17 de maio de 2019

A Lua está encolhendo e gera tremores similares a terremotos, diz NASA

Falhas geológicas na superfície lunar demonstram que o satélite natural é muito mais geologicamente ativo do que se imaginava.

De acordo com um novo estudo da NASA, a Lua está encolhendo à medida em que seu interior esfria, "emagrecendo" mais de 50 metros ao longo das últimas centenas de milhões de anos. A agência espacial compara o fenômeno com uma uva que se enruga enquanto se reduz a uma passa, com a Lua também adquirindo rugas durante o processo de encolhimento.

Essas rugas são geradas porque a superfície lunar é quebradiça, formando "falhas de pressão" à medida em que encolhe lentamente, onde uma seção da crosta é empurrada para cima sobre uma parte vizinha. A análise dá a primeira evidência de que essas falhas ainda estão ativas na Lua, e provavelmente produzem "moonquakes" — abalos similares aos terremotos que temos aqui na Terra. "Alguns desses terremotos lunares podem ser bastante fortes, em torno de cinco na escala Richter", explica Thomas Watters, cientista sênior do Smithsonian.

No vídeo abaixo, gerado a partir de imagens da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), vemos o local do desembarque da missão Apollo 17 em que pode ser vista uma falha que é evidência do processo de encolhimento da Lua:

Essas falhas de assemelham a pequenas escarpas em forma de degraus quando vistas da superfície, e têm dezenas de metros de altura, estendendo-se por vários quilômetros. E foi justamente graças a sismógrafos posicionados na Lua pelos astronautas das missões Apollo que o estudo da vez foi possível: Watters, autor principal do estudo, analisou dados dos sismógrafos usando um algoritmo criado para identificar locais com terremotos.

Os sismógrafos foram posicionados na superfície lunar nas missões Apollo 11, 12, 14, 15 e 16, com 28 terremotos rasos sendo registrados entre 1969 e 1977, sendo que esses abalos variavam entre cerca de 2 e 5 na escala Richter. Então, usando as estimativas de localização do algoritmo, a equipe descobriu que oito desses 28 tremores estavam dentro de 30 km de falhas visíveis nas imagens lunares, o que é próximo o suficiente para atribuir os abalos às falhas.

Ainda, a análise descobriu que seis destes oito terremotos ocorreram quando a Lua estava no seu apogeu ou próximo dele — o ponto mais distante da Terra em sua órbita —, e é justamente neste ponto em que o estresse de maré da gravidade da Terra causa um pico na tensão total, tornando os eventos mais prováveis.

A equipe entende que "é muito provável que esses oito terremotos tenham sido produzidos por falhas que se acumularam quando a crosta lunar foi comprimida pela contração global e forças de maré, indicando que os sismógrafos das Apollo registraram a Lua se encolhendo, e a Lua ainda é tectonicamente ativa".

Para John Keller, cientista do LRO, "é realmente notável ver como dados de quase 50 anos atrás e da missão LRO foram combinados para avançar nossa compreensão da Lua". A LRO fotografa a superfície lunar desde 2009, e a equipe ainda pretende comparar imagens de regiões onde as falhas foram vistas em diferentes épocas, para ver se há alguma evidência de atividade recente de terremotos nessas regiões.

 Ainda, especialistas da NASA entendem que "estabelecer uma nova rede de sismógrafos na superfície lunar deve ser uma prioridade para a exploração humana na Lua, tanto para aprender mais sobre seu interior, quanto para determinar o risco de um terremoto", nas palavras de Renee Weber, co-autor do estudo de Watters.
Fontes:  Super Interessante 
Canaltech.com.br

Jipinho chinês encontra amostras do manto da Lua em seu lado oculto

No início do ano, a China fez história na exploração espacial: pousouprimeira sonda não tripulada no “lado escuro da Lua”. Já explicamos aqui na SUPER que o suposto “lado escuro” não tem nada de trevoso, e recebe luz solar exatamente na mesma proporção que o “lado claro”. A única questão é que ele não pode ser visto por quem observa o satélite aqui da Terra. Por nunca ter sido explorado, as descobertas feitas por lá prometiam ser reveladoras.
Calhou que a promessa se cumpriu. A China afirma que seu rover (isto é, um jipinho) analisou amostras provenientes do manto lunar – isto é, a camada de rocha que fica abaixo da superfície, até então intocada. É bom deixar claro que a sonda não coletou nenhuma rocha: ela baseou a análise na poeira que já estava no chão.
Para entender melhor o achado, vamos recapitular: o rover chinês Yutu-2, parceiro da sonda Chang’e-4, aterrissou em janeiro na cratera de Von Kármán, no meio da colossal bacia do Polo Sul-Aitken. Essa é uma antiga cratera de 2,5 mil quilômetros de diâmetro, que está entre as maiores estruturas originadas por impacto do Sistema Solar.
Por causa da origem turbulenta, os cientistas apostavam que a cratera era uma boa aposta para encontrar material proveniente do subsolo lunar. Essa é uma das razões pelas quais a Agência Espacial Chinesa fez de tudo para pousar lá.   O Yutu-2, dentro da cratera, detectou dois minerais que não são tipicamente encontrados na crosta (isto é, na superfície) lunar. De acordo com o espectrômetro, havia piroxena (com baixo teor de cálcio) e olivina — uma combinação mineral que bate com as simulações de computador que preveem como seria o manto da Lua.
Os pesquisadores suspeitam que, quando a cratera se formou, a pancada espalhou o material do manto por toda a superfície lunar. Chunlai Li, um dos autores do estudo, afirma que a amostra do manto não registrará apenas a evolução magmática e térmica da Lua, mas também nos dirá algo sobre a história da própria Terra. A análise completa foi publicada em um artigo da revista NatureAlguns pesquisadores, no entanto, expressaram incerteza sobre o quão conclusiva é a alegação do estudo. Bin Liu, um co-autor do estudo, diz que a missão precisará coletar muito mais dados para ajudar a validar essas primeiras interpretações. 

Passado Lunar

Polêmicas a parte, esses dados já mudam a forma como a Lua é estudada. Até agora, quase tudo que sabemos sobre a Lua se deve às amostras trazidas pelas missões Apollo, que pousaram no seu lado “claro”.
Estas amostras são importantíssimas, mas contam apenas uma pequena parte da história. O manto da lua, uma camada sólida sob a crosta que possivelmente já foi mais quente, continua sendo muito mais misterioso, e os cientistas anseiam por amostras dele há décadas. Na verdade, levaram-se séculos para que os cientistas concordassem com uma história para a origem da Lua. Antes do gigantesco modelo de impacto ganhar força (o modelo que a maioria dos cientistas acreditam hoje) há quase quatro décadas, três outros estavam em disputa.
Um dizia que a lua se “condensou” da mesma nuvem de poeira que “criou” a Terra. Mas esse modelo “binário” não conseguia explicar por que a Lua, além de não ser uma gêmea menor da Terra, é muito menos densa do que o nosso planeta, sem núcleo de ferro. O segundo modelo dizia que a jovem Terra, que ainda possuía diversos metais líquidos à mostra, girava tão rapidamente que se dividiu, lançando uma enorme bolha de magma no espaço. Mas a rotação da Terra hoje e a órbita da Lua não se encaixam no padrão previsto por esse modelo.
Na terceira hipótese, a gravidade da Terra teria “capturado” a Lua enquanto vagava em alguma parte distante do Sistema Solar. Esse cenário de “captura” era bem aceito até que os astronautas da Apollo trouxeram rochas lunares. Os minerais neles se revelaram semelhantes aos do manto da Terra – e não algo novo, exótico.
Finalmente, o modelo de impacto evitou todos esses problemas. Ele surgiu na década de 1970, e se ajustava a uma visão emergente de como o Sistema Solar como um todo havia se formado. Nessa visão, protoplanetas gasosos e rochosos cresceram dentro de um disco ao redor do jovem Sol, competindo pelo espaço, por dezenas de milhões de anos. Colisões eram inevitáveis. Um projeto de planeta bateu na Terra, arrancou um pedaço e formou a Lua.
Essa teoria condiz com as suspeitas dos cientistas de que a Lua, durante seus primeiros dias, estava coberta por um oceano de magma. À medida que ele esfriou e se solidificou progressivamente, minerais mais densos permaneceram nas profundezas do oceano, enquanto minerais menos densos flutuaram para a superfície. Isso significa que as composições químicas do manto e da crosta deveriam ser diferentes.
Talvez, graças ao Yutu-2, nós possamos confirmar essa previsão.
Fonte: SUPER

Algo misterioso abriu um buraco na Via Láctea

Observando a imensidão do universo em que estamos inseridos, os cientistas descobriram algo peculiar. Foi detectado um "impacto escuro" abrindo buracos na Via Láctea. Mesmo que não seja possível ver isso claramente, os telescópios dos cientistas identificaram alguma coisa no meio da galáxia. A descoberta acabou por se tornar mais um dos milhares de mistérios sobre o nosso universo. Até agora ninguém sabe o que é e como está abrindo esses buracos na galáxia.
"É uma bala densa de alguma coisa", disse Ana Bonaca, pesquisadora do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, responsável pela descoberta de evidências do impactor, como foi identificado.
Especula-se que possivelmente esse impactor na Via Láctea não seja feito de matéria normal. Por esse motivo não foi detectado com clareza pelo telescópio. A descoberta de Bonaca foi apresentada no mês passado durante a conferência da American Physical Society, em Denver. 
Sua pesquisa revelou uma série de buracos no fluxo estelar mais longo da galáxia, o GD-1. Esses fluxos estelares são linhas de estrelas que viajam juntas pelas galáxias. As estrelas do GD-1, algumas remanescentes de um "aglomerado globular" que entrou na Via Láctea há muitos anos atrás, estão estendidas em uma longa linha no céu.

impactor misterioso

"Não podemos mapear o pêndulo para qualquer objeto luminoso que tenhamos observado", disse Bonaca ao site Live Science. "É muito mais massivo que uma estrela, algo como um milhão de vezes a massa do Sol. Então não há estrelas dessa massa. Nós podemos descartar isso. E se fosse um buraco negro, seria um negro supermassivo".
Segundo Bonaca, não seria totalmente impossível que exista um outro buraco negro supermassivo na nossa galáxia. Embora a maioria das grandes galáxias aparentemente possuam apenas um único buraco negro supermassivo ao centro.
Nesse caso, sem nenhum objeto gigante, brilhante e visível a partir do GD-1, e sem evidências de um segundo buraco negro supermassivo escondido na nossa galáxia, resta uma única opção óbvia: um grande aglomerado de matéria escura.
"Pode ser que seja um objeto luminoso que foi para algum lugar e está escondido em algum lugar da galáxia", disse Bonaca. Mas isso parece um pouco improvável avaliando a escala do objeto. "Sabemos que são 10 a 20 parsecs [30 a 65 anos-luz]", disse ela. "Sobre o tamanho de um aglomerado globular".
Como os pesquisadores não sabem exatamente com que velocidade esse objeto se movia durante o impacto, não é possível descartar a possibilidade de que se trate de um objeto luminoso. E sem essa informação precisa, fica difícil ter certeza sobre o caminho da tal "coisa". Mas para os cientistas, a possibilidade de encontrar um objeto real de matéria escura é bastante tentadora.

Matéria escura

Até o momento, não se sabe ao certo o que é matéria escura. Aparentemente, o nosso universo parece agir como matéria luminosa. Mas as galáxias se juntam como se houvesse algo entre elas, capaz de uni-las em seus centros, criando uma enorme gravidade. Por esse motivo, a maioria dos físicos não descarta a possibilidade de que exista algo lá fora, algo invisível. Algo que, talvez, seja matéria escura. 
Mas são apenas hipóteses, já que nenhum dos esforços para identificar a matéria escura realmente funcionou. A descoberta de Bonaca, de que uma esfera densa de algo invisível está presente em nossa Via Láctea, oferece aos físicos uma nova evidência de que a matéria escura possa ser real. E sugere ainda que a tal matéria escura é mesmo "desajeitada", como previsto pela maioria das teorias sobre ela.
Fonte: Fatos Desconhecidos
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