astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para fazer as medições mais precisas da taxa de expansão do Universo desde que foi calculada pela primeira vez há quase um século. Curiosamente, os resultados estão a forçar os astrónomos a considerar que podem estar a ver evidências de algo inesperado a obrar no Universo.

Isto porque a descoberta mais recente do Hubble confirma uma discrepância incómoda que mostra que o Universo parece estar a expandir-se mais depressa, agora, do que era esperado dada a sua trajetória vista pouco depois do Big Bang. Os investigadores sugerem que pode ser necessária uma nova física para explicar a inconsistência.

"A comunidade está realmente a lutar para compreender o significado desta discrepância," realça o investigador principal e Prémio Nobel Adam Riess do STScI (Space Telescope Science Institute) e da Universidade Johns Hopkins, ambos em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland.

A equipa de Riess, que inclui Stefano Casertano, também do STScI e de Johns Hopkins, tem vindo a usar o Hubble ao longo dos últimos seis anos para refinar as medições das distâncias a galáxias, usando as suas estrelas como marcadores. Essas medições são usadas para calcular quão rápido o Universo se expande com o tempo, um valor conhecido como a constante de Hubble. O novo estudo da equipa estica o número de estrelas analisadas até 10 vezes a distância dos resultados anteriores do Hubble.

Mas o valor de Riess reforça a disparidade com o valor esperado e derivado das observações da expansão do Universo inicial, 378.000 anos após o Big Bang - o evento violento que formou o Universo há aproximadamente 13,8 mil milhões de anos. Estas medições foram feitas pelo satélite Planck da ESA, que mapeia o fundo cósmico de micro-ondas, uma relíquia do Big Bang. A diferença entre estes dois valores é aproximadamente de 9%. As novas medições do Hubble ajudam a reduzir as hipóteses de que a discrepância entre os dois valores é mera coincidência para 1 em 5000.

O resultado do Planck previa que o valor da constante de Hubble deveria agora ser de 67 quilómetros por segundo por megaparsec (3,3 milhões de anos-luz), e que não podia ser superior a 69 quilómetros por segundo por megaparsec. Isto significa que por cada 3,3 milhões de anos-luz que uma galáxia está de nós, move-se 67 km/s mais depressa. Mas a equipa de Riess mediu um valor de 73 km/s/Mpc, indicando que as galáxias se movem a um ritmo mais rápido do que o implícito nas observações do Universo inicial.

Os dados do Hubble são tão precisos que os astrónomos não podem descartar a diferença entre os dois resultados como erros em qualquer medição única ou método. "Ambos os resultados foram testados de várias formas, assim que a não ser que existam uma série de erros não relacionados," explica Riess, "é cada vez mais provável que não seja um 'bug', mas uma característica do Universo."

Explicando uma Discrepância Vexante

Riess delineou algumas explicações possíveis para esta discrepância, todas relacionadas com os 95% do Universo que está envolto em escuridão. Uma possibilidade é que a energia escura, já conhecida por acelerar o cosmos, pode estar a afastar as galáxias umas das outras com uma força ainda maior - ou crescente. Isto significa que a própria aceleração pode não ter um valor constante no Universo, mas mudar ao longo do tempo do Universo. Riess partilhou o Prémio Nobel pela descoberta, em 1998, da aceleração do Universo.

Outra ideia é que o Universo contém uma nova partícula subatómica que viaja perto da velocidade da luz. Estas velozes partículas são coletivamente chamadas "radiação escura" e incluem partículas anteriormente conhecidas como os neutrinos, criados em reações nucleares e decaimentos radioativos. Ao contrário de um neutrino normal, que interage por força subatómica, esta nova partícula só seria afetada pela gravidade e é apelidada de "neutrino estéril."

Ainda outra possibilidade fascinante é que a matéria escura (uma forma invisível de matéria não composta por protões, neutrões e eletrões) interage mais fortemente com a matéria normal ou com a radiação do que se julgava anteriormente.

Qualquer um destes cenários mudaria os conteúdos do Universo inicial, levando a inconsistências nos modelos teóricos. Estas inconsistências resultariam num valor incorreto para a constante de Hubble, inferido a partir de observações do cosmos jovem. Este valor seria então incompatível com o número derivado das observações do Hubble.

Riess e colegas não têm ainda quaisquer respostas para este problema vexante, mas a sua equipa continuará a trabalhar no ajuste da taxa de expansão do Universo. Até agora, a equipa de Riess, de nome SH0ES (Supernova H0 for the Equation of State), diminuiu a incerteza para 2,3%. Antes do Hubble ter sido lançado em 1990, as estimativas da constante de Hubble variavam por um fator de dois. Um dos objetivos principais do Hubble era o de ajudar os astrónomos a reduzir o valor desta incerteza até um erro de apenas 10%. Desde 2005, o grupo tem procurado aprimorar a precisão da constante de Hubble até que permita uma melhor compreensão do comportamento do Universo.

Construindo uma Forte "Escada" de Distâncias Cósmicas

A equipa conseguiu refinar o valor da constante de Hubble otimizando e fortalecendo a construção da escada de distâncias cósmicas, que os astrónomos usam para medir distâncias precisas de galáxias próximas e distantes. Os investigadores compararam essas distâncias com a expansão do espaço, conforme medido pela dilatação da luz de galáxias cada vez mais distantes. Usaram então a aparente velocidade externa das galáxias a cada distância para calcular a constante de Hubble.

Mas o valor da constante de Hubble só é tão preciso quanto a precisão das medições. Os astrónomos não podem usar uma fita métrica para medir as distâncias entre galáxias. Em vez disso, selecionaram classes especiais de estrelas e supernovas como "marcadores cósmicos" para medir com precisão as distâncias galácticas.

Entre as mais confiáveis para distâncias mais pequenas estão as variáveis Cefeidas, estrelas pulsantes que aumentam e diminuem de brilho a ritmos que correspondem ao seu brilho intrínseco. As suas distâncias, portanto, podem ser inferidas através da comparação do seu brilho intrínseco com o seu brilho aparente visto da Terra.

A astrónoma Henrietta Leavitt foi a primeira a reconhecer a utilidade das variáveis Cefeidas para medir distâncias em 1913. Mas o primeiro passo é medir as distâncias às Cefeidas independentemente do seu brilho, usando uma ferramenta básica de geometria chamada paralaxe. A paralaxe é a mudança aparente na posição de um objeto devido a uma alteração do ponto de vista de um observador. Esta técnica foi inventada pelos antigos Gregos que a usaram para medir a distância da Terra à Lua.

O resultado mais recente do Hubble é baseado em medições da paralaxe de oito Cefeidas recém-analisadas na nossa Via Láctea. Estas estrelas estão cerca de 10 vezes mais distantes do que as estudadas anteriormente, residindo a 6000-12.000 anos-luz da Terra, o que as torna mais difíceis de medir. Pulsam a intervalos mais longos, tal como as Cefeidas observadas pelo Hubble em galáxias distantes que contêm outra "régua" confiável, explosões estelares chamadas supernovas do Tipo Ia. Este tipo de supernova explode com um brilho uniforme e é brilhante o suficiente para ser observado relativamente longe. As observações anteriores do Hubble estudaram 10 cefeidas que piscam mais depressa localizadas a 300-1600 anos-luz da Terra.

Examinando as Estrelas

Para medir a paralaxe com o Hubble, a equipa teve que avaliar a pequena, mas aparente oscilação das Cefeidas devido ao movimento da Terra em torno do Sol. Estas oscilações têm aproximadamente 1/100 do tamanho de um único pixel na câmara do telescópio, equivalentes ao tamanho aparente de um grão de areia a 160,9 km de distância.

Portanto, para garantir a precisão das medições, os astrónomos desenvolveram um método inteligente que não tinha sido previsto aquando do lançamento do Hubble. Os cientistas inventaram uma técnica de varrimento na qual o telescópio media a posição de uma estrela mil vezes por minuto a cada seis meses durante quatro anos.

A equipa calibrou o brilho verdadeiro das oito estrelas que pulsam lentamente e cruzou-as com as suas primas mais distantes a fim de encolher as imprecisões na sua escada de distâncias. Os investigadores compararam então o brilho das Cefeidas e das supernovas nessas galáxias com maior confiança, para que pudessem medir com mais firmeza o brilho verdadeiro das estrelas e, portanto, calcular distâncias a centenas de supernovas em galáxias distantes com maior precisão.

Outra vantagem deste estudo é que a equipa usou o mesmo instrumento, o WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble, para calibrar as luminosidades tanto das Cefeidas próximas como daquelas noutras galáxias, eliminando os erros sistemáticos que são inevitavelmente introduzidos quando comparando medições obtidas por diferentes telescópios.

"Normalmente, se a cada seis meses tentarmos medir a mudança na posição de uma estrela em relação a uma segunda a estas distâncias, estamos limitados pela capacidade em descobrir exatamente onde está a estrela," explicou Casertano. Usando a nova técnica, o Hubble move-se lentamente através de um alvo estelar e capta a imagem como uma linha de luz. "Este método permite oportunidades repetidas para medir os deslocamentos extremamente pequenos devido à paralaxe," acrescenta Riess. "Estamos a medir a separação entre duas estrelas, não apenas num local na câmara, mas repetidamente durante milhares de vezes, reduzindo os erros nas medições."

O objetivo da equipe é reduzir ainda mais a incerteza usando dados do Hubble e do observatório espacial Gaia da ESA, que irá medir as posições e distâncias de estrelas com uma precisão sem precedentes. "Esta precisão é o que será necessário para diagnosticar a causa desta discrepância," explica Casertano.

Os resultados da equipa foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal.
Fonte: ASTRONOMIA ONLINE

Afinal, a água na Lua parece estar imóvel e bem distribuída pela superfície

A água da Lua está amplamente distribuída pela superfície e, apesar de não ser facilmente acessível, parece estar presente dia e noite.

As descobertas podem ajudar os pesquisadores a compreender a origem da água da Lua e quão fácil seria usá-la como recurso. Se a Lua tiver água suficiente, e se tiver um acesso razoavelmente conveniente, os exploradores do futuro poderão usá-la como água potável ou convertê-la em hidrogênio e oxigênio para combustível, ou oxigênio para respirarem. Nós achamos que não importa a que horas do dia ou para que latitude olhemos, o sinal que indica água parece estar sempre presente”, realça Joshua Bandfield, pesquisador sênior do Space Science Institute (SSI) em Boulder, no Colorado, e autor principal do novo estudo publicado na Nature Geoscience. 

A presença de água não parece depender da composição da superfície. Esses resultados contradizem alguns estudos anteriores, que sugeriram a detecção de mais água às latitudes polares da Lua e que a força do sinal de água sobe e desce de acordo com o dia lunar (29,5 dias terrestres). 

 Com esses dados em mente, alguns cientistas propuseram que as moléculas de água podem “saltitar” através da superfície lunar até que entram em armadilhas frias em recantos escuros das crateras perto dos polos norte e sul. Uma armadilha fria é uma região tão fria que o vapor de água e outros voláteis permanecem estáveis por um longo período. 

Devido às sutilezas de como a detecção foi alcançada, os debates continuam. A evidência principal veio de instrumentos remotos que mediram a força da luz solar refletida da superfície lunar. Quando a água está presente, instrumentos como estes captam uma impressão digital espectral em comprimentos de onda perto dos 3 micrômetros. 

Mas a superfície da Lua também pode ficar quente o suficiente para “brilhar”, ou emitir luz própria, na região infravermelha do espectro. O desafio é desembaraçar a mistura de luz refletida e emitida. Para separá-las, os astrônomos precisam ter informações muito precisas da temperatura. Bandfield e os colegas desenvolveram um novo método para incorporar informações de temperatura, criando um modelo detalhado a partir de medições obtidas com o instrumento Diviner a bordo da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA. 

A equipe aplicou este modelo de temperatura aos dados recolhidos anteriormente pelo M3 (Moon Mineralogy Mapper), um espectrômetro visível e infravermelho que o JPL da NASA forneceu ao orbitador Chandrayaan-1 da Índia. O novo achado de água generalizada e relativamente imóvel sugere que pode estar presente principalmente como OH, um parente mais reativo do H2O constituído por um átomo de oxigênio e um átomo de hidrogênio. 

OH, também chamado hidroxilo, não fica sozinho por muito tempo, preferindo atacar moléculas ou se fixar quimicamente a elas. Por conseguinte, o hidroxilo teria que ser extraído de minerais para ser utilizado. Além disso, a pesquisa sugere que qualquer H2O presente na Lua não está ligado ligeiramente à superfície. 

“Ao colocar alguns limites na mobilidade da água ou do OH na superfície, podemos ajudar a restringir a quantidade de água que pode alcançar as armadilhas frias nas regiões polares”, explica Michael Poston do SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio, Texas. Determinar o que acontece na Lua também pode ajudar os pesquisadores a compreender as fontes da água e seu armazenamento a longo prazo em outros corpos rochosos por todo o Sistema Solar.

Os resultados apontam para que o OH e o H2O sejam criados pelo vento solar ao atingir a superfície lunar, embora a equipe não descarte que o OH e o H2O sejam originários da própria Lua, liberados lentamente do interior de minerais onde estiveram presos desde a formação da Lua.
Fonte: https://ciberia.com.br

Astrônomos detectam sinal de uma das primeiras estrelas do universo

Essa flutuação discreta na radiação cósmica de fundo adiciona uma peça ao quebra-cabeça da infância do cosmos: o que, afinal, ocorreu logo após o Big Bang?

Uns 180 milhões de anos após o Big Bang, a luz do cosmos acendeu: surgiu a primeira estrela. Até então, tudo estava mergulhado em uma escuridão tão espessa que você não conseguiria imaginá-la nem fechando todas as janelas da casa. Olhar para o céu não é só ver lugares distantes no espaço: também é ver lugares distantes no tempo. Quanto mais anos-luz nos separam de um astro qualquer, mais antiga é a fração da luz deles que nos alcança. A nebulosa de Águia, que está a 7 mil anos-luz de nós, só pode ser vista da maneira como era há 7 mil anos. Talvez algumas estrelas que existem por lá já tenham se apagado nessa altura do campeonato. Para os seus olhos, porém, ainda estão vivas.

Isso significa que, se você olhar longe o suficiente no céu, você verá um passado muito antigo. Em um ponto que está a 13,62 bilhões de anos-luz da Terra, não dá para ver quase nada, porque nessa época as primeiras estrelas ainda estavam surgindo, e tudo era o breu do primeiro parágrafo. E foi procurando ali, onde Judas teria perdido as botas caso andasse no céu, que pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona encontraram um sinal de rádio fraquinho, meio tímido: um restinho da estrela mais antiga já detectada.

“Encontrar esse sinal minúsculo abre uma janela para o universo primitivo”, afirmou ao The Guardian Judd Bowman, líder da pesquisa, que está atrás do dito cujo há uma década. “É pouco provável que a gente consiga ver qualquer fato mais antigo do que esse na história das estrelas, pelo menos nessa geração de cientistas.”

A descrição ali em cima não dá uma noção do quanto encontrar esse tantinho de radiação foi difícil. Há algo chamado radiação cósmica de fundo que permeia todo o céu. Você vê um pouquinho dela toda vez que está tentando sintonizar um canal de TV aberta e recebe uma tela cinza, granulada e ruidosa no lugar. Essa radiação estava lá de boa até aparecerem as primeiras estrelas – que teriam causado flutuações nesse sinal outrora bastante uniforme. Foram essas flutuações minúsculas que Bowman e sua equipe detectaram. É a verdadeira agulha no palheiro.

Para fazer isso, os cientistas foram a um lugar isolado no meio da Austrália, onde haveria a menor interferência possível de outros tipos de radiação, produzida pelo ser humano – e usaram uma antena humilde, do tamanho de uma mesa de centro, para fazer as detecções. Para confirmar que a flutuação detectada era mesmo o que eles achavam que eram, repetiram o experimento de todos os jeitos possíveis, em todas as condições possíveis – essa pequena odisseia está registrada em um artigo científico, publicado na Nature.

As primeiras estrelas, ao que tudo indica, foram gigantes de cor azulada, resultado do colapso gravitacional de regiões em que havia concentrações mais altas de hidrogênio – praticamente o único elemento disponível na época, esqueça o resto da tabela periódica. Só 70 milhões de anos depois delas viriam os primeiros buracos negros. Galáxias como as que conhecemos hoje, nem pensar: elas vieram bem depois.

Fonte: Super Interessante

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Artigos Mais Lidos