31 de outubro de 2017

NASA projeta robô para pousar em Plutão

A imagem mostra a linha de tempo de entrada em Plutão: (1) Aproximação em velocidade interplanetária de aproximadamente 50.000 km/h (14 km/s); (2) lançamento do desacelerador; (3) entrada e descida através da atmosfera; (4) separação, giro e pouso; e (6) saltos para exploração superficial.[Imagem: L. Calçada (ESO)/GAC]

Arrasto aerodinâmico

Contratada pela NASA, a empresa GAC (Global Aerospace Corporation) desenvolveu o conceito de uma sonda espacial para pousar em Plutão. Se antes ir a Plutão era uma curiosidade científica - todos os planetas já haviam sido visitados -, agora essa curiosidade aumentou muito com os resultados obtidos pela sonda New Horizons, que mostrou um planeta-anão extremamente rico em formações geológicas e com estruturas que ainda estão fazendo os cientistas coçarem a cabeça em busca de hipóteses para explicá-las.

Ao contrário da New Horizons, que apenas passou chispando por Plutão, a ideia é desacelerar usando o atrito com a fina atmosfera de Plutão e então pousar suavemente.

"A pressão [atmosférica] na superfície de Plutão é apenas 10 milionésimos a da Terra, mas sua atmosfera é extremamente espalhada, estendendo-se por 1.600 km acima da superfície," explicou o professor Benjamin Goldman, idealizador do projeto. "Essa atmosfera estendida e de densidade ultrabaixa é ideal para dissipar grandes quantidades de energia cinética por meio do arrasto aerodinâmico, mas a chave é fazer a área de arrasto muito grande, ao mesmo tempo mantendo o peso do sistema no mínimo."

Ou seja, a sonda não precisará apenas ser leve - ela deverá ser enorme, com uma área superficial equivalente a um campo de futebol. Essa área será fornecida pelo desacelerador, que irá se abrir na aproximação final ao planeta anão.

Robô saltador

Depois de pousar, o veículo passará para um "modo salto", tirando proveito da baixa força gravitacional do planeta anão. Esses saltos gastarão pouco combustível, tornando essa uma alternativa mais interessante do que um sistema de rodas e motores elétricos, que teriam que ser alimentados por fonte nuclear, já que Plutão está distante demais do Sol para usar painéis solares. Cada disparo do foguete deverá levar a sonda a centenas ou mesmo milhares de quilômetros de distância, o que permitirá estudar várias formações geológicas.

Se a tecnologia for aprovada pelo Escritório de Estudos Avançados da NASA, o próximo passo consistirá no desenvolvimento de um protótipo em pequena escala, a ser lançado da Estação Espacial Internacional como um cubesat. Na hipótese mais otimista, a missão poderia estar pronta para ir a Plutão em 12 anos.
Fonte: Inovação Tecnológica


Cientistas detectam cometas fora do nosso sistema solar

Impressão de artista de um exocometa no sistema KIC 3542116.Crédito: Danielle Futselaar

Cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e outras instituições, trabalhando em estreita colaboração com astrónomos amadores, avistaram as caudas poeirentas de seis exocometas - cometas para lá do nosso Sistema Solar - em órbita de uma ténue estrela a 800 anos-luz da Terra. Estas bolas cósmicas de gelo e poeira, que eram do tamanho do Cometa Halley e viajavam a cerca de 160 mil quilómetros por hora antes de se vaporizarem, são alguns dos objetos mais pequenos já encontrados fora do nosso próprio Sistema Solar. 

A descoberta marca a primeira vez que um objeto tão pequeno quanto um cometa foi detetado usando fotometria de trânsito, uma técnica na qual os astrónomos observam a luz de uma estrela à procura de indicadoras quedas de intensidade. Estas diminuições assinalam trânsitos potenciais, passagens de planetas ou outros objetos em frente de uma estrela, que bloqueiam momentaneamente uma pequena fração da sua luz. 

No caso desta nova deteção, os investigadores foram capazes de discernir a cauda do cometa, ou cauda de gás e poeira, que bloqueou cerca de um-décimo de 1% da luz enquanto este transitava a sua estrela hospedeira. É incrível que algo muito mais pequeno que a Terra possa ser detetado apenas pelo facto de que está a emitir muitos destroços," comenta Saul Rappaport, professor emérito de física no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT. "É bastante impressionante poder ver algo tão pequeno e tão distante." 

Rappaport e a sua equipa publicaram os seus resultados a semana passada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Os coautores são Andrew Vanderburg do Centro Harvard-Smithosnian para Astrofísica; vários astrónomos amadores, entre eles Thomas Jacobs de Bellevue, Washington; e investigadores da Universidade do Texas em Austin, do Centro de Pesquisa Ames da NASA e da Universidade de Northeastern.

"Onde poucos viajaram"

A deteção foi feita usando dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA, um observatório estelar lançado para o espaço em 2009. Durante quatro anos, monitorizou cerca de 200.000 estrelas à procura de diminuições na luz estelar provocadas pelo trânsito de exoplanetas. Até à data, a missão identificou e confirmou mais de 2400 exoplanetas, a maioria em órbita de estrelas na direção da constelação de Cisne, com a ajuda de algoritmos automatizados que examinam rapidamente os dados do Kepler, procurando as características quedas na luz estelar.

Os exoplanetas mais pequenos detetados até agora medem cerca de um-terço do tamanho da Terra. Os cometas, em comparação, têm apenas o tamanho de alguns campos de futebol, ou o tamanho de uma pequena cidade, tornando-os incrivelmente difíceis de avistar. No entanto, no dia 18 de março, Jacobs, um astrónomo amador cujo passatempo é vascular dados do Kepler, foi capaz de discernir vários curiosos padrões de luz entre o ruído. Jacobs, que trabalha como consultor de emprego para pessoas com deficiências intelectuais, é membro do Planet Hunters - um projeto de cientistas-cidadãos estabelecido pela Universidade de Yale para alistar astrónomos amadores na busca por exoplanetas. Os membros receberam acesso aos dados do Kepler na esperança que possam avistar algo de interesse que um computador pode não notar.

Em janeiro, Jacobs começou a analisar os quatro anos inteiros dos dados do Kepler, obtidos durante a sua missão principal, que inclui mais de 200.000 estrelas, cada com curvas individuais de luz, ou gráficos de intensidade de luz ao longo do tempo. Jacobs passou cinco meses a estudar os dados a olho, muitas vezes antes e depois do trabalho, e durante os fins-de-semana.  A procura de objetos de interesse nos dados do Kepler requer paciência, persistência e perseverança," diz Jacobs. "Para mim, é uma forma de caça ao tesouro, sabendo que há um evento interessante à espera de ser descoberto. É tudo sobre exploração e estar à caça, onde poucos viajaram antes."

"Algo que vimos antes"

O objetivo de Jacobs era procurar algo fora do comum que os algoritmos de computador pudessem não ter notado. Em particular, procurava trânsitos únicos - mergulhos na luz estelar que aconteceram apenas uma vez, o que significa que não eram periódicos como planetas que orbitam uma estrela várias vezes. 
Na sua pesquisa, avistou três trânsitos únicos em redor de KIC 3542116, uma estrela fraca localizada a 800 anos-luz da Terra (os outros três trânsitos foram mais tarde descobertos pela equipa). Ele marcou os eventos e alertou Rappaport e Vanderburg, com quem colaborou no passado para interpretar as suas descobertas. 

"Nós deliberámos durante um mês, porque não sabíamos o que era - os trânsitos planetários são diferentes," lembra Rappaport. "Então ocorreu-me, 'Estes trânsitos parecem-se com algo que já vimos antes.'" 
Num típico trânsito planetário, a curva de luz resultante assemelha-se a um "U", com uma queda acentuada, e posteriormente um aumento igualmente acentuado, como resultado do bloqueio da luz da estrela pelo planeta. No entanto, as curvas de luz que Jacobs identificou pareciam assimétricas, com um mergulho acentuado, seguido por um aumento mais gradual.

Rappaport apercebeu-se que a assimetria nas curvas de luz pareciam-se com planetas desintegrantes, com longas caudas de detritos que continuariam a bloquear parte da luz à medida que o planeta se afastava da estrela. No entanto, tais planetas desintegrantes orbitam a sua estrela, fazendo trânsitos repetidos. Em contraste, Jacobs não observou esse padrão periódico nos trânsitos que identificou.
"Nós pensámos, o único tipo de corpo que poderia fazer o mesmo e não repetir é aquele que provavelmente é destruído no final," realça Rappaport.  Por outras palavras, ao invés de orbitar em torno da estrela, os objetos devem ter transitado e, no final, "voado" demasiado perto da estrela, sendo vaporizados. O único tipo de objeto que se adapta, e tem uma massa suficientemente pequena para ser destruído, é um cometa," salienta Rappaport.

Os investigadores calcularam que cada cometa bloqueou cerca de um-décimo de 1% da luz estelar. Para fazer isto vários meses antes de desaparecer, o cometa provavelmente desintegrou-se completamente, criando um rasto de poeira espesso o suficiente para bloquear essa quantidade de luz estelar. Vanderburg diz que o facto destes seis exocometas parecerem ter transitado muito perto da sua estrela nos últimos quatro anos levanta algumas questões intrigantes, cujas respostas podem revelar algumas verdades sobre o nosso próprio Sistema Solar.  
"Porque existem tantos cometas nas regiões interiores destes sistemas solares?" pergunta Vanderburg. "Será uma era extrema de bombardeamento? Esta foi uma parte realmente importante da formação do nosso próprio Sistema Solar e pode ter trazido água à Terra. Talvez o estudo dos exocometas e a descoberta da razão porque podem ser encontrados em redor deste tipo de estrelas... nos possam dar informações sobre como os bombardeamentos ocorrem nos outros sistemas solares."

Os investigadores dizem que, no futuro, a missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) vai continuar o tipo de pesquisa feita pelo Kepler. Além de contribuir para os campos da astrofísica e da astronomia, explica Rappaport, a nova deteção mostra a perseverança e discernimento dos cientistas-cidadãos.  

"Eu podia dizer 10 tipos de coisas que eles descobriram nos dados do Kepler que os algoritmos não conseguiram encontrar, devido à capacidade de reconhecimento de padrões no olho humano," comenta Rappaport. "Podíamos agora desenvolver um algoritmo de computador para encontrar este tipo de forma cometária. Mas não foram avistados em buscas anteriores. Eram suficientemente detalhados, mas não tinham a forma certa programada nos algoritmos. Eu acho justo dizer que nunca teriam sido encontrados por qualquer algoritmo."
Fonte: ASTRONOMIA ONLINE

Detectando água no espaço e por que isso importa

Água no espaço

Das nuvens aos rios, das geleiras aos oceanos, a água está em todos os lugares na Terra. O que não sabemos tão bem é qual é a abundância da molécula H2O no espaço. Ao contrário do que acontece na Terra, a maior parte da água no espaço toma a forma de vapor ou forma camadas de gelo presas nos grãos da poeira interestelar. Isso ocorre porque a densidade extremamente baixa do espaço interestelar - que é trilhões de vezes menor do que a do ar - impede a formação de água líquida.

Mas não se trata apenas de encontrar água para indicação da presença de vida. A água pode clarear áreas que não podem ser vistas diretamente. O nascimento das formações estelares pode nos dizer sobre como o Universo se comporta. Mas, como a única maneira de estudar esse processo de formação estelar em seus ambientes obscurecidos pela poeira é através da luz infravermelha, é de vital importância detectar transições da água que sejam capazes de detectar essa luz.

Transições da água

As moléculas de água apresentam níveis de energia quântica flutuantes. Essa atividade nos permite observá-las e é conhecida como transição da água. O termo refere-se ao melhor ponto para a observação científica, que é o comprimento de onda exato em que as moléculas de água passam de um estado quântico para outro, emitindo luz e aumentando sua visibilidade durante o processo.

A maioria dessas transições não é muito energética, de forma que elas aparecem nas faixas do infravermelho distante e sub-milímetro do espectro eletromagnético, com minúsculos comprimentos de onda, variando de 50 a 1.000 micrômetros (1 mm). Observar essas transições da água a partir do solo é muito difícil porque o espesso vapor na atmosfera da Terra bloqueia quase completamente suas emissões.

Felizmente, melhorias na tecnologia e o desenvolvimento de supertelescópios oferecem um portal cada vez maior para o Universo. Agora já conseguimos detectar as transições da água de um modo que simplesmente não poderíamos fazer antes. Elas são melhor vistas a partir de observatórios situados em altitude elevada, em locais extremamente secos. É o caso do telescópio ALMA, que está localizado no deserto de Atacama (Chile) a 5.000 m acima do nível do mar.

Transição da água especial

Em nosso último estudo, nós utilizamos o ALMA e detectamos a transição de água (670 micrômetros) no espaço pela primeira vez. As moléculas foram vistas em uma galáxia espiral próxima (160 milhões de anos-luz de distância) em um ponto onde o Universo está amplamente expandido, e a atmosfera é, portanto, mais transparente (deslocamento para o vermelho de 676 micrômetros).

A emissão de vapor de água nessa galáxia origina-se em sua parte central, no seu núcleo, onde ocorre a maioria da formação de estrelas. Para se ter uma ideia da magnitude dessa galáxia, seu núcleo contém uma quantidade de água equivalente a 30 trilhões de vezes a água de todos os oceanos da Terra, em um diâmetro de 15 milhões de vezes a distância da Terra ao Sol.

Mas o que diferencia essa transição da água de outras observadas no passado?

Nossa análise revelou que essas moléculas de água intensificam sua taxa de emissão quando entram em contato com fótons de luz infravermelha. Esse aumento de atividade torna mais fácil observá-las. As moléculas de água são atraídas principalmente por fótons com comprimentos de onda específicos de 79 e 132 micrômetros, que, quando absorvidos, fortalecem o contorno da transição, aumentando assim sua visibilidade. Por esta razão, esta transição específica da água tem a capacidade de nos mostrar a intensidade da luz infravermelha no núcleo das galáxias, em escalas espaciais muito menores do que as permitidas por observações diretas de infravermelho.

Evolução das galáxias

A luz infravermelha é produzida durante eventos como o crescimento de buracos negros supermassivos ou rajadas extremas de formação de estrelas. Esses eventos geralmente ocorrem em ambientes extremamente obscurecidos por poeira, onde a luz visível é quase completamente absorvida pelos grãos de pó. A energia absorvida por esses grãos aumenta a temperatura e eles começam a emitir radiação térmica no infravermelho.

Capturar esses eventos pode nos dizer muito sobre o comportamento do Universo, de modo que a detecção de transições da água que podem capturar essa luz infravermelha é vital. 
Indo adiante, planejamos observar essa transição de água em mais galáxias, onde o pó bloqueia toda a luz óptica. Isso revelará o que se esconde por trás dessas cortinas de poeira e nos ajudará a entender como as galáxias evoluem de espirais formadoras de estrelas, como a Via Láctea, para galáxias elípticas mortas, onde nenhuma nova estrela é formada.
Fonte: Inovação Tecnológica

Matéria escura em um universo simulado

Será que o nosso universo é um lugar assombrado? Pode parecer que sim se você olhar para esse mapa, que é uma representação da distribuição da matéria escura no universo. A gravidade da matéria escura é a principal explicação de porque as galáxias giram tão rápido, porque as galáxias orbitam dentro dos aglomerados tão rápidas, porque as lentes gravitacionais defletem tão intensamente a luz e porque a matéria visível é distribuída como é tanto no universo local como na radiação cósmica micro-ondas de fundo. A imagem acima é do Sapce show Dark Universe que acontece no Hayden Planetarium do American Museum of Natural History e destaca um exemplo de quão penetrante a matéria escura pode ser e pode assombrar o universo. 

Essa imagem na verdade é um frame de uma simulação computacional, que mostra os complexos filamentos de matéria escura, mostrados em preto, espalhados sobre o universo como se fossem teia de aranha, enquanto que aglomerações relativamente raras de matéria bariônica familiar são coloridas de laranja. Essas simulações têm um bom ajuste estatístico com as observações astronômicas. Numa mudança de eventos talvez mais assustadora ainda, a matéria escura, embora seja muito estranha, não é considerada como sendo a fonte de gravidade mais estranha do universo. Essa honra agora pertence à chamada energia escura, uma fonte mais uniforme de gravidade repulsiva que parece dominar a expansão do universo.

DAWN encontra possíveis restos de um antigo oceano em CERES

Esta animação mostra o planeta anão Ceres, visto pela sonda Dawn da NASA. O mapa sobreposto à direita dá aos cientistas pistas sobre a estrutura interna de Ceres, graças a medições de gravidade.Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

Ceres está repleto de minerais que contêm água, sugerindo que o planeta anão poderá ter tido um oceano global no passado. O que aconteceu a esse oceano? Será que Ceres ainda tem água líquida hoje? Dois novos estudos da missão Dawn da NASA lançaram luz sobre estas questões.

A equipe da Dawn descobriu que a crosta de Ceres é uma mistura de gelo, sais e materiais hidratados que foram submetidos a atividades geológicas passadas e possivelmente recentes, e que essa crosta representa a maior parte desse antigo oceano. O segundo estudo baseia-se no primeiro e sugere que existe uma camada mais macia e facilmente deformável sob a crosta da superfície rígida de Ceres, que também pode ser a assinatura do líquido residual do oceano.

"Mais e mais, estamos a aprender que Ceres é um mundo dinâmico e complexo que pode ter hospedado muita água líquida no passado, e ainda pode ter alguma água subterrânea," comenta Julie Castillo-Rogez, cientista do projeto Dawn e coautora dos estudos, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

Como é o interior de Ceres? A gravidade pode-nos dizer

Aterrar em Ceres para investigar o seu interior seria um desafio técnico e arriscaria contaminar o planeta anão. Em vez disso, os cientistas usam as observações orbitais da Dawn para medir a gravidade de Ceres, a fim de estimar a sua composição e estrutura interior.

O primeiro dos dois estudos, liderado por Anton Ermakov, investigador pós-doutorado no JPL, usou medições da forma e dados de gravidade da missão Dawn para determinar a estrutura interna e composição de Ceres. As medições foram obtidas pela observação dos movimentos da nave com a DSN (Deep Space Network) da NASA para rastrear pequenas mudanças na órbita da sonda. Este estudo foi publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets.

A investigação de Ermakov e colegas apoia a possibilidade de que Ceres é geologicamente ativo - se não atualmente, então talvez tenha sido no passado recente. Três crateras - Occator, Kerwan e Yalod - e a solitária montanha de Ceres, Ahuna Mons, estão associadas com "anomalias gravitacionais". Isto significa que as discrepâncias entre os modelos da gravidade de Ceres feitos pelos cientistas e o que a Dawn observou nestes quatro locais podem ser associadas com estruturas subterrâneas.

"Ceres tem uma abundância de anomalias gravitacionais associadas com características geológicas excecionais," comenta Ermakov. Nos casos de Ahuna Mons e Occator, as anomalias podem ser usadas para melhor entender a origem destas características, que se pensa serem expressões diferentes de criovulcanismo.

O estudo descobriu que a densidade da crosta é relativamente baixa, mais próxima da do gelo do que das rochas. No entanto, um estudo pelo investigador convidado da Dawn, Michael Bland do USGS (U.S. Geological Survey), indicou que o gelo é demasiado suave para ser o componente dominante da crosta forte de Ceres. Então, como pode a crosta de Ceres ser tão leve quanto o gelo em termos de densidade, mas simultaneamente muito mais forte? Para responder a esta questão, outra equipa modelou como a superfície de Ceres evoluiu com o tempo.

Um Oceano "Fóssil" em Ceres

O segundo estudo, liderado por Roger Fu da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, investigou a força e composição da crosta de Ceres e o interior mais profundo ao estudar a topografia do planeta anão. Este estudo foi publicado na revista Earth and Planetary Science Letters.

Ao estudar como a topografia evoluiu num corpo planetário, os cientistas podem entender a composição do seu interior. Uma crosta forte e dominada por rocha pode permanecer inalterada ao longo dos 4,5 mil milhões de anos do Sistema Solar, enquanto uma crosta fraca, rica em gelos e sais, deformar-se-ia ao longo desse período.

Ao modelar a forma como a crosta de Ceres flui, Fu e colegas descobriram que é provavelmente uma mistura de gelo, sais, rocha e um componente adicional que se pensa ser hidrato de clatrato. Um hidrato de clatrato é uma "jaula" de moléculas de água que rodeiam uma molécula de gás. Esta estrutura é 100 a 1000 vezes mais forte do que a água gelada, apesar de ter quase a mesma densidade.

Os cientistas pensam que Ceres já teve características de superfície mais pronunciadas, mas que suavizaram com o passar do tempo. Este tipo de achatamento de montanhas e vales requer uma crosta de alta resistência descansando por cima de uma camada mais deformável, que Fu e colegas interpretam conter um pouco de líquido.

A equipa pensa que a maior parte do oceano antigo de Ceres está agora congelado e preso na crosta sob a forma de gelo, hidratos de clatrato e sais. Assim permanece há mais de 4 mil milhões de anos. Mas a existir líquido residual por baixo, esse oceano ainda não está completamente congelado. Isso é consistente com os vários modelos de evolução térmica de Ceres publicados antes da chegada da Dawn, apoiando a ideia de que o interior mais profundo de Ceres contém o líquido restante do seu antigo oceano.
Fonte: ASTRONOMIA ONLINE

Antares espreita um Telescópio Auxiliar

Nesta imagem do Observatório do Paranal do ESO podemos ver estrelas azuis brilhantes salpicando o céu austral, enquanto o bojo galático da nossa Via Láctea se encontra visível por cima do horizonte. A imagem foi obtida no alto do Cerro Paranal no Chile, local que abriga o Very Large Telescope do ESO (VLT). Em primeiro plano vemos a cúpula aberta de um dos Telescópios Auxiliares de 1,8 metros. Os quatro Telescópios Auxiliares podem ser usados em conjunto para formar o Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI). O plano da Via Láctea encontra-se salpicado de regiões brilhantes de gás quente. A estrela muito brilhante na direção do canto superior esquerdo da imagem é Antares — a estrela mais brilhante do Escorpião e a 15ª estrela mais brilhante do céu noturno.
Crédito: ESO

Passagem da Bíblia tem o registro mais antigo de um eclipse solar

Está circulando há cerca de 2.500 anos e deve ter sido lida por milhões e milhões de pessoas. Mas a primeira menção a um eclipse solar tinha passado despercebida até agora. Em uma pesquisa que combina análise linguística de idiomas milenares, antigos escritos astronômicos da Babilônia, estelas (pedras com inscrições) do Egito dos faraós e modernos cálculos da maquinaria celeste, cientistas britânicos acreditam ter encontrado na Bíblia o primeiro registro de um eclipse solar anular.

Deixando de lado a historicidade da Bíblia, ao longo dela há muitas passagens históricas contando a evolução dos israelitas. A arqueologia e a história comparada confirmaram a existência de muitos personagens, lugares e fatos históricos, ao mesmo tempo em que descartaram muitos outros míticos. Um desses personagens é Josué, profeta tanto para judeus quanto para cristãos e muçulmanos, e caudilho e sucessor de Moisés à frente dos hebreus. Josué foi, de acordo com a tradição bíblica, aquele que finalmente conquistou a terra prometida e a dividiu entre as 12 tribos. Suas peripécias e muitas guerras foram registradas no livro homônimo do Antigo Testamento.

No Livro de Josué (10:12-13), lê-se a seguinte passagem:

“Josué falou ao Senhor no dia em que ele entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse em presença dos israelitas:

«Sol, detém-te sobreGibeão, e tu, ó Lua, sobre o vale de Ajalon».

E o Sol se deteve e a Lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos.

Isto está escrito no Livro do Justo. E, de fato, o Sol parou no zênite e não se moveu durante quase um dia inteiro”.

A lenda bíblica diz que Josué pediu a Jeová parar o Sol e a Lua

Lido ao pé da letra, o relato é tão mítico como a separação das águas do Mar Vermelho por Moisés. Mas um grupo de pesquisadores britânicos acredita que a leitura literal esconde o que realmente aconteceu. As várias traduções modernas do conteúdo bíblico partem da primeira tradução, do hebraico e do aramaico para o grego. Talvez tenha sido aí que se perdeu o significado real das palavras até ficar no que parece dizer: que a Lua e o Sol pararam.

“Mas indo ao texto hebraico original, pensamos que outro possível significado seria que o Sol e a Lua deixaram de fazer o normalmente fazem: pararam de brilhar”, diz o pesquisador da Universidade de Cambridge e coautor da pesquisa, Colin Humphreys, um apaixonado por colocar a lupa da ciência na Bíblia. Concretamente, o texto original usa as palavras hebraicas dôm e ‘amad para designar o que o Sol e a Lua fizeram, respectivamente. A primeira tem vários significados, de estar em silêncio a emudecer, passando por permanecer imóvel. A segunda significa tanto deter-se quanto parar ou manter.

Para ajudar essa alternativa, os autores do estudo, publicado pela revista Astronomy and Geophysics, ressaltam que a palavra dôm compartilha raiz com termos astronômicos referentes a eclipses encontrados em tabuletas babilônicas da mesma época. “Nesse contexto, as palavras hebraicas poderiam se referir a um eclipse solar, quando a Lua passa entre a Terra e o Sol e este parece parar de brilhar”, observa Humphreys. Em particular, aposta em um eclipse anular, no qual o satélite não consegue esconder toda a estrela, deixando ver uma espécie de anel de fogo.

Outra prova circunstancial que os pesquisadores colocam sobre a mesa tem a ver com a historicidade da presença de Josué e dos israelitas nas terras de Canaã há 3.200 anos. Essa parte da história é confirmada na estela de Merneptah, um longo texto escrito em um bloco de granito é conservado no Museu Egípcio do Cairo. Merneptah, filho do faraó Ramsés II, o Grande, reinou entre 1213 e 1203 a. C., de acordo com as cronologias mais aceitas. A estela, gravada no quinto ano do seu reinado, registra como Merneptah teve que enviar tropas a Canaã para ajudar vários de seus feudos que estavam sendo assediados pelos israelitas. São as guerras que o Livro de Josué reúne, embora ambos os textos não coincidam em relação a quem ganhou.

Delimitados os fatos e os personagens históricos, os pesquisadores lançaram a máquina de calcular eclipses, algo não tão simples como se acredita. “Podemos calcular eclipses futuros ou passados. Mas quanto mais voltamos no tempo, mais temos de levar em consideração as mudanças na velocidade de rotação da Terra”, explica o físico britânico. O movimento do planeta sobre si mesmo não é constante. “Somente nos últimos 20 anos conseguimos fazer esses cálculos para eclipses realmente antigos”, acrescenta Humphreys.

As variações da velocidade de rotação da Terra complicam o cálculo de eclipses passados e futuros

De acordo com suas estimativas, o único eclipse anular visível em Gibeão, a poucos quilômetros a nordeste de Jerusalém, entre 1500 e 1050 a. C. aconteceu (seguindo o calendário atual) às 15h27 de 30 de outubro de 1207 a. C. O Sol ainda deveria estar parcialmente eclipsado no crepúsculo, às 17h38. Durante a fase central do eclipse, a Lua cobriu até 86% da área do disco solar, reduzindo a visibilidade a um décimo da habitual. A passagem da Bíblia não mente, embora exagere um pouco.

Se a data for aceita pela comunidade científica, seria o registro mais antigo de um eclipse solar. Embora existam referências a pelo menos outros três possíveis eclipses anteriores ao ano 1000 a. C. em uma lenda chinesa, uma tabuleta da Mesopotâmia ou na Odisseia de Homero, nenhuma delas resistiu aos cálculos astronômicos. É preciso avançar até 700 a. C., quando os chineses começaram a registrar os eclipses. Na época, os assírios os gravavam em tabuletas de argila.


Esses registros são fundamentais para a história da Astronomia, mas também para fixar outros eventos da história. O eclipse solar de 15 de junho de 763, visto sobre as terras da Mesopotâmia, serviu para datar grande parte da história do Oriente Médio. Agora, a passagem do Livro de Josué poderia ajudar a esclarecer outros 500 anos de história antiga, começando pelas cronologias hebraica e egípcia.
Fonte: msn.com
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