10 de janeiro de 2018

Um filamento misterioso está saindo do enorme buraco negro no meio da nossa galáxia

A imagem acima provavelmente não tem significado nenhum para a maioria de nós, mas é bastante emocionante para os astrônomos.  Ela mostra um filamento misterioso de 2,3 anos-luz de comprimento aparentemente saindo do buraco negro supermassivo Sagittarius A*, no centro da nossa galáxia.

O que é emocionante sobre isso? Dentre várias possibilidades, pode provar uma teoria proposta na década de 1970. O filamento foi descoberto em 2012, mas a nova imagem revela que a longa linha parece ser bastante próxima do coração da nossa galáxia.

Os pesquisadores produziram a fotografia usando dados do radiotelescópio Karl G. Jansky Very Large Array e aplicando uma nova técnica para destacar os detalhes. Embora encontrar fluxos de gás ou linhas de partículas brilhantes que se estendem por regiões do espaço não seja incomum, as origens destes filamentos são geralmente um mistério.

Segundo o astrônomo Jun-Hui Zhao, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics em Cambridge (EUA), essa descoberta deve motivar cientistas a construir uma nova geração de telescópios de rádio com tecnologia de ponta, a fim de resolvermos o enigma. Estruturas como esta, chamadas de filamentos de rádio não térmicos (NRF, na sigla em inglês), já foram observadas flutuando no meio da nossa galáxia anteriormente.

Inicialmente, suspeitava-se que eles tivessem algo a ver com os campos magnéticos da Via Láctea. Conforme mais filamentos foram descobertos fluindo em direções estranhas, essa ideia foi rejeitada.
O que torna este filamento particularmente incomum é que parece estar partindo do horizonte de eventos de Sagittarius A*, o buraco negro gigantesco, quatro milhões de vezes mais pesado que o nosso sol, que mora no meio da nossa galáxia.

Isso abre algumas explicações intrigantes possíveis.

A opção menos emocionante é que este filamento é apenas um NRF tradicional, que simplesmente parece estar conectado ao buraco negro. Em outras palavras, pode ser o equivalente astronômico de um cabelo galáctico na frente da lente. Porém, de acordo com os astrônomos, isso é extremamente improvável.  A hipótese preferida dos pesquisadores é de que o fio é feito de partículas sendo descartadas de Sagittarius.

Redemoinhos de partículas sendo puxadas para o buraco negro podem criar um campo magnético forte, que por sua vez age como um acelerador de partículas. Partículas carregadas canalizadas a uma velocidade absurda poderiam explicar um fluxo fino e incandescente ligado à Sagittarius.  Por fim, existe uma outra possibilidade, menos provável, porém ainda mais emocionante: de que este filamento é na verdade um objeto hipotético conhecido como “corda cósmica”.

As cordas cósmicas foram teorizadas pela primeira vez pelo físico Tom Kibble na década de 1970. Elas são “falhas topológicas” unidimensionais maciças que se formam entre diferentes partes do vácuo à medida que o espaço se expande.

Em outras palavras, são como fendas no espaço que se formaram quando nosso universo ainda jovem estava se expandindo (como um tecido que rasga ao se esticar muito).

Dado que essas “cordas” devem ser absolutamente imensas, se de fato existem, o meio de uma galáxia seria um bom lugar para procurar por elas. Seja o que for, descobrir a natureza desse filamento estranho será um avanço para a astronomia. Se forem partículas sendo atiradas de Sagittarius, isso nos ensinaria mais sobre campos magnéticos nesta zona altamente caótica do universo. Já detectar uma corda cósmica seria uma descoberta pioneira que nos diria muito sobre a própria natureza do universo e suas origens.

“Vamos continuar procurando até que tenhamos uma explicação sólida para esse objeto. E pretendemos produzir imagens ainda melhores e mais reveladoras”, disse Miller Goss, integrante do National Radio Astronomy Observatory, observatório que abriga o Karl G. Jansky Very Large Array.  

Um artigo sobre essa pesquisa foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. 
Fonte: http://www.sciencealert.com

Moldados os primeiros segmentos do espelho principal do ELT

Os seis primeiros segmentos hexagonais do espelho principal do Extremely Large Telescope do ESO acabam de ser moldados pela companhia alemã SCHOTT na sua fábrica principal em Mainz. Estes segmentos farão parte do espelho primário de 39 metros do ELT, o qual terá 798 segmentos no total. O ELT será o maior telescópio óptico do mundo, com primeira luz prevista para 2024. 
O espelho primário de 39 metros de diâmetro do Extremely Large Telescope (ELT) do ESO será de longe o maior já construído para um telescópio óptico-infravermelho. Um gigante desses é grande demais para poder ser feito de uma única peça de vidro, por isso o espelho consistirá de 798 segmentos hexagonais individuais, cada um com uma dimensão de 1,4 metros e cerca de 5 cm de espessura. 
Os segmentos trabalharão em conjunto como se fossem um único e enorme espelho, coletando dezenas de milhões de vezes mais luz que o olho humano é capaz. Marc Cayrel, chefe de optomecânica do ELT, esteve presente nas primeiras moldagens: ”Foi fantástico ver os primeiros segmentos sendo moldados. 
Trata-se de um enorme marco na construção do ELT!  Assim como o molde do espelho secundário do telescópio, os segmentos do espelho principal são fabricados de um material cerâmico de baixa expansão chamado Zerodur© da SCHOTT. O ESO assinou os contratos da fabricação dos quatro primeiros espelhos do ELT — M1 a M4, sendo M1 o espelho primário — com esta companhia alemã. 
A moldagem dos primeiros segmentos é um processo importante, já que é a partir dela que os engenheiros da SCHOTT validam e otimizam o processo de fabricação, assim como as ferramentas e os procedimentos associados. 
A moldagem dos primeiros seis segmentos trata-se um importante marco no processo de construção deste telescópio, mas a estrada ainda é longa — será necessário moldar e polir mais de 900 segmentos (789 para o espelho primário propriamente dito e um conjunto sobresselente de 133). Quando o processo estiver completamente otimizado, a taxa de produção será de cerca de um segmento por dia. 
Após a moldagem, os moldes dos segmentos de espelho serão submetidos a uma sequência de tratamento de aquecimento e lento processo de resfriamento, sendo depois aparados até à forma correta e polidos até uma precisão de 15 nanometros em toda a superfície óptica. Os ajustes da forma e polimento da superfície serão da responsabilidade da companhia francesa Safran Reosc, a qual fará testes adicionais.
Fonte: ESO
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