17 de julho de 2018

Uma paisagem celeste colorida


Novas observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO mostram o aglomerado estelar RCW 38 em todo o seu esplendor. Esta imagem foi obtida durante os testes da câmera HAWK-I trabalhando com o sistema de óptica adaptativa GRAAL e mostra RCW 38 e as nuvens de gás resplandecente ao seu redor com incrível detalhe, assim como os tentáculos negros de poeira passando através do núcleo brilhante deste jovem conjunto de estrelas.

Esta imagem mostra o aglomerado estelar RCW 38, obtido pela câmera infravermelha HAWK-I montada no Very Large Telescope do ESO (VLT), no Chile. Ao observar no infravermelho, o HAWK-I consegue examinar aglomerados estelares envoltos em poeira, tais como RCW 38, dando-nos uma vista sem paralelo das estrelas que estão se formando no seu interior. Este aglomerado contém centenas de estrelas massivas, quentes e jovens, e situa-se a cerca de 5500 anos-luz de distância na direção da constelação da Vela.

A região central de RCW 38 aparece-nos na imagem com um tom azul brilhante, numa área povoada por uma enorme quantidade de estrelas muito jovens e protoestrelas ainda no processo de formação. A radiação intensa emitida por estas estrelas recém nascidas faz com que o gás a redor brilhe intensamente, em contraste com as correntes de poeira cósmica mais fria que serpenteiam através da região, brilhando ligeiramente em tons escuros de vermelho e laranja. 

O contraste cria esta bela cena — um quadro de arte celeste. Imagens anteriores desta região obtidas nos comprimentos de onda do visível mostram-se bastante diferentes — as imagens no visível parecem mais vazias de estrelas devido ao fato do gás e poeira bloquearem a nossa visão do aglomerado. Observações no infravermelho, por outro lado, permitem-nos ver além da poeira que obscurece as imagens no visível, mostrando-nos o coração deste aglomerado estelar.

O HAWK-I está instalado no Telescópio Principal 4 (Yepun) do VLT e opera no infravermelho próximo. Os seus objetivos científicos são muitos, incluindo a obtenção de imagens de galáxias e grandes nebulosas próximas, assim como de estrelas individuais e exoplanetas. O GRAAL é um módulo de óptica adaptativa que ajuda o HAWK-I a produzir estas imagens extraordinárias. O GRAAL utiliza quatro raios laser que são projetados no céu, criando estrelas artificiais de referência que são utilizadas para corrigir os efeitos da turbulência atmosférica, o que torna as imagens muito mais nítidas.

Esta imagem foi capturada no âmbito de uma série de observações de teste — um processo conhecido por verificação científica — do HAWK-I e do GRAAL. Estes testes fazem parte integrante do comissionamento de um novo instrumento no VLT e incluem um conjunto de observações científicas típicas que verificam e demonstram as capacidades do novo instrumento.
Fonte: ESO

Uma supernova falha?

Crédito: ESA/Hubble & NASA

Brilhando intensamente contra o fundo escuro do universo, essa imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA mostra uma galáxia irregular conhecida como UGC 12682. Localizada a aproximadamente 70 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação de Pegasus, a UGC 12682 é distorcida e sem estrutura, com brilhantes pacotes de formação de estrelas.

Em Novembro de 2008, Caroline Moore com 14 anos, de Nova York, descobriu uma supernova na UGC 12682. Isso faz dela a pessoa mais jovem no momento a ter descoberto uma supernova. Observações subsequentes feitas por astrônomos profissionais chamaram a supernova de SN 2008ha, e mostrou que ela é particularmente interessante de várias maneiras: sua galáxia hospedeira, a UGC 12862, raramente produz supernovas. Ela é uma das supernovas mais apagadas já observadas e depois da explosão ela se expandiu lentamente, sugerindo que a explosão não lançou para espaço uma grande quantidade de energia como é normalmente esperado.

Os astrônomos agora classificam a SN 2008ha como uma supernova do Tipo Ia, que é a explosão de uma anã branca com uma grande acreção de matéria da sua estrela companheira. A SN 2008ha pode ter sido o resultado de supernova que falhou parcialmente, explicando porque a explosão falhou ao destruir totalmente a estrela.

Há 53 a 99,6% de chance de estarmos sozinhos em nossa galáxia

Se estamos ou não sozinhos no universo é uma pergunta que intriga cientistas – e a maioria de nós – há muito tempo. Um novo estudo do Instituto do Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, calculou a probabilidade de existirem outras civilizações alienígenas na galáxia e no resto do espaço e, infelizmente, as chances não são boas para os extraterrestres.

Equação de Drake mais realística

trabalho explora o chamado Paradoxo de Fermi, a aparente contradição entre a alta probabilidade de existência de civilizações extraterrestres e a falta de evidências ou contato com elas. O universo é gigante, então, onde está todo mundo? Será que somos mesmo os únicos?

As discussões neste tópico frequentemente envolvem a equação de Drake, uma estimativa probabilística do número de civilizações extraterrestres ativas e comunicativas em nossa galáxia baseado em sete variáveis.

Os possíveis resultados desta equação levaram os cientistas deste novo estudo a concluírem que há 53 a 99,6% de chance de estarmos sozinhos na galáxia, e 39 a 85% de chances de estarmos sozinhos no universo.

“Nosso artigo analisa a hipótese sobre ‘probabilidade razoável'”, disse um dos autores da pesquisa, Anders Sandberg, ao portal Digital Trends. “As pessoas tendem a ser tendenciosas quando ligam números à equação de Drake para fazer uma estimativa aproximada de quantas civilizações alienígenas estão por aí”.

Levando em conta as incertezas

No artigo, os pesquisadores salientam que, além de estimar números, é preciso estimar quão precisos esses números são: se você apenas os multiplicar sem levar em conta que alguns poderiam ter valores muito diferentes, o resultado se torna enganoso. Nós demonstramos que, se alguém tomar em conta uma estimativa grosseira de quão incertos estamos, ou tentar esboçar o que a ciência sabe e estimar quão incerto isso é, o paradoxo vai embora”, argumentou Sandberg.

Em última análise, o novo estudo sugere que, mesmo se você for realmente otimista e acreditar que provavelmente existam civilizações alienígenas, uma estimativa honesta levando em conta a incerteza o forçará a admitir que há uma grande chance de estarmos sozinhos.

Isso não é motivo para pararmos de procurar, entretanto. “Devemos reconhecer que há uma chance não trivial de que tudo será em vão, mas dada a importância de descobrir se estamos sozinhos – entre outras coisas, isso nos diz um pouco sobre nossas próprias chances de sobrevivência – não devemos parar. De fato, a busca por extraterrestres está nos trazendo importantes conhecimentos e ideias sobre vida, inteligência e tecnologia”, resumiu Sandberg.

Musk: “Precisamos colonizar o espaço”

O CEO da SpaceX, Elon Musk, compartilhou o link do artigo na rede social Twitter, comentando que isso era mais uma prova de que os humanos precisam avançar com a construção de civilizações no espaço. É por isso que devemos preservar a luz da consciência, tornando-a uma civilização espacial e estendendo a vida a outros planetas”, escreveu. “Não se sabe se nós somos a única civilização atualmente viva no universo observável, mas qualquer chance de que somos adiciona ímpeto para estender a vida para além da Terra”, acrescentou.

Musk admite que colonizar outros planetas não vai apagar todos os problemas do nosso. “A humanidade não é perfeita, mas é tudo o que temos”, comentou o empreendedor.
O CEO já deixou clara sua intenção de enviar humanos para Marte em breve. Apesar disso, assume que a colonização envolverá sérios riscos para os primeiros humanos que deixarem nosso planeta.

“Como indivíduos, todos morreremos em um piscar de olhos em uma escala de tempo galáctica. O que pode viver por muito tempo é a civilização. Aqueles que forem primeiro para outros planetas enfrentarão muito mais risco de morte e dificuldades do que aqueles que ficarem. Com o tempo, as viagens espaciais serão seguras [e] abertas a todos”, sugeriu em uma série de postagens no Twitter. 
Fonte: https://hypescience.com

Primeira imagem confirmada de um planeta recém nascido obtida com o VLT do ESO

O SPHERE, o instrumento caçador de planetas montado no Very Large Telescope do ESO, capturou a primeira imagem confirmada de um planeta se formando no disco de poeira ao redor de uma estrela jovem. O jovem planeta abre o seu caminho ao longo do disco primordial de gás e poeira que rodeia a estrela muito jovem PDS 70. Os dados sugerem que a atmosfera do planeta possui nuvens.
Astrônomos liderados por um grupo do Instituto Max Planck de Astronomia de Heidelberg, na Alemanha, capturaram uma imagem de formação planetária em torno da jovem estrela anã PDS 70. Com o auxílio do instrumento SPHERE montado no Very Large Telescope do ESO (VLT) — um dos instrumentos caçadores de planetas mais poderosos que existem — a equipe internacional fez a primeira detecção robusta de um jovem planeta, chamado PDS 70b, que está abrindo caminho através do material que rodeia a jovem estrela.

Com o instrumento SPHERE, a equipe pôde medir também o brilho do planeta em diversos comprimentos de onda, o que permitiu que fossem deduzidas propriedades da sua atmosfera.

O planeta mostra-se muito bem destacado nas novas observações, sendo visível como um ponto brilhante situado à direita do centro (a esfera negra na imagem). Localiza-se aproximadamente a três bilhões de km de distância da estrela central, o que equivale mais ou menos à distância entre Urano e o Sol. A análise mostra que PDS 70b é um planeta gigante gasoso com uma massa de algumas vezes a massa de Júpiter. A superfície do planeta tem uma temperatura de cerca de 1000º C, o que o torna muito mais quente do que qualquer planeta do nosso Sistema Solar.

O círculo escuro que aparece no centro da imagem deve-se à utilização de um coronógrafo, uma máscara que bloqueia a luz ofuscante da estrela central e permite aos astrônomos detectar o disco e o companheiro planetário, que são muito mais fracos que a estrela. Sem esta máscara, a fraca luz emitida pelo planeta desapareceria completamente no intenso brilho de PDS 70.

Estes discos situados em torno de estrelas jovens são os locais de nascimento dos planetas, mas até agora apenas algumas observações tinham conseguido detectar pistas que apontavam para a existência de planetas bebês em meio a eles,” explica Miriam Keppler, que liderou a equipe por detrás da descoberta do planeta ainda em formação de PDS 70. “O problema é que, até agora, a maioria destes candidatos a planetas poderia ser apenas estruturas no disco.

A descoberta do jovem companheiro de PDS 70 é um resultado científico bastante interessante, que já mereceu pesquisas subsequentes. Uma segunda equipe, que envolve muitos dos mesmos astrônomos da equipe da descoberta, incluindo Keppler, fez, nos últimos meses, observações de acompanhamento com o intuito de investigar a jovem companheira planetária de PDS 70 com mais detalhe. Esta equipe não só obteve a imagem muito nítida do planeta que aqui mostramos, como também conseguiu obter um espectro deste objeto. A análise do espectro aponta para a existência de nuvens na atmosfera do planeta.

A companheira planetária de PDS 70 esculpiu um disco de transição — um disco protoplanetário com um “buraco” gigante no centro. Estes buracos interiores são conhecidos há várias décadas e foi sugerido que seriam produzidos pela interação entre o disco e o planeta. Agora estamos vendo o planeta pela primeira vez.

Os resultados de Keppler abrem uma nova janela para as primeiras fases da complexa evolução planetária, ainda tão mal compreendida,” comenta André Müller, líder da segunda equipe que investigou o jovem planeta. “Precisávamos de observar um planeta no disco de uma estrela jovem para compreendermos realmente os processos por detrás da formação planetária.” Ao determinar as propriedades físicas e atmosféricas do planeta, os astrônomos podem testar modelos teóricos de formação planetária.

Este olhar ao nascimento envolto em poeira de um planeta foi apenas possível graças às impressionantes capacidades tecnológicas do instrumento SPHERE do ESO, o qual estuda exoplanetas e discos em torno de estrelas próximas, usando uma técnica conhecida por imagens de alto contraste — um feito bastante complicado. Mesmo bloqueando a luz emitida por uma estrela com o auxílio de um coronógrafo, o SPHERE tem ainda que usar estratégias de observação e técnicas de processamento de dados complicadas para conseguir obter o sinal emitido pelos tênues companheiros planetários situados em torno das jovens estrelas brilhantes [2], a múltiplos comprimentos de onda e épocas diferentes.

Thomas Henning, diretor do Instituto Max Planck de Astronomia e líder das equipes, resume esta aventura científica: “Após mais de uma década de enormes esforços para construir esta máquina de alta tecnologia, o SPHERE permite-nos agora colher os frutos deste trabalho, presentando-nos com a descoberta de planetas bebês!
Fonte: ESO

Astronauta revela que humanos poderiam ter estado em Marte nos anos 60


O canadense Chris Hadfield foi astronauta durante 18 anos de sua vida. De 1995 a 2013, Hadfield voou em dois ônibus espaciais da NASA e uma espaçonave russa Soyuz, além de viver a bordo da Estação Espacial Internacional. Recentemente, ele ficou conhecido por gravar a música “ Space Oddity ”, de David Bowie, em gravidade zero. Hadfield já se aposentou como astronauta e passou a compartilhar seu conhecimento como em um novo curso na web na plataforma de ensino MasterClass. 

Em uma matéria publicada na semana passada, o portal Business Insider afirma ter perguntado a Hadfield se ele tem esperanças de que a NASA, a SpaceX, a Blue Origin ou outras empresas ou governos que fazem parte da nova corrida espacial possam mandar pessoas para Marte e começar a colonizar o planeta vermelho na próxima década. “ Poderíamos ter mandado pessoas para Marte décadas atrás ”, disse Hadfield ao Business Insider. “ A tecnologia que nos levou à lua e nos trouxe de volta quando eu era apenas uma criança – essa tecnologia pode nos levar a Marte ”, sentenciou. 

Segundo o Business Insider, cientistas como Wernher von Braun, que era o arquiteto chefe do foguete da NASA Saturno V, trabalharam para planejar uma missão tripulada a Marte já em 1952. Mas então, se já tínhamos a tecnologia, porque não estamos caminhando agora mesmo sobre o solo de Marte ? O maior risco de uma missão tripulada para Marte é a distância. “ Marte está mais longe do que a maioria das pessoas pensa ”, aponta Hadfield. E é verdade : há uma imensa distância entre a Terra e Marte. 

O mais próximo que a Terra e Marte podem estar é uma distância de 54,5 milhões de quilômetros. O lançamento de veículos para Marte até agora levou de 128 a 333 dias. Além disso, há riscos de longo prazo. Os riscos mais diretos das viagens espaciais também são numerosos, e não muito diferentes daqueles enfrentados pelos tripulantes das missões Apollo na década de 60. Além do incêndio da Apollo 1, que matou três astronautas no solo durante um exercício de treinamento, a NASA quase perdeu a tripulação da Apollo 13 durante sua missão. 

A Apollo 11 quase ficou sem combustível antes de aterrissar na superfície lunar. Tudo isso aconteceu quando a NASA estava apenas tentando enviar pessoas a 384 mil quilômetros de distância da Terra, por cerca de uma semana. Hadfield compara os últimos planos de exploração de Marte às primeiras viagens de navio do século 15. 

Segundo Hadfield, os foguetes de hoje são comparáveis às velas dos veleiros usados nas viagens do século 15 por ainda queimarem combustíveis químicos ( além de oxigênio ) para decolar da Terra e viajar pelo espaço. É por isso que Hadfield acredita que o Sistema de Lançamento Espacial da NASA, o Big Falcon Rocket da SpaceX, ou o foguete New Glenn da Blue Origin não revolucionarão as viagens espaciais como seus criadores costumam sugerir. Todos estes projetos planejam queimar combustível para sua propulsão.
Fonte: http://www.foxnews.com

Missão KEPLER entra em hibernação para enviar dados para a TERRA


No começo da última semana, de 2 de Julho de 2018, a equipe da missão Kepler da NASA recebeu uma indicação que o tanque de combustível da sonda está muito baixo. A NASA então colocou a sonda no modo de hibernação em preparação para fazer o download dos dados científicos coletados na última campanha de observação. Uma vez que os dados sejam baixados, a expectativa é pelo menos começar as observações da próxima campanha com qualquer quantidade de combustível existente na sonda.

Desde 12 de Maio de 2018, o Kepler está na sua campanha de observação número 18, observando uma porção do céu localizada na constelação de Câncer que já foi estuda previamente em 2015. Os dados dessa segunda observação dessa mesma região, darão aos astrônomos uma oportunidade de confirmar candidatos a exoplanetas previamente identificados, e descobrir novos. Baixar os dados da sonda Kepler é a prioridade máxima para o resto de combustível existente na sonda.

Para enviar os dados para a Terra, a sonda precisa apontar a sua grande antena para o nosso planeta e transmitir os dados durante o tempo alocado na Deep Space Network, o que está programado para acontecer no começo de Agosto de 2018. Até lá, a sonda permanecerá estável e estacionada num modo de segurança sem usar combustível algum. No dia 2 de Agosto de 2018, a equipe irá enviar comandos para a sonda para que ela acorde desse modo sem usar combustível e irão manobrar a sonda para a orientação correta para baixar os dados. Se a manobra e o download forem bem sucedidos, a equipe começa a décima nona campanha de observação no dia 6 de Agosto com o que sobrou de combustível.

A NASA irá fazer uma atualização das notícias do Kepler depois do download programado dos dados. A agência tem monitorado a sonda Kepler de perto por sinais de baixo combustível e espera que ela esgote esse combustível nos próximos meses. Enquanto os engenheiros preservam os novos dados armazenados na sonda, os cientistas continuam a minerar os dados existentes. Entre outras descobertas, recentemente 24 novos planetas foram descobertas, usando dados da décima campanha de observação, resultando assim em 2650 exoplanetas confirmados já descobertos pela missão Kepler.

Investigadores descobrem material orgânico nas galáxias ANTENA


Após a realização de uma análise espectroscópica com o instrumento MUSE, no VLT (Very Large Telescope), no ESO (Chile), uma equipa liderada pela astrofísica Ana Monreal Ibero do IAC (Instituto de Astrofísicas das Canárias) provou a existência de bandas interestelares difusas nas Galáxias Antena, a 70 milhões de anos-luz da Terra. Desta forma, mostrou que há provavelmente material orgânico noutras galáxias para lá da nossa vizinhança galáctica.

O espectro eletromagnético de um objeto celeste (galáxia, estrela, etc.) resulta da quebra da luz emitida nas suas cores constituintes. As características desse espectro - por exemplo, as cores dominantes ou ausentes - dizem-nos mais sobre as propriedades do objeto, como a sua velocidade em relação a nós e a sua composição química. "Além disso, e pelo mesmo preço - explica Ana Monreal - esta análise dá-nos informações sobre o material que a luz atravessa no caminho até nós e, em particular, sobre o meio interestelar.

As bandas interestelares difusas são bandas escuras que aparecem nos espectros de objetos astronómicos associados com este meio e cuja origem é ainda hoje um mistério. Não podem ser explicadas pela presença de moléculas simples conhecidas e suspeita-se que sejam provocadas por material provavelmente orgânico.

A maioria dos estudos relacionados com as bandas interestelares difusas tem sido confinada a objetos na Via Láctea, uma vez que são características espectrais relativamente fracas. Existem algumas deteções de bandas interestelares difusas fora da nossa Galáxia, principalmente nas Nuvens de Magalhães, que são membros do Grupo Local de Galáxias, mas muito raramente têm sido detetadas bem para lá dos limites do Grupo Local. 

No entanto, quando olhamos para longe da Via Láctea, é de interesse observar como se comportam em condições interestelares altamente energéticas, como aquelas encontradas numa galáxia "starburst" (com formação estelar explosiva), onde as estrelas se formam a um ritmo muito maior do que na Via Láctea.

Estas observações para lá das galáxias que nos rodeiam podem fornecer pistas adicionais sobre a possível natureza das moléculas que provocam bandas interestelares difusas, mas também podem fornecer ferramentas para os astrónomos caracterizarem o meio interestelar ao qual pertencem.

"No nosso trabalho, explorámos o potencial da utilização de espectrógrafos de campo integral, como o HARMONI (um instrumento desenhado para o futuro telescópio de 39 metros, o E-ELT), em cuja construção o IAC participa," esclarece Ana Monreal. E acrescenta: "Para isso, usámos o que constitui, hoje, o 'crème de la crème' deste tipo de instrumento, o MUSE no VLT, para obter dados do mais próximo sistema de galáxias espirais em fusão: as Galáxias Antena."

O MUSE obtém um grande número de espectros de uma área relativamente grande do céu a partir de uma única exposição. "Com base na adição do sinal de espectros vizinhos e cuidadosamente modelando e separando a emissão devida às estrelas e ao gás ionizado no sistema, conseguimos detetar o sinal de duas das mais bem conhecidas bandas interestelares difusas e, de facto, as duas primeiras a serem identificadas, ao longo de mais de 200 e 100 linhas de visão independentes, respetivamente," explica Monreal.

Este estudo também compara as deteções obtidas pelo grupo com outras propriedades e componentes do meio interestelar neste sistema, em particular: a atenuação (diretamente relacionada com a quantidade de poeira) e a distribuição do hidrogénio atómico, do gás molecular e de algumas bandas na emissão infravermelha que também parecem estar associadas com compostos orgânicos.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Evento do eclipse total do Sol de 2019 no Observatório de La Silla do ESO no Chile


Em 2 de Julho de 2019 um dos fenômenos naturais astronômicos mais impressionantes será visível no Observatório de La Silla do ESO no Chile — um eclipse total do Sol. Uma vez que tais eventos são muito raros — o próximo visível em La Silla ocorrerá daqui a 212 anos — o ESO organizará uma campanha de atividades de divulgação e observação no local, permitindo assim ao grande público assistir a este extraordinário evento.

Neste sentido, estarão disponíveis a partir das 08:00 (horário de Brasília) de sexta-feira, dia 13 de Julho de 2018, bilhetes para participar neste evento.  No dia 2 de julho de 2019, a Lua cobrirá a face do Sol, transformando o dia em noite num eclipse solar total que cobrirá uma faixa de 150 km de largura no norte do Chile. Milhares de visitantes vindos de todas as partes do globo viajarão até à região para ver este fenômeno, que terá como pano de fundo a paisagem do deserto chileno. O eclipse será visível a partir do Observatório de La Silla do ESO, no Chile, no mesmo ano que o observatório celebra 50 anos de operações.

 Para comemorar esta conjunção única, o ESO está organizando um evento dedicado ao Eclipse Total do Sol de 2019, no Observatório de La Silla no dia do eclipse. Uma vez que o eclipse propriamente dito decorrerá apenas no final da tarde, o resto do dia será dedicado a muitas outras atividades, incluindo visitas aos telescópios de La Silla, palestras e workshops. A observação do eclipse dependerá das condições atmosféricas, as quais não podemos garantir que colaborem.

“Nessa terça-feira de Julho de 2019, os olhos do mundo estarão voltados para o Chile, na altura em que a Lua passar entre a Terra e o Sol, tapando a luz da nossa estrela,” explica Claudio Melo, o Representante do ESO no Chile. “A astronomia assim como a beleza sem par dos céus chilenos estarão expostos a todo o mundo, já que a raridade do eclipse total atrairá milhares de pessoas, tanto do Chile como de outros países, para o norte do país.”

O ESO, o Cerro Tololo Inter-American Observatory, o Gemini Observatory, o SOAR Observatory, o Large Synoptic Survey Telescope, o Las Campanas Observatory e o Giant Magellan Telescope Project estão trabalhando em estreita colaboração com os Governos Regionais de Coquimbo e Atacama, assim como com instituições locais, no intuito de levar a ciência em geral e a astronomia em particular para mais perto dos chilenos e do grande público durante o eclipse de 2019, e acolher o grande número de visitantes esperados. 

Estão disponíveis online mais informações sobre o evento do ESO. Na loja do ESO estarão disponíveis 300 bilhetes a partir das 08:00 (horário de Brasília) de sexta-feira, dia 13 de julho. Os bilhetes custam 200 euros e incluem transporte desde o sopé da montanha de La Silla até ao Observatório, óculos para usar durante o eclipse e acesso a todos os eventos e atividades no local. A venda de bilhetes será feita segundo o princípio de atendimento por ordem de chegada.

O montante angariado na venda dos bilhetes cobrirá as despensas do evento e ajudará igualmente a financiar outras atividades de educação e divulgação científica, incluindo o acesso gratuito aos locais do ESO para membros selecionados do público que nos visitarão nesse dia, entre eles alunos chilenos das escolas da região. Visitantes das escolas chilenas locais participarão no evento através de um concurso especial a ser realizado no Chile.

Além disso, será ainda organizada uma competição pública para os cidadãos dos Estados Membros do ESO. Uma segunda edição do encontro de redes sociais #MeetESO será também organizada. Representantes dos meios de comunicação social e outros grupos de divulgação irão também participar no evento. Em breve serão anunciados no website do ESO mais detalhes sobre as atividades a serem realizadas e sobre convites para participar no evento.

Juntamente com a comunidade científica representada pela SOCHIAS, CONICYT e pelas universidades chilenas, os Observatórios estão empenhados em promover o Eclipse Total do Sol de 2019, levando a ciência em geral e a astronomia em particular para mais perto do grande público, tanto no Chile como no resto do mundo, e sensibilizar o público para a importância de proteger os céus escuros do Chile. Uma campanha de eventos terá lugar durante todo o ano até o dia do eclipse, incluindo palestras públicas, exposições, material online e concursos para as escolas e nas redes sociais, cujos vencedores serão convidados a visitar um dos Observatórios.

Os eclipses solares totais são fenômenos raros, ocorrendo em média uma vez a cada 360 anos para determinado local. Trata-se de uma oportunidade única a não perder, tanto para entusiastas de astronomia como para qualquer pessoa que gostaria de ver um evento astronômico verdadeiramente dramático. 
Fonte: ESO

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