8 de maio de 2018

Sombra de um céu - Astrónomos encotram um exoplaneta sem nuvens

Impressão de artista do "Saturno quente" WASP-96b. Um observador distante veria WASP-96b com um tom azulado, porque o sódio absorve a luz amarelo-laranja do espectro total do planeta. Crédito: Engine House

Cientistas detetaram uma atmosfera exoplanetária livre de nuvens, marcando um avanço fundamental na busca por uma maior compreensão dos planetas para lá do nosso Sistema Solar. Uma equipe internacional de astrónomos, liderada pelo Dr. Nikolay Nikolov da Universidade de Exeter, Reino Unido, descobriu que a atmosfera do "Saturno quente" WASP-96b não tem nuvens.

Usando o VLT (Very Large Telescope) de 8,2m no Chile, a equipa estudou a atmosfera de WASP-96b quando o planeta passou em frente da sua estrela-mãe. Isto permitiu com que a equipa medisse a diminuição da luz estelar provocada pelo planeta e pela sua atmosfera e, assim, determinar a composição atmosférica do planeta.

Assim como as impressões digitais de um indivíduo são únicas, os átomos e as moléculas têm uma característica espectral única que pode ser usada para detetar a sua presença em objetos celestes. O espectro de WASP-96b mostra a impressão digital completa do sódio, que só pode ser observada numa atmosfera sem nuvens. Os resultados foram publicados na prestigiada revista científica Nature no dia 7 de maio de 2018.

WASP-96b é um típico gigante gasoso e quente (1300K), semelhante a Saturno em massa e que excede o tamanho de Júpiter em 20%. O planeta transita periodicamente uma estrela parecida com o Sol a 980 anos-luz de distância na direção da constelação do hemisfério sul da Fénix, entre as joias estelares do sul Fomalhaut (α Piscis Austrini) e Achernar (α Eridani).

Há muito que se previu que o sódio existe nas atmosferas do gigantes gasosos e quentes, e numa atmosfera de livre de nuvens produziria um espectro similar, em forma, ao perfil de uma tenda de campismo. Nikolay Nikolov, autor principal da Universidade de Exeter, afirma: "Temos estado a analisar mais de 20 espectros de trânsitos exoplanetários. WASP-96b é o único exoplaneta que parece estar totalmente livre de nuvens e mostra uma assinatura de sódio tão clara que torna o planeta uma referência para caracterização."

"Até agora, o sódio era relevado ou como um pico muito estreito ou estava completamente ausente. Isto porque o perfil característico em forma de 'tenda de campismo' só pode ser produzido nas profundezas da atmosfera do planeta e a maioria das nuvens parece atrapalhar. Sabemos que as nuvens e neblinas existem em alguns dos planetas mais frios e mais quentes do Sistema Solar e além. A presença ou ausência de nuvens e a sua capacidade para bloquear a luz desempenham um papel importante no orçamento energético geral das atmosferas planetárias.

"É difícil prever quais destas atmosferas quentes terão nuvens espessas. Ao observarmos toda a gama de possíveis atmosferas, desde as muito nubladas até às limpas como WASP-96b, obtemos uma melhor compreensão da composição destas nuvens," explica o professor Jonathan J. Fortney, coautor do estudo, do OWL (Other Worlds Laboratory) da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, EUA.

A assinatura do sódio vista em WASP-96b sugere uma atmosfera livre de nuvens. A observação permitiu com que a equipa medisse a abundância de sódio na atmosfera do planeta, encontrando níveis semelhantes aos vistos no nosso próprio Sistema Solar. "WASP-96b também proporcionará uma oportunidade única para determinar a abundância de outras moléculas, como água, monóxido de carbono e dióxido de carbono com observações futuras," acrescenta o coautor Ernst de Mooij da Universidade da Cidade de Dublin.

O sódio é o sétimo elemento mais comum no Universo. Na Terra, compostos de sódio como o sal dão à água do mar o seu sabor salgado e a cor branca das salinas. Na vida animal, o sódio é conhecido por regular a atividade cardíaca e o metabolismo. O sódio também é usado em tecnologia, como nas luzes de rua de vapor de sódio, que produz um tom amarelo-laranja.

A equipe pretende observar a assinatura de outras espécies atmosféricas, como a água, o monóxido de carbono e o dióxido de carbono, com os telescópios espaciais Hubble e James Webb, além de telescópios no solo.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

O Sol está ficando pálido; e não sabemos por quê

A cada 11 anos, o Sol passa por um ciclo solar, onde vai de um período de muita atividade para pouca atividade – solar máximo e mínimo.
Neste momento, o Sol está no seu mínimo solar, como parte do 24º ciclo solar – o primeiro registro é de 1755. Durante esse período, o Sol começa a produzir menos manchas solares, que são as regiões de resfriamento magneticamente torcidas que aparecem de vez em quando. Mas a estrela está baixando a atividade mais rápido do que era esperado.
“O atual ciclo solar desce mais rapidamente do que tínhamos previsto“, explicou o Space Weather Prediction Center (SWPC). Deveríamos ter visto cerca de 15 manchas solares desde abril até maio deste ano. No entanto, até agora, quase nenhuma foi vista.
“O mínimo solar será mais longo que o habitual ou o ciclo solar 25 chegará mais cedo do que o esperado?”, perguntou-se o SWPC. “Os principais especialistas em ciência espacial e solar vão convocar uma reunião brevemente para tentar prever o próximo ciclo solar”.
De acordo com o Space Weather, o Sol tem estado “em branco” cerca de 60% do tempo em 2018. Apesar de não ser muito surpreendente que não possamos ver muitas manchas solares, é estranho que aconteça tão rapidamente. “A surpresa não é que as manchas solares estejam desaparecendo, mas sim a rapidez com que desaparecem.”
Essa não é a primeira vez que vemos o Sol sem manchas solares. Em 2016, quando caminhávamos em direção ao mínimo solar, uma imagem pálida do Sol mostrou a superfície da estrela sem marcas.
A partir daí, esperava-se que o próximo mínimo solar acontecesse por volta de 2020. No ponto mais baixo, devíamos ver um Sol sem manchas durante meses a fio. Além disso, não notaremos muitos efeitos.
Os últimos dados podem sugerir que o mínimo solar está chegando mais cedo do que se pensava. Pode também sugerir que o ciclo tem sido particularmente fraco e o Sol está passando por uma fase calma, apoiada no fato de o último máximo solar ter sido também um fracasso.
Esse máximo solar, que atingiu o pico em abril de 2014, foi o ciclo mais fraco em mais de um século desde o ciclo solar 14, que aconteceu em 1906.
Sabemos que o Sol passa por variações, por isso não há razões para preocupações. Mas é bastante fora do comum, especialmente quando nem estamos certos do que causa estes ciclos. Talvez o Sol esteja só fazendo uma “pausa” para descanso. Afinal, depois de 4,6 bilhões de anos brilhando, a gente entende.
Fonte: https://ciberia.com.br
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