14 de fevereiro de 2018

É rochoso ou Gasoso? Astrónomos desvendam mistérios das Super-Terras

De acordo com uma nova investigação liderada por Johanna Teske, do Instituto Carnegie para a Ciência, uma estrela a cerca de 100 anos-luz de distância, na direção da constelação de Peixes, GJ 9827, hospeda o que poderá ser uma das super-Terras mais massivas e densas detetadas até à data. Esta nova informação fornece evidências que vão ajudar os astrónomos a melhor compreender o processo pelo qual os planetas se formam.
A estrela GJ 9827 na realidade alberga um trio de planetas, descobertos pela missão Kepler/K2 da NASA, e todos os três são um pouco maiores do que a Terra. Este é o tamanho que a missão Kepler determinou serem os mais comuns na Galáxia com períodos que variam entre vários dias a várias centenas de dias.
Curiosamente, não existem planetas deste tamanho no nosso Sistema Solar. Isto torna os cientistas curiosos acerca das condições sob as quais se formam e evoluem.Uma chave importante para a compreensão da história de um planeta é a determinação da sua composição. Será que estas super-Terras são rochosas como o nosso próprio planeta? Ou será que têm núcleos sólidos rodeados por grandes atmosferas de gás?
Para tentar entender a composição de um exoplaneta, os cientistas precisam medir a sua massa e o seu raio, o que lhes permite determinar a sua densidade.
Ao quantificarem planetas deste modo, os astrónomos notaram uma tendência. Parece que os planetas com raios superiores a mais ou menos 1,7 vezes o da Terra têm um invólucro gasoso, como Neptuno, e aqueles com raios menores são rochosos, como o nosso planeta.
Alguns cientistas propuseram que esta diferença é provocada pela fotoevaporação, que retira ao seu invólucro planetário os chamados voláteis - substâncias como água e dióxido de carbono que têm pontos de ebulição baixos - criando planetas com raios mais pequenos. Mas é necessária mais informação para testar verdadeiramente esta teoria.
É por isso que os três planetas de GJ 9827 são especiais - com raios de 1,64 (planeta b), 1,29 (planeta c) e 2,08 (planeta d), abrangem esta linha divisória entre super-Terra (rochoso) e sub-Neptuno (um pouco gasoso).
Felizmente, a equipa de cientistas de Carnegie, que inclui os coautores Steve Shectman, Sharon Wang, Paul Butler, Jeff Crane e Ian Thompson, tem vindo a acompanhar GJ 9827 com o instrumento PFS (Planet Finding Spectrograph), de modo que conseguiram restringir as massas dos três planetas graças a dados já obtidos, em vez de recolherem novas observações de GJ 9827.
"Normalmente, caso seja detetado um planeta em trânsito, são necessários meses, se não um ano ou mais, para recolher observações suficientes a fim de medir a sua massa," explica Teske. "Dado que GJ 9827 é uma estrela brilhante, já a tínhamos no catálogo de estrelas que os astrónomos de Carnegie monitorizam em busca de planetas desde 2010. Isto era exclusivo ao PFS."
O espectrógrafo foi desenvolvido por cientistas de Carnegie e acoplado aos telescópios Magalhães do Observatório Las Campanhas.
As observações com o PFS indicam que o planeta b tem aproximadamente oito vezes a massa da Terra, o que o torna numa das super-Terras mais massivas e densas já descobertas. As massas dos planetas c e d estão estimadas em cerca de 2,5 a 4 vezes a da Terra, respetivamente, embora a incerteza nessas duas determinações seja muito alta.
Esta informação sugere que o planeta d tem um invólucro volátil significativo e deixa em aberto a questão de saber se o planeta c tem ou não um invólucro parecido. Mas a melhor determinação da massa do planeta b sugere que é aproximadamente 50% ferro.
"São necessárias mais observações para definir com maior exatidão as composições destes três planetas," comenta Wang. "Mas parecem ser alguns dos melhores candidatos para testar as nossas ideias de como as super-Terras evoluem, potencialmente usando o futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA."
Fonte: Astronomia OnLine

O VLT do ESO trabalha pela primeira vez como um único telescópio enorme

Primeira luz do instrumento ESPRESSO com os quatro Telescópios Principais do VLT


O instrumento ESPRESSO montado no Very Large Telescope do ESO no Chile usou pela primeira vez a luz coletada pelos quatro Telescópios Principais de 8,2 metros. Ao combinar deste modo a luz coletada por estes telescópios, o VLT torna-se o maior telescópio óptico do mundo, em termos de área coletora.

Um dos objetivos do design original do Very Large Telescope do ESO (VLT) era que os seus quatro Telescópios Principais trabalhassem em conjunto para formar um único telescópio gigante. Com a primeira luz do espectrógrafo ESPRESSO, instrumento que utiliza os quatro Telescópios Principais em conjunto, este marco foi agora alcançado.

Após um período de preparações intensas por parte do consórcio ESPRESSO (liderado pelo Observatório Astronômico da Universidade de Genebra, na Suíça, com a participação de centros de pesquisa em Portugal, Itália, Espanha e Suíça) e do pessoal do ESO, o Diretor Geral do ESO, Xavier Barcons, deu início a esta observação astronômica histórica, ao apertar um botão na sala de controle.

O cientista do instrumento ESPRESSO no ESO, Gaspare Lo Curto, explica a importância histórica deste evento: “O ESO acaba de concretizar um sonho que data da érpoca em que o VLT foi concebido, nos anos 1980: combinar a luz coletada pelos quatro Telescópios Principais colocados no Cerro Paranal para ser usada por um único instrumento Quando a luz coletada pelos quatro telescópios de 8,2 metros é combinada para alimentar um único instrumento, o VLT torna-se o maior telescópio óptico do mundo em termos de área coletora, comparável a um único telescópio de 16 metros.

Dois dos objetivos científicos do ESPRESSO são a descoberta e caracterização de planetas do tipo terrestre e a procura de variações possíveis das constantes fundamentais da física. Este último objetivo em particular, requer a observação de quasares fracos e distantes, sendo por isso o que beneficiará mais da combinação da luz dos quatro Telescópios Principais do VLT no ESPRESSO. Ambos estes objetivos requerem uma estabilidade ultra elevada do instrumento e uma fonte de luz de referência extremamente estável.

Devido à complexidade envolvida, a combinação da luz coletada por todos os Telescópios Principais, à qual se dá o nome de “foco incoerente”, ainda não tinha sido implementada. No entanto, foi construído, desde o início, espaço nos telescópios e na estrutura subterrânea da montanha para este fim.

Um sistema de espelhos, prismas e lentes transmite a luz coletada por cada Telescópio Principal do VLT ao espectrógrafo ESPRESSO colocado a 69 metros de distância. Graças a esta óptica complexa, o ESPRESSO pode coletar a luz que vem de todos os Telescópios Principais em conjunto, aumentando assim o seu poder coletor, ou, alternativamente, receber luz de qualquer um destes telescópios de forma independente, permitindo assim um uso mais flexível do tempo de observação. O ESPRESSO foi especialmente desenvolvido para explorar esta infraestrutura.

A luz coletada pelos quatro Telescópios Principais é normalmente combinada no Interferômetro do VLT, estudando-se assim com muito detalhe objetos comparativamente brilhantes. O Cientista de Projeto Paolo Molaro comenta: “Este importante marco assinala o culminar do trabalho de uma grande equipe de cientistas e engenheiros ao longo de muitos anos. É maravilhoso ver o ESPRESSO operar com os quatro Telescópios Principais. Mal posso esperar pelos resultados científicos que aí virão.”

Injetar a luz combinada dos telescópios num único instrumento dará aos astrônomos acesso a informação nunca antes disponível. Esta nova infraestrutura, que irá mudar a astronomia dos espectrógrafos de alta resolução, faz uso de conceitos inovadores, tais como calibração de comprimentos de onda auxiliada por um pente de frequências laser, fornecendo precisão e repetitividade sem precedentes, e a capacidade de unir o poder coletor dos quatro Telescópios Principais individuais.

Ao trabalhar com os quatro Telescópios Principais, o ESPRESSO dá-nos uma pequena amostra do que a próxima geração de telescópios, tais como o Extremely Large Telescope do ESO, tem para nos oferecer dentro de poucos anos,” conclui o Diretor Geral do ESO, Xavier Barcons.
Fonte: ESO

No coração da nebulosa do coração

O que existe dentro da Nebulosa do Coração? Primeiro, a grande nebulosa de emissão, conhecida como IC 1805, parece, num todo, com um coração humano. Sua forma hoje é celebrada, porque nos EUA no dia 14 de Fevereiro é comemorado o chamado Valentine’s Day, ou seja, o dia dos namorados dele, e esse coração brilhando intensamente na luz vermelha emitida pelo elemento mais proeminente ali, o hidrogênio, talvez ficasse bem bonito num cartão de feliz dia dos namorados, pelo menos para quem gosta de astronomia. O brilho vermelho e a forma maior são criadas por um pequeno grupo de estrelas localizado no centro da nebulosa. No coração da Nebulosa do Coração existem estrelas jovens de um aglomerado aberto de estrelas conhecido como Melotte 15 que está erodindo para longe os pilares de poeira com sua luz e ventos energéticos. O aglomerado aberto de estrelas contém algumas estrelas brilhantes com cerca de 50 vezes a massa do nosso Sol, e outras apagadas que possuem apenas uma pequena fração da massa do Sol, além de um microquasar que foi expelido dali a milhões de anos atrás. A Nebulosa do Coração está localizada a cerca de 7500 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Cassiopeia, a mítica Rainha da Etiópia.

Onde estão e de que são feitos os milhares de asteroides que povoam o Sistema Solar

Concepção artística de um asteroide no cinturão de Kuiper, no limite do nosso Sistema Solar
No dia 19 de outubro passado, os telescópios detectaram um visitante inesperado: o primeiro asteroide interestelar de que se tem notícia a passar pelo Sistema Solar.
Com um formato que lembra um charuto, com cerca de 400 metros de cumprimento e 40 de diâmetro, ele foi batizado de Oumuamua, que em língua havaiana significa "mensageiro distante que chegou primeiro". O asteroide - que deu meia volta depois de passar por dentro da órbita de Mercúrio e viaja agora em alta velocidade rumo à constelação de Pégaso - é o primeiro até agora a vir de outro sistema, mas não é o único a vaguear entre os planetas do Sistema Solar. 
O espaço interplanetário está cheio de todo tipo de pedras grandes, cascalho, bolas de gelo, poeira e fluxos de partículas carregadas. Tanto que em sua órbita ao redor do Sol, a 30 quilômetros por segundo, a Terra passa por centenas de toneladas de meteoros, a maioria muito pequenos para serem notados.
Embora sejam encontrados em todos os cantos, a maioria dos asteroides e cometas do Sistema Solar se concentram em três grandes estruturas, o cinturão de Asteroides, o cinturão de Kuiper e a nuvem de Oort.

Mais antigos que a Terra

A história dessas concentrações e dos objetos rochosos e de gelo que elas contêm começou com a própria formação do Sistema Solar, segundo o físico Othon Winter, da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG), da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O cientista explica que os planetas se formaram a partir de um disco de gás e pequenos corpos, denominados planetesimais, com tamanhos de centenas de metros a algumas dezenas de quilômetros, que foram crescendo por meio de colisões entre si.
Alguns deles chegaram a atingir massa dez vezes a da Terra, e se tornaram os núcleos dos planetas gigantes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno). "Ao atingirem esse estágio, gravitacionalmente eles 'sugaram' enormes quantidades de gás, se transformando nos planetas gigantes gasosos", explica Winter, que é doutor em Dinâmica do Sistema Solar. "O restante do gás foi então expulso do sistema pelo Sol."
Só depois disso começou a formação dos planetas rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte). "Ela se deu por meio de colisões entre objetos remanescentes (planetesimais e maiores, chamados embriões, que tinham massa similar à da Lua), que se localizavam, na sua maioria, interiores à órbita de Júpiter", diz Winter.
"Então, os pequenos corpos que existem atualmente foram formados nos estágios iniciais do Sistema Solar", explica o pesquisador da Unesp. Desses, os que possuem maior parcela de componentes voláteis são aqueles que se formaram mais distantes do Sol. "Assim, de um modo geral, os separamos em asteroides e cometas", diz.
"Os asteroides se localizam em órbitas mais próximas da nossa estrela e são majoritariamente formados por componentes refratários, como silicatos e metais. Os cometas têm órbitas mais distantes (bem excêntricas) e são, em sua maioria, compostos de materiais voláteis, principalmente água - na forma de gelo."
Assim, a estrutura mais próxima de nós, o cinturão de Asteroides, situada entre as órbitas de Marte e Júpiter, concentra o tipo de corpo que seu nome indica. Trata-se de uma zona grosseiramente plana, que circunda o Sol e as órbitas dos planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
É a principal estrutura das três, com cerca de 600 mil objetos rochosos conhecidos, mas cuja massa total é igual a apenas cerca de 5% a da Lua, que por sua vez tem pouco mais de 1% da da Terra.  O maior de todos é Ceres, com 946 km de diâmetro, classificado como o único planeta-anão - a mesma classificação de Plutão - do cinturão. Depois vem Palas (544 km) e Hígia (407 km). Há ainda Vesta (530 km), promovido em 2012 a protoplaneta, que é um planeta em formação. No seu caso, porém, o processo foi interrompido.
Vesta e Ceres foram visitados recentemente pela sonda Dawn, da Nasa.

Depois de Netuno

Logo após a órbita de Netuno está o cinturão de Kuiper. Ela começa a 30 unidades astronômicas (UA) da Terra e ocupa todo o espaço até uma distância de 100 UAs - uma UA é igual a distância média entre a Terra e o Sol, que é de 150 milhões de quilômetros.
O cinturão de Kuiper deve seu nome ao astrônomo americano de origem holandesa Gerard Kuiper, que em 1951 propôs a ideia de que na vastidão gelada, além da órbita de Netuno, havia restos congelados da formação do Sistema Solar.
Descobertas posteriores demonstraram que ele estava certo. Hoje se sabe que há por lá milhões de corpos congelados, dos quais apenas pouco mais de 2 mil são conhecidos.
Entre eles estão quatro planetas anões: Plutão (2.376 km de diâmetro), Éris (2.326 km), Makemake (1.600 km) e Haumea (1.632 km). Há ainda Sedna, provavelmente um planeta anão, mas ainda não classificado assim pela União Astronômica Internacional, e Caronte (1.208 km), a lua de Plutão.
Bem mais distante, entre 2 mil e 100 mil UA - quase um ano-luz ou cerca de um quarto da distância da estrela mais próxima do Sol, Próxima Centauri - está a nuvem de Oort, da qual até hoje ainda não foi feita nenhuma observação direta.
Seu nome é uma homenagem ao astrofísico holandês Jan Oort, que foi o primeiro a deduzir sua existência. Ela teria um formato esférico, envolvendo todo o Sistema Solar, com sua parte mais externa marcando o limite final da influência gravitacional do Sol.
Estima-se que lá haja bilhões ou até trilhões de corpos, a grande maioria ainda desconhecidos.

O risco

Alguns dos objetos dessas três estruturas podem apresentar perigo para a vida na Terra. Perturbações nas órbitas de alguns deles no passado fizeram com que "caíssem" para o interior Sistema Solar, passando a ter órbitas excêntricas e cruzando perto ou em rota de colisão com o planeta.
"A probabilidade de queda de corpos de cerca 100 m de diâmetro, que podem causar grandes danos em áreas povoadas, é em média uma vez a cada 2,5 mil", diz o astrônomo Jorge Carvano, do Observatório Nacional brasileiro.
As chances de objetos maiores colidirem com a Terra é bem menor. "Colisões com corpos na faixa de 1 km de diâmetro, capazes de causar efeitos globais parecem acontecer uma vez a cada 500 mil anos", acrescenta Carvano. "Enquanto que eventos que podem estar associados a extinções em massa, causados por objetos de cerca de 10 km, só acontecem em escalas de dezenas de milhões de anos."
Foi um desses, que ninguém sabe de onde veio, que há 65 milhões de anos, se chocou com o planeta na região da Península de Iucatã, no México, abrindo uma cratera de 180 km de diâmetro e levando à extinção dos dinossauros e várias outras espécies de animais que viviam na época.
Há outros astros que passam perto da Terra, dos quais se sabe a origem. O mais famoso dos cometas, o Halley, por exemplo, vem do cinturão de Kuiper e visita o nosso planeta a cada 76 anos. Da nuvem de Oort, passaram nos anos 1990 os cometas Hale-Bopp e Hiakutake - por ela ser esférica, os cometas podem vir de lá em qualquer ângulo ou direção.
Por isso, estudar e conhecer os cinturões e a nuvem de Oort não é mero passatempo ou curiosidade científica.
"Do ponto de vista prático, temos que conhecê-los para nos prevenir dos efeitos de uma possível colisão catastrófica com a Terra", diz o físico Sylvio Ferraz Mello, especialista em dinâmica do Sistema Solar e sistemas planetários extra-solares e professor emérito e ex-diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).
"Do ponto de vista teórico, eles fornecem muitas informações sobre a formação da Terra e dos demais planetas."
Fonte: BBC - BRASIL

NEW HORIZONS Captura imagens recorde no cinturão de KUIPER


Com o seu instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), a New Horizons observou vários KBOs e planetas anões em ângulos de fase únicos, bem como Centauros em ângulos fase extremamente altos para procurar anéis ou poeira. Estas imagens em cores falsas, obtidas no mês de dezembro de 2017, dos KBOs 2012 HZ84 (esquerda) e 2012 HE85 são, por enquanto, as obtidas à maior distância da Terra por uma nave espacial. São também as imagens mais próximas de KBOs.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

A nave espacial New Horizons da NASA recentemente girou a sua câmara telescópica na direção de um campo de estrelas, captou uma imagem - e fez história. A imagem de calibração rotineira do enxame aberto NGC 3532, feita pelo instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) no dia 5 de dezembro, foi captada quando a New Horizons estava a 6,12 mil milhões de quilómetros (ou 40,9 unidades astronómicas) da Terra - tornando-a, por algum tempo, a imagem obtida à maior distância da Terra.

A New Horizons estava ainda mais longe do que a Voyager 1 da NASA quando esta captou a famosa fotografia "Pálido Ponto Azul" da Terra. Essa imagem fazia parte de uma composição de 60 outras que olhavam para trás no Sistema Solar, no dia 14 de fevereiro de 1990, quando a Voyager estava a 6,06 mil milhões de quilómetros (ou aproximadamente 40,5 UA) da Terra. As câmaras da Voyager 1 foram desligadas pouco depois desse retrato, deixando o seu recorde de distância sem oposição por mais de 27 anos.

O LORRI quebrou o seu próprio recorde duas horas depois com imagens dos KBO's (Kuiper Belt Objects, em português "Objetos da Cintura de Kuiper") 2012 HZ 84 e 2012 HE85 - demonstrando ainda como nada está parado quando percorremos 1,1 milhões de quilómetros de espaço por dia.

"A New Horizons tem sido uma missão de primeiros - a primeira a explorar Plutão, a primeira a explorar a Cintura de Kuiper, a nave espacial mais rápida já lançada," comenta Alan Stern, o investigador principal da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "E agora, conseguimos fazer as imagens mais distantes da Terra do que qualquer outra nave na história."

Distância e Velocidade
Durante pouco tempo, esta imagem do enxame NGC 3532, obtida dia 5 de dezembro de 2017 pelo LORRI da New Horizons, foi a imagem obtida à maior distância da Terra, quebrando um recorde com 27 anos estabelecido pela Voyager 1. Mais ou menos 2 horas depois, a New Horizons quebrou novamente esse recorde.Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

A New Horizons é apenas a quinta nave a acelerar para lá dos planetas exteriores e muitas das suas atividades estabelecem recordes de distância. No dia 9 de dezembro realizou a manobra de correção mais distante de sempre, à medida que a equipa guiava a sonda para um encontro próximo com um KBO chamado 2014 MU69 no dia 1 de janeiro de 2019. Esse voo rasante de Ano Novo por MU69 será o encontro planetário mais distante da história, acontecendo 1,6 mil milhões de quilómetros para lá do sistema de Plutão - que a New Horizons famosamente explorou em julho de 2015.

Durante a sua missão prolongada na Cintura de Kuiper, que começou em 2017, a New Horizons pretende observar pelo menos duas dúzias de outros KBOs, planetas anões e "Centauros", antigos KBOs em órbitas instáveis que atravessam as órbitas dos planetas gigantes. Os cientistas da missão estudam as imagens para determinar as formas dos objetos e as propriedades das superfícies, e para procurar luas e anéis. A nave também está a fazer medições quase contínuas do ambiente de plasma, poeira e gás neutro ao longo do seu percurso.

A sonda New Horizons está de boa saúde e atualmente em hibernação. Os controladores da missão do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA, vão "acordar" a sonda do seu sono eletrónico no dia 4 de junho e dar início a uma série de verificações de sistema e outras atividades a fim de preparar a New Horizons para o encontro com MU69.
Fonte: Astronomia OnLine

O passado violento do Oumuamua, o asteroide interestelar em forma de charuto

O asteroide Oumuamua - "mensageiro de muito longe que chega primeiro", em havaiano - está girando caoticamente pelo espaço e pode continuar assim por mais de um bilhão de anos.
Esta é a conclusão de uma pesquisa que analisou em detalhes o brilho gerado pelo objeto interestelar, que tem formato de charuto. Ele foi descoberto em 19 de outubro, e sua velocidade e trajetória sugerem que se originou em um sistema planetário que orbita ao redor de outra estrela, e não o Sol.
"Em algum momento, houve uma colisão", diz Wes Fraser, da Queen's University, em Belfast, na Irlanda do Norte. Inicialmente, pensava-se que o objeto podia ser um cometa, mas ele não apresenta características típicas desse tipo de corpo celeste, como uma cauda de partículas de gelo.
Por outro lado, o Oumuamua apresenta todos os aspectos de um asteroide, com exceção do formato fora do comum, provocado, ao que tudo indica, por um passado "turbulento", com pelo menos uma grande colisão.
Astrônomos têm se empenhado em observar essa rocha espacial única antes que ela desapareça do nosso campo de visão.
Forma como o Omuamua gira e seu formato inusitado sugerem que ele passou por pelo menos uma colisão

Rotação

Para identificar a exata cadência da rotação do objeto espacial, os pesquisadores da Queen's University analisaram a variação na luminosidade dele ao longo do tempo.
Quase de imediato, Fraser e seus colegas de pesquisa perceberam que o Oumuamua não estava girando periodicamente, como acontece com muitos pequenos asteroides, mas sim caoticamente, praticamente fazendo acrobacias.
A explicação mais plausível para o formato e comportamento do asteroide é que ele foi atingido por outro objeto em algum momento de sua história.
Os pesquisadores explicam que colisões costumam ocorrer quando planetas estão se formando e crescendo, mas não é possível saber o momento exato em que o Oumuamua adquiriu o formato de charuto e passou a girar.
O que eles sabem é que o asteroide pode continuar a fazer as "acrobacias" por, pelo menos, um bilhão de anos.
Embora o Oumuamua tenha se formado ao redor de outra estrela, os pesquisadores acreditam que ele vagou pela Via Láctea, sem estar atrelado a qualquer Sistema Solar, por milhões de anos antes de adentrar o nosso.

Em busca de outros Oumuamua

A "caça" agora é por mais objetos semelhantes a esse asteroide. Acredita-se que existam cerca de 10 mil outros passando pelo Sistema Solar. O problema é que eles são pequenos e escuros, o que os torna difíceis de localizar.
Um novo observatório em construção, que será chamado de Telescópio de Grande Observação Sinóptica, pode vir a facilitar esse tipo de descoberta.
Com uma lente de 8,4 metros e uma câmera digital muito potente, ele vai permitir a visualização de toda a extensão do céu do local onde será posicionado, no Chile.
Se algo se mover ou cruzar o céu, dificilmente passará despercebido das lentes desse novo telescópio.
"É o equipamento perfeito para achar objetos como o Oumuamua", diz Fraser.
Fonte: http://www.bbc.com
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