15 de fevereiro de 2019

Nova missão da Nasa vai explorar as origens da vida e do Universo


A SPHEREx vai monitorar centenas de milhões de estrelas e galáxias para investigar os ingredientes da vida nos sistemas planetários da Via Láctea

No mesmo dia em que decretou o fim da missão Opportunity, que mudou completamente tudo aquilo sabemos sobre Marte, a Nasa anunciou uma nova missão — desta vez com os olhos voltados para o horizonte cósmico. Batizada de SPHEREx, lidará com nada menos que algumas da maiores questões existenciais da humanidade. Seu objetivo principal será desvendar os detalhes por trás da evolução do Universo e procurar os ingredientes básicos da vida como a conhecemos pelos sistemas planetários de nossa galáxia. 

Obter novas descobertas científicas sobre esse tipo de questão não é nada fácil. Para armar os astrônomos com a quantidade de dados que precisam para escrutinar o cosmos, a SPHEREx irá coletar informações a respeito de 100 milhões de estrelas em nossa galáxia e de 300 milhões de galáxias no Universo, próximas e distantes de nós. Algumas delas ficam a 10 bilhões de anos-luz da Terra. Todo o céu será monitorado a cada seis meses em dois comprimentos de onda: na luz visível e no infravermelho próximo.

Cada mapa criado contemplará 96 cores distintas, o que supera de longe as resoluções de mapeamentos abrangentes do gênero realizados anteriormente. A missão está programada para operar por dois anos a partir de 2023, quando deve ser lançada ao espaço. O custo total do projeto é orçado em US$ 242 milhões. “Essa missão incrível vai fornecer um verdadeiro tesouro de dados únicos para os astrônomos”, disse em comunicado Thomas Zurbuchen, administrador associado do diretório de missões científicas da Nasa.

“Ela vai entregar um mapa galáctico sem precedentes contendo as ‘impressões digitais’ dos primeiros momentos da história do Universo”, afirma. “E nós teremos novas pistas sobre um dos maiores mistérios na ciência: o que fez o Universo se expandir tão depressa menos de um nanossegundo depois do big bang?” Dentro da Via Láctea, a SPHEREx vai conduzir buscas minuciosas por elementos como água e moléculas orgânicas em berçários estelares, regiões marcadas por estrelas e planetas nascendo em profusão.

Nesse aspecto, a nova empreitada se encaixa muito bem no portfólio de futuras missões científicas da Nasa. Dados coletados pelo programa podem revelar alvos promissores para serem estudados individualmente por outros potentes telescópios espaciais, como o James Webb e o WFIRST.
Fonte: Super Interessante

Novo estudo sugere a possibilidade de vulcanismo subterrâneo recente em Marte

O polo sul de Marte. Um novo estudo publicado na Geophysical Research Letters argumenta que é necessária uma fonte subterrânea de calor para a água líquida existir por baixo da calote polar.Crédito: NASA

Um estudo publicado o ano passado na revista Science sugere que a água líquida está presente por baixo da calote polar sul de Marte. Agora, um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters, da União Geofísica Americana, argumenta que é necessário que exista uma fonte subterrânea de calor para a água líquida existir sob a calote polar. A nova investigação não toma posição no que toca à existência de água líquida. 

Ao invés, os autores sugerem que atividade magmática recente - a formação de uma câmara de magma nas últimas centenas de milhares de anos - deve ter ocorrido sob a superfície de Marte para que haja calor suficiente para produzir água líquida abaixo da espessa camada gelada com quilómetro e meio.

 Por outro lado, os autores do estudo argumentam que se não tiver havido atividade magmática recente por baixo da superfície de Marte, então provavelmente não há água líquida por baixo da calote de gelo. " Pessoas diferentes podem seguir caminhos diferentes com isto e estamos realmente interessados em ver como a comunidade reage, " disse Michael Sori, cientista associado da equipe do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona e coautor do novo artigo. A potencial presença de atividade magmática subterrânea recente em Marte suporta a ideia de que Marte é um planeta ativo, geologicamente falando.

Esse facto pode dar aos cientistas uma melhor compreensão de como os planetas evoluem com o tempo. O novo estudo pretende aprofundar o debate em torno da possibilidade de água líquida em Marte. A presença de água líquida no Planeta Vermelho tem implicações para potencialmente encontrar vida fora da Terra e também pode servir como um recurso para a exploração humana futura do nosso planeta vizinho.

 " Nós pensamos que, se existe vida, é provável que esteja no subsolo, protegida da radiação, " explicou Ali Bramson, investigadora pós - doutorada do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, coautora do novo artigo.

" Se ainda existem processos magmáticos ativos hoje, talvez fossem mais comuns no passado recente e talvez pudessem fornecer um degelo basal mais generalizado. Tal podia fornecer um ambiente mais favorável para a água líquida e, talvez, a vida. " Examinando o meio ambiente Marte tem duas camadas gigantes de gelo nos seus polos, ambas com quase dois quilómetros de espessura.

 Na Terra, é comum a água líquida estar presente debaixo de espessas camadas de gelo, sendo que o calor do planeta faz com que o gelo derreta onde encontra a crosta terrestre. Num artigo publicado o ano passado na Science, os cientistas afirmaram ter detetado um fenómeno semelhante em Marte. Alegaram que as observações detetaram evidências de água líquida na base da calote polar sul de Marte.
Fonte: Astronomia OnLine

Telescópio solar brasileiro irá para a Estação Espacial Internacional


O telescópio brasileiro Solar-T voou em um balão lançado pela NASA na Antártica, funcionando durante 12 dias a 40 mil metros de altitude.[Imagem: Nasa]

Telescópio solar
Em 2016, o Solar-T, um telescópio brasileiro para observação do Sol em frequências inéditas, foi lançado pela NASA em um voo de circum-navegação pela Antártica, permitindo ver em detalhes explosões solares em frequências terahertz (THz).
Agora, uma nova versão do telescópio fotométrico, batizada de Sun-THz, está sendo construída para voos mais altos.
O Sun-THz será enviado para a Estação Espacial Internacional, onde poderá fazer medições das explosões solares de forma constante. A previsão é que o telescópio seja lançado em 2022.
O telescópio fotométrico trabalhará em uma frequência de 0,2 a 15 terahertz (THz), que só pode ser captada do espaço porque é absorvida pela atmosfera. A descoberta dos raios T vindos do Sol, feita por um telescópio solar no Chile, causou grande perplexidade e agitação entre os astrônomos há poucos anos, que partiram para construir instrumentos adequados para observá-los.
Paralelamente, um outro telescópio, o HATs, será instalado na Argentina. O instrumento, que ficará pronto em 2020, vai trabalhar na frequência de 15 THz em solo, complementando as observações.
Solar-THz  
O Sun-THz é uma versão aprimorada do Solar-T, que foi construído por uma equipe do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), em colaboração com colegas do Centro de Componentes Semicondutores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A nova versão será feita em uma parceria com o Instituto Lebedev de Física, na Rússia. A maior parte do novo telescópio fotométrico será construída na Rússia, mas contará com peças feitas no Brasil, como um equipamento usado na calibração do instrumento como um todo.
"A tecnologia e o conceito do telescópio foram desenvolvidos aqui. Os russos gostaram da ideia e a estão reproduzindo, colocando, porém, mais elementos. Estamos trabalhando na fronteira da tecnologia. Há 40 anos, essa fronteira era de 100 gigahertz, era o que dava para fazer. Com os resultados que vieram ao longo dos anos, buscamos frequências mais altas e temos boas perspectivas para o futuro," disse o professor Guillermo Giménez de Castro, coordenador da equipe.
Quanto ao futuro, os astrônomos esperam novas melhorias nesses equipamentos com a construção de sensores de grafeno. Bastante sensíveis quando se trata de frequências em terahertz, os sensores de grafeno poderão detectar a polarização da luz e ainda serem mais versáteis, podendo ser ajustados eletronicamente.
Experimentos para a criação desses detectores já estão ocorrendo no Brasil, principalmente no Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologias
Fonte: Inovação Tecnológica

Nasa anuncia a “morte” do robô Opportunity

Oito meses após perder contato com o rover, que estava em Marte desde 2004, agência declara sua missão oficialmente encerrada
Uma das missões de exploração robótica mais longevas e bem-sucedidas da história chegou ao fim nesta quarta-feira, 13 de fevereiro. Depois de passar oito meses tentando reavivar o rover Opportunity, que está em Marte desde janeiro de 2004, a Nasa oficializou a “morte” do robô. Ele não resistiu à tempestade de areia de proporções descomunais que cobriu todo o planeta vermelho em junho do ano passado. Com os painéis solares encobertos por uma grossa crosta de poeira, ficou impossibilitado de captar energia.

Desde então, a Nasa já transmitiu mais de 600 comandos ao pequeno explorador solicitando que acordasse e mandasse um sinal de vida. Nada adiantou. Mas o Opportunity viveu bem mais do que o esperado. Foram 15 anos muitíssimo bem vividos, com muitas histórias científicas para contar. Ele pousou em solo marciano ao lado do Spirit, seu irmão, que operou por quase seis anos. A Nasa já estaria satisfeita se ao menos um dos rovers durasse meros 90 dias, mas os dois mostraram que não estavam para brincadeira. Para o Opportunity, a sobrevida superou os 5,4 mil dias. Em meio ao sobe-desce do acidentado relevo marciano, aos trancos e barrancos, o jipinho robótico rodou um total de 45 quilômetros. Explorou mais de 100 crateras, sobreviveu ao frio causticante e a inumeráveis tempestades de poeira.

Mas o fenômeno extremo que ocorreu em junho de 2018 estava fora de qualquer precedente. A tempestade que engoliu Marte e decretou o fim do Opportunity foi a pior das últimas décadas no planeta vermelho. Definitivamente, foi uma morte honrada para um robô memorável. “É o fim da primeira grande roadtrip marciana”, disse à revista New Scientist o ex-diretor de voo da missão, Mike Seibert. As investigações levadas a cabo pelo rover mudaram completamente as concepções que tínhamos do planeta vermelho.

“Marte deixou de ser um lugar distante, pouco compreendido, para se tornar um mundo real que os humanos podem almejar”, destacou Steve Squyres, diretor científico da missão. A principal reviravolta que os dois rovers proporcionaram foi referente ao passado marciano. Acontece que, antes de 2004, os cientistas encaravam Marte como um planeta seco e estéril. Mas as evidências desveladas pelo Spirit e pelo Opportunity insistiam em dizer o contrário.

Minerais que só se formam na água salgada, argilas de regiões onde havia água potável e com todas as condições favoráveis à vida, leitos de lagos e cursos d’água. Estava tudo lá, eternizado no solo, à espera de um explorador que nos mostrasse. Missão cumprida, bravo Opportunity. Seu legado já tem lugar reservado e de destaque na história da exploração espacial. Agora descanse em paz; ao menos por enquanto. Quem sabe, daqui a uma ou duas décadas, a humanidade não envie uma missão tripulada a Marte – e ela possa  varrer a poeira do robô e trazê-lo de volta à vida.
Fonte: Super Interessante

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