1 de junho de 2018

NGC 1360: A Nebulosa do Ovo do Pisco


Esta linda nuvem cósmica fica a cerca de 1500 anos-luz de distância, a sua forma e cor lembram o ovo azul de um pisco. Estende-se por cerca de 3 anos-luz, aninhada em segurança dentro dos limites da constelação do hemisfério sul da Fornalha. Reconhecida como uma nebulosa planetária, NGC 1360 no entanto não representa um começo. Em vez disso, corresponde a uma fase breve e final na evolução de uma estrela envelhecida. De facto, visível na imagem telescópica, a estrela central de NGC 1360 é conhecida por ser um sistema estelar binário que provavelmente consiste de duas estrelas anãs brancas evoluídas, menos massivas mas muito mais quentes que o Sol. A sua intensa radiação ultravioleta e de outra forma invisível removeu os eletrões dos átomos no invólucro gasoso circundante. O tom predominantemente azul-esverdeado de NGC 1360 visto aqui é a forte emissão produzida à medida que os eletrões se recombinam com átomos de oxigénio duplamente ionizados.


Crédito: Josep Drudis, Don Goldman

Investigadores descobrem uma das mais massivas estrelas de neutrões


Usando um método pioneiro, investigadores do Grupo de Astronomia e Astrofísica da Universidade Politécnica da Catalunha e do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias encontraram uma estrela de neutrões com aproximadamente 2,3 massas solares - uma das mais massivas já detetadas. O estudo foi publicado na edição de 23 de maio da revista The Astrophysical Journal e abre um novo caminho de conhecimento em muitos campos da astrofísica e da física nuclear.

As estrelas de neutrões (frequentemente chamadas pulsares) são remanescentes estelares que atingiram o final da sua vida evolutiva: resultam da morte de uma estrela com 10 a 30 vezes a massa do Sol. Apesar do seu pequeno tamanho (cerca de 20 km em diâmetro), as estrelas de neutrões têm mais massa do que o Sol, por isso são extremamente densas.

Investigadores da Universidade Politécnica da Catalunha e do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias usaram um método inovador para medir a massa de uma das mais pesadas estrelas de neutrões conhecidas até ao momento. Descoberta em 2011 e com o nome PSR J2215+5135, tem mais ou menos 2,3 massas solares e é uma das mais massivas das mais de 2000 estrelas de neutrões conhecidas até à data. Embora um estudo publicado em 2011 tenha relatado evidências de uma estrela de neutrões com 2,4 massas solares, as estrelas de neutrões mais massivas que anteriormente haviam alcançado um consenso entre os cientistas, relatadas em 2010 e 2013, têm duas vezes a massa do Sol.

O estudo foi liderado por Manuel Linares, investigador Marie-Curie do Grupo de Astronomia e Astrofísica, ligado ao Departamento de Física da Universidade Politécnica da Catalunha, em colaboração com os astrónomos Tariq Shahbaz e Jorge Casares do Instituto de Astrofísica da Ilhas Canárias. Os cientistas usaram dados obtidos pelo GTC (Gran Telescopio Canarias), o maior telescópio ótico e infravermelho do mundo, o WHT (William Herschel Telescope), o ING (Isaac Newton Telescope Group) e o telescópio IAC-80, em combinação com modelos dinâmicos de estrelas binárias com irradiação. O artigo que relata os resultados foi publicado na revista The Astrophysical Journal.

Um método de medição pioneiro

A equipa desenvolveu um método mais preciso do que os usados até agora para medir a massa de estrelas de neutrões em binários compactos. PSR J2215+5135 faz parte de um sistema binário, no qual duas estrelas orbitam em torno de um centro de massa comum: uma estrela "normal" (como o Sol) "acompanha" a estrela de neutrões. A estrela secundária ou companheira é fortemente irradiada pela estrela de neutrões.

Quanto mais massiva é a estrela de neutrões, mais rápida a estrela companheira se move na sua órbita. O novo método utiliza linhas espectrais de hidrogénio e magnésio para medir a velocidade com que a estrela companheira se move. Isso permitiu que a equipa liderada por Manuel Linares medisse, pela primeira vez, a velocidade de ambos os lados da estrela companheira (o lado irradiado e o lado sombreado) e mostrasse que a estrela de neutrões pode ter mais do dobro da massa do Sol.

Este novo método também pode ser aplicado ao resto desta crescente população de estrelas de neutrões: ao longo dos últimos 10 anos, o telescópio de raios-gama Fermi-LAT da NASA revelou dúzias de pulsares parecidos com PSR J2215+5135. Em princípio, o método também pode ser usado para medir a massa de buracos negros e anãs brancas (remanescentes de estrelas que morrem com mais de 30 ou menos de 10 massas solares, respetivamente) quando localizados em sistemas binários similares nos quais a irradiação é importante.

Mais denso que um núcleo atómico

Ser capaz de determinar a massa máxima de uma estrela de neutrões tem consequências muito importantes para bastantes campos da astrofísica, bem como para a física nuclear. As interações entre os nucleões (os neutrões e protões que compõem o núcleo de um átomo) a altas densidades são dos maiores mistérios da física atual. As estrelas de neutrões são um laboratório natural para estudar os estados de matéria mais densos e exóticos que podem ser imaginados.

Os resultados do projeto também sugerem que, para suportar a massa de 2,3 sóis, a repulsão entre as partículas no núcleo da estrela de neutrões deve ser suficientemente forte. Isto indicaria que é improvável que encontremos quarks livres ou outras formas exóticas de matéria no centro da estrela de neutrões.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia

Novo modelo explica o que vemos quando um enorme buraco negro devora uma estrela

Ilustração de emissões de um evento de perturbação por forças de maré que mostra o que acontece quando o material de uma estrela dilacerada é devorado por um buraco negro. O material forma um disco de acreção, que aquece e emite vastas quantidades de radiação. As emissões que vemos da Terra dependem do nosso ângulo de visão em relação à orientação do buraco negro.Crédito: Jane Lixin Dai

Uma estrela que vagueia demasiado perto do buraco negro supermassivo no centro da sua galáxia será dilacerada pela gravidade do buraco negro num violento cataclismo chamado TDE ("tidal disruption event", em português evento de perturbação por forças de maré), produzindo um clarão luminoso de radiação. Um novo estudo liderado por astrofísicos teóricos do Instituto Niels Bohr e da Universidade da Califórnia em Santa Cruz fornece um modelo unificado que explica observações recentes desses eventos extremos.

O estudo inovador, publicado na The Astrophysical Journal Letters, fornece uma nova perspetiva teórica para um campo de investigação em rápido crescimento. Somente na última década pudemos distinguir os TDEs de outros fenómenos galácticos, e o novo modelo fornecerá a estrutura básica para entender estes eventos raros," comenta o coautor Enrico Ramirez-Ruiz, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia em Santa Cruz e da Universidade de Copenhaga.

Na maioria das galáxias, o buraco negro central está inativo, não consumindo ativamente nenhum material e, portanto, não emite nenhuma luz. Os eventos de perturbação por forças de maré são raros, ocorrendo apenas uma vez a cada 10.000 anos numa galáxia típica. No entanto, quando uma estrela azarada é dilacerada, o buraco negro é "superalimentado" com detritos estelares por algum tempo e emite radiação intensa.

"É interessante ver como os materiais chegam ao buraco negro sob condições tão extremas," realça a autora principal Jane Lixin Dai, professora assistente da Universidade de Copenhaga, que liderou o estudo. "À medida que o buraco negro consome o gás estelar, é emitida uma grande quantidade de radiação. A radiação é o que podemos observar e graças a ela podemos compreender a física e calcular as propriedades do buraco negro. Isso torna extremamente interessante a caça de eventos de perturbação por forças de maré."

Apesar de se esperar que a mesma física esteja presente em todos os eventos de perturbação por forças de maré, cerca de duas dúzias dos quais foram observados até agora, as propriedades destes eventos mostraram grande variação. Alguns emitem principalmente raios-X, enquanto outros emitem principalmente luz visível e ultravioleta. Os teóricos têm lutado para perceber esta diversidade e para juntar diferentes peças do quebra-cabeças num modelo coerente.

Ângulo de visão

No novo modelo, é o ângulo de visão do observador que explica as diferenças nas observações. As galáxias estão orientadas aleatoriamente em relação à linha de visão dos observadores na Terra, que veem diferentes aspetos de um evento de perturbação por forças de maré dependendo da sua orientação.

"É como se existisse um véu que cobre parte de uma fera," explicou Ramirez-Ruiz. "De alguns ângulos vemos o monstro exposto, mas de outros ângulos vemos um monstro tapado. É o mesmo, mas as nossas perceções são diferentes. O modelo desenvolvido por Dai e colaboradores combina elementos da relatividade geral, dos campos magnéticos, da radiação e da hidrodinâmica do gás. Mostra o que os astrónomos podem esperar ao ver eventos de perturbação por forças de maré de diferentes ângulos, permitindo que os investigadores encaixem diferentes eventos numa estrutura coerente.

De acordo com Dai, espera-se que os levantamentos planeados para os próximos anos forneçam muitos mais dados sobre eventos de perturbação por forças de maré e ajudem a expandir enormemente este campo de pesquisa. Estes incluem o levantamento transiente YSE (Young Supernova Experiment), liderado pelo Centro de Cosmologia DARK no Instituto Niels Bohr e pela Universidade da Califórnia em Santa Cruz, e o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) que está sendo construído no Chile.

"Observaremos centenas de milhares de eventos de perturbação por forças de maré nos próximos anos. Fornecerão muitos 'laboratórios' para testar o nosso modelo e para o usar a fim de entender mais sobre os buracos negros," salienta Dai.
FONTE: https://phys.org 

Evento de onda gravitacional sinalizou provavelmente a criação de um buraco negro

A espetacular fusão de duas estrelas de nêutrons que geraram ondas gravitacionais anunciadas no ano passado provavelmente fez outra coisa: o nascimento de um buraco negro. Esse buraco negro recém-gerado seria o buraco negro de menor massa já encontrado. Um novo estudo analisou dados do Chandra X-ray Observatory da NASA realizado nos dias, semanas e meses após a detecção de ondas gravitacionais pelo Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory (LIGO) e raios gama pela missão Fermi da NASA em 17 de agosto de 2017. Enquanto quase todos os telescópios à disposição dos astrônomos profissionais observaram essa fonte, conhecida oficialmente como GW170817, os raios X de Chandra são críticos para entender o que aconteceu depois que as duas estrelas de nêutrons colidiram.

A partir dos dados do LIGO, os astrônomos têm uma boa estimativa de que a massa do objeto resultante da fusão de estrelas de nêutrons é cerca de 2,7 vezes a massa do Sol. Isto coloca-o numa corda bamba da identidade, implicando que seja a estrela de nêutrons mais massiva já encontrada ou o buraco negro de massa mais baixo já encontrado até hoje.

Os detentores de recordes anteriores para este último não são menos do que cerca de quatro ou cinco vezes a massa do Sol. As observações do Chandra são reveladoras, não apenas pelo que revelaram, mas também pelo que não revelaram. Se as estrelas de nêutrons se fundissem e formassem uma estrela de nêutrons mais pesada, então os astrônomos esperariam que ela girasse rapidamente e gerasse um campo magnético muito forte. Isso, por sua vez, teria criado uma bolha expansiva de partículas de alta energia que resultaria em emissão de raios-X brilhante.

Em vez disso, os dados do Chandra mostram níveis de raios X que são um fator de algumas centenas de vezes menor do que o esperado para uma estrela de nêutrons fundida e girando rapidamente e a bolha associada de partículas de alta energia, sugerindo um buraco negro . Se confirmado, este resultado mostra que uma “receita” para fazer um buraco negro às vezes pode ser complicada.

No caso de GW170817, seriam necessárias duas explosões de supernovas que deixassem para trás duas estrelas de nêutrons em uma órbita suficientemente rígida para a radiação de ondas gravitacionais para unir as estrelas de nêutrons. Uma observação de Chandra dois a três dias após o evento não conseguiu detectar uma fonte, mas as observações subsequentes 9, 15 e 16 dias após o evento, resultaram em detecções.  A fonte foi atrás do Sol logo depois, mas mais brilho foi visto nas observações do Chandra cerca de 110 dias após o evento, seguido por uma intensidade de raios-X comparável após cerca de 160 dias.

Ao comparar as observações do Chandra com as do Very Large Array (VLA) Karl G. Jansky, da NSF, Dave Pooley, da Universidade Trinity, em San Antonio, Texas, que liderou o estudo e colaboradores explicam que a emissão de raios-X observada é devida inteiramente à onda de choque, semelhante a um boom sônico de um plano supersônico, da fusão esmagando o gás circundante. Não há sinal de raios X resultante de uma estrela de nêutrons.

As reivindicações da equipe de Pooley podem ser testadas por futuras radiografias e observações de rádio. Se o remanescente for uma estrela de nêutrons com um forte campo magnético , então a fonte deve ficar muito mais brilhante em comprimentos de onda de raios X e rádio em cerca de dois anos, quando a bolha de partículas de alta energia alcançar a desaceleração da onda de choque.

Se é realmente um buraco negro, os astrônomos esperam que ele continue a se tornar mais fraco, o que foi recentemente observado à medida que a onda de choque enfraquece. Se as observações subseqüentes descobrirem que uma estrela de nêutrons pesada sobreviveu, tal descoberta desafiaria as teorias para a estrutura das estrelas de nêutrons e quão massivas elas podem chegar.

Crédito das imagens: NASA / CXC / Trinity University / D.Pooley et al.

Fonte: https://phys.org

Pesquisadores identificaram 121 planetas gigantes que podem ter luas habitáveis

Todos nós já ouvimos falar da busca por vida em outros planetas, mas e quanto a olhar outras luas?

Em um artigo publicado no The Astrophysical Journal , pesquisadores da Universidade da Califórnia, Riverside e da University of Southern Queensland identificaram mais de 100  gigantes que potencialmente hospedam luas capazes de suportar a vida. Seu trabalho guiará o projeto de futuros telescópios capazes de detectar essas luas potenciais e procurar sinais de vida, chamados de bioassinaturas, em suas atmosferas.
Desde o lançamento do telescópio Kepler da NASA em 2009, os cientistas identificaram milhares de planetas fora do nosso sistema solar, chamados de exoplanetas. Um dos principais objetivos da missão Kepler é identificar os planetas que estão nas  de suas estrelas, o que significa que não é nem muito quente nem muito frio para que a água líquida - e potencialmente a vida - exista.
Os planetas terrestres (rochosos) são os principais alvos na busca da vida, porque alguns deles podem ser geologicamente e atmosfericamente semelhantes à Terra. Outro lugar para procurar são os muitos gigantes de gás identificados durante a missão Kepler. Embora não sejam candidatos à própria vida, os planetas semelhantes a Júpiter na zona habitável podem abrigar luas rochosas, chamadas exoões, que poderiam sustentar a vida.
"Existem atualmente 175 luas conhecidas orbitando os oito planetas do nosso sistema solar. Embora a maioria dessas luas orbitem Saturno e Júpiter, que estão fora da zona habitável do Sol, pode não ser o caso em outros sistemas solares", disse Stephen Kane. professor associado de astrofísica planetária e membro do Centro Alternativo de Astrobiologia da Terra da UCR. "Incluindo exominações rochosas em nossa busca por vida no espaço expandirá grandemente os lugares que podemos olhar."
Os pesquisadores identificaram 121 planetas gigantes que têm órbitas dentro das zonas habitáveis ​​de suas estrelas. Em mais de três vezes os raios da Terra, esses planetas gasosos são menos comuns que os planetas terrestres, mas espera-se que cada um deles abrigue várias grandes luas.
Os cientistas especularam que as exoões podem proporcionar um ambiente favorável à vida, talvez até melhor do que a Terra. Isso porque eles recebem energia não apenas de sua estrela, mas também da radiação refletida de seu planeta. Até agora, nenhum exomoons foi confirmado.
"Agora que criamos um banco de dados dos  conhecidos na zona habitável de sua estrela, as observações dos melhores candidatos para hospedagem de exôluas em potencial serão feitas para ajudar a refinar as propriedades exóticas esperadas. Nossos estudos de acompanhamento ajudarão a informar futuras projeto do telescópio para que possamos detectar essas luas, estudar suas propriedades e procurar sinais de  ", disse Michelle Hill, aluna de graduação da Universidade de Southern Queensland que está trabalhando com Kane e se unirá ao programa de pós-graduação da UCR no outono.
Fonte: https://phys.org

Plutão pode ter se originado a partir de vários cometas


Pesquisadores analisaram dados coletados em missões espaciais e descobriram que o planeta-anão contém tanto nitrogênio quanto um possível congregado de cometas deveria ter
Desde o rebaixamento à “planeta anão”, conferido pela União Astronômica Internacional (IAU) em agosto de 2006, as facetas de Plutão vêm sendo estudadas e desvendadas pela comunidade científica mundial. Dessa vez, a nova teoria é que Plutão foi formado a partir da junção de vários comentas. 

Isso é o que sustenta o recente estudo realizado por pesquisadores do centro Southwesr Research Institute, no Texas (EUA), realizado a partir da junção de dados coletados pela missão espacial New Horizons, da NASA, e das informações colhidas pela sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA). 

“Desenvolvemos o que chamamos de ‘modelo cosmoquímico do cometa gigante’ da formação de Plutão”, disse o cientista Christopher Glein, da divisão de ciência espacial e engenharia do Southwesr Research Institute.
ein e seu grupo estudaram a grande geleira Sputnik Planitia, na superfície de Plutão.

“Nós encontramos uma consistência intrigante entre a quantidade estimada de nitrogênio dentro do glaciar e a quantidade que seria esperada caso Plutão fosse formado por um aglomerado de um bilhão de cometas ou outros objetos do Cinturão de Kuiper com composições químicas similares”, afirmou Glein em comunicado à imprensa.

Além do modelo de cometa, os cientistas também investigaram um possível modelo solar. Nesse caso, Plutão teria se formado a partir de gelo que teria uma composição química mais próxima da do Sol.

Durante o estudo, os pesquisadores precisaram analisar a presença de nitrogênio em Plutão – em sua atmosfera e em suas geleiras – e o quanto esse elemento volátil poderia ter vazado para o espaço ao longo do tempo.

Para tanto, eles precisaram combinar a proporção de monóxido de carbono com a de nitrogênio em Plutão para obter uma visão mais completa – e foi assim que descobriram que a baixa abundância do gás CO no planeta-anão está associada a camadas de gelo na superfície e até à destruição de água líquida.

“Nossa pesquisa sugere que composição química inicial de Plutão, herdada de blocos de cometas, foi quimicamente modificada pela água líquido, talvez até mesmo em um oceano subterrâneo”, indicou Glein.

O grupo não descarta a necessidade de se estudar melhor os dois modelos possíveis no futuro, especialmente o solar, que ainda está com muitas questões em aberto.

“Essa pesquisa foi construída a partir do sucesso fantástico das missões New Horizons e Rosetta, feitas para expandir nossa compreensão acerca da origem e evolução de Plutão”, disse Glein.

“Usando a química como uma pista, somos capazes de traçar certas características que observamos hoje em Plutão com processos de formação que ocorrem há tempos atrás. Isso nos leva a uma nova apreciação da riqueza da ‘história de vida’ de Plutão que estamos começando a entender agora”, completou.

As descobertas do grupo foram publicadas no periódico impresso Icarus e podem ser lidas no portal arXiv.
Fonte: GALILEU


Astrônomos desvendam mistério da formação de dunas em Plutão

Mistério sobre o planeta, que tem atmosfera 100 mil vezes menos densa que a da Terra e, portanto, rarefeita demais para abrigar ventos fortes, intrigou cientistas por anos.

Até então, dunas só eram reconhecidas como existentes na Terra, em Marte, em Vênus, em Titã - a maior das luas de Saturno - e no cometa 67P (Foto: Nasa)

Em julho de 2015, ao observarem os registros feitos pela missão não tripulada New Horizons, que sobrevoou Plutão, cientistas da Nasa, a agência espacial americana, ficaram intrigados: estranhamente, entre montanhas e glaciares, havia dunas no planeta-anão.

Para que dunas sejam formadas, é necessário que haja vento - e com um mínimo de intensidade. Mas a atmosfera de Plutão é 100 mil vezes menos densa do que a da Terra, rarefeita demais para abrigar fortes correntes de ar.

Então, afinal, como teriam se formado as dunas de Plutão?

A resposta parece ter sido finalmente encontrada a partir de um estudo realizado por uma equipe internacional e interdisciplinar de especialistas - geógrafos, físicos e astrônomos -, liderada pelo professor e pesquisador Matt Telfer, da Universidade de Plymouth, do Reino Unido.

A partir das imagens captadas pela New Horizons e fornecidas pela Nasa, eles realizaram uma análise detalhada da superfície de Plutão. E, graças a recursos de modelagem por computador, conseguiram projetar como se deu a formação das misteriosas dunas.

Em artigo que será publicado na revista Science nesta sexta-feira, eles anunciaram a descoberta de que as dunas de Plutão ocorrem em uma camada de gelo ao lado de uma cordilheira. Mais especificamente, em uma área de 75 quilômetros de diâmetro, próxima à vasta planície batizada de Sputnik Planitia.
Pesquisadores concluíram que, por conta do ar rarefeito e da gravidade muito mais baixa do que na Terra, ventos até 100 vezes mais fracos do que o necessário para formar dunas por aqui já seriam suficientes para formá-las em Plutão (Foto: Nasa)

Até então, dunas só eram reconhecidas como existentes na Terra, em Marte, em Vênus, em Titã - a maior das luas de Saturno - e no cometa 67P. Com a sublimação do nitrogênio de Plutão, ou seja, a conversão do nitrogênio sólido diretamente em gás, os cientistas concluíram que pequenas partículas de metano acabam sendo lançadas na atmosfera do planeta. (Plutão é composto basicamente de nitrogênio, metano e monóxido de carbono.)

Protegidos por essa cordilheira e conduzidos por oscilações de temperatura, esses grãozinhos se comportam de modo semelhante à nossa areia no deserto, formando, assim, as dunas.

Ventos fracos, mas eficazes

Os ventos dessa região existem e chegam a, no máximo, 40 quilômetros por hora. Os pesquisadores concluíram que, por conta do ar rarefeito e da gravidade muito mais baixa que a da Terra, ventos até 100 vezes mais fracos do que o necessário para formar dunas por aqui já seriam suficientes para formá-las em Plutão. Além disso, os grãos de gelo da superfície têm seus gradientes de temperatura influenciados pela radiação solar, favorecendo essa movimentação.

Entre a cordilheira e a camada de gelo, as tais dunas ficam sedimentadas. No estudo, analisando as formações rochosas do planeta, os cientistas também concluíram que esse fenômeno não ocorre desde sempre. Teria se iniciado há 500 mil anos.

De acordo com o professor Telfer, é de se supor que todo corpo do Sistema Solar com atmosfera e superfície rochosa tenha dunas. A questão é justamente explicar a formação de tais estruturas em locais quase sem atmosfera e com temperatura média tão baixa - em Plutão, cerca de 230ºC negativos.

A equipe, formada por cientistas da Universidade de Plymouth (Reino Unido), da Universidade de Colônia (Alemanha) e Universidade de Brigham Young (Estados Unidos) deve continuar analisando imagens colhidas pela New Horizons, buscando compreender mais sobre as formações geológicas do planeta.

É planeta ou não é?

Plutão tem simpatia popular não só por ser o mais distante dos nove planetas do Sistema Solar - na conformação clássica -, mas também por ter sido "vítima" de um rebaixamento recente da comunidade científica internacional. Primeiro, deixou de ser considerado planeta. Depois, retomou parcialmente o "status", mas como planeta-anão.

Sua história para a humanidade começa em 1840, quando o matemático e astrônomo francês Urbain Le Verrier previu a posição de Netuno. Observações seguintes deste planeta começaram a fazer os cientistas suporem que haveria um outro corpo celeste além dele. Nascia o conceito de Planeta X, obsessão do matemático e astrônomo americano Percival Lowell.

Em 1906, ele lançou um grande projeto para tentar localizar o que seria o nono planeta. Morreu sem conseguir. Ou, ao menos, sem saber que tinha conseguido - na verdade, ele chegou a fotografar Plutão duas vezes, mas não o reconheceu. Oficialmente, Plutão só seria descoberto em 1930, pelo astrônomo americano Clyde Tombaugh. O nome Plutão foi sugestão de Venetia Burney, uma menina de onze anos de Oxford, fã de mitologia clássica e astronomia.

Plutão logo caiu nas graças do povo. O destrambelhado cão Pluto, da Disney, criado no mesmo ano de 1930, recebeu este nome em homenagem ao então recém-descoberto planeta. Em 1941, o químico Glenn Seaborg descobriu um novo elemento da tabela periódica e deu a ele o nome de plutônio, também em referência ao último dos planetas.

Na virada do século 21, entretanto, a comunidade astronômica mundial passou a debater se Plutão deveria ou não ser considerado um planeta. Isso porque outros astros de tamanho próximo a ele passaram a ser descobertos, caso de Éris, encontrado em 2005 e com quase o mesmo diâmetro de Plutão - chegou a ser chamado de "o décimo planeta".

Em 2006, a União Astronômica Internacional criou uma definição formal do que era ou não um planeta. E Plutão foi rebaixado. Virou ex-planeta. Houve muita comoção popular e até mesmo dentro da comunidade científica. Plutão acabaria reclassificado como planeta-anão.

New Horizons
Lançada em 2006 pela NASA, a New Horizons foi a primeira sonda a sobrevoar Plutão - o que ocorreu em 14 de julho de 2015. A espaçonave também fotografou suas cinco luas, Caronte, Nix, Hidra, Cérbero e Estige.
Fonte: G1
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