26 de setembro de 2017

Estrelas e espirais

Esta bela galáxia espiral, chamada NGC 1964, situa-se a aproximadamente 70 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação da Lebre. NGC 1964 possui um núcleo denso e brilhante situado no coração de um disco oval sarapintado, o qual por sua vez se encontra rodeado pelos distintos braços espirais salpicados de brilhantes regiões estreladas. O centro resplandescente da galáxia chamou a atenção do olho treinado do astrônomo William Herschel na noite de 20 de novembro de 1784, o que levou à descoberta desta galáxia e à sua subsequente integração no catálogo New General Catalogue.  Além de conter estrelas, NGC 1964 também está situada numa região do céu repleta de estrelas. Nesta imagem obtida pelo instrumento Wide Field Imager (WFI), montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, podemos ver a estrela HD 36785 logo à direita da galáxia. Por cima dela encontram-se duas outras estrelas proeminentes chamadas HD 36784 e TYC 5928-368-1, enquanto que a estrela grande brilhante por baixo e à direita de NGC 1964 é conhecida por BD-22 1147. Esta imagem de NGC 1964 também mostra uma série de galáxias, visíveis no plano de fundo. O WFI é capaz de observar a luz emitida por estas galáxias distantes, até 40 milhões de vezes mais fracas do que o que o olho humano pode observar.

Crédito: ESO/Jean-Christophe Lambry

Morte por supernova revela vínculo com nascimento estelar

Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra a Supernova 1987A no interior da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da nossa Via Láctea.Crédito: NASA, ESA, R. Kirshner (Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e Fundação Gordon e Betty Moore), e M. Mutchler e R. Avila (STScI)

Pensava-se, anteriormente, que as moléculas e as poeiras fossem completamente destruídas pelas gigantescas explosões de supernova. No entanto, pela primeira vez, os cientistas descobriram que não é bem o caso. Um grupo de cientistas, incluindo os financiados pelo Conselho Europeu de Pesquisa e pelos projetos SNDUST e COSMICDUST, identificou duas moléculas previamente não detetadas: formilum (HCO+) e monóxido de enxofre (SO) no remanescente de supernova 1987A. Tendo explodido originalmente em fevereiro de 1987, a Supernova 1987A está localizada a 163.000 anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa própria Via Láctea.

A fábrica de poeira de um remanescente de supernova muito jovem
O autor principal do estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, Dr. Mikako Matsuura, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Cardiff, disse: "Esta é a primeira vez que encontramos estas espécies de moléculas dentro das supernovas, o que questiona os nossos pressupostos de que essas explosões destroem todas as moléculas e poeiras presentes no interior de uma estrela." A acompanhar estas moléculas recém-identificadas estavam substâncias como monóxido de carbono (CO) e óxido de silício (SiO), que já tinham sido detetadas anteriormente.
A descoberta destas moléculas inesperadas abre a possibilidade de que a morte explosiva das estrelas forma nuvens residuais de gás que arrefecem abaixo dos -200ºC, resultando nos vários elementos pesados sintetizados que começam a abrigar moléculas, produzindo o que é apelidado de "fábrica de poeira". Como o Dr. Matsuura continua a explicar, "o que é mais surpreendente é que estas fábricas de moléculas ricas são geralmente encontradas em condições onde as estrelas nascem. A morte de estrelas massivas pode, portanto, levar ao nascimento de uma nova geração."
À medida que são criadas novas estrelas a partir dos elementos mais pesados espalhados durante as explosões, este trabalho abre a perspetiva de uma melhor compreensão da composição dessas estrelas nascentes, analisando a sua fonte.

Uma espetacular despedida celeste
A mecânica das supernovas é relativamente bem compreendida. Quando estrelas gigantes chegam ao fim da sua evolução estelar, ficam praticamente sem combustível, sem calor e energia suficientes para neutralizar a força da sua própria gravidade. Consequentemente, as regiões externas da estrela caem sobre o núcleo com uma força formidável, provocando a espetacular explosão e deixando o que parece ser uma nova estrela brilhante para trás, antes de desvanecer.
Desde a sua descoberta há mais de 30 anos atrás que os astrónomos têm enfrentado obstáculos no estudo da Supernova 1987A, especialmente no que toca à investigação do núcleo mais interior. Esta investigação foi realizada com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), o que permitiu com que a equipa a explorasse em grande detalhe. Dado que a instalação possui 66 antenas e é capaz de observar comprimentos de onda milimétricos - no espectro eletromagnético, estão situados entre o infravermelho e o rádio -, consegue penetrar as nuvens de gás e poeira da supernova. Esta capacidade permitiu expor as moléculas recém-formadas.
Para expandir as suas descobertas atuais, a equipa planeia continuar a usar o ALMA para verificar a prevalência das moléculas de HCO+ e SO, bem como explorar ainda mais as moléculas detetadas até agora.
Fonte: Astronomia OnLine

NGC 6753 Uma bela galáxia espiral com sua coroa

Apesar dos avanços conseguidos em várias áreas nas últimas décadas, o processo de formação de galáxia, permanece como sendo uma questão em aberto na astronomia. Várias teorias tem sido sugeridas, mas como as galáxias se apresentam nas mais diversas formas e tamanhos, elípticas, espirais, irregulares, etc.., nenhuma teoria tem conseguido de forma única e satisfatória explicar a origem de todas as galáxias no universo.
Para determinara qual o modelo de formação de galáxias está correto, se é que existe um, os astrônomos caçam por sinais de processos físicos que possam ser observados nas galáxias. Um exemplo desses processos, são as chamadas coroas galácticas, que são regiões enormes e invisíveis de gás quente que rodeiam o bulbo visível da galáxia formando uma estrutura esferoidal. Essas coroas são tão quentes que elas podem ser detectadas pela emissão de raios-X. Pelo fato de serem filamentadas elas são extremamente difíceis de serem detectadas. Em 2013, os astrônomos destacaram a NGC 6753, mostrada aqui numa bela imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble, como uma das únicas galáxias espirais conhecidas que era massiva o suficiente e próxima o suficiente para ter sua coroa estudada e imageada com detalhes. A NGC 6753, está localizada a cerca de 150 milhões de anos-luz de distância da Terra, e óbvio que isso é perto em termos astronômicos.
A NGC 6753 apresenta uma grande variação de cores nessa imagem, as explosões azuladas nos braços espirais são regiões preenchidas com estrelas jovens emitindo intensa radiação ultravioleta, enquanto que áreas mais avermelhadas são preenchidas com estrelas mais velhas emitindo uma radiação mais fria no infravermelho próximo.
Fonte: SPACE TODAY

A Via Láctea é um "OUTLIER"? estudando as suas "IRMÃS" em busca de pistas

Imagem ótica de uma "irmã" da Via Láctea.Crédito: SDSS

A galáxia mais estudada do Universo - a Via Láctea - pode não ser tão "típica" quanto se pensava anteriormente, de acordo com um novo estudo. A Via Láctea, que é o lar da Terra e do seu Sistema Solar, hospeda várias dúzias de galáxias satélite mais pequenas. Estas galáxias mais pequenas orbitam a Via Láctea e são úteis na compreensão da nossa própria Galáxia.
Os primeiros resultados do levantamento SAGA (Satellites Around Galactic Analogs) indicam que as galáxias satélite da Via Láctea são muito mais tranquilas do que outros sistemas comparáveis em termos de luminosidade e ambiente. Muitos satélites dessas galáxias "irmãs" estão a produzir ativamente novas estrelas, mas as da Via Láctea são principalmente inertes. Segundo os investigadores, isto é significativo, porque muitos modelos para o que sabemos sobre o Universo dependem de galáxias que se comportam de forma semelhante à Via Láctea.
"Nós usamos a Via Láctea e os seus arredores para estudar absolutamente tudo," afirma a astrofísica Marla Geha de Yale, autora principal do artigo publicado na revista The Astrophysical Journal. "Surgem centenas de estudos por ano sobre matéria escura, cosmologia, formação estelar e formação galáctica, usando a Via Láctea como guia. Mas é possível que a Via Láctea seja um 'outlier'."
O levantamento SAGA começou há cinco anos atrás com o objetivo de estudar as galáxias satélite em redor de 100 irmãs da Via Láctea. Até ao momento, estudou oito outros sistemas idênticos ao da Via Láctea, que os cientistas dizem ser uma amostra demasiado pequena para chegar a conclusões definitivas. O SAGA espera ter estudado 25 irmãs da Via Láctea nos próximos dois anos.
No entanto, o levantamento já dá que falar. Numa recente conferência onde Geha apresentou alguns dos resultados iniciais do SAGA, outro investigador disse-lhe: "Você acabou de lançar uma chave inglesa no que sabemos sobre a forma como as galáxias pequenas se formam."
"O nosso trabalho coloca a Via Láctea num contexto mais amplo," comenta a investigadora do SAGA Risa Wechsler, astrofísica do Instituto Kavli da Universidade de Stanford. "O Levantamento SAGA vai fornecer uma compreensão crítica da formação das galáxias e da natureza da matéria escura."
Wechsler, Geha e sua equipa dizem que vão continuar a melhorar a eficiência de encontrar satélites em torno de irmãs da Via Láctea. "Eu quero realmente saber a resposta à pergunta 'A Via Láctea é única, ou totalmente normal?'," comenta Geha.
Fonte: Astronomia OnLine

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