4 de outubro de 2017

Explosões de metano podem ter ajudado a água líquida fluir em Marte

Explosões de metano fluindo na atmosfera jovem de Mart e pode ter temporariamente aquecido o planeta, permitindo assim que a água líquida persistisse na superfície mesmo depois de Marte ter entrado num período seco. Rovers e módulos orbitais encontraram evidências de que rios fluíram em Marte a cerca de 3 bilhões de anos atrás, sugerindo que as coisas ocasionalmente ficaram quentes o suficiente para que o gelo derretesse e fluísse como água por alguns milhões de anos.

A razão para isso ter acontecido pode ter sido gigantescas explosões de metano, um potente gás do efeito estufa, de acordo com Edwin Kite, da Universidade de Chicago. Esses depósitos de metano, que podem datar do nascimento de Marte, poderiam até mesmo ser responsável pelas temporárias pequenas explosões de metano registradas em Marte atualmente pelas sondas que lá estão.

As explosões de metano teriam acontecido enquanto Marte teve seu eixo de rotação alterado. Como a Terra, Marte tem seu eixo de rotação inclinado, mas essa inclinação pode mudar muito no decorrer do tempo devido a relações entre sua órbita e a órbita de Júpiter. Quando Marte estava extremamente inclinado, seus depósitos de gelo ficaram mais tempo expostos à luz do Sol e então derreteram. Isso liberou o metano que então estava aprisionado nos cristais de gelo.

“Isso é basicamente gelo que pode pegar fogo. Você pode com um isqueiro ligar e acender ele”, disse o pesquisador. “Na sua mão, ele parece gelo, mas nas pressões da superfície 
da Terra, ele é instável então lnaça gás metano”.

Durante os períodos em que o eixo de rotação de Marte estava extremamente inclinado, o metano armazenado entrou em erupção na atmosfera, esquentou ela o suficiente para derreter os lagos congelados, e os rios começaram a fluir. A radiação ultravioleta do Sol eventualmente quebrou o metano, mas isso poderia persistir por milhões de anos. O tempo e a duração dos eventos de extrema inclinação se ajusta com a duração e com a relativa raridade dos climas formadores de lagos na história de Marte. Adicionar 1% de metano na atmosfera rica em dióxido de carbono de Marte, na mesma pressão atmosférica da Terra, faria a temperatura subir 6 graus, o suficiente para derreter o gelo.

Isso só seria possível se Marte também tivesse uma cobertura de CO2 para mantê-lo aquecido. O metano seria somente uma pequena adição. Mas recentes evidências sugerem que Marte pode não ter tido tanto CO2 como os pesquisadores pensavam. Thomas Bristow, do Ames Research Center da NASA e seus colegas recentemente encontraram uma ausência de minerais carbonatos nas rochas estudadas pelo Curiosity.

“Tendo uma espessa atmosfera de CO2 levaria a algumas expectativas sobre os tipos de rochas que você poderia encontrar depositadas naquele tempo. Você espera ver muitos minerais carbonatos ao redor, particularmente em rochas sedimentares, e nós não vimos isso”.

Isso significa que de fato tem pouco CO2? Ou, esse CO2 foi sequestrado das rochas estudadas pelo Curiosity, e outras rochas não estudadas podem ter essas evidências? Essa é uma questão aberta, mas se Tom estiver certo, Kite está errada, não teria CO2 suficiente para aquecer o planeta mesmo lançando metano na atmosfera, pois a presença do CO2 é fundamental.

O verdadeiro teste para o metano virá com a missão ExoMars, mas precisamente com a sonda TGO – Trace Gas Orbiter, uma missão europeia que já está na órbita de Marte. Ela será capaz de detectar os sinais apagados do metano atual, nos dando uma boa ideia sobre se as explosões de metano realmente aqueceram Marte.
Fonte: SPACE TODAY

A concha da enorme estrela G79.29+0.46

Estrelas assim tão voláteis são bastante raras. Capturada no meio de nuvens de poeira e visível para a direita e para cima do centro, está a massiva G79.29+0.46, uma das menos de 100 estrelas variáveis azuis luminosas (LBVs ou luminous blue variables) atualmente conhecidas na nossa Galáxia. As LBVs expelem conchas de gás e podem perder o equivalente à massa de Júpiter ao longo de 100 anos. A estrela, ela própria brilhante e azul, está envolta em poeira e, portanto, não é observável no visível. A estrela moribunda parece verde e rodeada por conchas vermelhas nesta imagem infravermelha que combina exposições do Observatório Espacial Spitzer e do WISE da NASA. G79.29+0.46 está localizada na região de formação estelar Cygnus X da Via Láctea. Não se sabe porque G79.29+0.46 é tão volátil, nem quanto tempo permanecerá na fase LBV nem quando explodirá como supernova.
Fonte: NASA

ALMA e Rosetta detectam freon-40 no espaço

O ALMA descobriu o haloalcano cloreto de metila (freon-40) em torno de estrelas bebés no sistema IRAS 16293-2422. Estes mesmos compostos orgânicos foram igualmente descobertos na fina atmosfera que rodeia o cometa 67P/C-G pelo instrumento ROSINA, colocado a bordo da sonda espacial Rosetta da ESA.Crédito: B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); NASA/JPL-Caltech/UCLA

Observações realizadas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e a missão Rosetta da ESA, revelaram a presença do haloalcano freon-40 no gás que ao redor de uma estrela recém formada e também de um cometa. Os haloalcanos formam-se por processos orgânicos na Terra, mas esta é a primeira vez que são detectados no espaço interestelar. Esta descoberta sugere que os haloalcanos possam não ser tão bons marcadores de vida como se pensava, mas sim componentes significativos do material que forma os planetas. 

Este resultado, publicado na revista Nature Astronomy, sublinha o desafio de encontrar moléculas que possam indicar a presença de vida fora da Terra. Usando dados obtidos pelo ALMA no Chile e pelo instrumento ROSINA da missão Rosetta da ESA, uma equipe de astrônomos encontrou traços do componente químico freon-40 (CH3Cl), também conhecido por cloreto de metila ou clorometano, em torno tanto de um sistema estelar bebê IRAS 16293-2422, situado a cerca de 400 anos-luz de distância da Terra, como do famoso cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (67P/C-G) no nosso Sistema Solar. Trata-se da primeira detecção de um haloalcano no espaço interestelar.

Os haloalcanos consistem em halógenos, tais como o cloro e o flúor, ligados ao carbono e às vezes a outros elementos. Na Terra, estes componentes são criados por processos biológicos — em organismos que vão desde os humanos aos fungos — assim como por processos industriais, tais como a produção de tintas e medicamentos. A descoberta de um destes compostos, o freon-40 ou solvente R-40, em locais onde ainda não existe vida, pode ser vista como desapontante, uma vez que trabalhos anteriores sugeriam que estas moléculas poderiam indicar a presença de vida.

“Encontrar o haloalcano freon-40 próximo destas estrelas jovens do tipo solar foi surpreendente,” disse Edith Fayolle, uma pesquisadora do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics em Cambridge, Massachusetts nos EUA, e autora principal do novo artigo que descreve estes resultados. “Não tínhamos simplesmente previsto a sua formação e ficamos surpresos por encontrar este composto em concentrações tão significativas. É agora claro que estas moléculas se formam prontamente em maternidades estelares, dando-nos pistas importantes sobre a evolução química dos sistemas planetários, incluindo o nosso.” 

O trabalho de investigação relativo a exoplanetas já avançou para além da descoberta de planetas — atualmente já são conhecidos mais de 3000 exoplanetas — para a procura de marcadores químicos que poderão indicar a presença de potencial vida. Neste contexto, um passo vital é determinar quais as moléculas que poderão indicar a presença de vida, no entanto estabelecer marcadores viáveis permanece um processo complicado.

“A descoberta de haloalcanos no meio interestelar ajuda-nos também a descobrir as condições de partida da química orgânica nos planetas. Tal química é um passo importante na descoberta da origem da vida,” acrescenta Karin Öberg, uma das co-autora deste estudo. “Com base na nossa descoberta, os haloalcanos são provavelmente um constituinte da chamada “sopa primordial”, encontrados tanto na Terra jovem como em exoplanetas rochosos em formação.”

Este fato sugere que os astrônomos possam ter visto as coisas ao contrário; em vez de indicarem a presença de vida, os haloalcanos podem antes ser um elemento importante na química, ainda pouco conhecida, da origem da vida.

O co-autor Jes Jørgensen do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhagen, acrescenta: ”Este resultado mostra o poder do ALMA em detectar moléculas com interesse astrobiológico em estrelas jovens onde planetas podem estar se formando. Com o auxílio do ALMA já encontramos açúcares simples e precursores de aminoácidos em torno de estrelas diferentes. Esta descoberta adicional de freon-40 em torno do cometa 67P/C-G fortalece a ligação entre a química pré-biológica de protoestrelas distantes e o nosso próprio Sistema Solar.”

Os astrônomos também compararam as quantidades relativas de freon-40 que contêm diferentes isótopos de carbono no sistema estelar bebê e no cometa — e encontraram abundâncias semelhantes. Este fato apoia a ideia de que um sistema planetário jovem pode “herdar” a composição química da sua nuvem de formação progenitora, possibilitando assim que os haloalcanos cheguem aos planetas em sistemas jovens durante a formação planetária ou através de impactos de cometas.

“Os nossos resultados mostram que ainda temos muito que aprender sobre a formação dos haloalcanos,” conclui Fayolle. “A procura adicional destes compostos em torno de outras protoestrelas e cometas torna-se crucial para compreendermos esta questão.”
FONTE: ESO

Bolhas no espaço

Localizada a uma distância de aproximadamente 160 mil anos-luz, a Grande Nuvem de Magalhães, é uma das galáxias mais próximas da Via Láctea. Ela também é o lar de uma das maiores e mais intensas regiões ativas de formação de estrelas, a chamada Nebulosa da Tarântula. Essa imagem do Hubble mostra os filamentos de gás que inspiraram o nome da região, e as intrigantes estruturas de bolhas empilhadas que formam a chamada Nebulosa da Colmeia.
A Nebulosa da Colmeia foi encontrada pelos astrônomos usando o New Technology Telescope do ESO para imagear a SN1987A, a supernova mais próxima da Terra nos últimos 400 anos. A estranha forma de bolha da nebulosa tem desafiado os astrônomos desde a sua descoberta no início dos anos 1990. Várias teorias foram propostas para explicar essa estrutura única, algumas mais exóticas do que outras.
Em 2010, um grupo de astrônomos estudou a nebulosa e usando técnicas avançadas de análise de dados e modelagem computacional, chegaram à conclusão que sua única aparência se deve provavelmente ao efeito combinado de duas supernovas, uma explosão mais recente que aconteceu na concha de material em expansão da explosão mais antiga. A aparência especialmente intrigante se deve ao nosso ponto de vista privilegiado, o efeito de colmeia de conchas circulares pode não ser visto de outro ângulo do universo.

Anel de gelo em torno da estrela Fomalhaut

Por que existe um grande anel de gelo ao redor da estrela Fomalhaut? Essa interessante estrela, facilmente visível no céu noturno, localizada a cerca de 25 anos-luz de distância da Terra e é conhecida por ser orbitada pelo menos um planeta, bem como por alguns discos de poeira mais internos. Mais intrigante talvez, seja o seu anel externo, descoberto pela primeira vez a cerca de 20 anos atrás, ele possui uma borda interna incomumente bem definida. A hipótese mais aceita até o momento é que o anel é o resultado de numerosas e violentas colisões envolvendo cometas congelados e planetesimais, os pequenos objetos que no futuro formam planetas, enquanto que as bordas do anel são geradas pela gravidade de planetas ainda não observados ou detectados. Se essa hipótese estiver correta, qualquer planeta interno no sistema de Fomalhaut está sendo continuamente bombardeado por grandes asteroides e cometas, um evento que ocorreu aqui no Sistema Solar a cerca de 4 bilhões de anos atrás, num episódio chamado de Último Grande Bombardeamento.
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