23 de maio de 2018

A órbita da Terra tem feito uma coisa estranha (há centenas de milhões de anos)

Os cientistas têm suspeitado por muito tempo que as interações planetárias tendem a mudar vagarosamente a órbita do nosso planeta. Agora, os astrônomos descobriram provas irrefutáveis em rochas antigas, que mostram que o ciclo existe há centenas de milhões de anos.
A órbita terrestre mudou de forma, de praticamente circular para uma forma 5% elípticaEsse processo se deve à interação gravitacional entre o nosso planeta, Vênus e Júpiter. Agora, os astrônomos desenterraram pedras antigas que mostram a existência deste ciclo já no período tardio do Triássico, há 215 milhões de anos.
As descobertas podem ter um grande impacto na forma como modelamos o clima passado da Terra, particularmente nas temperaturas globais, que não são fáceis de explicar. Até é possível que os efeitos deste ciclo tenham desempenhado algum papel na evolução dos primeiros dinossauros.
“Há outro, mais curto, ciclo de órbita, mas quando olhamos para o passado, é muito difícil saber de qual estamos falando, isto porque os ciclos de órbita mudam ao longo do tempo”, explicou Dennis Kent, autor principal do estudo e especialista em paleomagnetismo na Universidade de Columbia, em Nova York. “A beleza deste ciclo é que se mantém sozinho e não muda.”
Os ciclos que a Terra experimenta são conhecidos como ciclos de Milankovitch, depois de o matemático sérvio tê-los descoberto em 1920. Há um ciclo de 100 mil anos que afeta a excentricidade da órbita do planeta, semelhante ao de 450 mil anos.
Há também um ciclo de 41 mil anos, no qual a inclinação do nosso planeta muda em relação ao plano da órbita. Por fim, há um ciclo de 21 mil anos porque o eixo do nosso planeta oscila e não aponta sempre na mesma direção. Esses ciclos afetam o clima porque mudam a quantidade de energia que o Hemisfério Norte – onde a maioria da massa do planeta está localizada – recebe do Sol, o que pode criar grandes mudanças no clima global.
Atualmente, a órbita terrestre está na fração praticamente circular do ciclo de 405 mil anos, na qual o clima tende a ser mais quente. No entanto, esta não é, de maneira nenhuma, a causa do aquecimento global.
“Todo o dióxido de carbono que liberamos no ar é obviamente a grande causa. Isso tem um efeito mensurável. O ciclo planetário é um pouco mais sutil. Está muito abaixo na lista de coisas que podem afetar o clima em escalas de tempo que são importantes para nós”, afirmou Kent.
FONTE: Ciberia

Iluminando galáxias escuras


Um dos novos candidatos a galáxia escura, identificado através de uma combinação de informação espectral (esquerda) e imagens refletindo a emissão de gás (meio) e estrelas (direita). A posição do candidato da galáxia escura é marcada pelo círculo vermelho. Crédito: RA Marino / MUSE

Apesar de termos tido um grande progresso na última metade do século passado sobre o entendimento de como as galáxias se formam, importantes questões permanecem em aberto, principalmente sobre como o gás difuso do meio intergaláctico é convertido em estrelas. Uma possibilidade, sugerida em modelos teóricos recentes, é que nas fases iniciais de formação das galáxias era uma época quando as galáxias continham uma grande quantidade de gás mas ainda eram ineficientes para formar estrelas. 

A prova direta dessa fase negra das galáxias, contudo, não era muito clara, ainda mais pensando que galáxias escuras emitem pouca luz. A descoberta observacional dessas galáxias preencheria um importante vazio no nosso entendimento sobre a evolução das galáxias.

Contudo, existem maneiras de se identificar uma galáxia escura. Uma equipe de astrônomos internacional, liderada pela Dra. Raffaella Anna Marino e pelo Prof. Sebastiano Catalupo do Departamento de Física na ETH Zurich, desenvolveu um desses métodos e conseguiu pesquisar o céu buscando galáxias escuras em potencial com uma eficiência sem precedentes. Eles conseguiram identificar no mínimo seis fortes candidatos à galáxias escuras.

Para tentar resolver os problemas de identificar galáxias escuras, a equipe usou quasares como lanternas. Os quasares emitem intensa luz ultravioleta, que induz uma emissão fluorescente em átomos de hidrogênio conhecida como linha Lyman-alpha. Como resultado, o sinal de qualquer galáxia escura localizada na vizinhança do quasar é amplificado, fazendo com que ela seja visível. Essa iluminação fluorescente já foi usada antes na busca por galáxias escuras, mas Marino e seus colegas buscaram a vizinhança de quasares mais distantes do que aqueles usados nas identificações anteriores.

Eles adquiriram a informação espectral completa para cada candidata a galáxia escura. Observações profundas, 10 horas para cada uma dos 6 campos de quasares que eles estudaram, permitiram que Marino e seus colegas pudessem discernir as candidatas a galáxias escuras de outras fontes. Eles partiram de inicialmente 200 emissores Lyman-alpha, meia dúzia de regiões permaneceram improváveis para ser uma população normal de formação de estrelas, fazendo delas candidatas robustas para galáxias escuras.

Os avanços na capacidade observacional foi possível graças ao instrumento MUSE, instalado no VLT do ESO no Chile. Em essência, estudos anteriores foram limitados a fazer imagens de bandas de frequências não tão amplas. O MUSE permitiu que caçar essas galáxias escuras, sem filtros, e a grandes distâncias da Terra.
Fonte: https://phys.org 

Descoberto o Primeiro Imigrante Interestelar no Sistema Solar

Imagens do asteroide 2015 BZ509 obtidas pelo LBTO (Large Binocular Telescope Observatory) que estabeleceu a sua natureza co-orbital retrógrada. As estrelas brilhantes e o asteroide (no círculo amarelo) aparecem escuros e o céu branco nesta imagem negativa.Crédito: C. Veillet/LBTO

Um novo estudo descobriu o primeiro imigrante permanente conhecido no nosso Sistema Solar. O asteroide, atualmente aninhado na órbita de Júpiter, é o primeiro asteroide conhecido a ser capturado de outro sistema estelar. O trabalho foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.

O objeto conhecido como 'Oumuamua foi o último visitante interestelar a chegar às manchetes em 2017. No entanto, era apenas um turista passageiro, enquanto este ex-exoasteroide - a quem deram o nome cativante (514107) 2015 BZ509 - é um residente de longa duração. Todos os planetas do nosso Sistema Solar, e a grande maioria dos outros objetos, viajam em redor do Sol na mesma direção. No entanto, 2015 BZ509 é diferente - ele move-se na direção oposta, no que é conhecido como órbita "retrógrada".

Imagem do berçário estelar NGC 604 (NASA/HST), onde os sistemas estelares estão próximos uns dos outros e se pensa que a troca de asteroides seja possível. O asteroide (514107) 2015 BZ509 emigrou da sua estrela natal e assentou em torno do Sol num ambiente semelhante. Crédito: NASA/Equipa de Arquivo do Hubble (AURA/STScI)

"A razão pela qual este asteroide ficou a mover-se desta maneira, enquanto partilhava a órbita de Júpiter, tem sido um mistério até agora," explica o Dr. Fathi Namouni, autor principal do estudo. "Se 2015 BZ509 fosse nativo ao nosso Sistema Solar, deveria ter a mesma direção original tal como todos os outros planetas e asteroides, herdada da nuvem de gás e poeira que os formou."

No entanto, a equipe realizou simulações para traçar a localização de 2015 BZ509 até ao nascimento do nosso Sistema Solar, há 4,5 mil milhões de anos, quando a era da formação planetária terminou. Estas mostram que 2015 BZ509 sempre se moveu desta forma e por isso não poderia ter aí estado originalmente. Portanto, deve ter sido capturado de outro sistema.

"A imigração de asteroides de outros sistemas estelares ocorre porque o Sol inicialmente se formou num aglomerado estelar, onde cada estrela tinha o seu próprio sistema de planetas e asteroides," comenta a Dra. Helena Morais, que também integra a equipe. A proximidade das estrelas, ajudada pelas forças gravitacionais dos planetas, ajuda estes sistemas a atraírem-se, a remover e a capturar asteroides uns dos outros."

A descoberta do primeiro imigrante asteroide permanente no Sistema Solar tem implicações importantes para os problemas em aberto da formação planetária, da evolução do Sistema Solar e, possivelmente, da origem da própria vida. Entender exatamente quando e como 2015 BZ509 se estabeleceu no Sistema Solar fornece pistas sobre o berçário estelar original do Sol e sobre o potencial enriquecimento do nosso ambiente inicial com os componentes necessários para o surgimento da vida na Terra.
FONTE: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Dois quasares de alto brilho descobertos

Astrônomos detectaram dois novos quasares brilhantes com redshifts, ou seja, desvio para o vermelho de cerca de 5.0. O quasares recém-descobertos, ou QSO como são chamados, sigla para quasi-stelar objects, estão entre os mais brilhantes de alto desvio para o vermelho já detectados até o momento. Energizados pelos buracos negros supermassivos, os quasares brilhantes nesses altos desvios para o vermelho são importantes para os astrônomos já que eles funcionam como feixes brilhantes iluminando a evolução química do universo de forma muito eficiente. 

Contudo, esses objetos são muito raros e muito difíceis de serem descobertos. Por isso, até o momento somente uma dezena de quasares foram descobertos com desvios para o vermelho maiores que 4.5 e magnitude na banda i, abaixo de 18.2. Encontrar esses quasars requer grandes pesquisas, e não é surpresa que os primeiros quasares com z>5 (z é a letra usada para designar o desvio para o vermelho), tenham sido descobertos usando o Sloan Digital Sky Survey. Quasares brilhantes, com z>4.5 são difíceis de serem encontrados pois eles podem ter sua visão contaminada por estrelas esfrias com cores similares”.

Recentemente, uma equipe de astrônomos, liderada por Zefeng Li da Australian National University, a ANU, conduziu uma pesquisa por quasares brilhantes e de elevado desvio para o vermelho. Eles usaram o telescópio de 2.3 metro da ANU no Observatório de Siding Spring na Austrália, equipado com o Wide Field Spetrograph, o WiFeS, para realizar observações de objetos registrados pelo SkyMapper Southern Survey, pelo telescópio Pan-STARRS1 e pelo WISE da NASA. A campanha observacional, resultou na descoberta de dois quasares com elevado desvio para o vermelho, entre Dezembro de 2017 e Abril de 2018.

“Esse artigo apresenta nosso primeiro passo na busca por QSOs brilhantes e de elevado desvio para o vermelho no céu do sul, e já podemos relatar a descoberta de dosi QSOs brilhantes, com i aproximadamente de 18 e z de aproximadamente 5”.

Os quasares recém-descobertos, são designados de SMSS J013539.27-212628.4 e SMSS J093032.58-221207.7, e possuem desvio para o vermelho de 4.94 e 4.86 respectivamente. O SMS J013539.27-212528.4 tem uma magnitude na banda i de 18 enquanto que o SMS J093032.58-221207.7 tem uma magnitude de 18.11.  Os dois novos QSOs representam uma grande adição à lista bem pequena de quasares conhecidos com z >4.5 e magnitude abaixo de 18.2.

Além disso, as observações conduzidas pela equipe de Li redescobriu dois outros quasares brilhantes e com elevado desvio para o vermelho, identificados em estudos anteriores. Os pesquisadores notaram que o segundo passo na busca por esse tipo de QSO deve ser feito quando mais pesquisas como a SkyMapper estiver disponível. O Segundo release de dados da SkyMapper, a SkyMapper DE2, programado para acontecer em Agosto de 2018 ajudará nessa busca. O DR2 deve fornecer uma fotometria profunda em todas as bandas pela declinação sul. Contudo uma cobertura completa do céu só estará disponível em 2020.
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