7 de janeiro de 2019

New Horizons explora ultima Thule


Esta imagem obtida pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) é a mais detalhada de Ultima Thule já transmitida até à data pela New Horizons. Foi obtida às 05:01 (UT) de dia 1 de janeiro de 2019, apenas 30 minutos antes da maior aproximação, a 28.000 km, com uma escala original de 140 metros por pixel.

A sonda New Horizons da NASA passou por Ultima Thule nas primeiras horas do dia de Ano Novo, inaugurando a era da exploração da enigmática Cintura de Kuiper, uma região de objetos primordiais que detém a chave para entender as origens do Sistema Solar. 

Os sinais que confirmaram que a nave está de boa saúde e tinha ocupado o seu armazenamento digital com dados científicos de Ultima Thule chegaram ao centro de operações da missão no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, às 15:29 de dia 1 (hora portuguesa), quase 10 horas depois da maior aproximação da New Horizons pelo objeto.

"A New Horizons teve um desempenho como planeado, levando a cabo a exploração mais longínqua de um objeto na história da Humanidade- a 6,4 mil milhões de quilómetros do Sol," disse o investigador principal Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano da Califórnia. "Os dados que temos parecem fantásticos e já estamos a aprender mais sobre Ultima Thule de perto. A partir daqui os dados vão ficar cada vez melhores!"

Os cientistas da missão New Horizons da NASA divulgaram as primeiras imagens detalhadas do objeto mais distante já explorado. A sua aparência notável, diferente de tudo o que já vimos antes, ilumina os processos que construíram os planetas há 4,5 mil milhões de anos.

"Este 'flyby' é uma conquista histórica," disse Stern. "Nunca antes tinha uma nave espacial estudado um corpo tão pequeno, a uma velocidade tão elevada, tão longe nos confins do Sistema Solar. A New Horizons estabeleceu um novo marco para a navegação espacial de última geração."

As novas imagens - obtidas a uma distância de 27.000 km - revelaram Ultima Thule como um "binário de contacto", consistindo de duas esferas ligadas. De ponta a ponta, mede 31 km. A equipa apelidou a esfera maior de "Ultima" (19 km de comprimento) e a mais pequena de "Thule" (14 km de comprimento).

A equipa diz que as duas esferas provavelmente uniram-se logo no início da formação do Sistema Solar, colidindo a uma velocidade não superior à de um pequeno acidente entre dois automóveis.

Os dados recebidos já resolveram um dos mistérios de Ultima Thule, mostrando que o objeto da Cintura de Kuiper gira como uma hélice, com o eixo apontando aproximadamente na direção da New Horizons. Isso explica porque, em imagens obtidas anteriormente, o seu brilho não parecia variar à medida que girava. A equipa ainda não determinou o período de rotação.

Além disso, dos dados mais recentes recebidos ficámos a saber:

Não existem evidências de anéis ou satélites com mais de 1,6 km em órbita de Ultima Thule;

Não existem evidências de uma atmosfera;

A cor de Ultima Thule coincide com a cor de mundos parecidos na Cintura de Kuiper, como determinado por medições telescópicas;

Os dois lóbulos de Ultima Thule - o primeiro binário de contacto visitado na Cintura de Kuiper - são quase idênticos em termos de cor. Isto coincide com o que sabemos sobre sistemas binários que ainda não entraram em contacto um com o outro, mas que orbitam, ao invés, um ponto gravitacional comum.

"A New Horizons é como uma máquina do tempo, levando-nos de volta ao nascimento do Sistema Solar. Estamos a ver uma representação física do início da formação planetária, congelada no tempo," comenta Jeff Moore, líder da equipa de Geologia e Geofísica da New Horizons. "O estudo de Ultima Thule está a ajudar-nos a entender como os planetas se formam - tanto aqueles no nosso Sistema Solar como aqueles em órbita de outras estrelas da Via Láctea."

A sonda New Horizons continuará a transmitir imagens e outros dados nos próximos dias e meses, completando o envio de todos os dados científicos em 20 meses, com imagens de muito maior resolução ainda por vir. Em 2015, a sonda começou a sua exploração da Cintura de Kuiper com uma passagem por Plutão e pelas suas luas. Quase 13 anos após o lançamento, a sonda vai continuar a explorar a Cintura de Kuiper até pelo menos 2021. Os membros da equipa planeiam propor a exploração de ainda outro objeto da Cintura de Kuiper além de Ultima Thule.
Fonte: Astronomia OnLine

China revela primeiras imagens de pouso histórico na face oculta da lua


China é primeira nação a pousar no lado "escuro" da lua, o que demonstra crescentes ambições de Pequim de rivalizar com os EUA como uma potência espacial
China divulga imagens nunca antes vistas após aterrissagem histórica. (Administração Nacional do Espaço da China / Agência de Notícias Xinhua)/Reprodução)

A China divulgou nesta quinta-feira as primeiras imagens do lado “escuro” da lua. Após uma missão bem sucedida, o país tornou-se o primeiro a pousar uma espaçonave no hemisfério lunar que não pode ser visto da Terra.  A aterrisagem da sonda chinesa Chang’e-4 ocorreu na cratera de Von Karman, na bacia de Aitken, considerada uma das maiores crateras formadas por impacto em todo o sistema solar.

Segundo os cientistas, a região é chave para entender várias questões sobre a história da formação da Lua. Os cientistas terão a chance de examinar, de forma inédita, materiais do outro lado da lua e realizar testes de minerais e radiação.  A sonda também conduzirá um experimento de biologia, plantando sementes de batata para ver se germinarão, além de observar se ovos de bicho-da-seda eclodirão na baixa gravidade da lua.

O pouso pioneiro demonstra as crescentes ambições da China de rivalizar com os Estados Unidos e a Rússia como uma potência espacial. Para 2019, está previsto o lançamento da sonda Chang’e-5, com a qual Pequim pretende recolher amostras do solo lunar. A meta final da agência espacial chinesa é criar uma base na Lua para exploração humana. Embora a região seja chamada de lado escuro da lua, ela não é desprovida de luz, mas recebe esse adjetivo porque os humanos sabem muito pouco sobre ela.

Por que ninguém nunca pousou antes?

Além da topografia desafiadora, um dos maiores obstáculos para o pouso no lado oculto da lua é a dificuldade em manter a comunicação com a Terra, porque a própria lua bloqueia o contato por rádio. Para contornar isso, a China lançou um satélite para atuar como retransmissor, permitindo que ele salve os sinais no caminho para os cientistas da Terra, investida que demandou muito conhecimento e tecnologias de ponta.

“Essa missão espacial mostra que a China atingiu o nível avançado de classe mundial na exploração do espaço profundo”, disse, em entrevista ao The New York Times, Zhu Menghua, professor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, que colaborou o com a agência espacial chinesa. “Nós, chineses, fizemos algo que os americanos não ousaram tentar”.
Fonte: Exame.abril.com.br

5 mistérios sobre Marte ainda buscam resolução

Nós sabemos muito sobre o Planeta Vermelho após quatro décadas de exploração, mas algumas perguntas 
O quarto planeta do sistema solar, Marte, há muito capturou a imaginação popular e o interesse científico. Por décadas, os robôs que exploram o planeta vermelho estão enviando imagens de um mundo estranho, repleto de uma beleza de tirar o fôlego. Com montanhas três vezes mais altas que o Everest e cânions cinco vezes mais longos que o Grand Canyon, Marte é um paraíso para viajantes aventureiros. E, com sua atmosfera empoeirada, com calotas polares que mudam com as estações do ano e com um dia de aproximadamente 24 horas, Marte  é parecido com a Terra o suficiente para atrair visitantes humanos.

Enquanto a próxima missão da NASA, a sonda InSight, se prepara para pousar no final de novembro, dê uma olhada em alguns dos maiores mistérios sobre Marte ainda a serem resolvidos – incluindo algumas coisas que talvez nunca saibamos até que os humanos pisem em solo marciano.

A água no estado líquido flui em Marte atualmente?
Atualmente, a atmosfera marciana é tão fria e fina que a água líquida na superfície deve evaporar ou congelar no solo. Por mais de quatro décadas, no entanto, as espaçonaves em Marte tiraram fotos do que parecem centenas de canais de rios secos e cânions que podem ter sido esculpidos por velozes águas correntes no passado distante.  Então, para onde foi toda a água? Os cientistas acham que esses indícios de erosão podem  ser decorrentes de um tempo em que Marte estava mais quente e úmido, e que uma parte dessa água  pode estar escondida no subsolo como gelo ou até mesmo em reservatórios líquidos profundos.

Orbitadores que observam Marte mostraram grandes quantidades de gelo nos polos do planeta. Em 2015, imagens do Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, mostraram forte evidências de que a água no estado líquido pode fluirintermitentemente na superfície moderna de Marte. Com base nos dados do orbitador, os pesquisadores identificaram as impressões digitais químicas de minerais hidratados em muitas encostas íngremes de crateras, onde misteriosas faixas escuras foram previamente vistas.

É possível que a água salgada de Marte flua nestas colinas durante as estações quentes e desapareça quando esfria. Só que sem um exame mais detalhado tem sido difícil dizer com certeza se essas características recorrentes estão, de fato, sendo feitas pela água ou por fluxos simples de terra seca.

Enquanto isso, a Mars Express Orbiter da Europa utilizou um radar de penetração no solo para descobrir sinais de um lago de 19,3 quilômetros de comprimento sob a calota de gelo polar do planeta. Os cientistas acreditam que o lago subterrâneo pode permanecer líquido por causa de sua natureza salina concentrada. Marte pode ter muitos desses grandes reservatórios de água espalhados por suas regiões polares, sugerem os cientistas. Encontrá-los e descobrir como acessar o manancial pode ser decisivo para potenciais exploradores humanos que visitarem Marte no futuro.

Por que o hemisfério norte é liso e o hemisfério sul está cheio de crateras?
Nos anos 1970, as missões do Programa Viking, da NASA, fizeram a primeira pesquisa completa da topografia de Marte. Desde então, os cientistas vêm se perguntando por que o planeta tem duas faces: o hemisfério norte é muito mais plano e fica mais baixo do que as terras altas do hemisfério sul, com uma diferença de elevação entre quatro e oito quilômetros.

As teorias sugerem que o processo geológico interno, como a convecção de calor no manto, poderia ter formado as características atuais de Marte. Também é possível que a metade norte do planeta tenha sido desgastada ao longo do tempo, graças a um vasto oceano que preenche essa bacia global.

Outros estudos, no entanto, surgiram com uma hipótese mais violenta para essa bizarra dicotomia: talvez um grande asteroide do tamanho da Lua da Terra tenha atingido o polo sul do planeta há 3,9 bilhões de anos. Um impacto tão devastador teria sido um momento decisivo em Marte, agitando um oceano de magma que deu origem ao vulcanismo do planeta vermelho, que por sua vez poderia ter expelido o material que criou as terras altas do sul.

Descobrir esse aspecto do passado do planeta vermelho poderia ajudar os cientistas a entender melhor onde os futuros exploradores podem pousar para encontrar os melhores recursos para estabelecer uma presença humana contínua.

O que está gerando metano na atmosfera de Marte?
Nos últimos anos, tanto os telescópios baseados na Terra quanto os orbitadores de Marte detectaram traços de metano em Marte - um gás que poderia ser o resultado da atividade biológica atual ou que poderia significar outros processos geológicos em jogo.

Recentemente, as descobertas do veículo Curiosity Rover da NASA sugeriram que os baixos níveis de metano em Marte disparam dez vezes ao longo dos meses. Isso indica que há produção contínua de metano, que talvez esteja sendo ventilada e rapidamente dispersa em torno do local de pouso da cratera Gale. Enquanto o mesmo gás na atmosfera da Terra é principalmente o resultado da atividade biológica, os cientistas dizem que estas observações marcianas não são necessariamente evidências fundamentais da vida microbiana.

A NASA acredita que a fonte desse metano está ao norte da Curiosity, mas é quase impossível definir sua localização precisa. A fonte de metano pode permanecer um mistério por enquanto, uma vez que o veículo não está indo nessa direção. Porém, em vez disso, tem como objetivo investigar as rochas em camadas da montanha central da cratera.

Existe vida em Marte?
O ingrediente principal para a vida como a conhecemos é a água no estado líquido e os sinais de sua presença em Marte mantiveram as esperanças de encontrar sinais de vidas passadas ou presentes. Mas a superfície marciana é um local inóspito com variações bruscas de temperatura e pouca proteção contra a radiação ultravioleta prejudicial.

Muitos cientistas acreditam que leitos de lagos secos como a cratera de Gale poderiam abrigar fósseis ou outros vestígios da vida orgânica passada perto da superfície, e a mega missão da NASA, conhecida atualmente como a sonda Marte 2020, vai procurar por esses vestígios. Enquanto isso, formas extremas de vida na Terra – incluindo sinais de micróbios que vivem nas profundezas do interior do planeta – oferecem no momento esperança de que algo possa estar vivo em Marte. (No entanto, alguns especialistas argumentam que enviar seres humanos para Marte atrapalharia a busca por vida alienígena.)

Os humanos poderiam viver em Marte?
A corrida é para enviar os humanos para Marte com a NASA planejando uma missão a Marte, talvez em meados da década de 2030, e empreendimentos públicos e privados em todo o mundo desenvolvendo a tecnologia necessária para isso.  Contudo, se os seres humanos quiserem sobreviver em Marte, terão que viver e trabalhar independentemente da Terra e ganhar a vida com os recursos naturais do Planeta Vermelho. É provável que os habitats precisem ser construídos no subsolo para proteger as pessoas da perigosa radiação cósmica. Cultivar alimentos em Marte também será um desafio, já que os robôs mostraram que o solo da superfície é estéril e cheio de compostos tóxicos chamados percloratos.

Engenheiros espaciais ambiciosos estão nesse momento elaborando planos para as próximas gerações de tecnologias nucleares, químicas e movidas à energia solar que não só serão capazes de promover a ciência em Marte, mas também podem fornecer a base para habitats humanos autossuficientes. A construção de células de combustível e baterias mais eficientes será necessária para sobreviver a semanas de escuridão durante tempestades de poeira regionais ou globais. Minerar a terra e as pedras sob as botas será fundamental para a produção de ar para respirar, água potável, combustível para foguetes e materiais básicos de construção.

A única maneira de resolver este mistério é fazer com que a primeira expedição a Marte zarpe. Quando isso acontecer, não há dúvida de que a maioria de nós estaremos de olhos grudados em nossas telas, esperando ansiosamente que os humanos estabeleçam seu próximo posto avançado em Marte.

Fonte: nationalgeographicbrasil.com

Retrospectiva Astronómica de 2018


O ano de 2018 foi emocionante para as missões espaciais. À medida que uma era lançada em direção ao Sistema Solar interior numa viagem épica para tocar o Sol, outra deixou o Sistema Solar para tocar o espaço interestelar - a uns impressionantes 18 mil milhões de quilómetros de casa. Ambas vão lançar luz sobre ambientes extremos e distantes. Entretanto, outras missões estão focadas em ambientes mais parecidos com o nosso lar - trabalhando para melhor entender a Terra e planetas como o nosso.

Por exemplo, em abril, foi lançada a missão TESS para estudar exoplanetas próximos, aumentando as chances de que os astrónomos possam em breve encontrar outras moradias habitáveis. E, no final de novembro, o "lander" InSight da NASA alcançou Marte na primeira missão para estudar o interior do planeta. É particularmente excitante, tendo em conta que dois achados este ano melhoraram as hipóteses de que o Planeta Vermelho já possa ter abrigado vida: o primeiro descobriu moléculas orgânicas em rochas antigas e o segundo descobriu um lago salobro subterrâneo.

Enquanto estas missões destacam o potencial para futuras descobertas, o ano também teve alguns finais tristes. Dissemos adeus ao grande cientista Stephen Hawking - que ajudou a descobrir muitos dos segredos dos buracos negros - e ao Telescópio Espacial Kepler - que revelou milhares de mundos alienígenas. Foi um ano e tanto. Aqui ficam alguns dos marcos astronómicos de 2018.

É lançada uma sonda espacial para "tocar o Sol"
No final deste verão, a Parker Solar Probe foi lançada a partir de Cabo Canaveral numa missão que irá revelar vários segredos sobre a nossa queria estrela. Transporta uma série de instrumentos para mais próximo do Sol que nunca - mergulhando na coroa solar inferior a fim de entender a origem e aceleração do vento solar, bem como a dinâmica do campo magnético coronal. Não será fácil. A corajosa nave tem que lutar contra o vento intenso do Sol e contra o calor escaldante. Mas, se for bem-sucedida, abrirá uma nova janela sobre a física solar.

"Lander" InSight alcança Marte
No final de novembro, a missão Mars InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA pousou no Planeta Vermelho. É a oitava aterragem bem-sucedida da NASA em Marte e a primeira missão dedicada à geofísica.
O primeiro "selfie" do InSight em Marte.Crédito: NASA/JPL-Caltech

O módulo InSight vai estudar os sismos marcianos e outras atividades geológicas a fim de responder a várias perguntas sobre o interior do planeta. Os cientistas querem saber, por exemplo, quão semelhante é o interior do planeta a outros mundos rochosos. Em breve, o módulo vai perfurar a superfície do planeta um milímetro de cada vez. Então, após 30 ou 40 dias de perfuração, o InSight permanecerá em silêncio para fazer medições sísmicas dedicadas e para avaliar a atividade do nosso vizinho planetário.

Aumenta o potencial para vida marciana
Duas descobertas emocionantes aumentaram este ano a probabilidade de que o Planeta Vermelho já albergou os ingredientes necessários para a vida. Em primeiro lugar, o rover Curiosity detetou moléculas orgânicas em rochas antigas. Embora estas moléculas não tenham sido produzidas por vida, a vida produz e usa algumas delas (como açúcares e aminoácidos). Depois, um segundo instrumento descobriu evidências de água líquida atual em Marte - ou, mais especificamente, um lago salgado à subsuperfície. Ambos são achados promissores.

Voyager 2 entra no espaço entre as estrelas
No dia 5 de dezembro, a Voyager 2 entrou no espaço interestelar - tornando-se na segunda sonda da história a viajar tão longe do Sol, depois da Voyager 1. Os astrónomos aperceberam-se do evento, não pela distância da sonda (18 mil milhões de quilómetros), mas graças a uma queda no vento solar. O Sol liberta uma brisa constante de partículas carregadas muito além de Neptuno, mas eventualmente esse vento dá lugar ao plasma interestelar que preenche a Galáxia. Deste modo, quando o detetor de plasma a bordo da Voyager 2 registou uma queda significativa na velocidade do vento solar, os cientistas da missão souberam que a nave tinha oficialmente entrado no espaço interestelar. Ao ritmo atual, as Voyagers vão encontrar a orla interna da Nuvem de Oort - a concha gelada de detritos que rodeia o nosso Sistema Solar - daqui a aproximadamente 300 anos.

Gaia mapeia a Via Láctea
O satélite espacial Gaia divulgou o seu segundo lote de dados no final de abril, incluindo paralaxes precisas (e, portanto, distâncias) para mais de 1,3 mil milhões de estrelas e as posições e brilhos de quase 1,7 mil milhões de estrelas no total. Esse segundo número compõe um pouco mais de 1% de todas as estrelas da Via Láctea - fornecendo assim um mapa detalhado da nossa vizinhança local.

Impressão de artista do Gaia, que está a mapear as estrelas da Via Láctea.Crédito: ESA/ATG medialab; fundo: ESO/S. Brunier

Mas não é tudo. O Gaia também observou aproximadamente 14.000 objetos conhecidos do Sistema Solar, a maioria deles asteroides, e mais de 500.000 quasares. A versão final dos dados tem lançamento previsto para o final de 2022.

Uma missão exoplanetária termina, outra começa
Foi um ano empolgante para a pesquisa de exoplanetas. No dia 18 de abril, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) foi lançado a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX em busca de exoplanetas em torno de estrelas brilhantes. A missão começou as observações em cima da hora: no dia 30 de outubro, a missão Kepler ficou sem combustível, terminando assim uma missão de 9 anos em que detetou mais de 2600 planetas, juntamente com milhares de outros mundos candidatos. É seguro dizer que o Kepler deu origem a um campo de investigação totalmente novo, campo este em que o TESS também vai contribuir - potencialmente levando à descoberta, um dia, de vida alienígena.

Astrónomos vislumbram o horizonte de eventos de um buraco negro
Enquanto usavam o instrumento GRAVITY acoplado ao VLT (Very Large Telescope) no Chile, os astrónomos detetaram três brilhantes explosões perto do buraco negro supermassivo da nossa Galáxia, Sagittarius A*. Cada explosão durou entre 30 e 90 minutos e percorreu os arredores do buraco negro a 30% da velocidade da luz. Como tal, os astrónomos suspeitam que as explosões tiveram origem no interior do disco inchado que lentamente alimenta o buraco negro. É uma descoberta que permitirá com que se façam testes precisos da gravidade num dos ambientes mais extremos da natureza.

LIGO: descobertas não param
Em dezembro, os cientistas identificaram mais quatro sinais fantasmagóricos de pares distantes de buracos negros que se aproximaram um do outro e colidiram - elevando o número total de deteções de ondas gravitacionais para 11. Não é só o anúncio do maior lote de deteções lançado de uma só vez, como também uma delas é a fusão de buracos negros mais distante e poderosa que conhecemos. Ocorreu há 5 mil milhões de anos quando dois enormes buracos negros se fundiram para formar um colosso com 80 vezes a massa do Sol, libertando o equivalente energético a 5 massas solares na forma de poderosas ondas gravitacionais.
Fonte: Astronomia OnLine
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