9 de janeiro de 2017

Pesquisadores observam pela primeira vez tipo extremamente raro de galáxia

Aproximadamente 359 milhões de anos-luz de distância da Terra, existe uma galáxia chamada PGC 1000714 que não se parece com nada que os astrônomos já observaram antes. Uma nova pesquisa da Universidade de Minnesota Duluth e do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, nos EUA, forneceu uma primeira descrição do núcleo elíptico bem definido, rodeado por dois anéis circulares. A galáxia parece pertencer a uma classe raramente observada, conhecida como Objeto de Hoag, mas possui uma característica distintiva.

“Menos de 0,1% de todas as galáxias observadas são galáxias do tipo Hoag”, diz Burcin Mutlu-Pakdil, autor principal do estudo. As galáxias do tipo Hoag são núcleos redondos rodeados por um anel, sem nada conectando-os visivelmente. A maioria das galáxias observadas possuem forma de disco, como nossa própria Via Láctea. Os pesquisadores coletaram imagens de ondas múltiplas da galáxia, usadas para determinar as idades das suas duas principais características, o anel externo e o corpo central.

Os cientistas determinaram que o anel azul é “jovem” (0,13 bilhão de anos) e está envolvendo um núcleo vermelho mais velho (5,5 bilhões de anos). A surpresa, no entanto, foi a descoberta de um segundo anel, mais interno, em torno do corpo central.  Nós observamos galáxias com um anel azul em torno de um corpo vermelho central antes, o mais conhecido destes é o Objeto de Hoag. No entanto, a característica única desta galáxia parece ser um antigo anel interno vermelho difuso”, disse Patrick Treuthardt, coautor do estudo.

Os anéis das galáxias são regiões onde as estrelas se formaram, a partir da colisão de gases. As diferentes cores do anel interno e externo sugerem que esta galáxia experimentou dois períodos de formação diferentes”, explicou Mutlu-Pakdil. Os pesquisadores afirmaram que, ao acumular visões de outras galáxias como esta, podem começar a entender como tais objetos incomuns são formados e evoluem.

Os cientistas especulam que o anel externo pode ser o resultado da incorporação de porções de uma galáxia anã rica em gás próxima. Eles também disseram que inferir a história do anel interno mais antigo exigiria a coleta de dados de infravermelho de alta resolução. Sempre que encontramos um objeto único ou estranho para estudar, ele desafia nossas teorias atuais e suposições sobre como o universo funciona. Geralmente nos diz que ainda temos muito a aprender”, afirma Treuthardt.
Fonte: Phys

Os segredos escondidos das Nuvens de Orion

Rastreio VISTA mostra a vista mais detalhada obtida até à data no infravermelho próximo da nuvem molecular Orion A

Esta bela imagem é um dos maiores mosaicos a alta resolução no infravermelho próximo da nuvem molecular Orion A, a fábrica de estrelas massivas mais próxima que se conhece, situada a cerca de 1350 anos-luz de distância da Terra. Esta imagem foi obtido com o telescópio infravermelho de rastreio VISTA instalado no Observatório do Paranal do ESO no norte do Chile e revela muitas estrelas jovens e outros objetos que normalmente se encontram profundamente enterrados no seio das nuvens de poeira.
Esta nova imagem composta do rastreio VISION (VIenna Survey In Orion) é uma montagem de imagens obtidas na região do infravermelho próximo pelo telescópio de rastreio VISTA, instalado no Observatório do Paranal do ESO no Chile. A imagem cobre toda a nuvem molecular Orion A, uma de duas nuvens moleculares gigantes que fazem parte do complexo da Nuvem Molecular de Orion. Orion A estende-se para sul da familiar região de Orion conhecida como a espada, ao longo de cerca de 8 graus.
O VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo. Possui um enorme campo de visão o qual observa com
detectores infravermelhos muito sensíveis, o que o torna ideal na obtenção de imagens infravermelhas profundas de alta qualidade, indispensáveis a este rastreio ambicioso. O rastreio VISION resultou num catálogo com cerca de quase 800 000 estrelas, objetos estelares jovens e galáxias distantes individuais identificadas, o que representa uma melhor profundidade e cobertura do que as conseguidas até à data por qualquer outro rastreio desta região.
O VISTA observa radiação que o olho humano não vê, permitindo aos astrónomos identificar muitos objetos na maternidade estelar, doutro modo invisíveis. Estrelas muito jovens que não podem ser observadas em imagens obtidas no visível são reveladas quando observadas nos maiores comprimentos de onda do infravermelho, onde a poeira que as rodeia se torna mais transparente.
Esta nova imagem representa um passo em frente na obtenção de uma fotografia completa dos processos de
formação estelar em Orion A, tanto para estrelas de pequena massa como para estrelas massivas. O objeto mais espectacular é a gloriosa Nebulosa de Orion, também chamada Messier 42, que pode ser vista do lado esquerdo da imagem. Esta região forma parte da espada da famosa constelação brilhante do caçador Orion. O catálogo VISTA cobre tanto objetos familiares como novas descobertas. Estes novos objetos incluem cinco candidatos a objetos estelares jovens e dez candidatos a enxames de galáxias.
No resto da imagem podemos ver as nuvens escuras de Orion A e encontrar muitos tesouros escondidos, como discos de material que poderão dar origem a novas estrelas (discos protoestelares), nebulosidades associadas a estrelas recém nascidas (
objetos de Herbig Haro), enxames de estrelas mais pequenos e até enxames de galáxias situados muito para além da Via Láctea. O rastreio VISION permite o estudo sistemático das fases de evolução mais precoces das estrelas jovens no seio de nuvens moleculares próximas.
Esta imagem muito detalhada de Orion A estabelece uma nova base observacional para estudos futuros de formação de estrelas e enxames, destacando uma vez mais o poder do telescópio VISTA na obtenção de imagens de vastas áreas do céu, rápida e profundamente, na região do infravermelho próximo do espectro electromagnético.
Fonte: ESO


NEOWISE da NASA espia um cometa, talvez dois

Impressão de artista de 2016 WF9 à medida que passa pela órbita de Júpiter em direção ao Sistema Solar interior. Crédito: NASA/JPL-Caltech


A missão NEOWISE da NASA descobriu recentemente alguns objetos celestes que viajam pela nossa vizinhança, incluindo um que tolda a linha entre asteroide e cometa. Outro - definitivamente um cometa - pode ser visto com binóculos esta semana. Um objeto chamado 2016 WF9 foi detetado pelo projeto NEOWISE no dia 27 de novembro de 2016. Está numa órbita que o leva num passeio panorâmico do nosso Sistema Solar. Na sua maior distância ao Sol, aproxima-se da órbita de Júpiter. Ao longo de 4,9 anos terrestres, viaja para o interior, passando pela cintura de asteroides e pela órbita de Marte até que atinge o seu ponto orbital mais próximo do Sol dentro da órbita da Terra.

Depois, dirige-se de volta para o Sistema Solar exterior. Objetos nestes tipos de órbitas têm múltiplas origens possíveis; poderá ter sido um cometa, ou poderá ter-se desviado de uma população de objetos escuros na cintura principal de asteroides. 2016 WF9 aproximar-se-á da órbita da Terra no dia 26 de fevereiro de 2017. A uma distância de quase 51 milhões de quilómetros, esta passagem não o trará particularmente perto. A trajetória de 2016 WF9 é bem compreendida e o objeto não é uma ameaça à Terra num futuro previsível.

Um objeto diferente, descoberto pelo NEOWISE um mês antes, é mais claramente um cometa, libertando poeira à medida que se aproxima do Sol. Este cometa, C/2016 U1 NEOWISE, "tem uma boa chance de se tornar visível através de um bom par de binóculos, embora não possamos ter certeza porque o brilho de um cometa é notoriamente imprevisível," afirma Paul Chodas, gestor do Centro de Estudos NEO (Near-Earth Object) da NASA no JPL em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

Visto a partir do hemisfério norte durante a primeira semana de 2017, o cometa C/2016 U1 NEOWISE estará no céu a sudeste pouco antes do amanhecer. Move-se mais para sul com o passar dos dias e alcançará o seu ponto mais próximo do Sol, dentro da órbita de Mercúrio, no dia 14 de janeiro, antes de regressar aos confins do Sistema Solar exterior para uma órbita de milhares de anos. Embora seja visível para os observadores na Terra, também não é considerado uma ameaça para o nosso planeta.

O NEOWISE é a porção de caça a asteroides e cometas da missão WISE (Wide-Field Infrared Survey Explorer). Depois de descobrir mais de 34.000 asteroides durante a sua missão original, o NEOWISE acordou de hibernação no mês de dezembro de 2013 para procurar e aprender mais sobre asteroides e cometas que podem representar um perigo de impacto para a Terra. Caso 2016 WF9 venha a ser um cometa, será o 10.º descoberto desde a sua reativação. Se for um asteroide, será o 100.º descoberto desde a sua reativação. O que os cientistas do NEOWISE realmente sabem é que 2016 WF9 é relativamente grande: entre 0,5 e 1 km de diâmetro.

É também um pouco escuro, refletindo uma baixa percentagem de luz que cai sobre a sua superfície. Este corpo assemelha-se com um cometa no que toca à refletividade e órbita, mas parece não possuir a característica nuvem de poeira e gás que define um cometa. "2016 WF9 poderá ter origens cometárias," afirma James "Gerbs" Bauer, investigador principal adjunto no JPL. "Este objeto exemplifica que a fronteira entre asteroides e cometas é difusa; talvez com o tempo este objeto tenha perdido a maioria das substâncias voláteis que permanecem à superfície ou mesmo por baixo."

Os NEOs (Near-Earth objects - em português, objetos próximos da Terra) absorvem a maior parte da luz que cai sobre eles e reemitem essa energia em comprimentos de onda infravermelhos. Isto permite com que os detetores infravermelhos do NEOWISE estudem tanto NEOs escuros como claros com uma nitidez e sensibilidade quase iguais. Estes são objetos bastante escuros," afirma Joseph Masiero, membro da equipe do NEOWISE. "Pense no asfalto novo das ruas; estes objetos parecem-se com carvão, em alguns casos são ainda mais escuros que isso."

Os dados do NEOWISE têm sido usados para medir o tamanho de cada objeto próximo da Terra que observa. Trinta e um asteroides que o NEOWISE descobriu passam a cerca de 20 distâncias lunares da órbita da Terra, e 19 têm mais de 140 metros em diâmetro, mas refletem menos de 10% da luz que incide sobre eles. O WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) completou o seu sétimo ano no espaço, depois de ter sido lançado no dia 14 de dezembro de 2009.
Fonte: Astronomia OnLine



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