13 de dezembro de 2018

Sonda Parker, da NASA, tira primeira foto dentro da atmosfera do Sol

A imagem registrada no dia 8 de novembro mostra parte da atmosfera do Sol (Foto: NASA)

A Parker Solar Probe, sonda que a NASA enviou em agosto para "tocar" o Sol, já quebrou o recorde de a nave mais veloz que a humanidade já construiu, e está cumprindo o seu objetivo de chegar mais perto da nossa estrela do que nunca. Agora, a Parker nos presenteou com sua primeira fotografia registrada de dentro da atmosfera solar.
Nos próximos sete anos, a sonda fará mais 24 aproximações do Sol, chegando a cerca de 6 milhões de quilômetros de sua superfície em sua aproximação máxima. No dia 6 de novembro, a Parker esteve a 24 milhões de km da superfície solar, o que é duas vezes mais próximo do Sol do que qualquer espaçonave anterior que já foi enviada por lá — no caso, a Helios, na década de 1970.
Até o dia 7 de dezembro, a sonda estava no lado oposto do Sol em relação à Terra e, por isso, não estava transmitindo suas observações até então. Depois que a sonda rumou a uma região favorável às comunicações, a equipe da NASA recebeu a fotografia que mostra a coroa solar de pertinho (sendo a coroa a fina atmosfera solar externa). Com a missão, a agência espacial espera desvendar o mistério do por que a coroa solar é cerca de 300 vezes mais quente do que a superfície do astro.
A Parker Solar Probe é ainda a primeira sonda da NASA nomeada a partir de uma pessoa viva, homenageando o astrofísico Eugene Parker, de 91 anos, que foi o primeiro cientista a apresentar a teoria do vento solar supersônico, o que aconteceu em 1958.
Fonte: Canaltech / NASA

Explorando a natureza variável de R Aquarii


O sistema R Aquarii consiste numa estrela binária simbiótica rodeada por uma enorme nebulosa dinâmica. Tais binários contêm duas estrelas em interação numa relação complexa e desigual — uma anã branca e uma gigante vermelha. Num ato inquietante de canibalismo estelar, a anã branca “engole” matéria da sua companheira maior. A gigante vermelha atormentada e a anã branca instável ejetam ocasionalmente matéria em estranhos jactos, arcos e rastros, dando origem às formas curiosas observadas nestas imagens.

Nesta imagem de comparação — um caso raro de evolução dinâmica capturada por telescópios colocados no solo — podemos ver a diferença que 15 anos podem fazer. Apesar de ser apenas um mero piscar de olhos à escala cósmica, o certo é que temos aqui a oportunidade ideal de observar um verdadeiro sistema dinâmico a mudar de forma no céu.

Estas imagens mostram a evolução não apenas de R Aquarii mas também das nossas capacidades observacionais. A imagem mais antiga foi obtida pelo Telescópio Óptico Nórdico de 2,5 metros, instalado na ilha de La Palma, Espanha. A imagem de 2012 foi captada pelo Very Large Telescope de 8 metros do ESO e revela detalhes desta extraordinária estrela simbiótica bastante mais intrincados.

Esta imagem de comparação é o primeiro ato da Semana de R Aquarii do ESO, durante a qual exploraremos este objeto intrigante e a sua evolução. Revelaremos a natureza dramática e variável de R Aquarii, mostrando como é que este objeto evoluiu e se expandiu ao longo de anos de observação.
Fonte: ESO

Fluido de massa negativa: nova teoria unifica matéria escura e energia escura em um único fenômeno

Uma nova teoria proposta por um cientista da Universidade de Oxford (Reino Unido) pode resolver uma das maiores questões da física moderna. A ideia é unificar a matéria escura e a energia escura em um único fenômeno: um fluido que possui “massa negativa”. Se você empurrasse tal massa negativa, ela aceleraria em sua direção.  A hipótese também se encaixa com uma previsão correta que Einstein fez há 100 anos.

LambdaCDM

Nosso modelo atual e amplamente conhecido do universo, chamado LambdaCDM, não nos diz nada sobre como a matéria escura e a energia escura são fisicamente. Nós só sabemos que elas existem por causa dos efeitos gravitacionais que têm em outro tipo de matéria, observável. O novo modelo, teorizado pelo Dr. Jamie Farnes, oferece uma explicação alternativa. 

“Pensamos agora que tanto a matéria escura quanto a energia escura podem ser unificadas em um fluido que possui um tipo de ‘gravidade negativa’, repelindo todo o material ao seu redor. Embora este material seja peculiar para nós, sugere que nosso cosmos é simétrico tanto em qualidades positivas quanto negativas”, esclarece.

A existência de matéria negativa havia sido descartada anteriormente, já que se pensava que esse material se tornaria menos denso à medida que o universo se expande, o que contraria nossas observações. 

No entanto, a pesquisa do Dr. Farnes aplica um “tensor de criação”, que permite que massas negativas sejam continuamente criadas. Se mais e mais massas negativas surgem continuamente, este fluido de massa negativa não se dilui durante a expansão do cosmos. Na verdade, o fluido parece ser idêntico à energia escura.

Halos de matéria escura

A teoria do Dr. Farnes também fornece as primeiras previsões corretas do comportamento dos halos da matéria escura.  A maioria das galáxias gira tão rapidamente que deveria se dilacerar, o que sugere que um “halo” invisível de matéria escura deve evitar tal destruição. 

A nova hipótese apresenta uma simulação computacional das propriedades da massa negativa, que prevê a formação de halos de matéria escura exatamente como os inferidos por observações usando radiotelescópios modernos.

Einstein e a constante cosmológica

Albert Einstein forneceu o primeiro indício de tal fenômeno exatamente há 100 anos, quando descobriu um parâmetro em suas equações conhecido como “constante cosmológica”, que agora sabemos ser sinônimo de energia escura.  Einstein notoriamente chamou a constante cosmológica de seu “maior erro”, embora as observações astrofísicas modernas provem que é um fenômeno real.

Em notas que datam de 1918, o físico escreveu que “uma modificação da teoria é requerida tal que ‘o espaço vazio’ assuma o papel de gravitar massas negativas que estão distribuídas por todo o espaço interestelar”. Portanto, é possível que o próprio Einstein tenha previsto um universo cheio de massa negativa.

O Dr. Farnes simplifica:

“Abordagens anteriores para combinar energia escura e matéria escura tentaram modificar a teoria da relatividade geral de Einstein, o que se mostrou incrivelmente desafiador. Essa nova abordagem adota duas velhas ideias que são reconhecidas como compatíveis com a teoria de Einstein – massas negativas e criação de matéria – e as combina. O resultado parece bastante bonito: a energia escura e a matéria escura podem ser unificadas em uma única substância, sendo ambos os efeitos simplesmente explicáveis como matéria de massa positiva surfando em um mar de massas negativas”.

Testando a hipótese

Como saberemos se esta nova teoria é correta? Testes realizados com um radiotelescópio de ponta conhecido como Square Kilometre Array (SKA), um esforço internacional com o qual a Universidade de Oxford colabora, poderiam nos trazer evidências.  Ainda há muitas questões teóricas e simulações computacionais para trabalharmos, e o LambdaCDM tem uma vantagem de quase 30 anos, mas estou ansioso para ver se esta nova versão estendida pode ‘casar’ com evidências observacionais. Se for real, sugere que os 95% do cosmos ausentes têm uma solução estética: esquecemos de incluir um simples sinal de menos”, conclui o Dr. Farnes.
A hipótese foi publicada em um artigo na revista científica Astronomy and Astrophysics. 
Fonte: Hypescience.com
[Phys]
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