9 de fevereiro de 2015

Parceria estelar destinada a acabar catastroficamente

Descoberto primeiro par de estrelas em fusão cujo destino as levará a explodir em supernova
Esta concepção artística mostra a região central da nebulosa planetária Henize 2-428. O núcleo deste objeto incomum consiste em duas estrelas anãs brancas, cada uma com uma massa um pouco menor que a do Sol. Espera-se que estas estrelas se aproximem cada vez mais uma da outra e se fundam daqui a cerca de 700 milhões de anos, dando origem a uma supernova brilhante do Tipo Ia e destruindo as duas estrelas.Crédito:ESO/L. Calçada

Com o auxílio dos telescópios do ESO combinados com telescópios nas Ilhas Canárias, astrônomos identificaram duas estrelas surpreendentemente massivas no coração da nebulosa planetária Henize 2-428. À medida que orbitam em torno uma da outra, espera-se que as duas estrelas se aproximem cada vez mais e quando se fundirem, daqui a cerca de 700 milhões de anos, conterão matéria suficiente para dar origem a uma explosão de supernova. Os resultados deste trabalho sairão na versão online da revista Nature a 9 de fevereiro de 2015. Uma equipe de astrônomos liderada por M. Santander-García (Observatorio Astronómico Nacional, Alcalá de Henares, Espanha; Instituto de Ciencia de Materiales de Madrid (CSIC), Madrid, Espanha) descobriu um par de estrelas anãs brancas - minúsculos restos estelares extremamente densos - bastante próximas uma da outra, com uma massa total de cerca de 1,8 vezes a massa solar.

Trata-se do par de estrelas deste tipo mais massivo descoberto até agora e quando estas duas estrelas se fundirem no futuro, darão origem a uma explosão termonuclear descontrolada que resultará numa supernova do Tipo Ia. A equipe que descobriu este par massivo estava, na realidade, a tentar resolver um outro problema, que consistia em saber como é que algumas estrelas produzem nebulosas de formas tão estranhas e assimétricas nas fases finais das suas vidas. Um dos objetos que estes astrônomos estudaram foi a nebulosa planetária conhecida pelo nome de Henize 2-428. “Quando observamos a estrela central deste objeto com o Very Large Telescope do ESO, descobrimos não uma mas duas estrelas no centro desta nuvem brilhante estranhamente torta”, diz o co-autor do trabalho Henri Boffin do ESO.

Este fato apoia a teoria de que as estrelas duplas centrais podem explicar as estranhas formas de algumas destas nebulosas, no entanto um resultado mais interessante estava ainda para vir. “Observações subsequentes obtidas com os telescópios nas Ilhas Canárias permitiram-nos determinar a órbita das duas estrelas e deduzir as massas e a separação entre as estrelas. Foi nessa altura que tivemos a maior surpresa”, revela Romano Corradi, outro autor do estudo e pesquisador no
Instituto de Astrofísica de Canarias (Tenerife, IAC). A equipe descobriu que cada uma das estrelas tem uma massa ligeiramente inferior à do nosso Sol e que orbitam uma em torno da outra a cada quatro horas. Encontram-se suficientemente perto uma da outra para que, segundo a teoria da relatividade geral de Einstein, se aproximem cada vez mais em movimento espiral, devido à emissão de ondas gravitacionais, antes de eventualmente se fundirem numa única estrela, nos próximos 700 milhões de anos.

A estrela resultante terá tanta massa que nada a impedirá de colapsar sobre si própria e subsequentemente explodir sob a forma de supernova. “Até agora, a formação de supernovas do Tipo Ia pela fusão de duas anãs brancas era puramente teórica”, explica David Jones, co-autor do artigo que descreve os resultados e bolsista do ESO na época em que os dados foram obtidos. “O par de estrelas no coração da Henize 2-428 é finalmente a observação que confirma a teoria”. Trata-se de um sistema bastante enigmático", conclui Santander. “Este estudo terá repercussões importantes no estudo de supernovas do Tipo Ia, as quais são muito utilizadas para medir distâncias astronômicas e foram fundamentais na descoberta de que a expansão do Universo está a acelerar devido à energia escura”.
Fonte: ESO

Desmentida descoberta de ondas gravitacionais e inflação cósmica

Desmentida descoberta de ondas gravitacionais e inflação cósmica

A "descoberta" da inflação cósmica virou poeira galáctica quando os dados do BICEP2 foram comparados com os dados do telescópio Planck.[Imagem: ESA/Planck Collaboration]

Descoberta cancelada

A alegada detecção das ondas gravitacionais, que serviriam como prova da inflação cósmica pós-Big Bang, foi retratada pelos cientistas. A equipe do experimento BICEP2 voltou atrás em suas alegações depois de refazer a interpretação dos dados juntamente com a equipe do telescópio espacial Planck, cujos resultados deveriam ter servido de parâmetro para a interpretação das medições feitas. A conclusão é que os sinais medidos pela equipe do BICEP2 devem-se à poeira disseminada pela Via Láctea. "Este trabalho conjunto mostrou que [as alegações anteriores] não são robustas quando a emissão da poeira galáctica é removida. Assim, infelizmente, nós não fomos capazes de confirmar que o sinal seja uma marca da inflação cósmica," disse Jean-Loup Puget, membro da equipe do Planck.

Inflação cósmica

A teoria da inflação cósmica, elaborada há cerca de 30 anos por Alan Guth e Andrei Linde, propõe que essa fase de crescimento exponencial do Universo nas frações de segundo após o Big Bang deixaria marcas na radiação cósmica de fundo, uma radiação de micro-ondas presente em todo o céu e que os cientistas acreditam ser um resquício do Big Bang. O experimento BICEP2 (Background Imaging of Cosmic Extragalactic Polarisation), instalado no Pólo Sul, foi projetado para detectar essas marcas na radiação cósmica de fundo, que seriam essencialmente ondas gravitacionais.


O anúncio da "descoberta", feito em Março do ano passado, foi saudada por algumas revistas como a "descoberta do século", mas imediatamente suscitou questionamentos de vários cientistas, que contestaram os dados do BICEP2 alegando justamente que a polarização detectada poderia ser devida à poeira presente na galáxia. E o "mico" parece ter sido pago por uma prática pouco condizente com o rigor científico: em sua medição, os cientistas usaram um mapa da radiação cósmica de fundo sem nenhum detalhamento, retirado de uma apresentação feita em um congresso. Quando a equipe do Planck publicou um mapa com o detalhamento adequado, a "descoberta" virou poeira galáctica.
Fonte: Inovação Tecnológica

Será que há CENTENAS DE BILHÕES de planetas semelhantes à Terra na nossa galáxia?

via lactea pode ter bilhoes de exoplanetas

Usando uma técnica estatística de 200 anos de idade, uma equipe de astrônomos australianos concluiu que praticamente todas as estrelas na Via Láctea abrigam pelo menos um a dois planetas terrestres capazes de ter vida. Tim Bovaird e Charley Lineweaver, da Universidade Nacional da Austrália, chegaram às suas conclusões através da aplicação da “relação Titius-Bode” para prever a posição de planetas hipotéticos que telescópios espaciais e terrestres não conseguem detectar. Também chamada de “Lei de Bode”, a relação Titius-Bode sugere que corpos celestes em alguns sistemas orbitam em semieixos maiores em função da sequência planetária. Descoberta em 1766 por Johann Daniel Titius, a lei também mostrou que as órbitas dos planetas do sistema solar seguiam uma regra aritmética bem simples, quase o tempo todo.

A fórmula original era:

a = (n + 4) / 10
onde n = 0,3,6,12,24,48…

A fórmula moderna é que a distância média “a” do planeta ao sol é, em unidas astronômicas (UA da Terra = 147.597*106 km):
a = 0.4 + 0.3 x k
onde k = 0,1,2,4,8,16,32,64,128…


Inspirados pelo fato de que esta relação previu corretamente as órbitas de Ceres e Urano, Bovaird e Lineweaver a utilizaram para prever quantos exoplanetas terrestres na zona habitável de sua estrela podiam existir na Via Láctea. Para realizar seus cálculos, os pesquisadores pegaram amostras de sistemas com vários exoplanetas conhecidos, que continham pelo menos três planetas em trânsito detectados pelo telescópio espacial Kepler. Em seguida, usando a relação Titius-Bode, previram 228 planetas adicionais em 151 destes sistemas. Os resultados mostraram que, em média, há cerca de dois planetas na zona habitável de cada estrela. A zona habitável é o ponto de um sistema solar onde um planeta parecido com a Terra é capaz de sustentar água líquida na sua superfície, um pré-requisito para a existência da vida como a conhecemos.

“Olhamos para o subconjunto de estrelas que têm múltiplos planetas, e não apenas um ou dois, e descobrimos que estes sistemas de exoplanetas se encaixam na relação [Titius-Bode] melhor do que o nosso sistema solar”, observou Lineweaver. Os cientistas também produziram uma pequena lista de 77 planetas previstos em 40 sistemas que provavelmente transitarão no nosso plano de visão, o que deve ajudar os esforços atuais de detecção de planetas do Kepler. No entanto, vale lembrar que estas são apenas previsões. Como indicador de planetas em potencial, a relação Titius-Bode está longe de ser perfeita. Ela não consegue, por exemplo, prever a órbita de Netuno em nosso próprio sistema solar. Além do mais, esta análise não pode ser usada para prever a ocorrência da verdadeira habitabilidade e a presença de vida extraterrestre.

Dito isso, a previsão de que nossa galáxia contém centenas de bilhões de exoplanetas potencialmente habitáveis é de cair o queixo. “Os ingredientes para a vida são abundantes, e agora sabemos que ambientes habitáveis também são abundantes. No entanto, o universo não é repleto de alienígenas com inteligência humana. Caso contrário, teríamos visto ou ouvido falar neles. Pode ser que haja algum outro fator essencial para o surgimento da vida que nós ainda não descobrimos. Ou pode ser civilizações inteligentes evoluem, mas, em seguida, se autodestroem”, conclui Lineweaver.
Fonte: Hypescience.com
[io9]

Descoberta sobre o Big Bang virou poeira


BICEP 2 sunset


Certamente todos lembram da festa entre os cientistas no ano passado, quando veio à tona o anúncio da descoberta de evidências das ondas gravitacionais primordiais, flutuações que teriam sido causadas pela inflação cósmica, período do universo no qual ele teria aumentado de tamanho de forma dramática em uma fração de segundos. A descoberta foi comemorada não só como uma evidência do Big Bang, mas como efeito previsto por uma das hipóteses sobre os primeiros momentos do nosso universo. Os cientistas usaram os dados do telescópio BICEP2 para medir a polarização da radiação cósmica de fundo, e esta estava de acordo com a previsão da teoria.

Faltava apenas o veredicto da equipe de cientistas do satélite Planck, que deveria confirmar a descoberta. Depois, era só esperar o Nobel. O problema maior apontado na época era que o modelo da distribuição da poeira galáctica, usado para descontar o efeito da mesma sobre a radiação cósmica de fundo, poderia ser falho. A poeira interestelar também pode emitir luz polarizada, por isto os astrônomos do BICEP2 procuraram a região que parecia ter muita pouca luz polarizada vinda de poeira.Entretanto, de lá para cá, a descoberta foi ficando cada vez mais em xeque. Novos estudos apontaram que a luz polarizada emitida por poeira interestelar podeira ser maior do que supunham os astrônomos do BICEP2.

O golpe final veio em setembro, quando pesquisadores europeus usaram os dados do satélite Planck para mostrar que as leituras obtidas pelo BICEP2 provavelmente eram devidas à poeira interestelar. A confirmação veio na última semana. O resultado atual (não existe resultado final em ciências) é que a evidência da inflação não era evidência. Não dá para descartar o modelo da inflação por conta disso, mas é preciso realizar mais trabalhos para encontrar as provas previstas por este modelo. Agora, é voltar ao laboratório e procurar novas evidências.
Fonte:Hypescience.com

O sol daqui a 8 bilhões de anos


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Observe com atenção esta imagem de uma nebulosa. Trata-se da uma bolha de gás hidrogênio e hélio, e poeira expelida por uma estrela nos estertores da morte. Nem todas as estrelas, ao morrerem, explodem feito supernovas ou hipernovas. Estrelas com massa entre 0,8 e 8 massas solares sofrem um processo de expansão gradual, ao mesmo tempo que perdem suas camadas externas para o espaço. O resultado é uma bela imagem como esta, que tem o nome de Fantasma de Júpiter, embora não tenha nada a ver com o planeta – apenas tem o mesmo tamanho aparente no céu. No centro de uma concha quase esférica de gás e poeira em expansão, está uma estrela anã branca a meros 3.000 anos luz de nós, visível na constelação da Hidra.

A imagem foi feita utilizando técnicas de computação gráfica para representar o que de outra forma seria invisível aos nossos olhos. A cor azul representa as emissões de raio-X que vem do gás, que tem a estonteante temperatura de mais de dois milhões de graus. Esta alta temperatura é resultado do choque dos ventos estelares a 2.400 km/s, contra o gás ambiente. A cor verde apresenta concentrações de gás mais frias, que podem ser vistas a olho nu, aqui mostradas através das emissões de oxigênio. As pequenas chamas alaranjadas são bolhas de gás mais frias ainda, vistas aqui através da luz visível emitida pelo nitrogênio.

Bolhas de gás e poeira deste jeito, esféricas, recebem o nome de nebulosas planetárias porque, aos olhos dos astrônomos do século 18, que as descobriram, se assemelhavam a planetas. Esta daí, além do nome informal de Fantasma de Júpiter, está catalogada desde o século 19 como NGC 3242. A imagem combina dados de raio-X obtidos em 2003 pelo telescópio XMM-Newton da ESA (azul) com observações ópticas feitas pelo Hubble Space Telescope (verde e vermelho). Um dia, nosso sol será uma anã branca e terá sua própria esfera de gás e poeira em expansão. O que será da Terra neste dia?
Fonte: io9, ESA

DAWN captura imagens de CERES com resolução superior à do HUBBLE

Esta animação do planeta anão Ceres foi construída a partir de imagens capturadas pela sonda Dawn no dia 25 de janeiro, a cerca de 237.000 quilómetros. Crédito: NASA/JPL

A sonda Dawn da NASA capturou as melhores imagens, até agora, do planeta anão Ceres. Foram obtidas a 237.000 quilómetros de Ceres no dia 25 de Janeiro e representam um novo marco para uma sonda que em breve tornar-se-á no primeiro objeto feito pelo Homem a visitar um planeta anão. "Sabemos muito pouco sobre o nosso vasto Sistema Solar, mas graças a missões económicas como a Dawn, esses mistérios estão a ser resolvidos," afirma Jim Green, diretor da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington. Com 43 pixéis de largura, as novas imagens têm mais 30% da resolução das imagens obtidas pelo Telescópio Hubble em 2003 e 2004 a uma distância superior a 240 milhões de quilómetros.

A resolução é maior porque a Dawn está a viajar até Ceres, enquanto o Hubble permanece fixo em órbita da Terra. As novas fotos da Dawn surgem após as imagens iniciais de navegação, capturadas dia 13, revelarem uma mancha branca no planeta anão e a sugestão de crateras. As imagens obtidas pelo Hubble também vislumbraram uma mancha branca, mas a sua natureza ainda é desconhecida. Provavelmente nunca ouviu falar do 'planeta' Ceres," afirma Robert Mase, gestor do projeto Dawn no JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Estamos ansiosos por descobrir mais sobre Ceres e por partilhar os nossos achados com o mundo."

À medida que a sonda viaja até Ceres, a sua câmara capturará imagens ainda melhores. No dia 6 de Março, a Dawn entrará em órbita de Ceres para obter imagens detalhadas e medir variações de luz refletida por Ceres, o que deverá revelar a composição da superfície do planeta anão. "Já conseguimos ver áreas e detalhes em Ceres que não tínhamos visto antes. Por exemplo, existem várias características escuras no hemisfério sul que podem ser crateras dentro de uma região mais escura em geral," explica Carol Raymond, vice-investigadora principal da missão Dawn no JPL. "Os dados desta missão vão revolucionar a nossa compreensão deste corpo único. Ceres mostra características interessantes que estão a aguçar o nosso apetite pela exploração que está por vir."

Ceres, o maior corpo entre Marte e Júpiter na cintura de asteroides, tem um diâmetro de aproximadamente 950 quilómetros. Alguns cientistas acreditam que o planeta anão já abrigou no passado um oceano subsuperficial e que água líquida possa ainda esconder-se sob o seu manto de gelo. Originalmente descrito como um planeta, Ceres foi posteriormente classificado como um asteroide e, em seguida, reclassificado como um planeta anão em 2006. O mundo misterioso foi descoberto em 1801 pelo astrónomo Giuseppe Piazzi, que deu o nome ao objeto em honra da deusa romana da agricultura, do cultivo de cereais, da fertilidade e das relações maternais.

"Provavelmente não sabia que a palavra 'cereal' vem do nome Ceres. E talvez já tenha estabelecido relação com o planeta anão hoje durante o pequeno-almoço," comenta Marc Rayman, do JPL e diretor e engenheiro-chefe da missão Dawn. Alimentada por um sistema de propulsão único, a Dawn também orbitou e explorou Vesta, o segundo corpo mais maciço da cintura de asteroides. Entre 2011 e 2012, a Dawn enviou mais de 30.000 imagens, 18 milhões de medições de luz e outros dados científicos do asteroide grande e impressionante. Vesta tem um diâmetro de cerca de 525 quilómetros. "Com a ajuda da Dawn e de outras missões, estamos continuamente a melhorar o nosso conhecimento do início do Sistema Solar e da formação dos planetas," conclui Chris Russell, investigador principal da missão Dawn e da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
Fonte: Astronomia OnLine - Portugal

Depois de 9 anos de voo, sonda da Nasa está prestes a chegar a Plutão

New Horizons vai começar a fotografar planeta anão neste domingo. Nave foi lançada em janeiro de 2006 e, em julho, deve sobrevoar Plutão
Concepção artísitca da espaçonave New Horizons, atualmente em rota rumo a Plutão, é mostrada nesta imagem divulgada pela Nasa (Foto: Reuters/Science@NASA)
Concepção artísitca da espaçonave New Horizons, atualmente em rota rumo a Plutão, é mostrada nesta imagem divulgada pela Nasa (Foto: Reuters/Science@NASA)

A nave New Horizons, da Nasa, já viajou 4,8 bilhões de km e está quase no fim de sua jornada de 9 anos até Plutão. Neste domingo (25), ela começa a fotografar esse mundo misterioso, inexplorado e gelado atualmente classificado como planeta anão. As primeiras fotos não devem revelar nada além de pontos brilhatntes - a nave ainda está a mais de 160 milhões de km de Plutão. Ma as imagens ajudarão os cientistas a calcular a distância remanescente e manter o robô no caminho certo para um sobrevoo em julho. É a primeira viagem da humanidade até Plutão e os cientistas estão ansiosos para começar a explorar. "New Horizons tem sido uma missão de gratificação adiada em muitos aspectos, e está finalmente acontecendo agora", disse o cientista Hal Weaver, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, que participa do projeto. "Vai ser uma corrida pelos próximos sete meses, basicamente, até a linha de chegada", disse nesta sexta-feira (23). "Mal podemos esperar o momento de transofrmar Plutão em um mundo real, em vez de uma pequena mancha pixelizada."

Etapa final
 Combinação de imagens feita pelo Telescópio Espacial Hubble em 2002 e 2003 mostra Plutão em diferentes ângulos; nave New Horizons começará a fazer imagens do planeta anão neste domingo (Foto: AP Photo/NASA, ESA, M. Buie)
Combinação de imagens feita pelo Telescópio Espacial Hubble em 2002 e 2003 mostra Plutão em diferentes ângulos; nave New Horizons começará a fazer imagens do planeta anão neste domingo (Foto: AP Photo/NASA, ESA, M. Buie)

Lançada do Cabo Canaveral em janeiro de 2006 em uma missão de US$ 700 milhões, a New Horizons "acordou" de um período de hibernação no começo do mês passado. Controladores de voo passaram as últimas semanas preparando a nave para a etapa final e mais importante de sua jornada. "Algumas pessoas estão trabalhando neste projeto por mais de um quarto de suas carreiras para fazer essa missão acontecer", disse o gerente de projeto Glen Fontain, do Laboratório de Física Aplicada.

A câmera de longo alcance da espaçonave fará centenas de fotos de Plutão nos próximos meses. Ela já tirou algumas fotos no ano passado, antes de entrar em hibernação, mas as novas devem ser consideravelmente mais brilhanes. Os cientistas esperam divulgá-las publicamente no início de fevereiro. A verdadeira conquista será quando a New Horizons sobrevoar Plutão em 14 de julho a uma distância de cerca de 12 mil km e a uma velocidade de quase 50 mil km/h. Os cientistas não têm ideia de como é a aparência de Plutão. Trata-se do maior objeto no Cinturão de Kuiper. Juntas, as órbitas de Plutão e de sua mega-lua Charon, que tem quase a metade do tamanho do planeta anão, caberiam dentro do território dos Estados Unidos.

Até o momento, cinco luas já foram encontradas em torno de Plutão. Mas outras podem estar esperando para ser descobertas pela New Horizons. Plutão ainda era oficialmente um planeta do Sistema Solar quando a nave decolou. Era o último planeta que ainda não tinha sido explorado no nosso sistema. Mas, sete meses depois, a União Astronômica Internacional "rebaixou" Plutão à categoria de planeta anão. Depois veio o termo "plutoide". Alguns cientistas estão esperando que as observações de Plutão possam levar a entidade a reverter sua decisão. A natureza da ciência, afinal de contas, é fluida, como a própria união astronômica defende.
Fonte: G1



Buracos negros não existem onde o espaço-tempo não existe, afirma nova teoria

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A característica mais marcante de um buraco negro é o seu Horizonte de Eventos. O Horizonte de Eventos é uma região do espaço que demarca a distância a partir da qual nada mais escapa do Buraco Negro, nem mesmo a luz. Pelo menos é assim que funcionam os buracos negros previstos pela Teoria da Relatividade. Entretanto, uma nova teoria que foi formulada pelos físicos Ahmed Farag Ali, Mir Faizal e Barum Majumder propõe que o buraco negro não pode ser posicionado em qualquer local. Para a nova teoria, chamada “gravity rainbow” (“gravidade arco-íris”, numa tradução livre), o espaço não exite abaixo de certo limite de comprimento, assim como o tempo não existe abaixo de certo limite de tempo.

Gravidade Arco-Íris e a quantização do espaço-tempo

É como se você fosse cortando uma régua, e obtendo pedaços menores, e cortando estes menores, até chegar às moléculas, átomos, partículas subatômicas, e continua cortando, até que chega um ponto em que não há mais o que cortar, a distância que sobra é a mínima, e não pode ser cortada. Mais ainda, só existe espaço nos limites desta distância, não dentro dela. O espaço seria, então, quantizado, ou, como dizem os cientistas, “discreto. Segundo a nova teoria, se o horizonte de eventos do buraco negro cair em uma destas posições que não existe, o próprio buraco negro não existe. Parece absurdo? Parece. Existem muitas teorias que tentam unificar a Teoria da Relatividade com a Mecânica Quântica, e boa parte delas funciona, mas exige que o espaço e o tempo também sejam discretos, e não contínuos.

Outra ideia que faz parte de muitas destas teorias é que a partir deles a energia de uma partícula não pode crescer indefinidamente, mas tem um limite máximo. Esta restrição pode ser combinada com a Teoria da Relatividade Especial e o resultado é chamado de Teoria da Relativiade Duplamente Especial, ou DSR. O que os físicos fizeram foi generalizar a DSR fazendo incluir a gravidade, e o resultado é a “gravity rainbow”. Da mesma forma que a Relatividade prevê que a matéria curva o espaço-tempo, também a “gravity rainbow”, só que com um diferencial, a curvatura muda conforme a energia que está sendo observada.

O Paradoxo da Informação

Um aspecto interessante desta teoria maluca é que ela pode resolver um paradoxo de 40 anos, o Paradoxo da Informação. Segundo Stephen Hawking, os buracos negros evaporam na forma da radiação Hawking, e acabam desaparecendo, mas o que acontece com a informação dos corpos que caíram dentro do Buraco Negro? O paradoxo é que ela não pode desaparecer, mas depois que o buraco negro evapora completamente, não sobra nada, nem mesmo a informação. A explicação mais completa para o paradoxo é chamada de complementaridade de buracos negros, e se baseia na ideia de que um observador caindo em um buraco negro, e um observador que esteja à distância, observando a queda, vêem duas coisas completamente diferentes.

O observador que está entrando vê a informação passar pelo horizonte de eventos, mas para o observador distante, ele nunca chega a atingir o horizonte de eventos, devido a alguns estranhos efeitos relativísticos da dilatação do tempo. O observador remoto vê a informação ser refletida para fora do horizonte de eventos na forma de radiação. Como os dois observadores não podem se comunicar, não há paradoxo. A resposta para este paradoxo, pela teoria da “gravity rainbow”, é que, como não existe horizonte de eventos abaixo de certo comprimento, o observador remoto vê o observador que está caindo no buraco negro atravessar o horizonte de eventos em um tempo finito. Em outras palavras, ele vê o colega caindo no buraco negro.

Segundo Ali, Faizal e Majumder, os problemas e mistérios que cercam o buraco negro decorrem do espaço e do tempo serem descritos a uma escala em que eles não existem. E como não há espaço nem tempo abaixo de certa escala, não tem nada que impeça a informação de sair do buraco negro. Para quem quiser ler o trabalho em que os cientistas explicam como a “gravity rainbow” soluciona o paradoxo da informação, basta clicar aqui. Será que esta teoria será a resposta para a física e vai acabar com os paradoxos e problemas decorrentes da tentativa de associar a Teoria da Relatividade com a Mecânica Quântica? 
Fonte: PhysOrg

Quantas “Terras” alienígenas pode haver na nossa galáxia? A resposta vai impressionar você


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Nossa galáxia abriga cerca de 75 bilhões de estrelas anãs vermelhas (menores e menos brilhantes do que o Sol) e, de acordo com estudo recente (a ser publicado no The Astrophysical Journal), em torno de 4,5 bilhões são orbitadas por planetas do tamanho aproximado da Terra – alguns dos quais podem estar “a um pulo” do nosso planeta, em escala espacial.
“Pensávamos que seria preciso procurar por vastas distâncias para encontrar planetas como a Terra. Agora percebemos que provavelmente há outra Terra em nosso quintal, esperando para ser encontrada”, destaca a pesquisadora Courtney Dressing, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Dressing e sua equipe chegaram a essa conclusão depois de analisar dados coletados pelo telescópio espacial Kepler, da NASA, que desde seu lançamento (em março de 2009) já detectou 2.740 possíveis exoplanetas – destes, apenas 105 foram confirmados até agora, mas estima-se que a maioria seja real.

Pequenos sóis
Os pesquisadores focaram nas anãs vermelhas e descobriram que quase todas são menores e mais “frias” do que se imaginava e que, por consequência, os planetas que as orbitam também são menores. Essas informações mais precisas ajudam, ainda, a calcular a extensão da “zona habitável” (em que o planeta estaria a uma distância apropriada para ter água líquida em sua superfície) de cada estrela.

Dos 2.740 “candidatos” (chamados de KOI, “objetos de interesse de Kepler”, em inglês), a equipe determinou que 95 orbitam anãs vermelhas, dos quais três estão localizados na “zona habitável” de sua estrela. São eles:
  1. KOI 1422.02: com 90% do tamanho da Terra, esse possível exoplaneta circula sua estrela a cada 20 dias. Se tudo for confirmado, ele pode ser a primeira “Terra alienígena” descoberta;
  2. KOI 854.01: possui 1,7 vezes o tamanho da Terra e uma órbita que dura 56 dias;
  3. KOI 2626.01: possui 1,4 vezes o tamanho da Terra e uma órbita que dura 38 dias.
Os três candidatos ficam a uma distância de 300 a 600 anos luz da Terra e a temperatura da superfície de suas estrelas ficam entre 3.150 e 3.260°C (a do Sol é de aproximadamente 5.540°C). Pelos cálculos dos pesquisadores, contudo, deve haver um candidato a cerca de 13 anos-luz do nosso planeta, uma distância relativamente curta em termos astronômicos.

Mais antigas que a Terra
Como as anãs vermelhas “vivem” mais do que estrelas maiores, é possível que alguns dos planetas que orbitam suas “zonas habitáveis” tenham formas de vida mais antigas do que as primeiras a surgir na Terra. Outro aspecto importante das anãs vermelhas é que, quando “jovens”, elas frequentemente liberam ondas de raios ultravioletas, o que, segundo alguns cientistas, teria impedido o surgimento de vida mesmo em planetas que ficam em suas “zonas habitáveis”. Contudo, é possível que a atmosfera dos planetas os tenha protegido e que, além disso, condições adversas como essa possam ter ajudado a vida a evoluir. Entre os canditados, há cinco orbitando a estrela Tau Ceti, localizada a 11,9 anos-luz da Terra. Destes, dois podem estar nas “zona habitável” da estrela. Em suma, a ideia de que “o Universo é grande demais para só ter vida em um planeta” ganha mais força a cada dia.
Fonte: Hypescience.com

O telescópio Kepler não sabe a hora de desistir: já encontrou mais de mil exoplanetas

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O telescópio Kepler é uma das provas que a humanidade não desiste fácil. Lançado em 2009 com a missão de examinar 145.000 estrelas semelhantes ao nosso sol na galáxia, Kepler queria descobrir boas candidatas a ter exoplanetas em torno delas. O telescópio foi colocado em órbita do sol e começou sua tarefa, mas um desastre aconteceu: duas de suas rodas de reação, equipamento usado para estabilizá-lo, quebraram. Sem as rodas, o telescópio não tem como ser orientado no espaço – não há como fazer “pontaria. A missão original do Kepler – examinar estrelas na direção da constelação do Cisne – estava assim comprometida, mas uma nova missão foi criada usando o que sobrou funcionando no telescópio. Ela agora utilizaria a pressão da radiação solar como uma terceira “roda de reação”, e não ficaria restrito a apenas uma região do espaço.

As duas missões, a original e a que a sucedeu, têm sido um sucesso. Ao examinar o brilho de estrelas, o telescópio Kepler procura por variações resultantes do trânsito de um planeta à frente dela. Com isto, o telescópio examina candidatas a exoplanetas e confirma ou descarta a existência deles. Com a descoberta de HIP 116454b, uma Super Terra em órbita próxima de sua estrela, a segunda missão do telescópio teve uma nova vida. E com a virada do ano, veio a marca incrível: Kepler confirmou a existência de 1.004 exoplanetas, e ainda tem mais 3171 candidatos a exoplanetas a confirmar. Mas mais que encontrar esses exoplanetas, o Kepler também permite determinar se sua órbita está na chamada zona “cachinhos dourados”, onde a temperatura dos planetas não é nem muito quente, nem muito fria para permitir a existência de água líquida em sua superfície.

Além da distância que o planeta orbita sua estrela, outras características podem ser descobertas, como seu tamanho aproximado, se é um gigante gasoso ou um planeta terrestre parecido com o nosso, por exemplo. E aí vem a segunda surpresa: destes mil e tantos planetas, já foram descobertos oito que são muito parecidos com a Terra. Os planetas rochosos são Kepler-186f, Kepler-62e, Kepler-62f, Kepler-296e, Kepler-296f, Kepler-438b, Kepler-442b e Kepler-440b. Lembrando que, quando dois planetas tem o mesmo nome e variam apenas a última letra, como Kepler-62e e Kepler-62f, eles orbitam a mesma estrela, no caso Kepler-62. Destes oito planetas, dois são maiores que a Terra e orbitam estrelas pequenas e mais frias que o sol. Todos são potencialmente habitáveis, já que estão na distância certa de seus astros, mas o foco é na palavra “potencialmente” – não há certeza sobre nada. E, com a tecnologia atual, não o visitaremos tão cedo para tirar a prova.
Fonte: io9, Forbes

VISTA observa através da Via Láctea

Nova imagem infravermelha da Nebulosa Trífida revela novas estrelas variáveis muito além dela
Uma nova imagem obtida com o telescópio de rastreio do ESO, o VISTA, revela a famosa Nebulosa Trífida de maneira diferente e fantasmagórica. Ao observar no infravermelho, os astrônomos podem ver para além das regiões centrais da Via Láctea obscurecidas por poeira e descobrir muitos objetos invisíveis a outros comprimentos de onda. Numa pequena parte de um dos rastreios do VISTA, os astrônomos descobriram duas estrelas variáveis Cefeidas, desconhecidas até agora e muito distantes, que se situam quase diretamente por detrás da Trífida. Estas são as primeiras estrelas deste tipo a serem descobertas no plano central da Via Láctea para além do bojo central. No âmbito de um dos maiores rastreios do céu austral, o telescópio VISTA instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, encontra-se a mapear as regiões centrais da Via Láctea no infravermelho, em busca de novos objetos.

Este rastreio VVV (sigla de Variáveis VISTA na Via Láctea) observa várias vezes as mesmas regiões do céu no intuito de descobrir objetos que variam de brilho ao longo do tempo. Foi utilizada uma pequena fração da enorme base de dados do VVV para criar esta nova imagem de um objeto famoso, a região de formação estelar Messier 20, habitualmente chamada Nebulosa Trífida, devido às linhas escuras fantasmagóricas que a dividem em três partes, quando observada através de um telescópio. Nas imagens mais familiares da Trífida, no visível, a nebulosa brilha intensamente tanto na emissão cor de rosa do hidrogênio ionizado como no nevoeiro azulado da radiação dispersa por estrelas quentes jovens. São também proeminentes enormes nuvens de poeira que absorvem a radiação.

No entanto, a imagem infravermelha do VISTA é muito diferente. A nebulosa aparece-nos apenas como uma sombra da sua imagem habitual no visível. As nuvens de poeira encontram-se muito menos proeminentes e o brilho intenso das nuvens de hidrogênio, assim como a estrutura em três partes, são praticamente invisíveis. Na nova imagem, como que a compensar o desvanecer da nebulosa, vemos um panorama completamente diferente mas bastante espetacular. As nuvens espessas de poeira no disco da nossa Galáxia, que absorvem a radiação visível, deixam passar a maior parte da radiação infravermelha que é observada pelo VISTA. Em vez de termos uma visão bloqueada pela poeira, o VISTA consegue observar muito além da Trífida e detectar objetos no outro lado da Galáxia, que nunca foram observados antes.

Por acaso, esta imagem mostra um exemplo perfeito das surpresas que podem ser reveladas quando obtemos imagens no infravermelho. Aparentemente próximo da Trífida no céu, mas na realidade sete vezes mais distante, descobriu-se nos dados VISTA um par de estrelas variáveis. Tratam-se de variáveis Cefeidas, um tipo de estrelas brilhantes instáveis que, com o tempo, aumentam lentamente de brilho e depois desvanecem. Este par de estrelas, que os astrônomos pensam ser os membros mais brilhantes de um aglomerado de estrelas, são as únicas variáveis Cefeidas detectadas até hoje que se encontram próximo do plano central, mas do outro lado da Galáxia. Estas estrelas aumentam de brilho e diminuem num período de tempo de onze dias.
Fonte: ESO

A boca do monstro

VLT obtém imagens do glóbulo cometário CG4
Tal como a boca escancarada de uma criatura celeste gigantesca, o glóbulo cometário CG4 brilha ameaçadoramente nesta nova imagem obtida pelo Very Large Telescope do ESO. Embora pareça grande e brilhante na imagem, este objeto é, na realidade, uma nebulosa bastante tênue, o que o torna muito difícil de observar por astrônomos amadores. A natureza exata de CG4 permanece um mistério. Em 1976 foram descobertos vários objetos alongados parecidos com cometas em fotografias obtidas com o Telescópio Schmidt do Reino Unido instalado na Austrália. Devido à sua aparência, estes objetos ficaram conhecidos por glóbulos cometários embora nada tenham a ver com cometas. Estavam todos situados numa enorme região de gás brilhante chamada Nebulosa de Gum. Tinham núcleos densos, escuros e empoeirados e apresentavam caudas longas e tênues, que apontavam de maneira geral em direção contrária aos restos da supernova Vela, situados no centro da Nebulosa Gum.

Embora estes objetos se encontrem relativamente próximo de nós, os astrônomos demoraram muito tempo para descobri-los, uma vez que o seu brilho é muito tênue, tornando-os assim muito difíceis de detectar. O objeto que mostramos nesta nova imagem, CG4, referido também algumas vezes como a Mão de Deus, é um destes glóbulos cometários. Situa-se a cerca de 1300 anos-luz de distância da Terra na constelação da Popa. O núcleo do CG4, que é a região que se vê na imagem e se parece com a cabeça de um monstro gigantesco, tem um diâmetro de 1,5 anos-luz. A cauda do glóbulo - que se estende para baixo e não é visível na imagem -  tem cerca de oito anos-luz de comprimento. Em termos astronômicos trata-se de uma nuvem relativamente pequena.

Este tamanho relativamente pequeno é uma característica geral dos glóbulos cometários. Todos os glóbulos cometários descobertos até hoje encontram-se em nuvens de gás e poeira da Via Láctea relativamente pequenas e isoladas, rodeadas por material quente ionizado. O núcleo de CG4 consiste numa nuvem espessa de gás e poeira, que apenas se observa porque está a ser iluminada pela radiação emitida por estrelas próximas. Esta radiação vai destruindo gradualmente o núcleo do glóbulo e libertando pequenas partículas que dispersam a radiação estelar. No entanto, a nuvem empoeirada de CG4 ainda contém gás em quantidade suficiente para formar várias estrelas do tamanho do Sol e, efetivamente, CG4 está formando estrelas de forma ativa, formação estelar esta que, muito provavelmente, tem origem no momento em que a radiação emitida pelas estrelas que alimentam a Nebulosa Gum atinge CG4.

O porquê de CG4 e outros glóbulos cometários apresentarem esta forma tão distinta é ainda uma questão em aberto debatida entre os astrônomos, tendo havido duas teorias que se desenvolveram para explicar este efeito. Os glóbulos cometários, e por isso também CG4, poderiam ser originalmente nebulosas esféricas, as quais teriam sido desfeitas e adquiririam estas novas formas incomuns devido aos efeitos da explosão de supernova próxima. Outros astrônomos sugerem que os glóbulos cometários são esculpidos por ventos estelares e radiação ionizante emitida por estrelas quentes massivas do
tipo OB. Estes efeitos poderiam inicialmente levar às formações conhecidas pelos estranhos mas apropriados nomes de trombas de elefante e depois eventualmente a glóbulos cometários.

O próximo passo na investigação nestes objetos consiste em saber a sua massa, densidade, temperatura e velocidade do material nos glóbulos. Estes parâmetros podem ser determinados por medições de linhas espectrais moleculares, às quais se tem acesso fácil nos comprimentos de onda do milímetro - precisamente onde opera o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (
ALMA). Esta imagem foi obtida no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO, uma iniciativa no âmbito da divulgação científica, que visa obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica. O programa utiliza tempo de telescópio que não pode ser usado em observações científicas. Todos os dados obtidos podem ter igualmente interesse científico e são por isso postos à disposição dos astrônomos através do arquivo científico do ESO.
Fonte: ESO

Astronomos descobrem sistema solar mais antigo com planetas rochosos

ilustração do sistema solar Kepler-444
O sistema compacto, chamado Kepler-444, é o lar de cinco planetas pequenos em órbitas muito íntimas. Os planetas foram detetados através da diminuição de brilho que ocorrem quando transitam o disco da estrela, como ilustrado nesta impressão de artista. Crédito: Tiago Campante/Peter Devine

Cientistas liderados por asterosismólogos da Universidade de Birmingham descobriram um sistema com 5 planetas, de tamanho semelhante ao da Terra, que remonta ao início da nossa Galáxia. Graças à missão Kepler da NASA, os cientistas anunciaram no passado dia 27 de janeiro e na revista The Astrophysical Journal, a observação de uma estrela parecida com o Sol (Kepler-444) e de 5 planetas com tamanhos entre Mercúrio e Vénus.Kepler-444 formou-se há 11,2 mil milhões de anos, quando o Universo tinha menos de 20% da sua idade atual. Este é o sistema, conhecido, mais antigo com planetas de tamanho terrestre na nossa Via Láctea - duas vezes e meia mais antigo que a Terra.

A equipa realizou a pesquisa usando asterosismologia - ouvindo as ressonâncias naturais da estrela-mãe provocadas pelos sons presos dentro dela. Estas oscilações levam a alterações ou pulsos minúsculos no brilho, o que permite com que os investigadores possam medir o seu diâmetro, massa e idade. Os planetas foram detetados pelo escurecimento que ocorre quando os planetas transitam ou passam em frente do disco estelar. Esta diminuição na intensidade do brilho estelar permite medir com precisão o tamanho dos planetas em relação ao tamanho da estrela.

O Dr. Tiago Campante, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Birmingham, que liderou a pesquisa, afirma: "Esta descoberta tem muitas implicações. Sabemos agora que planetas do tamanho da Terra podem ter-se formado durante a maior parte da história de 13,8 mil milhões de anos do Universo, o que poderá criar condições para a existência de vida antiga na Galáxia. "Quando a Terra se formou, os planetas neste sistema já eram mais velhos que o nosso planeta é hoje. Esta descoberta pode agora ajudar a identificar o começo do que poderíamos chamar de 'era da formação planetária'."

O professor Bill Chaplin, da mesma instituição, que tem liderado a equipa que estuda estrelas do tipo solar para a missão Kepler através de asterosismologia, acrescenta: "As primeiras descobertas de exoplanetas em torno de outras estrelas semelhantes ao Sol na nossa Galáxia têm alimentado esforços para encontrar outros mundos como a Terra e outros planetas terrestres fora do nosso Sistema Solar. "Estamos agora a ter os primeiros vislumbres da variedade de ambientes galácticos propícios à formação destes mundos pequenos. Como resultado, o caminho para uma compreensão mais completa da formação planetária no início da história da Via Láctea desdobra-se agora diante de nós."
Fonte: Atronomia Online - Portugal


Sistema gigante de anéis em torno de J1407B muito maior e maciço que o de Saturno

Impressão de artista do sistema de anéis que rodeia o jovem exoplaneta ou anã castanha J1407b. A imagem mostra os anéis a eclipsarem a jovem estrela J1407.  Crédito: Ron Miller


Astrónomos do Observatório de Leiden, na Holanda, e da Universidade de Rochester, EUA, descobriram que o sistema de anéis que vêm eclipsar a estrela jovem J1407, muito parecida com o Sol, tem proporções enormes, muito maior e massivo que o sistema de anéis de Saturno. O sistema de anéis - o primeiro do género encontrado fora do nosso Sistema Solar - foi descoberto em 2012 por uma equipe liderada por Eric Mamajek da Universidade de Rochester. Uma nova análise dos dados, liderada por Matthew Kenworthy de Leiden, mostra que o sistema de anéis é composto por mais de 30 anéis, cada um com dezenas de milhões de quilómetros em diâmetro. Além disso, encontraram lacunas nos anéis, o que indica a possibilidade de formação de satélites (exoluas). Os resultados foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal.

"Os detalhes que vemos na curva de luz são incríveis. O eclipse durou várias semanas, mas conseguimos ver mudanças rápidas em escalas de tempo na ordem das dezenas de minutos, como resultado de estruturas finas nos anéis," afirma Kenworthy. "A estrela está demasiado longe para observarmos os anéis diretamente, mas nós podemos fazer um modelo detalhado com base nas rápidas variações de brilho na luz da estrela que passa pelo sistema de anéis. Se pudéssemos substituir os anéis de Saturno com o sistema de anéis em redor de J1407b, eram facilmente visíveis à noite e muitas vezes maior do que a Lua Cheia."

"Este planeta é muito maior que Júpiter ou Saturno e o seu sistema de anéis é cerca de 200 vezes maior do que os anéis de Saturno," afirma o coautor Mamajek, professor de física e astronomia na Universidade de Rochester. "Podemos pensar nele como uma espécie de super-Saturno. Os astrónomos analisaram dados do projeto SuperWASP - um estudo que tem como objetivo detetar gigantes gasosos que se movem em frente da sua estrela-mãe. Em 2012, Mamajek e colegas da Universidade de Rochester anunciaram a descoberta da jovem estrela J1407 e de eclipses invulgares, e sugeriram que eram provocados por um disco que formava luas em torno de um planeta gigante jovem ou de uma anã castanha.

Num terceiro estudo, mais recente, também liderado por Kenworthy, usaram óticas adaptativas e espectroscopia de Doppler para estimar a massa do objeto com anéis. As conclusões a que chegaram, com base nesse e em estudos anteriores do interessante sistema de J1407, é que o companheiro é provavelmente um gigante gasoso - ainda não observado - com um sistema gigantesco de anéis responsável pela diminuição repetida no brilho de J1407. A curva de luz diz aos astrónomos que o diâmetro do sistema de anéis mede quase 120 milhões de quilómetros, mais de duzentas vezes o tamanho dos anéis de Saturno. O sistema de anéis provavelmente contém mais ou menos o valor da massa da Terra em partículas de poeira.

Mamajek coloca em contexto a quantidade de material nestes discos e anéis. "Se moêssemos as quatro grandes luas de Galileu em poeira e gelo e espalhássemos o material sobre as suas órbitas num anel em redor do planeta [Júpiter], o anel seria tão opaco à luz que um observador distante que observasse o anel a passar em frente do Sol veria um eclipse muito profundo e com a duração de vários dias," comenta Mamajek. "No caso de J1407, vemos que os anéis bloqueiam praticamente 95% da luz desta jovem estrela semelhante ao Sol durante dias, por isso existe aí muito material para formar satélites."

Nos dados, os astrónomos descobriram pelo menos uma lacuna limpa na estrutura de anéis, mais claramente definida no novo modelo. "Uma explicação óbvia é que um satélite formou e esculpiu esta divisão," afirma Kenworthy. "A massa do satélite pode situar-se entre a massa da Terra e a massa de Marte. O satélite poderá ter um período orbital de aproximadamente dois anos em redor de J1407b. Os astrónomos esperam que os anéis se tornem mais finos nos próximos milhões de anos e eventualmente desapareçam à medida que formam satélites a partir do material nos discos.

"A comunidade de ciência planetária teoriza há décadas que planetas como Júpiter e Saturno teriam tido, num estágio inicial, discos em torno deles que, em seguida, levaram à formação de satélites," explica Mamajek. "No entanto, até à descoberta deste objeto em 2012, ninguém tinha visto um tal sistema de anéis. Este é o primeiro retrato da formação de satélites a escalas de milhões de quilómetros em torno de um objeto subestelar. Os astrónomos estimam que o exoplaneta com anéis, J1407b, tem um período orbital de aproximadamente uma década. A massa de J1407b tem sido difícil de determinar, mas é provável que se situe entre as 10 e 40 massas de Júpiter.

Os investigadores incentivam os astrónomos amadores a acompanhar J1407, o que ajudaria a detetar o próximo eclipse dos anéis e a restringir o período e massa do companheiro planetário. As observações de J1407 podem ser relatadas à Associação Americana de Observadores de Estrelas Variáveis (AAVSO). Entretanto, os astrónomos estão estudando outros levantamentos fotométricos à procura de eclipses provocados por sistemas de anéis ainda por descobrir. Kenworthy acrescenta que a descoberta de eclipses por outros objetos como o planeta J1407b "é, durante o futuro próximo, o único método viável que possuímos para observar as condições primitivas da formação de satélites. Os eclipses de J1407 vão permitir-nos estudar as propriedades físicas e químicas dos discos circumplanetários que formam satélites."
Fonte: Astronomia On-line - Portugal

Nasa revela que asteroide que passou perto da Terra tem minilua

Primeiras imagens do asteroide 2004 BL86 revelaram pequena lua de 70 m. Objeto passou a 1,2 milhões de km da Terra na madrugada desta terça.
Animação mostra asteroide 2004 BL86 e sua minilua, pequeno ponto em movimento na parte de cima da imagem (Foto: Jet Propulsion Laboratory/Nasa)
As primeiras imagens do asteroide 2004 BL86, que passou perto da Terra entre a noite desta segunda-feira e a madrugada desta terça (27), revelaram que o objeto tem uma pequena lua. Cientistas trabalhando na antena da Rede de Espaço Profundo de Goldstone, da Nasa, observaram nas imagens de satélite a presença da minilua de cerca de 70 metros orbitando ao redor do asteroide, que tem cerca de 325 metros de diâmetro. O astro passou a uma distância de 1,2 milhões de km da Terra, ou 3,1 vezes a distância da Terra à Lua. No Brasil, o asteroide ficou mais visível entre 23h de segunda e 4h da madrugada de terça. Mas era preciso ter um pequeno telescópio ou binóculo para ver o asteroide. A Nasa já tinha divulgado que, apesar do tamanho do asteroide e de sua proximidade com a rota da Terra, não havia perigo de colisão.

"Embora não represente uma ameaça à Terra num futuro próximo, é uma abordagem relativamente perto de um asteroide relativamente grande, o que nos proporciona uma oportunidade única para observar e aprender mais", disse em comunicado o astrônomo Don Yeomans, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena. O asteroide, que orbita o Sol a cada 1,84 ano, foi descoberto há 11 anos pelo telescópio Linear (Lincoln Near-Earth Asteroid Research), localizado no Estado do Novo México. De acordo com a Nasa, o 2004 BL86 deve ser o maior asteroide a passar tão perto da Terra até a chegada do 1999 AN10 em 2027. A Nasa atualmente rastreia mais de 11 mil asteroides em órbitas que passam relativamente perto da Terra. A agência espacial norte-americana diz ter localizado mais de 95% dos maiores asteroides, aqueles com diâmetro de 900 metros ou mais, com órbitas que os levam relativamente perto da Terra.
Fonte: G1
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